Piratas do Caribe E o coração de Nirina
7 Equívoco
Notas iniciais
O navio estava a estibordo mas era tarde demais. Moira fechou os olhos e se agarrou ao leme. Porém alguns segundos depois ouviu murmúrios como " Oque está acontecendo? " " Oque ouve aqui?". Confusa a jovem abriu os olhos e viu a tripulação atônita soltando suas armas e assustados com todos aqueles corpos pelo convés. Se virou rapidamente para entender o que realmente havia acontecido e se surpreendeu. Uma ponte formada por água do mar mantinha o Pérola Negra suspenso no ar como se não houvesse gravidade.
— Pelos Deuses! Que inferno está havendo aqui? – Disse Barbossa ao soltar o colarinho de Gibbs.
— O feitiço capitão Barbossa. Todos vocês estavam enfeitiçados atacando um aos outros – Respondeu Gibbs prontamente.
— Mas o capitão Sparrow disse que o feitiço só funciona para quem estiver dormindo durante a passagem... – Pintel relembra.
— Talvez eu tenha confundido algumas coisas – Nesse instante Jack sai da cabine com um sorriso amarelo e todos os marujos começam a reclamar de seu capitão.
Moira observou tal cena e em passos firmes desceu até a tripulação.
— Você estava dormindo! Não acredito que deixou o senhor Gibbs e eu lutarmos sozinhos! – A jovem estava perplexa ao olhar a expressão divertida de Jack.
— Acasos acontecem amor. E a propósito, para quem diz não saber manejar uma espada, você demostrou bastante habilidade ... – Jack sorriu – Seria uma ótima pirata – sussurrou.
— Ora seu... – Moira colocou a mão para sacar a espada quando a voz de Barbossa lhe interrompeu.
— Não temos tempo para tolices. Já notaram onde estamos ? – Barbossa perguntou. Todos os marujos correram para a amurada e se apavoraram. Abaixo do Pérola uma ponte de água e nada mais além de uma imensa escuridão. E nem o suave nascer do sol clareava o grande buraco negro abaixo. – Temos que sair daqui.
Brodbeck ao olhar para baixou se sentiu zonza. O navio começou a ranger e o som de cascata invadiu os ouvidos dos piratas.
— Saiam da amurada! – Gritou Sparrow – Se segurem firme – Ele correu para se segurar em algo e notou que Moira ainda olhava para baixo debruçada sobre a madeira escura do navio – Vem logo – Ele a puxou.
O navio começou a descer em alta velocidade e por muito pouco o capitão e a moça seriam arremessados para fora da embarcação. Jack segurou em uma corrente presa ao mastro principal e Moira se agarrou fortemente ao pirata.
O Pérola Negra submergiu devido a sua colisão com o mar, fazendo com que vários homens não conseguissem permanecerem firmes. Mas em segundos a embarcação ermegiu e toda a água começava a escorrer para fora. Os marujos tossiam e tentavam se recompor pelo convés.
Moira e Jack ainda unidos se olharam. Novamente as orbes azuis da garota prendiam a atenção do pirata. Sparrow podia jurar que as ondas de seu primeiro e único amor refletiam naqueles olhos expressivos. A jovem observava os olhos escuros, o rosto rústico marcado pelo sol, os lábios que sutilmente se curvavam em um sorriso sacana.
— Já pode me soltar Sparrow.
— E quem disse ainda estou a segurando? – Jack continuava a sorrir vitorioso. Ela então notou que era ela que ainda estava entrelaçada ao pirata. Rapidamente se afastou com as maçãs do rosto rubras.
Barbossa, Pintell, Gibbs e Martin olhava para cima e para o lado onde supostamente deveria existir um desfiladeiro. Mas nada havia ali a não ser o mar e suas ondas. Acima somente o céu azul com algumas nuvens que realçavam o sol nasceste.
— Igual ao baú de Dave, só que Pérola não se destruiu – Ragette comentou.
— Será que estamos no baú de Dave Jones...de novo? – O pequeno marujo questiona.
Barbossa então olha para Jack como se dissesse algo que somente o outro Capitão poderia ouvir.
— Então vamos ao mapa! – Jack sorriu e logo seguiu para a cabine com Moira e Barbossa em seu encalço. Sparrow estava frustrado pois sua manobra para se livrar de Barbossa havia falhado e nem mesmo a queda livre retirou aquele tripulante indesejável do navio.
— — —
Em cima da mesa junto a mapas comuns estava um mapa no formato de circulo, onde girar-lo era a forma de decifra-lo. Os capitães estudavam o mapa e vez ou outra entravam em discussão, pois o capitão Barbossa alegava que Sparrow estava blefando ao dizer que sabia o caminho até a Baía. Moira observava tudo sentada próximo a vidraça suja do navio. O sol já mostrava seu brilho em todo céu. E eles não chegavam a alguma conclusão.
— Chega! – A garota se levantou e rumou até a mesa – Estamos perdidos? Jack não tem uma bússola ? por que não usa-la ? – Ela apontou o dedo para o item preso ao cinto de Jack.
— Acha que não pensamos nisso? Mas garanto a você que ela não funciona. – Respondeu Barbossa indiferente. Claro que isso levantava uma duvida; Oque Barbossa poderia querer mais alem de encontrar o poder dos mares aprisionado ? Mas Jack sempre cauteloso fez vista grossa sobre o assunto.
Moira tentou retrucar mas foi impedida quando Sparrow jogou a bússola para si.
—Pegue. Divirtasse enquanto os piratas de verdade trabalham.
Ao abrir o pequeno apetrecho viu que realmente aquela bússola não funcionava pois não apontava para o norte. " Capitão idiota" era seu pensamento. Brodbeck colocou a bússola em cima do mapa de forma rude.
— Nem uma bússola em bom estado você tem pirata...
Jack arregalou os olhos ao ver que sua bússola agora mostrava o curso a seguir. Mas precisava saber em que exatamente a garota estava pensando quando deixou o apetrecho sobre o mapa.
— Moira me diga, em que estava pensando?
— Como?
— Oque mais deseja nesse mundo?Além do rapaz aventureiro claro. — Continuou Sparrow.
— Encontrar logo essa maldita ilha e voltar para casa. – Respondeu mesmo sem entender o fundamento de tal pergunta.
— Voilà – Jack abriu um grande sorriso para o outro Capitão.
Babossa olhou para Moira e finalmente "notou" sua presença.
— E quem é mesmo você menina? E qual seu propósito nesse navio?
— Eu me chamo Moira Brodbeck e est-
— Ninguém – interrompeu Jack – Ninguém que venha a lhe servir capitão. Sugiro ao senhor tranca-la novamente nunca se sabe oque uma mulher com a fúria dos infernos pode fazer. Não podemos ficar sem rum.
O homem semicerrou os olhos pois se lembrou que a três anos quando sua aventura era livrar-se da maldição do ouro azteca, Jack também tentou esconder a identidade de Will Turner. Será que o salafrário estaria novamente armando algo semelhante?
Indisposto para os devaneios de Jack, o mais velho olhou para a bússola e saiu da cabine para dar novas ordens aos tripulantes.
— A parte oscilante onde você é filha de um comodoro poderia ficar entre nos dois? Barbossa não é tão misericordioso como eu amor.
— Sinto muito Jack, mas não pretendo fazer parte do seu plano B caso não consiga o tal colar. – Moira ignorou o capitão e também seguiu para fora da cabine.
— – –
Longas horas se passaram desde que as novas ordens foram dadas aos marujos. Durante esse tempo a jovem aproveitou para conhecer mais a fundo o passado dos dois capitães que brigavam frente ao leme pela liderança do Pérola. Os marujos que a muito já faziam parte daquela embarcação contavam a ela tudo que sabiam sobre seus superiores e até algumas de suas maiores aventuras. Novamente Moira ouviu falar em Will e Elizabeth, foi então que percebeu que Jack e Gibbs não estavam mentindo desde o início. Ela sentiu que deveria pedir desculpa ao capitão e seu imediato.
No início da noite Barbossa e Jack conversavam na adega enquanto apanhavam garrafas de rum.
— Então você viu tudo...– Disse Jack.
— Sim. Eles chegaram durante a noite e assim que avistamos as naus nos preparamos para a batalha, Del Noble seria nossa a qualquer custo. Lutamos com todo fervor e devoção a nossa honra pirata. Mas não contavamos com o elemento surpresa. Centenas de navios da marinha real se aproximavam...foi aí que percebemos que os primeiros haviam sido apenas uma isca. – Barbossa se sentou em um barril abrindo com os dentes uma garrafa de rum.
— Mas pelo que vi haviam mais piratas mortos do que oficiais – Jack Retrucou. Subiu em umas caixas de suprimentos e se sentou abrindo sua garrafa assim como Barbossa.
— Eles levaram alguns corpos para os navios no fim da batalha. Ainda consigo ouvir o grito de vitória daqueles malditos – Hector tomou um bom gole da bebida, deixando escorrer um pouco pelos cantos da boca – Quase fui morto Jack, devo minha vida a um garoto. Ele não era pirata nem tão pouco da guarda real...quando perguntei porque me ajudou ele apenas me respondeu; " O senhor luta muito bem, ainda irei enfrenta-lo um dia" e quando dei por mim ele já havia desaparecido. Quando tudo acabou eu o procurei entre os corpos mas ele não estava lá.
— E estava preocupado com ele? – O tom de voz de Sparrow deixava transparecer sua ironia.
— Não. Mas ele me desafiou e certamente eu queria mostrar a ele como é morrer nas mãos de um pirata – Barbossa sorriu e levou o líquido aos lábios novamente.
— Foi o que pensei.
Jack desceu de onde estava e caminhou para o andar superior do Pérola. Quando passou pelas prisões viu Moira adormecida sobre um banco de madeira na cela onde havia sido aprisionada anteriormente. O pirata tentou ignorar o que viu quando continuou seu caminho. Mas minutos depois retornou com um cobertor escuro para cobrir-la. A noite estava fria e o lugar onde escolhera dormir não era nada confortável. Cautelosamente ele colocou o cobertor sobre o corpo esbelto e frágil da garota. Então quando estava retornando a voz de Moira o interrompeu.
— Jack...você estava dizendo a verdade.
— Eu faço muito isso e sempre se surpreendem.
— Me perdoe...
Ele sorriu para ela como resposta e ela correspondeu o ato com o mesmo gesto. Jack era mesmo uma caixinha de surpresas.
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