Pictures of You
3 Capítulo 2
Karina acordou sozinha em seu quarto. Não sabia quando havia adormecido, e nem se seu pai ainda estava no apartamento.
Localizou uma muleta ao lado de sua cama. Ela tinha esquecido que ainda guardava ela, de quando lesionou a perna em um campeonato de Muay Thai. Levantou-se e foi fazer sua higiene matinal, e logo estava se dirigindo para cozinha.
–Bom dia filha. -ela escutou a voz do pai assim que adentrou o cômodo.
–Não sabia que você ainda estava aqui. -ela disse em meio a um bocejo. -Bom dia.
–Alguém tinha que fazer o café da manhã. O que vai querer?
–O que nós temos, chefe Gael?
–Torradas com geleia e suco de laranja... -ele foi interrompido.
–Com mamão? -ela perguntou com os olhos brilhando.
–Não, só laranja. -ele riu. -Igualzinho sua mãe.
–Quê?
–Ela adorava suco de laranja com mamão. Quando estava grávida de você então, me fazia ir atrás ou fazer de duas em duas horas.
Karina sorriu. Nunca ouvia muito sobre sua mãe, e sempre que ouvia era sobre como Bianca se parecia com ela. Aquela informação lhe fez extremamente bem, mesmo sendo um pequeno detalhe.
–Filha, tenho quer ir. -Gael falou quando terminou o café da manhã. -Deixei a academia para o Panda abrir, mas preciso estar lá.
–Hum, eu vou com você. -Karina falou com a boca cheia. -Tenho que passar na Bí. Afinal, o que ela tem?
Gael encrespou os lábios e enfezou a cara.
–Ela tá grávida. -falou mau humorado.
Karina gargalhou da expressão do pai.
–Vai ser vovô, é seu Gael?!
*~*
Gael parou em frente a fábrica para Karina descer.
–Vou estacionar o carro.
–Falou pai. Vou passar lá na Bí e depois venho aqui na academia.
Karina estava atravessando a praça, perto do chafariz, quando escutou uma voz familiar.
–Karina Duarte. Quem você nocauteou dessa vez?
Ela não precisou se virar para reconhecer a voz de Cobra.
–Ricardo Cobreloa. -ela virou-se e o viu colocar as malas no chão. -E se eu te disser que fui nocauteada?
Cobra se aproximou de Karina e lhe deu um abraço demorado.
–Da última vez que te vi de muletas lembro que a adversária saiu desmaiada do ringue.
–É que quando o adversário é um carro não se tem muito o que fazer. -ela comentou se desvencilhando do abraço. -Pensei que você só estaria aqui semana que vem.
–Não posso vir antes visitar meus amigos?
–Quem?! Eu, a Jade e o Thawik? -Karina riu.
–Qual foi lorinha? -ele riu. -E a Jade não é minha amiga.
–Tô por dentro dessa história de dama e vagabundo que vocês tem. Só que agora ela tem que ficar esperta pra não te perder, né lutador?! Que milagre ela não foi nessa viagem com você?
–Minha sogrinha tá marcando cerrado com ela, com algum lance de dança. -ele falou, e voltou a estudar a muleta e a bota ortopédica de Karina. -Como você fez isso?
–Tava apressada, não prestei atenção aí um idiota me atropelou. -Karina foi rápida, não querendo prolongar o assunto.
–Falando em idiota... -Cobra disse olhando por cima do ombro da garota.
Karina se virou o mais rápido que pôde e deu de cara com Pedro.
–Ei, Karina. -ele levou a mão ao cabelo. Parecia estar sem graça.
–O que você quer com ela, ô imbecil? -Cobra perguntou, se aproximando perigosamente de Pedro.
–Cobra, por favor. -Karina segurou o braço do amigo.
–Eu só vim devolver seu celular. -Pedro falou encarando Cobra sem demonstra medo.
Karina estendeu a mão e pegou o celular, e ficou em silêncio observando os dois rapazes se encararem como se fossem sair na porrada a qualquer momento.
–Valeu, Pedro. -ela falou baixo, chamando a atenção dos dois.
Pedro olhou de Karina para Cobra e saiu, dando apenas um 'tchau' seco para lutadora.
–Qual foi Karina, você tá tendo alguma coisa com esse cara de novo?
–Não. Mais que droga, e se eu tivesse? -ela perguntou irritada.
Por que todos tinham que tomar conta de seus relacionamentos amorosos?
–Só não quero que você sofra de novo. -ele falou um pouco sério.
–Foi mal a grosseria, cara. Ele é o idiota que me atropelou.
–Tá vendo?! Esse moleque merece uma surra.
–Tá bom, ô super herói de caráter duvidoso. -Karina riu. -Tenho que ir ali na Bianca, depois a gente se fala. -Karina deu um abraço rápido nele.
*~*
–Grávida Bianca?! -Karina se jogou no sofá de qualquer jeito. -Rápida, não?
–Credo Karina. -Bianca a repreendeu. -E já faz quase 6 anos que eu tô com o Duca. Somos praticamente casados.
–Tá bom. E aí, é menino ou menina?
–Karina, eu tô de 2 meses, não dá pra saber.
–Iiih, não tem aquele lance de intuição feminina, ou materna, sei lá? Você não é cheia dessas frescuras, não devia saber?
–Só você, K. Pra mim tá de bom tamanho se for uma menina ou um menino. Vai ser amado de qualquer forma. -Bianca colocou as mãos na barriga com os olhos brilhando.
–Cê tá feliz, né?
–Muito. E você vai me acompanhar nessa felicidade, quero que você seja madrinha do meu filho.
–Sério? E a ruiva?
–Ela vai entender, e ela pode ser madrinha do próximo.
–Ainda nem teve o primeiro e já tá pensando no segundo?!
–Você aceita ou não?
–Claro. -ela levantou-se e abraçou a irmã. -E quem vai ser o padrinho?
*~*
–A Bianca tá grávida e te convidou pra ser padrinho do filho dela? É sério isso?
Pedro não acreditou no que João lhe falou.
–É. Ela quer que a irmã e o "irmão" sejam os padrinhos. -o ex-viciado falou como se comentasse o tempo.
–Cara, você vai ser padrinho do filho da mina que cê gostava, é isso?
–Iiih, minha atração pela Bianquinha foi coisa de adolescente. E agora nós somos "irmãos". -João sorriu.
–Tu é maluco, Johnny. -Pedro comentou e se calou.
Eles passaram um tempo em silêncio no quarto do guitarrista.
–Que cê tem? Tá estranho desde que foi devolver o celular da Karina. -João jogou uma almofada no amigo. -Cê não brigou com a minha maninha não, né?
–Cara, você tem que parar de chamar a Bianca e a Karina de irmãs, vocês nem criados juntos foram.
–Ah que seja. Minha mãe casou com o professor de briga, agora nós somos irmãos postiços, sem contar aquela história bizarra do René com a mãe da Karina. -João falou, relembrando uma história mal resolvida do passado. -Mas fala aí, o que foi?
–Ela tava lá com aquele tal de Cobra. -ele resmungou. -Acredita que ele queria me bater?
–Acredito.
–Me chamou de imbecil.
–E você é.
–É, sou... QUÊ? -Pedro olhou para o amigo indignado.
–Cara, por mais errado e imbecil que o Cobra seja, ele gosta da Esquentadinha. E você vacilou feio com ela, e era ele que tava lá quando ela ficou arrasada não só com a irmã, mas com você também.
–Já faz cinco anos, Johnny. -Pedro disse mais para si mesmo. -Esse cara tá sempre na cola da Karina.
–Tá com ciúmes, Pedro?
–Eu não sei cara. -ele passou a mão no rosto em desespero. -Minha história com a Karina acabou de um jeito horrível. Eu gosto muito dela, mas aí veio a fama, e ninguém é de ferro, né bro?
–Ô, mas você também, hein Pedro?!
–O que você queria? Eu tentei me reaproximar e apanhei, não só dela. E depois ela sumiu pra BH. Mas eu nunca deixei de pensar nela, nenhuma das minas com quem eu fiquei me fizeram esquecer ela, mas ela não dá um desconto. Se eu conseguisse me aproximar. Se ela baixasse a guarda. -ele se lamentou.
–Ela já baixou a guarda pra você uma vez. -João comentou. -Você não tá tentando direito, cara. Ela sumiu, mas não foi por cinco anos, foi só um! Mas vocês passaram CINCO anos sem se falarem! Desculpa, mas se é assim que você tá tentando se reaproximar, tá fazendo tudo errado.
–O que você sugere cúpido?
–Vai ficar quanto tempo sem nenhum show?
–Umas duas semanas, por aí.
–Tempo suficiente.
–Suficiente pra quê, ô maluco?
–Você vai ver.
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