Playing With Fire
35 Uma criança com seu olhar
Notas iniciais
3 anos depois...
O brilho do sol alcançou meus olhos exaustos, eu cobri meu rosto com o cobertor para a luz não me incomodar mais.
Eu e Butch havíamos esquecido de fechar a cortina, o que permitiu que a luz entrasse totalmente e iluminasse todo o quarto. Mas também, depois da loucura que fora noite passada, como lembrar de fechar as cortinas? Nós estávamos nus na cama de casal, Butch envolvia o braço em minha cintura, enquanto o outro passava pelo meu pescoço tocando a ponta de meus cabelos, agora curtos. Eu havia cansado do cabelo longo, sem contar que não facilitava nada nos jogos, portanto decidi voltar às minhas raízes e o deixei curtinho novamente.
Tiro o cobertor da minha cara, com os olhos cerrados pela claridade, tenho um pouco de dificuldade para enxergar as horas no relógio. Quando consigo enxergar, vejo que já havia passado da hora do almoço. Xingo baixinho e me levanto da cama, indo direto tomar meu banho.
Ontem havia sido um jogo importante na minha carreira, ser uma jogadora profissional não era nada fácil, mas pelo menos agora eu tinha todo o tempo do mundo para ficar em Townsville, a primeira coisa que fiz ao terminar minha faculdade em Nova Jersey foi pegar minhas coisas e me mudar direto para Townsville. Como saímos ontem vitoriosos, festejamos a noite inteira. Quando cheguei em casa, eu e Butch comemoramos da nossa maneira, já devem imaginar a euforia que foi.
Nada como estar em casa, morando meu namorado, estando perto da minha família, meus amigos, até o combate ao crime era importante pra mim. E eu não trocaria isso tudo por nada no mundo.
Tomo um banho meio demorado e coloco a roupa, seguindo direto pra cozinha onde encontro Butch de cueca já fazendo o almoço. Ele me vê chegando logo em seguida.
– Bom dia.
– Bom dia. – Respondo, e arrumo a mesa enquanto ele cozinha. – Vai trabalhar hoje, amor?
– Não. Hoje é feriado, esqueceu?
– Ah, é. – Me sento na cadeira, ponho as mãos na mesa desleixadamente. – Mas que merda, é dia da independência. Vão ter fogos de artifício na minha cabeça a noite toda.
– Alguém acordou de mau humor. – Ele põe o almoço na mesa, se inclina e me dá um beijo carinhoso na testa. – Ontem eu não fiz direito, foi?
– Claro que não, seu idiota. – Respondo com um sorrisinho de canto, começamos a comer a carne que ele preparou junto com fritas e macarrão. – É que... Tenho sentido algumas tonturas ultimamente, e com certeza quando os fogos de artifícios começarem, capaz que eu desmaie.
– Estranho... Já foi no médico?
– Não. – Respondo, meio indiferente. – Eu iria antes do jogo, mas fiquei com preguiça.
– Talvez tenha alguma coisa a ver com a menstruação... Ou não... Eu não entendo esses problemas de mulher.
– Talvez tenha. Mas minha teoria é outra.
– Qual é?
– Acho que eu tô grávida.
Butch se engasga com a comida, e a cospe logo em seguida, deixando-a cair no prato, dava para ver que sua barba também havia se sujado. Olhava espantado para mim, sem dizer nada. Já fazia semanas que eu estive sentindo essas tonturas do nada, sem contar que minha menstruação estava atrasada. Não querendo ir direto numa conclusão, mas sei lá, não me surpreenderia se eu estivesse grávida.
Eu também esperei o tempo pra compartilhar isso com Butch, curiosa pra ver como ele reagiria, e pelo que vi naquela expressão espantada, ele parecia bem desesperado. Mas eu não estava, já éramos adultos, cada um com seu emprego, não que isso tornasse o trabalho de ser pais mais fácil, mas pelo menos a criança não veio de uma loucura adolescente sem juízo. Se eu realmente estivesse grávida, essa criança teria condições de ser muito bem criada.
O moreno continuou me olhando com aquela cara espantada, eu lançava o mais calmo dos olhares, tentando tranquiliza-lo e convencê-lo de que aquilo não era o fim do mundo. Antes que pudéssemos dizer qualquer coisa, a campainha toca, levanto no mesmo instante.
– Vá colocar uma roupa, eu atendo.
Ele assente e vai para o quarto, enquanto isso me dirijo até a porta para receber o misterioso convidado. Assim que a porta abre, sou recebida por um abraço caloroso, assim que senti aquele cheiro de cereja, logo percebi que era Blossom. A ruiva se separa de mim para me olhar nos olhos.
– Vim te parabenizar pelo jogo de ontem, você foi incrível! Parabéns, você mereceu! – Logo atrás dela, pude ver que ela trouxe consigo o paciente de quem ela esteve cuidando nos últimos seis meses. E era incrível ver o cuidado que ela tinha com ele mesmo depois de tudo. – Ou melhor, nós viemos. Não é, Brick?
– É, que seja.
A ruiva belisca o braço de seu paciente, que logo retruca com um palavrão, o que a fez belisca-lo novamente.
– Não seja tão mal-educado, seu ogro!
– E você é minha mãe agora, é?
– Ah não, sou só a pessoa que esteve cuidando de você desde que você acordou e mandou construir suas pernas robóticas. – Ela se vangloria, jogando o cabelo pra trás. – Tirando isso, realmente não tenho importância alguma.
– O amor de vocês dois me comove. – Zombo dos dois, que ficam putos na hora. – Entrem, por favor.
Abro espaço para Blossom entrar com Brick, não tinha a menor ideia de como ela aguentava levar aquela cadeira de rodas pra lá e pra cá. O ruivo havia acordado há uns seis meses atrás, e já devem ter imaginado a repercussão que isso gerou, principalmente quando se tratava do emocional dele. Ele acordou sem pernas, sem superpoderes e sem um pingo de confiança em ninguém, assim como ninguém confiava nele.
Blossom, que se tornou a médica mais respeitada da cidade, decidiu se encarregar do acompanhamento do tratamento dele, tanto físico quanto psicológico. É claro que no começo todos nós ficamos com um pé atrás, mas pelo que Blossom nos contou, ele havia desabafado bastante com ela em meio do tratamento. Disse que logo no começo ele estava completamente desesperado, a ideia de ter que usar cadeira de rodas era um pesadelo para ele, e diante de tantas perdas, parece que ele havia aprendido sua lição.
O laço entre os dois se estreitou muito mais que um simples laço entre médico e paciente, no meio do tratamento psicológico, Brick confessou coisas extremamente pessoais pra ela, confessou tudo o que ele sentia a respeito de tudo, e ela se encontrou diante de algo mais profundo do que imaginava ficar. Por mais difícil que seja acreditar, ela disse que ele até chorou por arrependimento, mas sabemos bem que o orgulho dele é grande demais para que ele venha pedir desculpas. Mas, só de saber que ele estava arrependido, já nos deixou bem aliviados, principalmente a Butch. Precisavam ter visto o sorriso que ele e Boomer deram quando Blossom nos contou essas coisas.
A ruiva encaminhou a cadeira de rodas para o centro da sala, onde ficavam o sofá e as poltronas, ela se senta na poltrona ao lado de Brick. Logo aparece Butch, agora vestido, que se surpreende com um sorriso no rosto ao ver as visitas.
– Brick, Blossom, que surpresa! – Dá um beijo na bochecha dela e aperta a mão do irmão, que ficava com aquela típica cara de quem comeu e não gostou. – Como estão as coisas?
– Nhé. Mesma merda. – O ruivo resmunga.
– Olha a boca. – Blossom briga, fazendo-o bufar. – As coisas estão muito boas, Butch.
– E o hospital? – O moreno volta a perguntar. – Continua aquela mesma loucura?
– Com certeza. – Ela responde com um sorriso no rosto, que logo é transformado num olhar de desprezo. – Tirando o fato de que eu estou tendo que operar um transplante num paciente com o Harold e sendo obrigada a vê-lo quase todos os dias... Sim, o hospital continua uma delícia.
Oh, uma coisa importante que esqueci de mencionar. Blossom e Harold terminaram o namoro de quase doze anos. É, chocante. E por quê? Bem, digamos que ela flagrou aquele filho da puta com outra médica no hospital. O choque foi tremendo, afinal, quem diria que aquele cara que sempre foi tão doce jogaria fora um namoro de tantos anos em tão pouco tempo?
Ela ficou em choque, obviamente. A coitadinha chegou a ficar dias sem comer de tão triste que ela ficou, mas ela não é otária, não persistira algo com alguém que a traiu, não importa o quanto ela o amasse, traição é inadmissível. Ela já havia dito que desde que os dois se tornaram oficialmente médicos ele tinha ficado bem estranho, mais distante, mais frio, um tanto grosso. Mas no fim, acho que tudo tem seu lado bom, afinal Harold era um canalha, e provou que ela merecia coisa muito melhor. Só um idiota pra fazer tal burrice com uma mulher como Blossom.
Ah, e mantendo um segredinho aqui, eu o enchi de porrada quando descobri essa história toda. Não contei pra Blossom pois ela ficaria muito puta, só contei pro Butch, Professor, Srta. Bellum, Bubbles e Boomer, que acharam a maior graça e até me apoiaram, valeu bastante a pena, assim ele viu com que família ele mexeu. Não poderia me denunciar pois eu era a lei.
Umas duas semanas após o ocorrido, Brick acordou, e Blossom, sempre devota aos seus pacientes, precisava de uma pobre alma necessitada para trazer seu ânimo de volta. Por incrível que pareça, Brick foi uma luz para Blossom, o tratamento dele foi o que tirou a cabeça dela de Harold, o que fez os dois criarem um laço ainda maior. Era realmente um carinho muito grande que acabaram desenvolvendo um pelo outro, mesmo após ele tê-la jogado do alto de um prédio. Estranho, não? Blossom realmente não era uma pessoa de guardar rancor, e por mais que Brick mantivesse aquela cara emburrada o tempo todo, dava para ver que ele estava feliz.
Nós quatro passamos horas jogando conversa fora, não só sobre o jogo, mas diversas coisas. Mesmo meio calado, Brick também interagia na conversa, coisa que deixava Butch e Blossom bastante felizes. Certo momento, Brick chamou a atenção de Blossom, dizendo que estava na hora dos alongamentos, no mesmo instante ela se levantou e eles se despediram.
Assim que fechei a porta, vi o moreno olhar para mim.
– Eu quero uma menina.
POV Blossom:
– Viu como eles conversaram direito com você? Eu disse que eles não guardavam mais rancor algum. – Digo, ajustando o boné do ruivo sentado na cadeira de rodas. A porta do elevador se abriu e caminho até a saída do prédio, levando-o junto comigo. – Já passaram sete anos, Brick. As coisas mudaram.
– Eu espero que você esteja certa, madame. – Ele fala em meio de alguns suspiros. – Mas não importa o quanto o tempo passe, eu sempre vou ter as marcas da maior merda que já fiz na vida.
Suspiro. Empurrava a cadeira pela praça, agora estávamos passando em frente ao bosque, onde as folhas das árvores caiam sobre nós.
– As marcas que você tem do passado não definem quem você é hoje, eu já te disse isso. As flores que você me deu ontem são a prova disso. – A última frase o provoca, deixando-o ruborizado pela tremenda vergonha. Num movimento rápido, beijo sua bochecha, ele resmunga com mais vergonha ainda. – Até que pra um psicopata lunático, você sabe ser fofo quando quer. Aquelas rosas ficaram tão lindas no meu quintal.
– C-CALE A BOCA, MULHER!! – Ele xinga, mais vermelho que a cor dos olhos, me fazendo rir. – Alguém pode escutar, sua puta! Quer estragar minha reputação?!
Lhe dou um tapa na boca.
– Ei! Isso lá é jeito de falar com uma dama? E que reputação você tem, hein? – Brigo, revirando o rosto logo em seguida para admirar as árvores. – Tô mais preocupada com a minha reputação se escutarem você falando comigo desse jeito.
De repente, ele começa a sorrir com uma certa malícia, o que me faz levantar a sobrancelha.
– Pois é, me pergunto como sua reputação ficará quando souberem o que você andou fazendo comigo, seu paciente, ontem. – Minhas bochechas começam a arder numa velocidade indescritível, e ele deliciava-se de minha reação. – Eu, o pobre paciente aleijado, inocentemente, comprei flores para a minha médica na intenção de retribuir a todos os seis meses de tratamento. Mas ela, cheia de intenções maliciosas, aproveitou-se da minha boa vontade e começou a me beijar, me tocar, então começou a desabotoar minha camisa, e-
– CHEGA! CHEGA! – Tampo sua boca, sinto-o rir diabolicamente contra minha mão enquanto meu rosto estava a ponto de explodir pela vergonha. – E-Eu não deveria ter feito aquilo, foi um erro!
– Realmente. Eu deveria te processar por assédio sexual.
– Cale a boca, seu ogro psicopata! – Resmungo.
– Eu, ogro? Eu sou só um cadeirante incapacitado, você, por outro lado, é uma médica tarada.
– Eu odeio você!
– Idem. Mas não foi o que pareceu ontem.
– Argh! Cale-se!
A vida é estranha não é? Onde no mundo eu me imaginaria ali, naquela situação que o homem que eu amaldiçoara por tanto tempo depois de tudo o que ele aprontou comigo e com minha família. Quando ele se demonstrava uma pessoa melhor, eu me derretia toda, e era impossível não se sentir assim diante daquele ruivo conquistador.
E também... Onde no mundo eu iria imaginar que o homem que antes tentou me matar me presentearia com flores? E me beijaria com tanto carinho como fez na noite passada?
Solto um suspiro com um sorriso no canto do rosto. Eu realmente estou me envolvendo com o cara que me jogou de um prédio?
– Eu devo ter algum problema, só pode. – Sussurro.
– O que?
– Nada.
POV Buttercup:
– O que?
– Se você estiver grávida, eu quero uma menina. – Ele se senta no sofá e liga a TV, colocando no canal de música. Começou a tocar uma música bem calma e com uma letra bem bonita, ele não mudou de canal para que pudéssemos escutá-la. – Ela vai ser linda e marrenta igual a você.
(Uma criança com seu olhar – Charlie Brown Jr.)
Aqui estou na difícil missão de levar a você
uma mensagem que possa ser
como uma luz ou um mantra...
Nós não somos mais crianças.
Rio, vou até ele e me sento ao seu lado, apoiando a cabeça em seu ombro.
– Pensei que estivesse assustado com essa história de gravidez.
– Estou, mas... Se for verdade, eu tenho que estar pronto pra isso.
– Bem maduro da sua parte. – Afirmo, sorrio para ele. – Acho que você seria um bom pai.
– Contanto que eu não mate a criança, tá ótimo.
Nós dois começamos a rir enquanto trocávamos carinhos, concentramos na letra da música, que incrivelmente parecia falar por nós.
Um dia acontece, a gente tem que crescer.
Temos que encarar a responsa...
Eu não deixei de achar graça nas coisas.
Simplesmente hoje eu quero ser levado a sério.
As coisas mudam sempre,
mas a vida não é só como eu espero.
Demos as mãos, Butch leva a minha até sua boca e a beija.
– Bianca. – Sussurra com um sorriso prensando minha mão. – Esse vai ser o nome dela. Bianca.
– É um nome bonito. – Digo, hipnotizada por seus olhos intensos. – E se for um menino?
– Aí você escolhe.
Existe um dom natural que todos temos.
Nossas escolhas vão dizer pra onde iremos.
– Hum... – Penso por alguns segundos, coçando a nuca com a mão livre. – Bruce. Sempre gostei desse nome.
– Bruce... Gostei. – Ele dá um beijo em minha testa, acariciando minha cabeça, roçando os dedos em meus cabelos. – Tomara que não nasça demente que nem eu.
– Nós dois somos dementes, é inevitável que essa criança nasça com um parafuso a menos. – Nós dois rimos, dando um selinho logo em seguida. – Não se preocupe, vou garantir que o Bruce não fique burro que nem você.
– E eu vou garantir que ele fique tão sedutor quanto eu. Vai conquistar todas as novinhas logo no ensino maternal.
– Ah, isso vai.
Mas se for pra falar de algo bom...
Eu sempre vou lembrar de você.
Ficamos mais um tempo ouvindo a música serena, encantados com a letra. Volto a olhá-lo no fundo dos olhos e pergunto:
– E a Bianca, como ela vai ser?
Difícil não lembrar do que nunca se esqueceu,
fácil perceber que seu amor é meu.
Difícil não lembrar do que nunca se esqueceu,
fácil perceber que meu amor é seu.
– Bom, primeiro, vou garantir que ela só namore depois dos 21 anos. – Diz, me fazendo rir. – Segundo, ela vai ser inteligente. Vai ler livros, entender de música, e sambar na cara das invejosas. E ela vai ser linda... Linda que nem você.
– Esqueceu do marrenta.
– Linda e marrenta. Que nem você. – Me dá um beijo carinhoso nos lábios, para depois me olhar com ternura no fundo dos olhos. – Já imaginou como será quando formos velhos?
– Já. – Respondo com um sorriso de canto. – Eu com certeza serei uma velha insuportável.
Eu quero estar amanhã ao seu lado quando você acordar...
Eu quero estar amanhã sossegado e continuar a te amar...
Eu quero um sonho realizado, uma criança com seu olhar...
Eu quero estar sempre ao seu lado, você me traz paz...
– Vai ser mesmo. – Ele zomba, rindo debochadamente. – Mas eu aguento. Não importa quantas vezes você me bata com sua bolsinha de velha, eu aguento.
– Haha. – Lhe dou um beijo rápido na bochecha, fazendo-o transparecer um sorriso no canto do rosto. – Mesmo se você ficar ainda mais burro, eu vou ter paciência. Mesmo que eu não demonstre muito isso.
– Que bela declaração. – Ele volta a acariciar minha mão, enquanto nossos sentidos estavam sendo levados pela bela música. – Se já imaginamos nossa velhice juntos... Acho que já dá pra casarmos.
Armadilhas do tempo são como o vento,
levando as folhas para lugares distantes.
Meu pensamento é o mesmo que o seu,
mas hoje meu coração bate mais forte que antes.
– Também acho.
– Porque ainda não casamos mesmo?
– Casamentos são caros. – Ele concorda logo em seguida. – E eu não me casaria grávida nem a pau.
– Então, se você não estiver grávida, ou quando você tiver a nossa Bianca ou nosso Bruce, e se tivermos dinheiro... Você se casaria comigo?
Certa vez na história, eu...
Vim de muito longe só pra ver você.
– Não vejo porque não. – Respondo, com um sorriso no rosto.
– Combinado então.
Nos beijamos mais uma vez.
Planejar um futuro com Butch era a coisa que eu mais adorava fazer. Era um sinal de que tudo estava bem, e dessa vez, não era graças às Meninas Super-Poderosas. Era graças ao Butch. E ao nosso amor.
Fui pra muito longe pra encontrar você, eu...
Eu te entreguei minha alma...
Tudo estava bem.
–--FIM---

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