Piece of Mind
2 Capítulo Dois em que: A escola recebe dois alunos novos, lápis voam e eu entro em pânico
Notas iniciais
Capítulo Dois em que: A escola recebe dois alunos novos, lápis voam e eu entro em pânico.
Eu estava na aula de física, eu simplesmente odeio física, só pra constar, odeio a professora de física (cujo a voz me dá ânsias de vomito, instintos assassinos e impulsos suicidas), e a matéria em si também é um saco.
Então nem preciso disser que não estava prestando atenção na aula.
Em vez disso eu estava fazendo a cortina voar na cara da galera que senta na fileira da janela (eu sei, eu sou filha da puta). Até que Lana uma das garotas mais populares da escola, que eu simplesmente não vou com a cara, se levantou e fechou a janela, cortando completamente o meu barato.
Então eu me concentrei em, como eu gosto de chamar, “brincar” com outras coisas. Eu basicamente, sempre faço isso durante a aula, eu mecho coisas pequenas e ninguém nunca percebeu, ou muito menos suspeitou que era eu quem estava fazendo as coisas caírem ou se mexerem, e não, sei la, o vento ou Jesus.
Além do mais que, eu sou completamente invisível na escola e na vida (pode se dizer assim).
Eu sou apenas mais um rosto na multidão desfocada de figurantes da vida. E também levemente dramática.
No meio do meu devaneio alguém bateu na porta. Era a supervisora (vulgo a bruxa má do oeste e ex-professora de inglês) ela veio acompanhada de um garoto.
– com licença professora, vim trazer um aluno novo – a surpervisora falou sorridente dando passagem para o garoto entrar. Se tem uma coisa nessa vida que eu tenho certeza é que quando um professor sorri demais é um sinal de que lá vem merda.
– muito bem, pode se sentar, por favor – disse a professora para o garoto.
O garoto, não vou mentir, era bem bonito, de pele clara, cabelos pretos, olhos claros e usando roupas pretas, praticamente uma imagem em preto e branco. Mas a julgar pela cara não parecia nada feliz.
A nossa escola é uma escola bem grande para uma cidade pequena e o resultado disso são salas com muitas classes vazias, mas por acaso do destino, entre mais ou menos dez classes vazias (eu não contei certinho, porque não, muito obrigado) o garoto sentou na fileira do lado, uma classe atrás da minha.
– qual é mesmo o seu nome? – perguntou a professora quando o garoto já estava na metade do caminho para se sentar.
– D'Artagnan – e nesse momento todo mundo com uma cara de confuso (tá nem todo mundo, muita gente tava cagando pro nome do aluno novo), é uma reação aceitável, considerando que é realmente uma raridade alguém ter o nome do quarto mosqueteiro dos três mosqueteiros.
Mas eu também não tenho muita moral para falar nomes, sendo que o meu é Wendy por causa da Wendy do Peter Pan.
– D'Artagnan você veio junto com o outro aluno novo? – a professora perguntou enquanto olhava alguma coisa em seu “caderno de professora”
– não – foi tudo que ele disse.
Bom, o tempo foi passando, eu voltei a brincar com as coisas, como fazer o chaveiro da mochila do cara na minha frente fazer barulho, mas o legal mesmo é jogar a cortina na cara da galera, então cuidadosamente abri a janela e joguei com tudo a cortina na galera, mas especificamente na cara da Lana, tipo SURPRESA!
Ela foi pega muito de surpresa mesmo porque caiu ou se jogou da cadeira e todo mundo rio da cara dela (de novo, não todo mundo porque tem gente que simplesmente caga para todas a situações).
Eu obviamente ri da cara dela. Jogar ela da cadeira não estava nos meus planos, mas cagei.
Eu olhei para o lado e vi o garoto novo me olhando, mas ele estava com uma cara esquisita, como se estivesse me avaliando, meio frio e calculista.
Aquilo me deixou meio confusa, é tão raro alguém olhar para mim que eu fico até desnorteada quando acontece. E isso suou tão forever alone.
Eu continuei encarando ele de volta, o que era meio tenso já que ele olhava diretamente nos meus olhos, até que ele desvia para alguma coisa um pouco mais para o lado e mais abaixo que meu rosto, eu segui seu olhar e ele estava olhando para a minha classe.
Eu demorei um segundo até sacar que a minha borracha estava flutuando a uns 3cm da classe, e quando eu percebi, eu muito sutilmente, tão sutil quanto uma jamanta, deu um tapa nela que deu um estouro na minha classe.
Olhei para o D'Artagnan ele realmente não parecia muito surpreso em ver uma borracha flutuante.
Peguei minha borracha e a guardei no meu estojo e comecei a entrar em pânico internamente
Puta que pariu, sera se ele viu?
Sera se ele vai contar para alguém, chamar a CIA e eles vão me estudar como um rato de laboratório?
Porque eu fiz isso, eu geralmente não faço as coisas flutuarem do nada, sem nem ao menos olhar para a coisa.
E eu quase nunca perco o controle.
Só de vez em quando.
Não tive coragem de olhar para D'Artagnan pelo resto da aula, mas apostaria todas as minha fichas que ele ficou me olhando.
Até que enfim o sinal bate para a troca de período. O que equivale ao início dos jogos vorazes com todo mundo correndo para a porta.
Eu guardo as minhas coisa muito calmamente na minha mochila, com as mão tremendo. Eu espero todo mundo sair da sala para ir embora.
Me levanto com uma puta duma dor de cabeça e com as vistas meio escuras de repente mais continuo andando normalmente, quando estou quase saindo da sala eu avisto um lápis no chão.
Assim que eu olhei para ele, ele veio voando diretamente para mim, tão rápido que quase não consegui pega-lo.
Então eu olho para frente, para a porta e vejo D'Artagnan e outro garoto me olhando descaradamente nenhum dos sois parece supresso ou sequer alarmado com o que acabaram de ver.
Mas no momento em que eu os vejo eu sinto um frio na barriga, uma sensação de fodeu se instala em mim.
Eu sinto uma certa decepção comigo mesma.
Então eu entrei em pânico por dentro e por fora. Sai correndo atropelando os dois na porta e me empurrando para fora.
Começo a correr pelo corredor, no meio do mar de gente. Sempre olhando por cima do ombro para ver se estou sendo seguida e eu estou sim, D'Artagnan e o outro garoto que eu nunca vi na minha vida me seguem disfarçadamente.
E como correr olhando para traz nunca dá certo eu me bato de frente com outra pessoa que me segura pelos ombros.
É Jackson o cara mais popular e badalado da escola, com seus olhos azuis, louro, capitão do time de futebol, atual namorado da Lana, é simplesmente o estereótipo perfeito de um cara perfeito, pelo menos na aparência.
– desculpa – eu falei
– não tem nada, eu é que não estava olhando para onde estava indo – ele disse e abriu um sorriso simpático.
Meu deus eu não mereço isso
Eu deveria dizer alguma coisa tipo “não imagina, eu que não estava olhando” mas tudo que eu disse foi:
– aham – e eu tentei sair correndo de novo mais ele ainda estava me segurando.
– você é a Wendy não é? – ele perguntou, eu dei uma olhada para traz e os dois garotos estavam parados no corredor, o D'Artagnan cochichou alguma coisa no ouvido do outro cara e o outro saiu na direção oposta.
– sou – eu respondi, mais uma vez mostrando minha super habilidade com palavras.
– bom saber – ele disse e deu uma piscadela, sinistro.
Eu fiquei parada um segundo meio desnorteada com a piscadela. Mais ai vi o D'Artagnan e voltei a realidade e sai correndo novamente.
Sai andando que nem uma desgovernada depois dessa e entrei no banheiro feminino.
Entrei no banheiro e tinha mais duas garotas lá dentro, uma se olhando no espelho e outra no boxe. Fui na pia e me olhei no espelho.
Minha cara estava horrível, o cabelo completamente desarrumado (normal), as bochechas vermelhas e olhos arregalados, e arfando.
O sinal bateu segundos depois de eu entrar no banheiro, as duas meninas saíram do banheiro pouco depois disto. E eu fiquei sozinha no banheiro.
Eu entrei no boxe e sentei no vaso com a tampa abaixada abrasando os joelhos.
Puta que pariu!
Fodeu!
São as duas frases que passam pela minha cabeça.
Eu tendo respirar fundo e me acalmar mais não funciona muito e acho que isso causa mais pânico em mim.
Até que enfim saio do boxe e vou para a frente do espelho de novo. Paro e olho para a minha mochila. E sem eu tocar nela o zíper se abre e dentro da mochila sai flutuando o meu “gloss” de uva, de 4,99 na revista da Avon
Pego o gloss que flutua a centímetros a minha frente. Pego e passo. Tento arrumar o meu cabelo (não funciona, mais o que vale é intenção), olho no meu celular e está mais ou menos na metade do terceiro período.
A essa altura o tal D'Artagnan já teve ter indo embora, penso comigo mesma.
Pego minha mochila e vou bem devagar sem fazer barulho até aporta. Abro uma mínima fresta, e espio, a princípio não vejo nada. E então eu vejo três, pessoas de costas para a porta está o D'Artagnan e o outro cara, e uma garota está de frente para os dois.
E a coisa mais impressionante a garota segura uma lança.
Uma fucking lança!
No meio da escola, como caralhos isso pode acontecer?
Escuto a conversa deles primeiro
– você tem certeza que ela não fugiu? – o outro pergunta para o D'Artagnan.
– tenho cara, eu não sai daqui nem um minuto – ele responde – e a Kayla?
– ta la fora no carro – responde a garota.
– e o que exatamente a gente a esperando? – o outro pergunta
– não sei – D'Artagnan responde
– porque a gente não simplesmente entra, ela ta sozinha la dentro não é? – o cara pergunta de novo.
– e o que a gente iria dizer – o D'Artagnan se vira para o garoto – com licença eu vim de uma realidade paralela e o reino onde eu vivo está sendo ameaçado e preciso da sua ajuda para salvar o reino, minha família e possivelmente o mundo – ele diz em tom de deboche – não ia colar, ia?
– é você tem razão – o garoto concorda – e além do mais, é o banheiro feminino, a gente não pode entrar – ele se vira para a menina – acho que é com você agora Drika.
– vai se ferrar – a, possivelmente, Drika, responde – mais acho que não vai ser necessário – ela aponta na minha direção.
Eu gelo.
E antes que eles possam fazer qualquer coisa, abro a porta e saio correndo. E eles vem correndo atrás de mim.
Agora sim.
Fodeu.
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