Notas iniciais
Como vcs são lindos e estão amando ler essa fic tanto quanto eu estou amando escrever, aqui tem mais um capítulo. Agora um pouquinho de ação e vamos descobrir mais um pouco sobre o fotógrafo Stilinski.

A apresentação do projeto publicitário foi sucesso até mesmo entre os sócios mais exigentes. O que significava que o trabalho de Scott agora ficaria restrito a sua agência de publicidade e que Stiles não precisaria mais voltar até a Banquet.

O que deixava Derek aliviado e incomodado ao mesmo tempo.

Não falou mais nada com o fotógrafo depois do cinema e quando ele mandou uma mensagem perguntando se Derek estava vivo, ele respondeu com um simples:

Muito trabalho.

Stiles não voltou a mandar mensagem e Derek não voltou a aparecer na sacada por quase duas semanas. Foi numa noite em que ele voltava mais tarde do trabalho que avistou o vizinho, na esquina de casa, conversando com dois rapazes.

Ele pensou em guardar o carro normalmente e ignorar a bola no estômago que sentiu ao rever o fotógrafo, mas lançando um rápido olhar pelo retrovisor viu que um deles empurrava Stiles bruscamente em direção a um muro.

Desceu do carro e esperou mais um minuto quando viu que aquilo não era de forma alguma uma conversa entre amigos. Tentou se aproximar sem chamar atenção, mas a situação era crítica para o fotógrafo. Enquanto um dos rapazes o segurava pelos braços o outro desferia socos em seu rosto e estômago.

Derek correu, consciente de sua força, e acertou um soco preciso na lateral direita do rapaz que batia em Stiles. Ele cambaleou para o lado, enquanto o outro empurrava Stiles para a calçada e vinha para cima do empresário. Este apenas puxou o celular do bolso e ameaçou:

– Estou ligando para a polícia. — sua voz saiu grossa, quase um rosnado.

– Isso não fica assim, Stilinski. — o agressor que agora tinha o rosto sangrando berrou pro lado de Stiles e saiu correndo junto com o outro.

Derek não conseguiu compreender toda a situação. Apenas registrou que os agressores eram gêmeos e que conheciam Stiles. Não se tratava de um assalto nem nada do tipo. No instante seguinte ele percebeu o quanto Stiles estava ferido e se abaixou para ajudá-lo a levantar.

– Vamos para um hospital! — ele informou, praticamente carregando o rapaz no colo.

– Não precisa... — um gemido escapou junto com as palavras.

– Como não precisa?

– Cara, é sério. Isso não é nada!

– Você fala porque não pode ver seu próprio rosto.

– Derek, acha que essa é a primeira vez que eu apanhei? — ele se soltou dos braços do empresário — Eu fotografo guerras, tragédias, lembra? As pessoas não costumam ser amigáveis em todos os lugares. Só preciso de um analgésico, um curativo e ligar para o Danny.

– Danny? — Derek questionou, dando um passo para longe de Stiles e pensando que fazia sentido o rapaz querer o conforto dos braços do namorado.

– É claro! Ele precisa colocar uma coleira naquele animal do namorado dele. Nele e no cunhado. — ele gemeu de dor, girando a cabeça para alongar o pescoço — Aqueles dois são umas bestas.

– O quê? — Derek não conseguiu processar todas as informações.

– O namorado do Danny. Ou ex. Ou atual? Aqueles dois me confundem. Foi ele quem me bateu e tudo por causa daquela foto idiota que a Lydia postou na internet.

– Mas... O Danny não está com... — Derek murmurava como se falasse consigo mesmo, até que balançou a cabeça e resolveu mudar de assunto, os machucados de Stiles eram sua prioridade e qualquer outro assunto poderia ficar para depois — Ok, se não quer ir para o hospital, vai me deixar pelo menos dar um jeito nisso aí? Antes que o inchaço piore e você fique a cara do Homem Elefante?

***

Como Derek conseguiu convencer Stiles a ir para o apartamento do empresário nem ele mesmo conseguia explicar. Só sabia que eles tinham discutido e depois estavam no elevador, subindo para o sexto andar.

– Não repare a bagunça. – ele falou automaticamente assim que abriu a porta e deixou Stiles entrar.

– Cara, se acha o seu apartamento bagunçado o que pensa do meu? Que caiu uma bomba por lá?

Derek sorriu, sem jeito, e caminhou para dentro da casa, chamando Stiles para o acompanhar até o banheiro onde estava o kit de primeiros socorros. Pediu que ele se sentasse sobre a tampa do vaso sanitário e já ia começar o trabalho de limpar os ferimentos com água boricada, quando notou o sangue quase seco na camiseta do fotógrafo.

– Espere aqui. – ele praticamente ordenou e saiu do banheiro voltando em menos de dois minutos entregando uma camiseta limpa para o rapaz – Toma, veste isso.

– Derek, eu não...

– Cala a boca e veste, Stiles. Não quero você desfilando na minha casa com a roupa ensanguentada.

Stiles obedeceu, retirando a camiseta que usava e deixando ela cair ao chão e vestindo a camisa preta que Derek havia emprestado. Quando foi falar que ela parecia um pouco folgada porque ele certamente tinha uns 20 quilos a menos de músculos que o empresário, notou que Derek ainda olhava, o rosto tingido de rosa-tímido, diretamente para seu abdômen.

Quando percebeu que estava sendo indiscreto, Derek recomeçou:

– Bem melhor! Vamos lá.

Stiles notou que ele tinha mãos fortes e firmes, mas que em momento algum era rude. Os medicamentos ardiam na pele rasgada do lábio inferior e no corte perto da sobrancelha, sem contar a mão ralada quando ele foi jogado ao chão por um dos gêmeos.

Ele não percebeu o gemido que deixou escapar de sua boca, quando Derek pegou uma toalha úmida e passou por onde o sangue havia escorrido, limpando seu rosto e pescoço, e imaginou o que seria ter aquelas mãos em outras partes de seu corpo. Mas logo que o pensamento veio, ele tentou balançar os braços e alongar o pescoço, porque ter uma ereção naquele momento parecia inapropriado.

– Pronto. – Derek praticamente sussurrou, observando os ferimentos devidamente tratados – Agora vamos pra cozinha, tenho pizza no congelador.

– Vamos comer? – Stiles levantou, assim que teve certeza que não estava mais tão duro assim.

– Você acha que vou lhe dar analgésicos e anti-inflamatório de barriga vazia?

– O que você é? Um médico disfarçado de ex-engenheiro-atual-empresário-com-cara-de-modelo-da-Calvin-Klein?

Derek sorriu e baixou a cabeça, ligeiramente envergonhado com o “modelo da Calvin Klein”, mas foi andando para a cozinha enquanto respondia:

– Bom, eu tive que aprender a fazer isso. Quer dizer, meus pais faleceram quando eu tinha 15 anos e ficamos só eu e Laura, morando com Peter, até Cora sair do coma e vir ficar conosco. Laura tinha 17 anos, mas gostava de esportes radicais e vivia voltando para casa toda machucada. Peter não era o tipo paternal, então eu acabei cuidando dos machucados dela enquanto ela cuidava dos meus.

Stiles estancou na porta da cozinha, ouvindo aquelas revelações, feitas em tom casual, mas que escondiam uma dor profunda demais para ser compartilhada. Ele conhecia bem essa técnica, de falar tudo o que se sente como se apenas estivesse comentando sobre a previsão do tempo. Ele usava isso desde a morte de sua mãe e agora via Derek fazendo o mesmo.

– Sinto muito. – respondeu para o empresário que já estava colocando a pizza para assar no micro-ondas.

– Ah tudo bem eu...

– Não! – ele interrompeu – Não está tudo bem. Não precisa mentir para mim, Derek. Esse truque funciona com o mundo inteiro, menos com quem já perdeu alguém na vida. Primeiro você sofre muito, mas depois não quer mais incomodar os outros com o seu sofrimento e passa a fingir que está tudo bem. E de repente, você percebe que não quer parar de sofrer porque o sofrimento ainda é a única coisa capaz de lhe manter conectado com quem se foi.

Derek ergueu os olhos para Stiles e sua expressão parecia de quem se via despido. Como se tivesse seu segredo mais profundo revelado a contragosto.

– Desculpe. – Stiles pediu, coçando a nuca, sem graça – Eu não devia ter fal...

– Quem você perdeu? – a pergunta saiu em voz baixa.

– Minha mãe. – Stiles respondeu com um sorriso triste.

O micro-ondas apitou, indicando que a pizza estava pronta e quando Derek se virou para pegá-la e servir para os dois, o assunto foi ignorado e eles comeram em silêncio. Depois de copos de sucos e pratos vazios, Derek fez Stiles tomar alguns comprimidos. Eles ainda estavam na cozinha, uns cinco minutos depois, quando o dono da casa puxou um assunto que não tirava da cabeça:

– O que aconteceu lá embaixo? Você falou sobre o cara estar com o Danny, mas eu vi vocês e...

– Oh céus. – Stiles baixou a cabeça sobre o balcão – Não diga que você também achou que nós dois... Puta que pariu, Derek! Sério mesmo? O Danny é meu amigo e a gente teve meio essa coisa... Mas nunca passou disso. Cara, vai dizer que você nunca teve uma queda por um amigo e depois viu que não fazia sentido?

O empresário deu de ombros, num gesto afirmando que aquilo já havia acontecido. De fato era normal, na adolescência, confundir certos sentimentos. Ele mesmo achava que era apaixonado pela irmã de um dos sócios de seu pai, a exuberante Kate Argent. Os dois tiveram até um caso tórrido, mas que acabou rápido demais.

– Se eu tivesse alguma coisa com o Tanny, não teria beijado você. Quer dizer, você me beijou, mas eu não ia corresponder.

– Tanny?

– O quê?

– Você disse Tanny e não Danny.

– Oh porra. O que você me deu pra beber?

– Paracetamol.

– Merda.

– Você é alérgico? – Derek perguntou, sentindo-se ficar em pânico.

– Não. Mas paracetamol me derruba. Preciso ir pra casa antes de acabar dormindo no chão da sua cozinha. – ele tentou se levantar, mas sentiu-se meio zonzo e sentou de novo.

Derek veio para seu lado, disposto a ampará-lo e comentou:

– Não tem problema você ficar aqui. Tem um sofá cama no escritório. Vamos até lá enquanto você ainda consegue andar. Não pretendo te carregar no colo enquanto você está dopado.

– Mas promete me carregar no colo quando eu estiver são?

– Você não deveria abrir a boca quando toma paracetamol. – Derek brincou, indicando o caminho do escritório.

– Isso é um não? – o rapaz tinha um sorriso meio bobo no rosto, e seus olhos pareciam meio turvos.

– Vamos ter essa conversa quando você estiver acordado e 100% consciente, ok?

– Ok. Escreva isso na porta da geladeira. Não sei se vou me lembrar amanhã e não quero que você finja que esqueceu.

Derek riu abertamente enquanto acendia a luz do cômodo. Stiles entrou no local quase em câmera lenta, olhou ao redor e pareceu despertar, murmurando:

– Elijah?

– Nops, é Derek. – o empresário riu, puxando um cobertor guardado no armário embutido.

– Não! – o fotógrafo balançou a cabeça, com convicção e apontou um grande quadro na parede – Ele é Elijah.

Só então Derek se deu conta de que o quadro com a foto que Laura comprou do “grande Stilinski” estava pendurado na parede. Stiles parecia em transe observando a foto, o mal estar provocado pelo remédio parecendo ter ficado para trás.

– Elijah é o nome do menino? – Derek percebeu que estava curioso.

– Não é um menino. É uma menina. Elijah é o urso.

Era uma foto relativamente simples, de um banco de praça num entardecer, uma criança com um pijama de bolinhas e um lenço amarrado na cabeça segurava em seu colo um urso de pelúcia que também tinha um lenço amarrado à cabeça. O urso parecia meio velho para pertencer a uma criança tão pequena, no máximo uns cinco anos. E apesar da simplicidade, Laura se emocionou quando viu a fotografia na exposição e a levou para casa.

– Elijah era o meu urso. – Stiles começou a explicar – Quando eu era pequeno, ganhei de Natal da minha mãe e carregava ele pra todo lado. Quando ela morreu, eu já não brincava com o Elijah há muito tempo. Mas acabei encontrando ele no guarda-roupa dela e... Bem, ele voltou para o meu próprio guarda-roupa, até inventar essa exposição.

– O que aconteceu?

– Meu terapeuta achou que lidar com a realidade que minha mãe enfrentou poderia me ajudar a superar a dor da perda. Ele sabia que eu tinha feito dela minha modelo principal mesmo depois que o câncer a fez perder todo o cabelo e uns bons 12 quilos. Então pensei em fazer fotos dos pacientes no mesmo hospital em que ela se tratou.

– Essa criança tinha...?

– Sim. Claudia tinha leucemia. O mesmo nome da minha mãe e a mesma doença dela. E quando eu a conheci... O sorriso dela, a esperança... Claudia só tinha vergonha de estar sem cabelos. Então eu fui em casa, peguei o Elijah, passei numa loja no centro e comprei um lenço verde e amarrei na cabeça dele. Comprei um lenço rosa para ela e levei de presente. Ela abraçou o urso enquanto a enfermeira amarrou o lenço na cabeça dela. Eu a visitava quase todos os dias. Até que ela começou a ter condições de passear no jardim do próprio hospital e eu pude fazer essa foto.

Derek sentia um nó na garganta pensando no que Stiles havia feito. Ele jamais ia conseguir pensar em transformar todo o drama de sua família em algo tão bonito. Stiles escondia sua dor na beleza de suas fotos.

– Os pais, como reagiram com a foto? – ele não só tinha a curiosidade de saber, mas também queria que Stiles continuasse falando, revelando os detalhes daquela história que faziam seus olhos brilharem de um jeito ainda mais bonito.

– Ah, eles acharam que a Claudia era uma modelo de fama internacional. – ele riu, menos triste agora – Todos os pacientes, na verdade, reagiram bem às fotos. E consegui vender todas as 36 fotos da coleção, menos a primeira da série que ficou em casa.

– Todas as fotos foram vendidas por vinte mil? – ele não resistiu e perguntou, mesmo sabendo que pareceria rude.

– Todas não. Algumas vedemos por cinquenta mil. Outras por treze. Foi um leilão, na verdade.

– Os modelos ganharam um bom cachê pelo menos? – Derek brincou, jogando finalmente o cobertor sobre o sofá-cama e voltou a observar enquanto Stiles respondia:

– Ninguém quis um centavo. Foi tudo para ampliar a ala da oncologia no hospital. – ele informou sem nenhum tom de exibicionismo. Não havia orgulho, arrogância, nenhum sentimento que indicasse nada além de prazer com o fato. – Deu para construir um andar inteiro, com capacidade de dobrar os atendimentos.

O fotógrafo caminhou até o sofá, tirando os tênis sem nem mesmo desamarrar os cadarços e se esticando, preguiçosamente, enquanto puxava a coberta sobre si.

– Minha irmã era apaixonada nessa foto. Foi a única coisa dela que trouxe para casa depois que ela... Enfim, acho que agora eu sou apaixonado nela também. – Derek revelou com um suspiro, mas Stiles não respondeu.

Quando Derek olhou para trás, Stiles já ressonava, uma perna fora da cama, e a cabeça sem travesseiro. Ele suspirou mais uma vez e pensou que se antes ele já estava levemente apaixonado pelo rapaz estabanado, agora mais do que paixão, ele admirava o homem por trás daquele sorriso de moleque atrevido.

***

Derek demorou a dormir aquela noite. Saber que Stiles estava praticamente a uma parede de distância fazia com que borboletas voassem em seu estômago, ainda mais quando ele lembrava do que o fotógrafo falou sobre ele e Danny.

Quando conseguiu adormecer ainda tinha em mente a voz de Stiles o fazendo prometer que o carregaria no colo quando estivesse são.

Stiles abriu os olhos na manhã seguinte incomodado com a luz solar que incidia diretamente em seu rosto. Piscou várias vezes e quando se sentou no sofá, sentiu a dor dos machucados. E foi aí que ele percebeu onde estava: na casa de Derek Hale. Vestido com uma camiseta de Derek Hale. Depois de pedir que Derek Hale o carregasse no colo. Ele estava miseravelmente envergonhado.

Saiu do quarto, depois de dobrar o cobertor e calçar os tênis e encontrou Derek na cozinha, uma xícara de café em mãos e o jornal na outra. Ele ainda estava de pijama, quer dizer, apenas uma calça de malha xadrez de azul marinho e verde. Sem camisa.

– Bom dia. – falou com a voz mais grossa, torcendo para Derek pensar que seu tom era apenas por causa do sono.

– Oi! Dormiu bem? – Derek perguntou, mas não esperou resposta – Tem café fresco na cafeteira e, bom, não sei o que você come de manhã. Então, fique a vontade para escolher qualquer coisa.

Stiles quase mordeu a língua para se impedir de perguntar se qualquer coisa incluía o próprio Derek, mas apenas se serviu de uma caneca de café e se sentou em silêncio.

Refeições em silêncio, ainda que apenas uma caneca de café, eram tão embaraçosas quanto ser pego por seus pais assistindo filme pornô. Pelo menos na opinião de Stiles, que logo sentiu que não deveria abusar da hospitalidade de Derek e ir pra casa.

– Acho... Bom, melhor eu ir. Quer dizer, você deve ter coisas para fazer e eu preciso revelar umas fotos. Então...

– Oh, sim! Entendo. Quer dizer, tenho mesmo que sair daqui a pouco. Vou buscar minha irmã no aeroporto. Ela chega hoje.

– Ah fabuloso. Eu queria ter irmãos. Além do Scott, que é praticamente um imrão para mim principalmente depois que a mãe dele e o meu pai resolveram se dar uma chance. Mas ainda assim, acho que ia ser legal ter alguém que apesar de eu querer matar todos os dias, ainda iria amar incondicionalmente. – ele brincou – Mas então, obrigado. Mais uma vez. E divirta-se, com a sua irmã.

Não havia vinte minutos que Stiles havia saído do apartamento quando o celular de Derek vibrou.

Amanhã te devolvo sua camiseta. Vou mandar pra lavandeira mais tarde. :P

Derek já ia responder que Stiles não precisava lavar a camiseta, que ele não se importaria em ter uma peça de roupa com o cheiro do fotógrafo, mas achou que isso ficaria estranho demais. No entanto, precisava responder de alguma forma e na falta do que dizer, mandou um simples:

XD

Notas finais
É um capítulo fofo, espero que tenham gostado!