Pintura Intima
10 Capítulo nove: Sentimentos não são permitidos
Notas iniciais
Remus suspirou nervoso, andava de um lado para o outro só de meia e cueca.
–Aluado, para. Você está ridículo.
–Eu não sei o que vestir pra impressionar a sua prima e faltam vinte minutos pra eu descer e encontrar com ela!
–Ai quanto drama.- Peter disse- Você conseguiu impressionar ela de uniforme velho e cara de morto. Relaxa.
–Você se esqueceu que hoje é dia 14 Peter?- Remus perguntou- Eu devia ter recusado! Devia!- Murmurou cansado- Amanhã começa a lua cheia e eu não podia sair com ela com um humor desses.
–Se você recusasse ela ia pensar que não quer nada com ela. Seria bem estranho.- James pontuou enquanto acompanhava o amigo com o olhar- Você precisaria de uma ótima desculpa.
–Ahhh! Estou perfeito.- Sirius comentou se olhando no espelho. James e Peter, que já estavam arrumados, o olharam com descrença- Que foi?- ele piscou para o espelho- Eu sou lindo. A Dorcas vai me deixar pegar nos peitões dela logo mais se eu continuar a ser lindo assim. — James começou a rir e Remus bufou.
–Almofadinhas!-Peter chamou- Ajuda o Aluado pelo amor de Merlim! Ele vai ter um ataque.
–Não sei por que tanto nervoso se vai sair com uma chata daquelas!
–Ele gosta dela ué.- James falou meneando a cabeça negativamente.
–Ahhh.- Sirius revirou os olhos- Aluado, veste sua cacharréu branca porque hoje tá frio e joga aquele casaco meio bege que o James te deu de natal. Ouvi as meninas falarem que você fica...-Sirius engasgou- Maduro e sexy com aquilo. No pé você coloca tênis e..-Fuçou nas coisas de Remus- Esse jeans aqui. Não lambe muito o cabelo em.- Remus ficou de boca aberta enquanto observava Sirius- Que foi? Eu sei me vestir ué!
–Gayyy!- James disse engrossando a voz e com as mãos ao lado do rosto para fazer eco.
–O único tentando ser viado aqui é você, Pontas!
–Eu serei um CERVO!- Ele respondeu irritado. Sirius deu de ombros ajeitando a jaqueta de couro que usava. Estava parecendo um cantor de Rock embora o tipo magro, alto e quase desengonçado denunciasse os quase 14 anos.
Sirius tinha colocado na cabeça dele que começaria a malhar naquele ano, ele queria ter músculos. James tirou sarro dizendo que ele deveria trabalhar os músculos da bunda já que chamaria a atenção de velhos gays.
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Mellani suspirou nervosa. Estava no pátio esperando por Remus, Lílian esperava pelas amigas, tinham combinado de fazer compras e depois cada uma iria para o seu canto.
–Lily eu não estou me sentindo bem nessas roupas.- Mellani exteriorizou aquilo pela primeira vez. Fazia um tempo que se sentia assim em relação aos seus vestidos e cabelo.
–Como assim?
–Está me prendendo de mais. Comportado de mais. Sabe, quando eu ouço o disco dos Stones me identifico tanto com aquelas letras. Me sinto livre, mesmo que eu pareça não ser.- Lílian riu e falou:
–Então seja Mel. Se você se sente livre use coisas mais livres.- A menina assentiu- Você podia passar as férias na minha casa. Minha mãe conhece ótimos lugares de compras. A gente podia sair, comprar roupas novas e você podia mudar seu visual e me ajudar com o meu!
–Isso seria muito bom. Não sei se meus tios deixariam, mas posso tentar. Eles são liberais, mas tem coisas que eles empacam e falam "Cada idade a sua idade". Uma vez queria ficar numa festa sozinha eu e o James, nos vizinhos, eles não deixaram porque a gente tinha onze anos. Aí lançou essa frase.
–Mas ele está certo, ficar numa fes...
–Mellani.- A voz de Remus chegou aos ouvidos da garota, interrompendo a fala de Lílian. Mellani se virou e sorriu nervosa, seu coração acelerou. O menino estava charmoso e pensar que era quase certo beijar ele daqui algumas horas a deixou mais encantada ainda. Ele cumprimentou Lílian de maneira simpática e depois deu um beijo demorado na bochecha de Mellani. Ela suspirou e passou a mão pelo braço dele. Saíram andando em silêncio. Remus abaixou o rosto até a orelha dela e sussurrou:
–Você está linda.- Ela sorriu corada e sentiu o corpo inteiro se arrepiar.
Lílian observava Mellani e Remus se distanciarem pensando seriamente em fugir das amigas. Gostava de Marie, Alice, Marlene e principalmente de Dorcas, mas tinha um pé atrás com Cortney e não gostava nenhum pouco de fazer compras.As experiências que teve como sua mãe e irmã sempre terminavam com ela estressada e geralmente com bolhas nos pés.
Bufou com a demora das amigas. Observou a prima de Sirius passando ao longe, parecia desconfiada. Se perguntou por que Andrômeda vivia andando daquele jeito. Como se fugisse de alguém. Correu seus olhos seguindo-a. A morena abraçou um rapaz. Lílian se lembrava do rapaz ser alguma coisa Tonks. Ela e o menino estavam no sexto ano. Retirou os olhos do casal quando começaram a se beijar. Olhou para a entrada do pátio. Avistou Lucius Malfoy, o monitor chefe. Não gostava muito dele. Lucius sempre a olhava com certo nojo. Ao lado dele estava Daren Not, o irmão de Sirius e Severus. Lílian estranhou. O loiro parecia procurar alguém. E achou.
–Adromeda!- Ele gritou suficientemente alto e puxou a sonserina bruscamente pelo braço. O rapaz que a beijava empurrou Malfoy e eles começaram a discutir. A Black pareceu um tanto quanto abalada e pelo que Lílian pode ver pediu desculpas ao rapaz que beijava. Saiu andando sendo arrastada por Lucius.
Lílian franziu o cenho, o monitor parecia muito bruto e desnecessariamente estúpido com a prima de Sirius.
–Lily?- A ruiva pulou de susto quando viu Severus ao seu lado- Espionando a vida alheia, é?
–Não seu idiota.- Ela disse lhe dando um empurrão de leve. O garoto sorria- Eu achei que o Malfoy era noivo da loira, não dá morena.
–E ele é.- Severus murmurou e sentou no batente da fonte. Lílian fez o mesmo.
–Então?- E apontou com a cabeça para a direção que Lucius tinha ido.
–Ah, a Andromeda é responsabilidade de Narcisa já faz uns três anos.
–Por quê?
–Porque foi o ano em que ela se envolveu com Ted Tonks. Quando a mãe delas ficou sabendo quase enlouqueceu porque ele é inapropriado.
– As pessoas da Grifinória são tão odiadas assim?
–N-não é b-bem por isso.- Severus parecia sem jeito- Não se sinta ofendida... É porque ele é nascido trouxa.- Lílian não conseguiu não se sentir ofendida- Aí a mãe delas castigava a mais nova por ir atrás de "quem não presta" e a mais velha por ter permitido. Sobrou até para o Malfoy, que estava frequentando a casa dos Black. Aí o Malfoy tomou as dores da noiva e está tomando conta da cunhada.
–Ele parece ser bem estúpido. Que coisa mais medieval, ela não poder escolher com quem namora.- Lílian estava sensibilizada pela menina.
–Você não precisa se compadecer pelos outros. O Malfoy está de saco cheio, esses dois fazem de tudo pra se ver.
–Enquanto ela for menor de idade eles podem fazer algo, mas depois.- A ruiva estava com a indignação estampada no rosto.- Mudando de assunto, vamos sair comigo agora?
–S-sair c-com você?
–É. Para Hogsmeade...
–LILY! Desculpa o atraso.- Marie chamou e o grupo de meninas riu. Severus franziu o cenho- Nem pense em fugir com esse seu amigo... Excêntrico. – O Sonserino abriu a boca ofendido.
–Ele é a nossa opinião masculina.- Lílian respondeu espertamente e as meninas sorriram empolgadas.
–Ah! Isso é muito importante.- Cortney disse olhando com receio para Severus. O menino puxou a amiga de canto e a fritou com os olhos.
–Onde você está me metendo Evans?
–Hahaha Sev, vamos, por favor. Eu não vou aguentar ficar com elas de loja em loja.
–Aí você se enfia nesses programas doidos e quer me levar junto?- Ela o olhou com súplica. Os olhos verdes penetrando os seus. Os lábios com um bico involuntário.
–Por favor, Sev.- Disse com um tom manhoso- Não vou sobreviver sem você.- O rapaz sentiu o coração acelerar e suas bochechas coraram. Engoliu em seco.
–Eu te odeio. Te odeio muito.
–Ahhh obrigada.- Se jogou nos braços dele dando um abraço apertado. Severus sorriu fechando os olhos e sentindo o cheiro bom de shampoo dos cabelos dela.
–Heyyy amiguinhos.- Cortney chamou tirando sarro- Temos muitas coisas pra olhar por aí. Vamos?- Severus revirou os olhos e murmurou num tom arrastado:
–Eu te odeio por cinco gerações, Lily.- A ruiva se limitou a rir e aquilo derreteu seu coração.
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–Eu falei pra você. Explosivins soltam muito mais faíscas se apertamos as patinhas deles.- Mellani disse rindo. Enfiou o bombom que Remus tinha lhe dado na boca. O maroto riu.
–Eu sei como fazer umas bombas fedorentas que duram cinco dias. Fui eu que fiz as que o Almofadinhas e o Pontas jogaram no corredor do salão comunal da Sonserina.
–Qual é a desses apelidos?- perguntou desconfiada- A do filho do capeta eu até entendo.- Remus riu do jeito que ela falou- Mas e o de vocês três? O gordinho eu desconfio de que ele tenha pelo na bunda só isso... Você...- Ela parou de andar e ficou na frente dele- Até dá pra engolir, afinal você vive distraído e com mudança de humor.- Remus arqueou as sobrancelhas- Agora o Jay, não faz sentido nenhum aquele apelido. Vamos Remus Lupin, trate de me falar!
–E vai me obrigar como?- Ele se aproximou rindo.
–Talvez eu segure seu nariz e boca. Vai ter que falar se quiser ar para viver.- Remus cerrou os olhos, falsamente bravo. Mellani segurou o riso. O loiro levou as mãos até os braços dela e a apertou de leve.
–E agora que eu estou segurando seus braços? Vai conseguir essa informação de que jeito?- Mellani fez uma cara falsamente assustada.
–Oh não, ele está me segurando, como vou conseguir extorquir essa informação vital para a minha existência?- Se encararam sérios e em seguida romperam num riso. O aperto dele afrouxou, estavam próximos de mais.As mãos do menino deslizaram sorrateiramente até o rosto dela, sua testa quase colada a da garota.
Mellani ainda ria quando percebeu que Remus estava sério. Sentiu a mão direita dele acariciar sua nuca e o arrepio foi inevitável. O garoto estava tão nervoso que sentiu a mão gelar e as bochechas esquentarem. Aquilo era totalmente diferente de ser beijado num beco e muito mais complicado do que beijar Dorcas na frente de todos.
Queria tanto beijar Mellani. Pensou tantas vezes naquele momento, perdeu as contas de quanto tempo permaneceu a mais no chuveiro apenas imaginando como seria. Tocando-se para tentar chegar mais perto do real. Respirou buscando controle, não era o momento para pensar naquilo. Estavam parados, atrás de uma árvore, na praça central de Hogsmeade.
–Remus, e-eu... Nunca, er...- ele a olhou de maneira intensa.- Nunca fiz isso antes.
–Já comeu chocolate?- Mellani não entendeu a pergunta- É macio...- Remus se aproximou mais e tocou o lábio inferior dela com o polegar. Mellani estremeceu- E quando você coloca na boca vai derretendo aos poucos. — Sentiu-se meio idiota por fazer aquela comparação, mas já tinha começado e não conseguia calar a boca assim como não conseguia tirar as mãos dela.
–E conforme vai derretendo você sente sensações variadas e aquilo é tão bom que é quase obsceno.- A menina corou e ele tocou a testa na dela- Mas seu beijo deve ser melhor.- Ela finalmente criou coragem e diminuiu a distância entre eles. O coração acelerado, o nervosismo, o medo de serem pegos por algum monitor, tudo isso se foi quando Remus invadiu sua boca com a língua.
As mãos antes inertes na frente do corpo subiram segurando a nuca do garoto e repuxando alguns fios ocasionalmente. Mellani adorou a textura dos fios macios da cabeça dele. A boca do jovem se movimentava num ritmo lento e torturante, ele tinha gosto de chocolate. A garota sentiu necessidade de mais e de uma maneira um tanto quanto afoita buscou por mais de Remus. Aprofundou o beijo.
Remus quebrou toda a magia com uma mordida de leve nos lábios dela. Se olharam ofegantes, as testas juntas. Ele fechou os olhos e sorriu. A mão dela deslizou até o roto dele. Remus levou uma das mãos até as costas dela e a fez seus corpos aproximarem mais ainda. A abraçou e a menina tomou os lábios dele novamente.
O loiro suspirou satisfeito. Beijar Mellani era uma das sensações mais incríveis de sua vida. Nada comparado às experiências anteriores. A sensação de ter nos braços alguém que desejava há muito tempo era tão sublime que ele pensou que morrer com aquela sensação não seria nada ruim. Sentiu um leve gosto de menta vindo da boca de Mellani, proveniente das balas que ela comeu antes de enfiar um bom bom inteiro na boca.
O rapaz movia a língua com lentidão, sentindo os movimentos dela junto ao seu, os dentes dela raspando propositalmente, causando arrepios por toda sua espinha dorsal. As unhas dela esbarrando na pele de seu pescoço vez ou outra. Queria apreciar cada suspiro dela. Remus a tocava com a mesma delicadeza com a qual tocaria um objeto muito caro de porcelana, daqueles que não pode ter um arranhão, mas que é tão encantador que você precisa descobrir cada detalhe.
Para Mellani o beijo do menino se assemelhava aos que viu em peças de teatro e filmes. Era romântico, lento, profundo e acima de tudo, instigante. Separou-se lentamente dele, buscando por ar. Ainda lhe deu dois beijos curtos. As sensações eram tão fortes pelo corpo do menino que ele achou por bem não abraçar a garota naquele momento. Se ela percebesse o estado em que tinha deixado o rapaz poderia se assustar ou fazer perguntas embaraçosas. Remus ainda sentia muitos arrepios pelo corpo e todos eles pareciam se concentrar em seu baixo ventre. O olhar dela sobre si não ajudava em nada.
–E então?- Ela perguntou e ele se assustou.
–Então o que?- Ela o encarou com expectativa- Ah...- a compreensão dominou sua expressão. Sorriu e se aproximou dando um selinho molhado nos lábios dela com direito a uma mordida- Isso responde suas dúvidas?- repetiu o gesto e ela sorriu entre o beijo-mordida- Estou louco pra te beijar de novo.
–Quem bom porque eu também.- Ela murmurou empolgada. Remus se aproximou novamente e se curvou. A boca encostou-se ao lóbulo dela e Mellani sentiu um arrepio.
–Vem comigo?- Sussurrou, sua voz saiu levemente rouca. A menina pensou que fosse explodir de tantas sensações que a dominaram. A excitação de fugir do meio das pessoas ao lado dele era a que predominava. Ela assentiu e ele segurou na mão dela.
Saíram apressados até o limite da Casa dos Gritos. Invadiram o terreno pelo cercado que Sirius tinha quebrado na semana passada e sentaram numa pedra atrás da casa. Remus segurou a mão de Mellani enquanto observavam as folhas laranjas saírem de um enorme pé de pêssego e voarem com a brisa.- Eu gosto da paisagem daqui. Não tem mais casas pra cá, só os morros e a natureza.- Mellani sorriu se perguntando como ele sabia daquilo. Deitou a cabeça no ombro dele e apreciou a caricia que recebia em sua mão.
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–James!- Dorcas chamou segurando o riso. Marie estava ao lado dela segurando o braço da loira. James estava sentado no banco em frente à Madame Malkins e esperava Sirius retornar do banheiro, vulgo: parede do beco. Onde o Black despejava as quatro garrafas de cerveja que tomou. Tinham roubado as bebidas de um grupo de turistas com auxilio da capa de James. Só assim para beberem algo alcoólico. Peter foi procurar um banheiro e Sirius decidiu-se por algo mais prático. James era o único que parecia ter uma bexiga gigante. Não sentia a mínima vontade de ir ao banheiro.
– Sabe quem nós vimos no maior amasso agora a pouco lá na pracinha?
–Quem?- Ele perguntou entediado e Marie continuou.
–A sua prima e o Remus.- O Maroto ficou com as bochechas vermelhas- Estavam atrás de uma árvore, meio escondidos. Mas nós vimos. Beijo com abraço e tudo.
–De língua.- Dorcas acrescentou como se fosse uma informação muito importante- Você está bravo?- James travou o maxilar e as meninas seguraram o riso.
–N-não.- Gaguejou com certa dificuldade. Saber que Remus tinha um encontro com ela era uma coisa, agora ninguém autorizou os dois a darem um amasso.
–Você sabia sobre os dois?- Marie perguntou curiosa. James assentiu- E seu tio?
–Ele não pode nem sonhar!- o garoto respondeu preocupado- Mata a Mel e me mata por tabela e vocês...- Olhou para as duas meio indignado- Vê se não vão sair por aí espalhando.
–Pode deixar.- Falaram juntas e Marie sentou ao lado de James. Começaram a conversar. Logo Sirius chegou roubando um beijo de Dorcas e se juntando a conversa. O Black percebeu que seu amigo estava muito empolgado conversando com Marie e olhou para a menina ao seu lado.
–Dorcas.- Ele sussurrou e apontou os outros dois com os olhos. A loira sorriu e assentiu lentamente, captando o que Sirius queria fazer. Saíram de fininho deixando-os a sós.
–Aí minha mãe ficou doida porque eu e o Almofadinhas mostramos a bunda pro vizinho.
–Hahaha, vocês são loucos.- Marie tentava se acalmar do ataque de riso que teve- Mas o que seria a vida sem loucura?
–Uma chatice.- James respondeu e se olharam sorrindo. Marie se aproximou e mirou os lábios dele, logo depois voltou seu olhar para cima.
–James... V-você...-Ela suspirou um tanto quanto nervosa- Quando você beijou a Lene lá na brincadeira, você gostou?- O rapaz deu de ombros procurando não corar.
–Ah, gostei. Quer dizer, foi diferente, um pouco estranho até porque quem queria beijar ela era o Peterson e não eu.- Uma expressão de compreensão surgiu no rosto dela- E você. Como foi beijar o Cor?- Marie fez uma careta.
–Estranho. Muito estranho. Como você mesmo disse não era eu quem queria beijar ele, era a Lily então...
–A Evans?- James perguntou surpreso. Aquela informação incomodou de maneira muito mais intensa do que ele estava esperando.
–É. Por isso que ela recusou te beijar.- Ela se aproximou mais. Criando coragem para o que gostaria de fazer.
–Você acha que ela me beijaria se o Cor não tivesse participando?- Ele não conseguiu disfarçar a preocupação na voz. Marie atribuiu aquilo ao orgulho ferido.
–Provavelmente sim. Você é bonito e engraçado. Que garota não te beijaria?- James não deu muita atenção para o que ela disse. Sua cabeça rodava com a informação de Marie. Pensava que devia ser verdade já que elas eram amigas e dividiam o mesmo dormitório. Sentiu uma satisfação fora do comum por saber que ela podia ter aceitado beijá-lo. Sorriu e olhou para Marie. Ficou realmente contente pela informação que ela lhe deu.
Observou o rosto dela. Lábios finos, queixo pequeno, nariz redondo e num tamanho normal. Ela tinha cabelos escuros que desciam em ondas até o meio das costas. Uma coisa que chamou a atenção de James foi todo o conjunto. Os olhos azuis quase verdes, o sorriso sempre constante no rosto. Ela não tinha a barriga cem por cento reta, dava para perceber, mas não era algo que dissesse que estava fora do peso, tinha seios normais nem fartos nem muito pequenos, para James eram tão atraentes quanto qualquer par de seios podia ser para um garoto em sua idade.
Se perguntou por que estava enrolando para beijá-la. Diferente de Sirius, James não se importava tanto com o quanto gostosa a menina tinha que ser. Afinal, ele só tinha 13 anos e as garotas da mesma idade que ele também não eram tão desenvolvidas. Sem contar que Marie o olhava com muita admiração e sempre o elogiava. James adorava elogios.
– Nossa, você ficou muito calado. Não beijar a Lily te deixou tão abalado assim?- O moreno corou e pigarreou.
–Claro que não. Eu só estava considerando alguns aspectos sobre você.- Disse sem jeito e ela sorriu tímida.
–Espero que sejam positivos.- James se aproximou e passou a mão pela nuca dela.
–Pode ter certeza que sim. –Colou seus lábios nos dela. Marie suspirou surpresa e se afastou. Não estava esperando aquilo. Estava se preparando para perguntar sobre um possível interesse dele. Se preparando para tomar um fora, mas o rapaz a beijou- E-eu, desculpa, eu não sei o que deu em mim eu devia ter perguntado e...- Coçou a cabeça- Eu sou muito impulsi...- Calou-se quando sentiu os lábios da menina nos seus. Arregalou os olhos e em seguida fechou-os apreciando a sensação. Além de tudo Marie sempre usava um perfume agradável.
Abriu a boca pedindo passagem para a dela e suspirou com a deliciosa sensação da língua dela contra a sua. Estavam bem desajeitados, sem conseguir entrar em sincronia, mas Marie pareceu perceber e seguiu o ritmo de James.
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–Eu juro que vou te esganar.- Severus murmurou enquanto pegava uma varinha de alcaçuz do saquinho que Lílian carregava. Ela riu, pegando uma enquanto saiam da Dedos de Mel.- Olha, só de olhar pra essa loja.- Apontou para a filial da Madame Malkins- Já me dá embrulhos no estômago.- Lílian começou a rir.
–Ah, nós só ficamos três horas com as garotas. Você devia se socializar mais.
–Já passou pela sua cabeça que eu não quero me socializar com tipos como aquele?
–Deixa de ser ranzinza, como vai arrumar uma namorada andando só com o Malfoy e o irmão do Black?- Severus corou- Vaiii, não quer me dizer quem anda ocupando essa sua cabecinha?
–Como você...?- Severus parou de falar observando o sorriso dela. "Você" ele pensou e segurou um suspiro. Lílian se aproximou e o olhou acusatoriamente.
–Eu te conheço! E eu realmente espero que ela seja legal com você se não...
–Para de ser louca Lily!- Ela o olhou com deboche- Não estou apaixonado se é o que está insinuando.
–Eu acho que está sim. Vamos Sev, abra esse seu coraç...- Lílian parou de falar e franziu o cenho olhando para frente. Severus acompanhou o olhar dela e viu uma cena que na opinião dele era deplorável. James Potter aos amassos com Marie McDonald no banquinho da calçada. Não que estivessem num nível fora da decência, mas estavam bem empolgados a ponto de não ouvirem o deboche do capitão da Grifinória que passava naquele momento- Que ridículo.- Lílian murmurou revirando os olhos.
–Te incomoda?- Severus perguntou sentindo um certo medo. Não era possível que ela tivesse se incomodado com o fato de James estar beijando uma garota.
–Sim, me incomoda o fato da minha amiga estar sendo iludida por esse patife arrogante.- O coração de Severus ficou mais leve- Ela não percebe? Está fazendo papel de idiota.
–Ela tá correndo atrás dele desde o começo do ano. Sua amiga está se prestando a isso porque quer.- Lílian revirou os olhos e disse:
–Eu não vou falar nada pra ela. O que ela está achando? Que esse galinha vai pedir ela em namoro? Até parece. Depois vai sobrar pra mim ter que ficar ouvindo o chororo dela e da Dorcas.- Severus a olhou sem entender- Ela está saindo com o Black.
–Nossa, que amigas foi arrumar em? Uma saindo com o Black, outra com o Potter, a outra tava nos amassos com o Lupin ali atrás. Devia reciclar seu ciclo de amizades Lily.- A ruiva comprimiu os lábios contendo uma resposta mais mal educada e o olhou com seriedade.
–Elas são boas pessoas. A escolha de quem elas vão beijar não interfere na nossa amizade.
–Até quando?- Questionou acidamente.
–Para de ser tão desconfiado Sev. Não sei como se aguenta às vezes.- Debochou fazendo o rapaz corar.
–Desculpa.
_//_
Lílian jogou-se na cama cansada, tinha tomado um banho longo e estava relaxada, pronta para dormir. Mellani não tinha aparecido para o jantar e a ruiva concluiu que ela ainda estava com Remus. Marie ficou no meio dos Marotos e Dorcas também. Gabriel deu extrema atenção a ela na hora do jantar, mas preferiu ficar até mais tarde pelos corredores conversando com Peterson. O Corvinal parecia muito disposto a falar sobre Marlene.
Ouviu a porta abrindo e fechando, fechou os olhos. Não estava muito a fim de conversar com ninguém. A pequena discussão que teve com Severus quando voltaram para o castelo foi o suficiente para ficar triste. Sentia-se cada vez mais distante do amigo e tinha medo que a amizade deles se destruísse em Hogwarts. O que ela podia fazer quando ele insistia em fazer algum comentário maldoso de suas amigas?
–Lily? Ta acordada?
–Sim.- Respondeu quando percebeu que era Mellani. Sentou na cama puxando o edredom cobrindo-se de uma maneira toda atrapalhada. O cabelo da ruiva estava todo bagunçado e com muitos fios no rosto. Mellani rodou a varinha no alto enquanto murmurava um feitiço. As luzes acenderam e Lílian franziu o cenho para a claridade.- Que horas são?
–Nove e meia.
–Não jantou?- Mellani negou e Lílian a olhou espantada- Nossa, está mesmo apaixonada em. Logo você recusando comida?-Levou um travesseiro no rosto. Sentou em sua cama que era ao lado da de Lílian. A cama da ruiva era encostada na parede. Todas as camas em Hogwarts eram grandes o suficiente para dormir duas pessoas com espaço folgado.
–Eu me enchi de besteiras em Hogsmead. Muitas. E comi um lanchão lá pelas seis, antes de voltar para o castelo.
–Hum ok, então me conta como foi.- Mellani corou- Vocês se beijaram?- a loira assentiu e Lílian sorriu largamente.- E ele beija bem?- Mellani assentiu de novo. Lílian ficou corada de satisfação pela amiga- Como foi o beijo?
–Nossa, foi muito, muito bom.- respondeu sonhadora e suspirou- Sério. Se for pra você beijar, que seja alguém que está muito, mas muito a fim mesmo. Vai ser infinitamente melhor. Mesmo se eu beijasse o gostoso do Carter não seria tão delicioso quanto foi.- Lílian arqueou as sobrancelhas.- Que foi? Vai me dizer que acha o Carter feio?
–Não, ele realmente é bonito, sabe, aquela altura e aquele sorrisão...- A ruiva corou- Mas como sabe se o Remus é melhor?
–Não tem como ser melhor do que aquilo, sério.- Mellani deitou e fitou o dossel escuro acima.- Ele me beija de um jeito que eu tenho vontade de grudar nele e fazer merda.
–Mel.- Lílian repreendeu segurando o riso. Estava achando engraçado o jeito que amiga falava e resolveu provocar- Fazer merda de que jeito, em?
–Você sabe muito bem que tipo de merda.
–Nossa, você não acha que pensar essas coisas no primeiro encontro é muito... Precoce?
–Avisa isso pra minha calcinha então. Ela pareceu não se importar de se mol...
–MELLANI.- Lílian gritou extremamente corada. A loira sentou, rindo da cara da amiga. A ruiva sabia que a menina era daquele jeito. Falando e fazendo coisas que vinham na cabeça. A Evans gostava daquele jeito despachado da amiga. Parecia ser a única a apreciar a personalidade dela. Bem, ela e Remus é claro.- Mas vem cá, será que ele ficou assim também? Você sabe. Empolgado.
–Sim.- Mellani disse sorrindo.- Dava pra perceber quando ele ficava longe. Não queria me abraçar.- Soltou um riso frouxo- Foi divertido até.
–Você sentiu?- Lílian perguntou curiosa e Mellani negou com a cabeça.
–Não. Como eu disse, quando os beijos começavam a ficar mais intensos ele se afastava com alguma desculpa.- As duas se encararam. Lílian parecia muito curiosa.
–Você quer sentir?- Mellani corou e comprimiu os lábios.
–Er, acho que sim. Quer dizer. Dá vontade, não é? De abraçar pra valer quando se está beijando e... Se encostar.- Lílian abriu a boca num riso mudo. As duas pareciam um tanto quanto histéricas. Respiraram fundo e a ruiva ainda corada perguntou:
–Será que... É bom?
–O que? Sentir assim... Perto?
–Também. Mas tudo que as alunas mais velhas cochicham por aí, sabe? Sobre sexo e tudo o mais.- As duas coraram muito e Mellani deu de ombros.
–Não sei, mas se um beijo já faz tudo isso, imagina só o resto.
–Eu fico pensando como deve ser estranho ficar nua na frente de alguém que está nu também.- Mellani soltou um risinho infantil.
–É, mas sei lá. Nos livros de romance o casal sempre parece bem empolgado.
–Ouvi minha prima dizer que dói. Será que dói muito? Por que nós temos que ter hímen?- Lílian perguntou frustrada. Mellani sorriu maliciosa e encarou a amiga.
–Se ele me fizer sentir muito mais do que eu já senti num beijo eu vou sumir. Vou desaparecer. Igual os fantasmas.
–Hahahahaha você está num fogo em.- debochou e Mellani revirou os olhos- O que será que os garotos pensam sobre isso?- Ambas ficaram caladas por uns dois minutos. Grant deu de ombros e murmurou:
–Na mínima eles devem pensar mais merdas. Enquanto a gente se preocupa se vai doer, se ele vai ser gentil, o que fazer se nossos pais descobrirem, se está no momento certo e todas essas coisas, eles só se preocupam em gozar na hora certa.- Lílian não pensou que pudesse ficar mais corada do que já estava, mas o linguajar de Mellani provou a ela que estava completamente errada.
–Você acha que pode vir a er... Transar com o Remus?- Mellani sentiu o rosto arder de novo.
–Eu não sei. É muito cedo pra pensar, afinal, eu beijei ele pela primeira vez hoje. Mas sei lá, se a gente começar a namorar, depois de um tempo, por que não? E Mick Jagger não aprova sexo só depois do casamento.- Mellani disse num tom solene.
–Você gosta mesmo desses caras, não é?
–Quem? Os Stones? Eu fico excitada quando ouço as músicas dele. Sério, se eu pudesse ouvir alguma música na minha primeira vez gostaria de ouvir Stones. Ou no meu primeiro porre. Pra falar a verdade eles são a trilha sonora da minha vida!
–Eu prefiro Beatles.- Lílian disse rindo- Eles que me inspiraram a ir para as aulas de música, aprender violão e guitarra.
–Você toca guitarra? Que de mais. E Beatles são muito caretas pra mim.- Mellani disse se levantando- Lírio do meu jardim, o papo foi ótimo, mas preciso tomar um banho e dormir.
–Você falou com seus tios sobre as férias?
–Sim, eles disseram que vão pensar. O jeito é esperar, né?- Lílian assentiu- E seus pais?
–Adoraram a ideia, eu falo tanto de você que eles estão loucos para te conhecer.
–Ah, o que sua mãe achou do presente que mandei pra ela ano passado?
–Adorou. Eles já gostam de você por ser minha melhor amiga. Estão muito empolgados com a ideia de você passar um tempo por lá.
–É meus tios sugeriram isso pra mim. De você passar o final de ano por lá. Eu expliquei sua situação com o Jay e com o apocalisírius, mas eles teimaram.
–Bom, eu não vejo problema em ir. Se meus pais deixarem.- Mellani sorriu, pegou a toalha e rumou para o banheiro.
Mellani tomou um banho longo, com mil coisas na cabeça. Quando se deitou Dorcas chegou ao lado de Marie e ambas cochichavam sem parar. A loira estava num estado muito sonolento, meio dormindo meio acordada. Pode ouvir Marie falar sobre ter beijado James e no relato de Dorcas sobre como a tia dela quase a pegou aos beijos com Sirius. Mellani dormiu ouvindo a voz de Dorcas.
Entrou na terra dos sonhos e se viu num cenário muito estranho. Parecia Hogsmeade, mas não era. Andava com Remus, estavam de mãos dadas e ela tinha medo que sua tia a visse com o garoto, mas ela não tinha uma tia. Remus a puxou para um beijo, era bem mais quente do que todos os outros que tinha tido. Diferente. Ela ouviu risadas e se afastou do rapaz. Estava na velha casa abandonada e todos riam dela. Estava no meio de um círculo, a garrafa de vidro parada. Não era Remus quem ela tinha beijado. Era Sirius. Arregalou os olhos sentindo-se mal, tentou escapar dali, mas ele a puxou perguntando o que tinha acontecido. O Black a beijou novamente e ela não conseguiu se afastar.Quando abriu os olhos estava num quarto escuro, deitada numa cama. Sirius estava sem camisa deitado por cima dela. A gravata do uniforme amarrada na cabeça e ria muito. Ela ria também, e o acariciava com ternura. Se beijaram.
Mellani acordou assustada, já era de manhã. As colegas de quarto ainda dormiam. Lílian parecia estar num sono pesado e a loira concluiu que devia ser muito cedo. Sentou e levou a mão ao cabelo jogando a franja para trás. Estava arfando. Não gostou nada do sonho que teve. Ficou com muito mais raiva de Sirius, mesmo que aquilo não fosse culpa dele. Para ela o Black era culpado por existir.
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–GRANT! OLHA O FOCO!- Carter gritou do outro lado do campo. Percebeu que Mellani estava muito distraída deixando até mesmo as goles de Derick passarem. Sirius riu provocando-a novamente. Aquilo estava tirando a menina do sério. Voltou para os aros tentando defender. Sirius provocava a garota toda hora com comentários sobre Remus e sobre o quanto ela era patética. Ela voou até Sirius sem que Carter visse e disse com raiva:
–Você não se aguenta porque ele não abaixou a cabeça pra você e foi atrás do que queria.- Olhou-o com raiva. Sirius devolveu o olhar com nojo.
–Você acha que fazendo isso vai acabar comigo? Que se aproximando do meu amigo vai me ferir? Não sou eu que beijo essa sua boca nojenta. Devia pensar um pouco nele.
–Quando você vai perceber que as coisas não giram ao seu redor Black? O mundo é muito além de você e com toda certeza a minha vida não tem nada a ver com você. Coloca nessa sua cabeça doente que eu GOSTO do Remus, eu estou completamente e inalteravelmente A-PAI-XO-NA-DA por ele. Se você não se conforma o problema é SEU!- Ela gesticulava apontando pra ele a todo instante. Sirius sentiu uma pontada na boca do estômago quando ouviu aquelas palavras. Não gostou nada, ficou incomodado. Saber que a coisa era muito mais seria do que ele pensava o deixava apavorado. Ele conhecia Remus suficientemente bem para saber que logo pediria a garota em namoro.
Pensar que Mellani seria uma presença constante entre eles o irritou mais ainda. Logo James voltaria a falar com ela 100% e se James fizesse isso Peter sentiria a obrigação de ser legal também. Aí quando ele dissesse algo os três se voltariam contra ele e tudo por culpa dela.
–Eu não quero você no meu espaço, no meio dos meus amigos e muito menos fazendo parte de algo que não é seu.
–Para de ser egoísta e babaca! Eu não dou à mínima se te incomodo tanto. Se você tem problemas nessa sua cabeça cheia de merda eu não posso fazer nada.
–Você é patética. Vive com esse seu comportamento arrogante fingindo que não liga pra nada, mas quando eu falo alguma coisa sobre o seu NÃO relacionamento com o Aluado aí você fica toda pé da vida. Você é pior do que nada Mellani. Você consegue ser mais patética do que isso. Sinceramente? Eu não sei o que Remus viu em você! Se eu fosse ele trocava você pela Coraline. Sabe, ela está bemmm na dele. Deram até uns beijos uma semana antes dele sair com você.- Mellani ficou pálida no mesmo instante. Sirius sorriu debochado- Vai me dizer que seu não-relacionamento super sincero não tinha essa informação? É questão de tempo até que ele troque você por uma garota muito maneira e muito, mas muito mais gostosa que você. Se toca! Você só é um brinquedo novo.
Mellani soltou um rosnado que lembrou a Sirius um gato raivoso. Por dois segundos ele desconfiou de que ela praticasse animagia.
–Não fale de Remus como se ele fosse igual a você. As pessoas não são iguais a você. Ninguém quer ser babaca feito você e se a sua cabeça pensa em tratar as mulheres desse jeito. Tenho pena da santinha idiota que pensa que vai casar com você só porque tirou a virgindade dela.- Mellani não insinuou. Mellani acusou. Ele não gostou do jeito que ela falou de Dorcas. Ele sentia como se a garota lhe pertencesse, era possessivo de mais. Insultar algo que era dele o ofendia muito.
–Diferente de você, Dorcas não é uma vadiazinha de baixo escalão.- Mellani levou a mão até a caneleira e retirou a varinha com raiva, já tinha escutado muitas merdas dele, mas aquilo passou dos limites. Sirius também pegou sua varinha e se atacaram no ar. O feitiço passou raspando na bochecha de James que arregalou os olhos. Ambos começaram a duelar em pleno ar. O ódio era visível a distância.
Sirius desarmou Mellani e numa reação muito rápida ela deu um chute na mão dele fazendo-o perder a varinha. Ela voou na direção do mais novo artilheiro e empurrou-o com o ombro. James viu a cena se desenrolar ao longe. Sirius começou a xingar Mellani. A garota não deixou por menos, usando um palavreado tão chulo quanto o de um bêbado os dois se xingavam e se empurravam. Carter estava tão concentrado passando uma informação a James que parou de falar só quando viu que os outros dois estavam prestes a se agredir.
–... Então vê se fica na sua porque até onde eu sei vaca não pode voar.- Sirius disse muito alto.
–SEU FILHO DA PUTA!- Mellani jogou-se em cima dele, suas vassouras colidiram e ela tentava derrubá-lo de qualquer jeito- Por que não vai dar uns amassos na santinha da sua namorada e nos deixa em paz?
–Você está usando ele, eu sei que está!- Sirius disse num argumento descabido. Johnson, Mattew, Lucas e Derick pararam o que faziam e olhavam boquiabertos para o novato e a mascote do time. Estavam se atracando no alto a socos e ponta pés. Quase caindo de uma altura muito grande para que saíssem ilesos.
–Desculpa capitão, mas não é melhor mandar esses dois para o chuveiro? Só por precaução? Não seria nada bom jogarmos com o time desfalcado.- James deduziu que Sirius teria que jogar como titular porque o capitão não tinha aparecido com uma cara muito boa. Na mínima Octavio não poderia jogar por um bom tempo.
–Gostei da sua visão James. Tem liderança.- Elogiou ainda pasmo com a cena que se desenrolava a frente. Levou o apito aos lábios assoprando-o com toda a força. Mellani e Sirius se separaram ofegantes e morrendo de raiva.
–GRANT! BLACK!- O loiro voou até os dois- Isso é inadmissível. Estamos a quatro dias do jogo de eliminatórias e vocês armam o barraco? Estão ficando loucos?- Ele parecia tão bravo que Mellani se encolheu um pouco. Estava envergonhada. Sirius parecia não ligar.- Eu não quero saber quem é que traiu quem aqui!- Disse mais para provocá-los. Sabia que eles não tinham nada. Sirius levantou o canto no lábio superior igual um cachorro. Mellani corou- Mas em campo somos um só, uma máquina de vitória! Se vocês estragarem essa harmonia eu vou ser obrigado a tomar medidas drásticas.
–Esse idiota podia ficar de boca fechada e...
–Idiota é esse seu nariz empinado. Sua tampinha do capeta.
–Sua diarreia de quimera!- Mellani respondeu com muita raiva.
–CHUVEIRO! Os dois! E agora! Só quero ver a cara de vocês aqui quando souberem se comportar!
–Mas Carter...- Mellani começou e o capitão a olhou duramente-Ok.- Suspirou cansada. Sirius já estava descendo quando foi chamado.
–Hey Black.- O rapaz olhou para trás- É bom se preparar, vai ser titular nos próximos jogos.- Sirius arregalou os olhos e assentiu- E agora, CHU-VEI-RO.
–Sim senhor.- James se aproximou enquanto Sirius e Mellani desciam vagarosamente.
–O estado de Octavio é grave?- Perguntou o moreno.
–Sim e não. Não está com a saúde em risco, mas Madame Pomfrey disse que esse ano ele não joga mais.- James ficou muito preocupado e olhou para o capitão demonstrando isso.
–Acha que Sirius consegue? Suprir a rapidez do Octávio?
–Eu tinha minhas dúvidas James. Mas Sirius é muito rápido e esse último treino mostrou que é muito ousado. Tão ou mais ousado que você.- James assentiu ainda preocupado- Ele será brilhante.
–Não fica preocupado com o problema de comportamento dele? Sabe, ele e minha prima parecem ser um problema em potencial.- Carter sorriu. James tinha muita visão, era aquilo que ele estava procurando.
–Você vai saber contornar isso melhor do que eu.- Disse deixando o moreno confuso-E o problema deles só vai ser resolvido de um jeito.
–Qual?- James perguntou confuso- Fala logo porque vai ser bem melhor pra todo mundo se eles pararem de brigar.- Carter deu um sorriso misterioso e resolveu mudar de assunto.
–Chega de bate papo. Tenho que dar a notícia do Octavio ao resto do time e treinar! Temos um jogo sábado!
–O cara, mas você tem que me falar aí...- James saiu voando atrás do capitão.
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–Remus!- Mellani correu apressada por entre as macas da enfermaria recebendo um olhar desaprovador da enfermeira. James a seguiu com um sorriso nervoso. Era terça-feira e o menino não tinha aparecido nas aulas do primeiro período. Ela ficou com medo do que pudesse ter acontecido já que o rapaz tinha sumido durante todo o domingo e agiu esquivamente na segunda. Pressionou James e este acabou contando que ele estava na enfermaria.
Mellani tentou saber o motivo, mas James não contou e aquilo a preocupou muito. Quando finalmente chegou onde o rapaz se encontrava parou um tanto quanto chocada. Ele parecia muito doente, estava pálido, mas não o tom de palidez usual que sempre levava, era pior. Tinha curativos grandes pelo pescoço e rosto. Mellani se aproximou preocupada. O loiro arregalou os olhos quando a viu. Mellani reparou que os olhos dele estavam mais amarelados que o normal. A cor castanha amarelada tão usual no olhar do menino tinha dado lugar para um tom mais alaranjado, quase âmbar.
Mellani sentiu um calafrio, seu corpo agiu por instinto àquela tonalidade. Ela não fazia ideia do motivo, mas sentia como se aquele olhar alaranjado fosse extremamente ameaçador.
– Remus...- Repetiu o nome dele se aproximando. Passou a mão pelos cabelos dele sentindo como ele estava quente- O que houve com você? Está com febre? O que andou fazendo para adquirir todos esses arranhões? Céus.- Passou a mão pelos cabelos novamente, deu um beijo na testa dele.- Não sabe como fiquei preocupada quando James soltou que você estava aqui.- O coração de Remus se aqueceu com aquela informação. Estava muito mais consciente do cheiro dela naquele instante. Desviou o olhar abobado dela e encarou James com os olhos cerrados.
–Desculpa, ela me esperou no vestiário e puxou meu braço com muita força nas costas. Se eu não falasse ela ia quebrar.
–Tem algum problema em vir te ver?- Mellani puxou uma cadeira que estava perto de outro leito- Está escondendo algo?- Remus engoliu em seco.
–Eu acho que vou por ali...- James apontou para saída enquanto coçava a cabeça num sinal evidente de desconforto. Remus se limitou a lançar um olhar gelado a James.
–Remus...- Mellani o chamou carinhosamente- O que houve?
–E-eu...- Seu coração disparou muito forte. Não sabia o que dizer. Decidiu ser sincero- Tenho uma doença. Grave...- Mellani ofegou- Não é nada contagioso e é grave apenas para mim... Como pode ver.- apontou para o próprio corpo- Eu... Desculpe por ter ficado com você sem falar nada.- Mellani sentiu mais admiração ainda por Remus- Eu não tinha esse direito, eu sinto muito.- engoliu em seco e a olhou nos olhos- Só estava tão feliz com a ideia de sair com você que... Me precipitei. Esqueci disso por um momento. Eu sinto muito.
–Não quero que se sinta assim. Você já disse, não é nada contagioso.- sorriu tentando fazer graça. Remus continuou olhando-a sério- Você estar doente não pode ser culpa sua... O-ou é?- Remus negou- Não se culpe por ter proporcionado o melhor sábado da minha vida.- deslizou a mão até a dele e segurou com delicadeza sem igual.- Você não está morrendo? Está? Digo, como um câncer ou algo assim.
–Não. O que tenho não pode me matar, mas me deixa muito debilitado.
–E é... ?- Remus a olhou com súplica, sabia que aquele momento chegaria. Estava com medo da reação dela.
–Mellani, eu... A-ainda não estou preparado para dizer. Digo, não quero nem que as pessoas saibam que sou... Doente. Se você pudesse enten...- Parou de falar quando sentiu os lábios dela nos seus. O coração do licantropo deu um salto. A satisfação era imensa. Logo a garota iniciou um beijo lento, calmo e na opinião de Remus, extremamente delicioso. Suspirou quando ela se afastou e a olhou nos olhos. Passou a mão pelo rosto dela com carinho
–Eu confio em você.- sussurrou- Confio muito. Quero saber o que é, mas vou respeitar seu momento.- Sorriu tímida para ele. Remus se sentia tão feliz, tão positivamente surpreso que sorriu de volta, mesmo que todo seu corpo doesse ao fazer isso. Ainda acariciando o rosto dela o rapaz sussurrou de volta:
–Está me fazendo muito feliz.- sorriram um para o outro.
–Como vai fazer com as aulas? O que eu posso fazer para te ajudar?
–Quanto à ajuda, se quiser contrabandear uns chocolates quando eu precisar ficar aqui eu aceito.- os dois riram- Agora, não precisa se preocupar com as aulas, eu tenho crises mais fortes apenas na primeira quinzena do mês. – Se chutou mentalmente. Mellani era inteligente, ele sabia daquilo, se juntasse com a aparência dele saberia o que ele era em menos de dois dias- Digo, quando tenho meus excessos.- O dois riram e ela se aproximou roubando outro beijo dele.
–Posso te ajudar com o chocolate.- Enfiou a mão no bolso e retirou uma embalagem de sapo de chocolate. Sacudiu na frente dele- Mas só se me prometer um beijo em troca.
–É muito sacrifício senhorita Grant, mas o que eu não faço por um doce?- Ela riu e ele a puxou delicadamente beijando-a. Cada músculo de seu corpo doía, mas a satisfação ao beijá-la era tão gratificante que ele decidiu ignorar o restante. Separaram-se ofegantes.
–Uau...-Ela murmurou sorrindo bobamente- Está aqui.- Entregou o chocolate a ele- Seu pagamento.
–Céus, estou me sentindo uma prostituta.- Os dois riram novamente. Mellani ficou por ali até Madame Pomfrey enxotá-la dizendo que ela precisava estudar e não beijar meninos debilitados. Remus tomou uma poção para aliviar a dor e aquilo o deixou sonolento. Dormiu com um sorriso bobo nos lábios.
_//_
–VAIIIIII SIRIUS!- Dorcas gritou das arquibancadas junto com a maior parte da Grifinória. Era dia 21 de outubro, sábado de manhã. Faltava exatamente uma semana para que Sirius fizesse 14 anos de idade.
O jogo contra a Sonserina estava muito acirrado. Mesmo que ganhassem esse jogo ainda corriam o risco de jogar com a Sonserina nas finais. Tinham que acumular pontos, derrotar a Corvinal no próximo jogo e esperar que a Lufa Lufa ganhasse da Sonserina, o que era praticamente impossível.
As contusões de Octavio foram boas para Sirius já que o Black pode jogar como titular. Seu jogo de estreia estava sendo contra um adversário a altura. Ele adorava desafios e estava se saindo de um jeito brilhante. Carter o orientou a fazer a mesma manobra que no treino quando James estivesse a ponto de capturar o pomo.
Segundo Carter, a comoção dos torcedores distrairia o apanhador rival dando vantagem a James. O jogo estava de tirar o fôlego. Mellani dava um show à parte deixando todos de queixo caído. Sirius estava conseguindo marcar muitos pontos mesmo o time da Sonserina sendo mais violento- Isso não é justo, Roch não está vendo?
–Calma Dorcas, assim vai ficar com dor de garganta.- Lílian debochou olhando para Mellani- NOSSAAAAA.- Gritou quando um balaço passou raspando no ombro da amiga. Remus estava sentado ao lado de Lílian e se levantou quando viu aquilo. Ele ainda não tinha se recuperado totalmente da lua cheia, mas já estava bem melhor.
–CARALHO!- Peter gritou- ESTÃO DESCENDO O CACETE NO SIRIUS, POW!
–Isso é porque ele é brilhante.- Cortney defendeu suspirando. Remus olhou-a desconfiado. Seu olhar correu até Dorcas, a loira pareceu não perceber a defesa acalorada que Sirius recebeu. Quando James começou uma disputada acirrada pelo pomo o silêncio tenso se espalhou pelas arquibancadas, até o momento em que Sirius executou "A Pancada de Fingbourg" a partir daí os gritos de empolgação encheram o ar.
O plano de Carter deu certo, o outro apanhador se distraiu e James capturou o pomo conquistando a vitória para o time. Sirius saiu voando empolgado até a beira da arquibancada e puxou Dorcas pela nuca dando-lhe um beijo empolgado. Muitos assovios foram ouvidos. Ele gostava daquilo, mostrar o que tinha, marcar seu território. Era um exibido. Logo voltou para a comemoração junto com o time.
_//_
–PARABÉNS SIRIUS.- Um rapaz gritou no salão comunal. O disco do Rolling Stones tocava muito alto em um aparelho apoiado numa mesa que quase ninguém sabia como tinha parado lá. Um barril de cerveja amanteigada estava à disposição dos alunos. Os integrantes do time entraram de uniforme no meio da bagunça. Flicth não conseguiu detê-los. Eram muitos alunos. Todos dançavam, sacudiam as mãos e falavam os nomes de James e Sirius vez ou outra.
–AO NOSSO APANHADOR HERÓI.- Um garoto gritou brindando com um copo de cerveja trouxa, contrabandeada por Carter para dentro do castelo- E QUE A FINAL SEJA MELHOR DO QUE ESSA ELIMINATÓRIA.
–A SIRIUS, QUE FEZ DO GOLEIRO DA SONSERINA UM IDIOTA!- Gritou alguém ao fundo.
–HU HU HU.- Muitas pessoas gritaram. Lílian tentou dar os parabéns a Mellani sem sucesso. Se afastou meio sem jeito e sorriu quando viu a amiga pular nos braços de Remus efusivamente e lhe dar um beijo de tirar o fôlego. Todos assoviaram e gritaram incentivos.
–Ela está bem feliz.- Gabriel disse se aproximando de Lílian. Ela sorriu para ele e assentiu.
–É onde ela se liberta.- deu de ombros- No campo.- O rapaz passou o braço pelo ombro de Lílian e ficou meio abraçado a ela. A ruiva sentiu as bochechas corarem. Estava adorando aquela proximidade. Suspirou.
–Acho besteira essa exaltação só porque o Potter pegou uma bolinha que voa.
–Ah, alguém me entende.- Lílian riu e levou a mão até a dele que estava em seu ombro. Gabriel sentiu-se confortável com aquela proximidade.
–Você passa shampoo de flores, não é?
–Ah, sim.- A ruiva respondeu sentindo satisfação por ele reparar.
–É daquela marca que os trouxas usam, não? Com a embalagem branca e amarela?
–Sim, como você sabe disso?
–Tenho um creme pra pentear com o mesmo cheiro. É uma delicia.- Lílian franziu o cenho enquanto segurava o riso.
–Eu não sabia que garotos usavam creme para pentear.
–Bom, eu uso, deixa o meu cabelo bem macio e eu definitivamente não quero ficar parecendo um ninho de coruja igual o apanhador ali.- E apontou para James. Lílian começou a rir- Tenho um pra mãos que é sensacional. Embora você não precise.- Acariciou as mãos dela- Suas mãos são muito macias.- Levou a mão dela até o nariz- E cheirosas.- Lílian sorriu para o amigo e se afastaram da muvuca andando abraçados.
–Você falando em mãos assim me lembrou da professora de adivinhação.
–Ela é uma pirada.- Gabriel comentou com desdém. Lílian gostava das aulas de adivinhação- Quiromancia. Baboseira. Ninguém pode prever o futuro da pessoa pelas riscas da mão ou pelas folhinhas de chá.
–Eu gosto das aulas dela, são descontraídas e aqueles pufs e incensos dão um ar místico. Nem parece que estamos assistindo aula.
–O Potter pareceu gostar bastante das aulas dela, afinal, aproveita a penumbra pra ficar roubando beijos da Marie.
–Está com ciúme dela Gabriel?- Lílian perguntou com divertimento, um artificio para disfarçar sua preocupação. O loiro revirou os olhos e disse:
–Lily, pelo amor, nem acho a Marie atraente. É que ela vai se ferrar no final do ano, apenas isso.
–Não vejo você se preocupar com a Dorcas.
–A Dorcas não deixa o Black ficar agarrando ela na sala de aula mesmo que ele insista. E convenhamos, a Marie não é tão esforçada quanto ela ou você.
–Está me elogiando de mais em.- Lílian debochou- O que está querendo?- Gabriel corou e apertou a mão dela sem perceber o que fazia- Aí calma, não precisa quebrar meus ossos.
–Desculpa.- Os dois caíram na risada.
_//_
James descolou a boca de Marie por um instante e sorriu para a menina.
–Desse jeito eu vou precisar de um feitiço revitalizante.- Murmurou se levantando do sofá.
–Vou pegar cerveja amanteigada, vai querer?- Ela perguntou ficando em pé. James coçou a nuca e murmurou:
–Eu prefiro a trouxa. Tem álcool como a cerveja bruxa... Não a amanteigada.
–Não conseguiram comprar cerveja em Hogsmeade?
–Com feitiços de linha etária e tudo o mais fica complicado.- Ele disse- Enrolar trouxas é bem mais fácil.- Marie riu e saiu andando para pegar cerveja para os dois. James passou os olhos pelo salão comunal. Franziu o cenho quando viu Mellani de conversas e beijos com Remus num canto mais afastado. Eles não estavam dando uns amassos, conversavam bem mais do que se beijavam, mas ainda sim ficava incomodado quando via sua prima encostar a boca na do melhor amigo com tanto entusiasmo.
Para James Remus era quase um irmão e Mellani era sua irmã. O moreno sabia que era só uma questão de tempo para se acostumar a ver os dois juntos sem precisar segurar o impulso de ir até lá e separá-los aos berros e pontapés. Para o maroto Mellani ainda era uma pirralha. Preferiu tirar os olhos dos dois para não ficar pensando asneiras e viu uma coisa que o incomodou mais do que sua prima aos beijos com seu melhor amigo.
–O que o Cor ta fazendo com o braço no ombro da Evans?- Perguntou para ninguém em especial. Sirius parou ao lado de James observando a cena.
–A julgar pela minha experiência, ele quer dar uns amassos nela ou descobrir os segredos de beleza.- respondeu com muito deboche- Deixa os dois, a Evans precisa mesmo dar uns amassos pra deixar de ser tão insuportável.- levou o copo de plástico vermelho a boca sorvendo quase toda a cerveja que tinha dentro. Quando abaixou o copo e abriu a boca para soltar mais algum comentário idiota James puxou a cerveja da mão dele e saiu andando- Que você vai fazer Pontas?
–Me divertir com a cara desses dois manés.- disse rindo. Sirius achou a ideia muito engraçada e chamou Peter, Mattew e Johnson para ver o que o amigo faria. Os quatro ficaram olhando James andar perto de Lílian e fingir tropeçar derrubando cerveja na camisa clara dela.
Em menos de um segundo a ruiva ficou com a camisa transparente. James disse algo e saiu andando. Lílian veio atrás com raiva:
–Então eu tenho que pedir desculpas por você ter esbarrado em mim? Você é doente Potter?- Ela estava de braços cruzados cobrindo a área transparente da roupa. James sorriu de lado e disse:
–Ou você pode deixar de ser tão chata e vir se divertir com a gente.- Sirius e os outros três garotos começaram a rir. Lílian vermelha era muito engraçado.
–Eu me recuso a perder o meu tempo com gente como você.- Bufou. James passou a mão pelos cabelos e disse sorrindo.
–Você tem que relaxar. Sabe, a minha tia morreu de chatice... Ela até se parecia um pouco com você...-James estendeu a mão como se mirasse uma paisagem para tirar foto- Principalmente essa veia enorme e pulsante aí na testa.- Começou a rir, esperava realmente que ela achasse graça de algo que ele dissesse. Lílian soltou um ruído irritado e disse com um ar cansado:
–Você é muito criança Potter! Vê se cresce.- Virou batendo o cabelo no rosto dele e saiu andando.
–Uhhhh vê se cresceeee.- Johnson tirou sarro.
–Ela é tão adultaaa.- Mattew continuou e Sirius começou a rir.
–Valeu a pena, ver o Cor dando um ataque de pelanca valeu muito a pena.- James disse ainda rindo- Estressadinha ela, não?
–E como.- Peter completou rindo.
A festa de comemoração continuou por muitas horas. Os alunos foram se retirando aos poucos. Sirius puxou Dorcas para uma poltrona de frente para a lareira e cantou vitória por dentro quando a menina se deixou sentar nas pernas dele. Ninguém estava naquele local enchendo o saco deles e o rapaz pode aproveitar os beijos e carinhos da menina. Quando revolveu tirar as mãos das costas e pescoço dela para se aventurar na barriga e nas pernas Dorcas se levantou com uma desculpa qualquer e deixou-o sozinho sentado na poltrona.
Sirius estava realmente frustrado e estava dolorido em lugares que ele realmente gostaria de já usar com alguém. Fechou os olhos tentando se acalmar e voltar para os amigos.
–Final de festa frustrante?- Uma voz feminina que ele não soube identificar murmurou. Ele abriu os olhos e viu Cortney sentada no sofá ao lado da poltrona. Sirius se levantou e sentou ao lado dela para conversar sem precisar falar tão alto. O som dos Stones ainda perseverava no salão da Grifinória. Esfregou o rosto e assentiu.- Você foi brilhante Sirius.- O rapaz sorriu.
–Obrigado.
–Espero que Dorcas não tenha se ofendido com o abraço.
–Ela não é ciumenta.- Sirius respondeu- E não somos namorados. Ela não tem porque ficar ofendida com nada.- deixou bem claro. Não que pensasse em ter alguma chance com Cortney, sabia que as garotas tinham um certo código de conduta entre amigas, mas não queria queimar seu filme com alguma amiga dela. Quando Dorcas estava por perto ele reparou apenas nela e nos seios fartos fazendo curvas na camisa fina de algodão azul, agora no entanto, estava reparando em Cortney.
Ela estava com uma calça de pano escuro muito apertada e uma camiseta de manga cumprida com tema da Grifinória também muito apertada. Seu corpo estava todo avantajado com aquela roupa. O jeito que ela estava sentada dava a Sirius uma bela visão da cintura e dos seios. Seu corpo reagiu imediatamente e ele sentiu a já apertada calça do uniforme do time ficar mais apertada ainda. Xingou-se mentalmente. A menina cruzou as pernas evidenciando as cochas. Sirius engoliu em seco.- E por que acha que minha festa está frustrante?
–Não a festa...- Cortney disse.- Seu relacionamento com a Dorcas. Digo, quanto tempo vocês estão juntos mesmo? Duas semanas?
–Por aí.- Ele murmurou finalmente encostando as costas no sofá. Apoiou um pé no joelho e o braço esquerdo que estava próximo de Cortney. Se apoiou na perna que estava pra cima.- Estamos só nos conhecendo.- arqueou uma sobrancelha, Cortney lembrou-se de Mellani quando ele fez aquilo e se incomodou um pouco- Por que você 'tá' perguntando tanto?
–É que, desculpa, mas não consigo entender como logo você foi ficar com alguém como a Dorcas.- Sirius franziu o cenho confuso.
–Ela é linda e inteligente, precisa de mais?- Cortney engoliu em seco.
–Então está com ela por ser linda e inteligente?- As ideias da garota entraram em conflito naquele instante- Não pensei que se importasse com o que as meninas pensam.- Sirius olhou para a lareira, estava tentando não pensar besteiras em relação a Cortney, mas as atitudes dela o faziam pensar justamente sobre isso. Será que ele estava confuso ou realmente a menina estava se insinuando? Ela já tinha lhe mostrado as pernas numa ocasião, e em outra derrubou os cadernos e se abaixou na frente dele, o decote foi nítido. Poucas horas atrás tinha lhe dado um abraço tão íntimo que ele conseguiu sentir os seios dela perfeitamente, além de outras coisas mais embaixo roçando nele. Engoliu em seco- Você está apaixonado por ela?
–Isso não é um pouco invasivo? – Questionou debochado e voltou a olhá-la.
–Eu só estou curiosa.- Murmurou se aproximando. Sirius jogou os cabelos para trás e sorriu de lado, lançava charme na mesma medida em que respirava. Ela sabia disso e estava se sentindo quente de mais ao lado dele. Sentia-se quente em lugares específicos. Especificamente pervertidos.
–Dorcas foi uma das primeiras garotas que beijei.- Murmurou lembrando-se de Judith e da brincadeira na casa dos gritos- E eu gosto de beijá-la.
–Eu percebi que se estressa muito fácil quando ela saí de fininho.- Sirius tirou o braço da perna e passou pelo sofá quase encostando nos ombros da menina. Ele se aproximou e murmurou no ouvido dela:
–Se for pra falar sobre essas coisas vamos começar com um nome.- ele estava se irritando com as insinuações dela sobre sua suposta paixonite por Dorcas- Lucas Flacth, batedor da Grifinória.- Cortney corou, tanto pelo assunto quanto pela proximidade com ele- Ou então podemos falar de uma situação. Você correndo atrás dele, quem sabe? O que foi? Ficou muda?- Cortney engoliu em seco, queria muito virar e beijar Sirius, mas precisava saber se conseguiria algo dele.
–E-eu... Achei que estava apaixonada por ele, mas isso é uma tremenda baboseira.- Sirius gostou do que ouviu- Eu mandei um bilhete mês passado. Ontem ouvi ele debochando da minha aparência. Me comparou com a Grant.- Suspirou frustrada- Ele quer alguém como a Grant e não como eu. – Sirius percebeu o quanto ela parecia irritada e frustrada- Eu sou bem idiota.
–Não é. Você é bem divertida. E tem um bom senso. Não gosta da Grant.- os dois riram, Sirius aproximou o rosto do pescoço dela, Cortney não se retraiu, pelo contrário, suspirou. Ela estava bem cheirosa. O Black não soube se foi à cerveja ingerida ou a frustração de não conseguir dar um amasso em Dorcas, mas estava muito excitado com Cortney. – E é linda, se soubesse o que está passando na minha cabeça no momento, não se sentiria mal.- Ele falava deslizando a boca propositalmente no pescoço dela, subindo para a orelha- Não deve ficar triste por causa de um babaca fracassado feito aquele batedor de mal gosto.
–Você acha?- Ela lançou um olhar para baixo e pode perceber o estado de excitação do maroto. Não sabia o que sentir, mas estava com a adrenalina e a excitação em níveis alarmantes.
–Você está me deixando louco.- Ele sussurrou e deslizou os lábios da orelha para o maxilar da menina distribuindo um beijo molhado intercalado por mordidas. Cortney olhou em volta por um momento. Nenhum aluno reparava neles. Marie estava ocupada dando uns amassos em James num canto escuro embaixo da escada. Dorcas tinha subido com uma desculpa qualquer e conhecendo a amiga, ela não desceria mais. Não tinha visto Lílian em lugar nenhum. O sofá era alto e os ocultava do resto do salão. Sentiu a boca dele na sua e suspirou fechando os olhos. Deixou que Sirius invadisse seus sentidos, brincasse com sua língua e a fizesse perder a noção de onde estava.
Se inclinou para frente e ele passou a mão pelas cochas dela. Sirius sentia o gosto de cerveja vindo da boca dela, mesclando-se com o sabor dele. Suspirou e a puxou pelas pernas, Cortney não ofereceu resistência e sentou-se no colo dele. O Black ofegou e mordeu o lábio inferior da menina. Pressionou-a contra si sentindo um estimulo muito forte. A beijou com tanta fome que a menina se afastou momentaneamente. Ele segurou o traseiro dela fazendo-a ir para frente e logo depois para trás. A fricção causou ondas de prazer e calor em ambos.
–Dorcas!- Sirius ouviu a voz de James chamar ao longe e empurrou Cortney com rapidez. Ela caiu meio deitada no sofá e o olhou sorrindo. Sirius olhou preocupado em volta e viu que Dorcas estava falando com Marie e James naquele momento. O moreno se abaixou segurou o rosto de Cortney e disse:
–Mesmo eu não namorando com ela não quero magoá-la então se puder ficar...
–Eu sei guardar segredo Sirius.- Sorriu de lado- Me encontra amanhã, depois do jantar, lá na antiga torre de astronomia.- O rapaz sentiu o coração acelerar- Não precisa contar pra ninguém.- Ele piscou o olho direito para ela. A garota sorriu sentindo-se muito excitada com a perspectiva de ficar totalmente sozinha com o mais novo herói da Grifinória, com o Maroto, com o ousado Sirius Black.
–Hey.- Sirius disse abraçando Dorcas por trás e depositando um beijo demorado no pescoço dela- Pensei que não desceria mais.
–E-eu... Na verdade queria falar com a Marie, mas já que não está tão bravo...- Ela se virou.
–Não sei ficar bravo com você.- Sorriu roubando um selinho dela. James revirou os olhos.
–Nossa, você está descabelado.
–Estava deitado ali.- Apontou para o sofá.
–Dorcas vamos?- Marie disse querendo sair dali e conversar com a amiga sobre como fazer James pedi-la em namoro.
–Ah sim. Bom, eu já tenho que subir de novo.- beijou o rapaz rapidamente- Até amanhã. Boa noite.
–Noite.- Ele sorriu e ela se afastou. Ficou mirando o balançar do traseiro dela até que a menina desaparecesse nas escadas. Sentiu a nuca arder logo em seguida. Tinha tomado um tapa de James.
–CARA, VOCÊ É IDIOTA?- James gritou com raiva- Se quer trair a Dorcas pelo menos faz isso onde ela não pode aparecer do nada, ok?
–Ah valeu cara, valeu mesmo. E eu não há traição onde não há namoro.- Defendeu-se. James revirou os olhos.
–Não tá certo. Você está iludindo a Dorcas.
–Ela sabe que eu não quero nada sério. Sempre soube desde que nos beijamos. Eu deixei isso bem claro. Se ela se iludir é por conta e risco. Eu preciso de mais do que beijinhos e se ela não me dá a Cortney dá.
–Por que não fica só com a Cortney então? Já que a Dorcas é toda certinha e não deixa você chegar perto dela direito.
–Porque, caro Pontas, eu ainda pretendo aproveitar daqueles peitos redondinhos dela.- Murmurou com uma expressão de sabedoria no rosto. James começou a rir.
–A Cortney é gostosa?
–Nossa, nem me fala. Uma delícia. Vou encontrar com ela amanhã depois do jantar. Eu espero conseguir pelo menos algo nas coxas.
–Como você é nojento Almofadinhas. – James disse rindo. Entendeu muito bem o que Sirius disse.
–Cara ser virgem é a pior coisa do mundo. Eu quero muito pegar alguma garota.- Murmurou frustrado.- Não aguento mais ficar só na mão.
–Acho que você vai conseguir isso só quando se formar.- James debochou e os dois começaram a rir. Sirius iniciou um relato sobre Cortney e quais eram suas expectativas para o dia seguinte.
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