Plane Crash

34 A Revelação - Maxon e América


Notas iniciais
E a bomba começa a explodir Boa leitura

_O que acha de agora?

Fecho os olhos e me xingo mentalmente. Por ser estúpida e ter falado alto, por não ter contado a verdade e principalmente por querer que a verdade continue escondida.

Marlee e Celeste alternam seus olhares entre nós para depois se entreolharem, tentando descobrir o que fazer agora.

—Cel, esqueci de trocar a fralda do Kile, será que poderia...- Marlee se levanta e puxa Celeste junto.

—Mas existem babás para isso!

—Cala a boca e anda. — as duas saem rapidamente, sem antes me olharem em apoio. Enquanto isso, Maxon continua no mesmo lugar, imóvel. Seus olhos são duros e frios, completamente doloridos. Sua postura é rígida, poderia muito bem dizer que é uma estátua se não visse seu nariz respirando rápido, numa tentativa de se controlar.

—O quanto ouviu?- finalmente corto o silêncio.

_O suficiente. — responde ríspido Assinto e continuo calada, esperando que ele exploda, mas ao invés disso, ele me entrega sua mão e pede que eu o acompanhe. O olho sem entender.

—Não quero discutir aqui. Se eu ouvi sua conversa, não duvido que todos do castelo nos ouçam gritar. — penso por um tempo e chego a uma conclusão de que ele está certo, ninguém mais precisa ficar sabendo do que aconteceu. Me levanto, esquecendo sua mão, que ele rapidamente recolhe, e caminho para a porta. Não preciso olhar para trás para saber que ele me segue. Giro a maçaneta para abrir a porta, que havia sido fechada por minhas amigas, e adivinham minha surpresa ao encontrá-las ali. Assim que a porta range e se movimenta, duas figuras gritam e são jogadas para dentro do cômodo, caindo no chão, uma em cima da outra.

—Ai! Sai de cima Marlee! Você não é tão leve assim!- Celeste reclama e joga o corpo da amiga para o lado, que bate a cabeça no chão.

_Você também não é tão magra assim não!- Ainda no chão, Marlee responde brava, enquanto bota a mão na batida, se certificando de que não há ferimentos.

_O que estão fazendo aqui?- pergunto sem paciência.

—Ouvindo a briga, é claro. — Celeste responde como se fosse completamente ridículo se a resposta fosse outra.

—Que pena, mas vocês não vão ouvir nenhuma briga. -Respiro fundo e percebo que Maxon se afastou. — Preciso que procurem Alex. Ele está na reunião. Interrompam. E digam que é urgente, que Nastia está em perigo, que descobriram. Ele vai entender. Diz que estou no meu quarto. — As duas correm pelo corredor atrás da sala de reuniões e sigo o caminho oposto, em direção do quarto.

O resto do trajeto foi todo em silêncio, nenhum dos dois ousou dizer nenhuma palavra, e em parte fiquei feliz. Você passa tanto tempo enrolando, que na hora em que está para acontecer, você só quer enrolar mais. Não sei o que dizer muito menos o que pensar, e Maxon não parece estar melhor. Ele anda de cabeça baixa, com os olhos para o nada, completamente perdido.

Já estávamos a um tempo sentados no quarto, sem saber o que falar. Até que ouço as risadas. De todos os sons que esperava ouvir nesse momento, uma risada não estava na lista. Olho para Maxon confusa, mas ele só ri.

_Porque está rindo? Ele consegue se acalmar para me responder.

_Por quê? Porque desde que cheguei aqui, você vêm me culpando por tudo! Eu errei nisso, eu errei naquilo. Porque eu minto e eu sou a causa de toda a sua desgraça. Mas agora? Agora quem mentiu, escondeu e causou a minha desgraça? Quem, America?- ele se aproxima, passo a passo, descontrolado em raiva e tento me afastar, mas ele avança. Abaixo os olhos, envergonhada. — Hipócrita. — sussurra baixo para mim, em uma distância de milímetros de distância do meu rosto. O empurro.

—Hipócrita?-grito- Se você não tivesse feito tudo de ruim que fez comigo, eu não teria que esconder de você! Você fez isso acontecer! O que esperava que eu fizesse? Fosse até você e contasse?

—É claro! Ela é minha filha! Eu tenho o direito de saber!

—Suponha que eu tivesse te contado. O que acha que teria feito? Tiraria ela de mim?

—É claro que não! Eu tomaria conta dela, como farei a partir de agora. Minha vez de rir. Solto uma gargalhada, o que só o deixa mais irritado.

—A proteger? Como faria isso? Você não consegue nem mesmo proteger a si mesmo! Olha suas costas, Maxon! Seu pai te dá tanto medo que você nem ao menos consegue tirar o casaco no calor. O que acha que ele faria com ela?

—Eu não sei, mas eu não deixaria que nada acontecesse a ela. — sua voz é calma e doce, e por um momento realmente acredito que ele esteja dizendo a verdade

_E a mim? O que aconteceria comigo, Maxon? Eu seria sua amante, é isso? Ou já mudou de ideia quanto a isso e agora quer que eu seja a empregada?

_Não exagere, America. Sabe que eu nunca faria isso!

—Eu sei? Não tenho mais tanta certeza sobre isso? Você acabaria seu casamento? Enfrentaria seu pai por mim? Pela sua filha?- o encaro, meu olhos em puro fogo, mas ele abaixa o olhar e permanece em silêncio. — Foi exatamente o que pensei. — o dou as costas, mas ele segura meu braço, me virando para ele novamente.

_Eu faria tudo por você, America. Eu te amo. — sussurra com pesar.

—Então porque me deixou ir embora? Porque não me ouviu? Não escutou o que eu tinha pra dizer? Você não me deu uma única chance de explicar, não quis ouvir da minha boca, preferiu tirar suas próprias conclusões!

—Isso não importa mais.

_É claro que importa Maxon!- me desespero.

_Nós estamos aqui. E agora eu sei a verdade. Você pode ir para casa, pode voltar para Illéa. — ele segura minhas mãos, tremendo, sua voz é suplicante e totalmente esperançosa.

—E o quanto a lei? Mulheres solteiras não podem ter filhos! Eu vou ser presa, minha filha vai ser tirada de meus braços. Eu costumava ter pesadelos na ilha, ainda tenho às vezes. Eu via um mostro no berço de Nastia. Eu tentava de todos os jeitos o impedir de levar minha filha, mas ela se foi do mesmo jeito. Alex precisava de horas para conseguir me convencer de que estava tudo bem.

_Eu não sabia. — tenta se desculpar.

_O monstro era seu PAI, Maxon. É isso que quer?

—É claro que não!

—Então o que quer?- suplico totalmente esgotada da discussão.

_Eu quero você. — se senta ao meu lado na cama. — Eu sempre quis você e sempre vou querer. Você não pode mudar isso.

_Esse é o problema, Maxon. Você alguma vez me perguntou o que eu quero?

_Eu não preciso perguntar.

_Sim, você precisa!- bufo diversas vezes e ando em círculos pelo quarto. — Você não entende que eu segui em frente. Eu estou finalmente estou feliz! Minha mãe não tem mais preocupações, meus irmãos estão felizes, eu construí uma família, uma vida!

—Então construa uma vida comigo! Tenho certeza que podemos esquecer os erros do passado.

_Você não pode achar que só porque descobriu que minha filha é sua, que eu vou fugir e deixar tudo para trás. Porque eu não vou. Não vou desistir de tudo o que reconstruí, Se você realmente me amou, por favor, me deixe ir. — suplico com lágrimas nos rosto.

—Eu não te amei, eu te amo. Quantas vezes preciso dizer que não vou desistir?

—Por favor... Encontre sua felicidade e me deixe ficar com a minha.

_Eu já encontrei a minha. Uma teimosa ruiva que não aceita que a amo.

_Porque você sempre tem que complicar tudo?- me sento no chão, minha cabeça encostada na parede. Passo a mão pelo cabelo, diversas vezes, estressada.

_Eu nunca vou deixar as coisas fáceis para você. -As palavras pairam no ar. Fico sem capacidade para dizer qualquer coisa, só consigo pensar em Alex. Cadê ele? E em como preciso de seu abraço.

_Então? Vai nos dar uma chance? Vai me deixar ser seu marido? O pai de seus filhos? A sua família?- Maxon lentamente se abaixa, ficando do mesmo tamanho que eu. Ele delicadamente levanta meu queixo, me fazendo encarar seus lindos olhos chocolate. — Porque o que mais quero nesse mundo é abrir essa porta. — ele caminha até ela e bota a mão na maçaneta, pronto para abri-la. — E contar para o mundo inteiro que você é minha.

Pov Maxon.

Costumavam me dizer que eu estava quebrado... Mas só estou o coração partido. Sei que não faz nenhum sentido, mas o que posso fazer? Tudo o que ensaiei, tudo o que planejava fazer e falar por água a baixo e impressionantemente, eu consigo, cada vez mais, afundar a mim mesmo. Você me diz que me esqueceu, que deseja a minha felicidade, só que com outra pessoa. Mas como posso seguir em frente se ainda estou apaixonado por você?

—Porque você tem que complicar tudo?- choraminga sentada em um canto do quarto. Lentamente ando em sua direção, com a certeza de que seu corpo de porcelana poderia se quebrar ai mínimo de meu toque.

—Eu nunca vou deixar as coisas fáceis para você. — seus olhos azuis me encaram, sem resposta, e consigo ver, bem no fundo, escondido sob a quantidade de ódio e amargura, o brilho com que uma vez me olhou. Meu coração se enche de esperança, porque se um dia você acordar e perceber que sente saudades, eu vou estar ali, sentado no banco onde te vi pela primeira vez, esperando por ti.

—Então? Vai nos dar uma chance? Vai me deixar ser seu marido? O pai de seus filhos? A sua família?- suplico, e consigo ver seu instinto lutando. Sei que uma parte dela me deseja com a mesma força com que a desejo. — Porque o que mais quero nesse mundo é abrir essa porta. — Me levanto e caminho até a porta. Seus olhos me acompanham. — E contar para o mundo inteiro que você é minha. — abro a porta, só não esperava ver o que vi.

Alex estava no meio corredor. Seu rosto está duro e sério, o maxilar totalmente trincado. ele pisa forte no chão, marchando determinado em minha direção. Impressionantemente ele parece três vezes maior do que antes, o que me assusta, porque se ele decidir me bater, bom, eu não vou conseguir revidar. É possível ver o fogo em seus olhos, faiscando de ódio e não poderia ter me assustado mais quando o ouço gritar em russo.

_Okhrana! Udalit' vse iz zala! YA sleduyu. Eto prikaz! (Guardas! Retire todos do corredor! Sigam-me. É uma ordem!)- Não entendo nada do que ele diz, mas só pelo tom de voz grosso e forte, tremo. Os guardas imediatamente mudam suas posições, alguns saem pelo corredor, enquanto outros o seguem até aqui. Sombrio, essa é a palavra que melhor descreve Alexander nesse momento.

—Vamos resolver isso de uma vez por todas.

Notas finais
E agora??? o que será que vai acontecer??