Piratas Do Caribe: Um Novo Horizonte
2 Capítulo 2: Uma Esperança
Notas iniciais
Elizabeth pulou do convés daquele navio desconhecido. Por sorte, tinha conseguido uma carona por algum dinheiro em direção ao único lugar que tinha em mente: Tortuga.
Seu plano estava fresco em sua mente e isso a tranqüilizou. Em meio à confusão habitual daquele Porto, ela avistou piratas, ladrões, e pobres coitados brigando, se batendo, se estapeando, ou comemorando bebendo rum em cada bar de esquina.
Elizabeth não fazia ideia de como era o nome do bar que procurava, mas se lembrava bem da fisionomia. Ela dobrou mais uma esquina e avistou um barzinho sujo, empoeirado, que estava completamente lotado. De lá, vinha grande barulho, murmúrios, gritos, risadas... Só podia ser aquele lugar.
Ela entrou e se sentou num banquinho ao balcão, mas não sem antes ser cortejada por alguns bêbados em seu caminho. Ela pediu ao atendente, que estava igualmente trêmulo como os outros homens:
– Ah... Rum, por favor.
Então, entre alguns goles e outros, ela já se sentia satisfeita. Resolveu procurar mais pelo bar. Cada rosto que ela encarava, era uma decepção e um passo em direção ao fim de seu plano.
Mas ela não se permitia desistir, tampouco perder a esperança. Uma frase familiar ecoou em seus ouvidos, grave e suave ao mesmo tempo: “Não há uma causa perdida, se restar um tolo que lute por ela”.
Elizabeth reprimiu uma lágrima. Devia fazer horas que ela estava lá, vagando por bares de Tortuga, buscando como seguir adiante com seu plano. Já estava amanhecendo, o sol surgia e se erguia, lançando uma claridade ligeiramente perolada. Ela sentou-se a um canto do porto para descansar, observando navios e naus que partiam e chegavam a todo instante.
Tornou a garrafa de rum mais uma vez. Apenas uma única gota caiu em seus lábios. E ela teria que ir lá comprar mais. Suspirou e mordeu o lábio, temeu de verdade que não restassem mais chances para encontrar Will. Então, um fogo quente subiu pela sua garganta, quando ouviu uma voz familiar ressoando:
– Elizabeth, porque acabar com o rum?
Sim. Era Jack Sparrow.
Elizabeth correu para abraçá-lo; estava como sempre, com sua capa de couro, o lenço vermelho e o irreverente chapéu. Jack retribuiu o abraço e se virou exclusivamente para Elizabeth.
Sorriu espontaneamente enquanto perguntava:
- Já faz um tempo, não? Uns três ou quatro meses, talvez. Não te vi mais desde a... Bahia Naufrágio.
- Três ou quatro meses? – Elizabeth perguntou decepcionada. Sua concepção de tempo mais equivocada do que ela pensara.
- Pois é, querida. Mas... O que faz aqui em Tortuga? Tomando rum? Pensei que fosse uma bebida vil que destrói os homens e suas reputações...
Jack envolveu suas mãos pela cintura de Elizabeth e a conduzia pelo Porto, andando desajeitadamente. Elizabeth olhou para ele, havia diversão mista com curiosidade em seus olhos negros.
– Jack... – Ela replicou os olhos marejando.
– O que tem feito, Elizabeth? Soube que ficou um tempo na Bahia Naufrágio.
Elizabeth mexeu-se inquieta. A possibilidade de voltar a ver Will atenuara sua dor de não tê-lo e ter de conviver com isso como um fardo indesejável.
– Voltei a Port Royal, mas... Não é a mesma coisa. Voltei recentemente à Bahia. Sinto que é lá onde devo estar.
Jack não desviou os olhos de uma mulher ruiva que passou ao lado deles, enquanto disse:
– Muito comovente, querida. De verdade.
– E você, o que tem feito? – Eles ainda caminhavam pelo Porto, chegando à área mais movimentada, os gritos ecoavam com maior freqüência agora.
– Tive alguns problemas... Não achei o Pérola, saqueei alguns navios, quase fui preso... Mas estou bem seguro, obrigada por se importar.
Elizabeth sorriu e recostou a mão em seu ombro. Sabia que Jack não estava bravo, mas tentando diverti-la depois do que acontecera. Jack sempre fora daquele jeito.
– Deixe-me adivinhar o que faz aqui! – Jack fez um gesto típico com as mãos, chacoalhando ruidosamente seus anéis. – É Will. Você quer salvar Will. Será que ninguém quer me visitar porque sou uma boa companhia?
Elizabeth riu, sem jeito. Ela queria salvar Will, mas gostava de Jack como amigo, procurara a pessoa certa. Ela sorriu, tentando parecer corajosa e observando a expressão de escárnio de um Jack levemente desapontado.
– Ora, Jack... Você sabe que é importante para mim...
– Eu? Ou seu pedido? – Jack riu da própria piada, tomando um gole de algo que havia em um cantil. Provavelmente rum, pensou Elizabeth.
– Não se preocupe, querida. Will me procura para salvar você. E você me procura para salvar Will. Já me acostumei com isso.
Elizabeth limitou-se a sorrir e se virou para Jack, a expressão séria. Mas, antes que pudesse falar o que planejava, Jack interrompeu-a, parecendo mais feliz até aquele momento.
- Felizmente, hoje é seu dia de sorte. Eu também quero encontrar Will Turner. Quero encontrar o Holandês Voador.
Elizabeth teve que se recompor antes de se dar conta do que ouvia Jack dizendo.
- Jura? – Disse ela, abraçando ainda mais, — Por quê? Porque quer encontrar Will?
– Porque preciso mais do que nunca encontrar o Pérola Negra. Meu navio. O Holandês é poderoso, e Will com certeza vai me ajudar a achá-lo. E depois... Estou sem uma aventura há dias. Será bom navegar um pouco.
– E onde está seu navio?
Elizabeth estava empolgada. Ou melhor, empolgada até o ponto em que poderia estar. Dentro de si, o vento gelado ainda soprava, mas era como se estivesse zunindo cada vez mais longe.
– Digamos que um capitão desavisado foi embebedado e não tem condições de embarcar, então, ajudei-o, peguei umas cartas de curso, uma licença de corsário da Marinha Real Inglesa e agora estamos embarcando para o Navio Luís IX.
Elizabeth recuou, surpresa. Depois, riu. Jack, caso resumisse tudo, havia saqueado um navio da Marinha Real.
– Ora, então, vamos embarcar. Preciso lhe contar o que vou fazer quando encontrarmos o Holandês, e Will.
O Navio Rei Luís IX era de um mogno envernizado, com o símbolo da Companhia das Índias Orientais grafado em branco na popa. Elizabeth subiu com a ajuda e uma corda, com Jack em seu encalço. Deviam ser umas dez da manhã, ela concluiu, pois o sol já estava queimando-lhe o rosto. Ao entrar no Navio, encontrou Senhor Gibbs e mais pessoas que ela desconhecia. Supôs que Cotton e seu papagaio, o homem de olho de madeira e seu companheiro, e os outros estivessem a bordo do Pérola naquele instante.
– Olá, Elizabeth. – Disse Gibbs, com sua voz calorosa.
– Olá Senhor Gibbs...
– Jack lhe avisou que estávamos procurando o Holandês? – Perguntou ele, enérgico.
Jack estava atrás dela, fazendo sinais de negativo com as mãos.
– Não avisou, encontrei-o por acaso aqui em Tortuga.
Jack estava quase se estrangulando para evitar que Elizabeth percebesse que ele não quisera chamá-la para ir ao encontro do Holandês, porém, fixa na ideia de contar a Jack seu plano, ela não se importara, como teria feito normalmente.
Passados minutos, o Luís IX partiu, sem comando ou carta de curso alguma, deixando ser levado pelo mar, pois só assim encontrariam seu objetivo, que era nesse momento o Navio mais veloz a navegar em algum ponto do Planeta.
Elizabeth recostou-se a borda do navio, ao lado de Jack, que encarava sua bússola que não aponta para o Norte. Ela suspirou e decidiu contar-lhe o plano. Jack não pareceu tão surpreso, mas seus olhos negros arregalaram-se momentaneamente.
– É arriscado, Elizabeth. Não impossível, mas arriscado.
Jack fechou a bússola ruidosamente e falou com a voz entrecortada.
– Já pensou na possibilidade de Will recusar? Tudo que tenha a ver com o Holandês é arriscado e leva à Morte.
– Ele não pode recusar. – Elizabeth esmurrou a madeira do navio.
– Vamos descobrir, querida. Muito, muito em breve.
Embora não demonstrasse, Elizabeth temeu que Will não concordasse com seu plano.
Jack sorriu para ela, virando-se inteiramente em sua direção. Elizabeth tentou retribuir o sorriso, ainda agarrando-se desesperadamente a lembrança de um saudável Will dizendo: “Não há uma causa perdida, se restar um tolo que lute por ela”.
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