Notas iniciais
Muita gente me pediu para contar como ficou a vida de Derek e Stiles depois que o fotógrafo volta da Jordânia. Então, aqui está, um resuminho muito fluffy do que virou a vida dos dois. E é uma espécie de presente de Natal para vocês que lêem minhas histórias, que comentam e que me deixam muito feliz com esse tipo de retorno. Em especial para o lindo do Raphael Fernandes, que não apenas lê e comenta, mas me ajuda divulgando minhas fics no twitter. Espero que gostem!

As fotos espalhadas pelo salão já tinham sido todas vendidas mal a exposição havia começado. Agora os convidados permaneciam ali apenas curtindo o coquetel, bebendo e comendo, enquanto conversavam animados.

Além da venda das fotografias, os ingressos para a exposição que duraria um mês no Museu de Arte Contemporânea já haviam se esgotado há pelo menos quinze dias. Children make Home foi anunciada nos jornais e revistas como "a exposição que trazia o fotógrafo Stiles Stilinski de volta às suas raízes com fotos da alma". Agora, a alma infantil através das fotos das crianças de dois orfanatos de Nova York e Califórnia.

E a renda da exposição também foi revertida para os dois lugares, proporcionando uma melhora na infra-estrutura, a compra de novos móveis, roupas de cama e uniformes para os pequenos.

Derek observava, à distância, Stiles dar uma entrevista para um canal de TV, e não conseguia deixar de se encantar com o homem que tinha como marido há sete anos. Mas a voz de um de seus amigos, que acabava de chegar ao local, chamou sua atenção e ele desviou o olhar, observando Scott McCall de mãos dadas com sua esposa, Allison.

– Alexia, — Scott chamou uma garotinha que passava correndo em direção ao jardim do museu, mas parou e se deixou ser erguida para o colo, com um sorriso imenso – como vai a vampira preferida do padrinho?

– Não sou mais vampira, Tio Scott! – ela revirou os olhos, com uma expressão de quem havia ouvido a maior besteira dos últimos tempos.

– Não? – o publicitário indagou, confuso.

– Nããããão! Agoia ela é uma fada do dente. – outra menininha que tinha se aproximado dos dois respondeu, puxando a calça de Scott com a mãozinha gorducha.

– É fada mordente, Hanna! – Alexia explicou, balançando a cabeça.

– A professora da Alexia está lendo Harry Potter no final das aulas. – Derek explicou, se aproximando do grupo e bagunçando o cabelo da filha, presa no colo de Scott.

– E você, Hanna? Também é uma fada mordente? – Scott perguntou para a menina mais nova.

– Não mesmo! Eu sempe vou ser um lobisomem. – ela franziu a testa e Scott, junto com sua noiva Allison que acompanhava a conversa ainda em silêncio, sorriram para a expressão da garotinha.

Era incrível perceber os traços da personalidade de Derek e Stiles nas duas meninas, ainda que elas tivessem sido adotadas.

Alexia tinha uma imaginação fértil, criativa, agitada. Tinha a pele morena, quase negra, e os cabelos cacheados sempre presos em laços coloridos. Ela havia sido adotada quando tinha apenas um ano e meio e quando completou quatro anos ganhou Hanna como irmã.

As duas eram verdadeiros opostos. Hanna era quase pálida, calma, centrada e preferia passar horas distraída com seus blocos de montar e livros do que qualquer outro tipo de brincadeira. Mas embarcava satisfeita nas aventuras imaginárias da irmã mais velha, sempre ajudando Alexia a derrotar os bandidos e salvar os mocinhos.

Porque sim, seus pais eram sempre os mocinhos indefesos que precisavam da ajuda das princesas guerreiras, vampiras, fadas mordentes, elfas e qualquer outra criatura que Alexia descobrisse na biblioteca da escola.

Derek era o mais entusiasmado com a imaginação da filha, mesmo sendo vítima de algumas experiências diferentes como quando Lydia deu um livro sobre criaturas míticas e Alexia se encantou pelo kanima, uma espécie de homem-lagarto capaz de paralisar suas vítimas com o veneno de suas garras. E ele teve que ficar paralisado, quando ela o atacou durante uma brincadeira. E quando Stiles chegou em casa, Derek estava paralisado no tapete, enquanto Alexia, Hanna e até Lydia aproveitavam a situação para pintar suas unhas de esmalte cor de rosa, encher seu cabelo de presilhas com flores e glitter e caprichar na maquiagem. Stiles ainda ria disso quando se lembrava.

O fotógrafo havia dispensado a imprensa e agora conseguia finalmente, dar atenção à sua família e seus amigos mais íntimos. Cora havia chegado dois dias antes da exposição, junto com o marido e exibia uma linda barriga de seis meses de gravidez. Scott e Allison casados há tanto tempo quanto Stiles e Derek não tinham filhos. Danny também estava presente, discutindo com Isaac a possibilidade de fazerem como Stiles e adotarem uma criança.

Alexia pulou do colo do padrinho assim que viu seu pai se aproximar e Stiles agarrou a garota, jogando-a sobre o ombro, ganhando uma gargalhada dela. Depois de esfregar o nariz em seu pescoço, fazendo cócegas, ele a deixou ir para o chão, vendo que Derek fazia o mesmo com Hanna.

– Acho que você vai querer correr agora, Alexia. – o fotógrafo sussurrou para a menina.

– Por que, papai?

– Porque seu avô está chegando ali com um fadicida feito de brócolis e suco de laranja. – ele tinha a voz quase sinistra e a menina deu um grito e saiu correndo, puxando a irmã pela mão.

– Stiles! – seu pai ralhou – O único aqui que vive de brócolis é você. Não espante as minhas netas.

Ele abraçou o pai, sorrindo e dando dois tapinhas em suas costas.

– Então é bom você correr e entregar essas balas que eu sei que você tem no bolso.

John sorriu e foi atrás das meninas, deixando seu filho e genro, abraçados para trás. E à medida que a noite foi passando e as bebidas acabando, todos ficaram mais a vontade, conversando sobre suas vidas, planos para o futuro e relembrando os velhos tempos.

– Ainda bem que a fase de lobisomem da Alexia passou. – Stiles comentou.

– A da Hanna parece continuar. – Allison apontou a menina que fingia rosnar para o avô.

– Ah, mas a Hanna é tranquila. Um lobisomem silencioso. Quando a Alexia cismou que era um lobisomem, ela e Derek ficavam na varanda, uivando para a lua. Achei que o síndico ia nos pedir para mudar.

Derek sentiu as bochechas corarem com a revelação, mas deu de ombros. Não ia se envergonhar disso. Não ia jamais se arrepender de nenhum momento passado junto das filhas.

E ali, ouvindo o jeito apaixonado de Stiles falar da família que construíram, ele também não se arrependia de ter esperado por ele. Quase três meses conversando apenas pela internet, duas vezes por semana, enquanto ele ficou na Jordânia.

Três meses de tensão, acompanhando as notícias pela TV, jornais, revistas, torcendo e pedindo aos céus que nada acontecesse, que nenhuma bomba, bala perdida, ataque terrorista levasse Stiles antes que eles pudessem tentar ser felizes juntos.

E quando Stiles voltou, mais magro e abatido, mas com uma aura de realização e esperança, Derek se apaixonou ainda mais. Demoraram um tempo para decidirem morar juntos, pois Stiles alegava que a experiência de viver tão próximo a uma guerra abalava qualquer um e ele queria estar inteiro para dar um passo a frente em seu relacionamento.

Moraram seis meses juntos antes que Derek fizesse o pedido de casamento, em forma de duas passagens aéreas para a Croácia, onde ficariam próximos ao Lago Plitvice. Derek nunca contou a Stiles que passou quatro meses na terapia para conseguir viajar de avião em sua lua de mel.

E depois de dois anos de casados é que decidiram aumentar a família. E as lembranças de Derek sobre este momento vieram ao mesmo tempo em que Boyd, o novo namorado de Erica (que deixou de ser apenas secretária de Derek e se tornou vice-presidente de finanças da Hale Banquet) perguntava o que todos já presumiam, mas não tinham certeza até então:

– Por que uma exposição assim, Stiles?

O fotógrafo o encarou, desacostumado a responder sobre suas fotos para pessoas tão íntimas. Mas Boyd era novo no grupo e ele acabou dando de ombros e respondendo:

– Alexia veio de um desses orfanatos e Hanna veio do outro. Quando decidimos adotar em vez de usar uma barriga solidária, não foi a tarefa mais fácil.

– Se pudéssemos, acho que teríamos ficado com todas as crianças de cada lugar. Elas não são maltratadas, mas ainda assim estão longe de receber tudo o que uma criança precisa. – Derek respondeu também.

– E as fotos vieram para ajudar. – Cora resumiu.

– Sim. A ideia do projeto veio quando Hanna chegou lá em casa. Mesmo com apenas dois anos, nós podíamos notar que ela ficava dividida entre estar feliz em ter uma família e estar triste em deixar os amigos para trás. Nós ainda vamos lá, uma vez por mês para que ela possa brincar com as outras crianças.

– Mas se não fosse por mim, — Lydia interrompeu, sorrindo e balançando os cabelos longos – a exposição não sairia. O direito de imagem quando se trata de menores é mais complexo porque implica a autorização dos pais. Como essas crianças não tem ligação com os pais biológicos e legalmente pertencem ao estado, a autorização teve que ser solicitada ao governo. Demoramos algum tempo, mas ficou tudo lindo no final.

Stiles massageou o ego da advogada quando afirmou que lhe deu os devidos créditos nas entrevistas dadas à TV.

Já de volta à casa, horas mais tarde, Stiles acabava de trocar a roupa de Hanna, completamente adormecida, enquanto Derek voltava com Alexia do banheiro, onde ele tinha feito a filha escovar os dentes e a colocava na cama.

O corredor do apartamento de cobertura que eles compraram quando adotaram Hanna já estava coberto pelas antigas fotos de Stiles e seus amigos e mais ainda pelas novas fotos dele e Derek, das meninas, da grande família que eles formavam.

Derek foi o primeiro a sair do quarto das crianças e parou no meio do caminho para seu próprio quarto, olhando a foto do momento em que buscaram as novas certidões de nascimento das meninas. Ele sentiu seu coração se aquecer e só então notou Stiles parado no batente da porta, o observando.

– O que foi? – o fotógrafo perguntou, se aproximando cauteloso e enrolando os braços ao redor da cintura do marido.

– Estava pensando...

– No que?

– No quanto me orgulho de você. – ele o encarou, a meia luz do abajur aceso na sala deixando o ar com um tom alaranjado – Obrigado. Por não me deixar desistir da gente.

– Isso significa que posso usar a foto no calendário? – Stiles balançou as sobrancelhas, com um sorriso sedutor.

– Não abuse da sorte, amor! – Derek advertiu.

– É para a caridade, você sabe que eu jamais exibiria uma foto sua, na banheira, de camiseta molhada se não fosse por uma boa causa. Scott aceitou posar, Isaac também. Outros modelos e atores toparam a ideia.

– Não sou modelo nem ator, Stiles.

– Mas é mais gostoso que todos eles juntos.

Derek suspirou profundamente antes de responder:

– Espero não me arrepender disso. Tudo bem, pode usar a foto no calendário. Mas eu quero escolher o meu mês, ok?

– Ok, todos ainda estão em aberto.

– Novembro. Minha foto fica em novembro. O mês do nosso casamento.

Derek saiu para o quarto e deixou Stiles ainda parado no corredor, com um sorriso bobo no rosto antes de correr para o quarto também para encerrar a noite do seu jeito preferido, embolado com Derek embaixo do edredom.

Notas finais
Amores, agora sim, FIM! A todos vcs que estão comigo todos os dias ansiando pelas minhas ideias malucas, meus mais sinceros votos de boas festas. Não sei se em 2014 continuarei com as fics de um jeito tão frequente, porque pretendo me dedicar ao meu livro original. Mas agradeço já a todos os comentários que com certeza fizeram meu 2013 mais feliz!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!