Pintura Intima
20 Capitulo dezenove: A emoção acabou...
Notas iniciais
Sem betagem. Desculpem algum erro
...Que coincidência é amor, a nossa música nunca mais tocou... Você sonhava acordada, um jeito de não sentir dor, prendia o choro e aguava o bom do amor- Codinome beija flor, Cazuza
Camila suspirou olhando para a mesa a sua frente. Costumava ver seu pai sentado nela todos os dias, mesmo naqueles em que ficava mais doente. Era um exímio administrador o senhor Parker e deixou para a filha uma fortuna estimada em mais de bilhões. Uma fortuna conquistada pelo império de poções na Europa. Não era para menos, seu pai era dono do Boticário, linha famosa, a qual Camila passava os poderes interinos para sua avó. Suspirou cansada. Não queria voltar a América do Sul, o país lhe trazia lembranças tristes, quando ela brincava nas praias de Copacabana junto aos seus pais. A mãe a muito tinha lhes deixado. A adolescente rumava para o enterro de seu pai com um aperto no peito. Pobre homem amaldiçoado, fadado a uma vida de tortura e desalentos. Camila suspirou, o laranja natural de seus cabelos sumiu e no lugar um castanho opaco e sem vida tomou conta. Refletindo toda a dor que sentia. Ela não tinha perdido um pai, ela tinha perdido seu melhor amigo, a pessoa que cuidou e amou, que tentou proteger e que falhou. Suspirou e ouviu uma batida na porta
–Camila?- Irinea, sua babá e no momento a única amiga que tinha a olhou preocupada
–S-sim?
–Nós vamos mesmo fazer isso?
–Eu não aguento mais, essa vida me faz lembrar de tudo que perdi.- Suspirou
–Bem, aquela casa perto do rio ainda existe.- Camila engoliu em seco
–É pra lá que eu vou.
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–Olá classe.-O professor Slugh sorriu feliz enquanto riscava algo num pergaminho e observava os alunos entrarem sem animo na sala de aula. Ele olhou para Lílian e sorriu:
–Olá senhorita Evans como está sendo seu dia?-Lílian corou e ficou contente pela preocupação do professor:
–Promissor senhor.
–Oh que ótimo.-James segurou o riso ao ver como o professor de poções não disfarçava seu favoritismo. Mesmo Severus sendo o melhor aluno da sala a ruiva conseguia ser mais querida. Durante as explicações do mais velho Evans sentiu olhares sobre si. Conseguiu descobrir que Gabriel e James estavam quase lhe arrancando um naco apenas com o olhar. Mellani e Remus faziam o exercício daquela aula juntos, a todo instante um esbarrava no braço do outro ou as mãos de Remus ficavam inquietas e dispensavam carinhos nos cabelos da namorada. James e Peter tiraram certo sarro sobre isso e o jeito que ele mal disfarçava o carinho que tinha por Mellani. Ao final da aula Mellani saiu esperando pela amiga do lado de fora. Lílian discutia com o professor sobre certas propriedades da poção anti-depressiva e não viu a sala se esvaziar:
–Mas o chifre de um unicórnio pode fazer milagres senhorita Evans.
–Mas a que preço?
–Oh não! Só um naco querida, todos sabem que tirar o chifre todo causa a morte daquelas belas criaturas.
–O que seria uma crueldade sem tamanho.-O professor assentiu e deixou cair um pergaminho. Lílian observando sua forma robusta sabia que seria um grande desafio para o professor abaixar até o chão para pegar aquilo. Sem atentar para o fato que o homem podia usar magia ela se abaixou e pegou o pergaminho prontamente reparando que era o esboço de um convite para festa. Entregou sem comentar e discretamente tentou retomar o assunto:
–Senhorita Evans eu pretendo oferecer um jantar daqui duas semanas.-Lílian olhou desconfiada- Apenas para alunos do clube.A senhorita gostaria de comparecer?-Lílian olhou-o ainda mais desconfiada:
–E eu tenho que entregar isso para quem?-O professor sorriu satisfeito balançando o bigode
–Sim, muito rápido voam seus pensamentos Evans.- Ela sorriu constrangida- Se pudesse levar o dos seus amigos, aqui.- Entregou quatro pergaminhos nas mãos dela- Já me ajuda.
–Hum ok. Até mais senhor.
–Até.- Lílian saiu da sala meneando a cabeça negativamente.- Toma aqui.- Entregou o convite com o nome da Mellani, a loira franziu o cenho e depois pegou vendo
–Só vou pela comida.
–Típico.- Debochou da amiga. Diminuiu os passos quando viu o nome de James no último envelope. Suspirou de um jeito tão sentido que Mellani a olhou desconfiada
–Que foi?
–Nada.- Rumaram para o salão principal. Lílian entregou o convite a Remus que ficou curioso. Entregou o de James com certa tensão. Eles trocaram algumas palavras descompromissadas e uma troca de olhares tão intensa que até mesmo Severus, que estava do outro lado do salão percebeu algo diferente entre eles. Alguns alunos ostentavam os convites do professor e Mellani debochava da ruiva:
–Queridinha do professor...
–Ah não mude o foco porque eu quero perguntar algo muito sério pra você.-Mellani olhou desconfiada para a amiga que sorriu de canto:
–Remus está com muito ciúme do Black em relação a você. Devo me preocupar?
–QUE NOJO LÍLIAN.-A ruiva olhou pressionando-a. Dorcas tinha acabado de sentar de frente para Mellani. A loira suspirou- Não tem que se preocupar com nada. Remus só ficou cismado porque eu estou cumprindo detenção com ele toda quinta à noite.
–Qual é Grant assume logo que você é uma vadia.-Cortney se intrometeu aparecendo do nada. Dorcas franziu o cenho e Lílian olhou chocada- Está traindo quem dessa vez?
–Por que você não adivinha? É tão boa com clarividência.- Dorcas disse defendendo Mellani e o relacionamento secreto dela com Remus. Grant olhou por um instante para a outra com certo agradecimento e depois voltou seu olhar para Cortney
–Por um acaso eu estou falando com você?-A intrometida sentiu seu ego ferido pelo olhar superior que Mellani lhe lançava:
–Você se acha a Morgana não é? Acha que tem uma ordem de Merlim para andar com o rei na barriga? Desempina esse nariz garota! E você?-Olhou para Dorcas- Me traiu andado com essa aí.
–Como você é esquizofrênica garota!- Dorcas disse alterada- Ou esqueceu de tudo que fez?-Mellani virou-se no assento até encarar Cortney. Estava irritadíssima com a presença da garota.
–Não precisa morrer de inveja Cortney, a única coisa que me interessa nesse castelo é Quadribol. – Sorriu de lado, sendo o mais arrogante que conseguia, querendo humilhar Cortney como ela tinha humilhado Dorcas.- Você pode ter o pênis que você quiser daqui. — Cortney e Lílian ficaram vermelhas com o modo desbocado de Mellani- A Dorcas se afastou porque não queria ver a inteligência dela sendo sugada por toda a demência que existe em você.- Meadowes engoliu em seco e Bones sentiu os olhos arderem.
–Você vai ver só Grant...
–Ta bom piranha agora me deixa.-A altura em que essas palavras foram pronunciadas fizeram várias cabeças virarem no mesmo instante. Cortney se aproximou de Mellani encarando-a vermelha:
–Você me chamou do que?
–Pi-ra-nha.-Mellani disse pausadamente e segurando o riso. Cortney levantou a mão e quando estava a centímetros do rosto de Mellani a loira segurou o pulso dela com tanta força que chegou a machucar:
–A-aí.-Mellani levantou segurando o pulso dela e virando até a garota deixar lágrimas escaparem dos olhos:
–Mellani para com isso.-Lílian pediu e Mellani murmurou com raiva:
–Você ficou ofendida Corty?-Apertou mais o pulso dela- Para de nos ifnernizar Corty.- Imitava uma pessoa falando com uma criança de dois anos- Pare de ser tão vadia Corty.-Soltou o pulso dela com brusquidão. Muitas pessoas a encaravam de olhos arregalados. Dorcas segurava o riso.-Nossa olhar pra sua cara me faz perder a fome.- Ainda mais humilhada e com ódio de Mellani Cortney sentou soluçando de nervoso. A outra saiu andando de nariz empinado e postura arrogante. Obviamente a maioria das pessoas viu apenas o ataque da Grant à outra e como sempre ela saiu à vilã da história.
Mellani sentia-se muito mal por dentro “Elas sempre me atacam de graça” continuou com sua postura arrogante e andou por boa parte do castelo com um nó na garganta. Quando estava no sexto andar achou um corredor deserto onde poderia colocar seus pensamentos em ordem. Suspirou e quando passou por uma janela deu impulso com as mãos sentando no enorme batente. Apoiou as mãos no mármore frio e comprimiu os lábios contendo a vontade de chorar “Por que elas fazem isso? Qual o problema comigo?” Mellani suspirou “E não é porque eu sou má com elas, desde que as conhecei tentei me enturmar, mas TODAS elas continuam me mantendo longe como se eu fosse uma bolha de pus fedorenta.” Mellani lembrou com amargura como as crianças a repudiaram quando ela e James foram para Marshella a fim de passar um tempo no campo:
–Mas que raiva.-Ela murmurou tentando conter as lágrimas enquanto as mãos fechavam com força. Mellani agradecia ter uma amizade verdadeira como a de Lílian, mas estava ressentida por ser tratada tão mal por outras pessoas. Uma lágrima escorreu e ela limpou com rapidez, mas foi apenas uma cair para que as outras viessem à tona. Ela começou a soluçar enquanto chorava. A confusão de seus sentimentos estavam enlouquecendo-a por dentro. Não sabia mais dizer o que sentia por Remus. Ainda tinha um forte carinho por ele, mas nada parecido como no terceiro ano. Ela crescia, estava mudando a personalidade aos poucos e todos os sentimentos com os quais era acostumada estavam desaparecendo. Aquilo a assustava e por isso chorava:
–Hora...-Ela ouviu uma voz diferente murmurar com malicia- O que temos aqui...Mellani Grant.-Ela secou as lágrimas com rapidez e olhou encontrando Sebastian Avery -Tão vulnerável.-O rapaz se aproximou com rapidez quase anormal e Mellani franziu o cenho:
–O que você quer?-Ele sorriu de lado:
–Saber por que está chorando tanto.-Ele a olhava com desejo e Mellani franziu o cenho desconfiada. Saiu do batente pegando a varinha:
–Não é da sua conta Avery.
–Pode me chamar de Sebastian.-Ela deu as costas para ele:
–Me deixa em paz.-O rapaz estava novamente na frente dela e empurrou-a contra a parede. A varinha de Mellani caiu com o movimento brusco e Avery olhou-a com desejo animal- Mandei me largar seu animal.-Ele sorriu encostando o corpo nela e Mellani percebeu o quanto ele estava excitado:
–Foi exatamente assim que eu imaginei, você toda esquentada brigando comigo...Pensei que as lágrimas viriam depois.-Ele sorriu mordendo-lhe o queixo e Mellani com toda sua força deu uma cabeçada nele ficando tonta, suas mãos estavam presas e ela não conseguia mexer suas pernas:
–Me larga seu cretino nojento!!!
–Isso me xinga Mellani.-Ele olhou-a nos olhos- Sempre te observei, e quando via você irritada com Black e com o rosto vermelho...- Avery sentiu a gola da camisa ser puxada com muita força e Mellani suspirou aliviada. Viu Sirius encostar o Sonserino na parede e olhá-lo com ódio
–Escuta aqui seu filho da puta.- Empurrou mais ainda o outro contra a parede. Mellani já tinha visto o rapaz se descontrolar várias vezes, muitas ela quem provocou, mas aquilo era diferente, ela sentiu como se ele realmente pudesse ferir o outro.- O que você ia fazer em seu desgraçado?- Bateu no rosto dele e Avery reagiu. Conseguiu se soltar de Sirius com certo esforço e saiu correndo. Mellani engoliu em seco e encarou o garoto- Esta tudo bem?- Ela assentiu limpando a boca com a costa da mão. Ele se aproximou e reparou no roxo que ela tinha no pescoço. Fruto da violência de Sebastian. Franziu o cenho em preocupação. Aquele sentimento de proteção não passou despercebido por Mellani que o encarou analiticamente. Sirius desviou o olhar do pescoço para o rosto dela. Estavam um tanto quanto próximos.
– O Pontas vai matar aquele nojento. Você sabe não?- Ela assentiu. Ainda estava chocada com o que quase aconteceu. E mais em choque ainda por Sirius ser quem a salvou. Engoliu em seco e virou dando as costas para o rapaz.- Você vai ficar fingindo que eu não existo até quando?- Ela se virou meio indignada- A Grant que eu conheço faria algum tipo de provocação sobre isso. Pra dizer a verdade você está bem estranha.
–É isso mesmo que você acha?- Sirius a olhou debochado
–Bem, sim.
–Ótimo.- E de maneira taciturna ela saiu andando. O moreno estava irritado com suas próprias atitudes. Não entendia o motivo de ter se exaltado ao ponto de falar aquelas coisas. Impulso tolo que o movia a ir atrás dela agora
–Hey Grant. Você se acha tanto assim a ponto de ignorar os outros?
–Me deixa Black.- Ela devolveu andando mais rápido
–Eu acho que você tem medo.- Ela franziu o cenho e continuou calada. Não queria outra briga ainda mais depois do que Avery tentou fazer. Apertou o passo, mas ele a interceptou pelo braço e a fez parar.
–Me deixa em paz Black! Será que é pedir muito que me deixe em paz?
–Então assume.- Ela o olhou como se ele fosse louco- Assume logo que está agindo dessa maneira porque aquele beijo te abalou.- Ela o olhou com ódio e murmurou com a voz baixa e irritada
–Para de ficar remoendo essas coisas. Eu não quero lembrar daquilo. Eu tenho NOJO de você. Agora me solta.- Ele sorriu de lado
–Cuidado com o que...
–Cuidado você.- Ela o interrompeu.- Ou vai acabar se apaixonando por mim.- Sirius ficou chocado com as palavras dela e afrouxou o aperto no pulso da garota. Ela conseguiu se livrar dele e saiu andando.
–SUA MALUCA.- Gritou irritado e ela o ignorou. Odiava quando era ignorado.
A noite já ia alta em Hogwarts, muitos já dormiam em suas camas e Sirius não teve tempo de contar a James o que presenciou. A briga de Mellani com Cortney tinha gerado muita repercussão e Sirius subiu muito tarde, quando o amigo de óculos já dormia. Mellani também subiu tarde e esperou até que as colegas de quarto caíssem em sono mais pesado para levantar. A loira estava melancólica e sentindo uma angustia estranha no coração
–Mel?-Lílian sentou na cama. Estava acordada olhando para o teto quando Mellani decidiu se esgueirar para fora do dormitório naquela madrugada:
–Er...
–Vai ver o Remus?-Ela assentiu e olhou para a amiga
–Você está bem?-Lílian suspirou
–Muitos pensamentos, confusos.
–Sobre?
–Tudo. Nada que eu não possa resolver.-Mellani olhou desconfiada para a amiga e acenou. Lílian voltou a deitar e se cobriu deixando apenas nariz de fora, quando fechou os olhos a primeira imagem que veio em sua mente foi um sorriso de lado e cabelos bagunçados.-Idiota.-Ela murmurou e tentou pegar no sono. Isso se mostrou uma tarefa infrutífera visto que o gosto da boca de James não saia da sua mesmo depois de semanas. Era uma lembrança perturbadora aquela, e por mais que não quisesse o fazer e tivesse medo, Lílian estava começando a confiar. Acreditar que talvez ele pudesse ter uma chance.
Remus estava quase caindo no sono quando sentiu o colchão afundar e as cortinas em volta se fecharem. Mellani tirou o roupão e Remus puxou o edredom para ela se deitar com ele. Quando a garota se aconchegou ao peito dele o maroto cobriu a ambos:
–Boa noite.-Ele murmurou beijando-lhe a testa. Ela sorriu de maneira doce e tomou-lhe os lábios numa mordida sensual:
–Boa noite.-Sussurrou de volta. Remus sorriu carinhoso e arqueou as sobrancelhas surpreso quando a garota virou ficando por cima dele:
–Uou.-Ele sussurrou com um sorriso bobo. Sentiu as coxas dela contra as suas e o calor bem vindo da roupa íntima dela contra as calças de seu pijama. Remus suspirou e deslizou a mão pelo escuro até encontrar a varinha:
–Silencio.-Murmurou- Pronto.-Sorriu e puxou-a carinhosamente pela nuca até sentir os lábios macios dela contra sua boca.Gemeu entre o beijo, sentia-se pegar fogo. Mellani estava quase deitada em cima dele. O loiro deslizou as mãos até o traseiro dela e deu um impulso sentando-se. Apertou-a com certa força. Ela passou a mão pelo rosto dele. Sabia que o namorado gostava quando ela era mais carinhosa. O jeito amável que Remus tinha de tomá-la para si não o fazia menos envolvente e excitante, ela adorava a maneira que ele a tratava só esperava que com o tempo pudesse ousar um pouco mais. O jeito sensual e apaixonado de Remus a deixava inibida para tentar coisas diferentes, embora ela morresse de vontade. Percebendo o jeito distante dela o rapaz a encarou inebriado de paixão:
–O que foi?- Beijou os lábios dela de maneira lasciva. Ela ficou calada- Hã?- Sussurrou carinhoso. Ela suspirou longamente. Remus distribuiu beijos por todo o rosto dela e acariciou os cabelos da namorada protetoramente- Estou te vendo tão triste Mel.- Mordeu o queixo sentindo a pele dela arrepiar. Mellani o abraçou deitando a cabeça em seu ombro. Remus escondeu o rosto no pescoço dela
–Não é nada. — A voz dela saiu baixa e um tanto quanto manhosa- Eu só... Às vezes fico cansada. Essa história daquele cara querendo ser meu pai a essa altura. Eu só...- Tirou o rosto do ombro dele e se encararam. Ele passou a mão pelo rosto dela massageando-o. Ela fechou os olhos
–Eu sei que não é apenas isso.
–Então me faz esquecer o que não é importante.- Ela sussurrou e sentiu os lábios dele nos seus. Os movimentos da boca de Remus lhe despertavam sentimentos bons, totalmente diferentes do que sentiu com outro Maroto. Ela mergulhava cada vez mais na vida dele, procurando esquecer os temores que sentia. Envolvendo-se com o loiro pelo sentimento errado.
Algum tempo depois Remus esparramou-se na cama suado e completamente satisfeito. Ele não conseguia se controlar quando se tratava de Mellani e sempre perdia o senso do que podia ou não fazer. Ela era sua perdição. Puxou-a para si sentindo o corpo nu dela contra o seu. Mellani suspirou e ficou fazendo contornos com o dedo pelas cicatrizes dele. Um gesto de carinho. Ela amava ficar abraçada a ele depois do sexo, dava sensação de conforto e segurança. O rapaz sentia-se em alfa após tê-la para si, cedendo a todos os seus caprichos, entregando-se.
–Mel?-Ele murmurou baixinho:
–Sim?-Ela pegou a própria varinha- Finitte.-Eles podiam ouvir os sons em volta novamente. Os roncos de Peter preenchiam o local.
–Está tudo bem?-Ela sentiu-se estranha e assentiu.- Não quer mesmo falar o que é?- Mellani não respondeu. Ele puxou o queixo dela para cima. Pegou a varinha e murmurou- Lumus.-Soltou o ponto de luz de modo que ficasse como um abajur suave. Olhou-a nos olhos com certa dor- Por que está mentindo? Você está infeliz?-Mellani engoliu em seco e sentiu as lágrimas começaram a rolar:
–Eu não sei.-Murmurou num fio de voz e Remus sentiu o peito doer:
–Eu fiz algo?
–Não...Eu só.-Ela suspirou e ele limpou as lágrimas dela- Eu não sei qual essa sensação... Me sinto tão só quando Lily, James ou você não estão por perto.-Ela sussurrou deixando as lágrimas caírem sem parar e soluçou- Eu... Não sei...-Ele pode sentir a insegurança dela:
–Mellani.-Ele a abraçou contra o peito e suspirou sentindo-se angustiado – Eu não sei ao certo o que te dizer, mas não precisa se sentir assim.-Ela o abraçou com força e murmurou ainda chorando:
–Sinto tanto medo. Tanto medo.
–De que?-Ela suspirou:
–Não sei.-Murmurou num fio de voz. Ele a abraçou com força, mas ela não sentiu seus medos se aliviarem e apenas chorou mais- Desculpa.
–Eu estou ao seu lado é tudo que você precisa saber.-Ela fungou e assentiu. A culpa a consumia a tal ponto que não foi possível controlar. Mellani se deixou chorar e Remus a abraçou. Estava preocupado querendo descobrir um jeito de fazê-la sentir-se bem novamente.
Sirius se mexeu na cama incomodado. Tinha acordado com frio e percebeu que suas cobertas estavam no chão. Resultado de seu sono agitado. Sentou suspirando, preocupado com certos pensamentos que o rondavam. Meneou a cabeça negativamente. Decidiu ir até a cozinha comer alguma coisa. Virou tocando o chão com os pés descalços e sentiu um arrepio percorrer seu corpo. O piso estava frio. Ouviu sussurros vindo da cama de Remus e olhou desconfiado:
–Logo ele esquecendo feitiços?-Ele suprimiu o riso e decidiu fazer uma boa ação lançando o feitiço para o amigo. Sirius levantou e parou em frente à cama de Remus, iria avisar algo sobre não gostar de ouvir Mellani gemer e em querer dormir em paz quando percebeu que os sussurros eram angustiados e chorosos:
–Não...Eu só.-Ela suspirou e Sirius sentiu-se tentado a ouvir mais- Eu não sei qual essa sensação... Me sinto tão só quando Lily, James ou você não estão por perto.- O sussurro dela soou tão sofrido aos ouvidos de Sirius que o moreno estranhou. Olhou para as cortinas sentindo algo estranho, ouviu o barulho dela chorando- Eu... Não sei...- Ela por fim sussurrou angustiada e Sirius pode ouvir as palavras reconfortantes de Remus. Suspirou resolveu voltar para sua cama. Deitou e virou para o lado de Peter conseguindo visualizar apenas o vulto dele roncando na cama ao lado. Sentiu-se estranho e se cobriu até o pescoço. Uma sensação estranha que apertava e fazia sentir tristeza o dominou. Ele suspirou e fechou os olhos tentando dormir, a voz chorosa de Mellani não saía de sua mente “Grande bosta ela sempre está chorando.” “Mas nunca por sua causa” uma voz parecida com a de James sussurrou em sua mente. Sentiu raiva dela e principalmente dele. Não conseguiu dormir naquela noite e acordou com o humor de uma quimera raivosa.
Remus desceu as escadas rindo sem controle do que James dizia. Peter só faltava sair rolando no chão de tanto rir:
–E quando o médico viu deve ter falado para a mãe dele “Seu nariz senhora...Digo seu bebe”-Remus estava vermelho e lágrimas escorriam de seus olhos. Peter gargalhava e Sirius que geralmente ajudava James com os insultos a Severus estava calado:
–Hey Sirius e aquela que você disse, “Hey e esse cara no seu nariz? Oh não é um nariz em um cara.”-James pulou os dois últimos degraus rindo e Sirius assentiu calado. James começou a andar de ré e olhando para os amigos:
–Qual foi Almofadinhas? Está com prisão de ventre?
–Cuida da sua vida James.-Respondeu grosseiramente e Remus segurou o riso.- E por que prisão de ventre?
–Porque no primeiro ano você teve e estava com essa cara.
–Vai se ferrar Pontas.-James continuou rindo e esbarrou com força em alguém. Caiu sentado no chão. Os Marotos começaram a gargalhar e James se levantou sentindo dor no traseiro:
–Eu estou bem, não quebrei meus ossos, obrigado por perguntarem...-Ele virou para pedir desculpas a pessoa que tinha esbarrado e engoliu em seco ao ver Lílian com os olhos marejados se levantando e esfregando discretamente a lateral do quadril- Desculpa. Meu Merlim, desculpa Lily.-Ela torceu os lábios e olhou-o tentando segurar as lágrimas. A pancada foi muito forte e quando tentou andar sentiu mais dor:
–Se você andasse feito gente isso não teria acontecido.
–Você também devia estar bem distraída ‘pra’ não conseguir desviar de mim.-Ela corou com a grosseria dele e olhou sentindo um aperto na garganta. A confusão pelo que sentiu com o beijo dele não abandonou a ruiva. Ela estava sentindo muita dor devido à queda. Todo esse misto de sensações mais o fato de James ter falado de modo tão grosseiro com ela a fez sentir algo muito forte. Ela não conseguiu segurar as lágrimas que começaram a escorrer por seu rosto. James olhou incrédulo, esperava tudo menos que a garota começasse a chorar na frente de todos:
–Você não precisava ser grosso.-Ela murmurou ofendida com a voz chorosa. Tentou andar-Ai.-Resmungou segurando o quadril- E por sua culpa eu estou doendo.
–Dolorida.-Ele corrigiu e ela choramingou:
–Que seja.-Ele se aproximou e ela se contraiu-Não encosta.-Ele revirou os olhos e ela tentava segurar as lágrimas. James ficou nervoso e murmurou com paciência:
–Não vou encostar.-Ela olhou-o desconfiada. James se aproximou e com agilidade levantou a barra da camisa dela puxando um pouco da saia. Viu o começo da roupa íntima dela, mas não se atentou a isso, o grande roxo que estava se formando na região lateral do quadril chamou mais sua atenção. Ela empurrou o Maroto com certa brusquidão e murmurou parecendo uma criança de cinco anos.
–Não faça isso novamente...-Lílian estava muito vermelha e estava começando a aumentar o tom de voz. James levantou e puxou-a para si jogando a garota em seu ombro com cuidado. Lílian gritou de dor e raiva- ME LARGA POTTER ME LARGA AGORA!
–Eu vou te levar na enfermaria e para de gritar mulher.
–ME SOLTA AGORA.-Ela socava as costas dele e cada movimento que fazia a deixava mais dolorida- ME SOLTAAAA.-Rosnou com raiva e James continuou andando até sair do salão comunal. Sirius, Remus, Peter e Mellani estavam paralisados olhando o lugar por onde James e Lílian saíram com olhos arregalados. Sirius estava com a boca levemente aberta num meio sorriso, o silencio foi quebrado por Dorcas que murmurou próxima a Mellani:
–Que loucura.-O salão rompeu num riso coletivo e comentários sobre a cena que ambos protagonizaram.
–Quem sabe depois dessa eles se acertam?-Mellani perguntou olhando para Remus que riu e deu de ombros. Sirius sorriu debochado e olhou para ela de cima abaixo:
–Só uma idiota como você para pensar isso. A Evans é muito idiota e teimosa. Jamais vai ficar com o Pontas, ele merece alguém com senso de humor.- Mellani ficou vermelha e disse sarcástica
–E você está louco para se candidatar ao cargo não?-Sirius sentiu raiva da loira e se aproximou. Mal percebeu que esbarrou fortemente em Remus:
–Você não sabe nada sobre mim Grant então é melhor ficar calada antes de acusar.
–E você sabe alguma coisa sobre Lily?-Ela se aproximou e ficou na ponta dos pés olhando-o nos olhos. Era como se uma energia fosse transmitida entre ambos. Sirius sentiu um arrepio pela espinha quando os olhos dela o examinaram tão de perto- Para de ser hipócrita Black.-Ele engoliu em seco e se aproximou mais:
–E para de ser tão chata e intrometida.- Estava satisfeito por ela ter voltado a responder suas agressões verbais
–Eu estava falando com o Remus e você se intrometeu na conversa.
–É que você consegue dizer coisas tão absurdas e irritantes que é impossível eu me conter. Se liga Grant você é ridícula.-Mellani estalou os lábios percebendo que ele estava sem uma resposta descente. Ela se afastou temendo a proximidade demasiada entre ambos e sorriu de lado:
–Claro sou tão irritante que você não consegue se conter. Sempre que tem a oportunidade se intromete na minha vida. E sai do meu caminho.
–Não.-Ele cruzou os braços e ficou olhando para ela de modo desafiador, odiava quando era ignorado como aconteceu na noite passada. Vê-la reagir daquela forma as suas provocações colocava as coisas no lugar. Mellani suspirou e foi para o lado. Ele fez o mesmo bloqueando o caminho dela. A loira emburrou e foi de modo ágil para o outro lado, mas Sirius foi mais rápido e ela esbarrou nele. Mellani muito vermelha e com raiva espalmou as duas mãos nos braços dele que estavam cruzados na altura do tórax:
–ARGH IDIOTA.-Gritou e Sirius mal saiu do lugar, as pessoas riam com a briga dos dois:
–Sirius como você está sendo infantil.- Remus disse tentando fazer o amigo parar de provocar Mellani. Por mais engraçado que fosse Remus sentia-se enciumado- Parece que faz isso só porque é o único jeito de ter a atenção dela.-Sirius olhou para Remus e sorriu de canto. Pulou para o lado bloqueando a passagem de Mellani. A loira parou e suspirou longamente:
–Eu faço isso para que ela se lembre qual o lugar que tem que ficar. Abaixo da escala do aceitável.- Mellani revirou os olhos
–Abaixo de você que não é. Muito pelo contrário.- Mellani disse nervosa e empurrou-o com raiva. Sirius segurou os pulsos dela com reflexo rápido e ela com força os puxou de volta, mas não conseguiu se libertar. O Black sorriu cafajeste e uma coloração vermelha tomava conta de seu rosto gradualmente devido ao esforço que fazia. As bochechas dele estavam vermelhas. – Você é que está bem abaixo, principalmente de mim.
–Embaixo de você? Só no dia que você estiver montada em mim.-Remus e Mellani coraram e Remus esbravejou:
–Larga ela agora!!!
–Não se intromete cara.
–Me intrometo sim. Vai ficar falando essas baixaria pra ela?- Olhou para Sirius significativamente
–Eu não preciso de nenhum homem me defendendo.- Mellani gritou com raiva e soltou-se de Sirius. Quando foi empurrá-lo suas mãos espalmaram no tórax dele e ela pode sentir o peito definido. Não era nada como um auror adulto, mas ela sabia que aquilo era um resultado dos exercícios que o outro fazia depois das aulas. Lembrou-se do amasso que deram no restaurante. Engoliu em seco e retirou as mãos como se ele tivesse lhe queimado. Sirius e Remus perceberam aquilo:
–Será que você pode parar de se indispor comigo sempre que tiver oportunidade?-Mellani estava alterada e falando muito alto. Sirius olhou-a debochado e disse de modo superior:
–Não.
–EU TE ODEIO.-Ela gritou e Remus andou até eles puxando Mellani pelos ombros:
–Sirius isso está indo longe de mais por uma simples passagem.
–Não é a passagem é o desaforo dessa tampinha metida à rainha do mundo.-Mellani se livrou e Remus e andou para perto de Sirius novamente. Começou a falar dando cutucões irritantes e doloridos no ombro do moreno:
–Desaforo? O que eu te fiz agora? Você se intromete na minha conversa, me ofende, não me deixa sair de perto de você, quase arranca meus braços, fala coisas obscenas sobre mim e ainda diz que eu que estou te fazendo desaforos? COMO VOCÊ É ESQUIZOFRÊNICO. -Gritou empurrando ele com toda a força que tinha. Sirius muito irritado com a intromissão de Remus e o jeito que Mellani acatava o que o loiro dizia empurrou-a de volta:
–Não encosta em mim.-Ele estava com raiva e ela iria para cima dele se Remus não a segurasse pelos ombros:
–Mellani eu ainda sou monitor, mantenha a calma ou reportarei isso ao diretor. A sua situação com Sirius já não é das melhores e o jogo da final está chegando. Pense bem se vale à pena.-Ela suspirou longamente e engoliu todas as ofensas que faria a Sirius. Uma lágrima de raiva escorreu por seu rosto e ela assentiu.
–Você tem razão Remus.- Sirius sentiu muita raiva da cena que viu e decidiu que não a deixaria passar por pura pirraça:
–Sirius deixe-a ir.
–Não.-Emburrou abriu as pernas e cruzou os braços não deixando chances para Mellani passar. Com a face transtornada de raiva ela se aproximou quase rosnando:
–Você é tão infantil seu...Idiota.
–Grande insulto.
–Então vê se aguenta esse.-E subiu o joelho até a parte intima dele. Sirius sentiu uma dor aguda e levou as duas mãos até o local atingido. Era como se todas as suas forças acabassem e todas as suas dores fossem concentradas em um só local. Ele mordeu os lábios caindo de joelhos. Mellani empurrou-o com o pé esquerdo e sem forças ele caiu no chão. Ela com muita raiva pisou no ombro e rosto dele e saiu andando. Quando estava a um passo do buraco do retrato ela se virou. Sirius agora sentado massageando o rosto olhou-a com raiva e mostrou o dedo médio num gesto mal educado. Mellani sorriu com raiva e fez o mesmo para ele mostrando dois dedos e foi andando de ré fazendo uma dança estranha* apenas para provocá-lo:
–SUA VACA.-Gritou para que todos ouvissem e Remus sentiu-se ofendido
–Será que pode parar?-Ajudou o amigo a levantar. Peter segurava o riso:
–A Grant é retardada.-O mais baixo falou e Sirius olhou-o longamente:
–E você acha que eu não percebi rato?-Remus suspirou e disse de forma lenta e calma:
–Sirius você foi longe de mais por pouca coisa, parece até que não consegue ficar mais de dois dias sem brigar com ela. Qual o seu problema? Me diz vai!-Ele quase sussurrava. Sirius apontou para o rosto Remus e negou com a cabeça. Um gesto de indignação pela desconfiança do amigo. O Black estava mais indignado consigo mesmo -Nem vem com essa Sirius. Me fala vai! Qual o grande problema?
–Ela se intromete em tudo, tira o maior sarro da minha cara, anda por aí com esse arzinho de quem é dona do mundo e me irrita profundamente.
–Não faz diferente do que você faz.
–Não comece.-Sirius ainda sentindo dor, mas em proporções menores começou a andar lentamente.- Ela me tira do sério.- Remus olhou desconfiado e virou para Peter:
–Nos de licença Rabicho.-Saiu puxando Sirius pelo braço até o retrato da mulher gorda:
–Você pirou cara? Pirou? Me larga Aluado.-Sirius puxou o braço e se soltou, mas continuou seguindo Remus até o primeiro corredor vazio que encontraram. Lupin o olhou longamente, suspirou tentando ficar calmo- O que foi cara?
–Precisamos conversar e você tem que ser sincero.
–Qual é Remus? Por que eu mentiria para você?
–Talvez, só talvez...-O loiro estava esbaforido e suspirou novamente tentando recobrar a calma. Olhou longamente para o melhor amigo e por fim criou coragem- Qual o problema entre você e a Mellani?-Sirius sentiu um gelo por dentro- O que aconteceu com vocês durante as férias de natal para suas brigas ficarem mil vezes piores e por motivos tão idiotas?- O Black pensou seriamente em contar. Sabia que era a melhor coisa a fazer. Olhou para o amigo pronto para contar a verdade, mas não teve coragem. Não quando ele só teve um breve rompante com Mellani. Não quando ele esperava nada do futuro e o amigo esperava tudo.
–Do que você está falando Remus?
–Eu não sou idiota Sirius!- Passou a mão pelos cabelos- Não quero me precipitar, mas eu percebi a troca de olhares entre os dois depois do natal. O que aconteceu? – Sirius engoliu em seco, Remus estava desolado. Com um olhar triste.
–Você está surtando.
–O.que.acon.te.ceu?-Falou pausadamente e Sirius ficou calado olhando para a fissura do concreto antigo da parede. Remus bufou perdendo a calma e disse com a voz tremida, o controle por um fio.- Em Sirius?
–Nada.- Insistiu na mentira.
–Então me explica, todos esses anos, todas essas brigas, toda a questão que você faz de estar na vida dela!- As palavras de Remus deixaram uma sensação estranha. Como se uma verdade muito importante pudesse ser jogada em sua cabeça a qualquer segundo. Sirius engoliu em seco e olhou para o amigo
– Por um acaso está com ciúme de mim? Logo de mim? Por que eu ficaria com a Grant tendo a garota que eu quiser aos meus pés?
–Me responde você!- Sirius olhou para o amigo de cenho franzido
–E quem disse que eu quero aquela metida?
–Seus olhos.- Murmurou constrangido e Sirius fingiu espanto- Está na cara, está tão obvio quanto James com Lily. Muita gente está comentando.- O Black bufou sem acreditar no que ouvia- Sirius e eu não sou idiota! Eu percebi.
–Mellani é gostosa OK?-Remus notou que o sobrenome havia desaparecido e olhou-o vermelho- EU SOU HOMEM.-Ele gritou e abriu os braços. Em seguida abaixou-os e disse com raiva- Qual a porra do problema de reconhecer isso? Ela pode ser a mulher mais gostosa do mundo ou a mais esperta, ou a puta que pariu que pra mim não faz a mínima diferença. Os defeitos dela pra mim são maiores e estão acima de qualquer qualidade que ela possa ter.Para de ser tão inseguro porque no meio de todos esses caras que babam por ela aquela idiota escolheu você.- Remus olhou-o longamente e murmurou ainda desconfiado:
–O que aconteceu nas férias de natal Sirius?-O Maroto olhou novamente para o defeito da parede e murmurou cansado:
–Nada.
–Então olha na minha cara e diz.-Sirius passou a mão pelos cabelos ondulados e suspirou.
–Não aconteceu nada, para com isso.- O Black sentia um nó na garganta, era como se pudesse chorar. Sentindo-se culpado pela traição ao amigo, querendo contar tudo e sem coragem para faze-lo. Ele não sabia que amigo estava com a menina quando a beijou, mas aquilo não amenizaria o fato de que ele a desejou. Remus poderia seguir em frente e continuar com Mellani, sem as omissões dele, mas aquilo o perseguiria sempre e minaria a relação dos Marotos. Não era justo ele contar, não era justo o que tinha feito. Devia ter esperado, eles mal tinham terminado e ele agarrou a garota. O pensamento de que ela o agarrou de volta era perturbador, obsceno, algo que ele queria apagar da memória. Principalmente encarando o amigo como fazia agora- Vai continuar desconfiando?
–Alguma coisa você ouviu ou viu para ficar desse jeito. Agora me diz.-Sirius olhou para o meio das sobrancelhas do amigo e Remus teve a impressão de que o moreno o olhava nos olhos:
–Não aconteceu nada custa acreditar? Eu não estou a fim da Mellani, não mesmo! Eu te respeito e repudio aquela garota, não quero saber dela a ponto de não tolerar.-Remus assentiu, mas ainda sentia ciúme e olhou-o longamente:
–Nem se ela quisesse?- O rapaz engoliu em seco e disse com a voz tremida
–Nem se ela quisesse.-Aquela reação não confortou o coração de Remus. Mas ele estava optando por acreditar no amigo
–Ela está com você, ela dorme com você e mesmo aceitando suas imposições doidas de namorar escondido ela ainda está com você e só quer a você. Isso não é suficiente para sanar suas dúvidas?- Remus assentiu
–Desculpa.- Deu as costas e se afastou de Sirius. Andou na frente deixando o moreno remoendo suas próprias culpas. Remus ainda tinha a sensação de que algo entre sua namorada e seu melhor amigo existia. Mesmo que fosse algo que os dois ainda não sabiam:
–Merlim, que eu esteja errado.
Lílian sentiu-se bem melhor depois da poção que tomou e da pomada que Madame Pomfrey ministrou no lugar afetado:
–Como você conseguiu se machucar assim senhorita Evans?-Olhou desconfiada para James e Lílian deu de ombros. Suspirou aliviada livre da dor- Se fosse esse aí eu entendo, mas...
–Visitas frequentes?-Lílian perguntou debochada. James corou ajeitando os óculos que escorregavam por seu nariz. A ruiva apreciou o gesto todo característico dele e corou com raiva de si por reparar no maroto daquela forma. Estava tudo confuso dentro dela.
–Acho que mereço ao menos um abraço por te ajudar.
–Me ajudar? – Ela riu indignada com o que ele disse. E mais nervosa ainda por sentir vontade de abraçá-lo.- Para começo de conversa, eu não precisaria de cuidados se você andasse feito gente.
–Não precisaria de cuidados se prestasse atenção onde anda.- Lílian arqueou as duas sobrancelhas surpresa e James sorriu de lado:
–Você sabe que foi um acidente.
–Mas eu ordenei que me soltasse e você não o fez.- A ruiva estava irritada com ele e com aqueles pensamentos esquisitos:
–Quando você vai entender que não é mandando e gritando que consegue as coisas de mim?-James estava frustrado. Ele adorava Lílian, adorava o jeito aplicado, sua generosidade e gentileza. O jeito que ela estava o tratando desde o incidente na torre de astronomia o deixava nas nuvens, mas depois do beijo, depois que ele se precipitou e lhe tomou os lábios com certa urgência ela pareceu voltar para sua redoma e esquecer que ele podia ser digno de confiança. Ele era louco por ela, mas estava se cansando de se ajustar aos ataques bipolares dela. Além de tudo ele era orgulhoso, muito orgulhoso e por vezes mimado e odiava quando as pessoas falavam com ele de modo imperativo como ela tinha feito uma hora atrás. Estava com medo de colocar tudo a perder e tenso por ter recebido aqueles gritos. Uma coisa era ouvi-la gritar quando ele a provocava. Ele sempre esperava os gritos. Mas ouvir berros quando estava preocupado era de matar. Ele queria morrer eu seu próprio orgulho. E como era orgulhoso aquele Maroto. Aquele misto de sensações o deixou muito irritado com Lílian. Em sua imaturidade, típica dos 15 anos, James não percebeu que ele tinha agitado com ela. O rapaz não foi capaz de notar que o motivo dela estar daquele jeito era porque estava atraída por ele e odiava estar.- Eu não vou ficar aqui ouvindo você me agredir verbalmente e a toa. Quando você for mais tolerante a gente conversa.-Ele disse saindo de perto. Lílian nem se despediu da enfermeira e andou atrás de James com raiva. Empurrou o ombro dele e o maroto virou andando de ré novamente, mas desta vez muito enfezado. Lílian com raiva olhou-o ofendida e quase gritou:
–Você não tem o direito de fazer isso.- Ele a olhou com certa confusão
–Desculpa, a próxima vez deixo você morrer sozinha!- Ela engoliu em seco tentando conter as lágrimas
–Você chega como se fosse o dono do mundo e fala e faz o que quer. Você e Mellani... Iguaizinhos, acham que tem o direito de confundir as pessoas dessa forma.- A compreensão se fez em James. Ele comprimiu os lábios segurando o riso se aproximou e puxou-a bruscamente pela cintura.
–Lil’s, ahhh Lil’s.- A garota corou. Apenas seu pai a chamava daquele jeito. Era uma coisa tão intima e sentimental, aquele apelido- Quando vai perceber que não sou eu que estou te confundindo.- Ela franziu o cenho demonstrando confusão- É você que se confunde. E porque quer. Assume logo o que você quer fazer e faça! Não deixe sua vida passar. Sabe por quê? Quando sairmos daqui uma guerra estará nos esperando e provavelmente você não vai ter tempo pra fazer as coisas que queria. Então quando você estiver no campo de batalha, ou encaixotada toda engomadinha num dos escritórios do ministério vai olhar para trás e se arrepender por tudo que deixou de fazer.
–Não vou viver como uma louca só porque você acha que eu devo.
–É viver como Lílian. Viver o que você é e o que tem vontade de fazer. E se o que tem em você é uma louca, porque não aproveitar? O que você quer fazer agora?
–Você é louco.
–Vamos. O que quer fazer?- A vontade dela era beijá-lo, mas a garota se afastou. Sentiu falta das mãos dele em sua cintura, apertando-a possessivamente.
–Eu quero pensar.- Ele questionou com o olhar- Em tudo que me disse agora.
–E quanto a fazer sem raciocinar muito?
–Essa é sua especialidade não?- Ela perguntou risonha. Ele deu um sorriso todos os dentes. Parecia uma criança travessa. E no fim ele era exatamente isso.
–E como sempre você está certa.- Piscou o olho direito para ela e saiu andando. Sabia que ela precisava de espaço e notou aquilo como um grande avanço. Ela estava escutando o que ele tinha para falar, ela estava pensando sobre ele. James suspirou feliz, ela estava pensando sobre os dois.
James entrou no salão principal quase saltitando. Sentou entre Remus e Peter e começou a encher o prato com bacon e panqueca. Percebeu que Remus estava de cara fechada. Muito pensativo, distante do mundo:
–Nossa cara.-Johnson sentou ao lado de Remus e riu olhando para os colegas de time e casa- Que briga em? E o pior sem motivo algum.
–Como você está sabendo?-James quase gritou
–Hey James todos presenciaram e foi algo muito sem sentido.
–Como assim todos presenciaram? Está maluco Johnson?-James perguntou tentando descobrir onde essas pessoas estavam que ele não percebeu:
–Ok James, você não estava no salão, mas não exagera.-Peter disse rindo e James olhou confuso:
–Salão?
–O Almofadinhas e a Mel protagonizaram uma cena de novo e dessa vez foi muito sem sentindo.-James suspirou aliviado e Remus olhou-o desconfiado. -Quer contar algo?
–Depois.-Ele murmurou empolgado e o loiro assentiu.- Mas porque eles brigaram?
–Sirius se intrometeu na conversa e como sempre a Grant não ficou calada...-Peter pegou torradas e começou a comer. James meneou a cabeça negativamente e Remus suspirou:
–Essa situação está me incomodando.- Sussurrou para o Potter que olhou-o compreensivo- Sabe? Um sempre fazendo questão de aparecer para o outro.-O de óculos olhou longamente para Remus. Sentia-se culpado pelo o que tinha presenciado no restaurante e em toda a consequência daquilo na rotina e tratamento entre Mellani e Sirius. Ele decidiu alertar Remus de uma maneira sutil. O moreno conhecia a prima mais do ninguém e conseguia ver algo que nem ela enxergava:
–Sabe Aluado...-James sussurrava- Eu acho que você não deve se preocupar com esse tipo de coisa.-O moreno sentia-se muito mal por mentir- Talvez, só talvez devesse repensar em sua relação com ela.- Remus olhou-o desconfiado:
–Você está sabendo de alguma coisa James?-O apanhador negou e deu de ombros:
–Não, mas sei lá, não é estressante ficar com ela?
–Ela é sua prima porque está falando isso?
–É que deve ser difícil ficar com uma garota tão bonita sem que os outros saibam que ela está comprometida.- Remus olhou-o longamente e sussurrou:
–Você acha que eu devo assumir? E quanto aos meus problemas?
–Ela é esperta já deve saber o que você é. Principalmente depois que foram pra cama.- James não conseguiu controlar o engasgo quando disse isso. Ainda era estranho saber que sua prima fazia aquelas coisas.- Assumir ou não, pode ter certeza,-James olhou-o com seriedade- Não vai mudar o fato de que ela já está envolvida na sua vida até a raiz dos cabelos. — Remus suspirou- Se você não vê futuro é melhor deixá-la livre, mas se a ama mesmo que o futuro seja incerto é melhor tentar do que se lamentar de ter deixado a garota correr para outro. E eu não falo do Almofadinhas.-Mentiu James na ultima parte e sentiu-se mal, mas não queria colocar mais caraminholas na cabeça do amigo do que as que ele já estava criando naturalmente. Seu plano era aos poucos de maneira muito sutil tentar mostrar a Remus que talvez a melhor maneira fosse terminar com Mellani. Ele não concordava com aquilo que a prima fez e muito menos com os motivos pelos quais ela estava com o amigo. Culpa, pura culpa.
–Você está de brincadeira?- Mellani perguntou olhando Dorcas sem acreditar. As meninas estavam sentadas juntas na aula de estudo dos trouxas o que causou bochichos por parte de muitas garotas, inclusive Marlene e Alice.
–Não.- Ela sussurrou com medo que alguém ouvisse- Eu ouvi, e eu vi!
–Eu esperava muita coisa deles, mas nunca uma vingança tão bem feita.
–E levaram o Peterson no bico. Ele mal sabe o que está acontecendo.
–Os três? Você tem certeza?
–Simmmm. Eu vi! Estava subindo com o Remus porque queríamos pegar outra pessoa no flagra.
–Quem?
–Não importa agora. Pensamos em aprontar pra Cortney. Acabamos vendo aquilo.
–Sinceramente? Esperava isso de mim ou de qualquer outra pessoa. Não deles.
–Mas a questão é que a Lily precisa saber!- Mellani assentiu. Mil ideias passando por sua cabeça
–Quando eles vão pra lá?
–Semana que vem. Na noite do jogo. Depois do jantar.- A outra assentiu
–Ela vai ter que saber disso.
–Lily vai se magoar.
–Ela vai saber a verdade.- Dorcas assentiu, estavam decididas. Fariam qualquer coisa para defender a amiga.
Notas finais
E aí, quais apostas para o próximo cap? Estão sentindo um clima diferente se aproximando? Só posso dizer que a Lily e o James vão para momentos extremamente lindos. Esse cap foi mais fraco de Jily, masssss eles estão se acertando *_*. O que será que a Dorcas viu? Tem idéia? Perversõessss, perversõessss =P. Eu espero que tenham curtido o Cap, esse não é um dos meus preferidos, costumo ter raiva da Mellani e do Sirius nesse ponto. Bem acho que é isso. Até a prox semana.
Bjs, Kah Aluada.
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