Piltover's Finest

16 Capítulo 15 - Isso. É. Guerra.


Notas iniciais
"A Warning to the people The Good and the Evil This Is War" - This Is War; 30 Seconds To Mars

– OFICIAIS!! — ele gritou, com um tom angustiado, ao chegar à delegacia atipicamente cheia num fim de madrugada. Todos os policiais que foram chamados e ali se reuniam, tensos, esperando notícias sobre os últimos ocorridos, viraram-se para o Herói do Amanhã que escancarava as portas do local, adentrando com notável desespero ao prédio da polícia. — Amigos! Eu... Eu preciso da ajuda de todos vocês! Nossa querida xerife... Minha especialmente amada xerife... — ele de fato falava como um pobre louco apaixonado e terrivelmente amedrontado, e era convincente. — Ela acaba de ser sequestrada! Diante dos meus olhos, e eu não... — todos reparavam nas roupas completamente sujas de lama e lixo das ruas que o oficial vestia após a perseguição aos negociantes. Estava sujo, ofegante, cansado, visivelmente angustiado... Fez uma pausa em seu discurso suplicante, como se segurasse dificilmente dolorosas lágrimas. — ...eu não consegui fazer nada! ...NADA! ...AQUELAS DUAS... DESGRAÇADAS! A fugitiva que esteve conosco, Vi, atraiu a mim e a Caitlyn para sua armadilha nojenta! E quando chegamos lá para reaver os documentos roubados... Ela e aquela outra DELINQUENTE ZAUNIANA DE CABELOS AZUIS, SUA PARCEIRA, nos atacaram covardemente e levaram a xerife cativa!

Respirações cortadas, expressões de indignação e raiva, um burburinho geral tomou conta da delegacia ao receberem aquela notícia. Que absurdo! Era a mesma meliante que havia cometido os dois ataques à cidade! Elas formavam então uma gangue? Oh céus, será que Zaun estava atacando Piltover?! Malditos zaunianos! Um rebuliço de informações cruzadas, "ouvi dizer" e opiniões raivosas começaram a aflorar, cada vez mais alto, até que uma pequena confusão havia se instalado no grupo policial. Deuses, deuses! O que fariam sem a xerife Caitlyn?! Mas Jayce estava lá para conduzir a situação e toda a Patrulha de Piltover de volta aos trilhos.

– Amigos... Amigos, ouçam-me!!! — o falatório aos poucos cessou e todos os olhares voltaram-se para ele. — Precisamos URGENTEMENTE passar um alerta à população!

~¨~

Seu olhar afogava-se cada vez mais no escuro da madrugada e, principalmente, na escuridão de sua alma em pedaços feita. Sentia o vento frio cortar-lhe o rosto conforme avançava com velocidade pelas árvores, pela pobreza, pelos prédios... Seguia um instinto feroz e incomum que apenas a impelia pra frente, sempre adiante, sem conseguir pensar em nada a não ser aquela arma apontada para ela como se fosse um animal asqueroso capaz de ferir a confiança e atacar ao próprio dono... Sentia raiva, sentia uma indescritível raiva, sentia infinitamente que...

...

Não dava! Não dava, não dava, NÃO DAVA pra seguir em frente desse jeito!!! Parou bruscamente de correr e entrou na primeira porta aberta que surgiu em sua frente, mergulhando nas ruínas escuras de um casarão vazio e praticamente demolido, um ou outro resquício de parede ainda sobrava para contar a história daquele lugar esquecido pelos homens e pelos deuses. Somente entrou, correndo, desesperada, fugindo como um rato; atravessou como um raio as escadas e só foi parar quando encostou em um pilar no andar de cima... Arrancou as luvas, deixando-as jogadas pelo caminho — que se fodam elas agora!– e apoiou a mão nua na pedra fria do pilar, recostando-se nele e deixando o corpo cair, chorando convulsamente até escorregar, aos poucos, para o chão.

– Por que?... POR QUE, INFERNO, POR QUEEEE?!!!! — berrava aos quatro ventos, sozinha, no escuro. Caída... As lágrimas escorrendo como uma cascata dos olhos sofridos.

POR QUE, INFERNOS!!! ...POR QUE não tinha direito a UMA coisa boa, UM MÍNIMO fragmento de PAZ que durasse em sua vida?!! Qual era o sentido em sempre ter que LUTAR, LUTAR, LUTAR; SE NÃO HAVIA NADA NO FINAL ESPERANDO POR ELA?! ERA SÓ ISSO ENTÃO, VIVER SÓ POR MAIS UM DIA, VIVER SÓ POR OUTRA LUTA?! DESGRAAAAÇAAAA!!!! ... SE ENCONTRASSE UM DIA OS FILHOS DA PUTA QUE A FIZERAM SÓ PRA DEPOIS LARGÁ-LA À PRÓPRIA SORTE NO MUNDO, JURAVA: DESTROÇARIA SEM PIEDADE AQUELES MALDITOS!!! ...MALDITOS... SE É QUE ESTIVESSEM VIVOS!... Desesperava-se cada segundo mais, a cada pensamento; perdia-se finalmente para todas as angústias acumuladas em sua vida, e não teria ninguém para puxá-la de volta do abismo se dessa vez realmente se jogasse... Sentia um vazio completo dentro de si. Nada. Não valia nada. Não se importava com nada. Nunca a deixariam ser nada mais do que aquele completo nada que ela já era!

– Caitlyn... — recostou a cabeça no insensível pilar de pedra, recolhendo as pernas e afogando os olhos contra os braços cruzados em torno dos joelhos. — ...o que foi que eu fiz?...

O choro convulso fazia-a perder completamente o fôlego. Deuses; seria possível que morresse sufocada de tristeza daquele jeito, literalmente. O corpo se contraía em espasmos dolorosos, encolhida e envolta apenas pelas pedras que assistiam insensíveis ao seu sofrimento. Mais uma vez... Mais uma vez...?

Tirou os olhos, vermelhos e inchados, dos braços, levantando a cabeça e observando o cenário em volta. Começou a reconhecer marcas tão familiares... A mesa com um pano todo rasgado em baixo... Um lugar seguro para dormir. Rabiscos de cores fracas, já quase apagados das paredes, ocultos por tijolos que se desprenderam dos muros em ruínas. A Fantástica Vi! Batendo em todos os babacas da cidade! >:D Ela caminhava por todas essas lembranças já quase perdidas para a inevitabilidade do Tempo. Ia redescobrindo, aos poucos, as paredes que a protegeram do mundo por tanto tempo... A pobreza que não a incomodava, a solidão daquelas brincadeiras que a fizeram feliz naqueles dias... Afastou os tijolos amontoados no canto de uma das paredes e encontrou aquela marca tão conhecida... Mal lembrava daquilo — fora uma das coisas que sua mente simplesmente deletara de seu coração — , mas de repente, aquela memória surgiu de novo, e ela sabia que havia algo guardado naquele canto específico daquele prédio.

Agachou, retirou os tijolos e varreu com a mão a poeira da parede. Um desenho. Sobraram alguns traços do que um dia foram vários bonecos palitinhos mais ou menos do mesmo tamanho desenhados todos juntos num cantinho afastado. Eram os que tinham ido embora. Todos tinham ido embora. Só ela ficou em casa. E, nos primeiros dias, tinha sido muito solitário... Desenhou-os, então, nas paredes e deitava-se por lá todo fim de noite, a pequena mãozinha aberta, encostada na parede, para dormir na companhia e sob a proteção de sua família. Aos poucos, a saudade foi se aplacando... Agora, ela voltava com tudo.

Respirou fundo; as gotas de água ainda embaçavam sua visão e em sua respiração ouvia-se o silvo molhado do choro ainda preso em sua garganta. Silêncio. A brisa da noite entrou, acariciando-a... Ela virou-se para as duas enormes janelas, uma delas já somente um grande buraco na parede. O armariozinho ainda estava lá. Parado. Imóvel. Esperando-a para olharem juntos para a noite lá fora outra vez, entre as duas janelas gigantes daquele espaço. Caminhou lentamente até ele. Muito mais velho do que se lembrava. Muito mais gasto pela chuva e pelos insetos. Muito provavelmente já não podia mais subir e sentar sobre ele, não aguentaria mais seu peso, mas ainda assim, podiam retomar suas horas e continuar olhando, juntos, para o que acontecia lá fora na noite. Olhava pela janela, a mão ainda repousando sobre seu moribundo bom amigo de madeira. A noite naquelas bandas esquecidas da cidade era muito mais bela em suas lembranças... Humpf. Crianças tendem a construir em seus sonhos um mundo muito mais belo do que ele realmente é....

"Hey, hey! Eu quero conhecer esse tal lugar um dia, ok?"

Humpf! Um efêmero sorriso irônico, jocoso, passou pelos lábios de Vi. "É... É isso que eu tenho pra te mostrar de bonito, cupcake... Que bosta, hein?" Percebera... Percebera, de repente, para onde suas pernas haviam levado-a mais uma vez. O antigo esconderijo... Inconscientemente, o pequeno santuário esquecido e escondido de Vi.

Lá havia um pingo de paz para ela...

...ou não.

– Huhuhuhum!!! O que aconteceu; a Moça da Cartola te deu um chapéu, Mãozuda?! HAHA!

De súbito, Vi virou-se para ver quem era o infeliz que ia levar um murro na cara por estragar o seu lugar preferido.

– Quem é você, bucha de canhão?! Dá o fora daqui... AAAAAUCH! — do nada, aquela estranha tosca lançou pra cima dela umas... Umas PORCARIAS com dentinhos; uma dessas deu uma mordidinha flamejante na perna de Vi e, quando esta chutou-a longe em reflexo, a bomba estourou contra uma parede, fazendo-a desmoronar quase por completo. — VOCÊ É LOUCA OU O QUÊ, GAROTA?!

– HAHAHAHAHA!!! — ela ria como se a melhor piada do mundo tivesse sido contada a ela neste momento, o que só alimentava mais e mais a fúria da demolidora de cabelo rosa... — Eu sou doida!! Tenho um atestado!! — do nada, aquela magricela escrota tirou da cintura um papel todo rabiscado de forma ilegível com um monte de carimbos estranhos e nada a ver, quase enfiando-o na fuça da outra.

– TIRA ESSA MERDA DA MINHA CARA! — Vi deu um tapa com força na mão dela para o lado. Hah... Era tão inutilmente fraca que quase voou longe só com esse empurrãozinho! — O que você quer aqui?!! — falava firme, com uma raiva completamente expressa na voz.

Caída no chão, aquela estranha figura esquálida começava a se mover lentamente, apoiando as mãos no solo para levantar-se. Quando virou o pequeno rosto na direção de Vi, no entanto, algo fez a enorme lutadora sentir um arrepio súbito na espinha... Não sabia se era alguma estranha semelhança que surgira no fundo de sua mente... Ou se foi apenas a intensidade da loucura e do... ódio... que viu naqueles olhos... Ela estava apoiada nos joelhos e nas mãos, jogada no chão, a típica cena de desprezo que envergonharia profundamente e despertaria raiva em qualquer um que se visse naquela situação de fraqueza.

– ...Você está começando a me entediar... — a menina disse, ainda caída de costas para Vi, apenas virando lentamente o rosto branco e revelando aqueles olhos fundos, injetados, fitando-a como se quisesse pular em seu pescoço e rasgar cada fibra, cada veia; irada, louca. E aquele sorriso irritantemente enlouquecedor ainda lá, embora bem menor do que antes... Por instinto, Vi preparou-se para um combate relâmpago. — Pensa rápido, Vidiota! — inacreditavelmente rápido, a garota sacou um revólver e começou a atirar desenfreadamente na direção de Vi! — HAHAHAHAHA!!! SORRIA, VOCÊ É UMA PENEIRA!!!

O ataque de riso súbito daquela pessoa tomou conta da sala, enquanto suas balas destruíam tudo pelo caminho, buscando carinhosamente alojar-se na carne daquela Mãozuda Vidiota sem senso de humor. Vi correu uns poucos centímetros e então atirou-se no chão, escorregando para perto da escada e suas luvas de aço que havia deixado pelo caminho. Vestiu-as num tiro, não podia perder tempo com aquela louca atirando; céus, como era surpreendentemente rápida! Ao vestir e energizar as luvas, levantou-se e correu novamente para perto de um dos pilares que segurava o teto.

– Engole essa e vê se engorda um pouco, chihuahua! — num único golpe, Vi fez poeira do pilar que um dia esteve ali. O teto estremeceu todo, até que um pedaço enorme dele precipitou-se em cima daquela doidinha de cabelos azuis... mas, com uma destreza impecável, ela conseguiu levantar e se jogar para longe dali, fugindo das pedras que a enterrariam para sempre! Caiu rolando e levantou-se já pronta para uma nova rajada de balas, enquanto Vi se reposicionava para tentar pegá-la novamente.

– Ei, dá pra parar?! Tô tentando te acertar!! — a menina gritava, indignada, a cada vez que Vi se esquivava de seus disparos e se aproximava cada vez mais.

Mas a destruidora caótica era esguia e conseguia fugir com rapidez das investidas pesadas de Vi para pegá-la. Ainda rindo como uma criança chata e atirando sem parar, a garota começou a correr em direção às escadas, descendo-as numa velocidade vertiginosa enquanto Vi seguia-a com a fúria de um leão faminto. Vendo que a rebelde demolidora focava toda sua atenção nela, a garota irritante que atirava parou num ponto, estufando o peito como um gângster caricato, movimentando as mãos à sua frente e provocando a demolidora de Piltover.

– VOCÊ VAI ME PERSEGUIR, MÃOZUDA? HÃ?! HÃ?!

– uuuuUUUUAAAAAARRRRRGGGHHH!!! VOLTA AQUI AGORAAA!!!

E os risos só se intensificavam conforme Vi mostrava-se mais e mais freneticamente irada com a atitude da menina. Vendo que Vi chegava muito perto, recomeçou a correr novamente.

– HUAHSUAHSUAHSUAHSAU!!!! CARA, CARA, CARA, QUE LEGAL; PEGA-PEGA! HUASHAUSHUHAHAHAHAHA!!! VOCÊ É MEU DESPERDÍCIO DE BALAS FAVORITO! ♥

– AAAAAAARRRRRRRRGGGGGGGHHHH!!!! — as investidas de Vi chegavam cada vez mais perto da garota que fugia, cada vez mais ameaçadora frente àquela fracote desgraçada que a provocava. Suas mãos gigantescas de ferro maciço cortavam o ar e Jinx conseguia sentir as lufadas de vento em sua nuca, quase agarrando-a.

Aquele jogo começava a ficar perigoso para ela. Tudo bem que aquela Mãozuda era tão esperta assim como... como... uma marmota! Humpf!!! Imagina... Mas se Vi a pegasse... ... ...HAH, BRINCADEIRA! Quem ia achar que algum dia ela ia me pegar!? PPPFFFF!!!!

Jinx tirou da cintura um cilindro estranho que emitia um brilho e alguns raios azuis... Vi reconheceu de cara aquele tipo de tecnologia, e tentou rapidamente escapar, mas foi exatamente quando...

TZZZZZZIIIIIUUUUUMMMMMZZZZZZZIIIIIIII!!!!!!!! ZAP!

– AARH!

Seus músculos se contraíram e ela sentiu aquela intensa corrente elétrica percorrer todo seu corpo como se o queimassem e, ao mesmo tempo, enfiassem agulhas geladas e enormes em todos os seus músculos. ARGH! Aquilo... doía... muito... Ficou completamente imóvel durante os segundos que durou o choque daquela arma elétrica-arcana, e então seu corpo desabou ao chão quando a corrente parou de percorrê-la. Sentia todo o corpo travado enquanto tentava levantar-se novamente para continuar perseguindo aquela doida que parecia andar com um arsenal de guerra na cintura, mas os músculos resistiam às suas ordens e negavam a obedecê-la, ficando retesos, lentos... Levantou a cabeça e olhou ao redor... Merda, ela tinha fugido!

– IUHUU! EU ESTOU AQUI, MÃOZUDA! — Vi ouviu-a gritar de algum lugar ao longe. Olhou para todos os lados e não conseguia encontrá-la em lugar nenhum... Até que olhou para cima, na beirada de um prédio velho próximo. — Eu te Vi voltando pra cá, Mãozuda, e não pude deixar de pensar: vou fazer um pequeno "recital" amanhã em Piltover e... Bom, ingressos para parentes saem de graça, por que não te convidar?! — ela sorriu, faceira, e virava-se para partir, quando voltou a olhar para Vi, recuperando-se aos poucos da breve paralisia. — Ah sim, e aquele tal "Dohran" vai levar o resto da orquestra, haha!!! Hum... Qual era mesmo o nome da peça? "Destruindo Geral"? ...hum, não, não... JÁ SEI!!! "Réquiem para a Xerife"!!!! Hahahahaha!!!!...

– NÃO!

Mas o sorriso e aquela figura estranha já haviam se perdido ao longe, no horizonte do sol nascente naqueles arredores distantes da Cidade do Progresso... Não! Eles iam atacar Piltover! Eles iam atacar...

– Caitlyn!!!

Impossível! Não, não, ela NÃO PODIA deixar que aquilo acontecesse, de jeito nenhum! Arfava, suando, enquanto seu corpo parecia recuperar sua vivacidade gradativamente. Não... Mesmo que não fosse mais bem-vinda em Piltover; mesmo que preferisse evitar voltar para aquele lugar... Precisava pegar aquela louca e precisava dar um jeito de pegar Dohran antes que ele chegassem na cidade! Começou a correr na direção em que havia visto aquela maluca sumir... "Parentes"? "Réquiem para a Xerife"? ...ah, elas iam ter uma conversinha...

~¨~

Johan sentia uma súbita falta de ar enquanto seguia aquela van misteriosa por ruas secundárias de Piltover, buscando passar despercebido através da madrugada e rezando para que conseguisse chegar a tempo ao lugar onde estivesse Caitlyn, e que nada tivesse acontecido a ela... Porém, mesmo tentando manter-se otimista, o velho oficial sabia muito bem qual era o desfecho daqueles casos; ele os acompanhou por anos e anos na polícia...

– And... Andrès! — ele falava em meio à respiração entrecortada. — Estou seguindo na direção certa ainda?

– Sim, me parece que ela está indo em direção ao parque industrial da cidade... Johan, está tudo bem com você?

– Está, está, eu... — ele respondia impaciente. Ninguém tinha nada a ver com como ele estava ou como deveria estar; o oficial preferia mostrar-se sempre forte e pronto para a ação... Mas a idade há tempos dava seus sinais no corpo do homem, e agora uma dor cruciante acometia-lhe o peito... — Ugh! ...Está tudo certo; precisamos chegar logo à localização da Caitlyn, Andrès!

Em seu escritório estrategicamente montado para que continuasse com pequenos serviços de espionagem, Andrès seguia o sinal que o computador lhe mostrava. Lembrava-se de como era estar na ativa, e realmente gostava daquilo, mas nunca em sua vida imaginou sentir-se tão tenso com um caso como este o fazia sentir. Havia... Havia algo muito peculiar em tudo aquilo. Sentia que aquela investigação... Aquela investigação, aquelas ameaças, os atentados cometidos contra Piltover... Respirou fundo, passando a mão na testa... "Céus... Isto é só o começo..." Repentinamente, o sinal que piscava no computador parou de caminhar pela tela, e o oficial quase teve um susto.

– JOHAN, PARE! — berrou de repente, no telefone.

Do nada, Johan freou o carro bruscamente ao ouvir aquilo do amigo, fazendo os pneus cantarem e o automóvel se precipitar violentamente para a frente.

– O QUE FOI, O QUE ACONTECEU?!

– O sinal de Caitlyn mudou de direção; virou à esquerda e está parado ali. Rápido!

Sem pensar duas vezes, o homem engatou a marcha e mudou de direção, fazendo o motor chiar enquanto saía em disparada na direção oposta à que se dirigia. Tinha perdido a van de vista durante a manobra, mas esperava encontrá-la virando na próxima curva à esquerda e...

Nada? Como assim, "nada"?! A rua estava... estava vazia! Foi até um pouco mais à frente apenas para constatar o que já tinha percebido: não tinha nada lá!

– aaaAAARGH! ANDRÈS, SEU IDIOTA! ONDE CAITLYN ESTÁ; NÃO TEM NADA AQUI!!!

– Como assim, Johan?!

– NADA! NADA! SABE O QUE SIGNIFICA ISSO?! NADA, NULO, ZERO, VAZIO!!!

– Mas... Mas, pelo amor, eu tenho certeza, o sinal do celular dela está aí, Johan, eu juro!

Ofegando de raiva, vermelho e aparentemente prestes a explodir, o velho oficial desceu do carro apressadamente e começou a correr por aquela rua deserta, procurando algo, alguma pista, um indício de que... Ele percebeu, numa calçada mais atrás, uma pequena luz que piscava em vermelho. "Que é isso?"Aproximou-se devagar, cautelosamente... E então viu o que era. "Um celular!" Correu para pegá-lo, e então conseguiu avistar novamente a van seguindo na direção oposta, naquela rua à direita, já partindo ao longe. "Filhos da mãe..." Pegouo celular e precipitou-se a correr de volta para seu carro, dando a partida e já saindo desesperadamente.

– Andrès, veja se o sinal do telefone volta a se mover para a direita.

– Ele... Sim. Sim, sim, voltou a se mover.

– Porcaria...

– O que foi?

– Eles jogaram o celular de Caitlyn fora e estão indo embora; vou ter que segui-los à velha maneira...

A van já virava novamente numa esquina ao longe, e o oficial teria que correr se quisesse mantê-la a vista, o que, por outro lado, colocaria em risco singelo seu disfarce...

~¨~

O dia começava a dar seus primeiros indícios de que começaria, com os raios do Sol começando a rasgar a aurora, e a umidade gelada da noite dissipava-se aos poucos no calor que ele radiava. A cidade começava a acordar para um novo dia incerto, e primeira coisa que ouviram em seus rádios e viram em suas televisões, ou mesmo presenciaram ao vivo no meio da praça mais movimentada da cidade foi a expressão pétrea de nosso Herói do Amanhã, duro e determinado, a transmitir-lhes um importante aviso...

– Nobres cidadãos de Piltover! — a voz imponente clamava, sem sequer precisar de um microfone. — Os imundos e desgraçados habitantes temíveis de Zaun vêm flagelando nossa gloriosa cidade... Nosso glorioso povo! Vêm fazendo isto há tempo DEMAIS, e céus, como eu sei bem disso... Mas, nos últimos meses, eles PASSARAM DOS LIMITES! Quantos de nós não perdemos um amigo, alguém amado, um ente querido de nossas famílias nos constantes atentados que aquela desprezível cidade vem cometendo em Piltover?! O ataque ao zoológico da cidade, destruindo a casa e as esperanças de muitos... A explosão na lanchonete, levando as vidas de tantos seres queridos! Tivemos até um ataque direto à delegacia, mais precisamente à nossa tão estimada xerife!! UMA BOMBA plantada no carro dela; é possível aturar isso?!!!

A multidão começava a se inflamar com gritos de raiva e de protesto.

– JÁ CHEGA! — Jayce brandiu, com vivacidade, rasgando o ar com os punhos numa indignidade incomparável. De repente, milhares de vozes em meio ao povo começaram a levantar-se e repetir a palavra de ordem do herói. "Já chega!" — Eu me lembro muito bem, amigos e amigas, do primeiro ataque, anos atrás... Eu fui a vítima! Busquei ajuda no "tão respeitável" Conselho da cidade, mas sabe o que fizeram? Nada! Eles não fizeram absolutamente NADA! "Não podemos declarar guerra a uma cidade-estado devido apenas a um ataque isolado". O QUE ME DIZEM DOS ÚLTIMOS "ATAQUES ISOLADOS", ENTÃO?! AQUELE FOI SÓ O PRIMEIRO! — o número de ouvintes na praça aumentava exponencialmente, assim como os murmúrios de "Injustiça!", "Calamidade!", "Como podem se esconder assim?!". — Meses atrás o ataque à mina foi um aviso claro de que eles estavam voltando por mais. Roubaram toneladas de materiais fundamentais para o progresso tecnológico de Piltover... Aposto que pouquíssimos de vocês sabem o que são e onde são usados os cristais arcanos, cujos nossa cidade, afortunadamente, dispõe em abundância! São cristais que geram energia por si só, porém mais uma vez o Conselho quis manter esse segredo somente para si! Eu mesmo tinha acesso completamente restrito e limitado a esta maravilha para o desenvolvimento techmatúrgico da cidade... E agora? Agora está tudo nas mãos de DELINQUENTES IRRESPONSÁVEIS, liderados por aquela falsa serpente desprezível, VI, que ENGANOU a todos nós como se fosse um mártir da população, mas agora SEQUESTROU nossa querida xerife Caitlyn, a única pessoa que estava realmente fazendo algo acerca do roubo dos cristais!!!

Repentinamente, a massa de pessoas, que havia simplesmente começado mais um dia para seguir em frente, absorveu a raiva daquelas palavras e todo o discurso remoído daquele que era o bastião de luz e esperança da população, e começaram os gritos ensandecidos de protesto frente a um Conselho que se escondia e virava a cara para seus cidadãos... Ao menos era o que Jayce dizia, e, ora! Ele sempre fora uma pessoa tão boa e aqueles argumentos eram tão coerentes...

Barthrax não era capaz de acreditar naquilo que ouvira a caminho do trabalho... Não, não, impossível! Não conseguia conceber tudo aquilo que o oficial falava; não depois de ter conhecido Vi. E o que ela confessou para ele que havia planejado... A tarefa que ela pediu, desesperadamente, ajuda para executar... Não. Era impossível... Impossível que aquele crápula estivesse falando da mesma Vi que ele conhecera! Uma voz, então, elevou-se na multidão, destoando de todas as outras. Uma voz imponente como um trovão.

– E como o senhor tem tanta certeza de tudo isso, senhor oficial, se a tal investigação do roubo dos cristais ainda não estava concluída e a tal fugitiva estava presa apenas por quebra de condicional, simplesmente por ter ido visitar a xerife, sua amiga, no hospital quando esta sofreu um acidente?

Os olhos da multidão voltaram-se todos para aquele homem que até então passara despercebido, mas agora estava claramente em destaque. Jayce reconheceu-o apenas vagamente — um rosto que já tinha visto alguma vez na vida — , mas pôde supor que, pelo conhecimento que demonstrava acerca do caso, só podia ser duas coisas: ou um mestre do Direito, cuja curiosidade levou-o a um estudo aprofundado de um caso rasamente peculiar, ou então era simplesmente só mais um obstáculo, alguém próximo daquele desperdício de energia chamado Vi.

...A julgar pelas aparências, havia infinitamente mais chances de ser o segundo. O oficial já tinha seu argumento completo trabalhado e bem treinado em sua cabeça. Contudo, ainda assim, tinha que tomar cuidado...

– Acho que gostaria de saber também, senhor, que ontem a delinquente não apenas fugiu da delegacia, ferindo brutalmente uma série de nobres policiais à serviço da comunidade, como também roubou documentos inestimáveis, referentes às MINHAS pesquisas com os cristais arcanos, e entregou-os para um informante de Dohran, seu cúmplice e responsável, além de tudo, pelo próprio assalto à mina de cristais. E agora surge na cidade uma... uma LOUCA destruidora, TERRORISTA, descrita utilizando roupas que remetem à moda das ruas de Zaun, porém portando um arsenal completo de armas cuja tecnologia vem de Piltover!!! Se o senhor quiser me dizer que isso é coincidência, me desculpe, mas eu mesmo vi ontem à noite algo muito ao contrário, e agora nossa xerife Caitlyn pode estar correndo enorme perigo!!!

Do nada, os olhares antes curiosos voltavam-se agora furiosos para Barthrax. Que louco idiota alienado era capaz de contestar o que o Herói do Amanhã, o grande anjo guardião da cidade, lhes confessava de forma tão franca e clara... E preocupante!

Mas Barthrax sabia que algo cheirava muito mal no meio de tudo aquilo... "Vi não iria, de forma alguma, fazer algo que ferisse a xerife... Bom, não pelo menos de forma intencional. E como ela pode ter entregue estes tais documentos pra esse salafrário Dohran... se ontem à noite deixou-os todos comigo para que entregasse-os à xerife? ...Não. Isso está muito errado..."

Logo, com aquele pensamento, o velho e fiel Barthrax teve um estalo: espera! Se Caitlyn fora sequestrada... O que faria com aqueles documentos?! A ordem de Vi tinha sido extremamente clara. "Entregue-os somente nas mãos de Caitlyn, Barthrax; só e diretamente para ela". Sentiu-se, subitamente, com uma mina de urânio em seu quintal: precisava livrar-se logo dela, entregando-a à pessoa certa, mas se não havia a "pessoa certa" ali, tinha então que fazer absoluto segredo dela para que não caísse em mãos erradas. E tinha que assumir o risco da radioatividade todo para si, enquanto uma solução não aparecia... Decidiu, então, que hoje seria um dia diferente. Hoje não seria mais um dia para trabalhar. Tinha que voltar para casa e dar um jeito de sumir com aqueles documentos e...

...não. Não era simplesmente esse o propósito de Vi. Ela não havia roubado aquele conhecimento para destruí-lo... Nem queria somente colocá-lo em segurança. O objetivo dela não eram aqueles papéis; eles eram apenas um meio para outros fins. Vi deixara bem claro que, antes de tudo, aquilo era o único jeito de colocar em segurança Caitlyn e de provar sua própria inocência. E aquele plano, infelizmente — e isso doía inimaginavelmente no coração açoitado de Barthrax — , parecia ter se descarrilado. Pobre de sua menina... Tão perdida em seus próprios furacões, Elora... Você... Você devia tê-la conhecido...

O cansado homem suspirou. Uma lágrima, muito discreta, brotou em seu olho e escorreu, acariciando, complacente, seu rosto... Um carinho de Elora... "Não desanime, meu amor..."

...Era isso. Era isso o que tinha que fazer. Barthrax, com um ânimo repentinamente novo, completamente reavivado, respirou fundo e decidiu-se. Se a xerife tinha desaparecido, então... Ele não sabia como, mas daria um jeito de ajudar a encontrá-la. E, a partir daí, ia deixar, de uma vez por todas, de ser apenas o espectador de sua vida e começaria a realmente agir em função de algo. Em função de Vi. Não deixaria que absolutamente mais nada de ruim fosse feito à sua menina.

Em uma coisa, ao menos, Jayce estava certo: estava na hora de levantar e lutar.

Enquanto isso, na praça, o discurso de Jayce, transmitido eletronicamente a todo o resto da cidade, chegava a seu fulminante desfecho, arrebatando para si a multidão de espírito enfraquecido por ter sido assolada pelos últimos catastróficos acontecimentos.

– Eles nos atacaram e nós nos reconstruímos. Eles nos atacaram, e nós ficamos quietos! Mas até quando vamos tentar evitar uma briga às custas das vidas de nossos filhos, sendo que o inimigo já está, há tempos, batendo à nossa porta?! Eu digo para vocês, povo de Piltover: eu fui uma vítima, mas eu me reergui e lutei! Eu jurei proteger Piltover caso estes malditos zaunianos atacassem de novo . E agora chegou a hora, meus amigos! Está na hora de nosso povo erguer-se e LUTAR contra todas essas atrocidades! No dia de hoje, meus caros cidadãos... Minhas irmãs e irmãos... É HORA DE PILTOVER DECLARAR GUERRA A ZAUN!!!

Gritos ensandecidos de fulgor ecoavam de todos os cantos da cidade... Era... Era insano, inconcebível, mas era real: o povo de Piltover — talvez não todo, mas uma significante maioria — abraçara, naquele momento, o ideal da guerra... Um triste fim para a antes chamada "Cidade do Progresso" se delineava no horizonte...

E, em meio ao regozijo da plateia, Jayce saía com um sorriso vitorioso em seu rosto. Mesmo com toda a dificuldade que teve para adaptar o projeto, conseguira já transformar o Martelo de Júpiter num Canhão Hextech mesmo sem os cristais daquele mercenário do Dohran... Huhuhum... Podia deixar seus homens dando conta do recado; a xerife não iria a lugar algum.

...Agora era sua tão esperada hora de ver Zaun desmoronar em chamas...

~¨~

Os olhos piscavam...

...a luz brilhava... ...flashes, flashes, ofuscação...

Tudo estava ainda embaçado; aquele cenário, que ela não conseguia enxergar direito, ainda assim, girava... Havia... luzes. Algumas cores...

Finalmente, com uma dor de cabeça terrível, a xerife recobrava, aos poucos, a consciência e os sentidos. O corpo, lentamente acordando após o golpe brutal que lhe deram, percebia agora que estava... Amarrada? Em um súbito desespero, lembrando-se das últimas cenas que haviam se passado, Caitlyn começou a debater-se, perturbada pelo sentimento agonizante de vulnerabilidade ao perceber que seus braços estavam atados pelo pulso, juntos, atrás das costas, enquanto seus pés também encontravam-se amarrados pelos tornozelos, impedindo-a de mover-se para ficar de pé ou algo assim. Em sua agonia de debater-se, acabou por dolorosamente descobrir também que estivera — e, aliás, ainda estava — deitada de lado num chão gélido de concreto liso. Percebeu isso no momento em que sua têmpora esquerda bateu fortemente contra o chão, apenas reavivando mais ainda a dor flamejante que sentia, latejando por toda a cabeça a alastrando-se já para os músculos do pescoço e da nuca.

– Shh! Shhh!!!... Calma, xerife, calma; não faça isso. — uma voz fraca soava de algum lugar invisível, buscando aplacar aquele desespero animalesco que a movia, fazendo-a machucar-se involuntariamente. — Xerife, ouça! Pare com isso! — a voz sussurrava, enérgica, num tom nervoso. As coisas, para ela, eram extremamente claras e objetivas; não havia sentido em comportar-se daquele jeito se aquilo não colaboraria em nada na fuga delas. A voz parecia quase insensível ao sofrimento que presenciava... Mas era sábia. — Caitlyn! Caitlyn! Shhh!!! Pare... Isso... Isso...

Ofegando, com os olhos marejados e ainda não completamente consciente, encolhendo agora os joelhos em direção ao peito num movimento de autoproteção, a xerife parou, aos poucos, de debater-se. Um silvo baixo vinha de sua respiração entrecortada enquanto buscava engolir o instinto de chorar, apertando com força os olhos.

– Xerife?... Senhorita Caitlyn?

Respirando fundo, tomando coragem, a xerife comprimiu os lábios e voltou a olhar para cima, deparando-se com uma imagem escurecida envolta por uma aura dourada, que bloqueava a luz... Após alguns segundos, conseguiu focalizar aquele rosto anguloso e fino... A cabeleira dourada desgrenhada... Ela tinha... Ela tinha um roxo...

– Que bom; acho que já está recobrando a consciência. Xerife, você sabe qual o seu nome?

– Caitlyn, óvio. — ela respondeu, baixo, com uma careta de dor. A outra moça estava aparando-lhe a cabeça de alguma forma. Era quente, era... confortável.

– Okaay... — ela ergueu as sobrancelhas, um pouco surpresa com a intensidade da resposta. — Ótimo. E consegue lembrar quem eu sou?

– Elle. — ela constatou rapidamente. A perita sorriu satisfeita, não houve nenhum dano cognitivo , e então amparou a xerife para que se colocasse sentada. Ao fazer isso, Caitlyn percebeu novamente aquela peculiar marca... — Elle, seu olho está... Roxo. — a voz de Caitlyn soava indignada, enquanto ela se aproximava para enxergar melhor aquilo... Num movimento reflexivo, a cientistas afastou-se e virou o rosto, acuada. De certa forma, sentia... Sentia alguma... vergonha... daquilo. — Elle, olhe para mim, deixe de ser boba. — a xerife proferiu, passando naturalmente de "indignada" para "furiosa". Elle olhou para baixo... E então virou o lado ferido do rosto para a xerife, que prendeu a respiração por um segundo. — ...Céus; quem foi o filho da... — mordeu o lábio inferior, transbordando de raiva. Ela sabia bem quem poderia ter feito aquilo. — Seu olho está roxo, o supercílio está... cortado!

Eu sei! – fez-se um silêncio repentino e constrangedor. — Eu sei... Não gosto disso.

Um novo silêncio se fez.

– ...Eu não fui rápida o bastante.

– Não vou dizer que você fez o que pôde.

A xerife riu.

– Pelo menos alguém sincero nessa história...

Elle não respondeu. Apreciava aquele senso de justiça e retidão incontestáveis da xerife, mas sabia muito bem também que, em algumas situações extraordinárias, algumas leis podiam ser burladas em função de uma causa maior. Suspirou. A xerife observou aquela reação, pensativa... Humpf. De fato, era infinitamente mais fácil vencer agindo fora das regras. Não há obstáculos, não há responsabilidades, não há... decepção. A xerife apertou os lábios e virou o rosto para o lado oposto ao da cientista, fitando o nada. Respirou fundo, fechando os olhos.

– Muita gente com quem eu me importava foi ferida enquanto eu buscava evidências que confirmassem que eu estava de certa de algo que eu já sabia. Houve aí um toque de vaidade, talvez; "a xerife encerra mais um caso impecavelmente"... Muitos sofreram, tantos outros pagaram com suas vidas, e olhe aqui, agora, onde viemos parar... — porém, subitamente, com um ar de resolução e chamas crepitantes no olhar, a xerife voltou-se novamente para a perita. — Mas, se tudo isso aconteceu até agora, esse então absolutamente não é o momento de sentar e choramingar sobre o que foi perdido. Precisamos seguir em frente e acabar com esses bandidos, em nome de todas aquelas pessoas. — a cientista levantou os olhos, surpresa com aquela mudança inesperada na atmosfera por parte da xerife, e ficou então com os olhos fixos nela. — Se existe uma maneira de sair daqui, nós vamos encontrá-la e ir lembrar ao Jayce quem manda aqui e qual é o lugar dele. E se não houver nenhuma saída... — não pôde evitar lembrar-se de um certo sorriso ousado, emoldurado por aquele rosto lindamente atrevido, e sua cabeleira rosa chamando a atenção de tudo e de todos... O rosto da xerife expressou uma versão personalizada desse mesmo querido sorriso. — ...bom... "Às vezes, é preciso fazer uma porta".

~¨~

Os dois velhos oficiais, após a chegada das últimas notícias da manhã, viram-se feitos de palhaços, completamente pegos de surpresa e sem muitas alternativas restantes: antes de conseguirem contatar o resto da força policial da cidade, Jayce já havia designado uma enorme força-tarefa para uma busca em falso pela xerife fora da cidade. Maldito, filho da...! Johan também era um dos oficiais da elite e tinha poder para contestar aquela decisão, mas já estava muito longe da delegacia e completamente envolvido na verdadeira busca pela xerife e, além disso, uma medida dessas levantaria imediatamente suspeitas por parte de Jayce, e só os deuses sabem o que aquele canalha traidor traiçoeiro seria capaz de fazer com Caitlyn em mãos... Argh!

Andrès, em seu escritório, fazia das tripas coração para tentar achar uma saída menos desastrosa possível para tudo aquilo. Já tentara... Tentara até infiltrar-se na investigação corrente sobre o paradeiro da xerife, apresentando-se como um honorável ex-agente disposto a colocar sua expertise à disposição da polícia, buscando, na verdade, formar um pequeno grupo independente para levar a cabo a perseguição que ele e Johan já estavam fazendo, mas esse plano surtiu pouquíssimo efeito... Disseram que aquilo não seria necessário, que "as devidas providências já estão sendo tomadas por uma equipe organizada e qualificada para este tipo de ação", que já estavam buscando fora da cidade as duas criminosas responsáveis por isso, e pediram gentilmente que os civis mantenham-se calmos e que não intervissem no trabalho da polícia... Desgraçados...

Johan, ainda em sua perseguição, finalmente chegava a um local onde observou a tal van estacionada num pequeno pátio interno pertencente a um armazém do parque industrial de Piltover. Largou o carro numa rua qualquer e desceu imediatamente, com sua arma empunhada e preparada para qualquer coisa. Quando contornou o armazém e olhou pela janela, pôde já observar os homens que traziam Caitlyn inconsciente e jogavam-na displicentemente no chão. Num outro lado, nem um pouco distante de onde a xerife estava, o oficial avistou aquela moça que vivia enfiada naquele laboratório da perícia; qual o seu nome mesmo? Bah, não importava! Mas pôde perceber que ela falava alguma coisa para os criminosos, como se os repreendesse por algo.

Um dos homens virou-se e mandou-a calar a boca. Outro, que amarrava as mãos e pés da xerife, vendo como a mulher caíra no chão, desacordada, com o vestido levantado, começou a rir e disse algo para outro, levantando mais o vestido da xerife e fazendo expressões nojentas de... AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRRRRHHHHHHHHHHHH!!!!!!

SE ALGUM DELES OUSASSE ENCOSTAR UM DEDO SEQUER EM CAITLYN, JOHAN JURAVA: ELE MESMO IA LÁ TORTURAR DEMORADAMENTE CADA UM DAQUELES ORDINÁRIOS CÃES DO INFERNO! ARGH! IA QUEBRAR-LHES AS PERNAS, SEPARAR A MANDÍBULA DO RESTO DO CRÂNIO E ARRANCAR SUAS UNHAS COM UM ALICATE, UMA A UMA!...

A perita, lá dentro, parecia compartilhar desse mesmo sentimento de profunda revolta, gritando com uma expressão completamente indignada e raivosa para os homens, visivelmente furiosa como nunca a tinham visto antes... Diante do desrespeito irritante deles, vendo que aquela provocação nojenta não cessava, a cientista levantou-se, ignorando toda sua dificuldade, e correu furiosamente na direção dos três homens, jogando o corpo com força para cima deles e fazendo-os cair violentamente contra o chão, pegos de surpresa pela bravura indômita da cientista...

...contudo, isso deixou-os com raiva. Ao levantarem-se, um deles pegou a perita, ainda caída no chão, pelos cabelos e levantou-a daquela forma, ignorando completamente os gritos de dor e protesto dela. A expressão de terror no rosto da mulher fizera o coração de Johan apertar-se num desespero horrível. O homem, então, largou-a sentada no chão pouco mais à frente, e ela ainda recuperava-se da dor quando um outro veio, do nada, e acertou-lhe um soco brutal na cara! FILHO DA PUTA! Não, não, aquilo era demais para o oficial, DEMAIS! Já estava na hora de fazer uma intervenção, e Johan forçou uma porta ali do fundo que encontrara, mas o barulho serviu apenas para chamar a atenção dos capangas de merda para longe das duas mulheres expostas ali.

Quando a perita caiu, ouviu-se um forte barulho vindo de algum lugar aos fundos do armazém. Os três homens ficaram simplesmente parados, escutando o que acontecia ao redor... Johan, ao perceber que a porta estava trancada e que não conseguiria abri-la, deu a volta novamente e voltou a espreitar o que acontecia lá dentro por uma janela. Um dos homens dizia alguma coisa à perita, visivelmente nervoso, e então cuspiu na moça ainda desnorteada pelo golpe, levantando dificilmente o corpo do chão. Começaram, então a sair da sala, deixando-a ali, caída, com um bocado de sangue escorrendo sobre o olho que fora acertado...

Johan havia decidido que iria entrar ali e tirar as duas de lá a qualquer custo, mas eis que seu celular toca. É Andrès.

– É muito bom que seja extremamente importante, seu...

– Eu consegui ajuda, você não vai acreditar!

O velho oficial teve que controlar-se para não deixar o celular cair de sua mão naquele momento.

~¨~

Barthrax correu imediatamente para a delegacia, que encontrava-se, peculiarmente, mergulhada num verdadeiro caos. Policiais corriam para todos os lados, viaturas eram despachadas sem parar, os telefones tocavam freneticamente com a nova onda de crimes que voltava repentinamente e assolava a cidade após os últimos ataques, sem contar a própria busca pela xerife, que havia virado um frenesi. Uma enorme confusão que Barthrax não conseguia acompanhar direito.

– Policial, com licença, eu... — um ia embora. — Senhor, por favor, eu preciso... — todos passavam reto; ninguém tinha tempo para atendê-lo. — Pelos céus, por favor, é importante! Com quem posso falar sobra a procura pela xeri... — argh! Ninguém o ouvia, todos passavam reto como se ele fosse louco, ou como se não estivesse ali! — Por favor, eu posso ajudar; eu...

Em seu canto, acabando de chegar, sem entender também aquela completa desorganização da Patrulha, o guardinha observava todos correrem para um lado e para outro, sem, na verdade, fazerem nada de realmente útil. Caminhou um pouco — acabara de retornar do hospital — procurando entender o que acontecia. Sabia que a xerife havia desaparecido, e dizia-se que era culpa de Vi... Respirou fundo... Ele não queria mais pensar sobre aquilo. Viu Hatz atendendo alguns telefonemas sem muita paciência, e foi falar com ele para ver o que podia fazer para realmente ajudar.

– Aham, mas senhor... Não, senhor; nós agradecemos muitíssimo sua disposição, mas não podemos colocá-lo na investigação... Eu sei, eu... Sim, eu sei, o senhor é um ex-oficial, fez um grande trabalho, mas não é possível aceitar sua proposta, ok? ...Olha, vamos fazer assim: eu anoto o número do seu telefone aqui e, se for necessário, te ligamos, está bem? Adeus! — Hatz anotou o número e desligou o telefone, nervoso.

– Hatz, por acaso fui designado para algum grupo de busca?

– Deixa eu ver nos regist... Ah, é você! Não, seu nome não está em nada; você não devia ter tido alta um pouco mais tarde?

– Bem... Mas... Acho que tem alguma coisa em que eu possa ajudar, não tem?

– Guardinha, sério, dessa vez não to tirando com a sua cara, de forma nenhuma: você acabou de deixar o hospital, rapaz; eu não posso, oficialmente, te colocar em serviço aqui... — o guardinha, dessa vez, não sentiu-se menosprezado. Conseguia sentir nas palavras de Hatz o nervosismo partilhado por todos naquele momento, e sabia que o policial estava sendo sincero. O rapaz, então, deu um leve tapa motivador no ombro do colega.

– ...as coisas vão se acertar.

Neste momento, o nome de Hatz foi chamado em voz alta em algum lugar no meio daquela confusão toda. Ambos os oficiais, por reflexo, olharam em volta procurando a origem do som. Sem conseguirem identificá-la, Hatz virou-se para o guardinha brevemente.

– Rapaz, se você queria fazer algo, só posso, agora te pedir isso: fica aqui um minutinho, só cuidando das coisas, apenas para eu ver o que está acontecendo...?

– Vai lá.

Enquanto Hatz saía desesperadamente à procura de quem havia lhe chamado, o guardinha apenas posicionou-se atrás do balcão em que o colega trabalhava e, imediatamente ao fazer isso, seus olhos recaíram sobre o papel com o número do ex-oficial anotado... Ele ouvira a conversa; aparentemente tratava-se de um ex-agente da Patrulha oferecendo ajuda nas buscas... Ora essa, mas como negar uma colaboração dessas; a polícia estava louca?! Levantou, então, o olhar e varreu a área da recepção da polícia, quase passando batido por toda aquela confusão formada, não fosse aquele senhor lá no meio de tudo, desorientado; um rosto... Um rosto conhecido? O guardinha tentou forçar a memória para lembrar-se dele, observando-o em sua busca desesperada por alguém que o ouvisse... Movido pela curiosidade, o rapaz negligenciou a tarefa designada a ele e saiu em direção ao homem... Tinha a impressão de já tê-lo visto, e mais de uma vez... Na prisão? Não, não, não era exatamente isso, mas tinha alguma relação... Não tinha certeza...

– Em que posso ajudá-lo?

– Oh, graças aos céus, alguém! Estou dizendo há horas que quero ajudar a encontrar a xerife Caitl...

– Desculpe, senhor, mas não podemos colocar civis em meio ao trabalho da polícia...

– Não, você não está entendendo, eu... — o velho controlou-se bravamente por um momento, puxando então o braço do guardinha e sussurrando muito baixo. — Eu preciso encontrá-la. Trata-se de algo de suma importância, mas infelizmente eu não posso revelar o que é!

– Espera! — ...o guardinha olhou bem para o homem por uns breves segundos. — Você é o senhor que sempre visitava a senhorita Vi! — ao mesmo tempo, o rapaz não sabia dizer se sentia-se feliz, surpreso ou desconfiado daquilo. No mesmo instante, Barthrax temeu que o policial viesse a fazer algo... Algo que pudesse impedi-lo de cumprir com sua promessa. — ...Eu sou... Bem... — estava em dúvida sobre qual tempo verbal achava que deveria dar àquela frase... — ...Eu sou amigo de Vi. Mas o que aconteceu com ela; por que ela fez tudo isso?!

Barthrax sentiu um reconfortante alívio ao ouvir aquelas palavras, e então decidiu que talvez fosse melhor poder contar com mais alguém em sua jornada, para ajudá-lo a resolver aquilo... Ainda mais se este alguém o reconhecera e se dizia também amigo de Vi. Respirou fundo e voltou a sussurrar-lhe.

– Olha, se você também se importa com Vi, então o que vou te falar agora é extremamente importante: ela não roubou os documentos de Jayce para entregá-los a Dohran e, justamente por isso, tenho também certeza de que não foi ela quem sequestrou a xerife. Portanto, toda essa busca de vocês é só uma cortina de fumaça lançada pelo verdadeiro culpada para que possa se safar.

O guardinha analisou bem aquela possibilidade... Hum... Alguém mais havia estado na delegacia aquela noite, alguém mais estava sorrateiramente participando de tudo aquilo... Alguém que, aliás, facilitou a fuga de Vi....

– Mas como o senhor pode ter tanta certeza disso?!

O velho hesitou, imaginando se deveria ou não contar aquilo...

– ...Ela deixou os documentos roubados comigo e levou ao negociante outros papéis quaisquer; ela estava blefando! O tempo todo, blefando para conseguir chegar aos cristais!

– Isso só comprova que ela tinha interesse neles; se o objetivo dela era chegar nos cristais de qualquer jeito, no que isso diminuiria sua culpa no caso?

– Diminuiria pois ela não queria os cristais para si; ela queria recuperá-los para Caitlyn, para que parasse de se arriscar por causa daquela investigação. Os documentos que ela deixou comigo, ela não pediu que eu os escondesse para ela, e sim que entregasse-os direta e somente nas mãos da própria xerife! Não faço ideia do porque, mas se os bandidos queriam tanto esses papéis, e ela suspeitava que eles não estivessem seguros na delegacia, seria necessário movê-los para outro lugar onde ninguém os procuraria e onde estivessem a salvo. Por isso precisamos encontrar o quanto antes Caitlyn; eu só quero procurar uma forma de ajudar Vi a provar sua inocência, eu só quero... — o gigante fez uma pausa brusca, controlando a respiração. — ...eu só quero proteger minha filha, oficial... Você não faz ideia do quanto aquela menina significa pra mim!...

Ao ouvir aquilo tudo, o guardinha virou-se, olhando fixamente para aquele homem hercúleo que lhe falava com a autoridade sóbria de uma tempestade, mas que agora segurava-se com todas as suas forças para evitar que lágrimas discretas escorressem... Aquela angústia mista de afeto transmitida em suas palavras... Aquilo não podia ser fingimento. Não mesmo. E se aquele homem tão firmemente acreditava na inocência de Vi...

Com uma expressão firme e determinada, o rapaz decidiu que não esperaria mais que os outros lhe dissessem o que podia ou não fazer. Agora ele tomava as rédeas da situação, e faria isso para salvar não somente a merecedora xerife, mas principalmente... Para ajudar sua grande amiga, Vi.

– Vem aqui. Nós vamos dar um jeito nisso e é agora!

Pegou o número de telefone que vira Hatz anotar e largar no balcão, discou-o de seu celular e já partia rumo a seu carro, para que saíssem o quanto antes.

– Alô? Com licença, o senhor é o ex-oficial da polícia que... Não, não; estou ligando extra-oficialmente... Sinceramente, senhor, as coisas vão igualmente mal aqui, e temo agora que a polícia esteja seguindo uma pista falsa que pode afundar toda a corporação caso não percebam isso logo! Por isso vim buscar sua ajuda. Se o senhor tem recursos para montarmos um grupo de busca independente, então eu peço: deixe-nos ajudar... Sim... Sim, sim, claro! Nossa! ...Hah, melhor conversarmos sobre isso pessoalmente.

~¨~

– Johan, você não vai acreditar... Não vai acreditar mesmo!

– Desembucha logo! — após recobrar-se da súbita surpresa, Johan ficava ligeiramente nervoso... Aquela animação de Andrès deixava-o ansioso por saber o que acontecera!

"Fortes fortuna adjuvat", "A sorte favorece aos destemidos"! O reforço está chegando!

– Mas o que...

– Não tenho tempo para explicar o... milagre que aconteceu nesses últimos minutos... Calma, estou dirigindo; estamos chegando aí e vamos resgatar Caitlyn!

~¨~

Esgueirando-se por aquelas ruelas estreitas há muito conhecidas, Vi tentava seguir o rastro daquela garota estranha que a importunava. Sentira profunda raiva daquela idiota descabeçada, e, antes de mais nada, queria pegá-la pela nuca, como se faz com um cachorrinho... mas iria sacudi-la loucamente da beirada de um prédio gigante, até que o parafuso solto que ela tinha na cabeça voltasse ao lugar, e aquela louca decidisse sumir ou simplesmente parar de vandalizar gratuitamente Piltover. Contudo, algo que ela dissera... Algo que ela dissera, e aquela cara que fez quando Vi brutalmente empurrou-a para longe... Aquelas coisas, de alguma forma, tomaram a cabeça de Vi de tal maneira que começavam a deixá-la igualmente louca, maluca com aquelas... Aquelas imagens se repetindo, as vozes ressoando incessantemente em sua cabeça; um olhar de fúria e um riso de escárnio, misturando-se, assombrando-a por todos os lados, e aquele grande branco em sua memória começando a ser preenchido por cores horríveis, escorrendo doentes como uma tinta podre que se misturava para formar uma imagem ainda completamente indiscernível em sua cabeça... "Por que essa idiota parece fazer parte disso?! Aargh!". "Ingressos para parentes saem de graça..." O que aquela menina escrota quis dizer com aquilo? Por que aquela maldita cena dela caída no chão, vergonhosamente derrotada, lembrava a Vi algo?!!!

Aquela confusão em sua mente temporariamente aplacava sua fúria, permitindo-lhe concentrar-se com um pouco mais de cautela em sua busca. Continuou a procurá-la, então, por todos os lugares que pôde passar, varrendo com uma velocidade invejável aquela região muito mais perigosa e labiríntica do que a já longínqua Fronteira Sem Lei... Numa dessas passagens por um beco, perguntando "gentilmente" para um criminoso de merda se ele tinha visto aquela garota e onde ela estava, avistou, através de uma porta dos fundos que dava para o porão duvidoso de um bar, uma TV ligada passando o noticiário do meio da manhã.

– ...dupla criminosa sequestrou na noite de ontem a xerife Caitlyn, enquanto esta liderava um grupo de intervenção para impedir o fechamento de uma negociação relativa ao caso do roubo dos cristais, ocorrido há cerca de dois meses, e que vinha prendendo a atenção da polícia. O oficial Jayce, que estava presente na operação, relatou que as mulheres utilizaram de força, bruta e bélica, para derrubar os policiais e fugirem com a xerife inconsciente. Foi registrada também a morte de um policial com três tiros no corpo. A polícia agora deu início às buscas pela xerife e pela dupla de sequestradoras, lideradas pela criminosa conhecida como "Vi". Para auxiliar nas buscas da polícia, transmitiremos aqui imagens das mulheres para que a população avise as autoridades no caso de avistá-las em algum lugar. Agora vamos para a previsão do tempo, com Janna...

Mas. Que. Merda. Era. AQUELA?!!! De repente, Vi viu sua cara estampada e transmitida em todos os jornais da cidade e arredores; quem sabe não tivesse transmitido aquela merda até para outras cidades-estado! Agora ela era oficialmente caçada como parte da corja aliada a Dohran, e como se já não bastasse, via-se associada àquela... Àquela... MALUCA, e ainda como se fosse a líder de todo aquele esquema sujo!!! Não... Caralho, que merda, puta que o pariu! Aquilo não era um dia para sequer sair da cama... Não que tivesse uma, mas...

Seu queixo estava caído e os olhos saltados, fixos na TV sem acreditar no que via, enquanto ainda segurava o homem que interrogava pelo pescoço, sem deixar que este tocasse os pés no chão.

– ...Merda! — indignada, jogou o bandido informante no chão, como se fosse um objeto em sua mão e ela estivesse terrivelmente brava, fodida, a ponto de jogar o que tinha em mãos no chão para aplacar um pouco a raiva. — E quando eu penso que as coisas não poderiam estar piores... Por que você não foi ser garçonete, hein, garota?! ...Ei, calma aí! — olhou para o homem caído no chão, contorcendo-se com uma expressão de terrível dor nas costas; andou até ele, agachou-se, pegou-o pelo pescoço novamente e ergueu-o mais uma vez no ar, falando então com desconfiança e uma raiva latente na voz. — Você tá sabendo alguma coisa sobre terem sequestrado a xerife?!!! — o homem apenas soltou um leve gemido de dor, contorcendo o rosto como se fosse chorar. Vi chacoalhou-o brevemente, mas com força, para ver se saía algo da boca de merda daquele ordinário.

– AAAAI! AAAU, AU; NÃO! NÃO FAÇA ISSO; AAARRRH! POR FAVOR!

– Mas que porcaria; por que é que eu nunca consigo uma resposta direta?! É sempre "aah não, para de me bateeer; aaai, minha caara"! — falava sem paciência nenhuma, cansada de gastar seus dons investigativos com gente que não valia nem o bafo de cerveja que exalava.

Largou o homem caído no beco e saiu a passos duros, recomeçando a correr logo em seguida para dar continuidade a seu plano... Ok, ele tinha ido pro ralo completamente. Mas, afinal, quem precisa de planos? Pff! Enquanto percorria quase que a esmo aquelas ruas traiçoeiras, sentindo como se os olhares agora, discreta e interessadamente, voltavam-se para ela, algo dentro de si a fez tomar um rumo diferente; como uma sugestão que inconscientemente lhe surgia. "Procure nos telhados; ela gosta deles".

– ...eu tô ficando louca...

Correu mais um pouco, em qualquer direção, virando em qualquer esquina, e então subiu numas escadarias quase escondidas de um prédio velho que ela reconhecera imediatamente ao entrar. Subiu até o andar designado como "cobertura" e...

~¨~

– Uóóóónnnnn... VUSH! Piuch! Piuch, piuch, piuch! RRRRAAAATATATATATATATATATA, piuch! Piuch!

Ela sentava na beirada do prédio; os pés jogados pra fora, suspensos na imensidão do ar, sem se importar nem um pouco em cair daquela altura certamente fatal para qualquer corpo, não somente o seu, de estaturazinha tão fracote e esquálida... Enquanto o Sol nascia, pomposo, à sua frente , no horizonte, preocupava-se mais se o Barão Fishbones conseguiria escapar do aterrorizante ataque-surpresa-aéreo da temível esquadrilha de Von Pow-Pow.

– Uóóóó... "Ah, não! Acertaram a asa do meu..." "EU VOU TE MATAAAAAAARRRRRAATATATATATATATATATATATATATATATA!!!" "Oh! Mayday! Mayday! Socorro!"

De repente, a batalha aérea cessou de imediato... Silêncio... Shhh...

...

Alguém vinha pela escada!

~¨~

...Vi abriu a porta de supetão, atirando-se já para fora na cobertura em que tinha quase certeza que a encontraria e... deparou-se com o espaço vazio. Entretanto, sem nem ter tempo de pensar em nada, um tiro já ressoou de seu lado, fazendo-a apenas levantar a mão gigante num movimento voluntário, aparando o tiro e já seguindo na direção de onde ele veio.

– Te encontrei... — ela sussurrou, irada, entredentes, seguindo decididamente na direção daquela menina com uma fúria gélida. Ia pegá-la, ia pegá-la pra valer, e só os deuses saberiam o que seria daquela figura a seguir. — A brincadeira acabou agora.

Após o tiro, a garota permaneceu com seus dois braços firmemente esticados, segurando o revólver, sem parecer se intimidar e nem se mexer sequer um milímetro conforme sua nêmesis avançava em direção a ela. Olhou-a fixamente nos olhos por todo seu trajeto, e somente no mais inevitável, impossível último segundo...

– Só se você conseguir me pegar, huhum.

Com um sorriso enviesado, a garota, a milímetros de ser pega por Vi, simplesmente... pulou de cima daquele prédio enorme, amargurando Vi com o mais profundo ódio de passar tão perto de pegá-la de jeito e...

...o chão começou a tremer. O prédio... o prédio estava...!!!!

– Hum, que tal um encontro às seis, na delegacia, hã? Hah! TE VEJO EM PILTOVER, VIDIOTA! — a menina gritou de algum lugar... Caralho, como ela tinha conseguido pular daquele prédio e sair viva; por onde ela fugira?!

Ao mesmo tempo em que mordia-se de raiva ao ouvir aquilo, a mulher de cabelo rosa já podia sentir o chão ruir sob seus pés; um estrondo aterrador de explosão ouviu-se nos andares de baixo e o prédio já começava a desmoronar! Sem tempo para tentar qualquer outra via de escapatória, Vi soltou um grunhido raivoso, reuniu todas as forças que tinha e disparou correndo à toda velocidade em direção à beira da construção. Ao colocar seus pés no beiral, prestes a desabar, deu um impulso inumano, lançando o peso das luvas gigantes para a frente... ... ...foram milésimos de segundo de incerteza, em que seu corpo parecia ter flutuado, estático no ar... e então ela aterrissou, mas não completamente, no prédio ao lado. Seu abdômen bateu fortemente na parede do outro prédio, enquanto as luvas gigantes sustentavam todo o peso de seu corpo segurando na beira do último andar... Respirava rapidamente, o coração ainda não recuperado do susto de quase desabar uns bons onze andares, mas mesmo assim colocou mais uma vez toda a força que pôde em seus braços... "Qual é, garota... A pedra gigante na mina! Isso aqui é fichinha perto daquilo; vamos lá, vamos lá!!"

Franziu o cenho, mostrando os dentes, numa careta de quem fazia um considerável esforço...

– UUUUGGGGHHHH!!!... *Arf! Arf! Arf!* ...Hah... Haha! HAHAHAHAHA, CONSEGUI! YES! Boa, garota; eu sabia! — comemorou, sentada na beira do prédio, vendo o outro desabar à sua frente, e então também desabou para trás, caindo deitada no chão com os braços abertos, observando o céu... Descansando um pouco de toda aquela loucura... De repente, olhou no horizonte a cidade, deparando-se com outras diversas catastróficas explosões ao longo do caminho que ia em direção a Piltover...

Apertou as gigantescas mãos, em fúria, e desceu imediatamente as escadas rumo ao chão, seguindo com sede de violência o rastro que as explosões deixavam... Bando de filhos da... Queriam brincar com ela? Queriam brincar com Caitlyn? Pois que estivessem prontos pra brincar do lado das crianças grandes...

~¨~

– ...e então é isso que podemos fazer: se as estantes não forem muito pesadas, chamamos a atenção deles para que venham aqui, e aí as empurramos para que caiam em cima deles.

– Eu devo te alertar sobre as chances de sucesso disso ou...

Apenas ajuda, Elle! Apenas me ajuda...

A cientista ajudou a xerife, que estava com os pés amarrados, a levantar-se e ir até a parte de trás de uma das estantes que ficava logo a seguir da grande porta dupla pela qual os bandidos geralmente entravam. Deixou-a lá, já encostada no móvel e pronta para empurrá-lo, e seguiu então para o meio do enorme salão... Droga... O que usaria para chamar a atenção deles? O que ali faria barulho?!... Ora, como não tinham se lembrado daquilo?!! Toda construção grande deve ter alarmes de incêndio que podem ser ativados quebrando-se o vidrinho e apertando o botão. Aquilo seria simplesmente perfeito! Chamam, sem sombra de dúvida, a atenção do canalhas; eles entram, elas os derrubam e ainda são salvas pelo corpo de bombeiros da cidade! Sem pensar duas vezes, com toda sua esperança, correu em direção a uma parede, procurando um alarme de incêndio e, ao encontrá-lo, quebrou o vidro com o ombro e acionou o botão com o nariz, voltando correndo novamente para trás da estante onde deixara a xerife.

– Elle, caramba, o que é isso?! — Caitlyn sussurrou, assustada com o repentino barulho.

– Na falta da polícia, os bombeiros estão vindo, xerife!

Diante do sorriso que Elle lhe deu, Caitlyn desistiu de lembrar-lhe que, ultimamente, devido aos ataques à cidade, em caso de supostos incêndios de grande porte a polícia também era avisada para dar apoio aos bombeiros e fazer a perícia do local, investigando a origem do fogo ou o padrão do incidente... Apenas retribuiu brevemente o sorriso, pedindo internamente que a polícia estivesse suficientemente um caos para que o chamado não chegasse a Jayce a tempo.

– Eles estão vindo pra cá! Vamos!

Sem poder utilizar os braços, apenas jogando a força do corpo contra as pesadas estantes, que elas descobriram ser incrivelmente pesadas apenas somente agora, as duas mulheres começaram a tentar forçá-las para que caíssem, mas o móvel apenas balançava sutilmente para frente e para trás, não ousando nem sair do lugar.

– Mais força!

A estante parecia começar a mover-se um pouco mais, mas ainda não dava indícios de que iria cair; a sirene tocava loucamente, e os homens já entravam na sala...

– EI, MAS O QUE ESSAS CACHORRAS ESTÃO FAZENDO AÍ?!

– CORRE, ELLE!

Os três sequestradores entraram correndo na sala, avistando Elle e Caitlyn atrás da estante, tentando empurrá-la sem sucesso... Aaah, cadelas malditas! Foram os três, sem piedade, para cima delas... Aquelas vadias precisavam de uma lição pra aprenderem a só latir quando fossem requisitadas! Caitlyn sabia que não conseguiria fugir, seus pés haviam sido também amarrados, mas, na pior das hipóteses... Pelo menos alguém ali tinha que ser salvo para poder sair e testemunhar no tribunal sobre os verdadeiros planos de Jayce, e além disso... Elle merecia aquilo.

A cientista conseguira se esgueirar dos bandidos, fugindo pelos fundos da sala e seguindo escondida na direção da mesma porta pela qual eles haviam entrado, mas então Elle parou, a passos de sua liberdade, olhando para a xerife com uma expressão aterrorizada e também titubeante... Os três canalhas, juntos, precipitavam-se na direção de Caitlyn, que estava vulnerável, sem jeito algum de fugir!

– CORRA, CORRA!!! VOCÊ TEM QUE SE ESC... AGH! — a xerife gritou, fazendo finalmente com que a perita se mexesse e concluísse sua fuga, mas então um dos homens segurou-a pelo pescoço com uma força brutal, cortando sua voz e fazendo-a engasgar, agonizar, implorando por ar para seus pulmões!...

– VADIA! — o homem atirou-a com força para trás, fazendo com que batesse no chão com força, sentindo uma súbita dor que percorreu-lhe todo o corpo. — Sua besta do inferno! — o covarde filho da puta chutou o estômago da mulher caída no chão! Caitlyn perdeu completamente todo o ar naquele momento, dobrando-se então sobre o próprio corpo para tentar aplacar a dor... Mas aqueles três canalhas nojentos acercaram-se dela, puxando violentamente seus braços para cima e segurando suas pernas para que não se debatesse, enquanto o outro, que já havia lhe chutado, agachava-se e cima dela, desafivelando a calça e jogando o peso maldito de seu corpo em cima do quadril da xerife! — Agora você vai ver, sua desgraçada; cachorra, sua vadia; vê se assim não aprende a não se meter com...

– SAI DE CIMA DELA AGORA, SEU PORCO IMUNDO LAZARENTO!

Com um golpe violentíssimo utilizando um cano de ferro, Johan afundou o crânio daquele covarde filho de uma puta que tentara violentar Caitlyn, fazendo com que o sangue daquele monstro voasse para todos os lados; e continuou batendo, furioso, até que não se ouvisse mais o som dos estalos dos ossos do cara, simplesmente porque não tinha mais osso nenhum para ser quebrado na cabeça dele! Os outros dois tentaram voar para cima do velho, que estava vermelho como um pimentão, mas então ouviu-se o som de tiros, um deles atingindo um dos homens na coxa e fazendo-o cair aos berros.

– PARADOS EM NOME DA LEI! — o guardinha gritou com toda potência, com sua arma apontada para os criminosos, junto de Andrès, que também trazia sua arma empunhada e mirada para eles. Correram para eles, sem tirá-los da direção do cano do revólver, e fizeram-nos render-se, enquanto um homem gigantesco vinha por trás e levantava a xerife nos braços, baixando seu vestido com respeito e cobrindo-a novamente, enquanto a levava para fora daquele armazém maldito.

– Como a senhorita está, xerife? Espero que nada de mal tenha lhe acontecido...

Caitlyn ainda ofegava, ligeiramente em choque com toda a ação desenfreada que acontecera nos últimos minutos, com o corpo todo tenso e as mãos levemente trêmulas. O homem que a carregava levou-a para o carro de Johan, onde Elle já estava sentada, recuperando-se da cena com uma garrafa de água consumida pela metade em mãos. O gigante colocou-a sentada no banco do passageiro, com a porta aberta, e cortou-lhe as cordas que prendiam suas mãos e seus pés. A xerife simplesmente expirou todo o ar de seu peito, num silvo ao mesmo tempo aliviado e angustiado, e deixou os ombros caírem, baixando a cabeça, ainda desconcertada.

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– Senhorita, acalme-se, o perigo já passou... — Barthrax viu o corpo da xerife estremecer, e ela então levantou a cabeça, ainda não olhando diretamente para ele. Seus olhos estavam vermelhos, mas ela bravamente não chorava.

– Eu só preciso de um pouco de água, por favor... — de trás dela, Elle estendeu a mão, entregando sua garrafa para que a xerife bebesse. Em dois goles, ela acabou com o conteúdo, passando o dorso da mão pela boca para secar o que havia escorrido. Suspirou. — Nunca. Mais. Eu quero que alguém passe por isso... Nunca. — ela falava com uma voz dura e implacável, ainda assim com uma certa tremulação na voz.

Os outros oficiais voltaram do armazém, todos com expressões pesadas, caminhando tensos, porém decididos em direção ao carro do velho oficial. Andrès e o outro tinham respingos em suas vestes... Johan voltava com a roupa completamente suja de vermelho... Passaram por ela e dirigiram-se a um outro carro atrás daquele; o carro de Andrès. Pegaram algo no porta-malas, enquanto Johan passou por Caitlyn, olhando-a fixamente... A menina também fixou-o no olhar... O oficial ia continuar seu caminho e passar reto por ela, mas não pôde aguentar... Vacilando, foi até o banco de trás de seu carro; Barthrax deu espaço para que ele passasse e o oficial parou em frente à xerife, com seu terno antes bege claro e a camisa branca agora tingidos num tom desesperador de rubro... Ficaram petrificados, um em frente ao outro, sem dizer nada por uns bons segundos...

– ...Eu... Eu não vou te abraçar agora... Não com o sangue... dele... — o senhor definitivamente não sabia o que falar diante daquela situação. O cano de metal ainda estava em sua mão, levemente torto e completamente coberto de... sangue... O homem mexeu a mão livre para o lado, sem conseguir fazer nada, embora em sua cabeça passassem milhões de coisas. — ...Caitlyn, o que nós fizemos agora... Não foi "bonito"... Nem do ponto de vista estético, muito menos por parte judicial... Nós podemos queimar o armazém agora. Este dia nunca aconteceu... Ou você pode deixá-lo como está e seguimos os... os preceitos da lei. Eu não me importo nem um pouco com o que pode acontecer num tribunal, desde que você esteja... — o homem ficou em silêncio; suas palavras já começavam a sair trêmulas e carregadas de uma sentimentalidade velada que...

A xerife interrompeu-o e atirou-se para cima de seu velho guardião, apertando-o com força entre seus braços, afundando o rosto no ombro largo e gordinho daquele homem que agira como um pai para ela sem que soubesse, desde quase sempre.

– Obrigada, Johan. — ela sussurrou, de olhos fechados para que não lacrimejasse. O velho retribuiu o abraço afagando o belo cabelo castanho, lindo e fluido como uma cascata de chocolate. Apertou os olhos, evitando demonstrar mais qualquer indício de sentimentalidade, já toda expressa naquele inusitado abraço... Caitlyn afastou-se e olhou então para todos os amigos que ali estavam por ela, os que realmente podia contar, e então deu seu veredito. — ...Certifiquem-se de que não sobre nada... E apenas voltemos pra casa.

O armazém acendeu um brilho laranja por todo o céu entardecido que logo rumaria para os escuros tons de roxo, azul e negro da noite... As explosões ao redor e dentro da cidade apresentavam a todos o fogo da batalha... Durante aquela brecha para retomarem as forças e se prepararem, o prólogo de um novo amanhã seria escrito nas páginas do Destino...

...chegava a hora de lutar.

~¨~

O zepelim, o grande orgulho e vitória tecnológicos de Piltover, rasgava os céus numa velocidade incrível rumo à cidade das aberrações científicas... Zaun... Por quanto tempo não sonhara com aquela vingança; destruir aquela cidade que destruíra-lhe tudo que considerava mais importante na vida...

– Desliguem os motores.

O herói ordenou, fazendo com que a reduzida tripulação se movesse, desligando a parte mecânica do dirigível e deixando-o flutuar silenciosamente sobre a cidade ali considerada inimiga.

Num momento da mais profunda excitação, nervosismo e ansiedade, o homem sacou seu tão esmerado Martelo de Júpiter... Toda a tecnologia que havia colocado nele... Toda ela havia sido trabalhada para outros propósitos: ajudar o povo, facilitar a vida de todos, auxiliar nos trabalhos da polícia, de hospitais, gerar energia limpa... Propósitos uma vez tão nobres... Todos, hoje, jogados no lixo... Todos, hoje, engolidos pelo único propósito quase animalesco que sobrepôs todos os outros. Vingança. Guerra. Era para isso que o Martelo de Júpiter servia. Destruir. Não salvar.

...E agora, com aqueles sentimentos confusos assolados pelo ódio que oportunistamente se instalara dentro dele e evoluíra, o Martelo também evoluíra e tomara outra forma: Canhão de Júpiter.

Ele abriu uma porta na lateral da cabine do zepelim e apontou o canhão para fora, mirado bem no centro da grande cidade-estado vizinha, Zaun.

– ...Olho por olho...

E atirou uma, duas, três, quatro... Cinco vezes. Cinco gigantescas explosões que colocaram a cidade à baixo; os prédios ruindo, as instalações explodindo, o caos de sua mente materializados agora no caos daquela cidade... Por um momento... Por um breve momento, sentiu uma paz quase plena em seu espírito, seu coração... Mas então... Tinha acabado. O que parecia ter sido o propósito de sua vida... Estava ali. Alcançado. Pronto. Acabou.... E agora?

Voltou para dentro da cabine, fechando a porta e ficando parado, fitando o nada, com uma expressão fechada e confusa... ...O rádio comunicador, então, tocou.

– Oficial, um grande incêndio no parque industrial de Piltover; acreditamos que pode ser outro daqueles atentados à cidade... O endereço do incidente é...

Não... Não podia ser... DESGRAÇADOS! SEU PLANO, DAQUELE JEITO, IRIA SER ARRUINADO SE A XERIFE DE REPENTE APARECESSE E DECIDISSE ABRIR A BOCA!

– Estou voltando imediatamente para Piltover!

Notas finais
"Eu não acredito em nada; nem no Fim, nem no Início; nem na Terra, nem nas estrelas, mas nas batidas de nossos corações. Eu não acredito em nada; nem no Diabo, nem em Deus; nem em Paz e nem na Guerra, mas na verdade sobre quem nós somos." - This Is War Meus amores, muito, *muito* obrigada pela compreensão de vocês.