Pit-a-Pat

15 Capítulo XV


Notas iniciais
PROMESSA É DIVIDA E CÁ ESTOU EU O/ Terminei de escrever hoje de madrugada , então se tiver qualquer errinho me avisem pra eu concertar. Aaah, muito obrigada mesmo meus amores pelo carinho de vocês! Mesmo eu demorando eras vocês ainda leram, comentaram e foram super amorzinhos ♥ Espero que gostem! Boa Leitura.

Will

~Capítulo XV~

:: 31º dia na Itália — Semana 4 ::

[...]

Will entrou em desespero naquele momento. Tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo que não conseguiu ter uma reação mais rápida do que segurar Nico quando o mesmo colapsou depois do esforço. Quase perdendo o próprio equilíbrio com a força que ele caiu soltou uma lufada de ar colocando-o deitado no sofá.

Respirou fundo olhando para fora onde a porta ainda se mantinha escancarada. As pessoas cochichando preocupadas, mas nenhuma sequer pensando em entrar e ver se o rapaz desmaiado estava bem. Claro ele havia quebrado o braço e possivelmente o nariz do senhor Barteles, mas naquele instante não importava tanto.

Entrando em sua casa como um furacão Charles fechou a porta de entrada e correu até Will:

― O que houve? O que aconteceu com o Levesque? ― perguntou o amigo tocando no ombro do doutor preocupado. Will mordeu o lábio sem saber por onde começar.

― Primeiro preciso levar ele pra cima. O ferimento abriu quando ele... Me protegeu do senhor Barteles. ― explicou o doutor abaixando-se contra o rapaz passando o braço por debaixo de seus ombros o levantando.

Por estar sonolento sua cabeça pendeu para os lados fazendo Will ajeitá-lo contra seu peito. Charles não disse mais nada, somente ajudou a tirá-lo o sofá e segurando seus braços os dois o levaram para cima sem muita dificuldade.

Ao entrarem no quarto depositaram o pirata na cama delicadamente enquanto Will corria de volta para o escritório pegar panos e tudo o que precisaria pra cuidar daquele ferimento terrível. Assim que voltou viu Charles ajeitando-o na cama prestes a tirar as ataduras para ajudar Will no trabalho como fazia de vez em quando.

O doutor gelou com isso. Ele veria a tatuagem! Deixou as coisas na mesa e segurou as mãos do amigo. Charles o encarou curioso:

― Eu cuido dele, pode ver como estão às coisas lá fora e ficar de prontidão? ― pediu o loiro em uma suplica: ― Não quero mais surpresas por hoje.

Charles arqueou a sobrancelha como se suspeitasse de algo, mas somente suspirou e levantou-se da cama.

― Tudo bem, eu vou. ― disse ele: ― Depois você vai me contar exatamente tudo o que esta acontecendo, entendeu?

― Sim! ― garantiu o doutor voltando a atenção para Nico que agora fazia expressões sofridas de dor.

Charles saiu do quarto e Will fechou a porta para evitar surpresas. Voltou para o pirata e começou a desenfaixá-lo. A ferida sangrava demais o deixando tenso. Aquela maldita ferida que zombava de sua cara somente por existir.

Ele não deixaria ela vencer. Nem que ele tivesse de obrigar Nico a ficar acamado novamente ele faria, mas não perderia ele também! Respirou fundo voltando para o balcão onde havia uma jarra de ferro com água fresca. Encheu um copo e foi até o pirata.

Tocou seu rosto suavemente:

― Nico preciso que você beba isso, por favor! ― pediu o doutor chamando sua atenção. O rapaz apertou os olhos tentando abri-lo, mas o máximo que conseguiu foi um aceno.

O levantou com a mão direta e com a esquerda encostou o copo nos lábios dele. Nico bebeu dois goles da água antes de tossir recusando-a. Já era algo. Will deixou o copo de agua e lado e voltou para a ferida.

Pegou alguns panos úmidos e começou a limpar o ferimento. Nico soltou um choramingo sofrido repuxando o lençol entre os dedos com força. Mordeu o lábio segurando um grunhido de dor assim que Will passou o pano na ferida.

O doutor crispou os lábios pegando um pouco mais de panos.

O sangramento não queria parar.

Respirou fundo tentando conter o nervoso que estava sentindo. Os movimentos que Nico fez foram muito bruscos e o que estava começando a melhorar voltou à estaca zero. Maldita diabetes. Will parou:

― To ficando tempo demais com você, já estou começando a praguejar. ― resmungou ele voltando para a bacia e torcendo o pano: ― Você vai melhorar ouviu?

Nico não disse nada além de grunhidos desconexos devido à dor. Ele tinha de parar o sangramento, mas somente pressão não estava surtindo o efeito que queria. Arfou pesado pegando panos secos.

― Vai doer um pouco, mas preciso parar o sangramento. ― falou colocando uma pressão mais forte na ferida.

Nico deu um espasmo segurando o lençol da cama com força trincando os dentes no processo. Lágrimas começaram a descer imperceptíveis por seu rosto à medida que Will aumentava a pressão.

Depois de uns minutos Will parou vendo o ferimento parar de sangrar. Soltou o ar aliviado deixando os panos encharcados de sangue no chão. Pegou a ultima peça limpa que tinha e molhou com água e emplasto e passou na ferida delicadamente.

Nico soltou uma lufada tapando o rosto com o braço escondendo as lágrimas que Will sequer havia visto. A limpeza foi menos dolorosa, assim o pirata conseguiu se acalmar o bastante para o doutor conseguir sentá-lo na cama e fazer o procedimento de limpeza nas costas.

A cama estava encharcada de sangue. Will torceu o lábio desgostoso. Não poderia deixar ele ali. Ainda segurando-o sentado puxou os lençóis sujos da cama deitando Nico no lado do colchão seco.

― Vou buscar mais panos, não sai daqui o Charles está lá embaixo. ― avisou ele afastando os cabelos úmidos de seu rosto pálido.

Nico soltou uma risada sem emoção: ― Você quem manda.

Will então saiu para pegar mais panos. Passou por Charles na porta de entrada que conversava com algumas pessoas de forma séria e irritada. Provavelmente estavam contando o fiasco de mais cedo.

O doutor negou com a cabeça seguindo caminho para o escritório. Pegou o que precisava e voltou para terminar de enfaixa-lo. Desta vez Nico estava desacordado e o processo pra enfaixa-lo demorou mais que o habitual.

Assim que terminou chamou Charles para ajudar a movê-lo para poder virar o colchão para baixo. Não teria como lavá-lo ainda, então evitar o contado da ferida com sangue contaminado era o máximo que poderia fazer.

Charles carregou Nico apoiando-o no braço enquanto Will mudava o colchão de lugar. O colocaram de volta, cobriram e saíram do quarto em silêncio. Assim que fechou a porta Will encostou-se nela tapando o rosto com as mãos.

Droga! Como estava aliviado.

― Will? ― chamou o amigo pousando uma mão em seu ombro: ― Vamos conversar.

Will negou: ― Você já sabe o básico pelo que vi. ― rebateu o doutor retirando a mão do ferreiro de si: ― Estou exausto vamos... Melhor você ir embora.

― Você tem de parar de nos afastar quando algo acontece! ― bradou Charles irritado: ― Se o Levesque não estivesse com você tem noção do que teria acontecido? ― Will abaixou a cabeça: ― Tinha que ter me chamado pra ir a casa deles, tinha de ter me chamado pra ficar com você até a poeira abaixar! Você tenta resolver tudo sozinho e as coisas se transformam em bolas de neve!

― Charles...

― Não me venha com desculpas! ― cuspiu o amigo passando a mão pelos cabelos crespos: ― Escute, se aquele garotinho morrer de fato, o que nos dois sabemos que ele vai, você vai ficar com a gente até acharmos que pode voltar a ficar sozinho.

― Não sou mais criança Charles! ― rebateu Will afastando-se da porta. Olhou para ela um tempo antes de descer e evitar continuar a discussão em frente ao quarto de Nico: ― Se ele voltar voltou! Não posso fazer nada quanto a isso! Não te chamei porque eu fui lá quando ele não estava. Era minha responsabilidade dizer à família que o garoto ia morrer, era o meu problema, era a minha função!

― E sim, claro que eu lembrei da ameaça, e eu também lembrei que o Nico está por aqui e que se desse alguma coisa ele poderia me ajudar! ― bradou o doutor irritado!

― Um mercador não é um lutador. Você fala como se tivesse certeza que o Senhor Barteles não poderia com ele. ― comentou Charles franzindo o cenho.

― Bom, se você sabe pelo menos metade do que aconteceu hoje deve saber que o Nico se defendeu muito bem. ― continuou o doutor: ― Mas isso não vem ao caso porque nesse momento meu paciente diabético e quase morto está lá em cima precisando de mim enquanto você me segura pra falar de assuntos que eu adoraria evitar, mas parece que o mundo inteiro não se importa com a minha opinião!

― Will se acalme! ― pediu o amigo: ― Eu me importo com você, por isso vim aqui. Não estou acostumado a ter alguém morando com você e sim com você sempre precisando de mim. ― disse Charles diminuindo o tom de voz: ― Volta pra cima, faz o que você tem de fazer e eu vou pra casa ficar de olho nas fofocas sobre o Harley. Mas tem coisa aqui que você está escondendo e eu adoraria que me contasse depois.

― Tipo? ― Will perguntou mais tranquilo.

―Tipo você chamando o Levesque pelo primeiro nome? ― comentou Charles. Will ficou tenso: ― Ou você dando plena certeza de que ele poderia cuidar das coisas se dessem errado, e mesmo essa ideia toda de responsabilidade e obrigação que você nunca falou antes. Temos muito o que conversar William!

O doutor respirou fundo passando a mão pelos cabelos os quais ele nem lembrava estarem soltos. Tinha falado demais.

― Certo. Depois conversamos. ― concordou ele. Charles pareceu satisfeito com a resposta sorrindo amoroso.

Abraçou Will apertado antes de sair da casa. O doutor mordeu o lábio nervoso voltando para o quarto de Nico. Na verdade ele não tinha mais nada pra fazer com Nico, mas ficar em seu quarto lhe passava uma segurança que ele não entendia.

Tapou o rosto com as mãos soltando lamúrias pela sua burrice. Ele nunca foi bom com mentiras, mas aquela “escorregada” com certeza foi uma das piores. Não que ele imaginou que o segredo fosse durar muito. Na verdade achou que não duraria nem o primeiro dia pra ser franco.

Contudo Nico parecia conseguir se adequar bem na personagem e isso acabou deixando Will confortável demais. Confortável num ponto que esqueceu de que na verdade era um Pirata e só se lembrou disso quando ouviu o barulho do braço do Senhor Barteles se partindo.

Só se lembrou quando ouviu a ameaça de morte. Isso o lembrou de quando Nico o ameaçou, mas parecia bem diferente de quando foi com ele por algum motivo que ele não soube explicar, mas ele temeu pelo homem.

Contudo não pode fazer nada e essa era a parte frustrante do dia. Nico resmungou algo na cama fazendo Will encará-lo curioso. Então sem mais nem menos ele se levantou abruptamente resfolegando pesado. Will o segura pelos ombros.

― Nico se acalma! Está tudo bem! Ele foi embora! ― falou o doutor acariciando seu braço delicadamente.

O pirata o encarou com os olhos desfocados. Nico negou:

― Ele vai voltar. ― rebateu o pirata respirando descompassadamente. Will continuou com o afago para acalmá-lo.

― Sim ele vai, mas não agora com o braço quebrado. ― afirmou o doutor afetuoso. Nico relaxou um pouco: ― Deita, não faz esforço.

Sem reclamar Nico o fez deitando-se na cama desconfortável. Passou o mão por seu ombro direito respirando fundo. Ele precisava de algo para dor.

Will se levantou: ― Vou fazer um chá para a dor. Já volto.

Assim ele desceu as escadas um pouco desnorteado entrando na cozinha. A porta se abriu com brusquidão e Charles e Silena irromperam o silêncio.

Nico

Ao ouvir o barulho Nico sai na mesma hora do quarto apoiando-se no corrimão do mezanino. Assim que vê Silena e Charles solta uma lufada de ar pelo susto.

― Nico? O que está fazendo de pé? ― ouviu Will perguntar, mas somente gesticulou com a mão ignorando-o: ― E o que vocês estão fazendo entrando assim?

― Harley morreu. ― disse Charles sério.

Nico ficou tenso levantando o olhar para o ferreiro. Ele sabia. Tinha certeza absoluta que o rapaz não iria passar daquele dia, tudo para piorar a situação deles.

― Vocês precisam ficar com a gente até a poeira abaixar. ― completou Silena com a mão no peito preocupada. Nico nada disse somente encarou Will parado no batente da cozinha.

Nico mordeu o lábio ao ver o estado do doutor. Ele estava em choque. Olhos arregalados e rosto pálido em puro pavor. Sentiu uma vontade enorme de descer as escadas e confortá-lo, mas Charles o fez na mesma hora abraçando-o afetuosamente.

O pirata olhou para Silena que o encarava séria. Ele respirou fundo segurando o corrimão com força a medida que suas pernas começavam a falhar. A dor em seu abdômen e ombro estavam quase insuportáveis. Maldito senhor Barteles!

Respirou fundo reavaliando suas opções. Se eles fugissem agora e se escondessem no momento em que aparecessem de novo seriam pegos de surpresa. O ideal mesmo era resolverem o problema antes que tomasse proporções imensas. Vingança era algo que Nico entendia muito bem.

― Eu não vou com vocês. ― disse ele com a voz falhada. Temeu que eles não o tivessem ouvido, mas SIlena o respondeu:

― Como não? Precisa vir conosco! ― esbravejou ela nervosamente: ― Não pode ficar aqui sozinho sendo que ele pode voltar.

― Não vou conseguir andar até lá. ― Admitiu ele tentando ficar ereto, mas a fisgada em seu abdômen o fez voltar a posição anterior: ― Digamos que ele pode estar quebrado, mas eu também não estou nas melhores condições.

― Podemos carrega-lo. ― disse Charles sem hesitar.

Havia se soltado do abraço e Will agora o encarava com os olhos avermelhados de um pré-choro. Nico negou:

― Não vou deixar que me carreguem todo o caminho até sua casa. Desculpe mas é humilhação demais pra mim. ― disse firme. Will estremeceu:

― Se você não vai então eu não vou. ― ele disse nervoso: ― Até parece que vai ficar aqui sozinho nesse estado.

― O Senhor Barteles não vai parar de persegui-lo Solace. ― rebateu Nico: ― Você precisa ir. Eu vou ficar pra trás e resolver as coisas.

― Lá vem vocês dois com isso de novo. ― Charles falou ligeiramente irritado: ― Nem tem como vocês dois resolverem sozinhos, principalmente você Senhor Levesque.

Nico crispou os lábios nervoso. Olhou para Will com certa raiva:

― O quanto você confia neles, Solace? ― perguntou sem tirar os olhos do loiro. Will arregalou levemente os olhos, mas sabendo onde isso iria dar somente suspirou:

― Confio minha vida à eles, Nico. ― respondeu sério.

― Pois bem.

Assim Nico fica ereto ― a máximo que pode ― desabotoando sua roupa. Silena começou a contestar, mas assim que desenfaixou parte de seu abdômen e parte da sua tatuagem aparece ela ficou em silêncio.

Dava para ver as três cabeças do Cérbero apontando para fora das bandagens. Além, claro, de sangue manchando-as. Will torceu o lábio sabendo que isso se devia a ele estar de pé. Charles deu dois passos pra frente instintivamente ficando em frente à Silena e Will como que protegendo-os.

Nico rolou os olhos. Ele já havia ficado sozinho com ambos e nada demais aconteceu... Bem...

― Você é um pirata? ― falou Charles nervoso olhando para Will na sequencia: ― Você está abrigando um pirata?

― O ataque no píer... ― murmurou Silena em choque: ― Foi você?

Nico pensou em rebater já que não tinha sido ele a começar o ataque, na verdade tentou evitar o máximo que pode, mas não adiantava insistir nisso não iriam acreditar mesmo. Então simplesmente deu de ombros não negando e nem confirmando. Silena franziu o cenho.

― Você então... Tudo o que nos disse... Era tudo mentira? ― esbravejou ela nervosa: ― Tudo mentiras de um pirata?

― Olha se você quiser gritar mais alto à vontade. ― cuspiu Nico nervoso. Charles trincou os dentes.

― Você tem noção do que fez Will? Quer ir pra forca por isso? ― bradou olhando o amigo. O doutor cruzou os braços.

― Ele também iria então não é como se eu estivesse em desvantagem. Agora, se quer que isso aconteça continuem a falar alto! ― disse Will frívolo.

Nico soltou uma risada de canto.

― Era tudo mentira? ― insistiu Silena olhando-o, desta vez parecia decepcionada. Ele não gostou desse olhar.

― Silena... ― alertou Charles.

― Era?

Nico suspirou: ― A maior parte sim. Algumas eram verdadeiras, mas isso não é importante agora. ― respondeu rapidamente: ― Como eu disse vou ficar para trás e resolver as coisas com o Barteles. Quebrei seu braço, ele abriu minha ferida, estamos de igual pra igual aqui.

― Por que vai ficar? Por que se importa? ― Charles começou. Will colocou uma mão em seu braço, mas o ferreiro o puxou com brusquidão. Nico trincou os dentes: ― Afinal de contas você é um pirata. Não é arriscado demais ficar brincando por aqui?

― É o mínimo que posso fazer pelo Solace por ter salvo a minha vida. ― disse sincero: ― Agora, se você acabou com o drama eu gostaria muito que fossem embora. A noite está caindo, e é a essa hora que a morte começa a andar sobre a Terra.

Piscou o olho voltando para seu quarto sem dizer mais nada aos três. Fechou a porta encostando-se nela. Respirou fundo passando a mão pelos cabelos soltos. Aquilo era mal, muito mal.

Os amigos do doutor não pareciam ter lidado bem com a notícia dele ser um pirata e isso estava claro como água. Contudo Nico não tinha tempo pra lidar com eles. No momento precisava cuidar de outra pessoa.

Andou até o guarda-roupa abrindo as portas atrás de sua vestimenta pirata. Achou ela em um canto dobrada. O sobretudo pendurado escondido entre outros casacos. Nico pegou a camisa que parecia novinha.

Nenhuma mancha de sangue nela somente um remendo onde a lamina o atravessou. Nico achou isso estranho, afinal não o viu lavando-as em nenhum momento e duvidava muito que teria o feito em dois dias enquanto estava inconsciente.

Retirou as roupas do Will e vestiu as suas próprias. Teve um pouco de dificuldade pelo braço que doía muito mais que o habitual. Teve de parar no meio do processo pra tomar fôlego pela dor excessiva que sentia.

Ao vestir o Sobretudo olhou-se no espelho. Já estava ficando mal acostumado com todas as cores claras que Will o fez vestir. Sentia falta do preto mais do que imaginou que poderia. No final das contas lhe servia bem.

Levou a manga instintivamente ao rosto sentindo o cheiro de lavanda ― coisa que suas roupas piratas nunca tiveram ― e sorriu abobado. Sacudiu a cabeça repreendendo-se. Pegou seu chapéu colocando-o sobre seus cabelos soltos e desgrenhados. As armas estavam escondidas em um compartimento no chão entre as madeiras do assoalho.

Sua espada e arma de fogo. As colocou no cinto e saiu do quarto. No mesmo momento Silena descia com uma mala em mãos que ele imaginou ser de Will. Sem dizer nada retirou ela de suas mãos e desceu para o térreo.

A deixou ao pé da escada e começou a fechar os cômodos. A cozinha foi trancada, a janela da sala fechada pelas cortinas grossas. Foi até a outra também a fechando, na sequência a porta da sala. Will estava colocando um casaco grosso pelo frio.

― Da pra parar de andar assim? ― repreendeu ele: ― Vai se machucar desse jeito. ― Will o encarou preocupado.

Nico sorriu, mas não o encarou:

― Estou com muita dor, mas faz parte do pacote de ser um pirata no final das contas. ― admitiu trancando a porta: ― Ainda mais por ser o Capitão tinha de fingir estar tudo bem, mesmo a beira da morte.

― Você disse que nunca teve ferimento mais sério que esse. ― relembrou Will cruzando os braços. Nico rolou os olhos sorrindo amarelo:

― Força de expressão.

― Will vamos! ― chamou Charles na porta carregando sua mala. Silena estava ao lado encarando Nico com curiosidade.

O doutor aquiesceu voltando a encarar o pirata. Nico sustentou seu olhar. O doutor tinha os olhos avermelhados e parecia bem mais cansado que antes.

― Não morra, por favor. ― pediu Will franzindo o cenho em uma suplica baixa.

Nico estremeceu sentindo seu coração dar um salto. Droga!

― Não é uma coisinha dessas que vai me matar. ― admitiu ele dando de ombros: ― Agora anda, vai embora.

Will o fez.

Assim que os três saíram da casa Nico fechou a porta de entrada, mas sem trancá-la. Apagou as velas e subiu para o primeiro andar. Foi até o quarto de Will do outro lado do mezanino entrando nele. Acendeu uma vela bem em frente à porta. Ajeitou ela e depositou seu chapéu perto, mas não o bastante para queimar.

Saiu deixando a porta entreaberta. Voltou para o seu quarto apagando a vela dele ajeitando sua arma em mãos checando se a pólvora ainda funcionava. Escondeu-se do lado do guarda-roupa longe da vista da porta e esperou.

Ficou um tempo sentado mexendo em sua arma antes de finalmente ouvir barulho no andar de baixo. Ficou em alerta na mesma hora apoiando o joelho no chão. Encostou-se na madeira do armário e esperou. Ouviu cada passo do homem que parecia não se importar em esconder sua presença.

Passou pelo quarto de Nico sem sequer checar. Nico rolou os olhos. Falta de profissionalismo. Assim que o ouviu seguir reto saiu de seu esconderijo no mais puro silencio mantendo-se nos cantos do corredor longe da luz e de olhos vidrados no homem. De momento em momento olhando para baixo para ver se não teria alguma surpresa acompanhando o Barteles.

O seguiu sorrateiro como a própria morte com a arma em sua mão direta. Ainda que com dor era a melhor na mira. O Senhor Barteles entrou no quarto de Will pronto para ataca-lo com o pedaço de ferro que tinha em mãos, mas ele somente parou encarando o chapéu de Nico ao lado da vela.

Soltou o ferro pegando o chapéu com sua única mão boa examinando-o. Nico aproveitou a deixa acertando-o na cabeça com a base de sua arma, mas como ainda estava debilitado errou na precisão.

O homem cambaleou olhando para trás. Nico viu o ódio em seus olhos. O pirata colocou-se em posição de luta aguardando pelo movimento do Barteles. No momento em que o senhor Barteles atacou conseguiu desviar, mas devido à dor aguda em seu abdômen recebeu um chute baixo.

Soltou um grunhido nervoso. Com raiva apontou a arma par ao rosto do homem puxando a trava. O senhor Barteles deu dois passos para trás em pavor. Nico avançou contra ele, mas ao invés de atirar acertou sua jugular com o cano da arma desnorteando-o.

Nico se afastou ofegante se apoiando no guarda roupa. Sentiu o ferimento abrir, mas não tinha tempo para isso agora.

O senhor Barteles acordou desorientado. Remexeu-se sentindo a dor em sua cabeça irradiar. Tentou mexer o braço, mas se viu amarrado em uma das árvores da floresta que contornava Ravenna. Olhou assustado ao redor vendo Nico a sua frente sentando em uma pedra afiando sua espada.

Seu sangue gelou ao lembrar-se da luta que teve mais cedo e da vestimenta.

― O que fez comigo?

Nico continuou afiando a espada olhando-a vez ou outra pra garantir o corte dela:

― Você é muito pesado. ― resmungou trincando os dentes. Passou a pedra mais uma vez no fio da lâmina: ― Essa é uma cidade de tolos, sabia? Pois da mesma forma que eu, um pirata quase morto, consegui perambular por ai sem ser pego, consegui trazer um corpo pelas ruas sem problema nenhum. Patético.

― Como me trouxe? ― resmungou ele tentando se soltar das amarras. Esforço inútil.

Nico apontou para o carrinho de mão um pouco distante deles. Cruzou as pernas encarando o homem. Nico imaginou o que se passava em sua mente naquele momento, provavelmente vontade de mata-lo. Ele sabia bem o sentimento.

― Por que está defendendo o doutor? ― bradou o Barteles chamando a atenção de Nico: ― Você é um pirata, não deve nada a ninguém!

― Ele foi o único em anos que pensou que eu realmente valia a pena. ― respondeu Nico abaixando o olhar com um sorriso bobo: ― Esse tipo de coisa não tem preço.

O homem grunhiu:

― Ele não merece ser protegido! ― trovejou remexendo-se incessantemente tentando se soltar das amarras: ―Ele deveria morrer por não ter salvado meu filho!

Nico levantou-se num tranco apontando a espada para seu pescoço. O homem engoliu em seco.

― Essa necessidade de culpar alguém eu conheço bem. ― admitiu Nico encarando-o curioso: ― Mas não acha que está culpando a pessoa errada? Se quer um culpado não deveria culpar a Deus?

― Do que esta falando? ― bradou o homem: ― Isso é blasfêmia.

― Ele dá a vida e ele a tira. Ele quem decidiu que seu filho deveria morrer. O culpado não deveria ser ele? ― zombou Nico passando a lamina pela extensão de seu pescoço. O homem ficou tenso: ― Você culpa um doutor que tentou salvá-lo, mas quem permite as pessoas serem salvas não é ele.

― Está me dizendo que deveria reclamar para o Padre? Que besteira!

― Não, ele vai dizer que foi a vontade divina e que Deus queria que Harley morasse ao seu lado como um de seus anjos. ― explicou ele se afastando: ― Pode acreditar, já ouvi isso antes.

Barteles riu:

― Você? Um pirata?

Nico rolou os olhos soltando uma lufada de ar.

― Por que as pessoas acham que nascemos piratas? ― perguntou ele para ninguém em particular. Cruzou os braços: ― Antes de ser pirata já fui humano, Barteles, e acredite para chegar ao estágio que cheguei tive de perder muita coisa. Uma delas foi essa fé cega de vocês.

O homem ficou calado, mas o olhava com desprezo.

― Vá embora Barteles. Vá com sua esposa, não a deixe enfrentar o luto sozinha. ― disse Nico sério: ― Tem pessoas que não conseguem lidar com o luto, vai perde-la também.

― Depois que eu vingar meu filho! ― bradou tentando se soltar.

― Então quer me enfrentar? ― ameaçou Nico apontando a espada diretamente para seu rosto. O homem parou de se mover: ― Posso te aleijar desta vez ou invés de quebrar seu braço.

― Me mate logo, seu covarde. ― grunhiu o homem com um fio de coragem que ainda lhe restava. Nico negou.

― Não vim para mata-lo. ― falou ele dando de ombros.

― Não? Estava afiando a espada! ― comentou ele exasperado.

― Eu sei, estava bem cega não? ― comentou ele olhando para o fio da lâmina: ― Mas agora está boa.

― Então o que quer?

― Quero que vá embora, para seu país de origem. ― ordenou Nico: ― Você não tem mais nada aqui.

― Mas―

― Sua mulher vai precisar de você. O luto por um filho deve ser mil vezes pior que por qualquer outro membro da família. ― cortou Nico sério.

― Você diz como se soubesse da dor. ― rebateu o homem irônico.

― Eu sei. ― Admitiu.

― Você era uma pessoa comum como nós? Que trabalhava pra se sustentar? ― falou em tom de zombaria.

― Não.

― Um soldado?

― Passou longe. ― falou desinteressando. O homem grunhiu:

― Quer que eu te conte quem eu sou? ― perguntou o pirata aproximando-se. O Senhor Barteles estremeceu: ― Você vai ficar com mais medo de mim do que já tem.

― Não tenho medo de você. ―cuspiu raivosamente.

Nico rolou os olhos:

― Certo. ― falou: ― Mas vou te dizer mesmo assim. Quem sabe não coloca um pouco de juízo nessa sua cabeça de vento?

― Há! Me impressione pirata.

Nico sorriu macabramente. Sua voz foi a mais ameaçadora que pode e a palidez no rosto do Barteles era quase palpável.

Ele estava errado. Barteles não ficou com medo.

Ficou apavorado.

Notas finais
Praqueles que imaginaram que ira dar a maior bosta por causa do Barteles, VIU? EU FUI TÃO MÁ ASSIM? FUI NÃO! Então explicando um pouco o Senhor Barteles não poderia chamar a marinha, policia local ou o que fosse porque o motivo seria "Ele não salvou meu filho", Will não tinha nenhuma obrigação para com Harley; "Ele quebrou meu braço", mas o Sr. Barteles invadiu a propriedade dos outros e tem a cidade inteira como prova. O Nico não matou ele por motivos logicos de "Como me livrar do corpo sem suspeitas?" Era a forma mais tranquila de resolver o problema no caso ruehurheuhre espero que não tenha ficado muito ruim e quebrado toda a expectativa de vocês ruehuhruruerue Sorry, Sorry. Agora, Silena e Charles estão sabendo que ele é pirata... É BOM OU RUIM? Julguem vocês urheureruehu Já tenho boa parte do capítulo seguinte planejado igual eu tinha esse então é bem possível que saia capítulo novo no Domingo, mas claro não depositem muitas expectativas na minha pessoa :v O fato é que não posso enrolar muito nela, afinal é literalmente uma LONG. Tem muita coisa pra contar, Ai ai ai. Bom, é isso por enquanto ruehruhruehrue espero de verdade que tenham gostado dela. Não teve momento fofinho entre os dois, mas primeiro tenho de baixar a poeira e tinha de me livrar logo do problema do Harley uehrerhue entoooom! obrigada por quem leu até aqui! Até a próxima! beijinhos~