Piltover's Finest

10 Capítulo 9 - Corpo e Alma


Notas iniciais
Barras de ferro, paredes de concreto, inimigos à espreita, milhas de distância... Nada importa.

Pelos corredores do hospital, era muito difícil levá-la; Vi tinha força e disposição suficientes para derrubar quase todos os policiais, mesmo algemada. Pegaram uma rota alternativa pelas saídas de incêndio vazias do prédio, e a mulher aproveitou um momento de descuido para dar uma cabeçada no policial que a escoltava e derrubar num "tackle" outros dois que vinham para segurá-la novamente. Entretanto, não podia contar com a marretada brutal que recebera de Jayce no estômago, fazendo-a subitamente parar, se curvar e expelir um fio de sangue pela boca...

...ficou ali, caída, tentando desesperadamente encontrar o ar por alguns segundos.

– Você já me causou muitos problemas... — disse um Jayce estranho, irreconhecível... Do nada, como se percebesse o que fizera, passou a mão pelos cabelos, ajeitando-os para trás, nervoso, enquanto ordenava. — Levem-na daqui.

A lutadora do cabelo rosa estava ali, nocauteada. Foi levantada pelos braços por dois policiais e arrastada até a viatura. Na delegacia, foi atirada numa cela onde ficou jogada, encolhida, durante muitas horas... Seriam longas horas...

A noite caiu e ela ainda estava no chão, catártica. Um prato de comida e água foram arrastados por debaixo da grade. Não sentia fome. Mesmo se sentisse, estava algemada triplamente com os braços atrás das costas. Alguém lembrou-se disso horas depois e realocou as algemas, prendendo-a com os braços para frente para que pudesse comer. Ela apenas se levantou, caminhou a um canto da cela e sentou-se novamente.

No outro dia, foi transferida para uma cela mais fechada, de porta maciça, sem barras. Lembraram da ameaça dela de dobrá-las e ir pegar um policial. Hah! Malditos bastardos paranoicos...

As algemas foram removidas. Não tinha como fugir de qualquer jeito mesmo... Caminhou de um lado para outro dentro da cela. Como estava Caitlyn? ...Bah, que idiotice! Por que se importar; ela era a xerife! Quando é que achou que aquilo fosse dar certo?! Burra... Burra, imbecil, estúpida!

– AAARGH!

Socou a porta de ferro maciço da cela com fúria, uma, duas, dez vezes. Esmurrava-a com os punhos limpos, despidos de qualquer proteção, até os nós dos dedos se abrirem e sangrarem. Só parou quando realmente não podia mais mover as mãos de dor. Suava e ofegava, observando o côncavo que havia feito na porta com a sequência de socos.

A comida chegou. Levantou-se do canto em que se recolhia sentada, abraçando as pernas e com a cabeça recostada no joelho. Olhou o prato, desprezando-o a início, mas bebendo toda a água. Pouco depois, a fome de dias de reclusão e recusa de alimento se abateu sobre ela, e então decidiu dar um fim no que tinha ali no prato. Ao final, sentiu mais sede. Teria que esperar o dia seguinte...

Sem o que fazer, só lhe restava pensar: Dohran tinha os cristais, mas não os entregaria ou revelaria sua localização assim tão fácil... O que planejava fazer com eles, afinal? Continuar ladrão? Não, era muito pouco... Ele queria que ela levasse os estudos de Jayce... O protótipo...

Lembrou tratar-se de uma arma letal, aparentemente, de dano massivo, como um canhão... Fazia algum sentido. Os cristais tinham poder próprio; descobrira até que eram utilizados para gerar energia limpa para a cidade... Caídos nas mãos erradas, e com um projeto de arma como aquela, poderiam causar um estrago incalculável, quem sabe varrer uma cidade inteira... Como reaver os cristais sem entregar os estudos de Jayce? Hah, presa é que não seria. Mas então em quem confiar para contar tudo aquilo e expor seu plano? Havia realmente maçãs podres na corporação ou fora só um bode expiatório criado por si mesma para se livrar da culpa real dos ocorridos?

Não sei, não sei, NÃO SEI! Precisava sair dali, não era um animal, muito menos uma trombadinha qualquer pra ficar trancafiada e jogada no escuro como estava ali! Quer saber, FODA-SE: ela ia é tocar o terror quando saísse daquela bosta sem pensar duas vezes! Ao inferno com polícia, com gangue, com xerife, ia é acabar com tudo e ir pra bem longe dali!

Já calculava mais ou menos ser o décimo segundo dia de cárcere. Media isso pela intensidade da pouca luz que passava de baixo da porta de ferro, marcando dia e noite. A sentença fora de noventa dias até segunda ordem. ...Não aguentava mais nem um segundo ali. De repente, ouviu o som de chaves destrancando a cela.

– Visita. — o guarda disse, monótono e sem graça como todos ali eram.

Estava prestes a destroncar o guarda e fugir dali, quando avistou no fim do corredor um rosto conhecido que a fez repensar o ato. Deixou-se ser algemada e seguiu o policial até a saleta onde podia conversar com as visitas.

– Você tinha me dito que estava bem... — observou a jovem virar a cara, desviando o olhar sem responder nada. — Bom, pelo menos prefiro te encontrar aqui do que numa vala.

Olhou para ele. A barba branca, aquela voz de trovão...

– Quando você foi embora, eu não esperava que voltasse mesmo, muito menos que ligasse para dar notícias. Você ligou. Por algum motivo, valia a pena pra você dar uma satisfação a alguém...

– Barthrax, eu não fiz...

– Shh; não estou discutindo isso. Você não foi presa por outro motivo senão tentar ficar perto de alguém com quem se sente bem. Não é verdade? — viu a jovem assentir com a cabeça, mordendo o lábio inferior com um olhar magoado. Hesitou um pouco antes de retomar. — Vi, me diga: você alguma vez teve uma família? — de repente, ela lançou-lhe um olhar revoltado e abriu a boca como se fosse retrucar algo duramente. Depois apenas fechou-a novamente e desviou o olhar com raiva. O homem percebeu o canto dos olhos da jovem começando a brilhar, mas ela tinha um autocontrole inumano para situações como aquela. Forjada no ferro e no fogo... — Olhe, não sei se você aceita isso, provavelmente não... Mas, para sobreviver a períodos como esses sem enlouquecer, é bom ter alguém em quem se apoiar. Não posso fazer nada para tirar você daí, mas posso tornar o fardo menos desconfortável.

Vi olhou para baixo, para o próprio estado de desgaste e exaustão no qual se encontrava. Merda, como conseguira voltar a um estado tão miserável na história?! Sentia novamente todo o ódio de uma menina de nove anos que vê o mundo fechar as portas e virar as costas, deixando-a à própria sorte. Sentia vontade de brigar, roubar, matar se fosse preciso. Não pensariam duas vezes nela, nunca pensaram. E que mal havia, afinal, em fazer tudo isso num jogo de sobrevivência se fora essa justamente a forma que encontrara para sobreviver? Não queria ajuda, não queria piedade. Nunca lhe deram, afinal... Ia destruir tudo aquilo...

– Vi, você está me ouvindo?

– Faça o que você quiser. — ela retrucou, gélida, displicente.

O homem arregalou os olhos, surpreso com o tom e a força da resposta. Sentiu angústia ao perceber um déjà-vu em sua mente. Tinha que ser forte como uma rocha naquele momento, da forma como ela era. Vi era uma rocha em meio ao mar revolto, sendo açoitada constantemente pelas insensíveis ondas. Por isso tinha que ser agora uma rocha forte, mais forte que as pancadas das ondas dela. Só assim ela veria que, quando o mar estivesse levando-a, tinha um ponto firme no qual se segurar para não se afogar.

– Pois bem... — ele passou a mão na barba farta. — Te vejo novamente amanhã então...

Ele levantou e saiu. O guarda veio para levá-la de volta à cela. Seguiu com os olhos o velho mineiro até sumir de vista, então seguiu de volta à sua prisão sem resistência. Quando a porta fechou-se atrás dela e o mundo voltou a ser frio, umidade e escuridão, puxou o trapo que chamavam de "cobertor" e enrolou-se... Velho maldito! Ela não precisava da compaixão de ninguém! Mas gritava isso em seu coração apenas para enganar-se e poder aguentar mais um dia... Já era o 8401º de sua vida.

– Visita.

Ele voltou no dia seguinte, o mesmo jeito de sempre.

– Bom dia. Como está hoje?

– Com fome. Louca.

– Hum, que bom, porque eu trouxe pão. — mostrou pelo vidro um pão sovado comum.

– Sem creme por cima?

– Fiz o melhor que eu pude...

Ela puxou um meio-sorriso. Conversaram. Ele voltou no dia seguinte, e no outro, e no outro...

– Levanta. — a porta abriu de súbito, no meio da noite, lançando em seus olhos toda a claridade das lâmpadas lá fora, que a ofuscaram e despertaram do leve e conturbado sono. O policial esperava na porta.

– Onde estamos indo? — esticou o braço para receber as algemas.

– Interrogatório.

Àquela hora? Não... Aquilo era no mínimo peculiar... Foi levada à sala de interrogatório e deixada lá com a porta trancada, sozinha. A delegacia há muito estava vazia, o expediente há horas acabado. Ficou atenta. De repente, ouviu destrancarem a porta da sala atrás de si e respirou fundo. A pessoa abriu a porta, entrou, bateu-a com delicadeza e trancou-a. Merda... O que era aquilo?!

Olhava para baixo quando os passos começaram a ser ouvidos, contornando-a. Pararam em completo silêncio à sua frente. Respirando fundo novamente, Vi levantou o olhar para descobrir de uma vez por todas quem estava ali.

– ...Caitlyn?!

Ela constatou, absolutamente surpresa, que de fato era a xerife parada ali, com suas típicas botas na altura dos joelhos, os cabelos castanhos soltos e um pesado sobretudo marrom. Apenas a observava ali detida, na sala de interrogatório, sem pronunciar uma palavra. Os olhos escuros concentrados nos azuis da cativa. Vi ofegava, incrédula.

– Você... Merda, Caitlyn, você quase me matou de susto! Quinze dias e nenhuma notícia, nenhum...

– Dezessete. — interrompeu. — Fazem dezessete dias que você foi presa. Violação de condicional... — Caitlyn dizia aquela frase com um tom angustiado na voz, algo incomodando sua garganta... Absolutamente não sabia o que dizer estando ali, sem poder fazer nada, em frente a ela. Suspirou. — Nós tínhamos estipulado isso no acordo; que, se você fugisse ou de alguma forma violasse a condicional, poderia ser detida e presa por 90 dias...

– Hah... Hah! — Vi ria de maneira sarcástica, visivelmente nervosa. — Foi pra isso então que você veio aqui? Pra me lembrar de novo que eu tô usando a coleira da polícia? Pra me passar um sermão e ir embora andando?!

– Deuses, Vi, eu quase morri quando li aquilo! Quando você... — interrompeu a fala, segurando aquele impulso fulminante de desabar ali, lembrando de como havia assistido inerte a forma como ela fora brutalmente retirada do quarto do hospital. — Quando tiraram você à força e eu não pude fazer nada... Todo o resto do tempo que eu passei no hospital até sair, ontem... Foi o inferno, Vi!

– E como você acha que foi aqui?!

– Eu não quero medir forças com você!

Eu também não! Eu também não quero, Caitlyn, mas isso... Isso tudo é loucura! Você é a xerife! Você é... a autoridade máxima daqui, o tipo de autoridade que eu sempre odiei, figurando no topo da lista; eu sou o seu maior pesadelo! Quando a gente achou que isso ia dar certo? Há duas semanas, quando não existia "polícia e ladrão" e o dia tava bonitin...

– Cala a boca. — a xerife precipitou-se sobre ela, tomando seus lábios e calando-a no beijo que há tempos desejava dar.

Segurou seu rosto, passando as mãos depois para seu cabelo curto, sua nuca, acumulando provas palpáveis de que ela era realidade. De que estava ali. Continuou com os lábios colados aos da mulher cativa, sentada na cadeira; eles dançavam num ritmo lento, porém intenso, dissipando todas as dúvidas, a angústia, a vontade de se terem de novo... Os lábios ainda colados, deslizou as mãos e desalgemou sua amante com uma chave que trouxera consigo. Vi segurou-a pelos quadris enquanto ela sentava em seu colo, frente a frente, as grossas pernas envolvendo-a e apertando.

Ao sentir aquele aperto, a proximidade com o corpo dela, Vi soltou um leve gemido e deslizou as mãos pelas coxas dela, subindo, sentindo a textura aveludada de sua pele, levantando seu vestido... Envolveu-a com os braços e puxou-a ainda mais para perto, com força, colando aquele corpo junto ao seu e beijando-a com fervor.

Caitlyn afastou-se do beijo após alguns minutos, deixando Vi indignada, mas então tirou o sobretudo... Estava com aquele vestido roxo que tanto gostava. Começou a desabotoar o espartilho de Vi, e então desabotoou o próprio vestido nas costas. Segurou-o pela frente. Puxou para baixo as duas alças...

A mulher de cabelo rosa não aguentou mais; puxou-a para si e voltou a beijá-la, começando pela boca, o pescoço, o colo do peito... Caitlyn arfava, extasiada. Chegando ao colo, Vi segurou a mão que sustentava o vestido e puxou-a para o lado, colocando-a em sua cintura, deixando cair a peça e exibir os seios fartos da xerife. Continuou beijando e descendo... Beijou um dos seios, o redor dele inteiro, enquanto com uma mão massageava o outro... Lançou um olhar de baixo para Caitlyn, deixando-a louca! Colocou o seio da mulher na boca e começou a chupá-lo. A xerife lançou a cabeça para trás, gemendo a cada vez que sentia a amante sugar-lhe com vontade. Caitlyn emaranhou os dedos no cabelo da outra. Num instante, Vi deu-lhe uma mordiscada no bico do seio, leve, mas que fez a xerife ter que conter um pequeno grito extasiado de surpresa.

– Ai!... Sua mal-educada!

– Cachorra!

As duas riram e voltaram a beijar-se. Caitlyn continuava despindo as pequenas, porém intermináveis peças de roupa de Vi. Finalmente, já tinha o tronco todo descoberto, e pôde pressionar seus seios contra os dela enquanto se beijavam, mas então teve a instantânea alegria de, enquanto beijava-a e a acariciava, encontrar o zíper de sua calça... Abriu-o e deslizou a mão lá para dentro...

Vi assustou-se, num primeiro momento prendendo o ar e retraindo o corpo. Mas logo depois relaxou, sentindo a carícia delirante de Caitlyn tirando-lhe o ar e fazendo-a ficar vermelha e quente... Arfava. Ofegava. Não conseguia mais segurar, então soltou um gemido tão deliciado que instigou Caitlyn a continuar com mais intensidade, e a partir de então não conseguiu mais parar de gemer. Levantou de uma vez o vestido da outra, meteu-lhe a mão por dentro da provocante lingerie lilás e começou a fazer o mesmo.

As duas se roçaram e se acariciaram até o suor começar a cobrir-lhes a face e o ar começar a desaparecer. Cada gemido era um sinal delirante para que fizessem mais, mais, mais e mais fundo. Se entregaram loucamente a essa vertigem até que os corações parecessem que haviam parado de bater e ondas de espasmos propagavam-se pelo corpo inteiro. Diminuíram o ritmo e se beijaram. Lentas. Calmas. Vi tirou a mão da lingerie de Caitlyn e estreitou o corpo dela junto ao seu. Caitlyn, beijando-a, também removeu a mão do lugar e envolveu-a pela cintura; a outra usava para acariciar-lhe o rosto. Ficaram ali mais um tempo, abraçadas, apenas desfrutando da companhia uma da outra.

– ...eu não quero que você me deixe... — Caitlyn recostou a cabeça sobre a de Vi, estreitando-a com paixão.

– Isso vai ser uma tragédia... — Vi encostou-se no colo de Caitlyn, aninhando sua cabeça sobre os fartos seios conforme ela a abraçava. — A gente tá comprando a maior briga das nossas vidas. — sentiu o peito de Caitlyn elevar-se com o suspiro cansado que ela deu. Beijou-o e então afastou-se dela para observá-la, segurando com delicadeza seu queixo e olhando-a nos olhos. Sorriu. — Sabe que eu gosto de uma boa briga... — Caitlyn riu e se aproximaram, trocando um longo beijo novamente.

– Como eu pude viver todo esse tempo sem esses olhos azuis que me roubam? — dizia, acariciando o rosto e olhando com extrema ternura para aqueles olhos espertos, divertidos, tão lindos nos quais se perdia.

– Hah! O melhor roubo que já fiz na vida então... — mordiscou a orelha de sua amante. Brincou, explorando seu pescoço, sua nuca. Beijaram-se mais uma, duas vezes... Aos poucos, pararam. Fez-se silêncio.

– Dessa vez não vai ser fácil te tirar daqui. Eu vou... Eu vou tentar pensar em algo. Dar um jeito, tentar encontrar uma brecha no acordo... Até lá... Eu venho te visitar. — sorriu e beijou, rapidamente, pela última vez, Vi.

As duas vestiram-se novamente. Vi ajudou Caitlyn a fechar o vestido nas costas. Após fechar o último botão, envolveu-a por trás, abraçando sua cintura e recostando o queixo em seu ombro. Beijou sua bochecha.

– Huhum! Minha cupcake... — sussurrou, rindo. Caitlyn riu do peculiar apelido que ganhara... Gostava dele. Estreitou mais o abraço de Vi e deu-lhe um breve beijo nos lábios.

A xerife ficou sem graça quando teve que pedir que Vi colocasse de novo as algemas para voltarem para a cela. Voltaram pelos corredores vazios da delegacia naquele teatro de polícia e ladrão: Caitlyn conduzia-a algemada enquanto Vi seguia, como sempre, silenciosa e mal-humorada para a cela. Passaram do pavilhão. O guarda as cumprimentou. Passaram reto e pararam em frente à cela reservada a Vi. Caitlyn abriu a porta de ferro, depois desalgemou-a.

– Boa noite. — sussurrou para a cativa.

– "Durma com os anjos". — brincou.

– Não dá, só se eu ficar aqui!

Riram e seguiram seu destino na noite.

Notas finais
"Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe...". O perigo não deixou de sondar Piltover e a calmaria que se sente é apenas o silêncio que precede a tempestade... Acho que podemos atravessá-la... Juntas. *Meus queridos, espero que tenham todos tido um ótimo Natal (ou o que quer que comemorem) e que o Ano Novo seja mais fantástico ainda! Ahriska preguiçosa-fanfarrona saindo de férias... Mas as postagens estão programadas! XD Beijos.