Phage

1 Arquivo 1: Rocco Hayes


Notas iniciais
Here we go!

“Toda revolução tem seu judas.”

Nome: Rocco Hayes

Data de nascimento: 23/11/2128

Altura: 1.86m

Peso: 75kg

Cor dos olhos: Verdes

Cor de cabelo: Preto

Habilidade: Proeminente franco atirador, treinado pela Phage em combate corpo-a-corpo e resistência a estresses físicos e mentais.

Histórico: Primeiro do seu esquadrão, progresso na hierarquia da organização desencorajada por supervisores e relação com o irmão gêmeo, Bernard Hayes. Transferido para Theta em 2149, convidado a se retirar dois anos depois, passou a servir em um dos segmentos Beta sob o comando de Adeline Kursk. Tornou-se foragido em 2156 e foi considerado traidor desde então.

Status: Morto. Executado em 19 de Novembro de 2157 após captura.

Dezembro de 2156

A chuva fazia as luzes dos letreiros se tornarem um borrado colorido. Rocco sacudiu o casaco pesado, o que não surtiu muito efeito. Sentia a agua encontrar seu caminho pela gola e descer suas costas e fez uma careta. Teve que parar diante de um restaurante para ouvir o que o ponto em seu ouvido repetia com insistência.

– Alvo a trinta metros senhor.

Tirou os olhos do sushi devorado por uma mulher sortuda no interior do estabelecimento e decidiu que daria uma passada no lugar antes de voltar para casa.

– Não seja tão formal – disse o jovem franzindo o cenho para a janela de vidro. Teria que raspar os lados da sua cabeça em breve novamente – Já disse que pode me chamar do que seu coração desejar.

A resposta demorou alguns segundos.

– Como quiser, idiota. – e como não foi retrucada continuou – Prosseguir com a neutralização.

Recomeçou a andar e não demorou a distinguir o alvo em meio ao mar de guarda-chuvas da avenida lotada. Perguntou-se se as pessoas sabiam o quão estavam perto do presidio mais bem guardado da capital. Pisou em uma poça d’agua e sorriu ao ver uma mãe se assegurando que a filha ficasse sob o guarda-chuva. Claro que não faziam ideia. Como também não faziam da movimentação de agentes naquela área.

Não que o seu alvo tentasse disfarçar. O andar rígido e apressado, o longo casaco que escondia armas em seu volume, até a forma como se virava a cada oito passos para se certificar de que ninguém o seguia. Amador. Concluiu, tentando entender como raios Bernard colocara alguém inexperiente em uma posição tão importante. Era quase como se lhe fizesse um favor.

– Hey Ellie. – falou, vendo o alvo finalmente dobrar uma esquina – Você acha que esses caras se sentem diminuídos em missões à paisana? Você sabe, sem o símbolo da Phage estampado em suas testas.

– Eu acho que você não deveria monologar em uma avenida lotada. Vire a direita, o alvo está se posicionando. Cinco minutos para a festa.

– Então é melhor que me apresse. – alcançara a esquina e viu um vulto desaparecer no alto de uma escada que levava ao telhado de um prédio e deu um suspiro frustrado – Nem ao menos escolheu o melhor lugar para atirar. Como treinam estas pessoas hoje em dia?

– Eu não me importo. – veio a resposta desinteressada — Agora vá!

Rocco ajeitou a mochila que trazia em suas costas e correu para dentro da viela escura. Quando alcançou a escada de emergência subiu três degraus de cada vez. Quando estava no último lance o ponto em seu ouvido deu sinal de vida.

– O alvo deve ser neutralizado com máxima discrição. Nada de armas de fogo.

– O que você acha que eu sou? – sibilou de volta quando seus pés alcançaram o telhado – Oh, não precisa responder.

– Quatro minutos.

Largou a mochila com cuidado enquanto analisava o lugar. Totalmente cimentado, vazio com exceção de algumas tubulações e saídas de ventilação. Encontrou o alvo de imediato. Olhe para ele. Pensou enquanto se aproximava da figura ajoelhada na chuva. Tão concentrado enquanto prepara seu rifle.

Quando chegou perto o bastante viu que estava entretido com suas próprias ordens.

– Estou em posição. – disse e Rocco teve que se esforçar para não rir.

Esperou a comunicação cessar e suspirou alto.

– Não minta para seus superiores. – falou, fazendo a figura se sobressaltar – Aquilo era meu irmão? Porque ele não gosta de soldados despreparados.

– Senhor! – o homem o encarou em meio a chuva e pareceu confuso – O que está fazendo aqui? O senhor não está designado para essa missão!

– Não te contaram? Eu sou seu substituto. – colocou as mãos na cintura e olhou para o céu noturno – Condições climáticas adversas, o comando me mandou. Parece que essa é sua noite de sorte.

– O comando não me informou. – disse o garoto depois de alguns segundos e levantou a mão em direção ao aparelho em seu ouvido. Então ele tem um pouco de senso afinal. Ponderou Rocco e avançou.

Sua mão esquerda alcançou o comunicador primeiro e o arrancou. Enquanto o pobre coitado ainda não sabia o que estava acontecendo o ergueu e o arrastou até um dos canos que se erguiam do prédio.

– Isso só vai te dar um galo, prometo. – falou e o jovem finalmente entendeu.

– Senhor?! – começou enquanto tentava resistir.

– Dez minutos e você vai acordar. – assegurou, segurando a parte de trás de sua cabeça — Confie em mim.

O som da cabeça contra o metal foi um tanto quanto alarmante. O atirador caiu desacordado e Rocco olhou a poça de sangue se formar. Talvez vinte minutos. Corrigiu.

– Dois minutos. – apressou a voz em seu ouvido.

– Estou indo, estou indo. – tomou posição e ajustou o rifle que o novato deixara cair.

Teve que retirar o que dissera sobre o local escolhido pelo atirador quando alcançou o limite do telhado. A sua frente se erguia o alvo principal. Era uma boa posição, talvez se estivesse na construção a direita ainda teria uma mira melhor. Mas não seria um problema. O telhado do prédio adiante ficava uns bons seis metros abaixo do nível de onde estava, o que lhe ajudava a ter uma posição privilegiada. Colocou o ponto que arrancara do atirador em seu ouvido. Diferente do canal secreto que vinha usando até agora, a comunicação com a Phage estava um completo caos de ordens e atualizações.

“A foragida continua subindo a escadaria senhor!”

“Ordens são para atirar a vontade.”

“O que espera conseguir no telhado? Será o fim da linha.”

Será mesmo irmãozinho? Mirou na porta que dava para o interior do prédio e sentiu o coração desacelerar. Com calma agora.

– Thea e Jack estão em posição. – estalou a voz em seu ouvido direito – Assim que limpar a área vamos tirar vocês daí.

– Eu espero. – Rocco falou, mordendo os lábios – Do contrário será o resgate mais curto da história.

A porta do telhado foi lançada para a frente, ficando pendurada enquanto um jorro de pessoas saiam do interior do prédio adiante. As duas primeiras tinham alguns metros de vantagem sobre as demais, mas isso não duraria muito tempo. Agora que tinham alcançado terreno aberto os guardas do presidio entraram em formação e esperaram as ordens do seu superior que gritava em direção aos foragidos. Se esperava uma rendição se enganou terrivelmente, porque como resposta a mulher que vinha correndo na frente mostrou o dedo do meio. Charmosa como sempre, chefe. Rocco pensou com um sorriso nos lábios.

E foi então que mandou a cabeça do comandante pelos ares. Enquanto o rifle recarregava viu o pânico se alastrar diante de seus olhos. Os guardas haviam quebrado a formação, olhando confusos de onde o tiro poderia ter vindo. E a preocupação sobre outros atiradores encheu o comunicador de uma maneira que o arrancou do ouvido. La embaixo Warin havia finalmente posto suas armas em bom uso e ajudava a difundir o caos abrindo fogo contra os guardas. Rocco pensou que ele parecia um urso, um urso terrivelmente enfurecido.

Da sua posição Rocco apenas recarregava o rifle e atirava. Recarregava e atirava. E quanto o fez pela quarta vez o transportador surgiu em meio as nuvens em direção aos foragidos.

– Hora de juntar as coisas e ir. Vá para o ponto de extração. – lembrou a voz em seu ouvido – Rápido.

Isso não teria que ser dito de novo. Haviam pego os guardas e o comando da Phage de surpresa. Mas a posição vantajosa não duraria por muito tempo e a cada segundo que se passava mais de seus agentes jorravam para o telhado. E não eram como os guardas do presidio. Eram agentes treinados até a exaustão para se tornarem o mais eficaz possível. E quando a Phage colocava seus melhores cães de caça no jogo era hora de dar no pé.

– Para onde você está indo, Rocco? – quis saber uma voz atrás dele quando acabara de derrubar um guarda que insistia em continuar vivo.

Baixou o rifle e ficou em silencio.

– Solte o rifle e ponha as mãos na cabeça. – a chuva abafava suas palavras, mas não o suficiente.

– Eu não vou dançar para você. – disse o jovem, mas jogou a arma no chão.

– Juro que se vier com gracinhas vai se arrepender de ter nascido. Vire-se!

Rocco revirou os olhos e se virou para encarar o irmão.

– Você matou um dos comandantes mais importantes da organização. – gritou e Rocco ouviu a dor em sua voz. Tinha se esquecido de que fora Regin que o havia promovido afinal. Ops. – E está tentando cobrir a fuga de uma traidora convicta. Você enlouqueceu?!

Rocco olhou para aquele homem vestido com o uniforme dos capitães da Phage e imaginou se ficaria igual se lhe emprestasse a roupa. Eram gêmeos, mas apenas no que não podiam mudar. O rabo de cavalo que usava enquanto as laterais do cabelo eram raspadas eram um exemplo, as tatuagens e os piercings que cobriam suas orelhas também. Uma vez sua tia dissera que Ben era o quadro vazio enquanto Rocco a pintura de um artista perturbado. Talvez ela tinha razão. Tinham a mesma pele morena e cabelos pretos, os lábios finos e nariz adunco. A mesma altura e os mesmos corpos esguios que insistiam em esconder os músculos mais que capazes. O castanho em seus olhos era igual, ainda que o de Rocco brilhasse de humor com maior facilidade e o de Bem tivesse o costume de silenciar qualquer roda de conversa. Tinham passado a infância tão iguais que na adolescência tentaram se transformar em completos opostos. E ainda assim terminaram chamando a atenção da mais poderosa organização do país que os recrutou quando haviam deixado a universidade. Bem, Bernard havia terminado a universidade. Rocco fora expulso.

– O corte militar não combina com você Benny. – disse ao irmão – Deixa sua expressão ainda mais severa.

– Rocco. — ele disse com a voz pesada de desgosto — Isso não é uma brincadeira.

Rocco se virou a tempo de ver Adeline desaparecer no transportador. Os soldados que ainda permaneciam no telhado atiraram contra o veículo, mas as balas ricochetearam no escudo sem danifica-lo.

– Olhe para mim! – gritou Bernard – Você não tem a mínima ideia do que isso significa. Você e dois membros da sua equipe envolvidos na fuga de uma comandante traidora? Você sabe a pena para isso?

Rocco suspirou.

– Você poderia parar de falar besteira por alguns segundos? Eu sei a pena para isso, morte. Você é que não tem a mínima ideia do que está acontecendo aqui.

A arma que Ben empunhava abaixou, mas apenas alguns centímetros.

– Eu? – sibilou – Então me elucide.

– Adoraria, mas não tenho tempo para isso agora.

– Você não está indo a lugar nenhum, temos todo o tempo do mundo.

– Errado de novo irmãozinho. Já é a terceira vez. Adeline não foi uma comandante qualquer, ela era nossa comandante. – encarou o irmão e começou a baixar os braços – E nós somos quatro.

Ben franziu o cenho. Levou um segundo para entender e começara a se virar para trás quando a onda de eletricidade o derrubou.

– Não sei porque ainda espero você terminar suas frases de efeito. – onde seu irmão estivera de pé uma jovem ocupava seu lugar – Elas nunca melhoram.

– Obrigado por me livrar do meu irmão. De novo.

– A disposição. – falou Thea, jogando a mochila em sua direção – Vamos?

Rocco anuiu, parando um momento para se abaixar ao lado do irmão.

– Desculpa. – disse, não sabendo bem pelo que – Manda um beijo para mamãe por mim.

– Você sabe que ele tá desmaiado né?

– É legal conversar sem ele gritando como sou uma tragédia para a humanidade. Ou me batendo.

Thea regulou o óculos de visão noturna e começou a correr.

– Sabe – falou quando Rocco a alcançou – Dessa vez ele até teria razão. Corrida até o transportador?

– Corrida até o transportador.

Arrependeu-se no primeiro vão entre prédios que eles tiveram que pular. Os guardas do presidio restantes haviam notado a movimentação e passaram a atirar neles. Eram um alvo muito distante, mas provavelmente mais alentador que continuar a gastar balas em um transportador que já sumia na escuridão da noite.

– Eles não deveriam voltar para nos buscar? – Rocco gritou, saltando sobre um tubo de canalização enquanto tomava cuidado para não escorregar. A chuva engrossava a cada minuto e atingia o seu corpo como dezenas de pedrinhas.

– Nah – devolveu Thea, dois metros à frente – Nós vamos com Sr. Sexy.

– Então estamos mesmo mortos, não estamos?

A garota riu em resposta. Seus cabelos normalmente espetados pendiam para baixo por causa da chuva. Mas ainda tinham todas as cores do arco-íris.

Começava a sentir o cansaço o alcançando quando Thea repentinamente parou de correr. Rocco quase trombou com ela, o que resultaria em uma queda de uns bons vinte metros.

– Está louca?!

– E você está cego? – retrucou a garota – Ou realmente não viu a nossa carruagem?

Rocco acompanhou o seu olhar e alcançou a beirada do telhado, apoiou as mãos no joelho e se inclinou para baixo. A chuva foi interrompida pelo ressoar de um motor e um transportador surgiu do beco abaixo.

Quando estava na altura deles a porta da cabine deslizou para o lado.

– Amigos! – veio a saudação de dentro do veículo – Tempo adorável para um passeio hein?

– Vá se lascar Attlas. – cumprimentou Thea avaliando a proximidade do transportador– Aproxime essa lata da beira, Rocco não consegue pular essa distância toda.

Quando Thea o puxou para dentro do transportador (acabou que Attlas não o aproximara o suficiente) a realização começou a atingi-lo.

– Como estão os outros?

– Seguros. — veio a resposta do banco de piloto. Thea se esgueirara entre as poltronas e se sentara no do passageiro, deixando Rocco sozinho na parte de trás – Estão tomando uma rota diferente para o posto, nós vamos dar uma boa volta antes de tomar a rota final também.

– Podemos passar em um restaurante japonês?

– Eu tenho quase certeza que temos prioridades mais importantes agora – Thea cruzou as pernas sobre o painel do transportador e ignorou as reclamações de Attlas– Mas seria uma boa, estou morrendo de fome.

– Nós realmente vamos conseguir, não vamos? – continuou, encarnado o caminho da chuva pela janela – Vamos virar desertores. Minha mãe vai me matar, logo agora que estava conseguindo melhorar nossa situação.

Rocco lembrou-se do olhar de Ben no telhado. E duvidou que todo o tempo do mundo seria suficiente para convence-lo da verdade. Afinal, as coisas eram realmente muito complicadas. Na verdade, se não tivesse visto com os próprios olhos não acreditaria. Merda, Benny. Você e sua tendência de se juntar com as pessoas erradas.

Sabia que o irmão pensava a mesma coisa em um telhado distante.

– Hey Thea– cortou o silencio – Você usou uma carga não letal nele, não foi?

Thea anuiu e ligou o rádio.

– Mas só pra não te fazer chorar. – ela garantiu, começando a balançar a cabeça no ritmo da música – Quer ver quem canta melhor?

– Não essa merda de música pop de novo. – pediu Attlas.

Em resposta Thea aumentou o volume até as janelas tremerem.

–x-x-x-

Notas finais
Eu so queria dizer que essa eh a quarta historia que estou escrevendo meio que ao mesmo tempo. E esta em ultima posicao na lista de prioridades, entao por favor nao se apeguem porque isso foi postado mais como lembrete de que talvez deva continua-la no futuro do que qualquer outra coisa. Se alguem acabar lendo ficarei feliz com opinioes, sei como a estrutura pode ser meio confusa no comeco. O importante eh nos divertirmos neh mesmo? Beijos beijos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.