Pintura Intima
44 Capitulo 43: Eu não quero ir
Notas iniciais
Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar. Houve um pacto implícito que rompeste e sem te despedires foste embora. Enquanto chora em teu mundo me deixa órfã no meu. Quero agora uma hora, para entender... O foi mesmo que rompeu?
James acordou assustado quando ouviu um barulho estranho. Sentou abruptamente em sua cama e piscou com a repentina claridade. Ainda lerdo por causa do sono viu o vulto de Sirius levantar correndo e por instinto pegou sua varinha e ficou em pé. Tateou a procura dos óculos e os colocou com a mão tremula. Assim que seu cérebro processou o que estava acontecendo ele relaxou.
Sirius ajudava Mellani andar em direção ao banheiro e a loira fazia uma trilha de vomito pelo caminho. Coçou a cabeça, preocupado. Peter estava sentado na cama de olhos arregalados e Remus já limpava o caminho com um feitiço. Ele entrou no banheiro lentamente e ficou meio em choque ao ver a garota abraçada a privada. Sirius segurava os cabelos dela e a olhava com preocupação enquanto dispensava um carinho em suas costas:
–O que houve?
–Sei lá, nunca vi sua prima doente, em todos esses anos.
–Nem eu.- Respondeu ainda aturdido. Alguns minutos depois ela parou de vomitar e sentou, encarando o primo
–Bom dia.- Sussurrou limpando a boca
–Você precisa ir ao médico.
–Eu estou bem.
–Não, isso não é normal.
–É sim. Só uma reação natural...-Suspirou e James começou uma serie de argumentos sobre como ela era descuidada. Sirius franziu o cenho enquanto encarava a garota ao seu lado
–Você tem certeza que não é nada de mais?
–Sim.- E pouco convencido da resposta que obteve a pressionou com o olhar. Mellani engoliu em seco
–James.- O moreno parou seu sermão com medo dela voltar a vomitar- Pode nos dar licença por um momento?- Ele arqueou a sobrancelha
–O que você aprontou que...-O apanhador parou de falar percebendo que invadia a privacidade do casal. Assentiu sem jeito
–Eu já te coloco a par da situação.- A loira murmurou fracamente e ele assentiu novamente fechando a porta atrás de si. Sirius sentou na frente dela. A jovem torceu as mãos engolindo em seco. Ele suspirou
–O que você fez agora Mellani?
–Eu...-Ela levantou a cabeça vendo os olhos dele analisarem-na curiosamente, quase com um que de inocência. Enquanto o observava ela se sentia tão mais velha e cansada, a despeito de terem a mesma idade, conseguia ver os 17 anos dele- Eu... –Começou a arfar. Fechou os olhos com força decidindo que se enrolasse mais seria pior. Era como um curativo, precisava ser arrancado de uma vez- Sirius...- Abriu os olhos- Eu estou grávida.- A última frase saiu mais baixa do que ela planejou e por mais silencioso que aquele sussurro possa ter saído, o impacto dele foi devastador. O jovem paralisou a expressão em surpresa. Mellani o encarava de volta, o peito subindo e descendo sem parar, a tensão explodindo de cada poro. Ele deixou os ombros caírem para frente enquanto seu rosto virava uma mistura de coisas, do choque ao desespero. O Black franziu o cenho e abriu a boca tentando dizer algo, mas não conseguiu. A loira começou a ficar nervosa e as lágrimas escorreram com mais facilidade do que fariam se ela não fosse um balde de hormônios. Quando uma lágrima caiu às outras vieram com violência e ela se deixou levar. O olhar atônito e a falta de reação dele deixaram-na devastada. Ele ainda ficou encarando-a por um ou dois minutos enquanto ela chorava desconsoladamente
–Shiiiiuuu.- Ele murmurou e fez um movimento para puxá-la num abraço, mas antes que pudesse confortá-la a porta abriu
–SIRIUS O JAMES....
–SAÍ DAQUI PETER.- O Black gritou irritado e o rapaz parou chocado
–Desculpa, mas...
–EU DISSE PRA SAIR.- Os gritos raivosos dele só podiam significar uma coisa para Mellani, ódio, dela, muito ódio dela.
–MAS ELE DESMAIOU. TA DESMAIADO. COMEÇOU A GRITAR E DESMAIOU.
–O QUE?- Mellani levantou chocada e saiu do banheiro. Remus tentava reanima-lo -Alguém chamou algum professor? A enfermeira sei lá... -Perguntou se aproximando
–Eu vou.- Peter se ofereceu e saiu correndo. James estava caído no meio do quarto e Remus ajoelhado ao lado dele completamente preocupado. Sirius foi na direção do amigo, meio desnorteado
–O que houve?- O moreno perguntou
–Não sabemos, só...-Mellani viu algo caído mais a frente, franziu o cenho
–O que ele estava fazendo?- E andou até o objeto misterioso
–Tinha recebido o correio.- Remus suspirou. O rapaz parecia voltar a si. Mellani pegou o objeto. Era uma foto. James tinha acordado e estava sentado. Ele esticou a mão gritando
–NÃO MELLANI, NÃO OLHA...- Ela começou a arfar enquanto olhava para a foto e as lágrimas escorreram
–ISSO É MENTIRA, ISSO É MENTIRA JAY. Diz pra mim, não, não, não...
–O que está acontecendo?- Sirius levantou e foi até Mellani
–Mandaram essa foto, essa foto da minha tia... Enforcada, mandaram, olha, mas é... É uma foto montagem, é uma sim, eu sei que é.- A jovem chorava tão desesperada que quase não se entendia o que ela dizia. Dumbledore e McGonagall entraram no dormitório seguidos de Peter. James sentiu o corpo gelar e Mellani levou a mão tremula a boca tentando abafar um grito de pavor. Eles sabiam que o diretor não estaria ali só por causa de um desmaio
–Professor Dumbledore, professor Dumbledore...-James correu desesperado e tirou a foto da mão de Mellani- É mentira, isso é mentira, não é? O senhor só veio nos avisar sobre o engraçadinho, não?- Ele parecia uma criança de quatro anos tal era o tom choroso e desesperado em sua voz. O mais velho pegou a foto. Era o corpo que Phillipe Grant reconheceu, pendurado na árvore do jardim da Mansão Potter. Em letras enfeitiçadas para dançarem em cima da imagem dizia-se “Crianças desobedientes perdem tudo, cuidado com dia 31 de julho”. O diretor sentiu o estomago embrulhar enquanto via o corpo da senhora Potter balançando pela corda.
–Temo que... Exista a necessidade de uma conversa.
–NÃO. NÃO VAMOS CONVERSAR PORQUE A MINHA MÃE NÃO ESTÁ MORTA.- Ele gritou transtornado- ELA NÃO ESTÁ MORTA, ELA NÃO ME DEIXARIA.
–James...-Dumbledore suspirou- Se acalme.- Ele esfregou os cabelos
–Quem foi? Quem foi o desgraçado que fez isso com ela?
–Temo James, que a resposta não seja o que está procurando.- A calma do mais velho deixava o rapaz mais nervoso
–Por quê? Você quer que eu acredite nessa foto macabra? Quer que eu acredite que ela se matou? Com que motivo ela faria algo assim?
–Nós estávamos procurando a melhor maneira de avisá-los.- McGonagall sussurrou- Mas acho que devido as circunstâncias...- Mellani não percebeu que Remus a abraçava até ser levada a uma das camas para sentar. Sirius tentava controlar James para que o apanhador não fizesse alguma besteira. Os dois sentaram e Dumbledore sentou-se de frente para eles- Ela deixou uma carta perto do... Do local que escolheu.- Mellani escondeu o rosto no ombro do primo, aquelas palavras machucaram mais do que uma surra ou uma maldição da morte
– A senhora Potter estava sofrendo um grave quadro depressivo desde aquele ataque no natal. As coisas só estavam piorando no quesito da saúde mental dela. Alucinações com o seu pai e constantes crises de choro.-Dumbledore comunicou- A gota da água foi o casamento forçado da sobrinha.- Mellani encarou o diretor com tristeza- Na carta, que está sob averiguação da Ordem para termos certeza de que não foi nenhum assassinato, ela explica os motivos. Diz que não consegue ver beleza num mundo cheio de guerra e longe de seu marido e que você James, sendo corajoso como é, saberia viver sem ela. Tanto você quanto Mellani. A senhora Potter acreditava que seu ato desesperado não seria em vão. Ela queria livrar você e Sirius da incumbência de ter um filho.-Finalizou olhando para a jovem.
–Não valeu de nada.- Mellani se pronunciou chorosa
–Como não? Você está livre pelo menos.- James murmurou ofendido
–Não valeu porque eu to grávida. – Disse de uma só vez. O diretor a olhou analiticamente e Minerva arqueou a sobrancelha
–Isso muito justifica a senhorita estar no dormitório masculino com a camisa do Senhor Black não?- Mellani abaixou o olhar
–Minerva, isso não é hora para sermão.
–Desculpe Albus. Você tem razão. Potter, sua mãe tomou todas as precauções para que ambos não ficassem a míngua...- James levou a mão aos cabelos. Ele não ouvia mais, ele não conseguia processar mais nenhuma palavra depois da declaração de sua prima, ele só pensava em duas coisas “grávida” e “suicídio”. Sentiu o corpo tremer, como ele podia sequer cogitar qualquer coisa quando sua mãe estava morta? Sentiu uma dor imensa no peito, seu pai não teve escolha, ele morreu lutando, ele morreu para salvar Lily e não queria deixá-lo. Sua mãe escolheu morrer. Aquilo doía mais que o assassinato de seu pai. Era muito mais pesado
–Ela não se matou. Ela não se matou.- James sussurrava enquanto deixava as lágrimas caírem. Sentiu os braços de Sirius em torno do ombro e soluçou. Seu pranto sentido deixou a todos completamente sem chão. Ele sentia uma dor física enquanto negava sem parar uma verdade eminente -Estão abrindo o inquérito não é?-Murmurou entre as lágrimas. Tirou os óculos e esfregou os olhos
–Por nós mesmo, o Ministério não é mais confiável. Ele só não interfere na escola porque estou aqui, mas se algo acontecer, se eu for destituído do meu cargo.- Encarou os jovens- Vocês devem deixar Hogwarts imediatamente.- James assentiu- Eu os espero na minha sala, Potter e Grant.- Mellani teria sorrido por ser chamada de Grant e não de Black como já começava a acontecer, mas estava chocada de mais para esboçar qualquer reação que fosse. Quando o diretor saiu James encarou a prima com um olhar tão triste e carente que ela o abraçou. Escondido no ombro dela ele murmurou
–Você vai mesmo ter um bebê?- O rapaz sentiu a tensão no corpo dela e se afastou. Peter piscou ainda aturdido. O rato pensou ter ouvido errado quando ela declarou entre o pranto que estava grávida. Ele estava é bem feliz por fazer a garota sofrer tanto e queria mais. Não que ele odiasse a Grant, ele não suportava Sirius e faria o que fosse preciso para acabar com o Black.
–Sim.- Ela murmurou desesperadamente. James se afastou do ombro dela e segurou seu rosto com delicadeza
–Oh Mel...- E o tom de decepção dele cortou o coração. Era o tom que seu tio usava quando ela tinha feito algo realmente grave, algo que não valia só à bronca, mas toda a decepção do mundo. Sirius levantou e coçou a cabeça. Remus fez o mesmo e ambos saíram do quarto. Peter os seguiu
–Você não deveria ficar lá?- O gordinho perguntou confuso. Sirius deu de ombros
–Mag era como minha mãe, mas... Ela não me criou a vida toda, eles estão sentindo mais que eu... –Suspirou sentindo as lágrimas escorrerem.- Eu...-Engoliu em seco- Não sei pra onde correr sem ela por perto.- Suspirou novamente e encostou a cabeça na parede. Peter observou o sofrimento dele com satisfação e se retirou deixando-o com Remus.
Peter não tinha raiva do lobisomem, tinha nojo e desprezo, só isso, agora Sirius, seu ódio inflamava no peito só de olhá-lo. Ele sabia que Matilda tinha razão, era culpa de Sirius que James tivesse manchado sua pureza bruxa com a maldita sangue ruim e era por culpa de gente como Sirius que a dinastia bruxa estava ameaçada.
Se não fosse gente como ele James seria perfeito para o império de seu lorde. Corajoso, sangue puro e rico, tudo que ele queria ao lado dele. E até o posto de melhor amigo Sirius tinha lhe roubado. Ele achava uma tremenda injustiça que logo aquele Black traidor tivesse a chance de ter um filho tão puro, com sangue Black, Grant e Potter nas veias. Ele gostaria até mesmo de ter Mellani ao seu lado, porque ela tinha dois sangues puríssimos, ela era uma Potter e uma Grant e o prêmio, Sirius a queria pra si e tirar isso dele seria o melhor. O único problema era aquele bebê, com a sorte que tinha era capaz da criança sair igual ao pai, em todos os sentidos. O ódio por Sirius aumentou mais ainda ao pensar que ele podia ter contaminado um super puro sangue com seu gene defeituoso.
Ele não conseguia entender como aquele filho da puta ingrato que nasceu numa família tão importante, com uma posição social tão perfeita, podia cagar tanto em cima de tudo. Peter queria destruir Sirius, acabar com a vida dele e não deixar absolutamente nada do que ele era. Queria que o Black vivesse e olhasse para a vida de merda que conseguiu. Queria que ele entendesse que não valeu à pena acabar com sua pureza, queria que ele dissesse “Não adiantou nada”. Ele queria ser o juiz e o carrasco dele. Só precisava da oportunidade certa, e não importava quantos sacrifícios precisavam ser feitos, como conviver com a sangue ruim Evans, enquanto ele não destruísse Sirius ele não pararia.
Uma vez tirando o câncer que era aquele Black ele poderia curar James, livrar Mellani daquela criança defeituosa e entregá-la a Avery para que gerasse uma criança melhor. O amigo já tinha lhe dito que gostaria que isso acontecesse. Então ele daria um jeito de acabar com aquela sangue ruim, tão horrível quanto Sirius, e por fim, sumir com Remus Lupin, que manchava Dorcas Meadowes, outra pessoa pura, com sua doença. Ele atribuía as escolhas erradas de Dorcas a Sirius. Seu ódio pelo rapaz estava num estado de demência. Ele só maquinava e maquinava esperando a oportunidade que seu lorde daria. Era trucidar Sirius Black e fim. Matilda estava certa. Aquele Sirius era o câncer da sociedade bruxa. Seu querido James ficaria a salvo ele e sua prima, os dois, com todo aquele sangue mágico, ficariam a salvo.
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–E agora eles estão na sala de Dumbledore?- Lílian perguntou preocupadíssima. Remus assentiu. Dorcas estava boquiaberta com o que ouviu- E o resultado já saiu?
–Não. Saí semana que vem.- Elas, Remus e Sirius estavam sentados no sofá da réplica do salão comunal na Sala Precisa, foi ideia do Remus terem essa conversa em particular. O Black estava numa poltrona de frente para o três, encarando o carpete como se fosse à coisa mais interessante do mundo, o olhar mostrando que sua mente estava distante. – Mas, Dumbledore foi bem seguro. Ela se matou.- Lílian suspirou e sentiu as lágrimas caindo
–Isso é tão pesado.- Murmurou e abriu a mão como se dissesse “o que ela foi fazer?” e depois a levou a boca contendo um soluço. Dorcas a abraçou e ela engoliu em seco- Como ela pode achar que não existia mais esperança? Como ela pode pensar que nós ficaríamos melhor sem ela? Ela... Ela deve ter sofrido tanto pra pensar que não tinha mais saída.- E chorou- Ela nos dava esperança. Nos confortava sabe? Era nosso porto seguro. Um adulto pra quem voltar nas férias... Alguém...- Suspirou- Era uma pessoa tão pra cima...
–Mag mudou muito quando Harry morreu.- Remus lembrou- E tudo piorou com o casamento de Mellani e Sirius e a clausula sobre o herdeiro. Ela fingiu que não sabia, mas James me contou que ela ouviu o ataque de pânico da Mel antes de ir pro altar. Com todas essas coisas na cabeça, vivendo sozinha, esperando os membros da ordem voltarem de suas missões e lembrando de como ela ficava quando esperava Harry... Ela sucumbiu. –Lílian soluçou- Claro que James e Mellani não precisam ouvir isso, não agora, eles não precisam entender no momento, sentirem-se culpados por não reparar. Deixem-nos pensar que alguém fez isso.
–Mas é errado.- Lílian murmurou- Eles precisam saber para conseguir superar.- Suspirou chorosa. Dorcas ainda a abraçava, mas também estava em choque- Sabe... James poderia ficar louco, atrás de alguém que não existe, pra fazer justiça quanto a sua mãe morta. Você sabe que ele pode.
–Então vamos explicar a ele, mas é melhor que a Mel não fique sabendo que a tia ouviu seu ataque de pânico. Muito menos agora que ela...- Parou de falar e encarou Sirius, ele deu de ombros permitindo que ele falasse- Muito menos agora que ela está grávida.- Lílian o olhou confusa
–Como?- A ruiva não parecia acreditar. Dorcas tinha os olhos em pires tamanha surpresa. Sirius estalou a língua e deu de ombros enquanto afundava mais na poltrona- Mas... Isso... Vocês, saco. Nenhum dos dois era idiota sobre o assunto. Como deixaram isso acontecer?- Sirius escondeu o rosto com as mãos
–Eu não seiiiii.- Resmungou
–Não, espera eu sei.- Dorcas murmurou- Vocês fizeram o que sabiam melhor. Foram irresponsáveis. Acho que foi muito pra ela tomar uma poção anticoncepcional.
–Ou pra você enfiar uma camisinha. Dois segundos dos seus amassos e você teria evitado isso. Mas não, é mais gostoso sem não é?- Lílian murmurou irritada- Coitada, coitada...- Suspirou- Acho que você, você nem deve ter reagido bem.
–Queria que eu reagisse como em? Beijando-a e dizendo que era tudo que eu mais queria?
–Um pouco de compaixão seria o suficiente!- Lílian acusou irritada. Sirius suspirou
– Eu estou chocado, não consegui dizer nada porque estou completamente sem chão. Eu não disse nada a ela porque eu NÃO SEI o que dizer. Fomos irresponsáveis? SIM. Devia ter usado camisinha, ela devia ter tomado algo, tudo devia, devia, devia... Ok! Devia, mas não foi. O problema agora é que em 9 meses eu vou ter que ser um pai e eu não tenho a mínima ideia de como se faz isso! –Ele se jogou de novo na poltrona e tentou se acalmar- E estou tão perdido, tão perdido.-Baixou o tom de voz na última frase só para aumentar logo depois- A única pessoa no mundo que podia me ajudar se matou!-Os gritos dele fizeram Dorcas se encolher um pouco . Se jogou na poltrona novamente e suspirou irritado- Eu só estrago as coisas. Como vou ser responsável por outra vida? Como a Mellani, a MELLANI, vai ser? Ela não consegue ficar um segundo fora de confusão! Eu só queria que a Mag ainda estivesse viva.- Ele bufou- Ela me entendia, ela era a única pessoa com mais de 17 anos que realmente me entendia.- Ele socou o ar frustrado e levantou, incapaz de ficar muito tempo num lugar, se ele o fizesse a dor da perda poderia pegá-lo de maneira irreversível.- Por que a vida é tão assim? Por que as coisas ao meu redor tendem a explodir desse jeito?- Subitamente ele sentiu-se abraçado e muito cabelo vermelho tapou sua visão
–Hey, se acalma, se acalma.- Foi de mais pra ele. O rapaz suspirou choroso e caiu num pranto sentido. Lílian suspirou com tristeza
–A Mag, ela só era boa de mais pra ter feito algo assim.- O choro sentido dele deixou a todos tristes. Lílian andou com ele até o sofá e de maneira desconsolada ele se deixou levar- Po-por que essas cois-sas...-Ele limpou as lágrimas, odiando por estar se mostrando tão frágil. Era a segunda vez que Lílian lhe ajudava quando estava transtornado daquele jeito. Ele sabia que ela era uma grande pessoa, daquelas raras que você quer manter por perto. Enquanto deixava as lágrimas escorrerem ele sentia a dor lhe dilacerar.
Margaret Potter tinha se matado, não aguentou toda aquela merda na cabeça dela e se matou. Em quem ele podia se espelhar agora? Em quem ele correria quando sua mãe fosse tão cruel e tão horrível com ele? Nunca mais sentiria o abraço de sua querida mãe-por-escolha e tudo estava ruindo. Ele precisava crescer, porque depois de nove meses ele teria que ser a pessoa a dar abraços confortadores e proteger, não o contrário. Suspirou e limpou as lágrimas- Eu...Preciso de um whisky.- Mas por enquanto ele podia ser apenas um adolescente de 17 anos.
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Os NIEM’s chegaram e James tentou se concentrar enquanto os fazia para não ficar pensando no laudo que Dumbledore lhe daria. Ele não queria acreditar que sua mãe tinha feito aquilo. Após os testes o diretor confirmou com pesar que Margaret fora a única responsável por sua morte. Todos ficaram devastados. Ela andou até a mansão Potter no meio da madrugada e se matou.
Ninguém queria mais ficar naquela casa, mesmo que pudessem voltar um dia. Tudo de ruim aconteceu ali e eles não queriam aquelas lembranças atormentando-os. O enterro foi sofrido e muito emocionante. Mellani chorou o tempo todo, sendo amparada por Remus e Dorcas. Sirius estava fechado em sua própria concha, revoltado com a morte de Margaret e sem saber como encarar Mellani devido à gravidez. O que contribuiu para a menina ficar mais triste ainda. Eles voltaram para Hogwarts e passaram os dois últimos dias ocupados com a organização final da festa de formatura. Lílian lhes incentivou dizendo que aquilo seria bom para mudar um pouco o clima ruim. Todos concordaram.
–Nossa.- Remus terminava de dobrar a última peça de roupa no malão. Ele olhou em volta. James, Sirius e Peter estavam contemplado o local do mesmo jeito, sem acreditar naquilo- É mesmo nosso último dia aqui?- Os olhos dele estavam marejados. Hogwarts tinha aquela mágica, aquela coisa que você não quer abandonar nunca. James sentia um aperto no peito enquanto finalmente entendia o que estava acontecendo. Ele nunca mais dormiria naquela cama e mesmo que voltasse para dar aulas nunca mais se reuniria com os Marotos naquelas paredes, nunca mais pensariam como pensavam há dois anos ou mesmo no momento. Estavam encerrando um ciclo e aquilo lhe deu um nó na garganta
–Hoje é realmente nosso último dia aqui?- O de óculos perguntou triste
–Sim. Precisamos nos arrumar. Mais tarde tem o baile.- Peter lembrou- Eu vou tomar banho.- Ninguém comentou nada quando ele saiu. James andou até a porta e parou ali, observando todo o dormitório. Remus e Sirius fizeram o mesmo. Os dois passaram os braços pelos ombros de James e os três ficaram abraçados olhando para o lugar onde serviu todos aqueles anos de QG dos garotos. Estavam com um nó na garganta. Milhões de coisas passando pela mente deles, uma mescla de dever cumprido e perda.
–Eu...-James murmurou com a voz embargada- Eu não quero ir.- Sussurrou com tristeza. Sirius engoliu em seco e Remus assentiu. Todos riram e se abraçaram. A sensação de insegurança ao deixar a escola era triplicada devido a guerra que os aguardava do lado de fora.
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Lílian empurrou a torneira da banheira com o pé e depois a fechou. Em sua mão uma taça cheia de champanhe lhe fazia companhia. As roupas foram jogadas de qualquer jeito pelo banheiro dos monitores. Ela estava se preparando para a festa de formatura e sentia-se muito cansada. O nariz tinha ficado vermelho de tanto chorar a morte da senhora Potter e por ver a tristeza de James. Pelo menos estava fazendo um bom trabalho mantendo-o ocupado. Empurrou a torneira novamente abrindo. As bolhas voaram, ela estava toda coberta de espuma e com os cabelos presos num coque precário. Empurrou a torneira novamente, fechando-a. O banho com óleos e aromas deliciosos relaxava seu corpo. Foi um dia triste e nostálgico. Ela se reuniu com o grupo de treinamento e todos passaram a tarde inteira relembrando de tudo que aconteceu na escola desde o primeiro ano. O tópico principal foi ela, James e a reviravolta que tiveram. O bom do grupo é que todos tinham intimidade e as piadas com Mellani e Sirius foram as melhores.
Teve uma tarde agradável que causou algumas lágrimas e muitas risadas. Agora ela estava ali, apreciando o último banho na escola e tendo-o da maneira mais luxuosa que podia. Ela era monitora chefe e maior de idade, podia se dar ao luxo de usar o banheiro sozinha por uma hora inteira e apreciar seu champanhe. Fechou os olhos enquanto sentia o gosto da bebida, era bom e fazia cócegas em sua língua. Sentiu um cheiro familiar perto de si e sorriu
–James.- Murmurou sem abrir os olhos
–Assim não tem graça.- Ele murmurou e a ruiva ouviu o som da capa- Estava te apreciando um pouquinho. – Lílian sentiu as mãos dele em seus ombros e gemeu baixinho
–Está aí há muito tempo? E como entrou? Eu joguei mil feitiços impertubavéis.
–Não estou a muito tempo.- Sentiu os lábios dele em seu ombro direito e sorriu- E eu te encontro onde for preciso.- Murmurou com a voz manhosa. Ela sentiu-se arrepiar
– O que está passando na sua cabecinha?
–Acho...-Sentiu os dentes dele contra sua pele e respirou mais fundo- Que eu quero aproveitar esse banho.
–Não está muito triste?
–Não pediu que eu me ocupasse?- Ela riu- E...-Sua mão ficou vazia da taça e finalmente abriu os olhos- Também quero apreciar um banho antes das minhas últimas horas no castelo. Ela virou sorrindo. Ele estava enrolado num roupão branco e felpudo. A ruiva sorriu de canto
–O senhor não gostaria de retirar esse roupão e se juntar a essa humilde monitora?- Ele sorriu de canto e pegou a garrafa de champanhe, largando a taça num canto seguro e tomando direto do gargalo. Segurou o queixo dela e a fez tomar um pouco
–Um brinde a nós.- Ela riu e puxou o rosto dele com as mãos. James sentiu a mão da garota no fecho do roupão e sorriu quando ela abriu- Hum...-Gemeu contra a boca macia dela- Estamos com pressa?
–Eu tenho que me arrumar para a festa...-Finalmente despojou-o do roupão- Sem roupas então?
–Eu vim tomar banho ruiva.- Sorriu entre o beijo e finalmente entrou na banheira abraçando-a. O beijo dela o tirava do ar, fazendo-o esquecer o que tinha acontecido de ruim. Lílian enroscou as pernas nos quadris dele e aproveitando a banheira enorme ele empurrou-se contra ela. Entre beijos e mordidas encontraram a outra ponta, embaixo do vitral das sereias. Ele a tomou para si num movimento seco e único. A ruiva descolou a boca da dele e o encarou apaixonadamente
–Eu te amo.- Sussurrou passando a mão pelo rosto dele e retirando os óculos. Ele sorriu sem conseguir vê-la tão bem.
–Eu te amo.- Murmurou de volta. Lílian achou que os olhos dele eram incríveis, aquela mistura de castanho com leves tons de verde. Beijou-o com desejo enquanto se deliciava com os movimentos dele dentro de si. Sem perceber deixou o óculos do rapaz cair na água. Era o melhor último dia.
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Mellani estava apenas de calcinha e sutiã em pé em frente o espelho. Dorcas e Camila estavam no banheiro, cada qual num Box tomando banho. Marie sese arrumanva no quarto de Cortney dando paz ao recinto. A garota ficou de perfil enquanto encarava seu ventre, não tinha nenhum mês de gestação e estava sofrendo com todo aquele enjôo. Sentia falta de seus cigarros e da bebida, mas sabia que isso podia prejudicar o feto. Ela não conseguia pensar num bebê, numa criança, ainda estava na fase da rejeição uma vez que não o planejou, não o queria e só passava mal. Estava lentamente assimilando, embora ainda estivesse irritada por ficar enjoada. Foi surpreendida por Dorcas que saiu do banheiro e a viu com a mão na barriga. Ela mudou a posição da mão e começou a caçar as coisas para se arrumar. Dorcas sorriu incentivando-a
–Eu estava, eu estava... Estava...-Suspirou- Estava...-Engoliu em seco
–Estava assimilando?-Mellani assentiu e Dorcas sorriu mais empolgada- Assimilando esse milagre?
–Não sei se é bem...
–Um ser todo inocente, todo pequenino e inocente que vai te amar incondicionalmente. Isso não é um milagre? Ele é... É a forma do que você e Sirius sentem, pra todo mundo ver.
–Então ele não vai ser muito bonito.
–Para de ser boba.
–Você parece muito empolgada.
–É que eu lembrei da Mandy, como fiquei quando ela nasceu, do cheirinho dela.- Suspirou triste- É... Espero que abrace isso Mel.
–Eu tenho escapatória?
–Turrona.- Mellani forçou um sorriso e entrou no banheiro. Estava enlouquecendo. Camila a olhou e depois analisou sua barriga
–Você está de quanto tempo?
–Todo mundo ta sabendo?
–É, todo mundo do grupo viu o escândalo que o James deu quando você disse que ia subir na árvore pra se jogar no lago.- Mellani tinha esquecido daquilo “Você vai machucar o bebê” ele gritou e ela se afastou de seu intento. Ficou sem jeito com os olhares dos colegas e a reunião agradável parou por ali.
–Hum. Todo mundo vai saber quando a barriga crescer.
–Pelo menos não estará em Hogwarts, onde ficariam fofocando sobre isso.- Mellani forçou outro sorriso e entrou no Box ao lado dela. Quando Camila saiu ela suspirou e pensou na ironia da situação. Ela nunca quis ser mãe, nem quando tinha uma mãe, sempre esteve ocupada de mais criando aventuras onde era uma auror poderosa com uma ordem de Merlin, ou então pilotando trens, domando criaturas perigosas, sendo a melhor goleiro do mundo.
Tendo apenas James como amigo e uma tia que não era lá um exemplo de feminilidade era normal não querer ser mãe. Ela se lembrava da tia gritando o quanto eles eram terríveis e se aquele bebe fosse metade do que Sirius e ela eram já estaria em grandes problemas.
–Eu estou ferrada. Você vai me ferrar.- Disse olhando para a barriga- Se você for igual aquele cretino, se for igual a mim... Se você pegar o pior de nós dois, você vai ser o pior filho do mundo. Porque eu vou te falar feto, eu fui a pior filha do mundo. — Suspirou lembrando de seus tios e sentiu o costumeiro nó na garganta, aquele de saudade, que não pode ser disfeito- O tio Harry iria adorar você feto, iria te amar acho que mais do que eu. Ou saberia demonstrar melhor...- Deixou as lágrimas de saudades rolarem.
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Os Marotos estavam no salão comunal, todos os rapazes do sétimo ano estavam, esperando ansiosamente por seus pares, impecavelmente arrumados, conversando uma besteira ou outra para descontrair. Ninguém ficou sem um par naquela noite, todos queriam fechar com chave de ouro, todos estavam tensos com as últimas horas no castelo. Com o álbum de fotos do último ano, com tudo.
Sirius deitou todo torto no sofá, morrendo de tédio. Remus já estava com Dorcas e James com Lily, elas estavam lindas e conseguiram descer antes de Mellani, o que o deixou frustrado. Todas as garotas pareciam mais mulheres naqueles trajes. Lílian usava um vestido muito bonito e agarrado que fazia James ter as mãos nela a todo segundo. Sirius não o culpava, a ruiva estava realmente deslumbrante.
Ele começou a se divertir ao ver Remus tentado desviar os olhos do decote de Dorcas. Sirius riu quando a garota bateu na cabeça do amigo com a bolsinha por ele olhar o decote descaradamente. Sirius ficou com pena de Remus, Dorcas tinha seios lindos e qualquer roupa que colocasse mais aberta dava asas a imaginação. Ela ter escolhido um vestido com um belo decote e frente única não dava chances a Remus, ele iria olhar aquela carne branca dando contraste no tecido preto a todo o momento, como qualquer ser humano do sexo masculino. Até Sirius arriscava uma olhadela, eram seios, num decote, ou seja, precisavam ser olhados.
–Ruivaaaaa.- Chamou revirando os olhos- Cadê minha mulher?- Todos soltaram risadinhas e ele deu de ombros. Ela era sua mulher, estava esperando um filho dele, mesmo que não gostasse daquela ideia, era a verdade–Não ria Pontas, sua hora está chegando.- James ficou tenso. O Black estava gostando de ver o amigo assim, aquela noite ele teria que pagar sua aposta e todos estavam curiosos uma vez que Remus e Peter espalharam aquilo por toda a escola durante o mês inteiro. O boato de que James pagaria uma aposta na formatura se espalhou feito fogo. Sirius pensou em liberá-lo da incumbência quando Margaret morreu, mas o Maroto não quis. Disse que precisava se divertir muito para se distrair porque era isso que sua mãe gostaria, de vê-los se divertindo na formatura. Então o Black tentava ficar tranqüilo.
–Ahhh a Grant está demorando de mais!- Resmungou
–Não mais Black!- James e Sirius sentiram uma nostalgia muito forte nesse momento. A reclamação de Sirius e a voz de Mellani retrucando nas escadas foram exatamente do mesmo jeito que há dois anos quando tudo mudou entre eles no corredor daquele restaurante.
O rapaz arregalou os olhos e deixou sua boca cair
–Ce-cert-certamente você está perdoada.- Sorriu abobado e se aproximou. Não sabia se olhava para a perna que aparecia entre a fenda do vestido, para o decote que lhe tentava a tocar ou para a boca, desenhada com um batom escarlate, boca que lhe instigava a imaginação. Se aproximou de maneira meio torpe e antes que pudesse fazer algo a puxou bruscamente para si, decidindo por usufruir dos lábios tentadores, decisão sensata, uma vez que estava em publico. Sem resistir deslizou a língua para o interior da boca macia e suspirou ao ver que ela o correspondia.
–Joga água!- Alguém gritou fazendo-os voltar à realidade. Ela o encarou timidamente, era a primeira vez que tinham um contato amoroso em publico. Quando Sirius virou viu James ameaçando-o de maneira divertida com a varinha e Remus corado olhando para algum canto. Sentiu-se mal por deixar o amigo constrangido e bufou. “Está na hora dele se acostumar a nos ver juntos, teremos um filho em breve” pensou e sorriu satisfeito com a idéia de ter um relacionamento estável com sua garota fujona. Ao notar o quanto parecia babaca sorrindo daquele jeito o rapaz fechou a cara. Além do mais, ele nem sabia se ela gostaria de continuar com ele com o contrato quebrado.
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–Você está incrível.- James murmurou no ouvido de Lílian e ela sorriu. Entraram pelo salão principal, completamente diferente do usual, graças aos esforços dela e da equipe de organização. Ela sorriu emocionada quando ouviu o som de uma banda bruxa tocando uma balada agitada, os quase-ex-alunos pareciam se divertir como nunca e dançavam sem parar. Máquinas fotográficas voavam por todo salão fotografando a todos. A ruiva não sabia se confiava muito num feitiço vindo de Sirius e James, mas até o momento nada parecia causar problemas. Os rapazes eram elegantes, as garotas pareciam mulheres adultas e os professores estavam radiantes e orgulhosos.
–Vem ruiva.- James sorriu puxando-a para o meio da pista e fazendo-a girar- Você está tão sexy que eu podia te obrigar a voltar para aquele banheiro.
–Se você prometer me fazer sentir tudo aquilo de novo, eu penso no seu caso.- Ele sorriu de canto enquanto se balançava ao ritmo da música e aproveitava deslizando as mãos pela cintura da noiva- Então, qual seu pagamento pela aposta?
–Ahhhh nem me lembre.- Murmurou- Ruiva, eu vou precisar de um whisky... Ou melhor de muitos.
–Mas o diretor disse que era expressamente proibido...- James olhou-a com um sorriso torto-Claro, os Marotos organizando a festa de formatura, porque eu não chequei as garrafas de soda?
–Espertinha.- Cutucou-lhe o nariz.
–Atenção...- A professora McGonagall pediu do palco e o som foi baixando. Todos ficaram em silencio e olharam para o palco- O corpo docente gostaria de dar uma palavrinha com vocês essa noite.-Os diretores de cada casa estavam ao lado da professora e pareciam emocionados.- Hoje, é com muito orgulho e pesar que Hogwarts da adeus a turma de 1971. Muitas passagens emocionantes ainda aconteceram em suas vidas, mas espero que levem no coração um pouco de nós e de tudo que dedicamos à formação de vocês. Que todos saiam daqui com o único propósito de realizar seus sonhos e viver uma vida longa e próspera. Bem eu chamo para a palavra o representante que vocês escolheram em voto popular para ser o orador da turma. – McGonagall olhou para James com um sorriso quase travesso- E com pouca surpresa e alguns puxões de orelha, chamo para ao palco James Charlus Potter.- O salão rompeu eu aplausos e euforias. Severus, sentado numa cadeira ao longe, revirou os olhos enquanto observava James subir ao palco com um sorriso de orelha a orelha.
James pegou o microfone uma vez que a professora usava um feitiço Sonorus. Uma luz branca o iluminava
–Oun Minnie eu sei que você me ama.- Todos riram e Severus quase vomitou. Ele olhava para o palco com tanta amargura que seus colegas, sentados na mesma mesa, podiam sentir o ódio emanando dele- Sei que ama os Marotos e vai sentir falta de cada detenção que passou para nós.- A professora arqueou as sobrancelhas
–Mantenha a compostura senhor Potter ou lhe reprovo para ficar mais um ano aqui.
–Ta vendo? Essa mulher não sabe viver longe de mim.- Ele sorriu largamente- Bem, o que dizer? Vocês me escolheram para vir aqui e falar um monte de coisas e eu realmente nem sei por que, com meu senso de responsabilidade eu teria medo de deixar a abertura em minhas mãos. Mas vocês são todos loucos. – O salão rompeu em risos- Acho que meu charme foi o responsável por isso.
–JAMES LINDOOOOOO.- Alguma menina gritou ao fundo
–Ruivinha, a culpa não foi minha. Essa mulher é ciumenta.
–JAMES.- Lílian gritou e todos gargalharam
– Bem, o que dizer... Eu falei que não tinha senso de responsabilidade então eu não preparei um discurso. – Bagunçou o cabelo- Bem, nós viemos aqui, com nossos melhores trajes, com nossos cabelos bacanas- Ele apontou para o dele e fez uma careta- Nem tanto.- As pessoas riam com qualquer coisa que James fizesse e Severus não podia ficar mais irritado- Bem, e o que esperamos ao fazer isso? Um mundo cheio de festas e glamour quando sairmos daqui? Uma vida igual às de propagandas de poções do Boticário? – Piscou para Camila que sorriu largamente
– Ou...-Suspirou- Eu não sei o que cada um de vocês esperam ao sair daqui, mas eu sei o que o mundo espera de nós. Ele espera que ao sairmos daqui sejamos crescidos e que tenhamos maturidade para enfrentar os revezes da vida e forças para continuar lutando. Esse último ano eu aprendi...- Ele suspirou lembrando de tudo que passou por causa daquela maldita guerra- Que mesmo quando você estiver cansado e achar que não consegue mais seguir em frente, mesmo quando você não puder mais seguir em frente, o mundo vai continuar te atacando, de todas as formas.
Olhou para Mellani e ela assentiu levemente, os olhos da loira estavam marejados enquanto ouvia o que o primo dizia — Tirando pessoas de vocês, arrancando partes da sua vida que... Que você precisava para continuar caminhando. Mesmo assim você vai precisar continuar lutando, porque é isso que fazemos, nós os seres humanos.- Parou de falar por um momento e engoliu em seco- Eu vou contar uma verdade. Lá fora ninguém vai lhe dar uma placa de bem vindo ao mundo adulto, você simplesmente vai ser jogado naquela loucura e seguir, aprender sozinho. Esses últimos dois anos eu perdi pessoas importantes, a ausência delas me fez crescer e eu vou dizer... Não é bonito, não é fácil e nada prazeroso, é cheio de dúvidas, medos e perigos... Mas... Quando eu olho pra frente e vejo que a tanto a fazer e tanto com o que eu posso viver...-Suspirou- Eu sigo em frente. –O rapaz estalou os lábios visivelmente emocionado
–Nessa loucura que é virar adulto, ao olhar para os lados eu vejo as pessoas que realmente importam.- Ele fitou cada um dos Marotos- Aí eu lembro que as minhas experiências vão... Me dilacerar.-Suspirou com a saudade dos pais cada vez mais forte- Vão acabar comigo, mas vão me transformar em algo melhor. No fim, crescer não é ser um chato sério e sem humor.- Ele sorriu de lábios fechados e ajeitou os óculos- Crescer é ser mais humano, é entender que suas ações têm conseqüências e que tudo, tudo que você vive faz parte de uma escolha que você toma. A minha escolha hoje, nos meus últimos minutos como adolescente, é não esquecer nunca o valor que tem a liberdade... Liberdade de escolher o que eu quero para minha vida. Boa noite galera e...-Levantou a varinha ao alto- VAMOS NOS DIVERTIRRRRRRRRRR.- Fez um movimento de pulso e balões, até então escondidos no teto, estouraram lançando um show de luzes que imitavam fogos de artifício. Todos gritaram e a música voltou a tocar a todo vapor.
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–VAI, VAI, VAI, VAI.- Sirius e James estavam sentados na mesa com várias garrafinhas de “soda” em volta, cada qual estava em sua quinta, tinha muita gente perto então os professores não estavam sentindo o cheiro de hidromel que saia das garrafas. Os alunos não largavam aqueles “refrigerantes” e os Marotos sendo os Marotos tinham feito uma mesa de comes e bebes separada para os professores a fim de que nenhum deles provasse, por acidente, da bebida que contrabandearam. Passava das 2 da manhã, a música tocava alto e os alunos estavam mais para lá do que para cá. James arrotou fazendo Sirius sentir-se enjoado. O Black virou para o lado e vomitou. Todos começaram a tirar sarro e o Potter não acreditava que tinha vencido o amigo no desafio das bebidas já que o Black era um bêbado de primeira qualidade
–Odeio bebidas docesss.- Murmurou caindo em cima da mesa. James levantou e cambaleou erguendo as mãos
–EUUUUU SOU O CAMPE-INC-CAMP....Essa porra aí.- Gritou rindo- Cadê a minha ruivaaaa?
–Tá no canto com o Snape!- Outro bêbado idiota gritou e James, muito bêbado saiu à procura dela.
–Sirius!- Um Lucas bem bêbado puxou os cabelos do colega levantando a cara dele da mesa. O Black resmungou algo e o outro soltou-o. Remus se aproximou e o fez levantar a cabeça da mesa- Toma, bebe isso.
–O que é?
–Energético.- Remus parecia muito ligado e se balançava sem parar- CARALHO EU AMO ESSA MÚSICA.- E levantou saindo dançando. Sirius tomou o conteúdo do copo num gole e logo sentiu o corpo eletrificar. Ele sentia-se eufórico e quando ouvia os acordes de Pink Floyd, não pode deixar de pensar no quanto aquilo foi irônico. Tomou o restinho da bebida e levantou dançando sem parar. Ficou com muito calor e abriu mais os botões da camisa, o terno estava em algum lugar por aí e a gravata estava amarrada na perna. Encontrou Remus no meio da bagunça, ele fazia uns passos engraçados e não parava um só segundo
–Ei Remus, ei, que merda é essa que te deram?
–Sei lá.- O loiro balançava os ombros sem parar- Eu só... Eu só tomei o copo do James e fim... Ele disse que foi coisa da Mellani, ela tava reclamando...-Remus falava rápido de mais e roubou a bebida de um garoto quando este passou- Que não podia beber e deu o negocio pra ele e ele ficou ligadão e agora eu to ligadão e CARALHO QUE MÚSICA FODA!- Saiu dançando e Sirius, sem conseguir parar de se mexer foi procurar James.
–JAMESSSSSS.- Gritou quando viu que ele e Lílian estavam se amassando de um jeito pervertido no canto do salão
–Hum, hum que foi?- Ele riu tirando a mão debaixo do vestido da ruiva. Estava ligado feito ele
–Como para o efeito dessa coisa?
–Eu sei lá. É energético mágico, vai demorarrrrr.
–Ok, está na hora de cumprir sua aposta.
–AI PORRA.- James coçou a cabeça- Alivia meu lado aí vai.
–Nãoooooo! E eu já disse depois vai tirar a roupa e se jogar.
–MERDA!
–O que... ÃH?- Lílian o olhou- Black, esqueceu que ele está noivo?
–Ninguém mandou apostar comigo e perder.- Sirius colocou as mãos nos ombros de James e o levou em direção a mesa dos professores. Do nada, Remus, Peter, Mellani, Lílian e Frank apareceram seguindo-os. Todos o corpo docente estava lá, menos Dumbledore e Slughorn.
–Não quero irrrr.
–Você vai.- Sirius começou a empurrar o amigo e os professores notaram a movimentação estranha do grupo de alunos em direção a eles. Sirius, ainda dançando, fez um movimento de varinha e trouxe uma câmera para perto.
–Minnieeee.-Sirius chamou- O Jay tem uma palavrinha para dizer antes de irmos embora.
–Eu não lembro o que era pra falar.
–AAAAA você lembra simmmmm.- O Black murmurou e a professora notou que eles estavam alterados de mais para quem estava tomando apenas refrigerante
–Potter e Black, vocês estão...-Ela chegou perto dos jovens e cheirou o ar — Estão contrabandeando hidromel?
–Ehhhhh Minnieeee.-Remus começou a fazer uma dançinha engraçada- Ta sabendo bem emmmm, só pelo cheirinhoooo.
–Remus! Cala a bocaaaa.- Mellani pediu rindo e o puxou para trás
–De uma vez.- James resmungou-Professora Minerva McGonagall.- Se ajoelhou e segurou a mão dela- Desde minha primeira detenção notei o quanto é perfeita e...-Sirius sussurrou algo- E é a mulher da minha vida, aquela que sonho...-Sirius sussurrou algo- Sem chances não vou falar isso.
–Potter e Black.- Ela puxou a mão e James levantou- Chega de palhaçada agora...-Eles não ouviam o que ela dizia, James encarou Sirius com suplica e o Maroto o pressionou com o olhar.
–Eu tive que pegar nos peitos da senhora Sawyerrrr.—Rosnou
–E não foi muito sacrifício em?- James devolveu
–Vocês estão me ouvindo?- A mulher perguntou irritada- Black pare com essa dançinha estúpida agora mesmo.
–Eu não possooooo.- Ele começou a mexer a cabeça de um lado para o outro- Vai JAMES.- O rapaz bufou e se jogou em cima da professora lhe dando um beijo casto nos lábios, a professora completamente chocada com a falta de respeito e principalmente com a situação inusitada apenas arregalou os olhos.
–UOUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU.- Remus gritou exageradamente. Todos em volta estavam com a boca aberta. James saiu de perto e começou a correr, percebendo que era o melhor a fazer os espectadores começaram a correr também. Enquanto corria o apanhador retirou a camisa, depois chutou os sapatos, esbarrou em Dumbledore quase o derrubando e pediu desculpas. Ficou livre das calças quando já estava na altura do corredor e correu para os jardins só de cueca. Sirius corria atrás, assim como Mellani e boa parte das pessoas que presenciaram o beijo. James amarrou a gravata na cabeça com intento de sentir-se menos nu e arrancou as cuecas. Ouvia gritos e risadas atrás de si, mas não queria saber
–LIVRE, LIVRE, LIVRE, EU ESTOU LIVRE DESSA ESCOLA, LIVRE, HUHULLLLLLL.- Saiu correndo pelado em direção ao lado e se jogou.
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Mellani estava sentada na grama observando os amigos mais a frente. Lílian tinha conseguido recuperar as calças de James e agora eles estavam no lago. A ruiva nos ombros dele tentando empurrar Dorcas que sentou nos ombros de Remus. Os garotos gritavam incentivos para elas e como passava das três os alunos, com muito calor, aderiram à idéia deles e entranvam no lago de roupa e tudo
–Um nuque pelos seus pensamentos.- Mellani ouviu a voz de Sirius murmurar. Sentiu o rapaz sentar ao lado dela, mas nada fez. Continuou calada olhando para frente- Não se divertiu?
–Bastante...-Murmurou – O que é estranho porque geralmente eu estou bêbada quando isso acontece.- Ele riu e esticou a mão. Estava com um chocolate em formato de rosa na palma
–Peguei pra você. Tem licor dentro. Já que não pode encher a cara.- Ela riu e pegou o bombom.
–Obrigada.- Comeu o doce em silencio e ficaram calados por longos minutos- Sirius.- Ela chamou quando não podia mais se conter
–Hum?
–Você... Agora que... Agora que...-Suspirou- Agora que não existe mais contrato, onde você vai morar?- Ele ficou tenso e a encarou
–Como assim onde vou morar?
–É que eu preciso saber, pra quando o feto for te visitar.- Ela finalmente virou para ele
–Que história é essa? Feto? Que porra é essa Mellani?- Ela engoliu em seco
–N-não seja estúpido.
–Você está sendo estúpida. Acaso acha que vou pra algum lugar longe de você?
–Eu não quero que fique comigo por causa do feto.
–Para, para de chamar nosso filho de feto.- Ele resmungou- Olha...-Passou a mão pelo cabelo e bufou- Eu quero que pare com essas ideias idiotas. –Ela engasgou- Nós não fizemos esse filho porque fomos obrigados. Muito pelo contrário, nós fizemos porque... Porque...Merda Mellani a gente não consegue ficar um segundo longe um do outro...- Apertou a cintura dela- É tudo tão intenso, tão...-Ele quase rosnou- Tão incrível quando estamos juntos que acabamos sendo burros. Eu tenho mesmo que dizer? É preciso?
–Eu me abri pra você aquele dia. Por que é tão difícil pra você fazer o mesmo?
–Você estava desequilibrada, estava sem esperanças e completamente alucinada quando disse aquilo e logo depois me enxotou da sua vida como se eu fosse um cão sarnento. O que espera? Que eu diga que te amo pra ouvir você rir da minha cara e dizer pra eu sair da sua vida? –Ela suspirou- É, é difícil eu me abrir porque você é um poço de incertezas Mellani. Eu conheço você, mas quando se trata de saber o que vai fazer com os meus sentimentos, eu morro de medo. Você foge, esconde, está sempre com esse ar de mistério e eu nunca sei se eu posso realmente ser inteiro pra você.
–Não faço diferente do que faz comigo.- Murmurou triste- Desde aquele dia, eu só... Só queria saber por que você ainda continua tentando.
–Eu não... Eu na...-Ele parou de falar e virou olhando para os amigos a frente. Mellani olhava para ele- O que não tem explicação me assusta, muito. Você acha que existe explicação pra nós? Pra tudo que aconteceu entre a gente? Eu tenho direito de estar assustado quando vejo a nossa trajetória Mellani. Porra- O tom dele tornou-se cansado- Eu nunca fiz nada pra conquistar você e nem você pra me conquistar, pelo contrário, sempre fomos os piores um com o outro. Como eu posso confiar nisso? Num sentimento que veio do nada? Que veio de brigas e tensão sexual... Eu estou com medo. – Ela baixou a cabeça
–Tem razão.- Murmurou- Mas... Não acha que é hora da gente conhecer algo melhor? Entre nós dois?- Ele a encarou surpreso- Digo... Se você quiser. Ou acha que não vale à pena?
– Eu sei o que você tem de bom e você sabe sobre mim, mas não conseguimos transpor isso para algo em conjunto.- O rapaz murmurou- Não vai ser fácil.-A jovem suspirou e ele procurou a mão dela. A garota sorriu- Mas se você realmente acha que podemos tentar... Por que não?- Ela aproximou o rosto do dele
–Estamos amadurecendo?- Sirius deu de ombros
–Só acho que o feto merece.- Ela riu do que ele disse
–É nosso bebê.-O Black riu e finalmente beijou-a. Se aquilo era um “Eu te amo” eles jamais saberiam.
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