Photograph
1 One-shot
Notas iniciais
Boa leitura!
Eram 09:00 horas da manhã de um sábado quando Emilly decidira que tinha sido uma péssima idéia acordar cedo.
Não teve muita escolha, afinal tinha prometido à sua vó que iria ajudá-la na faxina de verão que há muito tempo não
Fazia.
"Vai ser bom pra mim", pensa enquanto se dirige ao final da rua, "e pra vovó também, ela tem estado tão sozinha desde a morte do vovô ", antes que conseguisse entrar seu celular vibra indicando que havia recebido uma mensagem, ela destrava e olha pra tela
"Não acredito" pensa ela, "se ele pensa que vou responder está muito enganado"
Bloqueia o celular e lembra do dia anterior em que tivera uma briga com Brad, seu namorado.
Antes que conseguisse ficar com mais raiva do que já estava sua avó surge na porta.
— Emilly querida, entre, temos muito trabalho à fazer.
♡♡♡
Definitivamente essa tinha sido à pior idéia que Emilly já tivera. Depois de separar tantas roupas pra doação que de tanto tempo guardadas estavam com cheiro de mofo, e espanar poeira dos móveis, ela sentia que estava prestes à ter uma crise alérgica. Enquanto tentava dar um jeito na bagunça que estava o sótão, ela pensa no quanto está cansada e no que fazer com todas as caixas empilhadas cheias de coisas velhas.
— Devem estar cheias de poeira e teias de aranha, nem quero pensar no tipo de insetos que podem estar aí. — diz pra si mesma.
Estava prestes à desistir de limpar o sótão quando vê um baú antigo embaixo de algumas caixas. Ela se aproxima do baú, tira as caixas de cima e observa letras entalhadas na madeira, J. H, as iniciais de John Hill seu falecido avô.
Não se aguentando de curiosidade do que poderia estar dentro daquele baú, ela abre-o e vê vários envelopes empoeirados e desgastados pelos anos.
Prontamente ela começa a abrir alguns envelopes, em sua maioria cartas endereçadas à Amélia Carter, sua avó.
Até que um envelope lhe chama a atenção.
Era retangular, maior que os outros e tinha uma cor diferente. "Definitivamente não é uma carta", pensa Emilly, virando ela percebe algumas palavras escritas.
Manteremos nosso amor numa
Fotografia, faremos memórias para
Nós mesmos, onde nossos olhos
Nunca fecham, nossos corações
Nunca se partirão E o tempo está
Congelado pra sempre...
P.S: Você nunca estará sozinha.
com amor J. H.
Rapidamente Emilly abre o envelope e se surpreende ao ver uma série de fotografias antigas de um casal jovem e apaixonado. Levemente emocionada ela olha todas aquelas fotos de seus avós até que uma lhe chama a atenção, sua avó segurava um belo buquê de flores e sorria enquanto seu avô à abraçava e olhava apaixonadamente para ela. Emilly sorri e suspira ao perceber o quanto eles se amavam e se pergunta se um dia poderia amar Brad assim, e logo fica triste ao lembrar que brigara com ele por estar trabalhando demais e não conseguir dar atenção suficiente à ela.
Tenta espantar os pensamentos tristes antes que comece a chorar e volta a olhar as fotos.
Estava tão entretida com as fotografias que nem percebeu que sua avó à observava tranquilamente da porta.
— Vejo que achou minhas antigas fotografias querida! — disse sua avó enquanto entrava.
— Meu Deus! Que susto vovó — ela falou com a mão no peito, estava levemente alterada pelo susto que tinha acabado de tomar. — Desculpe querida minha intenção não era assusta-lá, mas estava tão concentrada que nem me notou até que eu falasse algo.
— Tudo bem vó, eu nem deveria estar mexendo em coisas que não são minhas. — Ah Emily não tem problema, não me importo se ver as coisas do seu avô- diz enquanto se abaixa e pega uma das fotos.
— Éramos tão felizes- ela fala enquanto olha para a foto com nostalgia. — seu avô amava fotografias, ele dizia que elas faziam qualquer momento ser eterno.
— Acho que nunca perguntei como você e o vovô se conheceram. -
— Ah Querida! Me lembro desse dia como se fosse ontem...
(Flashback) 1968
Atrasada. Essa era a palavra que definia Amélia Carter nesse momento. Tinha prometido à sua amiga que chegaria cedo para ajudá-la nos preparativos para a festa de aniversário que aconteceria à noite, mas tinha se enrolado tentando dar um jeito em seu cabelo que parecia não colaborar nem um pouco com ela.
Estava com tanta pressa que ao passar pelo quarteirão perto da casa de sua amiga acabou batendo em um rapaz que estava passando, e se ele não a tivesse segurado teria ido ao chão assim como a câmera fotográfica que ele segurava.
— Moça, você está bem? Se machucou? — perguntou ele. — Não se preocupe foi só um tombo. — diz olhando para a câmera quebrada no chão.
—Me perdoe por ter quebrado sua câmera, eu não tinha a intenção é que eu estou tão atrasada que... — ela tentou se explicar mas ele à interrompe e diz
— Não moça, não precisa se desculpar. Essa câmera já não funcionava.
— Mesmo assim eu não tinha nada que sair correndo desse jeito, alguém poderia ter se machucado e ainda quebrei sua câmera, ai meu Deus como sou desastrada. — ela fala tão rápido que ele acaba rindo de seu jeito meio atrapalhado. — Você está rindo de mim? — pergunta à ele.
— Não. Estava apenas escutando você falar.
— Sei. — diz meio desconfiada. — enfim, eu gostaria de compensar você, afinal fui eu quem fez você derrubar a câmera.
— Não precisa.
— É claro que precisa. — insiste.
— Já que insiste, porquê não tomamos um café? Soube de uma cafeteria nova que abriu aqui perto.
— Ótimo. Eu sei onde fica, nos encontramos amanhã às 18:00 horas?
— Às 18:00 está bom.
— Ah onde estão meus modos? Me chamo Amélia Carter e você?
— Me chamo John. John Hill.
♡♡♡
Emilly suspira ao ouvir à história de como seus avós se conheceram. Não imaginava que a história de amor deles tinha começado com um esbarrão.
— Meu Deus vó! Não acredito que você esbarrou no vovô e derrubou a câmera fotográfica dele. — falou um pouco divertida pela história.- E não consigo acreditar que estava atrasada, logo você que sempre chegou meia hora antes em todos os compromissos?
— Pois é querida, na minha juventude eu não era tão responsável assim, quantas vezes cheguei atrasada em diversos lugares. — diz lembrando-se de algumas situações.
— Mas e depois? — pergunta Emilly. — Como começaram à namorar?
— Bom, nós tivemos alguns outros encontros e eu comecei à gostar dele e quando percebi já estávamos apaixonados, então seu avô me pediu em namoro e um ano depois nós noivamos e casamos.
— Uau. Tão rápido. — diz surpresa.
— Sim Emilly, naquela época os noivados não duravam anos, os casamentos aconteciam meses depois do noivado.
Depois dessa conversa, Amélia chama sua neta para o almoço. Mesmo com a mente cheia de questionamentos e perguntas que poderia ter feito à sua avó Emilly respira fundo, guarda as fotografias e vai almoçar.
♡♡♡
Emilly já estava entediada, logo após o almoço ela finalmente tinha terminado a faxina, mas disse à sua avó que faria companhia a ela.
A tarde passou rapidamente e já era noite e ela observava a avó tricotar um xale novo, mas sua mente estava longe. Havia algo que à incomodava, uma pergunta que não conseguiu fazer à sua avó. Estava perdida em pensamentos quando percebe que a avó tentava falar com ela.
— Querida? Estou te chamando à 5 minutos, está tudo bem?
— Sim vó estou bem, porquê a pergunta?
— Não sei mas, parece que você quer me perguntar algo. — questiona levantando uma das sobrancelhas — Não precisa se envergonhar se for algo constrangedor, afinal sou sua avó e te conheço desde que você nasceu.
Emilly ruboriza só com o pensamento de fazer uma pergunta constragedora à sua avó, e nega no mesmo momento.
— Não vó, não se preocupe. — diz — queria saber outra coisa.
— Então fale. Não tenho uma bola de cristal e estou velha demais pra joguinhos de "adivinhe o que vem à seguir".
Ela ri um pouco do que a avó falara, mas logo fica séria e pergunta.
— Vó, como você teve certeza de que amava o vovô? — pergunta
— Ahh querida, achei que você fosse me perguntar outra coisa. — fala surpresa pelo assunto — Percebi que amava o John quando não consegui imaginar um futuro sem ele, até tentei me imaginar sem ele mas, o mundo parecia cinza e vazio. Eu amava cada detalhe dele, as qualidades e defeitos também. E continuo o amando mesmo depois de 1 ano de sua morte.
Emilly percebe que sua vó está prestes à chorar, mas não a interrompe.
— O amor que nós dois sentimos querida é algo que não acaba com a morte, e foi a única coisa que ele levou desta vida.
— Vocês pareciam ser o casal perfeito vó. — comenta um pouco triste.
Amélia ri do comentário de sua neta, Afinal ela e John não eram perfeitos.
— Não querida não existem pessoas perfeitas e muito menos quando estão casados. Um casamento perfeito é composto por duas pessoas imperfeitas que se recusam a desistir um do outro.
Eu e John tínhamos nossos defeitos e brigavamos como todo bom casal.
— E como resolviam os problemas?
— Nós coversavamos. Éramos totalmente sinceros e falávamos quando algo não nos agradava.
— Mas não faz sentido, eu tentei conversar com o Brad e não ajudou em nada apenas piorou a situação.
— Bom e qual foi o motivo da briga, querida?
— Eu reclamei que ele não me dá atenção e acabamos brigando feio. — Explica Emilly.
— Aí está querida você não tentou conversar você apenas reclamou, e já tentou ver o lado dele? Já pensou que ele pode estar tentando te dar o máximo de atenção mas não consegue? Pelo que eu me lembro ele trabalha.
Sua avó tinha razão. Ela não tinha pensado em Brad e no quanto ele tinha trabalhado nos últimos meses, se sentia egoísta por ter pensado apenas nela.
— Me sinto mal vó eu só pensei em mim e tenho ignorado o quanto ele se esforça. Como eu conserto isso vó? Se é que tem conserto... — Emilly fala um pouco desesperada.
— Calma Emilly, tudo vai se resolver. Acha que eu e seu avô passamos quase 40 anos casados em um paraíso, sem nenhuma briga? Não querida, a diferença é que antigamente éramos ensinados à consertar as coisas e não a jogar fora.
Se esse rapaz te amar, ele não vai desistir de você.
— Tomara que sim vó.
As duas se assustam quando a campainha toca.
— Deixa que eu abro vó.
Emilly se surpreende quando vê Brad na porta, ela não esperava que ele fosse procura-lá depois da briga que tiveram.
— Oi Emilly, podemos conversar? — pergunta Brad. — Claro precisamos mesmo conversar. — responde Emilly.
— Vó eu estou aqui na frente de casa conversando, se precisar de algo é só chamar. — diz Emilly enquanto fecha a porta atrás de si.
— Claro querida não se preocupe, qualquer coisa chamarei. — responde.
Lá fora a lua brilhava em seu resplendor prateado, e as estrelas pareciam minúsculos pontinhos de luz dançando em um céu escuro e sem nuvens. Emilly suspira, aquela era uma bela noite.
—Me desculpa... -falam em uníssono, e riem em seguida. -Você primeiro. — diz Emilly.
— Me desculpe Emy, por não te dar a atenção que você merece. Sei que falta de tempo não é desculpa, mas pretendo reparar meu erro. —
—Não se preocupe, eu estava errada em brigar por algo tão fútil, fui egoísta e sinto muito. — retrucou. -Se tem alguém que deve pedir desculpas esse alguém sou eu. — Afirma Emilly.
—Não há o que desculpar... —
—Há sim. — Emilly interrompe. — Eu estou assumindo minha falha e peço que me desculpe, não vou ficar em paz sabendo que fui injusta. -
—Eu aceito suas desculpas, nunca conseguiria ficar chateado com você, Eu te amo e não vão ser brigas sem sentido que vão me separar de você. — diz Brad.
Emilly se aproxima de Brad, segura as mãos dele e finalmente olha no fundo dos olhos castanho claro que ela tanto ama e percebe, ela o ama.
—Você me ama mesmo? — pergunta Emilly.
—Claro que amo Emy — responde — você pode não acreditar em amor à primeira vista mas eu te amo desde o dia em que você derramou aquele suco de uva em mim, eu não te conhecia mas soube naquele momento que você era a pessoa que eu estava esperando.
Emilly se sente divertida com a lembrança de como se conheceram, quando ela tropeçou em seus próprios pés e derrubou todo o conteúdo de seu copo no rapaz que estava passando do seu lado.
Se lhe dissessem que um simples tombo à traria a esse momento, ela teria achado uma imensa loucura.
— Não pretendo desistir de você assim. -continua. — Também quero que me desculpe por não estar ao seu lado o tanto que eu desejo estar, prometo que daqui pra frente farei tudo que estiver ao meu alcance pra te fazer feliz.
—Você já me faz feliz. — Emilly responde emocionada pela bela declaração.
—Também aceito suas desculpas, com uma condição. -diz Emilly.
— E qual seria essa condição? — pergunta Brad, se aproximando dela.
— Um beijo. — responde sorrindo.
—Essa é uma boa condição — diz Brad com um sorriso um tanto quanto malicioso.
Eles se aproximam o máximo que podem, Emilly sente o conhecido calor que vem do corpo de Brad. Ele segura o rosto dela entre as mãos e afasta uma mecha que tinha caído de seu coque.
— Você é tão linda Emy. — Brad fala.
Ele a beija.
E ela sente todas as emoções que alguém apaixonado pode sentir.
Eles se sentam na varanda e olham as estrelas, elas são testemunhas do quanto eles se amam.
Emilly encosta a cabeça no ombro de Brad e ele a abraça, ela sente o cheiro tão conhecido dele.
Ela olha pra ele e percebe que finalmente encontrou seu amor épico.
♡♡♡
Pela janela Amélia observa o casal sentado em sua varanda. Suspira ao lembrar de seu amado que se foi.
As boas lembranças em sua memória à fazem desejar um tempo que não volta.
"John" ela pensa. "Um dia vamos nos encontrar... "
Com lágrimas nos olhos se lembra de uma memória em especial.
O primeiro beijo.
Embaixo de um poste na rua seis.
Amélia se senta a frente da lareira e segura o colar que ganhou aos dezesseis, aonde guarda uma fotografia de John.
Sorrindo ela pensa
"Me espere voltar pra casa... "
♡♡♡
Notas finais
Encontramos alguém que
Nos transforme no melhor
que podemos ser. "
(Mário Quintana)
Fale com o autor