Piratas Do Caribe: Um Novo Horizonte
10 Capítulo 10: Adeus
- Foi um excelente truque!
Disse Jack Sparrow à Tia Dalma.
— Ora, Jack... Não foi nada. – Tia Dalma passou os dedos pelo rosto de Jack e deu meia volta na proa, voltando para o convés principal. Senhor Gibbs apareceu a um canto, cutucando Jack.
— Não gosto de bruxaria. Nunca gostei. – Disse ele, olhando furtivamente para os lados.
— Acalme-se, homem! Nunca sabemos como pode ser bom um truque de bruxaria.
Tia Dalma, depois de revelar para Jack e Gibbs aonde deveriam ir para evitar um destino terrível a Will, Elizabeth e a eles próprios, fizera uma espécie de chá de ervas, que fez toda uma tripulação do Navio de nome Tesouro dormir. Depois disso, eles se apossaram do Tesouro com uma tripulação de patifes reunida em Tortuga.
Agora todos navegavam ao comando de curso de Tia Dalma, que parecia levá-los para algo que até mesmo ela desconhecia.
Will emudeceu.
Tinha que dar uma resposta coerente a Lewis sobre a localização do Baú. Mas também tinha que pensar em um plano. Então, de súbito, respondeu, tentando manter a voz estável.
— Sim. Vou levá-lo até o Baú.
Ainda que fosse mentira, isso daria mais tempo a Elizabeth. E assim, alguns tripulantes do Holandês poderiam passar para o Navio de Lewis e resgatar Elizabeth em segurança. Um bom plano, até agora, pensou Will. Ele encarou Elizabeth, pois tinha que dar um jeito de contar a ela silenciosamente seu plano.
— Excelente, Senhor Turner. Agora, zarpe. Estaremos atrás de você. E lembre-se, não tente nenhuma gracinha. – Lewis girou o corpo e se dirigiu a cabine. – A todo pano, homens!
Elizabeth sorriu secretamente, fitando o chão do Navio onde se encontrava deploravelmente. Ela fitou Will pelo canto do olho, que piscou para ela. Ela também pensou ter lido os lábios de Will em sincronia formando: “Vamos te buscar depois”. Era, sim, um bom plano. E talvez a única e última esperança para os dois.
Um guarda pegou os braços de Elizabeth, ainda presos por algemas, e passou uma corrente, prendendo Elizabeth ao mastro principal. Esse mesmo guarda recostou-se em uma cadeira e ficou encarando Elizabeth. Entretanto, esse guarda parecia dar dois dos outros comuns: não seria fácil matá-lo. Elizabeth era forçada a ficar sentada o tempo todo, com as mãos atrás das costas presas ao mastro. Era uma posição que comprometia o pouco de força que ainda lhe restava.
Will gritou:
— Levantem as velas! Assumam o timão!
Depois, quando o Holandês já navegava a uma pequena distância do Navio que os seguia, relativamente baixo, murmurou:
— Os outros, venham comigo até a Sala do Capitão! Temos um plano de resgate a formar!
Os outros tripulantes, liderados por Bootstrap, seguiram Will. Quando estavam seguros na sala, foram sentando-se nas cadeiras e olhando para um mapa do Caribe, que estava no centro da mesa, com várias garrafas de rum em cima.
- O Capitão sabe onde está o Baú? – Perguntou um marinheiro.
— Não sei. Mas talvez assim a gente ganhe mais tempo para conseguir resgatar Elizabeth. – Respondeu Will preocupado.
— Temos um plano, Capitão? – Indagou Bootstrap. – Se tivermos, ofereço-me para ir a bordo do Navio inimigo resgatar a Senhora Turner.
— Obrigada... Pai. – Disse Will, lançando-lhe um sorriso encorajador.
— Nosso plano é o seguinte. – Continuou Will. – Daqui uma hora, quando todos a bordo do Navio inimigo estiverem sonolentos, vamos mandar um pequeno grupo, liderado por Bootstrap, para resgatar Elizabeth e trazê-la em segurança para o Holandês.
— É um bom plano, mas... – Bootstrap hesitou. – Elizabeth não vai poder ficar muito tempo aqui no Holandês... Parte do Navio e Tripulação.
E neste momento, tudo que Will mais desejou foi poder contar com Jack Sparrow, para que ele pudesse cuidar de Elizabeth, como ele já não podia cuidar.
Elizabeth não conseguia dormir.
Ficava imaginando o que estaria Will planejando naquele momento. E quando ele viria buscá-la. A atmosfera daquele Navio estava tranqüila, apenas uns três ou quatro homens patrulhando o convés, e tudo em pleno silêncio.
O homem que a guardava estava sonolento. Dormia por um tempo, e depois acordava repentinamente, brandindo uma lança ao alto.
— Vão homens! – Murmurou Will para o grupo reunido por Bootstrap.
Um dos marinheiros encolheu a vela, fazendo o Holandês reduzir a velocidade. Quando uma parte do Navio Inimigo estava se alinhando com o Holandês, eles conseguiram pular para dentro do convés.
E assim os Navios foram navegando, alinhados. Até que Bootstrap voltasse com Elizabeth, para que eles pudessem zarpar a todo pano com ela em segurança.
— Eu mesmo iria. – Disse Will tristemente para si mesmo. – Mas não posso sair do Holandês Voador.
Elizabeth mexeu-se inquieta. Pensou ter ouvido o barulho de muitos passos. Ele olhou ao redor do Convés, mas nenhum guarda o patrulhava naquele instante. O silêncio exercia uma pressão que quase a fez desmaiar. Quando olhou para o guarda que estava ao seu lado, ele dormia pesadamente.
Entretanto, sentiu mãos frias e gélidas taparem sua boca quando quis gritar. O grito morreu em sua garganta quando viu que era Bootstrap. Ele levou o indicador à boca, indicando silêncio. Depois, com sua espada oxidada, cortou as correntes que prendiam Elizabeth ao mastro. Ela fitou as mãos, mexendo-as como não fazia há tempos.
E então pode notar cerca de dez tripulantes do Holandês espalhados naquele Convés, para resgatá-la. Bootstrap adiantou-se, pegou uma espada e decepou a cabeça do homem que guardava Elizabeth. Como o homem dormia, mal gritara, e provavelmente nem tinha se dado conta de que estava morto.
Bootstrap fez um gesto com mão para Elizabeth segui-lo.
Porém, de repente, Elizabeth olhou para trás.
Com um sobressalto, levou as mãos à boca. Ao perceber que o corpo já decepado do guarda atirou as mãos a uma das lamparinas, fazendo-a cair ruidosamente.
Passos foram ouvidos. Os guardas haviam percebido o barulho e agora se encaminhavam para o convés, onde veriam que Elizabeth estava livre.
Elizabeth encarou Bootstrap, e este brandiu a espada em uma das mãos. Com a outra, pegou as mãos de Elizabeth e murmurou roucamente:
— Se algo acontecer, lembre-se Elizabeth. Estamos ligados ao Holandês. Não podemos morrer, mas você... Fuja! Fuja assim que puder!
Os passos foram se multiplicando. Agora os outros guardas estavam mais perto.
— Obrigada, Bootstrap.
Elizabeth correu pelo Convés, procurando uma espada. Antes de fugir, como uma inútil e covarde, queria pelo menos tentar lutar. Entretanto, ela podia sentir seus membros relutando a isso. Seu corpo não estava fisicamente bem para uma batalha como aquela. Ela poderia facilmente mais atrapalhar do que ajudar Bootstrap e os outros.
Então, segurando o choro, Elizabeth correu mais um pouco até a murada do Navio Inimigo, ao lado da prancha onde marujos eram amotinados, onde poderia pular direto no Holandês e escapar sã e salva.
Antes de fazê-lo, deu uma última olhada na batalha que se seguia. Cerca de quarenta guardas da Marinha Real, trajados de azul e vermelho, brandiam suas espadas de prata reluzente contra dez marinheiros do Holandês, com suas armas enferrujadas e pouco resistentes.
O combate teve início.
Elizabeth, longe da cena, podia ver os guardas de vermelho tomarem conta do Convés. Todos os que lá estavam gritavam, e ela podia ouvir o tinir das espadas de cruzando, podia ouvir os lamentos de dor dos feridos, os brados de quem ia vencendo aquela luta injusta.
Quando estava praticamente pendurada na murada, a alguns segundos de entrar no Holandês e definitivamente escapar, Elizabeth recuou. Sentia um enorme impulso de pegar aquela faca que ainda havia sobrado de suas armas e matar um por um daqueles guardas. De alguma forma, ela simplesmente sentia que não podia escapar sem antes ajudar Bootstrap, que se sacrificava por ela naquele momento.
Elizabeth pulou da murada, prestes a tirar a faca do bolso interno da roupa.
E um segundo o qual desviou os olhos da batalha foi suficiente.
Lewis estava diante dela, com uma espada de lâmina de prata reluzente brandida nas mãos. Apontando para ela.
— Devia ter escapado quando teve chance. – Murmurou ele calmamente.
Elizabeth sentia o coração palpitar cada vez mais acelerado. Ela não conseguia desviar os olhos daquela espada de alguma maneira.
— Agora você perdeu. Assim como aqueles desgraçados que vieram te ajudar. – Continuou Lewis.
Elizabeth estava entre o Holandês e Lewis. E Lewis estava entre ela e a Batalha.
Era o fim.
Um triste fim, pensou ela. Condenara a si mesma, a Will e a todos os tripulantes do Holandês para o fim. E nem tinha armas para poder lutar, para poder contestar o que acontecia, par poder evitar o que viria a seguir. Morreria fraca. Bom, talvez ela fosse fraca. Ela sabia disso, mas relutava em admitir. E assim terminaria. De uma vez por todas.
— Elizabeth!
Ela se virou para trás pela primeira vez em segundos. Will estava recostado à murada do Holandês, alinhado ao Navio Inimigo, esticando as mãos para salvá-la. Para levá-la em segurança ao Holandês, como haviam planejado desde o começo. Como deveria ser.
Pelo que pôde olhar pelo canto, Will estava desnorteado. Os cabelos até os ombros eram fustigados violentamente pelo vento, seu olhar dava a impressão de que ele não agüentaria por muito tempo, como se fosse fraco. Incapaz. E Will não deveria se sentir assim. Ele não era fraco, muito menos incapaz, pensou Elizabeth. Ela tentou se virar para pular no Holandês.
Mas tudo aconteceu rápido demais.
Ela sorriu para Will, que ainda tinha a expressão feroz, quase bestial. Desejou com todo seu ser que pudesse exprimir em um sorriso tudo o que sentia por ele, quando a lâmina afiada de Lewis atravessou seu peito.
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