Plague Inc
6 Capítulo 6
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— Crrr... Aqui é a Base da SiSu. Estou comunicando que houve uma mudança na rota de vocês. Devido ao falto de terem se cruzado, os destinos de todos os grupos foram alterados. Pedimos que vocês se reagrupem e se organizem para receber novas tarefas. Repetindo...
Casey erguia o comunicador no meio do acampamento para que todos escutassem o comunicado.
— Só pode ser brincadeira. – exclamou Linos.
— Isso já tá virando palhaçada! Tem coisa errada acontecendo na SiSu e estão nos fazendo de bobos. Não podem ter mudado nossas rotas assim, de uma hora pra outra... – Zack resmungava.
— Também acho que tenha algo errado na SiSu — concordou Casey — Mas não há nada que possamos fazer por enquanto. Vou falar com o Capitão Rick e ver o que ele acha disso.
— Eu vou com você! — Zack levantou-se imediatamente para guardar a namorada como um cão guia. Demorara muito para que eles se encontrassem e nem por um segundo iria deixá-la sozinha.
O casal adentrou a cabana de Rick e Casey logo teve súbita surpresa ao ver Nero acordado na cama improvisada.
— Capitão! — esta aproximou-se e abaixou-se ao lado do professor — Quando foi que o senhor acordou?
— Agora pouco — Rick respondeu — Mas ainda não está totalmente recuperado. Algum problema? — e então perguntou notando o clima sério recém-chegado.
— Temo que sim — Casey respondeu. Os dois contaram a respeito do comunicado da SiSu, de suas dúvidas e desconfianças. Rick pareceu bem mais surpreso do que os garotos. Nero no entanto, apenas fechou os olhos por longos segundos e disse:
— Era o que eu temia...
— Do que está falando? — Rick questionou pasmo.
— Eu já havia notado coisas estranhas acontecendo na SiSu. Estas atuais missões que nos deram era uma delas. Eles praticamente invadiram nossas casas no meio da noite para comunicar que tínhamos missões de última hora e em nenhum momento anterior deram indício de estarem preparando isto. Eles não poderiam nos ter enviado assim, de qualquer jeito, sem preparo algum... — e fez esforço para se levantar. Rick o ajudou a sentar-se com dificuldade na cama.
Nero massageou o pescoço e suspirou. Ao erguer a cabeça, encarou o casal a sua frente com extrema seriedade:
— Quero que vocês dois saibam que suas desconfianças são plausíveis. A SiSu está com sérios problemas e me arrisco a dizer que não são internos...
— Nero. É melhor você descansar e guardar discursos para depois — Rick disse parecendo preocupado.
Nero ignorou-o e pareceu medir suas próximas palavras. Por um longo momento ele analisou os dois jovens, parecendo incerto se deveria ou não contar-lhes. Por fim, achou que já estava na hora de saberem, e ninguém melhor que os dois mais responsáveis e sensatos do único grupo ali presente:
— Tem uma coisa que vocês precisam saber, e eu só tenho a vocês dois com quem contar para entender e guardar este segredo — Casey pareceu prender a respiração com esta anunciação.
— Nero, não. — Rick interrompeu-o — Eles são apenas garotos. Além do mais, não temos certeza disso...
— Que se dane, Rick! Esperar já não é opção! Você está presenciando tudo o que está acontecendo e sabe muito bem disso! Só um idiota ainda irá duvidar disso!
Rick calou-se. Nero prosseguiu:
— Já faz alguns meses que eu andei investigando as últimas ações da SiSu e posso assegurar-lhes de que não foram coisas boas. Está havendo muita intervenção externa na Organização... Tem gente de todo o planeta se intrometendo nos negócios da companhia e vocês sabem o que isso significa... Não vou enrolar muito então, indo direto ao ponto, vou dar-lhes dois pontos de vista a respeito da nossa atual SiSu.
"Um: ela está tão desorganizada com essa influência externa que está perdendo o controle sobre suas ações. Plausível, não? Bem óbvio. O que acontece com 99% das organizações que passam pelas mesmas situações. Certo? Bem, vocês podem achar loucura e pensar que é exagero meu e de Rick, mas na atual situação em que nos encontramos, qualquer prevenção é bem-vinda. E esta desculpa nos leva ao ponto de vista número Dois: a SiSu se uniu aos inimigos".
Casey soltou um grito abafado de perplexidade. Zack apenas continuou encarando Nero como se ele fosse maluco.
— Pronto. Falei. Podem me chamar de maluco e ridículo... Só saibam que o senhor certinho aí — e apontou para Rick — me ajudou nessa e concorda comigo. Querendo ele ou não.
Rick abaixou o olhar parecendo derrotado, envergonhado e sem querer encarar os garotos. Casey olhou para Zack, procurando algum sinal de clareza em sua mente confusa. O namorado parecia assustadoramente mais tranquilo do que ela, como se ele já esperasse por isso. O que era verdade:
— Eu não duvido — ele disse. Todos no local o encararam com surpresa — Tô falando sério! Não é a primeira vez que vejo isso acontecer. E é de se esperar que no meio desse caos todo a SiSu perdesse a "cabeça" e jogasse as cartas na mesa.
— COMO ASSIM É NORMAL?! — Casey revoltou-se com o companheiro.
— Calma mulher! Eu não tô dizendo que isso é o certo a fazer! O que eu quero dizer é que isso é o que a maioria das pessoas faz quando percebe que está perdendo o jogo... Elas se entregam! É aquele ditado que diz... Como é mesmo?
— "Se não pode com o inimigo, junte-se a ele" — disse Nero bastante satisfeito — Exatamente Ryans! Você me surpreendeu mais do que a Casey! Você é um rapaz extremamente inteligente!
Casey ofendeu-se e a sua neura atacou-lhe:
— Eu não estou discordando de vocês!!! Só estou dizendo que é errado acusar alguém de um absurdo desses!
— Não estamos acusando Casey, só estamos nos preparando para o que possa acontecer daqui por diante... É só uma hipótese — Nero explicou — Seja sensata e tente entender.
— Mas eu SOU SENSATA! Aliás! Eu sou a MAIS SENSATA nesse lugar!!!
— É que você é boazinha demais e acha que todo mundo é bonzinho e o mundo é um lugar bonito — Zack tentou acalmar a namorada, mas acabou piorando as coisas.
— Ah! Que fiquem vocês com seu plano idiota! Vou torcer pra que estejam errados!!!
E ela saiu da barraca furiosa, pisando forte. Passou direto por todos que esperavam do lado de fora e estavam curiosos pra saber o porquê da gritaria.
— Bem, nós vamos torcer por isso também... — comentou Nero suspirando.
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Após longos minutos de negociação, Zack conseguiu acalmar a namorada e esta passou a concordar com a hipótese. Na verdade, ela já havia concordado desde o começo, mas seu orgulho implorava para que todos concordassem com outra coisa. A maioria já estava acostumada com o jeito neurótico e orgulhoso da parceira, pois sabiam que esta sabia ser carinhosa e bondosa na maior parte do tempo; aqueles que não estavam acostumados decidiram levar em consideração que a menina estava em sérios dias.
A SiSu comunicou-se novamente para passar os novos destinos de cada grupo. Os agentes acabaram por montar novas equipes e cada um dirigiu-se para um extremo diferente.
Arthur, Jason e Kurt seguiram para o sul com o objetivo de alcançar o grupo Delta e informar-lhes novos comandos. A equipe precisava de reforços e o trio de rapazes embarcou para ajudar. Os demais seguiram o caminho dessa vez juntos. Nero e Rick permaneceram no acampamento até a melhora do Capitão enquanto aguardavam um helicóptero da SiSu que iria leva-los de volta a base.
— Alguém tá enxergando o fim desse caminho horrendo?! – Lyllich reclamou tentando desenroscar seu pé de uma planta. Zack tirou uma lanterna de seu bolso e jogou pra ela.
— Pegue. Só temos duas e temos que economiza-las. Logo adiante vamos ter que nos dividir, eu imagino. Todos têm munição suficiente?
— Sim... – foram confirmando.
— Ótimo – Casey comentou – Porque vamos precisar agora mesmo.
Todos olharam em direção ao local que a menina apontava: uma fila de zumbis aproximava-se com tochas erguidas e um carro antigo e velho tentava atravessar o estreito caminho de terra:
— Cuidado! – gritou Zack – Atirem no carro!
Todos o fizeram: Zack atirava nos zumbis mais próximos com a shotgun, já que sua arma era ineficiente a distância; Casey metralhava a lataria do veículo com a P90, mas de nada parecia adiantar. Karin foi quem pensou melhor e atirou uma granada:
— Ae! – todos a cumprimentaram, mas logo mudaram de expressão ao ver o explosivo descendo a rampa e voltando em sua direção. Todos correram para o lado oposto, exceto Linos que permaneceu com seu rifle erguido, mirando a cabeça do zumbi que pilotava o veículo para enfim acerta-lo.
— Xuuupa! – o rapaz gritou e antes que pudesse comemorar, Zack se jogou em cima dele e o derrubou no chão, antes que a granada explodisse e fizesse vários infectados caírem com o impacto da pequena explosão.
Tudo silenciou novamente:
— Recolham a munição que há pelo chão – disse Zack – Essas... coisas, costumam deixar pelo chão – e ele fez uma careta metida ao olhar pra Casey, como se quisesse mostrar o quanto era inteligente.
— E sempre que virem uma erva verde com uma flor amarela na ponta tentem recolhe-la e me entrega-la, porque aprendi a fazer um remédio com ela – e a menina sorriu para o namorado.
Continuaram subindo a ladeira e assim que chegaram ao topo, a surpresa foi geral: haviam chegado numa nova vila, aparentemente deserta, super antiga e descuidada. Porcos, galinhas e até vacas encontravam-se passeando normalmente pelo local sem resquício algum de infecção.
— Nossa, será que eles estão infectados? – Casey perguntou em relação aos animais.
— Não – Karin respondeu já sabendo a situação por ser bióloga – Eles são imunes, principalmente as vacas por terem bactérias vivendo em seu intestino de forma cooperativa.
— Linos, dá uma olhada de perto – pediu Zack. O rapaz tirou o rifle das costas e mirou em direção as casas e celeiros, verificando tudo.
— Yah... É, acho que tá deserta mesmo.
— Então vamos – disse o mais velho descendo o pequeno morro e olhando desconfiado para a paisagem. Casey encarou Chilly e Lyllich com receio e estas, apenas com o olhar, disseram que não tinham outra escolha.
O grupo se aproximou com cautela; mesmo parecendo deserta, não queriam chamar atenção. Linos pôs a cabeça dentro de um celeiro, onde uma vaca balançava o rabo despreocupadamente. Chilly revirava caixotes espalhados pelo centro para tentar encontrar algo útil. Zack forçou a fechadura de um casebre, mas verificou estar trancado. Deu alguns empurrões com o ombro e a porta desabou.
Todos os demais olharam assustados na direção do rapaz que fez cara de culpado e então entrou na velha casa. Também vazia.
— Mas que coisa... Onde será que estão todos? – e decidiu sair.
— Não tem nada mesmo – gritou Karin que estava no alto de uma árvore. A garota então desceu num pulo de gato.
— Nem mesmo munição ou remédio – completou Chilly.
— Só vacas – riu Linos.
— Estranho... – Zack disse para si mesmo – Ok então. Cadê a Casey?
Todos começaram a olhar para os lados a procura da menina que não estava próxima. Zack começou a ficar preocupado e correu até o centro da vila para olhar melhor ao redor.
— Olha ela ali – apontou Linos. A garota estava parada encarando o que parecia ser uma igreja. Olhava para a porta como se ela lhe falasse algo.
— Amor, tá tudo bem? – Zack lhe questionou.
— Tem uma igreja aqui.
— Ah vá! – ironizou Karin.
O namorado entendeu e seu rosto ficou preocupado:
— Na primeira vila onde entrei, os moradores visitavam a capela às seis da tarde, como se estivessem programados para entrar.
— E daí?
— E daí que podem estar aí dentro.
— Mas não são seis da tarde. São dez da manhã.
— Não é só isso – continuou a loirinha – Vejam.
A garota apontou para o que parecia ser fumaça no céu. Todos seguiram a direção e avistaram uma gigante cruz enterrada no chão, com um corpo terminando de virar cinzas.
— O que fizeram com ele?! – preocupou-se Chilly. Mas ninguém soube responder.
Inesperadamente o sino da igreja começou a tocar. Todos se afastaram da porta assustados com o que pudesse acontecer. Ergueram suas armas e apontaram para frente, aguardando qualquer movimento suspeito. Então a grande porta de ferro se abriu e aos poucos, dúzias de moradores saíam cambaleantes, parecendo cansados... mortos.
— Não se movam... – cochichou Zack. De fato os zumbis saíam sem notar a presença de seis jovens lhes apontando armas de fogo. Mas um deles ergueu a cabeça e avistou, e com um grunhido indecifrável, acordou a todos. – AGORA!
A chuva de balas que se iniciou faria inveja a qualquer guerra mundial. Os corpos caíam pelo chão de terra e faziam os que vinham atrás tropeçarem nos companheiros mortos. Era um verdadeiro massacre. Lyllich ouviu um gemido atrás de si e virou-se assustada, dando de cara com um grupo de mortos-vivos andando na direção dos garotos.
— Estão vindo por trás! – ela gritou. Karin e Linos viraram-se para cobrir a traseira, enquanto Zack, Casey e Chilly cuidavam da frente.
— Estão nos cercando! Estão perto demais! – gritava Zack – Vamos ter que nos separar!
E assim, cada um correu numa diagonal diferente, atirando granadas quando podiam, escapando de mãos sujas e apodrecidas, empurrando uns e outros para liberar seu caminho. Lyllich e Linos entraram num dos celeiros e subiram para o mezanino. Jogaram a escada de madeira que usaram para subir no chão e do alto iam atirando nos inimigos que entravam no celeiro.
— Não imaginei que eram tantos! – Lyllich disse surpresa.
— É, a vila nem é tão grande assim!
Como se soubessem de fato o que faziam, os zumbis começaram a erguer a escada do chão e a monta-la de volta no mezanino para subirem. Tanto Lyllich quanto Linos ficaram abobados com a suposta “inteligência” daqueles seres, mas agiram mais rápido e derrubaram novamente a escada que foi abaixo com cerca de dois deles.
Enquanto isso, Zack desviava dos oponentes e atirava o que encontrava pelo chão enquanto era empurrado para diferentes direções. Casey subiu no telhado de uma das casas e dava cobertura ao namorado. Chilly estava quase sendo cercada num extremo:
— Gente! Eu preciso de ajuda!
Casey olhou dela pro namorado e então suspirou. Pegou a escada que usara para subir e saiu arrastando-a pelo telhado até alcançar a amiga. Encaixou seus pés na terra e gritou pra morena subir:
— Anda! Corre!
Chilly desviou de um último golpe que lhe davam com um machado e correu até a escada, subindo as pressas. Sua bota escorregou num dos últimos degraus, mas Casey a segurou a tempo e a ajudou a erguer-se. Recolheram a escada e correram para a direção de Zack, para ajuda-lo.
Após o rapaz atirar uma faca certeira na testa de um último zumbi, tudo tornou a ficar silencioso. Só se via corpos e mais corpos caídos ao chão, animais passando como se nada tivesse acontecido e o cheiro de carniça que quase começava a acostumar o olfato de todos do grupo.
— E agora? – perguntou Karin limpando a própria roupa.
— Acho que isso é bem óbvio – respondeu Casey parecendo não gostar do iria dizer em seguida – Vamos entrar na Igreja.
E todos pareceram segurar a respiração.
Zack e Linos se posicionaram cada um de um lado da porta enquanto as garotas apontavam as armas para o meio. Fizeram sinal para o três e então empurraram o metal pesado ao mesmo tempo em que as demais entravam apontando lasers para todas as direções: frente, lado, teto e chão. Nada.
— Vazia também – disse Linos soltando a porta e erguendo-se.
— Bom, então acho que vamos ter que nos separar outra vez – comandava Zack – Cada um irá investigar o que...
Mas parou de falar ao observar a namorada parar diante de si, caminhar lentamente em direção ao altar da capela e encarar a sua frente com curiosidade:
— Ela sempre faz isso? – Linos debochou.
— Ela sempre foi meio doidinha mesmo... – o garoto brincou e aproximou-se dela – O que foi agora, querida? – ele questionou rindo.
— Tá ouvindo isso?
— Ouvindo o que? – ele perguntou mudando o sorriso para uma expressão de medo.
— Tem alguém chorando.
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