Plane Crash

55 Os Romanov's - Cap Shalom


Notas iniciais
I AM BACK QUERIDOS LEITORES BOA LEITURAA

POV América

Nunca imaginei estar onde estou. Nunca sonhei em ir aos lugares que fui. Nunca pensei conhecer as pessoas que conheci. Nem mesmo quando me casei com o príncipe russo, nem mesmo quando me tornei a futura czarina achei ser possível tudo o que aconteceu. Admito que espera uma ilha paradisíaca, ou algo do tipo, como não pensar grande quando se trata de Alex? Mas como sempre, ele me surpreendeu. Começamos pela Ásia mesmo, visitando as cordilheiras do Tibete, as muralhas na Nova Ásia, fui exigida a entrar no Gangi e tentei, falhamente, surfar na Austrália, tomamos sol na Polinésia até estarmos tão vermelhos que nem ao menos nos reconhecíamos.

Não gosto de dizer que fiquei aliviada ao deixar Nastia com Maxon em Illéa. Não fiquei feliz, ficaria com saudades e me preocuparia todos os dias com sua saúde e tudo, mas ansiava para finalmente poder aproveitar a viagem 100%.

_Ela vai ficar bem. — Maxon me diz pela décima vez, mas simplesmente não consigo me decolar da minha filha.

_É só um mês, America, logo estaremos de volta. — Alex me abraça por trás enquanto sinto as primeiras lágrimas escorrendo.

_Não... não... eu não posso, ela precisa de mim. Ela precisa de mim, Alex. — Me viro para meu recente marido em busca de ajuda, mas ele sorri triste.

_Ela vai ficar bem. Já a deixamos com mais tempo outras vezes e nada ocorreu. — lanço um olhar para minha filha dormindo no colo de Maxon. Inspiro fundo, tentando me controlar.

_Ela vai ficar bem. — repito para mim mesma na tentativa de me convencer. — Tem tudo pronto?- ele assente. — Mamadeira? Os brinquedos? O cobertorzinho dela? Ela não consegue dormir sem ele!- me desespero procurando nas bolsas pelo tecido.

_Sim, sim, sim. Droga, America, só vai!- Maxon arranca risos de todos ao redor e sei que está na hora de ficar quieta.

_Certo. — assinto e deposito um pequeno beijo em sua testa branca. Seco a última gota e vejo minha filha desaparecer no horizonte.

Estava cansada de visitar igrejas em Portugal e Alex me fez assistir jogos de futebol. De acordo com ele a Espanha possui a melhor liga nacional de futebol. Não foi tão ruim quanto esperava, aparecíamos no telão todo segundo e saímos na capa de revistas mais vezes do que consigo contar. Se não fosse pela princesa espanhola e sua terrível indiscrição quando se trata de Alex, os dias teriam sido perfeitos. Meu marido, nunca me cansarei de chamá-lo assim, fechou a Torre Eiffel para nós, para fazer um jantar romântico, apesar de que a visitamos todos os outros dias novamente, fazendo o exato caminho que todos os turistas fizeram antes de nós.

Até chegarmos na Alemanha, não conseguia pensar em nada para reclamar. Os dias estavam ensolarados, e até mesmo a chuva não conseguia nos abalar. Mas chegamos em território germânico e as coisas começaram a desandar. Nicolau nos mandou uma mensagem dizendo que o rei alemão nos convidou para permanecer no palácio durante nossa estadia no país, e embora tenha recusado o convite de primeira, meu sogro não aceitou, disse que acima de tudo somos príncipes e que teremos de ir.

_Quanto tempo ficaremos?- pergunto apreensiva.

_No máximo quatro dias. Nada demais. — ele responde como se não compartilhasse das minhas preocupações, provavelmente não mesmo, mas eu não conseguia tirar da minha cabeça nosso conversa no baile, quando Alex me disse que já esteve de casamento marcado com a garota.

Não há o que temer certo? “Temos” uma filha e outro a caminho, não é como se ele fosse me largar agora. Minha barriga ainda não está gigante, mas já começa a aparecer. Estou com quatro meses de gravidez e simplesmente não consigo esperar pelo dia para que finalmente acabe. Faço as malas lentamente, sem pressa nenhuma para chegar, mas uma hora tive que terminar e entrar no carro.

Olho para o palácio medieval ao lado e abro a boca, maravilhada. É de tamanha grandiosidade que me surpreendo por nunca ter ouvido falar sobre o lugar antes. Alex desce primeiro e, mesmo contra minha força, ele corre até o outro lado do carro e abre a porta para mim, me dando a mão para que eu saia. Vejo uma série de pessoas enfileiradas perto da entrada, mordomos e criados, imagino, que fazem uma reverência assim que nos vêem. E bem no centro estão os três, a pequena família real. Os pais e a filha.

A garota -faço uma careta ao notar o quão bela é- sorri radiante, mostrando todos os dentes brancos, e corre com seu salto alto em nossa direção, me ignorando completamente e envolvendo Alex, intimamente. Ele me olha, assustado, e retribui hesitante. Quando ela finalmente me notou, sorriu falsa, o que eu particularmente já esperava, e me apresentou aos pais, que ao contrário da filha, não poderiam ter sido mais simpáticos. Se desculparam por estragarem nossa lua-de-mel e nos convidaram a entrar. Dois empregados nos mostraram nosso quarto e fomos dispensados o resto do dia para descansarmos.

_Realmente temos de ir?- Alex resmunga na cama enquanto me arrumo para o jantar.

_Você dormiu o dia inteiro, está reclamando do quê?

_Só não quero ir. Tenho ideias muito melhores sobre o que fazer agora. — ele sorri malicioso e jogo uma almofada em sua direção.

_Não quero ir, assim como você, mas não temos opção. Seu pai mandou e nós vamos obedecer.

_Porque você tem que ser tão certinha?- ele se levanta de mau humor e troca de roupa rapidamente.

Esperava estar atrasada, mas assim que abrimos a porta vimos os outros membros do governo instalados no corredor fazerem o mesmo que nós. Os cumprimentamos com sorrisos e descemos juntos. Me sento ao lado de Alex, mas à frente da rata loira, que não conseguiu nos dar sossego. Ela não parava de falar, sempre entrando no meio das nossas conversas, me ignorando e puxando assunto com Alex de uma maneira que eu não entendesse o que falavam e por consequência, não pudesse interromper.

POV Alex

_Esperei pela sua resposta sobre o pedido de casamento. — ela diz recomeçando com as indiretas. — Fiquei triste ao saber que estava morto e quando voltou pensei que fosse fortalecer uma aliança. — ela fiz biquinho, como se isso fosse atraente. — mas voltou com uma namorada e uma filha. — ela tenta esconder a raiva, mas não passa despercebido por mim. — Achei que se casaria com alguém de sangue nobre, uma princesa, sendo quem é. — ela sorri inocentemente e permaneço quieto. America continua calada, fingindo que não ouve nada, mas fica balançada. Sempre acreditou que não servia para ser rainha, sempre achou que não era a melhor opção para Maxon ou para mim.

_Nem tudo é do jeito que queremos e agradeço por isso, não poderia ter esposa melhor. — ela aperta minha mão debaixo da mesa e sorri. — Vamos ter outro filho. — anuncio feliz e todos param de conversar para nos olhar.

_Já?! No segundo filho?!- ela finge choque. — Percebi que estava meio gorda, sua barriga um pouco deformada, mas nada do que uma dieta não melhore. — Olho para Ames e vejo que está prestes a chorar. Mas isso com certeza não vai ficar assim.

_America fica ainda mais linda grávida. — começo orgulhoso. — Esse bebê é a prova do nosso amor e não poderíamos estar mais felizes, além de garantir o futuro da dinastia e fortalecer alianças futuras. — sorrio no final e ela range de raiva.

_Claro que um casamento entre famílias reais é sempre um bom negócio, mas um homem se sente realizado com seus filhos. — o rei se intromete para tentar amenizar a situação. — Realmente é um sentimento indescritível.

_Me desculpem, não estou me sentindo bem. Com licença. — America se levanta rapidamente e se segura para não correr de volta para o quarto. Termino de resolver negócios, com a preocupação escondida, então faço o mesmo e corro atrás dela.

Abro a porta com força e a vejo sentada na cama, alisando a barriga, sua cabeça baixa de tristeza. Me sento ao seu lado e a abraço em silêncio.

_Ei, o que houve?-pergunto finalmente.

_Nada. –ela tenta esconder a tristeza.

_ Você não me engana. O que foi?

_ Alex não fiz por mau, eu juro! Só me esqueci de tomar os remédios, me des ... –ela começa com uma voz chorosa e tento compreender. Ela está chorando pelo bebê?

_Não ouse pedir desculpas por esperar nosso filho, sabe que estou feliz América, quero muitos outros com você, não escute o que ela diz. Está com inveja, é uma pessoa amarga que só liga pra si mesmo. — tento acalmá-la. — Eu jamais me casaria com ela, nem morto. –diz sorrindo. –Ela, como muitas outras, foram falsas comigo, só se interessaram pela coroa ou depois que eu virei isso. –aponto para mim mesmo.

_Isso o quê? –ela não entende.

_Eu era feio América. –digo envergonhado. – Feio não é bem a palavra. Era pior do que feio. –digo pensativo. – Desleixado, usava aparelho nos dentes e óculos, roupas largas. Um dia vim à Alemanha e escutei uma conversa de Stefany com o pai e ele queria saber a opinião dela sobre o nosso casamento. Ela disse que preferia casar com um mendigo. Não que eu quisesse casar com ela, mas mesmo assim doeu ouvir isso. Não foi a primeira, nem seria a ultima vez. — ela me olha duvidosa e tenho uma ideia.

Pego o computador em cima da mesa e digito as palavras, procurando por uma foto minha quando menor. Demoro para escolher. Quero uma que mostre o quão estranho era, mas que não a assuste para longe de mim, que mostre que era feio, mas não horroroso. Não encontro.

América fica chocada, surpresa, boquiaberta, coloca as mãos na boca e se segura para não rir.

_ Estava numa fase de me preocupar em ser um bom imperador, não importava com minha aparência. — explico, mas isso não a faz parar de rir. — Nicoletta sempre me cobrava isso, mas eu só comecei a mudar quando entrei pra escola militar. Fiz uma cirurgia nos olhos e comecei a me arrumar melhor. Quando eu mudei, comecei a namorar Natasha e os papéis se inverteram, elas corriam atrás de mim, mas meu pai recusava todos os pedidos. O que quero dizer é que, eu conheci os dois lados, sei o que elas são e sei o que você é. E te amo muito. –falo sorrindo e ela sorri também. –Agora pare de pensar besteiras. –me deito na cama e a abraço.

_Desculpa. — ela diz novamente.

_Sabe, na ilha, quando você esperava Nastia eu te achava sexy. — ela cora e rio.

_Alex! –reclama vermelha.

_ O quê?! Estou sendo sincero, agora esquece Stefany e vamos saber de Nastia. –digo a beijando.

Alguns meses depois...

Depois de a nossa lua-de-mel ter durado um mês a mais do que o esperado, resolvemos voltar, na verdade o pai do Alex resolveu nos ameaçar de renunciar, então Alex teria que se tornar o imperador, coisa que ele não queria em nada agora. Voltamos a Illea para buscar Nastia, sob protestos e muita chantagem emocional de Maxon e, enfim, voltamos pra casa. Os dias foram passando, minha barriga crescia e foi uma festa quando souberam que era menino. O imperador quis fazer um quarto assim que descobrimos e ficou lindo. Todos os dias Nastia aprendia coisas novas e todos, sem exceção, babavam em cima dela. Estavam todos no palácio, semana passada foi aniversário de Alex, então alguns convidados ficaram mais um tempo como sempre. Maxon e Nicolleta também ficaram por mais tempo, até que minha barriga finalmente crescesse e o nascimento já fosse uma porta praticamente aberta.

Estávamos no jardim, aproveitando o sol leve e o ar puro das plantas, Maxon e Alex brincavam com Nastia, os dois babando e ela, com dificuldade, correndo pra perto dos dois.

_ Vocês poderiam parar um pouco ela precisa descan... Ai! –senti uma pontada na barriga.

_O que foi América? –Maxon pergunta preocupado enquanto pega Nastia no colo.

_Nada acho que foi só um... Ai! –não acredito que isso vai acontecer agora! Xingo o mundo de muitos palavrões diferentes.

_Ames?! –Alex chamou com os olhos arregalados.

_Alex eu acho que...- outra onda de dor me fez perder o fôlego.

_Na-nascer?–ele completou gaguejando e ficou pálido. A essa hora a dor já era insuportável,dobrou de intensidade em segundos.

_ Maxon leve Anastácia. -Alex parece despertar. –Tenho que buscar o médico! –gritou em pânico. — Não! Primeiro tenho que levar você para o quarto! Tenho que pegar os panos limpo e lavar as mãos, acho que vamos precisar.

_Leva ela para o quarto, eu vou chamar o médico. –disse Maxon parecendo preocupado. –Vai ficar tudo bem. –ele diz para mim e assinto.

_Obrigada Maxon, vamos Ames. –Alex passou seus braços pelo meu joelho, me pegando no colo. Enquanto Maxon corria para o lado oposto com minha filha nos braços. Quando olhei seu rosto vi que estava pálido.

_Alex, fica calmo. –murmurei. –Respira fundo e solta devagar.

_Eu estou calmo, estou respirando, eu acho. Você está bem? –me responde desesperado, como se já não tivesse passado por isso.

_Tudo bem, está tudo bem. –lhe digo e noto que já estamos no quarto, ele está claramente desesperado. Alex me deitou na cama com o maior cuidado do mundo.

_Vou lavar as mãos e pegar os panos. –ele me diz pronto pra se levantar e eu seguro seu braço.

_Não dessa vez. –sorrio e ele não me entende. –O médico está chegando. –ele parece entender e sorri, se sentando ao meu lado.

Não demorou muito para que uma legião entrasse no quarto. O médico, seguido de Kira e Marlee, que logo expulsaram Alex do quarto, mesmo que ele teimasse dizendo que não sairia do meu lado. Até que minha sogra aparece com quatro guardas, que pegam Alex no colo e o carregam sob muitos protestos para fora.

_Ela vai ficar bem. –Kira me acalmou, mas sem sucesso. Não posso fazer isso sem Alex, não posso, não consigo.

_América! Me soltem. – Ele grita do outro lado e soca a porta trancada.

Dessa vez demorou mais, não foi tão simples assim. Vi a noite chegar e ainda estava ali, naquela cama, morrendo de dores, enquanto tentavam me ajudar. Suava frio e não tinha ideia do que fazer no momento, mesmo possuindo médicos e profissionais, não conseguia me sentir segura.

_Vamos alteza, um pouco mais de mais força. –instruiu o médico.

_Alex não se cansa nunca. –Marlee disse secando minha testa. Há horas ele está batendo tentando entrar, sem sucesso.

_Empurre. –o médico diz e foi o que eu fiz, mas nada do meu bebê querer sair. Vi que estavam preocupados e Alex continuava implorando para entrar.

_Deixem ele entrar. –falei com o pouco de forças que me restava.

_Querida, é a tradição. –Kira disse solidária.

_América, é melhor el... –Marlee começa, mas eu preciso dele

_Alex, ALEX!-comecei a gritar.

_América. –ele responde através da porta que ele não parou de esmurrar nas ultimas horas. –MÃEE, ABRE A PORTA. — Escuto um baque contra a porta, ele está tentando arrombar.

_Ele vai entrar majestade. –disse o doutor. — de um jeito ou de outro. É melhor que não se machuque, abra a porta.

Marlee abriu a porta e ele entrou como um raio, tremendo, suado, cansado e pálido.

_Estou aqui! –disse correndo até mim. –E não vou a lugar nenhum.

_Preciso de você. -Ele assente e beija minha testa suada, se senta atrás de mim e começa a alisar minha barriga. Olhei no fundo de seus olhos e digo:

_A gente já passou por muitas coisas. — comento com um sorriso nostálgico.

_Muitas. –respondeu sorrindo.

_Não quero que fique longe agora. –vejo seus olhos ficarem úmidos. E finalmente consegui forças, ele iria nascer por que não cheguei até aqui para desistir. Cerrei a mandíbula, me segurando a Alex e empurrando com tudo. E continuei empurrando, até escutar um choro e meus olhos se encheram de lágrimas, ele nasceu! Enfim, nasceu!

_Nosso príncipe. –Kira falou. –ele nasceu.

Tentei vê-lo, mas estava esgotada demais, não conseguia me mover, tudo doía, parecia que nunca mais teria forças para me levantar. Então olhei pra Alex e o encontrei olhando pra frente maravilhado, hipnotizado. Como se sentisse que o observava, ele abaixou o olhar, já chorando.

_Como ele é? –quis saber.

_Perfeito. –disse como maior sorriso do mundo. -Obrigado.

O médico depositou um embrulho nos braços de Alex e nosso filho parou de chorar instantaneamente e se aconchegou nos braços dele. Estiquei o pescoço ao mesmo tempo em que ele se inclinou de leve para que eu o visse. Afastei o tecido de leve e pude vê-lo, ele era perfeito, a pele rosada, ainda um pouco suja e muito cabelo. Alex se moveu meio desajeitado e me entregou, sem deixar de olhá-lo. Eu podia ver a veneração, o instinto protetor, a ternura em seus olhos. Ele abaixou a cabeça e beijou a testa do nosso filho.

_Bem-vindo, meu pequeno príncipe. –os olhos azuis de Alex se ergueram e encontraram os meus. –América, eu ... –sua voz falhou e senti que ele pretendia dizer que viveria, lutaria, morreria por mim, por nós, mas a felicidade era tanta que ele não conseguia dizer.

_Eu sei, Alex. –sussurrei. –Também te amo.

_Os cabelos dele são loiros? –Alex falou olhando melhor nosso filho.

Olhei melhor e pareciam loiros sim, quase brancos. A essa altura Marlee já tinha saído com Kira, mas o médico permanecia lá e nos interrompeu, sua expressão era temerosa, como se quisesse achar as palavras para contar algo.

_Altezas, o bebê... ele tem um problema... – tenta achar as palavras certas.

_ELE ESTÁ BEM? –Alex pergunta preocupado e meu coração apertou, o que tinha de errado com o meu filho?

_Sim, mas ele é albino. –diz direto, nos entreolhamos.

_É o quê? –pergunto.

_Albino. É um defeito genético, ele nasceu sem melanina, que a substância que nos dá cor, nos cabelos, olhos, pele. — explica melhor.

_Mas isso é muito grave? –Alex pergunta preocupado.

_Não. Ele pode ter problemas na visão que podem ser resolvido com óculos, tem que ter cuidado extra com o sol, nada que o prejudique, é uma pessoa normal como qualquer outra. -ele assegura.

Olho para seus minúsculos olhos e sei que não importa. A cor, a raça, albino ou não, ele é meu filho, o meu filho, e nada me fará amá-lo menos do que já o amo. Olho para Alex e uma rápida preocupação se pousa em meu olhar. Ele vai aceita-lo? Vai amar um bebê albino? Observo sua expressão indecifrável e fico com medo de falar algo.

_Alex... –sussurro sem saber o que falar. As pessoas estão entrando no quarto e ele continua calado, olhando fixamente para o nosso filho.

_Ele parece um copinho de leite! – fico sem reação com essa exclamação. –Fantasminha! Floquinho de neve, não?!- ele abre um sorriso radiante.

_Não acredito que vc chamou seu filho de fantasma. –fala Nicolau completamente chocado.

POV Alex

Eles me arrastaram para fora do quarto, me tiraram à força, mesmo que eu tentasse socar todos no caminho entre eu e ela. Então fecharam a porta e me fizeram ouvir ao seus gritos de dor, enquanto me sentia impotente ouvindo a mulher que amo sofrer.

_Eu sou o príncipe! É minha esposa que está lá! Meu filho está nascendo! Vocês não podem fazer isso!

_Se acalme Alex. –meu pai diz calmo. Estão todos lá, e quando digo todos, quero dizer todos mesmo. Maxon segura Nastia no colo ao lado de Nicolleta que segura Kile, além de Gustav, Celeste, Carter e Marlee. –É a tradição, você não pode ver o parto.

_O quê?! Eu FIZ o parto dela. –e aponta pra Anastacia que brinca com uma boneca. –Qual a finalidade disso?

_É a tradição. –ele simplesmente responde.

Volto a bater na porta, que estava trancada há quase oito horas. Todos iam e vinham, mas eu continuava lá, pedindo, quase implorando para que abrissem a porta. Só conseguia escutar o choro, os gemidos e os gritos de Ames, isso me matava, era torturante, mas não podia perder a esperança.

_Senta Alex. –Aspen pediu pela décima vez, assim como Carter e Maxon haviam feito. –Isso sempre demora.

_Mais são oito horas. Na primeira vez não foi assim. — retruco.

_Sua mãe ficou assim por sua causa, por 11 horas. –meu pai disse sorrindo e bebendo no sofá.

Bufei socando a porta com mais raiva. Queria entrar naquele quarto, ajudar de alguma forma, provavelmente eu desmaiaria, mas eu preciso ficar com ela!

_Você não vai conseguir entrar. –Carter disse.

_Eu sei. –murmurei colocando a testa na porta.

_Tome. –Gustav me estendeu um grande copo com uma mistura, acho que era conhaque, whisky, vodca e mais alguma coisa. –Para não perder o juízo.

Virei de uma vez e senti minha garganta queimar. América continuava ali e o médico não estava ajudando em nada. Eu tinha que entrar!

_Alguém abra essa porta agora! –gritei, acabando totalmente com minha paciência. Me afastei e investi contra a porta, ela vai cair e eu vou entrar. Meu ombro começava a doer, mas quem se importa, preciso ver meu filho. Quando tentei arrombar novamente a porta se abriu, passei como um raio, não me lembro de muita só de América na cama, com uma expressão cansada e me pedindo pra ficar com ela, beijei sua testa, passei a mão por sua barriga e ela sorriu pra mim

_A gente já passou por muitas coisas. –Ela disse franca.

_Muitas. –sorri.

_Não quero que fique longe agora. –estava quase chorando.

Ela cravou as unhas no meu braço e fez força quando a dor veio forte. Então veio o choro, que ecoou por todo o quarto. O pacotinho, se contorcia nos braços do doutor, com os braços agitados, ele o passou para mim, era lindo, perfeito. Não conseguia tirar os olhos dele. Quando o doutor disse que ele tinha um defeito genético, não conseguia ver nenhum problema, não importava o que os outros dissessem, ele é meu filho e ninguém iria falar um A sobre isso ou se arrependerá. Ele é branco como a neve, como um floquinho de neve no começo do outono...

_Então qual o nome do meu neto? –Kira pergunta.

_Shalom Benjamin Singer Romanov. –Digo e todos olham pra mim. Ames está emocionada. –Você disse na ilha que se fosse um menino se chamaria Shalom, bom não foi um menino, nada mais justo que seja agora.

_Obrigado. –diz maravilhada e me beija.

2 meses depois.

Essa seria nossa primeira entrevista, a apresentação de Shalom para o mundo e admito que estava nervoso.Tentamos proteger nosso filho de todo o mau do lado de fora desses muros, das pessoas mesquinhas e escrotas que encontrariam problemas em nosso filho. Fizemos nosso máximo para não espalhar a notícia até esse momento, mas eles sabiam, eles sempre sabem.

Toda a família real está presente. Nicolau, Kira, Ames, Nastia quietinha no colo da avó e, é claro, Shalom no colo de Ames, enquanto eu tento me manter sério, mas não dava. Toda vez que olho para meus filhos tenho vontade de falar ou fazer alguma graça. Não resisto a esse bonequinho de neve. Tudo começou normal, uma entrevista como outra qualquer, com perguntas banais e algumas constrangedoras, mas nada que não pudéssemos aguentar. Já estávamos no final e já tinha comemorado silenciosamente que nada daria errado, até que, é claro, tudo deu.

_Soubemos por fonte segura que o novo príncipe tem um problema físico. — o jornalista começa e o xingo mentalmente.

_Não é um problema. É um defeito genético, não é nada demais, nada que prejudique o seu desenvolvimento. — Respondo baixo e devagar, educadamente, e de acordo com America, foi assustador.

_Mas e as funções de príncipe? Ele estará apto para assumir o trono se algo acontecer a princesa Anastacia? Caso ela esteja impossibilitada de assumir o trono?- jornalista me pergunta e perco completamente a paciência.

_Nada irá acontecer a minha filha, porque daria minha vida por ela e sim, ele estará apto para assumir a monarquia e qualquer um que conteste isso será tolo. — Sinto a mão de America sobre a minha e sei que passei dos limites. Abro um sorriso. — Mas estamos tratando de um bebê, vocês mesmo poderão comprovar isso com o tempo.

Assim que a entrevista acaba, sigo direto para quarto. Preciso espairecer. America me ouve xingando a mídia por horas e quando finalmente acho que já disse todos os palavrões em todas as línguas que conheço, e são muitas, finalmente adormeço. Acordo com o choro fino e me levanto para que America possa continuar a dormir, mas sei que acordou e sei que ouviu o que disse.

_Não importa o que digam, o que pensem, saiba eu te amo e ninguém vai mudar isso, sei do que você é capaz e vou estar sempre do seu lado, meu ursinho polar. –digo enquanto embalo meu pequeno e mais maravilhoso presente.

Shalom cresceu uma criança normal e saudável, não teve problemas na infância, sempre gentil e educado. Quando muito jovem desenvolveu um dom para diplomacia, se formou em física nuclear e dirigiu uma das maiores usinas nucleares da Rússia por 4 anos. Tornou-se comandante do exército e se casou por amor, logo depois do nascimento do primeiro filho de Anastacia, com a princesa herdeira da França Valentine, tendo com ela 3 filhos, 2 meninos gêmeos, Louis o primogênito e Oliver o segundo, e uma menina chamada Lis que também era albina.

Notas finais
ESPERO VÊ-LOS NOS COMENTÁRIOS, precisamos das opiniões de vocês. BEIJOS ATÉ A PROXIMA