Playing With Fire
34 Buttercup e Butch
Notas iniciais
– Vem logo, Butch! – Grito, estava sentada no sofá já calçando meus sapatos, enquanto ele estava no quarto, provavelmente tinha acabado de sair do banho. – Nós vamos perder o filme, seu idiota!
– Eu já tô indo, caralho! – Ele grita um tanto impaciente. – O cinema não vai sair do lugar!
– É, mas os ingressos vão! E juro que se perdermos o filme por sua causa eu te mato!
– Mata nada. Você não consegue viver sem mim. – Brinca.
– Cala a boca e se arruma logo!
Dou uma última penteada no cabelo e me dirijo até a porta, agora que meu cabelo estava grande, o trabalho para cuidar dele se tornara ainda maior. Saudade do meu cabelinho curto.
Hoje faria uma semana em que eu havia chegado em Townsville, poucas coisas aconteceram, mas muito foi conversado, principalmente entre mim e Butch. Ele esteve morando comigo em meu apartamento até então, ele ainda está tendo que seguir o medicamento e eu estou o ajudando com os remédios que Blossom trouxe. E realmente, ela é daquelas enfermeiras bem chatas, chega a ser bem engraçado quando ela briga com Butch por causa dos remédios, ele nunca toma nos horários certos.
Butch havia me contado um monte de coisas, e eu havia contado um monte de coisas para ele. Claro que eu tinha muito mais pra contar que do ele, e quando escutava minhas histórias de coisas que ocorreram nos últimos anos, ele parecia até uma criança que escutava atentamente as historinhas dos avós. Antes que me perguntem, sim, contei pra ele de meus relacionamentos falhos, e por incrível que pareça, ele não reagiu tão mal. Na verdade foi bem compreensivo com a situação, mas preferiu não tocar mais no assunto, e eu muito menos, ele ficaria bem puto.
Quanto a nós dois? Bem... Um dia após do nosso reencontro já estávamos nos beijando, agindo como namorados. Nada muito íntimo ainda, mas quando saíamos andávamos de mãos dadas, trocávamos alguns beijos, tínhamos aqueles papos meio melosos. Eu estou me sentindo com 18 novamente, parece até que eu voltei no tempo.
Ou será que foi o que sentimos que não permitiu que o tempo fizesse diferença?
Com isso podemos dizer que estamos supostamente... Juntos? Sim, acho que sim. É estranho, o tempo não alterou nada, como se nosso namoro tivesse prolongado por todo esse tempo e ainda fosse a mesma coisa. É como se, mesmo nas épocas em que namorava com outro cara, eu ainda fosse do Butch. Confuso, não é? Talvez seja por isso que nunca me senti a vontade com nenhum dos caras com quem tentei um relacionamento sério, eu já estava em um.
Um sorriso nasce em meu rosto ao pensar em todas essas coisas, e só de sentir o perfume dele espalhado pela casa eu já me encontrava em suspiros. Mas agora, na situação em que estávamos, já estava perdendo a paciência com a demora do moreno.
– Butch, eu juro que se eu for aí-
– Já vou, mamãe! Já vou! – Ele me interrompe, saindo do quarto no mesmo instante. Ele estava usando uma jaqueta de couro por cima de uma blusa cinza, sempre o achei charmoso quando usava jaqueta. Também usava uma calça jeans escura e sapatos pretos fechados, e havia passado um perfume tão bom que a cada passo que dava para se aproximar, mais eu cheirava o ar. – Pronta pra ir?
– Já estou pronta há meia hora, eu é que te pergunto isso.
– Mas é chata, viu. – Ele pega as chaves e nós andamos até a porta, ele me analisa da cabeça aos pés quando passo por ele. – Chata e linda.
– Se tá falando isso pra eu ficar menos puta, desista. – Digo, enquanto descemos as escadas. – Garanto que ficou todo arrumadinho achando que eu ficaria caidinha por você e esqueceria a demora.
– Nossa, descobriu meu plano maligno. – De repente, segura meu queixo e me dá um selinho rápido. – Então eu tô bonito, é?
– Você sempre está. – Respondo, e ele fica todo sorridente. Merda, não posso ceder. – Mas ainda assim precisamos ir logo, eu te contei que queria ver Jurassic World desde que lançou o trailer e a sessão começa em vinte minutos. Sem contar que temos que ir a pé.
– Eu sei amor, desculpa. Vamos.
Ele envolve a mão em meu ombro e fomos andando até o cinema, chegando lá, nos deparamos com uma fila gigantesca que ia até a porta de entrada. No momento que vi a fila, olhei furiosa para ele, que ficou com o rabinho entre as pernas no mesmo instante. A fila andou mais rápido pois muitos já estavam entrando na sala do filme, com certeza pegaríamos lugares péssimos, e só de pensar nisso continuava culpando-o com o olhar.
Quando só faltavam umas duas pessoas na nossa frente, tiramos nosso dinheiro e identidades do bolso, e logo em seguida já era a nossa vez no caixa. Butch pega meus documentos e entrega para a mulher do caixa.
– Duas para Jurassic World, por favor.
– Me desculpe, os ingressos para Jurassic World esgotaram. – No momento em que ela disse isso, minhas sobrancelhas se juntaram e meus dentes cerraram. Comecei a olhar para Butch com uma expressão de “Te dou três segundos pra correr senão eu arranco a sua cabeça”, enquanto ele imediatamente lançou um olhar de “Pelo amor de Deus, me perdoe, não me mate”. A mulher pegou um folheto com todas as programações e nos entregou. – Mas vocês podem escolher algum outro filme, temos outros para esse horário.
– Quais são, moça? – Pergunto, ainda me segurando para não matar o Butch.
– Bem, tem Minions–
Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, nos olhamos com desaprovação e respondemos um belo “NÃO” em coro. Ela ri da nossa reação.
– Dou o meu cu, mas não assisto Minions. – O comentário de Butch faz nós duas rirmos.
– Perdoe a falta de educação do meu namorado, moça. – Digo, num tom sarcástico. – Mas eu, sinceramente, concordo com ele. Quais outros filmes estão passando?
– Só Minions e Divertida Mente estão passando nesse horário. – Ela responde, logo suspiramos. – As próximas sessões vão começar às 19:00.
– Droga, reservei no restaurante para as 19:40. – Bufa o moreno, já cruzando os braços.
Suspiro.
– Tudo bem, Butch. – Digo, colocando a mão em seu ombro. – Eu estava querendo ver Divertida Mente mesmo.
Entrego o dinheiro e os documentos para a moça, que nos devolve com os ingressos logo em seguida. Eu continuei olhando para ele com raiva, ele ficou tão manso que até me deixou entrar antes e foi comprar a pipoca. Quando entrei lá vi muitas cadeiras vazias, as que estavam ocupadas eram apenas para mães com seus filhos. Procurei um lugar com vista boa e me sentei. Eu preferia ver Jurassic World, mas...
Vejo o moreno chegando com a pipoca e o refrigerante, ele olha ao redor e logo me encontra, se sentando ao meu lado.
– Você realmente queria ver esse filme? – Ele pergunta.
– Bom, meu plano para hoje era ver Jurassic World, mas como você fez a questão de se arrumar que nem uma tartaruga ninja, não vai dar. – Respondo-o, ainda meio irritada. Ele fica mudo. – Mas respondendo sua pergunta... Sim, eu queria ver.
– Eu não vou me defender porque eu realmente sou o culpado. Mas... Você tá ligada que a gente vai ver um filme de criança, né?
– Estou sim. – Respondo, sem ligar muito. – Mas é da Pixar. Disney e Pixar sempre fazem filmes ótimos, e a crítica que fizeram pra esse filme também é ótima.
– Nós somos os únicos adultos sem filhos aqui.
– Que nada, eu tô mais pra sua mãe do que pra sua namorada. – Digo, e nós dois rimos. Ele segura minha mão carinhosamente em seguida. – Sem contar que você é um crianção.
– Ah, eu sou, mamãe? – Ele pergunta, aproximando o rosto do meu aos poucos.
– Com certeza. – Olho para ele e nos beijamos.
Ah, mas como esses beijos faziam falta. Cada arrepio, cada sensação, cada detalhe do beijo dele era único. Não sei como eu aguentei quatro anos sem nada disso.
O beijo se prolongou até nossas línguas começarem a se entrelaçar, mas depois de uns minutos sentimos olhares de reprovação de algumas mães que estavam na sala do cinema, umas até tiveram que tampar os olhos dos filhos para não ver nosso beijo. Nos olhamos e seguramos o riso diante daquela situação.
– As mães dessa geração estão cada vez mais frescas. – Ele afirma.
– Nem me fale.
As luzes se apagaram e os trailers começaram, encosto minha cabeça em seu ombro enquanto ele encosta a sua na minha. Nossas mãos ainda estavam dadas, usamos as livres para pegar a pipoca.
– Desculpa por ter demorado pra me arrumar.
– Eu já tava esquecendo isso, sabe. Não deveria ter me lembrado.
– Droga. Desculpa.
Damos mais um beijo antes do filme começar.
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Filme de criança? Devem estar de sacanagem com a minha cara. Definitivamente fora um dos filmes mais lindos que já vi em toda a minha vida, sem brincadeira. Eu e Butch quase inundamos a sala do cinema com nossas lágrimas. Nós, adultos de 21 anos, havíamos gostado mais do filme que as crianças que estavam ao nosso redor.
Confesso que achei muito fofo vê-lo se emocionando com o filme, principalmente para alguém como ele, que não era muito de chorar. Definitivamente a ida ao cinema não foi um fracasso.
– Como... Como que podem fazer um filme assim para crianças? – Ele se questiona, enxugando as lágrimas enquanto caminhávamos para fora do cinema. – Que filme cruel! Destruiu meu coração!
– Desenhos não são todos exclusivamente para crianças, Butch. – Digo, envolvendo-me em seu braço. – Excelentes histórias são contadas de diversas maneiras, desenhos são uma delas. O mundo idealiza demais a animação de desenhos como algo totalmente infantil, são tantos os filmes de desenho que considero melhores que muitos filmes com pessoas.
– Você é uma amante de desenhos, pelo visto.
– Pode-se dizer que sim.
– Bem que eu me lembro de quando te flagrei assistindo My Little Pony. – Ele zomba de mim, rindo. – Mas de certa forma... Você tem razão. Esse filme com certeza foi um dos que mais me emocionou.
– Eu sempre tenho razão. – Brinco.
– Eu sei disso. – Ele diz, dando um beijo em minha testa. – Também sei que já está na hora de irmos para o restaurante. Vamos.
Butch havia reservado uma mesa para nós num restaurante francês muito bom que ficava no centro da cidade, foram poucas as vezes que fui lá, era sempre tão lotado que quase nunca me animava pra ir. A última vez que havia pisado lá foi no dia em que o Professor e a Srta. Bellum anunciaram seu noivado. Era um lugar bem romântico, e venho percebendo que Butch realmente está querendo deixar as coisas bem românticas ultimamente, como se estivesse um tanto... Inseguro?
Conversamos sobre o filme durante todo o caminho, mudamos de assunto assim que chegamos lá. Um garçom nos levou até a nossa mesa, por coincidência, era a mesma mesa em que meus pais haviam anunciado o noivado, trazia ótimas recordações. Butch puxou a cadeira como um cavalheiro para que eu pudesse me sentar, em seguida ele se senta na outra cadeira logo a minha frente.
O mesmo garçom trouxe o cardápio e fizemos nosso pedido, trouxeram alguns escargots para ser o prato de entrada, e ficamos jogando muita conversa fora nesse meio tempo.
– Tem algo que eu esqueci de te perguntar. – Digo, olhando para seus olhos verdes intensos. – Como é estar em coma?
Ele revira um pouco os olhos, pensativo. Procurava palavras enquanto levava mais um escargot até a boca.
– É difícil explicar... – Começa, enquanto pegava mais um escargot. – É como... É como se você estivesse dormindo, mas não sonhasse. Quer dizer, acho que tive alguns sonhos sim. Mas você simplesmente não sente a necessidade de abrir os olhos, porque em momento algum pensei que estivesse dormindo... Sei lá. Pra falar a verdade, pensei que estivesse morto.
– Wow...
Ficamos um pouco em silêncio, apenas comendo os petiscos. Mas parecia que Butch ainda procurava coisas para me contar, e eu, com certeza, escutaria com toda atenção.
– Mas às vezes dava pra escutar algumas vozes... Inclusive a sua. – Meus olhos se arregalam e volto a olhar para ele no fundo dos olhos, ele estava sorrindo, um dos sorrisos mais lindos que já havia dado pra mim. – Teve uma vez... Que lhe escutei contando como foi seu dia. Lembro direito como foi: você tinha se formado na escola e faltavam três dias para ir pra Nova Jersey, você tinha passado o dia inteiro arrumando suas coisas com suas irmãs, e depois de ir tomar um sorvete com elas, você foi me visitar no hospital. – Enquanto ele falava, ia me lembrando desse dia. Foi a última vez que fui visita-lo antes de começar a faculdade, embora não fosse uma memória lá tão relevante, só de saber que ele se lembrava me deixava emocionada. – E depois... Você se despediu de mim, e eu nunca mais ouvi a sua voz. Eu nunca senti tanta vontade de acordar quanto naquela vez...
Estendo o braço até a sua mão e a seguro carinhosamente. De mãos dadas, nos olhávamos com a maior das ternuras, no clima mais romântico possível. E por mais meloso que isso soasse, não me incomodava nem um pouco.
Abro o maior dos sorrisos, e ele faz o mesmo.
– Mas você acordou. – Digo, acariciando sua mão. – Você está aqui agora, e é isso o que importa.
– É...
Ele responde um tanto cabisbaixo, logo percebo sua mudança de comportamento, o olho para ele com uma expressão preocupada, enquanto acaricio mais a sua mão.
– O que foi, Butch?
Ele suspira assim que pergunto, e começa a me acariciar de volta com o polegar.
– Eu... Perdi tempo demais. – Ele responde, ainda cabisbaixo e em meio de suspiros. – Nós poderíamos ter aproveitado tanta coisa, vivido tanta coisa juntos... Mas eu tinha que fazer aquela merda toda. Se não fosse por aquilo nó-
– Shhhhh. – Ponho o dedo indicador em seus lábios, interrompendo-o. Ele parece se surpreender ao me ver sorrir, mesmo que o assunto fosse aquele. – Já passou, seu bobo. Eu não guardo mais rancor algum, não precisa continuar se culpando por aquilo tudo.
– Mas eu fico, Bc. Eu fui um grande egoísta filho da puta, te fiz sofrer e ainda tive que ficar em coma e perder todos esses anos ao seu lado. – O silêncio reina por um tempo. Eu já imaginava que ele se sentisse dessa maneira, mas... O que eu posso falar pra ele, caramba?– Mas... Olhando por outro lado. – Ele volta a falar de repente, um sorriso se abre no canto de seu rosto, me surpreendendo. – Se não fosse por aquela aposta, eu... Não teria tido a chance de me apaixonar por você.
Suspiro com um sorriso no rosto, contente por aquele assunto ter se invertido.
– Nem eu por você. – Me inclino em sua direção e lhe dou um beijo, seu rosto fica vermelho. – Uma vez eu vi um filme de desenho em que uma tartaruga dizia: “Ás vezes encontramos nosso destino pelo caminho que tomamos para evita-lo”. Eu acho que podemos encarar a nossa situação dessa forma. – Ele prestou atenção em cada palavra, sem tirar os olhos de mim. – É claro que eu fiquei triste, e claro que o odiei por um momento. Eu amaldiçoei as circunstâncias por sempre me empurrarem pra você. Mas... Depois de todo esse tempo, e devido a tudo o que aconteceu eu entendi que não foram simples circunstâncias. Acho... – Um sorriso acanhado brincou em meus lábios. – Acho que, no final das contas, eu sempre estive destinada á ser empurrada para os seus braços.
– Mais uma prova de que você estava certa sobre os desenhos. – Ele diz, ironicamente. Encarava o teto do quarto com uma expressão insondável, depois de uns poucos minutos, ele fechou o olho e balançou a cabeça. Olha no fundo de meus olhos com uma grande ternura novamente. – Mas... Eu não acredito nesse tipo de coisa. – Murmurou enquanto pegou o último escargot, roubando minha atenção. – Esse papo de destino é uma tremenda bobagem. Acho que o que aconteceu entre nós não foi nada mais que uma consequência das nossas escolhas.
– Escolhas?
– Sim. – Ele virou a cabeça. – Primeiro eu escolhi ser um egoísta, aceitei as condições de Brick por puro capricho, minhas consequências após isso foram severas. Você escolheu acreditar que eu estava apaixonado por você, sua inocência te levou a sofrer, mas quando soube o que eu realmente sentia, escolheu que não iria desistir de mim mesmo depois de quatro anos me esperando acordar. Não teve nada á ver com destino. Você escolheu estar comigo, e isso nos levou á onde estamos agora.
Senti minhas bochechas arderem. Embora estivesse constrangida com aquelas divagações, não poderia negar que tudo aquilo fazia sentido.
– E quando você se deu conta de seus sentimentos, o que você escolheu? – Pergunto, curiosa.
A expressão dele repentinamente tornou-se terna.
– Eu escolhi concertar as coisas. – Ele responde, e levanto a sobrancelha. – Eu me dei conta deles no dia em que você me mandou aquela mensagem dizendo que me amava. Primeiro eu entrei em pânico, não sabia o que fazer, queria criar uma máquina do tempo e evitar que tudo aquilo tivesse acontecido. Depois daquela noite em que você me disse aquelas coisas sobre mostrar do que eu sou capaz, eu enfim tomei minha decisão. – Ele suspira, dando uma breve pausa sem tirar os olhos de mim. – Eu decidi fazer o certo para você, para essa cidade, e para mim. Não que eu quisesse me tornar o herói, mas não ser reconhecido o tempo inteiro como o grande filho da puta. Antes que eu me desse conta, você já havia me tornado uma pessoa melhor, me levou a compreender toda a confusão em minha cabeça, e aceitar o que estava acontecendo entre nós. E isso me levou á tomar todas as outras decisões, á me fazer engolir o orgulho e aceitar... Tudo o que eu estava sentindo. Engolir o choro e o orgulho me fez compreender o que você significa pra mim. E acabou sendo a melhor escolha que eu já fiz em toda a minha vida.
Fiquei encarando seu rosto, que logo de enrubescia. Butch falava umas coisas bem bonitas e profundas de vez em quando, mas essa agora... Realmente me pegara de surpresa. Isso me fez pensar no passado, imaginando que nunca nessa vida estaria me imaginando aqui, e dessa maneira, com o Menino Desordeiro que queria dominar Townsville e vivia tendo tremeliques.
– Isso foi uma declaração?
Ele fica ainda mais vermelho com minha pergunta, sorrindo com timidez.
– Pode-se dizer que sim...
– Que fofo. – Provoco-o para ele ficar mais envergonhado ainda, com sucesso. – Eu nunca imaginaria um gorila mal-educado feito você dizendo algo desse tipo.
– Sempre mestra em cortar o clima. – Ele zomba, me fazendo rir.
– Eu sei. Faço isso pra te envergonhar. – Acaricio sua mão novamente e lhe dou um beijo ali, olho para ele no fundo de seus olhos. – Quando você diz coisas assim... Só me faz ter mais certeza do quanto você é incrível.
– Eu? Você é que é incrível. Não tenho ideia de como você se apaixonou por mim.
Antes que eu começasse mais uma declaração gigante, o garçom chega com o prato principal, tirando o prato vazio dos escargots. Nos deliciamos do coq-au-vin enquanto conversamos mais e mais. Provavelmente essa foi a noite com a conversa mais prazerosa que já tivemos.
Nós parecemos até um casal... Normal.
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Após o melhor petit gâteu que já comi em toda a minha vida, pagamos a conta e saímos do restaurante. Fomos andando pra casa de mãos dadas enquanto conversávamos.
De repente, gotas de chuva começam a cair, e o que começou com um simples chuvisco, se transformou numa chuva densa e pesada, molhando-nos por inteiro. Tiro os pés do chão e começo a voar, olho pra ele com olhar de indagação.
– O que está esperando? Vamos voando que chegamos mais rápido.
– Err... Bc, eu não posso voar.
Meu rosto fica vermelho no mesmo instante. Droga, é mesmo... Ele perdeu os poderes, e eu ainda fiz a questão de lembra-lo disso. Que vergonha.
Desço novamente, ainda um pouco envergonhada, seguro sua mão. Apressamos o passo e em quinze minutos chegamos em casa, totalmente ensopados, é claro. Subimos as escadas do prédio e entramos no apartamento. Butch tirou a jaqueta e eu tirei meu casaco para evitarmos um possível resfriado.
Não dissemos nada desde que havíamos chegado em casa, mas quando nos olhamos, todos ensopados daquele jeito, começamos a rir. Senti que um clima bom estava sendo formado ali, e quando se está sozinha em sua própria casa com seu namorado com um clima como aquele, pode-se esperar de tudo. Nenhuma outra palavra foi dita. Palavras eram desnecessárias num momento como aquele. Só conseguia sorrir, pra depois soltar um longo suspiro ao ter minhas mãos, pequeninas e macias tomadas pelas do moreno grandes, ásperas e cheias de calos.
Butch pressionou ambas contra meu rosto, mantendo o olho bom fechado, totalmente enlevado. Acariciei a pele morena, que mesmo molhada era deliciosamente quente. Abrindo o olho, me encarando intensamente, pressionou o dedo indicador contra meus lábios, com uma amabilidade que me deixou absurdamente encantada. Butch parecia estar se esforçando ao máximo para estreitar ainda mais a intimidade entre nós.
Mas eu não aguentava mais esperar. Fora tempo demais esperando por ele, desejando-o. Meu corpo e seu coração pediam pelo mais íntimo e doce dos contatos, e desta vez não iria ignorá-los. Fechei os olhos e me inclino para frente, fazendo com que meus lábios tocassem os dele.
Butch ficou extático. Não esperava que eu fosse tomar a iniciativa, ainda mais de maneira tão abrupta. Mas não foi capaz de dizer uma única palavra contra a ação, apenas correspondeu ao beijo de muito bom grado, e com um desejo tão grande quanto o meu. Me puxou para mais perto de seu corpo, fazendo-me se sentar em seu colo. Meus seios pressionaram-se contra o seu peito, aumentando sua excitação em níveis críticos. Meus dedos se enroscaram em seu cabelo, e agora eu praticamente devorava sua boca. Começamos á ter dificuldades para respirar, mas não tinham animo para se separarem agora.
Dedilhou as costas dela por cima da minha blusa encharcada, percorrendo as curvas com firmeza, fazendo-me suspirar e jogar a cabeça para trás. Cada toque das mãos dele parecia arder, borbulhar em minha pele sensível, deixando-me completamente zonza. Aproximo mais do tronco musculoso, e inevitavelmente a região entre minhas pernas acabou se friccionando no volume das calças dele.
Eu não queria mais esperar, ele muito menos. Não queríamos mais ignorar aquela necessidade latente em nosso corpo, que reclamavam do excesso de roupas e imploravam por mais contato. Foram quatro longos anos esperando ansiosamente por um momento como aquele.
Com imensa dificuldade, afastei-me para encará-lo nos olhos, que estavam completamente escuros pelo desejo. Ainda estava com os braços firmes ao redor do pescoço dele. Ambos ofegávamos, os rostos muito vermelhos, os olhos semicerrados. Butch parecia querer voltar a me beijar, mas eu segui meus lábios até seu ouvido, cerrando-os em seu rosto no caminho, fazendo-o suspirar.
– Butch... Me leva pro quarto. – Sussurrei.
Pude senti-lo se arrepiar completamente, em segundo algum ele contestou minha ordem.
Pôs-me em seu colo e caminhou até meu quarto (ele estava dormindo no das visitas), onde minha cama era muito maior e mais espaçosa que a dele. Retrocedeu alguns passos, e concentrado como estava em minha boca, precisou tatear até encontrar a bendita maçaneta. Entreabriu a porta, para logo depois chutá-la com violência. Entrou no quarto aos tropeços, fechando a porta com mais um chute antes de me prensar contra a parede.
Analisa o local antes de voltar a me beijar com ferocidade.
– Perfeito. – Sussurrou para si mesmo ao ver minha cama.
Concentrava-se em beijar sofregamente minha boca, para depois atacar meu pescoço com mordidas e lambidas, fazendo-me gemer e suspirar. Prendeu meus braços acima da cabeça, e me senti totalmente encurralada, submetida ás vontades dele, o que inacreditavelmente aumentou ainda mais minha excitação. Sempre gostei de liderar as coisas, mas quando se tratava de Butch, era impossível não me render às vontades dele.
Ele agora se esforçava para arrancar minha blusa ensopada, que havia se grudado em minha pele. Mantive os braços esticados para facilitar o trabalho, e logo meus seios saltaram livres diante do olhar faminto do moreno. As duas mãos grandes e calejadas se fecharam sobre eles o que me fez ofegar alto e em bom tom. A língua úmida e quente traçou círculos na minha pele, até alcançar o mamilo enrijecido pelo frio e pelo desejo. Precisei morder a língua para conter um gemido particularmente escandaloso. Enganchei os dedos nos cabelos negros, fazendo com que Butch quase sufocasse ao ter o rosto comprimido entre os seios. Mas ele foi incapaz de reclamar, acho que homem nenhum seria.
Minha cabeça rodava. A vista estava ficando embaçada, completamente zonza pelo prazer que a boca do moreno proporcionava. A língua atrevida brincava com o bico, só conseguia gemer e rebolar no colo dele, toda manhosa. Nossa, nunca fizemos isso de maneira tão... Quente! Minhas coxas roçaram no volume nas calças dele, que logo sentir pulsar. Butch parou com as carícias por um momento, incapaz de conter um gemido rouco. Vi que aquela era a chance de tomar as rédeas da situação.
O afastei um pouco para que pudesse firmar os pés no chão, e arranquei os próprios sapatos o mais rápido que pude. Butch entendeu o recado, livrando-se se sua blusa cinza, tirando seus sapatos e começando a desabotoar sua calça. Antes que ele pudesse terminar o “ritual”, me atirei em seus braços o mais depressa que pude, beijando-o sofregamente enquanto minhas mãos passeavam pelos ombros largos, pelo peito forte e dourado de sol. Chutamos as roupas que caíram no chão, e logo após senti suas mãos apertarem minha bunda com uma certa força, me fazendo gemer.
O empurrei até a cama, fazendo-o se apoiar nos lençóis. Depois de minutos nos concentrando nos toques, finalmente nos encaramos no fundo dos olhos, nós dois estávamos completamente loucos naquele momento. Sorri maliciosamente para ele, que me respondeu com o mesmo sorriso, engatinhei até pairar sobre o tronco musculoso, sentindo que iria explodir de tesão ao encontrar o olhar malicioso, instigando-me á dar o próximo passo. Sem poder mais esperar, ataquei o pescoço longo e com veias saltadas, lambendo e sugando de um jeito que fazia o Desordeiro tremer e ofegar. A boca ia descendo mais, explorando os ombros, o peito, o abdômen. Calor, força, virilidade, e agora, cicatrizes de queimaduras. Era aquilo que definia o corpo de Butch. Cada um daqueles detalhes me deixava louca, e com uma vontade maior ainda de possuí-lo ali mesmo.
Seus nervos respondiam ás carícias com espasmos de prazer, que ele inutilmente tentava conter. Alcancei sua calça que já estava desabotoada, a abaixo num movimento rápido, e em seguida, o liberto de sua cueca, expondo seu membro rígido que pulsava de prazer. Butch respirou fundo, aliviado por ter se livrado da roupa que o apertava. Querendo aliviá-lo mais, seguro seu membro com as duas mãos e serpenteei a língua por toda a extensão, o moreno gemeu de imediato, surpreso com a atitude.
Suguei a glande rosada com uma força comedida, e logo após me deleitar com um longo suspiro enrouquecido dei fim á seção de tortura, abocanhando o membro todo de uma vez e sugando-o com vontade. Vejo Butch revirar os olhos de tanto prazer, afundou a cabeça no travesseiro, arqueando as costas contra os lençóis. Suas pernas ficavam bambas e moles à medida que poderosas descargas elétricas pareciam ser enviadas para os pontos mais sensíveis do seu corpo. Seus dedos se embrenharam pelos cachos cor de fogo, segurando-os com firmeza enquanto procurava ditar o ritmo do sobe e desce da minha boca, enquanto eu me vangloriava ao vê-lo tão entregue e vulnerável daquela maneira.
Era maravilhoso ter aquele homem que era o verdadeiro epítome da força totalmente submisso aos meus carinhos, e eu não poderia fazer nada mais além de atender aos pedidos mudos dele. Sugo com ainda mais força, apertando entre os dedos o que não conseguia engolir, até que ficou impossível para o moreno conter os gemidos roucos e lascivos. E de repente, sinto-o me puxar pelos cabelos com um enorme esforço, até que meu rosto estivesse novamente acima do seu. Voltamos a nos beijar desesperadamente, as poderosas mãos masculinas apertaram com força minha bunda avantajada, ao que me fazia gemer e rir.
Sem aviso, Butch me agarrou pelo ombro e inverteu as posições, ficando por cima de mim. Não deu chance para que eu retrucasse, abocanhou minha pele do pescoço com a língua e os dentes, e voltou á dar atenção aos meus seios, capturou o mamilo direito entre os lábios e sugou-o demoradamente, sorrindo consigo mesmo ao me ouvir gemer. Desceu a boca pelas curvas, deixando um rastro de saliva na pele ainda molhada, mas agora de suor. Comecei a me contorcer sobre a cama, o corpo inteiro estava se arrepiando ao toque da boca dele. Gemo e viro a cabeça para o lado ao sentir um dedo atrevido acariciar a sensível região entre as pernas por cima de sua calça jeans. Comecei á odiar a dita peça de roupa, antes uma de minhas preferidas. Levo os dedos ao botão metálico, decidida á me livrar das calças, mas a mão de Butch impediu a minha.
– Deixa que eu tiro. – Ele diz com a voz mais rouca possível.
Assenti sem retaliar, excitada como estava com os toques dele. Queria sentir muito mais, e estava disposta á ficar em silêncio se isso fizesse com que o moreno se dispusesse á retribuir tudo o que fizera com ele de forma satisfatória. Satisfeito ao ver-me dócil daquela maneira, voltou á sua exploração torturante. Circulou o umbigo com a língua enquanto apertava as minhas coxas com força, enquanto para mim a ideia de reclamar era impensável. Estava adorando aquelas carícias brutas; não poderia esperar outra coisa de um homem selvagem como ele.
Os dedos habilidosos mais que depressa abriram o botão e desceram o zíper, e logo senti a peça sendo retirada rispidamente de meu corpo. A única peça que restara fora a calcinha, preta e com rendas vermelhas. Lambendo os lábios com a visão, Butch aproximou sua boca da intimidade ainda protegida pela vestimenta, o que fez me fez ofegar de expectativa. Prendeu entre os dentes a tira fina, e num só puxão a rasgou. Arregalei os olhos, embasbacada com a ousadia dele.
– Ei! – Retruco, ele ri sarcasticamente com minha reação. – Essa calcinha era boa! Eu gostava dela!
– É? Pois eu não. – Ele me lançou um sorriso diabólico. – Vou te fazer esquecê-la num instante.
Dizendo isso, atirou por sobre o ombro a calcinha inutilizada, que foi cair no chão. Entreabriu as pernas torneadas, me dando a visão de sua boca salivar ao se deparar com minha feminilidade. Sorriu de canto ao ver-me estremecer, sem saber ao certo se fora de ansiedade ou apreensão. Na verdade, estava sentindo uma mescla intensa de ambas as sensações. Se por um lado o meu corpo implorasse pela boca dele em seu ponto mais sensível, por outro tinha receio de que ele acabasse me machucando na afobação de satisfazê-la. Afinal, faziam anos que não nos comunicamos de maneira tão íntima, o desespero de nossos toques eram inevitáveis.
No instante em que ele afundou o rosto entre minhas pernas, toda a preocupação foi para o espaço. A língua quente e úmida estava tão firme quanto, porém trabalhava cuidadosamente na sensível região, e ao senti-lo lambê-la de forma languida e intensa, precisei morder a própria língua para sufocar o grito de prazer. O moreno abriu um sorriso vitorioso, mas não perdeu tempo se vangloriando. Entreabriu os lábios com os dedos e introduziu sua língua na abertura úmida, que logo senti pulsar descontroladamente. O prazer que ele proporcionara era algo indescritível, em anos com falta daquilo, parecia até melhor que todas as outras vezes.
Arqueei as costas sobre os lençóis, soltando um gemido que era quase um choro desesperado, causado pelo prazer agonizante. Ele lambia a carne sem pressa, e logo depois concedeu a mesma atenção ao clitóris, sugando-o com preguiça, fazendo-me ver estrelas. Foi só quando eu já estava quase desmaiando de tanto tesão que ele decidiu dar fim ás preliminares.
Não aguentava mais esperar. Queria ele dentro de mim, ouvi-lo gemer, queria gritar o seu nome até que ambos enlouquecêssemos. Fez o caminho inverso de sua boca pelo meu corpo, até que nossos rostos estivessem próximos novamente. Os olhos verdes do moreno estavam escurecidos pelo desejo, as pupilas dilatadas. Beijou-me com fervor, senti meu próprio gosto nos lábios dele. Ele também parecia não aguentar mais esperar.
– Butch... – Ela sussurrou, afastando as pernas para recebê-lo.
– Nem precisa nem pedir, marrentinha. – Ele diz, antes que eu pudesse implorar pelo seu toque mais íntimo.
E dizendo isso, penetrou-me numa única e vigorosa estocada, fazendo-me gritar de surpresa e prazer. Segurou-se firmemente em meus quadris e deu início ao vai e vem de maneira suave, querendo deleitar-se ao máximo com aquele prazer esmagador que fazia sua cabeça girar. A fricção do membro duro contra as paredes de meu íntimo era mais deliciosa do que um dia foi, definitivamente essa estava sendo a melhor transa da minha vida. Não me surpreendo nem um pouco que tenha sido com ele.
Me agarro aos ombros cheios de queimaduras do moreno, gemendo loucamente ao senti-lo se mover daquela maneira lenta. Agora queria de todas as maneiras a brutalidade que era tão natural dele, queria que ele fizesse de mim sua da maneira mais intensa e apaixonada possível. Agarrei os lençóis sob seu corpo e ondulo os quadris, tentando acompanhar as arremetidas. Aquilo foi o suficiente para instigar Butch á ser mais ousado. Segurou-me pela cintura e foi gradualmente aumentando o ritmo das estocadas, até que as molas do colchão rangessem e a cabeceira começasse á bater contra a parede, e meus gemidos evoluíssem para gritos deliciados.
Prendeu a cintura dele com as pernas, fazendo-o gemer roucamente ao se sentir ainda mais comprimido dentro de mim. Estocou ainda mais violentamente, fazendo-me gritar seu nome como se estivesse agonizando. O membro dele me acertava continuamente no ponto mais fundo, enviando descargas elétricas para todo o meu corpo e fazendo a vista se embaçar com as lágrimas de prazer e felicidade. Só ver a expressão transtornada em meu rosto já era o suficiente para levar o moreno á loucura.
Apertou meus seios entre as mãos novamente e acariciou os mamilos com os polegares, novamente estava á ponto de perder os sentidos. Mas já estava cansada de deixar todo o trabalho para ele, afinal, eu tinha o direito de brincar também. Cerrei brutalmente as pernas em torno dos quadris fortes, e Butch quase gritou ao sentir-se ser esmagado daquela maneira. Aproveitei o seu momento de descuido para inverter as posições, ficando sentada sobre o colo dele.
O moreno já ia reclamar, mas ao cavalgar sobre seu membro com uma intensidade insana, o protesto que formulava simplesmente morreu em sua garganta. Limitou-se a segurar-me pela cintura e ajudar no movimento. Passamos a nos deliciar com a vista, cada um tinha a visão perfeita do corpo do outro, ele não tirava os olhos de meu corpo que se movimentava com cada vez mais intensidade, passando a mão pela cintura, pelos seios, pela bunda, seus dedos percorrendo por meu corpo me excitava ainda mais. Enquanto eu tinha as mãos prensadas em seu peitoral, passava os dedos em suas cicatrizes, que agora estava analisando em cada detalhe, e era nítido que as queimaduras tinham sido intensas. Passei a mão pela cicatriz de seu rosto que atravessava o olho, no mesmo instante ele segurou esta mão e a beijou, dedo por dedo. A selvageria de nosso ato estava se misturando com a doçura, a paixão, a delicadeza, o romance, o amor. E era tudo tão... Incrível!
Naquela posição, o membro parecia me atingir ainda mais fundo, e o prazer que me percorria o corpo quase me fazia perder o equilíbrio. Inclinei sobre o dorso suado e beijo a boca do moreno sofregamente, e ele retribuiu sem hesitar. O sobe e desce do quadril ficou mais intenso, fazendo uma torrente de palavrões escapar da boca dele. Não conseguia mais parar. A intensidade das descargas elétricas chegou ao auge, e não pude conter um grito de alto e bom som ao atingir um orgasmo intenso e totalmente inesperado. Butch arregalou o olho bom, surpreso ao perceber que eu havia gozado, e ao mesmo tempo parecia vangloriar-se por saber que fora capaz de me ver descontrolada daquela maneira.
Mas ele ainda não havia se satisfeito. Sentou-se comigo em seu colo e me beijou amorosamente, para logo depois deitar-me novamente sobre a cama e recomeçar as estocadas.
Logo já se sentia excitada de novo. As estocadas firmes e fundas, o corpo musculoso colado ao meu, a boca dele devorando a minha, era simplesmente impossível se cansar daquilo. Era como uma maré agitada, as ondas poderosas que iam e voltavam, retrocediam e se quebravam umas sobre as outras, como numa tempestade. E eu, ao invés de lutar contra aquilo, de querer se ver livre das forças da natureza, simplesmente deixava-me levar pelo sabor do vento e das ondas, lançando-me ao mar revolto de calor e prazer, tendo como salva-vidas o corpo formidável do meu moreno. Exclusivamente meu moreno.
Eu o guiava no meio da tempestade, como o farol que sinaliza a terra firme e segura para o veleiro perdido. Não importava quantas vezes ele se perdesse, eu sempre o guiaria de volta para casa. Sempre. Sempre estaria com Butch.
Butch já havia perdido o controle das próprias ações. As estocadas eram tão violentas que eu chegava á sentir pontadas de dor, mas o prazer era tanto que era fácil ignorá-las. Sentia que estava me aproximando do auge novamente, e dessa vez queria que ele me acompanhasse. E ele, completamente zonzo, parecia ter suas forças se esvaindo. Ele sabia muito bem o quanto eu o queria, e enlouquecido como estava á instantes de atingir o ápice, não poderia me negar nada. Passou os braços ao redor do tronco e apertou-me com toda a força junto ao seu peito, no instante que levou para todo o seu controle se acabar e para que milhares de estrelas pipocassem diante de seu olho são. Gritamos o nome um do outro, atingindo o orgasmo, dessa vez ele acompanhou, se derramando todo dentro de mim e urrando de satisfação.
Ainda abraçados, ambos desabamos sobre a cama, eu de barriga para cima e ele deitado sobre mim, escondendo o rosto na curva de meu pescoço. Sentir o calor da pele de Butch contra a minha era tudo o que mais queria naquele momento único. Em completo silêncio, quebrado apenas pelas respirações ofegantes, ficamos por alguns minutos trocando carícias preguiçosas. Acariciava as costas largas e suadas com as pontas dos dedos, enquanto ele me beijava carinhosamente no pescoço, no rosto. Comecei a sorrir comigo mesma.
–... Uau! – Dizemos em coro, em meio de suspiros ofegantes.
– O que... Foi isso? – Digo com o maior dos sorrisos no rosto, minha expressão era de total satisfação, e quando ele se inclinou para me olhar, vi que a sua era a mesma que a minha.
– Foi incrível! – Alega, se aproxima mais de meu rosto e roça a língua na minha novamente, só que agora, de maneira delicada e romântica. – Não acredito que fiquei quatro anos sem isso.
– Você ficou dormindo, seu desgraçado! – Brinco, nós dois rimos. – Quem sofreu aqui por falta de sexo fui eu.
– Ué, mas você não teve uns namoradinhos aí?
– Bom...
– Nem diga, não quero saber. – Ele imediatamente muda de assunto, e eu concordo logo em seguida. Realmente, não seria nada confortável falar de minhas experiências sexuais com outros caras pra ele. Após alguns minutos em silêncio, sinto-o sorrir contra a minha pele. – A vida é engraçada.
– Por quê?
– Eu, que sempre me dispus a destruir você e suas irmãs, agora estou aqui, apenas me convencendo mais e mais de que fomos feitos um para o outro.
– Pensei que você não acreditasse em destino. – Digo, com uma sobrancelha levantada.
– E não acredito. Só estou ditando fatos. – Ele responde, entrelaçando seus dedos nos meus enquanto eu ainda acariciava suas costas com a outra mão. – Eu e meus irmãos nascemos por apenas um propósito: você e suas irmãs. Em outras palavras, se não fosse por você, eu não estaria aqui hoje, sequer teria nascido. – Penso no que ele havia dito, me dando conta de que aquela loucura toda realmente fazia sentido. O moreno levanta o rosto mais uma vez, me encarando nos olhos com um sorriso terno. – Eu existo por sua causa, Bc. Nada mais justo que eu fique ao seu lado pra sempre.
Um sorriso nasce em meu rosto e meu coração começa a bater mais forte, seu peito prensado contra o meu me fez sentir seu coração, estava batendo na mesma velocidade que o meu.
– E você está disposto a ficar ao meu lado pra sempre.
– Você ainda duvida?
Nos beijamos com fervor, num amor tão grande que era impossível descrever em palavras. Esse sim fora um momento que eu queria que durasse pra sempre. E duraria. Enfim, após tanto tempo lutando pelo que sentimos, o nosso para sempre estava apenas começando.
– Para sempre então, Buttercup?
– Para sempre, Butch...
Continua...
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