Pit-a-Pat

24 Capítulo XXIV


Notas iniciais
VOLTEI! Aqui estou eu no ultimo dia do ano para terminar 2017 bem. Todos tiveram um bom natal? Se divertiram? Espero que sim ♥ Ah, quero agradecer à Smoothie pela recomendação muito fofa que deixou! Sério me pegou de surpresa e amei ler cada linha! Obrigada pelo carinho com PaP ♥ Aproveitar e fazer um agradecimento geral pelo ano inteiro que se passou e vocês acompanhando cada passo dessa fic. Obrigada pelo carinho e a paciência de vocês, significa muito pra mim. Sem segurar vocês mais que o necessário, aproveitem a leitura!

Will

~Capítulo XXIV~

:: 47º dia na Itália — Semana 6 ::

[...]

Will estava arrumando sua bolsa para as consultas. O tempo estava instável nos últimos dias deixando muitas pessoas doentes pelo caminho. Ele teria de atender três crianças pequenas entre sete e treze anos com febre e tosse. Um dia comum, uma doença comum, nada pra se preocupar.

Contudo Will estava ligeiramente apavorado. Não exercia seu papel de médico direito desde a morte do Harley. A última vez que atendeu alguém de verdade foi o caso da moça grávida há pelo menos uma semana, quase duas. Respirou fundo fechando a bolsa.

Deu a volta nos montinhos de livros ainda espalhados no escritório da arrumação do dia anterior que ele se esqueceu de terminar. Resmungou internamente decidido a arrumar aquela bagunça quando voltasse.

Saiu de vez do escritório passando pelo Nico no Hall. O rapaz estava sentando com o olhar perdido debruçado sobre o encosto do sofá. Nico subiu o olhar para ele sorrindo fraco e se levantou.

― Já está saindo? ― perguntou curioso. Will concordou:

― Tenho três crianças para examinar hoje. ― respondeu olhando-o um pouco mais serio: ― vou voltar tarde, depois do almoço. Não pule ele e nem pense em passar o dia no bar. ― Indicou o doutor recebendo um rolar de olhos do pirata.

― Não se preocupe. Vou ficar bem aqui, lendo livros e entediado. ― zombou levantando a mão para dar um tapa no ombro do doutor, mas ele estacou recuando a mão desconfortável.

Nico abaixou o olhar calado. Will sentiu um embrulho no estômago com a reação de Nico. As coisas que ele falou voltando a sua mente de novo e de novo. Por que ele disse tanta mentira? Pigarreou de leve:

― Na verdade eu adoraria uma ajuda. ― falou ele um pouco tímido: ― Quer vir comigo?

O rapaz o encarou arqueando a sobrancelha: ― Quer que eu vá?

― Sim. Como ajudante. ― falou ele mudando o peso de uma perna para outra: ― Não vou te pagar, moramos no mesmo teto, mas pelo menos não fica entediado por aqui.

O pirata estreitou os olhos desviando na sequência:

― Pensei que fosse querer distância, Solace. ― comentou ele suspirando depois: ― Você é estranho.

Will balançou a cabeça em negação: ― Não quero distância de você. Muita das coisas que eu disse não eram verdades. Eu estava nervoso, confuso. Eu não sei que tipo de reação ter depois de tudo. ― admitiu olhando Nico nos olhos: ― Eu gostaria da sua companhia. Quer vir?

Nico sorriu cansado para ele concordando:

― Eu vou sim. ― falou fechando a frente do paletó. Sem levantar os olhos ele continuou: ― Eu não espero nenhuma reação sua Solace. Aja como sempre, é o bastante pra mim.

Terminou de se ajeitar passando pelo doutor com o rosto levemente avermelhado. Will crispou os lábios absorvendo a informação. Se ele não esperava nenhuma reação então por que o beijou?

Isso era só mais uma mentira.

Respirou fundo e o seguiu para a rua. Trancou a porta e andaram em silêncio lado a lado algumas ruas abaixo. Cumprimentavam as pessoas no caminho, mas a brisa gelada os impedia de parar para conversar por muito tempo.

Nico permaneceu de braços cruzados durante todo o caminho trocando no máximo alguns sorrisos fracos com Will. O doutor não gostava nem um pouco de como as coisas estavam. Em parte ele sabia que era sua culpa. Teria evitado corações partidos se tivesse colocado um basta o quanto antes naquilo tudo.

Suspirou olhando para o céu nublado vendo as gaivotas voando e grasnando incessantemente. Passou a mão pelos cabelos antes de voltar a encarar a rua. A primeira casa que visitariam seria de uma menina. A mãe havia aparecido em sua porta mais cedo falando sobre a noite mal dormida com vômitos e febre.

O tempo realmente estava mudando de forma drástica de um dia para o outro, era normal esse aumento de crianças doentes, mas Will odiava atender crianças. Era uma responsabilidade enorme cuidar delas sabendo que tinham ainda tanto pela frente. Normalmente crianças são muito mais fortes que adultos e idosos para doenças, mas o sentimento de fracasso com elas é mais forte e impactante.

Pararam em frente à casa da moça. Will hesitou.

Respirou profundamente apertando a alça da bolsa com força. Repetia em sua mente “Não vai ser igual ao Harley” igual um mantra tentando acalmar um pouco seu pânico. Sentiu Nico tocando sua mão livre acariciando-a com os dedos. Olhou para ele de soslaio que somente sorria reconfortante.

― Vai dar tudo certo. ― garantiu ele recuando a mão: ― Harley foi uma fatalidade. Essa vai ficar bem, e a outra e a outra. Não deixe um evento isolado estragar o seu desejo por cuidar das pessoas. Você ainda tem muito o que mostrar.

Will abriu um sorriso para Nico respirando fundo. Bateu na porta de moça que não demorou nada a abrir. O olhar aflito estampado em suas feições cansadas.

― Obrigada por vir doutor! ― agradeceu ela dando passagem para que ambos passassem: ― Ela tem estado assim desde ontem à tarde. Não come nada sem que coloque tudo para fora.

Will confirmou com a cabeça seguindo a moça até o quarto da pequena.

― Viu algo de estranho quando ela vomitou? Sangue? Secreção? ― perguntou ele deixando sua mala na mesa do quarto. A mãe negou:

― Não doutor. A única coisa mesmo é a febre. ― respondeu ela de braços cruzados. Will concordou sentando-se ao lado da mocinha na cama.

― Oi pequena. ― cumprimentou ele. A garota abriu os olhos encarando o doutor. Respondeu um “oi” fraco: ― Qual seu nome?

― Chloe. ― respondeu ela se ajeitando na coberta. Subitamente seu rosto mudou virando no balde ao lado da cama e forçando para vomitar.

Como não tinha nada no estômago somente fez esforço e caretas de dor. Will afagou suas costas:

― Não tem nada pra você colocar pra fora, vem, deita de novo. ― pediu ele a ajeitando de lado: ― Essa posição é a melhor. ― avisou ele afastando os cabelos do rosto suado da menina: ― Pode me dizer o que esta sentindo?

― Barriga dói. ― disse ela: ― E estou com frio.

Will sorriu concordando: ― Ok, posso olhar sua garganta? ― com um aceno a menina abriu a boca e Will a examinou um pouco.

Tateou a barriga, fez um check-up completo antes de cobrir a garota de novo e voltar para a mãe que conversava com Nico em baixo tom do outro lado do quarto.

― Ela só tem uma virose simples. Precisa tomar bastante liquido, vou passar alguns chás que podem ajudar no mal estar para que possa voltar a comer. Não é bom que fique tanto tempo assim sem ingerir nada. ― ele disse sério abrindo a bolsa tirando um saquinho com ervas e raízes: ― Vou fazer um pouco de Gengibre. Ajuda no enjoo e ela vai poder almoçar mais tarde.

― E quanto à febre doutor? ― perguntou a mãe preocupada.

― Molhe alguns panos em água fria para conter a febre, mas ela vai passar logo. As ervas que vou te passar vão ajudar a abaixar a temperatura. ― confirmou ele: ― Vamos na cozinha por enquanto. Nico?

― Eu?

― Pode ficar de olho na Chloe pra mim? Caso ela vomite novamente ou reclame de outra coisa. ― pediu cortês. Nico sorriu confirmando:

― O senhor quem manda.

Will rolou os olhos e saiu com a mãe em direção à cozinha. Colocou a bolsa na mesa e pediu para que a mãe esquentasse um pouco de água para o chá de Gengibre. Ficaram em silêncio por alguns momentos ouvindo o borbulhar da água no fogo.

― Então ― ela começou chamando a atenção de Will: ― Ajudante novo?

― Oh! ― exclamou pego de surpresa. Sorriu concordando: ― Sim. Provavelmente vai ver ele com mais frequência.

A moça sorriu: ― Parece um ótimo rapaz. É o mesmo que está ficando na sua casa?

Will conteve a vontade de rolar os olhos. Impossível que as pessoas não falassem disso quando tinham oportunidade. Muitas delas estavam morrendo de curiosidade para saber sobre Nico e o que ele fazia ali.

― Sim. Estou tratando de um ferimento dele. Como o peguei desprevenido ele está me pagando com trabalho. ― respondeu Will pensando em uma desculpa qualquer.

De certa forma não é mentira. Nico não estava procurando tratamento à sua doença ou ferida quando apareceu em sua cozinha naquela noite. Ele estava se escondendo e provavelmente esperando a morte com mais convicção que qualquer um.

Contudo Will fez questão de cuidar dele. Mesmo sem ele pedir, mesmo sabendo que nunca o pagaria ― e àquela altura nem queria que o fizesse ― e que provavelmente não seria grato a ele.

Claro que estava errado quanto ao último fato.

― Parece um rapaz bom. ― completou a moça retirando a caneca do fogo e colocando na mesa.

Will meneou preparando o chá.

― Ele é. ― respondeu sorrindo orgulhosamente. A mãe se virou para pegar algo: ― Melhor que ele mesmo pensa ser. ― murmurou a ultima parte para si mesmo amassando as raízes e as misturando à água.

Depois de um tempo marinando coou o chá e voltou para o quarto. Parou na porta. Chloe ria abertamente com Nico sentado na cama contando alguma história. Gesticulava com as mãos livremente tirando risinhos gostosos da pequena.

Will não pode conter o sorriso que irradiou por seu rosto. O efeito foi idêntico na mãe:

― Ele parece ter muito jeito com crianças. ― comentou mais tranquila.

― Sim. As crianças do Charles adoram ele. ― admitiu observando o pirata mais detalhadamente.

O sorriso com covinhas que ele aprendeu a adorar e que contagiava tudo e a todos estava estampado em sua face, sem falsidade ou irritação escondida; o rosto um tanto avermelhado, mas Will considerou ser pela conversa animada; as pernas mexendo um pouco ansiosas na cama, mas o olhar atento não passou desapercebido. Estava observando, como se esperasse alguma coisa acontecer.

Will subitamente lembrou-se da irmã caçula de Nico a qual ele praticamente criou. Não se lembrava de seu nome. Fez uma anotação mental para perguntar a ele depois.

Andou até eles:

― Aqui o chá. ― falou entregando a xícara para Nico que passou à Chloe. A mesma pegou cheirando o liquido verde e torcendo o nariz.

― Tem um cheiro ruim.

Nico riu: ― Não é muito bom, mas vai te ajudar a comer mais tarde.

― Não quero! ― rebateu ela emburrando.

― Chloe! ― repreendeu a mãe: ― Tem que tomar.

― Não quero! Não!

Nico rolou os olhos: ― Qual sua comida favorita?

A garota o encarou desconfiada: ― Torta de maçã.

Ele meneou a cabeça olhando para a mãe por breves momentos. Will pareceu ver um tipo de conversa mental entre eles já que a moça concordou com a cabeça antes de Nico voltar a falar:

― Vamos fazer o seguinte, se você tomar o chá de gengibre todo sua mãe vai fazer torta de maçã como prêmio. O que acha?

Chloe pareceu ponderar. Will mordeu o lábio reprimindo uma risada. A garota concordou abruptamente tomando um gole do chá. Claro que o gole seguinte foi mais difícil e cheio de caretas e reclamações, mas depois de alguns minutos de insistência ela tomou tudo.

Nico bateu palmas: ― Viu, sabia que conseguiria!

Chloe sorriu escondendo o rosto entre as mãos pequenas.

― Ela vai ficar bem. ― Will reafirmou: ― Se o chá ficar bem no estomago dela faça ela comer algo, mesmo que seja uma torta. Não dê mais gengibre a ela, não é um chá que se deva tomar com frequência quando criança.

― Os outros chás quais são? ― perguntou a mãe bem mais tranquila do que quando eles chegaram.

Will explicou para ela o que a menina teria de tomar e as recomendações gerais até que ela melhorasse. Depois disso se despediram das duas e foram até a próxima casa.

― Foi uma boa ideia a da torta. ― comentou Will orgulhoso. Nico deu de ombros:

― Hazel dava trabalho quando ficava doente. Chantagem era a única forma de fazer ela concordar em tomar os remédios. ― explicou Nico desinteressado.

― Ah, Hazel. Estava tentando lembrar o nome dela há alguns minutos. ― Disse Will tentando memorizar o nome desta vez, mas algo lhe dizia que não teria tanto sucesso assim.

― E por que queria lembrar o nome dela? ― indagou Nico curioso.

― Pela forma que você estava tratando da Chloe. Me fez lembrar que você tinha uma irmã caçula. ― explicou-se brevemente virando o rosto para o lado pelo vento. Estava bem forte aquela manhã: ― Até a forma como se comunicou com aquela mãe por olhares. Se eu tinha duvida antes de você ter criado Hazel não tenho mais.

― Oh! ― Nico exclamou sorrindo na sequência de forma tímida: ― Eu acabo agindo no automático. Não criei ela exatamente. Temos uma diferença de oito anos, então eu era uma criança quando ela também era.

― Mas cuidou dela de toda forma. ― protestou Will. Nico rolou os olhos, mas não tirou o sorriso dos lábios durante o resto da caminhada.

Chegaram à casa seguinte. A mãe os recebeu mais calma que a outra. O rapaz da vez, Thomas, teve um pouco de febre à noite, mas já estava bem melhor e até comendo. Então foi mais um check-up para ter certeza de que estava bem mesmo.

A ultima consulta foi na casa do pequeno Jay. Sua mãe estava grávida novamente e não conseguia cuidar muito bem do garoto de cama, e sendo assim mais duas mulheres estavam na casa. Uma delas tia do rapaz e a outra somente amiga delas.

Will fez as perguntas de sempre e um rápido check-up no Jay. Ele estava febril, mas não tinha vomitado nada até o momento. O apetite havia diminuído drasticamente e todo o animo se desvaído.

A mãe estranhando isso foi pedir ao Will auxílio.

― Ele tem poucos sintomas, difícil diagnosticar. No momento só tem febre. Pode ser só a mudança no clima. ― disse olhando o rapaz que conversava com Nico sobre algo: ― Se ele não melhorar em dois dias me contate. Não pode deixar de observar.

― Tudo bem, obrigada doutor. ― respondeu a mãe ainda preocupada: ― Vou dar uma olhada nele, com licença.

Ela se levantou com um pouco de dificuldades e caminhou até Jay e Nico conversando entre eles.

― O rapaz novo é bem charmoso. ― disse uma das mulheres. O tom sugestivo bem nítido. Will a encarou de soslaio.

― Concordo. Ele tem uma aura chamativa. ― falou a outra rindo na sequência: ― Se não fosse casada adoraria ser cortejada por um homem desses.

Ambas riram.

Will apertou o maxilar incomodado voltando a encarar o rapaz. Ele sorria para a mãe gesticulando algo despreocupadamente. O cabelo dele estava soltando do rabo de cavalo o forçando a passar a mão pelos fios com frequência.

Sentiu seu rosto esquentar. Nico era muito belo, isso ele tinha de concordar. Era impossível não reparar nele passando na rua quando estava todo alegre e bem arrumado. Os cabelos negros faziam um contraste imenso em seu rosto branco te instigando a encarar. A observar.

A se apaixonar.

Will crispou os lábios fechando os olhos momentaneamente. Seu coração estava voltando a perder o ritmo novamente. Reabriu os olhos percebendo Nico o encarando de cenho franzido. Parecia fazer menção de chama-lo, mas a mãe colocou a mão em seu antebraço chamando a atenção dele.

Nico a encarou com um sorriso meigo, mas vez ou outra seus olhos voltavam para Will. O doutor respirou fundo e andou até os dois pegando o final da conversa:

― Ainda não pensamos nos nomes direito se fosse menino. ― continuou a mãe passando a mão na barriga enorme: ― Na verdade eu gostaria que fosse uma garotinha desta vez.

Jay resmungou algo na cama e virou para o lado da parede. A mãe riu:

― Ele quer um irmãozinho para brincar, entretanto. ― comentou ela encarando o pirata: ― Então, tem sugestão de nomes?

Nico pareceu pensar por um tempo. Will arqueou a sobrancelha para ele quando o mesmo lhe lançou um olhar inquisidor:

― Phillip. ― respondeu voltando a encarar a moça: ― Acho esse nome amável.

Ela sorriu cheia de dentes: ― Realmente, um belo nome. Sabe o que significa?

― Não, mas tem esse nome na minha família. ― respondeu somente: ― É de origem grega, então é um pouco difícil saber exatamente.

― Compreendo. ― a mãe passou a mão afetuosamente em sua barriga: ― Phillip. Gostei desse nome.

Will sorriu:

― Bom, precisamos ir senhora. ― avisou ele: ― Nico ainda é um paciente meu, e quanto menos tempo na rua ele ficar melhor.

Nico franziu o cenho receoso, mas Will somente continuou:

― Observe ele, veja se a febre abaixa. Se não mudar nada me chame novamente. ― pediu ele beijando a mão da mãe delicadamente.

― Obrigada por sua visita doutor. ― agradeceu a moça: ― Obrigada também Nico. Espero te ver de volta quando a criança nascer.

Ele concordou repetindo o gesto de Will: ― Com certeza.

― Eu os acompanho até a saída.

Depois disto eles foram embora. Já tinha passado do horário do almoço e Will queria fazer Nico comer algo antes que caísse pelos cantos por falta de açúcar no sangue. Passaram pela padaria perto da ferraria do Charles e voltaram para casa em silêncio.

Entraram na casa e foram direto para a cozinha preparar um lanche rápido para comerem. Não tinham mais nada para fazer no dia e Will aproveitaria essa pequena folga para terminar de arrumar o escritório.

― O que acha de fazer isso sempre? ― sugeriu Will enquanto terminava de fazer os lanches.

Nico se virou para ele arqueando a sobrancelha, mas lhe deu um sorriso sapeca:

― Com certeza.

Bateram na porta algumas vezes com força fazendo Will pular no lugar. As feições de Nico mudaram ficando bem mais alerta e atento. O doutor foi até a porta com o pirata atrás de si.

Abriu a porta dando de cara com Giovanni Backstone o encarando raivosamente. Will engoliu em seco ouvindo Nico resmungar algo no fundo.

― Bom dia senhor Backstone. ― cumprimentou ele com um gesto da cabeça. O homem não fez o mesmo.

Atrás dele estava Lou Ellen e sua esposa que Will realmente não lembrava o nome, mas não era um bom momento para perguntar.

― Não vai nos convidar para entrar garoto? ― perguntou o homem frívolo. Will os convidou fechando a porta logo depois de entrarem: ― Você tem alguma noção da vergonha que fez nossa filha passar?

Will ficou tenso.

― Abandonar minha filha durante um encontro é vergonhoso. É como se jogasse na minha cara que minha filha não é boa o bastante para pessoas como você. ― vociferou o homem em tom moderado, mas forte o suficiente pra deixar Will cada vez mais desconfortável.

― Sinto muito senhor. ― desculpou-se ele olhando Nico de soslaio que assistia tudo com a pose rígida e braços cruzados. Seus olhos se cruzaram, mas Will não sustentou: ― Eu fiquei assustado com a ideia de casamento. Não é algo que estou preparado. Eu... Eu surtei. Peço desculpas por isso.

Will se curvou educadamente: ― Sinto muito, mas devo interromper qualquer tipo de envolvimento que poderia ter com sua filha. Não estou pronto para um passo tão grande como esse.

Giovanni o encarou possesso. Parecia prestes a explodir com William. Deu um passo em sua direção, mas Nico pigarreou alto se fazendo presente na sala. Giovanni virou o rosto para o pirata que o encarou ameaçadoramente. Como se o desafiasse a chegar perto do doutor, um desafio silencioso que terminaria em banho de sangue.

Giovanni estremeceu retornando para onde estava.

Will repetiu o pedido de desculpas, mas desta vez aproximando-se de Lou Ellen segurando sua mão delicadamente:

― A senhorita merece alguém melhor. Acredite em mim. ― disse lhe beijando a mão: ― Espero que não se ofenda com minha recusa.

A moça abaixou o olhar decepcionada, mas aceitou o pedido de desculpas de Will. O doutor se afastou sentindo Nico aproximar-se à sua esquerda. Giovanni respirou fundo:

― Então é aqui que cortamos qualquer tipo de contato, Senhor Solace. ― disse ele sério: ― Até nunca doutor.

Os três se retiraram da casa. Lou Ellen lançou um ultimo olhar para Will que sorriu sem emoção. Ela desviou o olhar e saiu fechando a porta trás de si. O doutor soltou o ar que estava segurando sem nem saber.

Nico afagou se braço como que para reconforta-lo antes de se afastar, a feição nervosa:

― Por que não disse que foi culpa minha? ― falou ele chamando a atenção de Will: ― Dissesse que eu tive um ataque de pânico, não teria problema pra mim Solace.

― Porque isso era um problema que eu tinha de resolver. ― Respondeu severo: ― E eu nunca iria lhe jogar a culpa de algo que você sequer tem culpa! Ninguém controla ataques de pânico Nico.

O pirata suspirou: ― Você ficou como o vilão.

― Todos são vilões em alguma parte da história. Só tomar cuidado para não se tornar um habito. ― ele disse encarando Nico significativamente. O pirata desviou o olhar prontamente.

― Vamos terminar de comer? ― sugeriu Will voltando à cozinha. Nico o segue mantendo a mesma distancia de sempre.

Will crispa os lábios.

Odiava aquela distância.

Nico

O pirata se jogou na cama respirando profundamente. Passou a mão pelo rosto soltando um gemido dolorido.

A ferida estava doendo muito.

Rolou para o lado aterrando o rosto no travesseiro tentando tirar sua mente da dor em seu abdômen. Pulsava igual um relógio de bolso e não parecia querer dar nenhum tipo de pausa para ele. Mordeu o lábio com força repuxando a fronha em seus punhos fechados.

A ferida estava incômoda desde o dia do ataque de pânico quando teve aquela pequena corrida até a casa a qual ele sequer se lembra. Fez esforço demais e agora estava pagando por isso.

Precisava olhar, mas tinha medo de ver a temida infecção aflorando de sua ferida. Resmungou alguma palavras inteligíveis e se sentou com dificuldades. Levantou a camisa passando a mão pela faixa. Sentiu os dedos umedecerem pelo sangue. Mordeu o lábio com força fechando os olhos na sequência.

Levantou-se cambaleante sentindo sua vista ficando turva. A ideia de infecção piscando em vermelho em sua mente. Se arrastou até a porta segurando-se no batente dela.

― Will! ― chamou ele o mais alto que pode.

A visão escureceu e só sentiu seu corpo colidir com o chão antes de cair na inconsciência.

Will

Will estava arrumando um pouco daquela bagunça toda do escritório. Depois da visita dos Backstone não estava com o melhor dos ânimos. Sabia que tinha feito errado em deixar a Lou Ellen sozinha na feira, mas não se arrependia nem um pouco de ter ido atrás de Nico.

Teria se arrependido se soubesse que deixou seu amigo sozinho durante um ataque de pânico por uma mulher que ele não tinha nem um pouco de vontade de ter algum tipo de relacionamento. Portanto, quando o senhor Backstone bateu em sua porta, a única coisa que pode fazer foi pedir perdão.

Perdão por não querer casar com a moça.

― Will! ― Nico chamou ele no andar de cima. O doutor estremeceu ao ouvir o seu nome ser chamado, já que a única vez que ele o chamou assim estava tendo um ataque. Parou tudo o que estava fazendo se levantando e saindo do escritório.

― Sim? ― perguntou de volta passando de Hall, mas não ouviu resposta. Ficou tenso: ― Nico?

Subiu as escadas arregalando os olhos quando chegou na metade.

― Merda!

Correu até ele se agachando ao seu lado. Virou o rapaz para cima o segurando pelos ombros. Estava ofegante e com o rosto avermelhado. Will crispou os lábios sentando Nico no chão. Segurou seu braço o passando por seu pescoço. Pegou impulso nas pernas para levantar seu peso e o de Nico.

Arfou ao ficar de pé segurando o braço e a cintura do pirata totalmente desacordado. O arrastou até a cama o depositando delicadamente nos lençóis. Desabotoou sua camisa empalidecendo.

A ferida estava sangrando e inchada.

A infecção pulsando vermelha em sua pele.

Notas finais
VOCÊS TINHAM ESQUECIDO DO FERIMENTO DO NICO NÉ? RÁ! urheuhreurehure não podem esquecer disso meus amores, as coisas podem ficar tensas se esquecer de um ferimento grave. Antes de me matarem lembrem que amo vocês ♥ ruehruehrue O senhor Backstone não é doido de fazer algo, diferente do pai do Harley, então nao precisam se preocupar com mais alguém querendo matar o Will ueheuhrue vamos virar a página, sim? Foi somente um desentendimento, mas claro que se essa fosse a ultima aparição da Lou Ellen não teria graça, né? O Capítulo ficou um pouco mais curto que o resto, mas tudo que tinha de informação necessária foi escrito, então esta bom ruehurehure passando de 4k é lucro. Espero que tenham gostado do cap e desejo a todos um Ano Novo maravilhoso e que 2018 seja repleto de sucesso e felicidade na vida de vocês ♥ grandes beijos amores! Até o próximo!!