Plague Inc

2 Capítulo 2


11:31, Equipe Alfa.

Nero, Linos e Casey deram mais alguns passos e sentiram-se afoitos. Ouviam barulhos distantes, de gritos, como se houvesse alguma festa logo adiante. Seguiram pelo caminho até a fábrica, e o barulho ia se intensificando. Chegaram a uma gigante garagem com alguns aviões antigos abandonados da década de 40. Nero apontou para o alto e os três subiram algumas escadas, até o mezanino de madeira.

— Que merda é essa? – questionou Linos colando o nariz em uma janela suja. Ele disse a frase lentamente, meio que tentando responder para si mesmo antes de terminá-la. Pelas frestas das janelas de vidro imundas daquele galpão eles avistaram um grupo de pessoas gritando e rodeando um homem que parecia fazer uma espécie de discurso.

— Eu diria que são protestantes – Casey disse séria, mas brincando.

— E eu diria que aquele cara está controlando-os – disse Linos pensativo.

— E eu digo para irmos até lá – encerrou Nero. Casey virou-se pra ele.

— O que? Irmos lá assim? Sem mais nem menos?

— Tá esperando ser convidada?

— Tô querendo dizer que são muitos.

— Tá com medo?

— Sinceramente? Tô.

— Então espera aqui que Linos e eu damos um jeito nisso.

Linos pôs dois dedos na testa e tirou, em sinal de tchau, e os dois desceram num pulo. Saíram pela enorme passagem abaixo de onde estava Casey e esta viu pela janela os dois saindo do outro lado, com armas em punho, atirando pra tudo quanto é lado. Sim, era zumbi demais, mas eles morriam rápido. Dois tiros de Linos e um de Nero matavam. Revirando os olhos e sem a mínima vontade de sair dali, a loira desceu e foi atrás dos dois. Tirou a P90 e correu atrás dos companheiros.

Em poucos minutos tudo tinha terminado. Pilhas de corpos putrefatos jaziam pelo chão. Um silêncio incômodo pairava pelo ar seco da região, sendo cortado apenas por aves que começaram a surgir no alto.

— E aí? Gostou Casey? – perguntou Nero rindo e recarregando a arma. A jovem sorriu sarcasticamente e passou as mãos nos braços, para limpar a poeira.

— Não foi tão ruim. – comentou Linos. Nero estava para concordar quando um estranho ruído começou a surgir: um barulho de lâmina sendo arrastada pelo chão. Casey ergueu a cabeça, os olhos assustados e os três foram se virando lentamente para a abertura do galpão.

— Não brinca... – disse Linos engolindo seco. Um homem de cerca de dois metros de altura, extremamente musculoso, vestido de preto, arrastava uma foice do seu tamanho pelo chão, e cerca de quinze pessoas caminhavam cambaleando atrás dele.

— Sabe o que ele tá me lembrando? O pyramid head. – disse Linos.

— Você tá ajudando bastante. – ironizou Casey.

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11:46, Equipe Beta.

Meia hora depois de o carro ter quebrado o trio já avistava um pequeno vilarejo adiante.

— O que? Mas já chegamos? Bem que você disse que a gente não ia perceber – sorriu Jason.

— Esse não é nosso destino – disse Zack confuso.

— Qual a diferença? É tudo vila! Tem gente, casa e comida do mesmo jeito!

— Não... Isso tá errado...

— Bom, então a gente atravessa esse lugar e já perde informação no caminho – disse Kurt inocentemente.

— Esse é o problema – disse Zack – Se vamos ter que atravessar um vilarejo pra chegar a outro, significa que a dificuldade e o tempo da nossa missão, dobraram.

Jason e Kurt se entreolharam apagando os sorrisos.

— De qualquer forma, vamos indo. – Zack deu um passo e logo parou, fazendo Jason e Kurt o encararem medrosos. Zack tirou a Glock do bolso da perna, engatilhou-a e então tornou a andar. Os outros entenderam a situação e desajeitadamente foram retirando suas armas às pressas e engatilhando-as também.

Chegaram ao primeiro casebre de madeira. A porta estava fechada e Zack abriu-a com cuidado. Estava vazia. Tinha uma cadeira de balanço ao lado de uma pequenina mesa redonda, jornal e vaso de flores em cima desta.

— Que cafofo maneiro. – brincou Arthur.

— Ah, isso já está me deixando impaciente – disse Zack dando meia volta pra sair dali – Vamos ligar pra base e perguntar... – mas quando ele virou-se completamente, deu de cara com uma dúzia de pessoas encarando-os do lado de fora da casa, com pás e tochas erguidas.

— Perguntar o que, Zack? — ironizou Jason.

E a ação começou: de dentro da casa Arthur eliminava um por um com o rifle. Zack guardou a Glock no bolso e saiu com a shotgun fazendo barulho e exibindo os tiros certeiros, com aquele famoso som de “Shit-pá, shit-pá”. Kurt e Jason com suas sub-automaticas sentiam-se num filme dos Mercenários. Os zumbis caíam para trás com os tiros de rifle soltando gritos como “Ugh! Agh! Eagh!”; os alvos de Jason se debatiam por vários segundos antes de caírem, devido a enxurrada de tiros; e as vítimas de Zack não tinham tempo para nada antes de explodirem em pedaços com o “shit-pá”. Por fim todos tinham ido pro beleléu, se é que posso me expressar desta maneira. Perdoe-me caro leitor ou leitora.

— Peeeeh! – gritou Zack socando o ar.

— Engole chumbo, zé mané! – Jason apontou para um dos corpos.

— E agora? – perguntou Kurt.

— E agora eu tô no gás! – agitou-se Zack sorrindo, louco para mais ação.

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Fábrica, 11:58. Equipe Alfa.

Nero, Linos e Casey corriam por baixo de andaimes, tão apavorados que mal ousavam parar pra respirar.

— Ele tá vindo?!!! – perguntou Casey desesperada.

— Não sei – gritou Linos – Também não quero olhar!

— É, ficar lá em cima agora parece uma boa ideia, né Casey? – brincou Nero.

Casey ignorou a piada, emburrando a cara. Mas então sua expressão se aliviou e uma ideia passou por sua cabeça.

— Sim, é uma boa ideia. Por isso tô indo pra lá! – ela derrapou no chão espalhando poeira, deu meia volta e tornou a correr dessa vez em direção ao homem de preto.

— Ela tá maluca ou o quê?!!! – gritou Linos.

— Caseeey!!! – gritava Nero. A loira foi chegando cada vez mais perto até parar a certa distância. O homem ergueu a foice preparando um golpe e desceu com tudo em direção à garota. Na velocidade da luz Casey mediu a direção para onde a foice iria cair e saltou para o lado oposto, desviando a tempo. O impacto da pesada lâmina fez o chão tremer, uma nuvem de poeira subir no alto e o vento foi tão forte que Casey perdeu o equilíbrio, tropeçando para o lado e caindo de frente contra o chão. O homem de preto fazia grande esforço pra levantar sua arma do chão.

— Droga... – disse Nero baixinho e correu atrás de Casey. Linos não estava entendendo nada que acontecia, e simplesmente correu atrás do capitão – Aqui coisa feia!!! – gritava Nero atirando com a Magnum. Ainda debruçada no chão, Casey ergueu-se um pouco e olhando para trás, viu Nero e Linos aproximando-se. Ela levantou-se escorregando um pouco na areia e continuou correndo em direção ao galpão. Tirou uma arma menor do coldre e foi eliminando alguns zumbis pelo caminho.

Finalmente entrou no galpão, parou e virou para os dois companheiros. Tirou a P90 e começou a atirar no homem para desviar a atenção de seus amigos. Os dois aproveitaram a bagunça e passaram pelos cantos, correndo quase colados aos contêineres para desviar dos tiros da metralhadora. Conseguiram alcançá-la e os três subiram as escadas de madeira até o mezanino.

— Por que estamos aqui? – quis saber Linos.

— Bem, eu achei que com aquele negócio pesado daquele jeito ele não fosse conseguir subir aqui...

— O que?! – gritou Nero – ESSE é seu plano?!!!

— Ah, merda! Estamos ferrados!!! – gritava Linos desesperado.

Casey sentiu-se deprimida e envergonhada por ter tido uma ideia tão ridícula, apesar de seus esforços. Pensou que tivesse mandado bem tendo coragem de voltar, encarar o sujeito e conseguir desviar de um golpe tão poderoso. Mas agora sentia-se estúpida.

— Não, ainda não. Temos uma chance! – Nero pegou seu comunicador – Tyler! Um tiro só aqui! Mira no sujeito grande de preto!

— Entendido. – longos segundos depois eles ouviram o barulho de hélices de helicóptero se aproximando.

— É melhor corrermos daqui! – disse Nero.

Os três desceram as escadas novamente. Logo na entrada estava o sujeito e alguns zumbis correndo.

— Ai caramba! – gritou Casey assustando-se. Deu meia volta e correu atrás dos companheiros para a saída oposta do galpão. Uma luz forte surgia adiante. Atravessaram a saída e a luz ofuscou-lhes os olhos.

Quando se acostumaram à repentina claridade, avistaram o helicóptero por cima do galpão e Tyler, o copiloto, saindo pela porta do veículo com um lança-míssil no ombro. Foi uma disparada única contra o homem de preto. Eles não perceberam, mas havia cerca de três barris de gasolina próximos que foram atingidos fazendo a explosão ser três vezes maior.

— Puta merda!!! – exclamou Nero abaixando-se automaticamente e pondo a mão na frente do rosto. O helicóptero balançou e foi empurrado para o lado, fazendo Tyler se desequilibrar e cair. Por sorte conseguiu agarrar-se a uma barra de ferro e com dificuldade voltou para dentro. Ele apareceu mais uma vez na abertura para mostrar que estava bem, sinalizou com a mão na testa e sumiu no interior do helicóptero.

Após tudo silenciar-se Nero voltou para o lugar da explosão.

— Vamos ver se sobrou alguma coisa.

Linos ia atrás dele quando parou e virou. Casey estava parada, de cabeça baixa, envergonhada.

— Vamos Casey.

Ela fez que não com a cabeça, balançando os longos cabelos loiros ondulados que estavam empoeirados, sua jaqueta preta de sujeira e havia um rasgo em sua calça.

Linos aproximou-se e pôs a mão em seu ombro.

— Você mandou bem.

Casey tirou a mão dele aborrecida e saiu. Linos suspirou e foi atrás.

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11:66, igreja. Equipe Gama.

Os quatro vasculhavam a igreja por completo que, aliás, era bem grande. Não era apenas uma igreja, mas também uma moradia de seminaristas. Portanto, havia quartos, banheiros, salas e cozinhas a serem inspecionados.

Chilly andava com a pistola e a lanterna em posição, virando em todas as direções por um longo corredor escuro e alagado. O único ruído naquele lugar era o deu seus passos e o de goteiras, e bem distante o de torneira ligada. Não entendia porque o lugar estava neste estado e seguiu até o último cômodo: um banheiro grande, com vários boxes e pias. O som de água corrente estava forte.

— Alguém aqui? – perguntou ela. Não houve resposta. Chilly então adentrou o banheiro e foi vasculhando de porta em porta, até: Ah! Meu Deus! – um padre estava morto, caído no chão e a água do chuveiro escorria por seu corpo, indicando que o homem morrera enquanto tomava banho. Chilly levou um tempo até recuperar-se, pois a cena do cadáver arroxeado e inchado à deixou um tanto desnorteada. Após acalmar-se, aproximou do corpo e fechou a torneira. Na mesma hora o padre agarrou seu pé.

— Ahhh!!!

11:68, ainda na Equipe Gama.

Lyllich iluminava todos os cantos de um dos quartos enormes. Observava os móveis, os cantos e o teto. Não havia nada. A janela estava aberta e o vento entrava balançando as cortinas brancas. Ela então se aproximou do parapeito da janela e olhou para baixo: a paisagem dava para um jardim seco e de vegetação negra (queimada pela neve), e um portão de ferro mais a frente delimitava o terreno. O dia estava nublado e havia neve por todo o lugar tornando a paisagem mais clara do que o normal.

— Hm, nada de interessante. Só acho difícil descobrir onde estamos – e ela foi se virando até dar de cara com uma silhueta na escuridão. Lyllich deu um pulo pra trás assustada e gritou.

— Calma, sou eu. Rick – ele ajeitou os óculos redondos no rosto refletindo a luz vinda da janela. Os cabelos negros presos em rabo de cavalo estavam meio molhados e o uniforme militar preto também.

— Caramba! Que susto! Não te ensinaram que é feio entrar em silêncio assim? E ainda mais sem bater na porta? – Lyllich e as demais adoravam importunar o capitão.

— Hu. Karin e eu já vasculhamos tudo e não há nada. Só falta encontrarmos Chilly e...

— Ahhh!!!

Os dois ouviram os gritos da garota.

— Chilly! – gritou Lyllich. E ambos saíram correndo em direção ao berro. Encontraram Karin no meio do caminho indo na mesma direção.

— O que foi isso? – perguntou a pequena as pressas.

— Também não sabemos! Mas foi a Chilly quem gritou! – falava Rick enquanto corriam. Chegaram ao banheiro e encontraram Chilly caída no chão, tentando inutilmente atirar contra o padre. Já estava bastante ferida e chorava assustada.

— Chilly! – Lyllich e Karin gritaram juntas. Rick correu e deu um chute de lado no homem. Este caiu para trás e bateu contra a parede do boxe. Rick aproximou-se e com o pé esmagou a cabeça do inimigo. Lyllich e Karin socorriam a amiga: levantaram-na e passaram os braços por cima de seus ombros.

— Lyllich – gemeu Chilly – Atira em mim.

— O que? – a irmã arregalou os olhos para ela.

— Eu disse... pra atirar em mim!

— Tá maluca? Eu NÃO VOU fazer isso!

— Não seja burra! Eu vou morrer de qualquer jeito! Me mata logo antes que seja tarde!

— Não Chilly! Não!

Chilly, trêmula, entregou sua própria pistola à irmã e a encarou, séria e decidida.

— Faça por mim.

Lyllich pegou a arma com a garganta seca, zonza, tremendo mais que a outra. Karin soltou a amiga num canto. Chilly ergueu-se e encarou a irmã nos olhos. Lyllich apontou a arma e disparou.

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