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4 Capítulo 4 - Taxista
Notas iniciais
– Não quer deitar? – pedi
– Eu já dormi o suficiente – ele deu um sorriso de canto. Nós sussurrávamos – Você não quer dormir um pouco?
– Querer eu quero... Mas não consigo – respondi com um sorriso de canto também, enquanto puxava as mangas do moletom para cobrirem minhas mãos
– Deita aqui – ele me puxou para si
Se antes eu me sentia completa, agora eu me sentia ainda mais. Mas por algum motivo eu ainda não conseguia dormir. Eu tentava, mas sempre acordava com algum pesadelo. Steve pareceu notar:
– Pesadelos? – ele pediu
– Como sempre – respondi sussurrando
– Eu sempre vou te proteger, Nat – ele beijou topo da minha cabeça e me abraçou mais forte, fazendo com que o frio que eu estava sentindo passasse — Dorme bem
– Dorme bem também – e adormecemos, pela primeira vez, sem pesadelos. Porque um protege o outro e é nessa proteção que encontramos a paz
Eu estou realmente feliz que você veio, você conhece as regras, você sabe o jogo, somos mestres da cena. Nós já fizemos isso tudo e agora estamos de volta para buscar mais, você sabe o que quero dizer
Voulez-vous – Abba
Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos – 4h36min A.M.
P.O.V Steve Rogers
Estávamos quase pousando ao amanhecer. O avião inteiro estava dormindo, mas ninguém estava mais feliz do que eu. Dormi com a mulher que sou apaixonado em meus braços. Só isso já valeu essa viagem:
– Nat... Estamos chegando – anunciei dando um beijo em sua testa para ela acordar. Ela ainda estava com a cabeça e metade de seu corpo sobre o meu, transmitindo calor para mim
– Hmhn – ela resmungou ainda de olhos fechados – Passou rápido
– Verdade – realmente passou rápido. As luzes do avião ainda se mantinham apagadas – Dormiu bem?
– Fazia tempo que eu não dormia sem pesadelos – ela abriu os olhos. Me perdi em seus olhos esverdeados; ficamos nos encarando por alguns segundos, até ela quebrar o contato visual – Há quanto tempo anunciaram o pouso?
– Natasha, por que você faz isso? – eu já estava cansado dela fugindo e mesmo sabendo que um avião não é o local mais apropriado para ter essa conversa eu queria falar sobre o assunto
– Isso o que? – ela se negava a olhar nos meus olhos
– Fugir. Por que você foge de mim? – eu fui me aproximando com a intenção de beijá-la. Nossos rostos a centímetros de distância, minha mão já envolvia seus cabelos. Meu braço livre envolvia seu corpo que estava deitado sobre o meu, ela também se aproximava.
– Senhoras e senhores, solicitamos que afivelem cintos de segurança. A partir deste momento é proibida a utilização de qualquer equipamento eletrônico. Dentro de instantes pousaremos no Aeroporto Internacional de Los Angeles em Los Angeles. Mantenham o encosto de suas poltronas na posição vertical, sua mesa fechada e travada. Gratos pela compreensão. – a comissária de bordo cortou nosso clima, fazendo Natasha afastar-se rapidamente, indo para sua poltrona e conferindo o cinto — Bem vindos a Los Angeles, são 5h00min. Permaneçam sentados até que os sinais de afivelar cintos sejam apagados. Verifiquem se estão de posse de seus pertences antes do desembarque que poderá ser efetuado pela porta dianteira e/ou traseira. Para outras informações, dirijam-se aos nossos funcionários de recepção em terra. Informamos que é proibido fumar e utilizar o telefone celular até a chegada ao saguão do Aeroporto. Obrigada por voarem de American Airlines.
Descemos do avião com as nossas bagagens nas mãos. Precisaríamos ir a esteira para pegar duas malas, uma de Natasha e uma minha. Não trouxemos muita coisa pois sabíamos que seria cansativo viajar com muita bagagem. Pegamos um táxi até o hotel onde ficaríamos:
– Bom dia! Para onde desejam ir? — percebi que Natasha ficou tensa ao ver a fisionomia do taxista. Peguei o papel no bolso que tinha o nome do hotel que Fury havia nos hospedado.
– Para o hotel Omni, por favor – pedi ao taxista Eu estava em um dos lados do banco de trás do carro e Natasha estava em outro lado.
O assento do meio estava ocupado pelas nossas mochilas, mantendo uma distância longa entre nós comparada a que tivemos no avião. O trajeto todo foi um silêncio, quase vinte minutos assim. Ao descermos , o taxista abriu o porta-malas onde retiraria nossa bagagem. Percebi que quando ele tocou a mão de Natasha para pegar a mala que ela carregava, ela cambaleou para trás com um olhar assustado. Eu nunca tinha visto Romanoff assustada assim. Larguei minhas coisas no chão imediatamente e corri segurá-la:
– Nat, ta tudo bem? – a segurei de costas, apoiando ela em meu braço
– Eu... E-eu – ela começou a gaguejar e lágrimas saíam de seus olhos
– Eu fico com as malas – tirei a bagagem da mão do taxista e lhe entreguei o dinheiro – Obrigado
– S-s-teve... Eu to co-o-m medo – ela ainda soluçava, desesperada, enquanto eu fazia sinal para um dos funcionários do hotel virem carregar as malas
– Vem cá – ela ainda receosa veio para os meus braços . Tentei transmitir o máximo possível de proteção. Peguei nossas mochilas e entrei no saguão para fazer o check-in:
– Por favor, uma reserva no nome de Nick Fury
– Sim, um instante – a recepcionista me avisou – Steve Rogers e Natasha Romanoff?
– Isso mesmo – Natasha ainda me abraçava de lado, com uma das mãos pousada sobre a boca enquanto algumas lágrimas ainda caiam. Apertei mais minha mão em sua cintura
– Ok, podem subir. Quarto 246. A bagagem será entregue em poucos minutos – ela nos entregou uma chave. Estranhei por ser apenas um quarto, mas não iria reclamar, eu precisava acalmar a Natasha
– Muito obrigado – peguei rapidamente as chaves e me dirigi ao elevador.
Eu abri a porta e joguei as mochilas no chão. Natasha estava andando lentamente até chegar à sacada do quarto. Resolvi deixá-la um tempo parada pensando no que tinha acontecido, não iria pressioná-la agora para me contar. Enquanto isso, eu arrumava as bagagens que haviam chegado em um canto do hotel.
Eram apenas 5h36min da manhã, teríamos tempo suficiente até a reunião com a imobiliária. Fui até a sacada também, onde fiquei observando a vista que tínhamos da cidade. Ainda escorriam lágrimas do rosto dela, o que me deixou aflito. Me virei de frente para ela e não demorou muito para ela me envolver em um abraço necessitado. Ela aos poucos foi se acalmando e me apertava um pouco menos. Ela relaxou e me permiti passar a mão em seus cabelos, na tentativa de fazê-la parar de chorar. A cada pouco as lágrimas que encharcavam minha camisa desapareceram.
Ficamos mais um tempo na sacada abraçados; meu queixo se apoiava em sua cabeça, transmitindo paz para mim. Adentramos o quarto:
– Nat, acho melhor você descansar um pouco – sugeri. Ela agora tirava os tênis e seu moletom
– Você também tem que descansar – ela afirmou
– Eu durmo no chão, não precisa se preocupar – eu já estava preparando as cobertas no local onde eu dormiria
– Ok – ela concordou. Quando fui me virar depois de ter dado um beijo em sua bochecha, ela segurou meu braço e pediu – Fica aqui comigo?
– Por quê? – eu já sabia a resposta, mas queria ouvir da boca dela
– Por que eu me sinto protegida com você do meu lado – como eu poderia negar? Deitei-me ao seu lado, a puxando para mim.– Dorme bem – falei. Ela não demorou a pegar no sono e eu também não.
P.O.V Natasha Romanoff
Quando eu avistei o taxista, entrei em estado de choque. Era o mesmo que havia me levado para a torre depois que eu e Steve nos beijamos, era aquele que ainda é motivo dos meus pesadelos, aquele que sempre foi meu medo nos tempos de KGB. Eu não queria demonstrar fraqueza, mas era impossível me controlar agora. Eu continuaria chorando se não fosse por Steve que como sempre, me protegeu. Agradeci mentalmente por ele estar ali.
Depois de mais algumas horas de sono, acordei; já eram 11h30min e tínhamos que nos encontrar com o corretor às 13h00min. Corri apressadamente para o banheiro e tomei um banho rápido para relaxar. Saí do banheiro com os cabelos úmidos enquanto procurava minha escova na mochila. Parei para observar Steve dormindo; seus cabelos loiros caíam sobre seu rosto, sua expressão era calma e serena e um de seus braços estava pra fora da cama. Fui despertada dos meus devaneios pelo toque do meu celular. Olhei para a tela e vi que era Fury, corri para atendê-lo:
– Diga – fui direta. Caminhei para a sacada com a intenção de não acordar Steve
– Romanoff, tenho uma missão para você – eu não entendi
– Mas eu já estou em uma missão – me apoiei no parapeito da sacada
– Eu sei que está. Porém durante essa missão, quero que fique de olho no Rogers – eu me esforçava pra entender
– Como assim? – pedi
– Eu já havia comentado que ele está estranho e agora nós descobrimos uma gravação feita por uma câmera que estava na sala onde ele pegaria a arma da H.Y.D.R.A – ele explicou
– E o que isso tem a ver comigo? Não vou ficar de babá do Rogers – eu nem cogitava essa idéia
– Ele não lutou como disse que havia lutado. Ele está escondendo algo importante de nós e precisamos descobrir. Se for preciso, o tornaremos o vilão e faremos ele falar a força – essa possibilidade me assustava. O ''falar a força'' do Fury significava ''vamos torturá-lo até ele ceder''
– NÃO! – exclamei nervosa
– Não? Natasha,o que você está escondendo? – Fury disse
– Eu não estou escondendo nada! Só não acho que ele esteja escondendo também, conheço ele e sei que ele não seria capaz disso – defendi ele
– Romanoff, não me faça desconfiar de você. Se descobrir alguma coisa suspeita, me avise imediatamente – Nick afirmou
– Eu nunca prejudicaria o Steve! – eu já gritava
– É ele ou você, agente Romanoff – Fury sabia como me dominar
– O que eu tenho que fazer? – desisti de contrariar. Agora eu massageava minhas têmporas para aliviar a tensão
– Se aproximar dele. Creio que apenas a amizade não seja suficiente, então você já sabe o que fazer – eu não acreditava que Fury estava me pedindo isso
– Fury! Eu nunca faria isso com o Steve! – eu continuava gritando, exaltada
– Esse é o seu trabalho Romanoff, aceite! – nós não chegaríamos a lugar nenhum com essa discussão
– Eu nunca aceitaria isso! — mesmo sabendo que não adiantaria nada, eu ainda teimava com Fury
– Aceitar o que? – gelei ao escutar essa voz. Era Steve que estava atrás de mim, provavelmente ele tinha acordado com os meus gritos
– Nada não, Steve. Falo com você depois, Clint – menti descaradamente e desliguei, sem esperar resposta
– O que o Clint queria? – pude sentir uma pontada de ciúmes em sua voz
– Nada, Steve, nada. – resolvi mudar de assunto – Conseguiu descansar?
– Consegui dormir um pouco, o suficiente para a viagem à noite – ele pareceu não perceber a mudança que tive que dar no rumo da conversa – Você ta melhor? Fiquei preocupado com você
– Estou sim, foi só uma coisa do momento. Vamos indo? Já ta na hora – mudei novamente de assunto. Não queria ele me pressionando pra falar o motivo de eu ter chorado
– Claro. Só vou colocar uma camisa e pegar os papéis – assenti e me dirigi ao saguão, onde esperei por ele.
Não demoramos em ir até a imobiliária. O trânsito estava relativamente calmo, o que era estranho visto o tamanho da cidade. Pagamos o taxista e adentramos o prédio. A recepção era clara e elegante. A recepcionista que me era familiar nos indicou as poltronas para sentarmos. Steve ficou parado, como uma estátua. Ele não falava, não se movia:
– Peggy? – ele mantinha seus olhos fixos nos dela
– Ham? Acho que o senhor está me confundindo com alguém – ela disse para depois se sentar e voltar a analisar alguns relatórios – Meu nome é Anne Katherine, mas pode me chamar só de Kate de quiser
– Ok... Kate – ele parecia atordoado
– Steve, senta – o apoiei até uma das poltronas – Ta tudo bem?
– Sim, está. Eu devo mesmo tê-la confundido com outra pessoa – concordei.
Esperamos em silêncio, até a mulher fazer sinal para entrarmos:
– Boa tarde Senhor e Senhora Rogers – ele esticou a mão para cumprimentarmos
– Boa tarde – falamos em uníssono. Não sei por qual motivo o corretor nos cumprimentou com boa tarde, nem almoçamos ainda
– Bom, aqui na ficha de vocês está escrito que querem alugar por uma temporada. O que pretendem fazer em Las Vegas? – agora esse cara me fodeu. Eu não fazia idéia do que responder
– Vamos cursar faculdade juntos e pensamos em alugar apartamentos no mesmo prédio – Steve me salvou – Somos amigos desde pequenos e como não conhecemos praticamente ninguém na cidade resolvemos vir juntos
– Hmm... Boa escolha – o corretor afirma sorrindo – Pretendem se mudar logo?
– Amanhã mesmo – minha vez de se pronunciar
– Ok, vejo que vocês estão de acordo com o tipo de morador indicado para aquele edifício. Preciso que preencham um formulário e assinem os papéis – o corretor que nem se apresentou nos entregou uma folha para cada um com perguntas tipo ‘’possui animais de estimação?’’, ‘’possui filhos?’’ e essas coisas chatas. Preenchemos rapidamente, assinamos e nos despedimos – Uma boa tarde e uma boa estadia
– Muito obrigada – agradecemos juntos.
Ao sairmos na calçada, a felicidade era clara em nossos rostos:
– Las Vegas? – Steve perguntou sorrindo
– Las Vegas – sorri mais ainda, correndo para abraçá-lo
Ele me girou ainda no abraço, fazendo com que eu tenha a certeza que, apesar de tudo, estamos juntos nessa. E que não existe nenhum outro cara que me ajude a esquecer os meus problemas como Steve, ainda mais quando o meu problema era ele.
Continua...
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