Playing With Fire

16 Maldita aposta


Notas iniciais
Yoo minna o/ Ok, vcs tem todo o direito de me matarem. Acho que bati o recorde de atraso u.u ME DESCULPEEM Ç_Ç. Acontece que eu estava enrolada com minha outra fanfic "Malditas sejam, Kankers!" de Du, Dudu e Edu. Mas consegui terminá-la :D. Se tiverem interesse em lê-la, basta procurar na minha conta ^^ Agradecimentos: Gablychan, PunkRock, Tali Miniwa, Ravenna Morgan, UmaDoceteLouca, Marcela Abadeer, cookiecute, Fernando Zelros, Anne Hyuga, bakarayo, Alexia Vasconcellos, Ly, natsumi1406, Shirayukki, Kagome chan, Clove Mason, Raquel, FernandadDias, Drikalokinha19, Rebecka di Ângelo, Lele Di Angelo Sabaku Potter, Konata Izumi, We Love Animes, meus amoressss!! Desculpa mais uma vez pela demora, seus lindjos ♥ Kissuuuus! Como eu havia dito, esse cap irá mostrar como a aposta se desenvolveu, quem irá vencer e como tudo irá terminar. Hehe, façam suas apostas para vermos quem irá vencer o/ Boa leitura!!

“Ele não é o que você pensa. Fique longe dele.

–Anônimo”

E essa é a primeira coisa que eu vejo ao acordar. Parece que aquele tal anônimo voltou a mandar mensagens esquisitas para mim. Não sei quem é ele, nem quais são as intenções dele, muito menos como ele conseguiu meu telefone, mas basta ler suas mensagens que já fico arrepiada. Como se fosse um pressentimento ruim ou sei lá. Só sei que coisa boa não deve ser. E algo me diz que tudo isso, como a maioria das coisas, envolve Butch.

Mas não tive tempo para ficar analisando meu celular, já era tarde, e eu precisava me arrumar para a festa. Uma semana se passou depois daquele incidente aqui em casa, e desde então eu não consigo pensar em mais nada que não seja a maldita aposta. Me flagro perguntando-me se aceitar apostar com Butch fora a melhor opção.

Isso é praticamente insano. Nunca nessa vida imaginei-me numa situação dessas, principalmente algo tão íntimo como ficar com alguém. Essas foram, basicamente, as dúvidas que surgiram na minha mente essa semana: E se ninguém quiser ficar comigo? E se eu acabar ficando bêbada e fizer uma merda ainda maior? E se o Butch der um surto e acabar matando o cara com quem eu ficar? E se eu perder, como vou enfrentar o Butch? E se eu ganhar, como será minha vida daqui para frente?

Como podem ver, eu estou surtando. Sem contar que vou ter que ocupar minha preciosa noite de sábado nessa maldita festa da Princesa, que ainda insiste em me chantagear. Querendo ou não, acho que se eu não fosse a essa festa ela iria me denunciar por invadir a piscina dela, e com certeza me mandaria para a cadeia. Mas a pior parte é que ela também exigiu que minhas irmãs fossem, e convencê-las a ir realmente foi difícil. Bubbles foi mais fácil, afinal o namorado dela irá de qualquer maneira, já Blossom nunca gostou muito de festas agitadas, muito menos da Princesa, e sim, ela estranhou por eu estar insistindo tanto que elas fossem. Mas no final das contas eu consegui.

Muito bem, agora voltaremos a falar do que está acontecendo agora. Tive muita sorte em acordar antes das 18:00h, por ser sábado, costumo dormir até a noite. Podem me julgar, durmo pra caralho mesmo. Me levanto da cama, deixando meu celular no criado-mudo e indo em direção ao banheiro. Tomo um banho quente e ponho minha roupa, não um vestido delicado como da última vez, mas sim trajes confortáveis que costumo usar no dia-a-dia. Pus uma blusa verde-clara, um casaco branco, calça jeans e um tênis preto. Não estou indo pela festa mesmo, então não há motivos para ficar elegante.

Desci as escadas e fiquei na sala esperando minhas irmãs ficarem prontas, o que demorou cerca de uma hora. Ambas estavam cheirosas, maquiadas, e com o cabelo enfeitado. Até estranharam ao me ver tão natural. Bubbles usava um vestido azul cheio de babados cor-de-rosa, seu cabelo estava escovado e preso por uma presilha em forma de laço. Blossom usava um vestido branco com um conto preto, seu cabelo não precisava de escova e apenas o enfeitou com uma fita vermelha.

Bubbles me olhou dos pés à cabeça com cara de quem comeu e não gostou, analisando tanto minha roupa quanto meu cabelo.

– Você vai assim? – Ela perguntou, ainda com aquela cara.

Eu bufo em resposta.

– Algum problema? – Pergunto.

– Não... Eu acho.

Já ficando sem paciência e com o nervosismo à flor da pele, as empurro até a porta com rapidez, querendo ir logo para aquela festa e acabar com meu sofrimento de uma vez por todas.

– Vamos logo, meninas. – As apresso. – Já devíamos estar lá.

– Calma, Buttercup. – A loira me conforta. – Não precisa ficar tão nervosa.

– Eu nem sei por que você quer tanto ir nessa festa. – Comenta Blossom, me olhando torto como se já desconfiasse de algo. – Você sempre detestou a Princesa. Pra que toda essa consideração com o aniversário dela?

Fico em silêncio por alguns segundos, tentando planejar uma boa desculpa, sem sucesso. Começo a suar um pouco. Não havia outra opção a não ser mentir.

– Eu... Eu só vou porque meus amigos estarão lá. – Minto. – Só isso...

Por minha sorte, elas acreditam.

– Tudo bem. – Blossom responde, fazendo-me suspirar de alívio. – Então vamos. O Harold disse que estaria lá.

Saímos de casa, voando em direção da grande mansão Morebucks. O Professor viajou para a Austrália a trabalho essa semana, deixando a casa sobre nossa responsabilidade. Ele só voltará para casa depois de amanhã, portanto a casa ficará escura, silenciosa e sem ninguém até voltarmos da festa. Em cinco minutos nós chegamos à mansão.

A casa estava decorada da forma mais chamativa e brega possível, parecia que eles haviam jogado purpurina dourada até na grama, até a roupa do porteiro parecia ter sido costurada com ouro. Após confirmarmos nossos nomes na lista de convidados, gigantesca, diga-se de passagem, entramos junto com mais uma centena de convidados vestidos da forma mais elegante possível. Nem um casamento chegava a ser mais refinado que aquilo.

Os convidados pareciam muito à vontade, o que já era de se esperar, afinal garanto que ninguém ali nunca entrou numa casa tão gigantesca quanto aquela. Princesa estava na porta de sua casa, recebendo os convidados de um por um com um falso sorriso no rosto, seu longo vestido chamava a atenção de todos que o vissem. Ela estava parecendo uma árvore de natal com aquela coisa. Quando a aniversariante nos avistou, abriu o sorriso mais falso que poderia fazer e correu escandalosamente para nos abraçar. Querendo que todos vejam o quanto é íntima das heroínas da cidade, talvez. De Princesa pode se esperar tudo.

– Oh meninas, que bom que vieram! – Diz ela, ainda nos abraçando com força. Nos leva até a entrada de sua casa. – Fiquem à vontade, amigas.

– Err... Está bem. – Responde Blossom, desconfiada.

Por fim, ao nos ver mais distante, quebra o sorriso e faz uma expressão que parecia dizer “Ainda odeio vocês.”, e volta a receber seus convidados. Eu e minhas irmãs olhamos uma para a outra e começamos a rir da situação, zombando de Princesa pelas suas costas.

O tempo foi passando, a casa ficava cada vez mais cheia, porém havia espeço para todos. Me separei de minhas irmãs assim que elas avistaram seus parceiros, e foram com eles, me deixando sozinha. Eu estava ansiosa pelo que estava por vir, combinei com Butch que colocaria a aposta em prática assim que nos encontrássemos, mas eu já estava há quase uma hora nessa porcaria de festa e nenhum sinal dele. Será que ele desistiu de vir? Ponho minha mão no bolso, procurando meu celular. Melhor ligar pra ele.

Na tentativa de achar algum lugar mais silencioso da casa, vou para o jardim, onde se localizava a grande piscina cujo me trazia várias recordações agradáveis e desagradáveis. Porém ir para lá foi em vão, pois metade dos convidados estavam lá, pulando na piscina feito loucos. Provavelmente já estavam bêbados. A música alta não ajudava nem um pouco.

Eu já estava sem saber o que fazer, cansada de esperar e ansiosa para acabar logo com aquilo. Minha paciência nunca foi das maiores, e esperar nunca foi meu ponto forte, eu estava a um passo de dar as costas à aquela festa ridícula e ir para casa ver televisão ou me trancar no quarto para ouvir música alta. Olho para os lados, procurando o moreno mais uma vez. Nenhum sinal dele. Solto um breve suspiro.

Acho que ele não vem mesmo...

Meus pensamentos são interrompidos quando uma mão cobre meus olhos, sinto uma respiração em minha nuca e um cheiro doce e familiar. Meu coração acelera ao reconhecer o cheiro que esperei sentir, a voz que esperei ouvir a noite inteira.

– Adivinha quem é? – Pergunta ele, num tom travesso e debochado.

Retiro sua mão de meus olhos, impaciente. Posso enfim vê-lo claramente atrás de mim ao virar meu rosto.

– Está atrasado, seu idiota. – O xingo. Ele ri.

Butch fica me encarando de uma forma maliciosa por alguns instantes, saboreando-se com meu nervosismo que parecia estar bem exposto. Solta um risinho debochado, sem tirar os olhos de mim.

– Sabe... Você ainda tem tempo de desistir. – Debocha de mim, me deixando mais irritada. – Confesso que estou surpreso em te ver. Achei que fosse fugir.

Também solto um breve risinho, determinada.

– Nem que eu tenha que ficar com o cara mais feio dessa festa irei desistir. – Comento, quebrando a confiança dele. – E quem é você pra achar que eu iria fugir? Não fui eu quem demorou uma hora pra chegar aqui.

– Eu me perdi no caminho, só isso.

– Sei...

O moreno estende sua mão até meu ombro, me levando para um lugar onde não fossemos vistos por alguém conhecido. Ficamos atrás da casa, e eu, cada vez mais curiosa para saber o motivo dele me levar até ali.

Butch não desviava os olhos de mim. Aquilo me deixou ainda mais nervosa.

– Tudo bem, Bc. Vamos estabelecer algumas regras nessa aposta.

Levanto a sobrancelha, fazendo cara de desentendida.

– Você não tem cara de quem joga pelas regras. – Comento com a maior sinceridade do mundo.

– Você também não. – Responde, também sincero. – Principalmente quando se trata de algo que pode quebrar o seu orgulho.

– Tá, foda-se. Quais são as regras?

– Primeira regra: Você terá até meia-noite para ficar com alguém. Caso contrário, perdeu.

– Ei! Porque só até meia-noite?! Isso é jogo sujo! – Digo, indignada. Mas ele parecia bem seguro em relação a isso.

– Porque eu não quero ficar esperando a sua derrota a madrugada inteira. – Ele responde, debochando de mim. – E ainda são nove e meia, você tem quase três horas pra ficar com um cara.

Seu argumento me convence.

– Tá. Quais são as outras regras? – Bufo, impaciente.

– Segunda regra: Não pode ficar com nenhum de meus irmãos.

– Primeiro: Não ficaria com nenhum deles nem se quisesse. Segundo: Seus irmãos também vieram?

– Sim. Eles estavam entediados e decidiram vir. – Responde. – Tome cuidado, eles provavelmente vão ficar muito bêbados e tentarão agarrar a primeira que virem pela frente, principalmente o Boomer.

– Não se preocupe, eu sei me virar. E não precisa ficar com ciúmes.

– Cala a boca. – Diz, sem jeito. Eu rio um pouco. – E a última, porém não menos importante regra: Nada de sexo.

Solto um risinho involuntário, brincando com ele. Nossa, o Butch pode ser realmente muito ciumento quando o convém.

– Eu tenho cara de quem transa fácil assim?

– Não... Mas é só pra garantir. – Responde. Uma expressão maliciosa brota em seu rosto, ele se aproxima de mim em passos lentos e segura meu rosto suavemente com as duas mãos, fazendo-me corar instantaneamente. Eu achava que ele iria tentar me beijar, mas ao invés disso, aperta minhas bochechas. – E também, como se eu fosse deixar a minha marrentinha nas mãos de outro cara.

Meu rosto esquenta, retiro suas mãos de minhas bochechas com vergonha.

– M-Me solta!! – Ordeno, ele ri.

– Eu adoro quando você fica assim, toda esquentadinha. – Faz mais um comentário desnecessário. – Me diverte a beça.

– Vai se foder. – Mando. Fazendo-o rir mais uma vez. – Então... O que acontece se, por acaso, eu não vencer?

Um sorriso malicioso volta para o rosto do moreno, ele me suspende na parede, onde estende sua mão ao lado da minha cabeça, impedindo que eu escapasse. Sem tirar os olhos dos meus, lança o olhar mais penetrante possível, exigindo o total de minha atenção.

– Se você não vencer, o que tenho certeza que vai acontecer, eu receberei como prêmio a sua admissão. – Responde num tom de voz sedutor e charmoso. – Que no caso, é a prova de que você não resiste a... Bem, você sabe. A mim.

Ele parecia bem confiante, ao mesmo tempo bastante convencido. Solto um risinho acompanhado de um suspiro, lanço meu olhar para ele mais uma vez, curiosa.

– E qual será meu prêmio se eu vencer?

Ele desmancha o sorriso, se afasta um pouco de mim. Solta um suspiro em seguida em uma expressão mais séria.

– Bom, se você vencer, terá aquilo que você sempre quis. – Responde. – Me terá bem longe de você pelo resto da vida. Você finalmente ficará livre de mim.

Sinto um leve aperto no peito ao reparar que havia uma tristeza nos olhos do moreno, como um receio ou talvez medo de eu sair vitoriosa. De certa forma, algo dentro de mim torcia pelo meu fracasso.

Fico cabisbaixa em silêncio, assim contagiando para que Butch também não dissesse nada. E... E vai ser assim? Eu nunca mais o verei? Estarei livre? Isso... Isso é algo bom?

– Butch... E se... E se eu não quiser q-

Sou interrompida quando um casal aparece ao nosso lado, quase se comendo ali mesmo. Ficamos encarando-os um pouco desconfortáveis, esperando que ele notassem nossa presença. A menina, aparentemente bêbada, enfim percebe que estávamos ali e chama a atenção do garoto que beijava seu pescoço.

– Querido, já tem gente aqui. – Diz ela sorridente, empurrando o rosto do namorado.

Ele encara nós dois meio sem jeito, porém ambos estavam alegres, como dois bêbados que mal sabiam o que estavam fazendo.

– Desculpa aí. – Diz ele com falhas na voz, levando a garota para outro lugar. – Vamos deixar os pombinhos sozinhos.

E assim, com a intromissão, perdemos totalmente o rumo da conversa. O moreno olha para seu relógio de pulso, depois desvia seu olhar para mim com aquela típica expressão debochada.

– Bom, já são nove e cinquenta. – Diz. – Eu sugiro que se apresse.

– Pode ficar tranquilo. Isso não vai demorar mais que meia hora.

Ele assobia pela minha determinação. Põe a mão em meu ombro e me arrasta até a parte povoada da festa, lotada por garotos prontos para serem meu alvo.

– Então vai lá, marrentinha. – Debocha de mim. – Quero ver do que você é capaz.

Solto suspiro confiante.

– Tudo bem. Só não venha chorar depois.

– Ficarei de olho.

Ele acena para mim, querendo deixar claro que realmente ficaria de olho em cada passo meu. Um sorriso confiante brota em meu rosto. Mesmo que o prêmio não seja bem o que eu esperava, não vou perder para ele. Vai ser moleza.

~ Uma hora e meia depois ~

Tá legal, não está sendo tão moleza o quanto eu imaginava. Nunca pensei que escolher um alvo fosse tão difícil. Passei a festa inteira procurando algum garoto que não estivesse acompanhado. Nada. Todos estavam se agarrando com uma garota mais bonita e elegante, com certeza não iriam querer nada com uma garota cujo estava vestida da forma que se veste em casa.

E para me animar ainda mais, só falta uma hora para a meia noite. Legal, não?

É, Buttercup. Parece que não será dessa vez que você vence dele. Já estava até imaginando como seria depois da festa: Butch iria encher meu saco pelo resto da vida dizendo sobre como eu não consigo vencer uma aposta. Sem contar que vou ter que fazer aquela maldita admissão vergonhosa. Não dá pra ficar pior.

Como já sabem, a casa é gigantesca, praticamente Townsville inteira estava lá. Sei que assim parece impossível não achar alguém que não estivesse acompanhado, e realmente é, mas acontece que as únicas sobras eram caras bêbados cujo recuso a manter contato visual. Quem dirá ficar com eles.

A festa parecia estar contaminada por idiotas, entre eles a aniversariante. Princesa usou as formas mais ridículas possíveis de chamar a atenção dos convidados, como trocar de vestido a cada meia hora e fazer uma sessão de fogos de artifícios que formavam o seu nome diante do quintal da casa. O que era para ser uma festa de dezoito anos, parecia mais uma festa de Réveillon. É por isso que eu odeio gente rica.

Não vi minhas irmãs durante a festa inteira, provavelmente deveriam estar dançando no meio da multidão, ou quem sabe se agarrando com o namorado em um lugar mais silencioso da casa. Butch... Bem, ele também sumiu. O que é estranho, pois ele garantiu que ficaria na minha cola até que eu ficasse com alguém, mas não o culpo, ele deve estar curtindo a festa, ou provavelmente me espionando em outro lugar escondido. E o que eu estou fazendo agora? Estou sentada numa cadeira mais isolada da festa, esperando o tempo passar para que eu possa logo admitir minha derrota e ir para casa. Casa... Oh, são nesses momentos que eu mais amo a minha casa. O único lugar onde fico distante dessa gente.

E o tempo foi passando, eu via as pessoas dançando e pulando alegremente, aproveitando a festa como se não houvesse amanhã. Ponho a mão no queixo e solto um suspiro. Queria ser animada assim... Eu devo ser mesmo uma chata.

Ainda na esperança de encontrar algum alvo, procuro no meio da multidão algum garoto sozinho. Nada. Suspiro mais uma vez.

Desista Buttercup, você perd-

– Oi Buttercup. – Ouço uma voz ao meu lado, interrompendo meus pensamentos.

Pela sombra, já dava para ver que era um garoto. Eu o conhecia, e confesso que não fiquei nem um pouco feliz em vê-lo novamente. Ele usava uma blusa preta com o símbolo dos Ramones*, uma calça jeans escura, segurava um copo de cerveja na mão porém parecia estar sóbrio.

Reviro meu rosto um pouco, bufando.

– Olá, Mitch.

Um clima pesado reina o lugar. Eu não acredito que esse puto está aqui. Depois do que aconteceu naquela boate, peguei uma raiva mortal de Mitch, apesar dele ter sido um de meus melhores amigos no passado. Tive muita sorte de Butch ter me protegido naquela noite, senão Mitch teria me agarrado à força com certeza.

Olhei no fundo de seus olhos, não estava mais com aquele olhar estranho de antes. Estava bem... Diferente.

– Posso me sentar ao seu lado? – Pergunta.

– Faça o que quiser.

Ele engole seco, pega uma cadeira ali perto e se senta ao meu lado, bebendo aos poucos a cerveja em suas mãos. Mitch se aproxima um pouco de mim, puxando assunto.

– Então... Tá curtindo a festa?

Eu nada respondo, cruzo meus braços e reviro o rosto para ele. O garoto de cabelos castanhos solta um suspiro, ficando um tanto cabisbaixo.

– Ainda está com raiva de mim pelo que aconteceu naquela noite?

Mais uma vez não respondo nada, apenas assinto, e ficamos em silêncio mais uma vez.

Ele não se dá por vencido, põe a mão em meu ombro na tentativa de manter a proximidade maior, mas eu a retiro dali antes que ele fizesse algo. Suspira.

– Não vai mais falar comigo?

– Isso sou eu quem decide. – Respondo bruscamente.

– Finalmente você me respondeu. – Brinca comigo com um sorriso no rosto. Eu permaneço séria, sem sequer deixar escapar um risinho. – Olha... Desculpa pelo que eu fiz. Eu fui um completo idiota, e deixei minha sem-vergonhice passar pela frente da nossa amizade. – Volto a olhar para ele, olhando-o bem no fundo dos olhos. Não via sinceridade ali, mas também não parecia estar mentindo. – Você é uma grande amiga, Buttercup. E eu não quero te perder. – Mitch começa a fazer uma típica cara de menino pidão, só faltava beijar meus pés. – Você me perdoa?

O encaro da mesma forma que o encarei antes. Ele ainda parecia estar escondendo alguma coisa, mas quem sou eu para adivinhar? Sabe... Ele continua sendo meu amigo no fim das contas.

Solto um breve suspiro.

– Tá legal, eu te perdoou. – Um sorriso se abre no rosto dele, estava quase pulando alegremente em cima de mim como um retardado. – Mas só se você prometer não fazer aquela merda de novo.

– Não se preocupe. Eu prometo. – Ele responde sorridente.

Agora ficamos sem assunto, acho que toda essa história do perdão era tudo o que tínhamos a dizer. Mas Mitch ainda parecia um tanto inquieto, olhando para os lados como se estivesse procurando alguém. Ou quem sabe, se escondendo de alguém. Achei melhor não perguntar.

Ele aproxima as cadeiras e fica quase colado comigo, com a mão em meu ombro.

– Então... Você ainda tá namorando aquele cara? – Pergunta.

Mitch começa a suar um pouco a tocar nesse assunto, parecia com medo. Eu sabia muito bem do que ele estava falando, e só de lembrar na surra que o Butch quase deu nele, já dava vontade de rir.

Solto um pequeno risinho.

– Ele não é meu namorado. – Respondo. – Eu acho...

– Ufa! Que alívio! – Responde colocando a mão no peito. Quando percebe que estava parecendo um covarde, ergue-se e tenta inverter a situação. – Quer dizer... Você fez bem em terminar com ele... Ele parecia ser muito... Cruel pra você.

– Cruel? Você ainda não viu nada. – Brinco. – Ele é um psicopata, isso sim.

– Se ele não é seu namorado, porque ele quase me matou quando eu tentei ficar com você?

– Digamos que ele seja um amigo muito... Possessivo.

– Sei...

O tempo foi passando, surgiram novos assuntos e assim ficamos conversando. Faltavam vinte minutos para a meia noite. Definitivamente não havia mais chances para eu vencer a aposta. Mas eu não estava nem ligando. Na verdade, uma parte de mim até comemorava minha derrota. E por mais que eu não quisesse admitir, eu já sabia o por que. No entanto, a outra parte, que gritava mais alto, estava desesperada para que eu ficasse logo com alguém e pudesse mostrar à Butch do que sou capaz.

De repente, uma música lenta a romântica começa a tocar. Os casais se unem na pista e começam a dançar lentamente, trazendo à festa um clima mais doce.

Mitch se levantou ao ver aqueles casais, estendeu a mão para mim com um sorriso gentil no rosto. Ele é fácil nos olhos, portanto dava para ver claramente quais eram as suas intenções comigo.

– Quer dançar comigo?

Sua pergunta me deixou um tanto encabulada. Eu estava prestes a responder negativamente, porém antes disso, uma luz se acendeu em minha mente. Espera... Será? Uma esperança? Ainda posso vencer a aposta?

É claro! Se eu ficar com Mitch, farei logo ele largar do meu pé, assim como mostrarei a Butch que posso vencer a aposta!

E com o impulso do momento, me levanto e seguro sua mão de volta.

– E-Eu topo.

Calma Buttercup. Respira fundo, aja naturalmente, seja educada, deixe claro que não quer nada sério. E assim entramos na pista de dança, nos envolvendo naquela música suave e delicada.

Envolvo os braços sobre o pescoço de Mitch, assim como ele envolve os dele na minha cintura. Tenta descer as mãos até minha bunda algumas vezes, mas eu sempre as levantei para que não fizesse nada sem-vergonha comigo. Sempre detestei música lenta, nunca acertei os passos e sempre acabo pisando no pé de meu parceiro. Assim como acabara de fazer.

Mitch geme um pouco de dor, retiro meu pé de cima do dele com rapidez e vergonha. Ele solta um risinho.

– Parece que dançar não é seu forte. – Comenta.

Eu fico com mais vergonha ainda.

– D-Desculpe.

– Não tem problema.

Mitch me conduzia no mesmo ritmo da dança, não estava gostando nem um pouco, mas acho que não haveria outra escolha.

Tudo ainda estava tranquilo, vários bêbados já estavam desmaiados no chão, e por ser quase meia noite os convidados mais velhos ou acompanhados de crianças já estavam indo embora. Já outros casais adiantados, indo para algum quarto vazio da mansão terminar o serviço, coisas típicas de adolescentes na faixa dos 19 anos, cursando o ensino médio.

Olho um pouco para os lados, observando os casais que dançavam como nós, pelo visto eu era a única garota que não usava um vestido. De repente, e de surpresa, acabo avistando Butch através da pista de dança. Ele não parecia estar tão de olho em mim o quanto eu imaginava, pelo contrário, notei que ao lado dele estava uma garota de longos cabelos loiros. Os dois estavam conversando, pareciam estar se divertindo um com o outro, mas a garota parecia se aproximar dele cada vez mais. Tava na cara que era uma vadia.

Uma maré de ódio percorre por meu corpo, senti vontade de voar no pescoço daquela garota e enchê-la de porrada, e em seguida chutar o saco de Butch até o amanhecer.

– O que esse filho da puta tá fazendo com aquela vadia?!? – Pergunto para mim mesma, quase que num sussurro.

– O que disse? – Mitch pergunta, lembrando-me da sua presença. Eu estava com uma raiva tão grande que esqueci que estava dançando com Mitch. – Buttercup, você está bem? Parece irritada.

– Eu estou bem, Mitch.

Ele suspira e tento voltar a me concentrar na dança, mas não consigo tirar os olhos daquela expressão maliciosa no rosto de Butch voltada para aquela garota. Eu realmente me segurava para não cometer um homicídio ali mesmo.

Ah, ele quer se divertir? Pois eu também vou me divertir.

Agora, mais do que nunca, eu estava decidida a ficar com Mitch para mostrar a Butch que não sou submissa a ele. Mitch toca meu rosto de repente, exigindo que eu olhasse para ele novamente.

– Buttercup... Você é tão bonita. – Me elogia, deixando bem claro que estava disposto a ficar comigo. – Acho que eu realmente gosto de você.

Ele tentava aproximar nossos rostos cada vez mais, eu senti um nervosismo evidente. Olhei um pouco para o lado, mais uma vez olhando para Butch, e me surpreendo com o que vejo. Ele estava olhando para mim, ou melhor, para o que Mitch estava prestes a fazer, e parece que eu consegui pela primeira vez da noite, um olhar preocupado do moreno.

Mitch estava com os lábios a centímetros dos meus, no fim das contas, eu estava a um passo de vencer a aposta e quebrar a cara de Butch. Subitamente fecho os olhos, tentando imaginar em qualquer outra coisa para não focar no beijo que estava por vir. Tenho certeza que não conseguiria ficar com Mitch se eu não estivesse nessa situação. Eu podia sentir muito bem os calafrios vindos do penetrante olhar do moreno que, finalmente, mostrou-se incomodado.

É isso... Eu venci...

– Mitch, seu pervertido! Pensei que eu fosse a única na sua vida!! – Ouço a voz irritada de uma garota que interrompe o ato que nem se iniciou.

Quando Mitch olha para a garota, começa a suar intensamente, assim como me empurrou com uma força mais que insana. A garota estava furiosa, se aproximou de Mitch em passos pesados que faziam até barulhos. Aquilo chamou a atenção de todos na pista de dança.

– A-A-Adele?! – Mitch parecia desesperado, põe a mão no ombro da garota na tentativa de acalmá-la, sem sucesso. – O-Olha amor, n-não é o que você tá p-pensando. E-Ela é só uma amig-

– Deixa de ser mentiroso, Mitch!!! – Ela aumenta o tom de voz, assim atraiu uma plateia que ficou em torno dos dois. – O seu amigo bêbado me contou que você fez uma aposta de ficar com mais de dez garotas hoje a noite!!!

Não sei porque, mas não fiquei surpresa. Solto um suspiro de decepção, consigo passar pela plateia e deixo o casal discutir sua relação sem mim por perto. Ainda conseguia ouvir claramente as pessoas gritando “BRIGA! BRIGA! BRIGA!...”.

Eu não acredito que aquele puto tentou me usar. No final das contas, só fiz papel de idiota a noite inteira. Vou para uma mesa onde ficavam as bebidas, viro uma garrafa de uísque na garganta, sentando-me numa cadeira ao lado. Eu estava parecendo até personagem de filmes em que a pessoa bebe para esquecer os problemas. No meu caso, estava bebendo para tentar esquecer a vergonha que passarei a olhar para a cara de Butch novamente.

Ainda banhando-me com o álcool, sinto uma mão pousar em meu ombro.

– Você não parece ser do tipo que bebe. – Debocha de mim, sentando-se ao meu lado. – Mas acho que me enganei.

– Ah, vai seu foder, Butch! Não deveria estar com aquela puta que estava com você?!

– Escuta, aquela menina que veio puxar assunto comigo. Eu não tenho nada com ela.

– Tá, foda-se! – Embora tenha respondido bruscamente, eu estava um tanto aliviada ao ouvir aquilo. Ao notar que o uísque havia acabado, jogo a garrafa fora e pego mais uma, colocando quase tudo na boca. – O que está fazendo aqui? Veio esfregar na minha cara que ganhou a aposta?

– Também – Ele disse rindo um pouco. – Mas só queria te lembrar que eu não queria nada com aquela menina, e nem você com o Mitch. E amanhã, quando sua ressaca passar, vai entender que não consegue ficar com outra pessoa que não seja eu.

– E por que eu... HINC (soluço)!... Ficaria de ressaca?

– Não sei... Talvez porque você acabara de revirar duas garrafas de uísque.

– Cala a boca.

O respondo, bebendo mais um gole em seguida. Minha cabeça já estava girando, eu mal conseguia focar o rosto de Butch, e ele logo percebeu minha tontura. Segurou meu corpo na cadeira para que eu não caísse, e de repente, comecei a me sentir mais alegre. Efeito da bebida, talvez.

– Você é mesmo fraca para bebidas. – Comenta. Começo a rir sem motivo algum, encosto minha cabeça no ombro dele com um sorriso bobo no rosto. Ele me levanta, me carregando pelo ombro. – Vamos. Eu vou te dar uma carona.

– Hãn? – Indago, incrédula. – De carro?

– Err... Sim.

Começo a rir mais alto e mais histericamente. A bebida realmente havia mexido comigo.

– Sabe o que é mais engraçado? – Pergunto. – É que nós podemos voar, mas andamos de carro. Não é hilário? HÁ HÁ HÁ...

– Sim, sim. Muito engraçado, sua bêbada. – Responde num tom de voz gentil.

Aproveito para pegar outras garrafas da mesa antes de sairmos da mansão.

– Porque você quer me dar uma carona?

– Porque já é tarde, e você esta em um estado crítico. – Reponde com um sorriso compreensivo no rosto. – Além do mais, eu te devo uns favores.

Vendo que não tinha outra escolha, aceito a carona. Mas o que eu mal sabia é que a perda da consciência de minhas ações o proporcionaria outra daquelas noites imprevisíveis.

Afinal... Tudo em mim é imprevisível quando estou perto de Butch.

Continua...

Notas finais
Nhé, vocês me conhecem, eu nunca deixo de por uma treta nos meus caps XD kkkkkkkk. Bom, irei logo avisando que como a Bc estará inconsciente no próximo capítulo, ele será narrado por Butch *o*. Finalmente veremos o que se passa na mente dele, hehehe. Podem ser coisas boas, ou coisas ruins. Isso nós descobriremos mais para frente ^^. Até o cap 17 o/ BOAS FESTAS!! FELIZ ANO NOVO PESSOAS!! QUE VENHA 2014!! Kissuuuus ♥