Piltover's Finest
4 Capítulo 4 - Acordo
Notas iniciais

Início da segunda semana após o incidente na mina.
A delegacia está com o movimento comum de sempre. Pequenos casos a serem atendidos, uma ou outra briga na rua... A elite dos oficiais ainda estava atenta em relação às buscas pela gangue de Dohran e os cristais. A xerife especialmente; havia algo nessa história que, estranhamente, lhe chamava muito a atenção, mas não sabia identificar exatamente o que era. Repassava os depoimentos várias e várias vezes, reconstruindo mentalmente as cenas. Aquilo estava deixando-a louca!
– Xerife.
– Diga.
– O oficial Johan quer falar com a senhorita.
– Já passo na sala dele, obrigada.
Caitlyn juntou tudo, meteu numa gaveta e trancou. Já estava se cansando daquilo. Respirou fundo e foi ter com o senhor gordinho.
– Oh, xerife! Estava te esperando, sente-se!
– Qual o motivo pra tanta alegria, Johan?
– Huhum... Acho que tenho uma notícia que vai te animar. Sirva-se, eu fiz café, não sei como anda seu sono...
– Conturbado ainda... — fez uma expressão cansaço e tomou a xícara nas mãos.
– Imaginei. Mas ouça isso: durante esses dias, recebemos três boletins de bandidos que precisaram dar entrada direto no hospital, estavam estraçalhados! — o homem dava ênfase nas últimas palavras.
– Sim, eu soube, mas não ficaria tão feliz com isso. Uma pessoa em coma não nos fornece informação nenhuma em interrogatório para chegarmos no core das gangues...
– Ora, deixe-me terminar! Lembra de como os ferimentos foram descritos?
– Contundentes, graves, como se tivessem sido atropelados ou acertados por um objeto maciço enorme, uma marreta talvez.
– Sim. Três casos aparentemente sem nenhuma conexão, a não ser a natureza dos ferimentos... Ontem recebemos mais um.
– Céus, o que está acontecendo nessa cidade?! — a xerife falava com um tom de revolta na voz. — Que porcaria; será que vou ter que reformular toda a guarda daqui?!
– Xerife, mas... Ouça isso: foi uma cidadã que ligou assustada, ontem à noite, aqui para a delegacia. Ela foi abordada por um homem que pretendia assaltar a casa dela e... bem... violentá-la. Mas então — preste atenção agora — uma jovem de cabelo rosa-choque atacou o cara e deu uma surra feia nele quase até a morte. E a mulher estava desnorteada, mas viu tudo pela janela de casa, viu como ela batia nele com umas luvas de aço gigantes...
– A garota da mina...
– Isso! — o homem riu e levantou os braços. — Isso, Caitlyn, é ela! Ela ainda está em Piltover! E temos ainda uma ideia clara de em que região ela se encontra, porque todos os bandidos que deram entrada com o mesmo tipo de ferimento estavam na mesma área!
– Espera, espera, Johan, você faz ideia de como essa situação está estranha? A situação toda!
– O que você quer dizer? — o senhor franziu as grossas sobrancelhas brancas
– É que... — ela passou a mão pelos cabelos — Você reparou que ela apagou só bandidos nesse meio-tempo? Nenhum guarda?
– E...? Eles podiam ter ido acertar contas com ela e se deram mal.
– Não tinha nada a ver! Um foi pego durante um assalto, outro quando tentava... Quando tentava assaltar e estuprar uma mulher. E teve ainda aquela porcaria daquela loucura na mina; por que ela faria aquilo? Por que está fazendo tudo isso, entende? Ela sabe que está marcada pela polícia, mas está se queimando também com o tipo dela; não faz sentido!
– Bah! Você está mesmo inclinada a acreditar que ela teve... Sei lá, uma... "iluminação" e agora está querendo fazer justiça? Esse tipo de gente não sente peso na consciência, Caitlyn; ela está é fugindo!
– Pra onde, se ainda não saiu de Piltover? E olha que não faltaram oportunidades...
O homem fitou a xerife de queixo caído, incrédulo. Recobrou a postura, austero, e alisou o farto bigode branco. A xerife sustentou seu olhar, desafiando-o.
– Estou pensando em ter uma conversa com ela, Joha...
– ...você está louca...
– Se conseguirmos convencê-la a nos ajudar, poderíamos chegar muito mais facilmente a Dohran e...
– Francamente, xerife, — o homem tomou um ar indignado e interrompeu-a. Estava vermelho. — se acredita que pode fazer caridade com essa psicopata ensandecida, então temo que tenha começado a amolecer e não serve mais como xerife dessa cidade. Essa mulher... Ela tem que ser caçada não com dardos tranquilizantes, mas com uma arma de matar elefantes!
– Já chega! — Caitlyn levantou-se e passou a falar na mesma altura e tom acusador que o antigo oficial usava. — Eu não gosto do modo como você fala, oficial Johan. E se alguma coisa aqui amoleceu foi seu senso de retidão para sugerir tantas coisas absurdas ultimamente! Você pode estar há mais tempo aqui, mas eu ainda sou a xerife e fiz por merecer! Agora recomponha-se ou terei que mandá-lo para casa por hoje.
Johan retribuiu com um olhar colérico para Caitlyn. Aquela franguinha depenada não fazia ideia de onde estava se metendo... Saiu vermelho, bufando, e bateu a porta atrás de si com força. Caitlyn pensou no que havia sugerido. De fato era arriscado, mas descobriu que era exatamente isso que a incomodava: havia a possibilidade daquela menina ter voltado atrás? Se houvesse, por que não tentar contactá-la? Afinal, melhor uma força daquela ao lado da polícia do que contra ela; aquela tal de "Vi" seria uma poderosa aliada, e isso já fora confirmado... Segurar sozinha uma mina desmoronando? Era fascinante.
Decidiu que precisava falar com Jayce e precipitou-se a passar na sala dele, mas então desistiu quando imaginou que ele tentaria dissuadí-la da ideia. Ia só deixar avisado. Num bilhete. Na recepção da delegacia. Talvez.
– Aahn... Oficial...?
– Hatzalwkwak, senhorita, às suas ordens.
– Ah... Sim... "Hatz". — meneou a cabeça simulando lembrar repentinamente do nome do rapaz. Que nome era aquele?! Enfim, precisava de um aliado para seu plano de chegar à fugitiva, e começou então a usar um tom sério e rebuscado, como o de policiais de grandes filmes. — Bem, oficial, preciso de ajuda numa operação de caráter sigiloso... Gostaria de saber se o senhor se dispõe a ajudar-me. Não minto: haverá riscos iminentes, mas poderei recompensá-lo à altura caso falhemos ou triunfemos...
– Fico honrado em servir, senhorita!
~¨~
– Aahn... Xerife?
– Diga, oficial. — ela sussurava.
– Tem certeza que esse é um bom plano? — ele passou a sussurrar também.
– Você tem um melhor?
– Não...
– Então vai ter que ser isso mesmo. Só precisamos ser cautelosos...
Os dois estavam disfarçados. A xerife Caitlyn era uma senhora loira de blusa cacharrel azul, calça jeans escura e sobretudo marrom, carregando uma enorme bolsa, enquanto o oficial Hatz parecia bem um cara mal-intencionado, com suas roupas escuras meio surradas, cara de mau e cabo do revólver à mostra na calça... Dava pro gasto.
Aparentemente, aquela "Vi" estava interessada ultimamente em bandidos que ameaçavam pessoas indefesas... Eles fariam um pequeno teatro na região onde acreditavam que ela estaria para atraí-la, depois... Bem, que os deuses os ajudassem.
~¨~
Zapeou mais uma vez os canais da TV.
– AAAaah! Que saco! Não tem mais nada pra fazer dentro dessa casa!
Não costumava passar muito tempo reclusa entre quatro paredes. Gostava é de andar, mesmo que fosse a esmo, pelas ruas. Sempre acabava encontrando algo pra fazer, algum lugar pra beber, alguém pra brigar... Sabia que era melhor não ficar por aí com todo mundo querendo sua cabeça agora, mas não aguentaria passar mais um minuto sentada sem fazer nada! E já passava do meio da tarde...
– Qual é, Barthrax... Uma saidinha não vai fazer mal...
Barthrax estava trabalhando em outra mina e Vi estava sozinha na pequena casa. Não pensou duas vezes: vestiu as manoplas e foi dar uma volta. Qualquer coisa, ela dava um jeito.
Andando por uma ruazinha pacata, ouviu o som de um disparo e ficou alerta. E se fosse a polícia? E se fosse alguma outra pessoa atrás dela? Logo mais, ouviu-se um grito desesperado.
– ...puta merda... — "Você não é heroína, Vi!"
Contrariando seu instinto e um pouco levada pelo gosto de lutar, ela não resistiu à vontade de ver o que estava acontecendo. Alguns metros antes pôde perceber que era um assalto à mão armada. "Você não devia se meter com armas, garota..."
– Pff!... Tá no papo!
Hatz fingia que ameaçava a xerife, caída no chão, com um revólver.
– Ela já tá vindo?
– NÃO, SENHOR, POR FAVOR, LEVE A MINHA BOLSA, *continua atuando, idiota*, POR FAVOR, EU TENHO FILHOS...
– CALA A BOCA! *avisa se ela estiver vindo*
– Ela não... — Caitlyn falava nervosa, entredentes, quando de repente um estrondo como o de um elefante em debandada foi rapidamente se aproximando... Mais perto... Mais perto... Até que Hatz foi pego de surpresa e atirado longe por uma bola de ferro rosa, caiu e ficou preso ao chão por aquela tonelada pesando em cima dele.
– Agora a gente vai conversar, seu bosta...
– Não tão rápido assim, ladra.
O punho de Vi parou no ar quando ouviu o barulho do gatilho sendo engatado atrás de sua nuca. Caitlyn havia sacado seu rifle e estava em pé atrás de Vi. Lentamente, Vi soltou o policial disfarçado e foi levantando as mãos ao ar, na altura da cabeça.
– Uma vez que algo está na minha mira, eu não erro...
– Que bom, xerife... Que tal então mirar sua bunda pra fora daqui?
Caitlyn não relaxou a postura, mas tentava falar com mais suavidade.
– Olha, eu não vim aqui te aborrecer, só queria conversar para...
Vi não estava nem aí pra toda aquela baboseira, dane-se que ela era a xerife. Foi apenas abaixando os dedos, calmamente, deixando apenas o dedo médio em pé.
– Ok, cansei. — e a xerife disparou...
~¨~
As coisas estavam meio... embaçadas. Não conseguia identificar direito onde estava, a visão ainda era turva e estava só começando a deixar de girar. Finalmente, focalizou tudo: uma sala clara, um relógio, mesa na sua frente, cadeira...
Tentou virar-se para ver mais, mas algo segurou seus braços. Eles estavam... Atrás do corpo? E... estavam... presos! Tentou chacoalhar para soltar-se, mas os músculos ainda estavam um tanto dormentes; procurou em volta e viu as manoplas gigantes num canto da sala. Inspirou e expirou profundamente.
– ...merda.
– Hum... Pelo jeito, além de capturá-la, teremos que lavar sua boca, mocinha.
Vi observou o gordinho bigodudo sorridente no outro canto da sala. Cara de trouxa.
– Falou, chupeta de baleia. Valeu a opinião. — resmungou, sarcástica.
Ouviu a maçaneta girar atrás de si e duas pessoas entrarem discutindo.
– Caitlyn, isso foi loucura, poderiam estar os dois no hospital agora!
– Ora, Jayce, mas nós... Oh, olha ela aqui! Boa tarde, senhorita Vi. — virou-se para Jayce. — Viu como os dardos tranquilizantes são úteis?
– Xerife... — Vi esboçou um sorriso completa e visivelmente forçado.
– Desculpe-me ter que recorrer a isso, mas um oficial meu está na enfermaria e eu temi que você não fosse cooperar...
– Sabe, xerife... Você tem um sorriso lindo. Vai ser ótimo usar ele de alvo quando eu me soltar daqui e for arrebentar sua cara!
– Sair daí? — Caitlyn riu, displicente. — Ai, ai... Vi, você é cômica, mas me deixa numa dúvida cruel... Boa policial ou má policial? — ela falava, intimidadora.
– Por que não tenta a vadia? — desafiou
– Esqueci as algemas de pelúcia em casa...
– Ok, ok, meninas, tempo!
– Eu disse que não valia a pena... — resmungou Johan
– Caitlyn, eu acho que tenho que concordar com o...
– Não! Por favor, me dêem só um momento que eu acerto isso!
Jayce olhou para Johan, buscando uma opinião, sugestão, algo assim. Johan meneou a cabeça negativamente, decepcionado.
– ...se eu perceber que as coisas estão ficando fora de controle...
– Eu prometo.
– Pode deixar, oficial, eu vou cuidar bem da "cupcake" aqui...
Caitlyn apenas fechou os olhos e contou até dez. Jayce e Johan saíram e observavam a cena do outro lado do vidro espelhado, sem, no entanto, ouvir nada. A xerife suspirou e sentou-se do outro lado da mesa, de frente para a cativa.
– Escuta, a gente começou com o pé esquerdo, ok? Não era assim que eu planejava...
– Hum.
– Nós sabemos o que você fez na mina... E o que fez nos becos...
– Hum.
– A polícia de Piltover e de todas as cidades ao redor está atrás de você e da sua gangue, mas pelo seu comportamento ultimamente, deve ter bem mais gente querendo sua cabeça agora, e nós somos o menor dos seus problemas.
– Xerife, só... Me explica uma coisa: por que de repente todo mundo quer me ajudar?
– O que?
– Quer dizer, eu voltei lá na mina, ok, mas grande coisa! E os caras na rua? Pff! Eu me meto em confusão o tempo todo desde que eu me conheço por gente, só por... gosto. E daí, sabe? Minha vida toda eu fiz merda; porque fiz diferente uma ou duas coisas, agora querem me ajudar?
Caitlyn ouviu aquilo surpresa. Repassou mentalmente a ficha criminal de Vi: de fato, fora assim, um problema às autoridades, toda a vida. Por que iria mudar agora? A xerife aproximou-se mais da mesa, olhando a criminosa nos olhos.
– Vi... Por incrível que pareça, eu não vim exatamente oferecer ajuda. Mas também não pretendo te prender, muito menos te deixar voltar pra rua e ficar exposta... Vi, eu quero que você me ajude.
Hah. Aquela era nova. A mulher do cabelo rosa ficou quieta e ergueu uma sobrancelha.
– ...eu?
– Aham.
– ...você tá louca ou tá tirando com a minha cara?
– Vi, sua gangue causou um problema bem maior do que você pode imaginar quando levaram aqueles cristais, e você aparentemente não está mais com eles, e tenho sérias razões para acreditar que nem vá voltar para aqueles caras. Eu sei como funciona esse esquema de gangues; lido com vocês quase todo dia. Uma hora eu sei que eles vão entrar em contato, por bem ou por mal. Nessa hora, eu quero que você me avise pra gente poder pegar eles e resolver isso.
– Só?
– Não... — a xerife sorriu. — Bem, para reparar o custo do estrago que você fez lá na mina...
– Ah tá, só eu...
– ...eu quero que você ajude a patrulha de Piltover a manter em ordem a cidade. Sabe do que eu estou falando... — apontou com a cabeça para as luvas gigantes no canto da sala.
– Humm... — Vi lentamente assentiu com a cabeça, demonstrando que tinha compreendido muito bem... Puxou um sorriso de canto de boca enquanto fitava as manoplas. — Descer o cacete nos otários sem ter que fugir da polícia... Parece um bom negócio...
– Bem, não é exatamente assim, mas... Ah sim, e você tem que prometer, por tudo o que é mais sagrado, que vai ficar na linha. Tem gente ali fora que não pensaria duas vezes em puxar o gatilho pra você, e eles não usarão dardos tranquilizantes... Além disso, é a minha cabeça em jogo por você, garota.
A mulher algemada olhava a outra decididamente. Não entendia como aquilo tudo estava dando certo, mas estava. Quem sabe aquela não fosse uma jogada de sorte? Quem sabe as coisas não pudessem realmente mudar um dia?...
– Então... Temos um acordo?
Vi sorriu.
– Acredito que sim.
A mulher moveu um cotovelo para frente, visto que seus braços estavam presos atrás da cadeira, como se fosse apertar a mão da xerife para selar o acordo. Caitlyn se levantou e tirou as algemas da ex-fugitiva e apertou-lhe a mão, selando definitivamente o acordo.
– Meu deus, a Caitlyn perdeu a cabeça?!!
Do lado de fora, Jayce, Johan e mais dois oficiais ficaram perplexos quando perceberam que Caitlyn ia desalgemar a fugitiva; atravessaram imediatamente a porta e entraram na sala de interrogatório de arma em mãos.
– NÃO SE MOVA! ...Caitlyn, você ficou louca?!?!
– Abaixem as armas, senhores. Eu fiz um acordo com a senhorita Vi; ela estará em condicional para poder ajudar-nos a localizar a gangue de Dohran e, enquanto eles não dão notícias, vai também ajudar em missões menores na cidade, servindo de força de apoio à polícia como medida social para cobrir os custos do incidente ocorrido na mina.
– Ah, claro, ótimo! Vamos então soltá-la novamente na rua e esperar que volte amanhã! — ironizou Johan, o rosto ficando avermelhado novamente.
– Caitlyn, mesmo em condicional, nós não podemos tirar os olhos dela um minuto sequer... — Olhou de canto de olho para a mulher de cabelo rosa. Jayce não se sentia muito confortável em ter que falar de outra pessoa como se ela não estivesse ali. — Ela vai passar o dia com a gente, mas à noite vai ter que dormir na cadeia...
– HAHAHA, AAAH não. Nem fodendo que eu vou ficar "hospedada" na prisão. Só se eu fosse muito burra mesmo!
– Bem, quanto a isso... Acho que ela pode ficar em casa.
Todos olharam surpresos para a xerife.
– Sim. Ela estaria 24 horas acompanhada por um oficial de polícia e, se sequer pensar em fugir, quem melhor do que a própria xerife para dar voz de prisão... E meter-lhe um balaço na cabeça, caso seja preciso?
Vi colocou as mãos na cintura e riu discretamente. Johan se impacientou.
– ...eu vou embora daqui...
Deixou a sala, contrariado. Jayce e os dois oficiais baixaram as armas, ainda empunhando-as. Vi foi vestir as manoplas enquanto Jayce e a xerife conversavam.
– Olha, Caitlyn, ainda não sei por que estou te deixando fazer isso, mas você sabe todos os riscos que está correndo, não é?
– Sei sim, Jayce... E eu entendo a preocupação de todos e como Johan se sente; ele é da época do meu pai, "atire depois pergunte". Mas, deuses, nós fizemos diferente, Jayce! Nós colocamos ordem na cidade sem autoritarismo! Ainda assim, ao menos uma vez, não vamos simplesmente punir alguém. Ela pode ser útil!
– Já não sei, Caitlyn...
– O que você quer dizer, Jayce?
– Nada...
– O que você quer dizer?
Jayce olhou a xerife nos olhos.
– ...você está amolecendo, Caity.
Ele deixou a sala de cabeça baixa. A mulher manteve a postura altiva, mesmo sentindo a dor do golpe.
– Aaahn... — Vi chamou a atenção atrás.
– Oh, já está pronta? Precisamos assinar sua condicional e vamos embora então.
~¨~
Depois de tomar um bom banho, Vi comeu como um animal. Costumava ser assim, mas nem tentara repetir na casa de Barthrax quando percebeu o pouco que o amigo tinha para dividir e ainda assim o fazia sem receio. Mas agora que estava na casa da xerife? Pff! Aquela gente vivia bem; ia aproveitar pra comer até explodir! Caitlyn observava aquele apetite espantada. É verdade que gostava de cozinhar, mas já tinha acabado tudo o que tinha preparado, e olha que era pra ter durado pra não ter que cozinhar por mais uns dois dias!
– ...acho que não preciso dizer "fique à vontade" pelo jeito...
– *CHOMP! CHOMP!* Não. *CHOMP! CHOMP! CHOMP! CHOMP!*
Caitlyn observou pensativa por mais alguns momentos.
– Vi, eu não quero ser chata, mas... Você vai ter que me ajudar aqui, já que vai passar um bom tempo...
A mulher engoliu com esforço a quantidade indelicadamente grande de comida que mastigava e tirou o prato de perto .
– Xerife, não precisa dar uma de "tia da escolinha"; eu já morei muito tempo sozinha e sei me virar. Pode ficar tranquila, o apartamento vai ficar limpinho e eu não vou ser peso pra ninguém.
Ela ficou encabulada com a resposta de Vi. Uma coisa boa havia notado: para o bem ou para o mau, ela era sincera. Talvez pelo menos quanto a isso pudesse ficar tranquila em relação a Vi. De repente, sentiu o cansaço de uma semana e meia de trabalho ininterrupto abater-se sobre si. Fechou os olhos e, sem perceber, estava cochilando à mesa.
– ...deuses, ela morreu. — falou Vi, observando a xerife que dormia.
Caitlyn percebeu que cochilava e acordou novamente num sobressalto. Argh, detestava aquilo! Começou a se mexer e tirar a louça da mesa.
– Cara, você tá morrendo. Larga isso e vai dormir.
– Eu sou a oficial encarregada aqui e tenho que vigiar você pra evitar qualquer besteira... Eu só posso dormir depois que você dormir.
– Uau, grande coisa.
Ninguém cedendo, lavaram a louça e foram dormir. Vi caiu quase desmaiada no sofá da sala e apagou imediatamente. Certificando-se de que a condicional dormia, a xerife foi para o quarto, tomou um banho, trocou-se e deitou.
Naquela noite, ela dormiu como uma criança.
~¨~
Estava tudo limpo?
Levantou sem fazer nenhum ruído e pegou o telefone.
– ...Barthrax? Desculpa ter sumido sem avisar... Não, não, tá tudo bem; só liguei pra avisar que tá tudo bem. Outra hora eu explico. Até.
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