Pit-a-Pat

9 Capítulo IX


Notas iniciais
CHEGUEI AMORES DA MINHA VIDA COLORIDAAA! Postar correndo agora porque hoje é dia de faxina em casa, ai já viu ne! Se a mamis me pega no computador já vem com dez pedras e um pedaço de pau na mão ;) Agradeço todo os comentários e favoritos. Sério, to amando demais o feedback da história ♥ Obrigada pelo carinho que vocês me dão, é tão gratificante. Pela primeira vez um POV's do Jason! Weeeeeeee o/ reuhruehure vamos ter muitos dele para eu poder contar o que esta acontecendo no Caribe enquanto Nico está brincando de casinha com o Will. Fora outras pessoas e outros POV's que serão surpresa e virão como cap especial ;) Terminei de escrever o cap 9 na facul hoje pelo OneNote. ESSE NEGÓCIO SALVA VIDAS RUEHUHRHEU Sim, o cap 9 estava incompleto e com 1,5k de palavras, escrevi todo o resto de madrugada e hoje de manhã. o/ Bom, sem mais delongas! Boa Leitura!

Jason

~Capítulo IX~

[...]

A explosão do navio pegou Jason de surpresa, principalmente pelo fato de Nico ainda estar a bordo quando dispararam o tiro de canhão em direção à pólvora no convés.

Ouviu diversos gritos quando houve a explosão. Uns dos marinheiros, outros de seus homens e um deles havia sido o seu. Nico desapareceu no mar, mas não antes de ser ferido gravemente por um dos marinheiros.

Ele havia entrado em estado de choque e Leo teve de tomar a dianteira mandando Malcom sair de perto do navio destroçado, pois o Caronte poderia pegar fogo. Na sequência o ouviu exigir saber quem havia disparado um tiro de canhão com Nico a bordo.

Isso trouxera Jason de volta a si, e com uma raiva incomum sustentou a pergunta de Leo. Os homens novos se entreolharam e disseram um simples “Era ele ou nós”.

O soco de Sherman foi forte o bastante para ecoar por entre eles. Jason mordeu o lábio nervoso assistindo a discussão entre seus homens. Gesticulou para Malcom ir embora e a contra gosto ele começou a se distanciar com o navio.

Piper não saia da amurada olhando para as águas turbulentas em busca de Nico. Ela segurava a amurada com força e Jason sabia que ela estava desesperada por dentro. Assim que estavam distantes Piper foi para perto de Leo tentar apartar a briga.

Jason andou de um lado para o outro no Convés enquanto Leo bradava irritado contra alguns outros tripulantes que se recusavam a voltar por Nico. Ele estava fumaçando. Não queria deixar o amigo lá, mas a Itália estava fechada há muitos anos, principalmente os mares Adriáticos.

Não tinha como voltar lá tão logo depois de uma briga com a marinha, independente de terem ou não começado ela.

Não tinham escolha.

― Não podemos deixar ele lá! ― gritou Leo apontando o dedo para um dos homens que haviam entrado para a tripulação três meses antes.

― Mas também não podemos voltar por ele! Você viu como está lá? Querem ser enforcados? ― bradou Joshuá, um dos novatos, gesticulando com os braços irritado: ― Isso aqui não é brincadeira, não vou voltar por ele.

― Será que é por que ele não é seu capitão? ― cuspiu Piper ao lado de Leo: ― Estamos juntos há cinco anos enquanto vocês acabaram de chegar e acham que tem direito algum aqui?

― E quem liga? ― rebateu Joshuá: ― Jason pode muito bem assumir o posto dele, não estamos desfalcados.

Eu não sou ele. ― grunhiu Jason parando de andar e encarando Joshuá nos olhos. Deu três passos largos o agarrando pela gola da camisa: ― Se não calar a boca agora eu te jogo no mar, e vamos ver como você se vira com a marinha que, por ironia do destino, comanda todo o mar Adriático?

O homem apertou os olhos, mas não rebateu. Jason o soltou virando-se para sua tripulação original. Todos estavam tensos. Travis e Connor não haviam dito nada a discussão inteira, Sherman havia cansado de discutir com os homens, além de estar ferido; Malcom estava no timão, mas não parecia ter a intensão de deixar a Itália sem Nico.

Jason suspirou.

― Vamos até a Grécia pegar o que viemos pegar desde o início. ― começou Jason. Piper fez questão de interromper, mas ele levantou a mão impedindo-a: ― vamos ficar certa de duas semanas até conseguir voltar. Vamos passar aqui e ver se conseguimos atracar em Ravenna e buscar Nico que está ferido.

Piper e Leo abaixaram a cabeça. Eles haviam visto Nico ser apunhalado do Caronte e quando tentaram ir até ele o navio explodiu. Jason sabia o que eles estavam sentindo, porque ele mesmo não queria acreditar que não pode fazer nada.

― Se não tivermos como resgatá-lo, vamos... ― Jason respirou fundo: ―... Vamos para Tortuga.

― O que? ― exclamaram Piper e Leo ao mesmo tempo. Sherman o encarou estupefato.

― Vamos abandonar ele? ― rebateu Sherman incrédulo.

― A Itália está fechada! ― gritou Jason: ― Exatamente por esse motivo que Nico escolheu a rota pela costa Africana para evitarmos nos aproximar da Itália, mas o Ciclone nos atrapalhou. É impossível entrar nos mares dela sem sermos abordados pela marinha.

― E então o que? Vamos deixar ele à própria sorte? ― trovejou Sherman: ― Se ele está ferido não vai sobreviver sozinho. Os ferimentos dele nunca cicatrizam normalmente Jason!

Ele estava certo. Por algum motivo que ele desconhecia Nico tinha problemas sérios de cicatrização. Sangrar até a morte era simples quando se tratava dele e pensar nisso fez Jason ficar tenso.

Ele suspirou. Queria ir atrás dele, mas no momento não podia fazer nada além de torcer para que conseguisse um médico para trata-lo.

― Vamos tentar voltar. Não vou abandoná-lo. ― respondeu virando-se depois para os homens que recentemente haviam entrado para a tripulação: ― Não sei quem vocês pensam que são, mas Nico é o capitão ainda, e vocês devem fidelidade a ele. Se não conseguem fazer isso irão descer no porto de Pireu. Fui claro?

Os homens assentiram a contragosto.

Jason os dispensou. Viu Sherman ir até a cabine da tripulação com Connor o ajudando. Leo sentou com Piper de cara fechada, visivelmente contrariado; Malcom mudou o curso do navio para a Grécia.

― Tem certeza disso? ― perguntou Travis parando de frente para ele. Jason olhou o arredor chamando-o para um canto isolado.

― Não. ― respondeu num suspiro: ― Não tenho certeza de nada no momento. Vamos ficar duas semanas fora e tentaremos voltar a Ravenna, se não der teremos de voltar a Tortuga.

― São três meses de viagem. ― ressaltou Travis: ― Ida e volta são seis. Eu sei que temos tripulantes novos, mas se fosse por nós ficaríamos pela região até conseguirmos busca-lo.

― Nico não iria querer isso. Fizemos um acordo de abandono de membros logo quando começamos a recrutar. ― respondeu Jason: ― Eles não entendem como nos funcionamos, é diferente dos outros piratas por ai. Normalmente um pirata que é deixado para trás―

― Fica para trás. ― completou Travis mordendo o lábio.

Jason mudou o peso de suas pernas cruzando os braços.

― Nossa tripulação não é assim. Eu preciso ir até Tortuga. Preciso despachar esses homens, preciso que vocês recebam o que é de direito e falar com Reyna. E, se quiserem voltar comigo estarei fazendo o retorno para Ravenna o mais rápido que puder.

Travis sorriu: ― Não vai se livrar de nós Jason. Vamos com você.

Jason sorriu colocando a mão em seu ombro. Cada um foi para um lado deixando a Itália sumindo no horizonte.

Jason sentou-se em sua cama em sua cabine particular. Passou a mão pelos cabelos loiros respirando profundamente. Por que ele não estava ao lado de Nico naquela hora? Essa foi à primeira coisa que passou em sua mente.

Nico havia embarcado no navio sozinho, mas Jason entrou logo na sequência, então por que quando ele saiu Nico ainda estava a bordo? Por que foi disparado um tiro de canhão vendo Nico na polpa lutando com os marinheiros?

Jason mordeu os lábios descrente do que acontecia. Distraído como estava sequer percebeu Piper sentando ao seu lado afagando seu braço carinhosamente. Ele a encarou nos olhos. Ela também estava devastada, ele podia ver o desespero em seus olhos.

Quando Nico resolveu criar sua própria tripulação Jason iria entrar nela de toda forma, mas nunca imaginou que Piper também o quisesse, mas por sua própria vontade e não por ele. Ela se importava com Nico, e ele desaparecido dessa forma a deixava aflita.

― Eles não entendem. ― disse Piper abaixando o olhar: ― Piratas não agem assim.

Jason aquiesceu entrelaçando seus dedos aos dela.

― Quando estávamos no navio da Reyna, um pirata deixado para trás ficava para trás. Era uma regra que seu sempre segui a risca. ― disse acariciando o nó dos dedos de Piper com o polegar: ― Quando Nico entrou eu acabei me apegando a ele demais. Acho que o vi como meu irmãozinho caçula.

Piper riu: ― Viu mesmo. Ele não podia fazer nada perigoso que você já chegava irritado e dando bronca ele.

― Ele não parecia gostar muito na época. ― ressaltou Jason: ― Na verdade demorou um pouco para ele se abrir comigo, mas quando o fez eu decidi que o protegeria de tudo, não importa contra o que.

O silêncio se instaurou. Jason sentia o olhar de Piper em si, mas somente respirou fundo. Ele queria que o amigo voltasse, mas na situação atual não aconteceria.

― Criamos uma família. ― Piper quebrou o silêncio: ― Não precisamos aguentar aqueles homens. Se eles não aprenderem a se comportar não os quero aqui. Não os quero perto de Nico. Um deles tentou matar ele, e isso é―

Ela parou respirando fundo.

― Vamos dar um jeito. Nossa ida até a Grécia vai dar tempo ao Nico para se cuidar do ferimento e voltar para a baia a tempo de aparecermos. ― disse Jason.

― Como sabe que ele vai conseguir achar alguém que o ajude? ― perguntou ela preocupada.

― Não sei. ― admitiu: ― Tenho esperança.

Piper aquiesceu. Os dois ficaram quietos depois disso, teriam muita coisa para refletir a noite.

Navegaram por cinco dias até chegarem em Pireu. Os portos estavam lotados de pessoas e navios visitando a cidade. Pararam em uma área de floresta densa perto e enviaram Travis e Connor pra investigar o local.

Descobriram que estava ocorrendo uma feira em Pireu de troca de mercadorias raras. Um leilão do mercado negro, por assim dizer. Ocorria por baixo dos panos da cidade onde os nobres mais ricos e gananciosos reuniam-se para trocas de mercadorias espalhafatosamente caras e contrabandeadas.

Travis e Connor conseguiram convites para o Leilão, mas Jason não teve interesse nisso. Não é como se fosse conseguir fazer algo de útil em um local bem protegido como esse. Ao contrário, o ideal seria fazer uma pequena pilhagem na morada dos tais homens.

O ponto de encontro com seu informante seria dali sete horas. Até lá Jason tentava controlar os ânimos todas as vezes que pensava em como Nico deveria estar em Ravenna. Cinco dias é o tempo em que o amigo havia sido deixado para trás.

Queria acreditar com todo seu coração que ele estava bem, que ele havia achado alguém que pudesse cuidar de seu ferimento. Nico era bom de lábia, com certeza alguém iria ajuda-lo. O problema era voltar pra Ravenna.

A Itália era um obstáculo para os Piratas desde o começo. Claro, Siracusa era mais uma terra de ninguém do que uma cidade italiana, mas ainda sim navegar pelos mares europeus era pedir para ser caçado.

Nico tinha estudado sobre rotas de fuga e as planejado com Malcom durante a viagem contornando a África. O ciclone complicou eles em um nível alarmante.

A questão nem é se ele conseguiu alguém pra ajuda-lo, Jason não tinha duvidas que sim, a questão maior era o ferimento do Nico. Quiron, em uma das consultas antes da briga entre ele e Nico, havia diagnosticado ele com algum problema que o impedia de ter uma boa cicatrização.

Sempre que tinha um ferimento mais grave levava o dobro, as vezes o triplo do tempo normal para curar. Jason não tinha ideia se a pessoa que cuidaria dele conseguiria compreender isso logo, pois sabia que Nico não abriria o bico pra dizer sobre isso.

Orgulhoso? Está mais para teimoso e cabeça dura.

Respirou fundo sentado na cadeira na mesa de jantar de Nico. Segurava em mãos um pequeno relógio de ouro que Nico recebeu de sua irmã em uma das trocas de cartas feitas por Frank.

Marcava o horário na Holanda ao invés de ajustar com o deles ― o que seria impossível, levando em conta que estão sempre em movimento ―, assim ele sempre sabia ou deduzia o que Hazel poderia estar fazendo naquele exato momento.

O aliviava do peso de tê-la deixado pela pirataria. Jason sabia que ele sentia remorso sobre isso, e que se pudesse abandonaria essa vida por ela, mas era impossível. Não tinha como ele se virar honestamente. Não no ponto em que se encontrava.

Hazel dizia entender, mas havia pedido um tempo antes e uma das cartas para ele passar uma temporada com ela. Ele pode ver a tristeza no olhar de Nico ao ter de responder a irmã negando seu pedido.

Nico ficou deprimido por um tempo antes de recompor-se e voltar a ser o Capitão de sempre. Por causa disso Jason fez questão de arrumar alguma desculpa para ir à Europa só pra Nico poder parar para ver Hazel. Ficou cerca de três dias, mas só esse tempo foi o suficiente para deixar o Capitão radiante.

Infelizmente essas visitas foram ficando cada vez mais raras até o ponto de que ele não a via à quase um ano. E agora? Provavelmente não a veria por mais meio ano ou mais. Isso lhe apertou o coração.

Não conseguia imaginar resgatando Nico antes de partirem pra Tortuga. Era impossível entrar na Itália novamente.

O pessimismo estava ganhando mais uma vez.

― Jason? ― chamou Piper parando ao seu lado. Ele a encarou: ― Travis e Connor voltaram.

― Voltaram? Mas eles até já reportaram sobre o leilão. ― comentou Jason curioso. A moça concordou.

― Sim, mas Leo pediu para que eles investigassem sobre o suposto informante. Acho que descobriram algo. ― concluiu a moça.

O Primeiro Imediato ficou tenso. Levantou-se e saiu da Cabine de Nico. Viu Travis e Connor discutindo algo com Leo com feições nada satisfeitas.

― O que houve? ― perguntou Jason aproximando-se deles. Leo o encarou com cara de poucos amigos.

― Nosso informante joga dos dois lados. ― respondeu o latino rapidamente acentuando seu sotaque: ― Aliás o ideal seria irmos embora daqui o mais rápido antes que a marinha encoste por aqui.

― Ok, expliquem isso melhor. ― pediu Jason cruzando os braços.

― Eu e Connor fomos até o ponto de encontro pra ver como estava por lá como Leo pediu, mas nosso informante conversava com um homem da marinha. ― começou Travis a explicar.

― Ouvimos a conversa e eles falavam do pagamento pela captura do Caronte. ― complementou Connor ao lado.

Jason aquiesceu apertando os lábios nervoso.

― Vamos sair daqui. Parar em Psittalia. ― ordenou Jason: ― A pilhagem será feita amanhã à noite. A ilha é próxima do porto, mas também é distante o bastante para ficarmos longe da vista da Marinha.

Virou-se para Malcom que estava debruçado sobre a amurada ouvindo-os:

― Nos leva até lá?

O homem aquiesceu voltando ao timão.

― Jason, vamos conversar. ― chamou Sherman em voz alta aproximando-se do loiro. Ele somente encarou o homem aquiescendo.

Foram até a Polpa onde somente Malcom se encontrava manobrando o navio.

― Eu estou ficando louco com esses homens. ― bradou ele irritado: ― Se eles falarem mais uma vez sobre o Nico eu juro Jason que vai haver morte aqui.

― O que eles estão falando? ― perguntou Jason sério. Sherman cruzou os braços:

― O que acha? Eles não são muito fãs dele, e tenho certeza que um desses filhos da puta que atirou no Capitão. ― acusou: ― Precisamos fazer algo sobre isso Jason. Se precisar me livro deles rapidinho.

Jason negou:

― Agora não. ― disse em tom baixo, mas grave: ― Estamos com marinha por perto, melhor evitar qualquer bagunça ou troca de tiros.

― Ninguém os quer aqui Jason. ― insistiu Sherman: ― Se fosse o contrário e você ficasse pra trás Nico mataria eles impiedosamente.

Jason mordeu os lábios. Ele estava certo, mas ainda sim não era dessa forma que Jason trabalhava.

― É uma ordem Sherman. Vamos deixar eles como se não suspeitássemos. ― bradou Jason em tom moderado, mas duro. Sherman rosnou: ― Depois que nos resolvermos aqui e voltarmos pra Ravenna nos resolvemos com eles no caminho.

Sherman resmungou: ― Você quem sabe.

Deu as costas ao Primeiro Imediato descendo a passos pesados para o Convés.

― Não se deixe intimidar por eles Jason. ― avisou Malcom virando-se à ele: ― Quando o Capitão está fora você quem assume.

― Já fiz isso antes Malcom, sei como comandar um navio e uma tripulação que é leal à outra pessoa, não a mim. ― disse Jason parando ao lado do amigo.

― Todos estão se deixando levar pelas emoções. Muitos aqui eram muito próximos ao Capitão. ― esclareceu Malcom.

― Não fale dele no passado. ― pediu Jason: ― Eles ainda são próximos do Nico.

― Não foi minha intenção. ― defendeu-se com um sorriso debochado nos lábios: ― É o ditado “vaso ruim não quebra”. Ele vai ficar bem.

Jason soltou uma risada fraca:

― Sim, vai. ―admitiu: ― Só queria ter essa certeza por todos os seis meses que vamos ficar fora.

― Como? ― Malcom exclamou voltando toda sua atenção ao Primeiro Imediato.

― Nós dois sabemos que não vamos conseguir entrar na Itália de novo. ― disse Jason próximo dele em baixo tom: ― Você e o Nico gastaram dias criando as rotas na costa africana pra justamente fugir da marinha europeia.

― Teria dado certo, o inverno é a época com menos navios no mediterrâneo. ― balbuciou Malcom: ― A costa africana era o melhor caminho pra evitar a Itália. Mas ainda assim acha impossível entrar?

― Depois de termos dado um show lá? ― Jason soltou uma risada debochada: ― Vão ficar em guarda por pelo menos um mês.

Malcom aquiesceu movendo o timão pra esquerda. A conversa morreu nisso e Jason desceu para sua própria cabine conferindo antes se a de Nico estava totalmente trancada. Não gostaria de roubos ao Capitão ausente.

Deitou-se na sua cama e esperou o tempo passar, e talvez por algum milagre seu amigo chegar até eles.

A pilhagem foi boa. Conseguiram peças raras e caras dos nobres do leilão. Travis, Connor e Leo roubaram uma estatueta de ouro puro no formato de um animal que Jason não soube identificar.

Tinha várias pedras decorando-o, desde rubis a obsidianas. Uma peça cara no mercado, e um roubo no mercado negro. Com certeza ela tinha alguma parte adulterada que a fizesse ser ilegal em leilões normais.

Depois da pilhagem seguiram novamente para Ravenna, desta vez usando a rota traçada por Nico. Foram mais cinco dias de viagem com tempo nublado e meio chuvoso. Jason irritou-se com o clima desfavorável.

Faltando somente algumas horas pra chegarem, Jason desceu para a área de carga atrás de um pouco de água forte para ele e Piper. A moça suplicava por algo forte além do Rum.

― Eles estão suspeitando de nós.

Jason parou o que fazia. Olhou em volta vendo ali perto os homens novos no navio conversando entre si. Pareciam esgueirar-se pelo andar encarando os lados freneticamente. De onde estava não tinha como ser visto.

― Claro que estão. Você fica falando merda pro Sherman! ― bradou outro deles: ― Como se tivéssemos atirado de propósito no Capitão. Atiramos na pólvora. Ele estar lá ainda foi uma fatalidade.

― Vai falar isso pra eles. ― disse outro: ― É como comprar briga, nem parecem piratas. Isso parece mais uma família unida em um passeio de final de tarde. Ridículo.

― Jason está controlando bem a situação, por que ir atrás de alguém que já deve estar morto a essa altura? ― num suspiro pesado continuou: ― E se nos livrássemos dele também?

Jason ficou tenso.

― Jason? Acho mais difícil. Ele não é inconsequente igual o outro. ― admitiu.

― Mas não é um Capitão de verdade. Não inspira medo, só paz, amor e arco-íris. ― zombou tirando risada dos outros homens.

Jason trincou os dentes irritado. Então foi tudo proposital? O tiro de canhão com Nico dentro não foi um acidente.

Malditos!

― Vamos subir antes que vejam que saímos.

Assim os três sobem segurando cordas que pegaram das caixas, provavelmente um pedido de Malcom. Saiu de seu esconderijo e dirigiu-se até o Convés e dentro das cabines dos tripulantes.

Sherman e Liam estavam conversando sobre algo que Jason não teve tempo de perguntar.

― Estava certo sobre eles. ― disse o loiro. Sherman sentou-se ereto: ― Se livre deles.

O sorriso macabro no rosto do homem fez Liam recuar. A cicatriz em seu rosto repuxou-se enquanto uma risada maligna saia de seus lábios.

― Da forma que eu quiser?

― Use a imaginação.

― Feito.

Durante o caminho para Ravenna Sherman abordou os homens para uma pequena aposta de cartas com Travis e Connor. Devido a desvantagem os homens recusaram, mas com Jason apertando resolveram pelo menos observar a partida.

O jogo era simples: aquele que perdesse a partida tirava uma peça de roupa. Se uma das pessoas tiver o coringa recebe um prêmio especial. Leo e Piper gargalhavam toda vez que Sherman perdia e tinha de tirar a roupa.

Travis e Connor? Desde quando eles perdem?

Os homens acharam engraçado e um deles resolveu participar. Ainda sim Sherman continuou a perder e praguejar mil e uma maldições.

― Malditos miseráveis. ― grunhiu ele aos Stoll: ― Vocês me enganaram!

― Não, você que é ruim de carta. ― admitiu Travis: ― O novato aqui ainda não tirou nenhuma roupa.

― Joshua, e é verdade. ― corrigiu o homem pegando as cartas para a próxima rodada.

― Muito bem rapazes, ultima rodada. ― disse Connor: ― Se perder Sherman vai ter de ficar no Convés como veio ao mundo.

A tripulação toda soltou risos debochados. Sherman trovejou irritado.

― Preparados? Virem as cartas e vamos ao jogo! ―anunciou Connor.

Jason estava sentado perto dos Stoll tentando imaginar como aquilo poderia ser um castigo para Joshua se ele estava ganhando?

― Oh! Consegui o coringa. ― exclamou o homem: ― Significa que eu ganhei?

Travis e Connor bateram palmas e Sherman jogou as cartas na mesa em resmungos. Joshua riu maldosamente:

― Parece que não foi dessa vez, gorila. ― zombou ele com caras e bocas pro Sherman.

A tripulação gargalhava em deleite. Jason só estava esperando. O riso maldoso no rosto de Travis e Connor lhe deu a entender que tinha mais coisa por detrás daquele jogo. Connor levantou-se com um lenço cobrindo a mão direita.

― Você recebe um prêmio. ― admitiu o amigo: ― Um prêmio que demos à alguém três meses atrás e ele gostou bastante. Lembram rapazes?

Todos concordaram, mas o riso maldoso não deixava o rosto dos irmãos. Jason reparou em Joshua que parecia alheio a isso.

― Esse é o prêmio por você ter feito algo incrível e igual ele fez. ― ele parou encarando o rapaz sombriamente: ― Quebrou uma regra do navio que nunca é dita pra testar a lealdade da tripulação. ― Joshua ficou tenso ameaçando levantar-se: ― Tentou assassinar o capitão.

Connor tirou o lenço onde havia uma pistola. Ele puxou o gatilho atingindo a cabeça de Joshua. Seus amigos soltaram gritos abafados de terror enquanto Travis, Leo e Sherman apontavam armas para os respectivos culpados que sobraram.

Jason tomou a dianteira:

― Eu os ouvi conversando no andar de carga. ― admitiu ele com o olhar baixo, mas amedrontador: ― Minha palavra tem muita força aqui, mesmo eu não sendo o Capitão. ― parou ao lado do corpo de Joshua: ― Existem poucas regras no navio, e vocês conseguiram quebrar a única que nosso Capitão não resolve por ele mesmo.

― MORTE AOS TRAIDORES! ― gritaram todos à flor da pele.

― Rapazes, atirem!

E assim outro banho de sangue se seguiu.

Sherman dormiu feliz aquela noite.

Chegaram a Ravenna após onze dias de navegação pelos mares mediterrâneos. Desta vez ficaram ao longe escondidos em um recuo de terra próximo a Ravenna.

Jason enviou Atallah com Rudy e outros dois homens para protegê-lo enquanto monitoravam a entrada do canal. Ficaram durante um dia inteiro e uma noite anotando a rotina da marinha nos portos.

Atallah mandou Rudy fazer dois relatórios, e em um deles dizendo simplesmente "impenetrável".

Jason trincou os dentes nervosamente ao ler o papel. Rudy estava no ombro de Leo sendo acariciado com os dedos calejados do Bossum.

― O que vamos fazer Jason? ― O latino perguntou preocupado.

O Primeiro Imediato respirou fundo. Enrolou o papel em sua mão virando-se ao amigo.

― Quero que vá com a Piper ao Porto e veja se Nico esta por lá. Conhece os pontos principais onde ele se esconderia. ― garantiu Jason: ― Vá amanhã cedo, mas voltem ao anoitecer.

― E se não acharmos ele? ― a voz de Leo era temerosa e fraca.

― Então teremos de deixa-lo pra trás.

Leo e Piper saíram cedo no dia seguinte.

Jason passou a tarde toda com Malcom vendo sobre a melhor rota para Tortuga. Com sorte Nico estaria esperando por eles no Porto e iriam para o Caribe sem problemas.

Leo e Piper voltarem no final da tarde sozinhos criou um aperto no coração de Jason.

― Jas... ― Piper falou em um sussurro dolorido. Ela não queria deixá-lo pra trás, mas não tinham escolha.

Nenhuma.

― Malcom, vamos embora. ― Jason deu a ordem e abandonaram a Itália e seu Capitão para trás.

Leo sentou-se ao lado de Jason na amurada vendo à distância as luzes do Porto de Ravenna sumirem no horizonte. Ele nada disse, mas Jason sabia.

― Vamos voltar. ― assegurou: ― Mas não podemos estagnar aqui. Nico teria um ataque.

Leo aquiesceu, mas continuou calado.

O clima no Navio era tenso. Travis e Connor voltaram pra cabine coletiva; Sherman permaneceu na Proa com seus machados a postos; Piper subiu para a cesta monitorando o entorno; Liam ajeitava as amarras das cordas; dois homens limpavam o convés e Atallah conversava com Rudy sentado na amurada. Os outros estavam no compartimento de carga ou aposentos.

Jason respirou fundo levantando-se. Se deixasse como estava iriam ser pegos, e perderiam tudo que conquistaram ― sem falar de Nico que os faria comer lavagem por uma semana.

Foi ate Malcom assumindo o timão. Era o Segundo Capitão e faria jus à confiança de Nico, mas por hora tinha um lugar para passar antes de ir à Tortuga.

Bateu duas vezes na porta da casa com força moderada. Era ima casa meiga e simples cheia de flores coloridas decorando as janelas e a entrada.

Entre a porta da frente e o portão havia um jardim muito bem cuidado com enfeites de madeira entre as flores.

A casa era pequena, tinha no máximo dois quartos além de cozinha, sala e área privativa. Jason sabia que havia um jardim no fundo com uma figueira e um balanço singelo.

A porta se abriu e lindos olhos caramelos o encararam com curiosidade. Os cabelos cacheados e volumosos estavam presos de lado na ponta com uma fita azul amarrada em laço.

Seu vestido era bonito em tons de branco e azul claro fazendo contraste com sua pele morena.

― Jason?

Ele soltou um sorriso triste, mas aquiesceu. A menina começou a olhar esperançosa por detrás dele procurando por Nico.

― Precisamos conversar Hazel.

Notas finais
HAZEL APARECEU! NO FINAL MAS APARECEU! Quem queria saber mais sobre ela... bem.... desculpe mas fica pra uma próxima reuhruhreu To imaginando algumas pessoas me xingando por não ser cap entre Nico e Will, mas quem não ama o Jason? ME DIZ!! urheurehrerheuhu JASON É MAIS JUSTO, MAS NÃO MEXE COM O NEEKS! Pode até acharem um pouco forçado a questão deles serem como uma grande família feliz, mas lembrando que isso é só entre alguns deles, não toda a tripulação que vive sendo reciclada constantemente (fuzilamentos são frequentes) O que o Jason foi falar pra Hazel? Hm? reuhreuhuhruehrue obrigada por lerem até aqui ♥ até Domingo com mais um cap! beijinhos~