Plágio - a Saga
1 Não é segunda, mas parece uma
Chegou para mais um dia no seu serviço estressante. Estava cansada, com dores no corpo e uma garganta irritada com uma gripe que desejava se instalar. Seu celular vibrou. Pensando que seria só mais uma notificação estúpida de um de seus grupos do whatsapp, ela olho mau-humorada de relance. O que viu arruinou seu dia (em partes).
Fitou embasbacada por um minuto com a mensagem em seu celular. Uma advertência do quê? Puxou do fundo da memória e relembrou: Ah! Aquele site que eu postei aquelas história uma vez e nunca mais acessei.
Clicou na notificação e leu com mais calma:
"O que acha que precisa ser melhorado?
Originalidade
O que mais gostou no capítulo?
Semelhança com outra história
Conhecem Fulana de Tal? Apaixonada por um certo personagem fictício, escreveu a Fanfic "De um cômodo não especificado de minha casa". Foi muito plagiada, ficou chateada e tirou a fic do ar. Acessando o perfil dela ( insira um link aqui ) ela te encaminha para o link do — teórico — único plágio que ficou no ar (insira o link do teórico último plágio aqui). Passeando por aí, achei sua história estranhamente familiar... Não tô acusando nada, mas... Queria compartilhar as estranhas coincidências do mundo. Autores tem a mesmas idéias e só mudam os nomes dos personagens... Incrível!"
A autora também achou incrível. Primeiro, qual história dela estava sendo acusada de plágio? Segundo quem é Fulana de Tal e que história é esta? Desesperada, nossa protagonista vai até um site de busca genérico e procura a tal história. Nada! O link do suposto plágio não funciona. Acessa a página da fulana e tal e Aleluia! Lá está a história. Ela lê atentamente. A autora se focou por exatos 1 capítulo e se lembrou que não gostava de fanfic. Não de todas, ela tinha uma amiga que fazia fanfics e desta ela gostava. Mas só. Basicamente porque tinha sexo envolvido.
Percebeu que não conseguiria ler todos os capítulos. Leu dois e pensou: "Como esta história de romance tão bonitinha, tão gracinha, com personagens tão fofos têm relação com as histórias de dois paranóicos sem esperança que eu escrevi?" Deu de ombros e retornou aos seus afazeres.
Passaram alguns minutos e ela não conseguia se concentrar. Palavras como " ... Não tô acusando nada, mas..." ou " Autores tem a mesmas idéias e só mudam os nomes dos personagens... Incrível!". Algo na autora a dizia que o autor deste comentário estava sendo sarcástico, mas ela não podia ter certeza. É difícil identificar sarcasmo em um texto.
Sentou-se imóvel e relembrou quando começou sua primeira história em 2010... Ela estava extremamente chateada, a vida não sorria-lhe muito naquela época. Precisava de um escape e ele veio: Seu primeiro personagem. Um jovem empresário rico, de poucos amigos, personalidade horrível e péssimo em relacionamentos pessoais. Quando a autora começou a escrever esta história, seus problemas se dissiparam. Aquele personagem louco, arrogante, infernal, ele era o escape. O que a tirava de seus problemas e a levava para outro mundo. Sua amiga (a das fanfics) a convenceu em 2013 a postar esta história em um charmoso site para todos que apreciem a leitura e escrita.
Vieram outros depois dele e ela até ousou a tentar lhe dar um par romântico. Mas não chegou a postar o desenvolvimento da história no site. Algum tempo depois, em 2011, outro personagem veio: um velho escritor paranoico, alcoólatra e ermitão. Bons tempos enquanto escrevia esta história. Em 2013 também postou, mas não a terminou de postar no site.
Muito bem, ela tinha duas histórias e uma sendo acusada de plágio, mas qual? Qual de suas histórias se referia a este romance tão bonitinho???
Baixou a cabeça e refletiu. Tinha dado tudo de si em suas histórias e agora estava sendo acusada de plágio e falta de originalidade. O que fazer? que rumo tomar? Como esclarecer este mal entendido?
Palavras machucam mais do que se pode imaginar e o sarcasmo de um pode indicar o final da vida de outro. A agressividade de um é o medo de outro. O desencorajamento de um artista pode significar a perda do seu filme preferido — como foi dito por Kevin Smith em seu brilhante discurso: It costs nothing to encourage an artist.
Agora com o seu dia continuando na exata mesma porcaria, a autora teria mais uma vozinha em sua cabeça dizendo: Você não é boa o bastante.
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