Phaeleh I

13 Capítulo 13 – O Oráculo


Notas iniciais
Miky-san: Olá queridos *-* Segue o capítulo dessa semana, espero que gostem do que preparamos! Desculpem se houver quaisquer errinhos... Boa leitura!

Hayliel teve a certeza de conseguir o seu biombo cheio com hidromel para a jornada. Seu casaco de pelo de coelho, e a sua doninha branca chamada Gefiona. A mesma se aninhou em sua cabeça e se equilibrou sobre o cabelo branco de Hayliel, como um chapéu de pelúcia.

– Tinha de ser mesmo o Mestre Darius para me pedir uma coisa dessas... — Resmungou enquanto tomava dois punhais e os colocava em um compartimento de couro em sua cintura. — Sempre me pede o que parece impossível de ser feito.

Ele colocou o biombo e as demais coisas que havia escolhido em uma bolsa, amarrando-a em suas costas.

– Agora estamos prontos. — Disse ele, analizando mais uma vez em sua casa, caso houvesse esquecido algum item. Não deixou de verificar como estava o processo de criação do metal que iria compor a nova espada de seu mestre, o líder do Reino dos elfos de luz. Sob sua lareira, sendo cozido por chamas mágicas, a mistura entre metal e cinzas. Darius teria sua espada, embora Hayliel estivesse temendo ser amaldiçoado por Odin, pelo fato de estar fazendo algo tão perigoso.

Ter as cinzas da mais bestial das criaturas, era como brincar com a morte. Hayliel tinha um pacto importante, além de muito perigoso com os deuses. Ele ainda se arrependia sem culpa, cuja marca ele carregava em sua mão esquerda.

Era por isso que ele não precisava de uma espada, sua mão havia se tornado puro metal. Quando as pessoas olhavam uma mão que saudavelmente seria com cor de pele e unhas, elas viam uma maquina. Uma aberração.

Seu pacto não era precisamente algo que ele havia feito, sim os seus pais haviam se sacrificado para que ele fosse forte e pudesse proteger a realeza. Hayliel não entendia como eles haviam destruído suas vidas — que seriam eternas, senão sacrificadas — apenas para que ele tivesse aquela mão de metal.

Hayliel olhou para ele por um instante, mexendo os seus dedos prateados, praticando a aparição de unhas afiadas no momento em que ele desejasse, pequenos espinhos metalizados que alteravam de tamanho sobre as costas de sua mão, ou desenhos sobre a superfície de acordo com o que ele imaginava. Hayliel havia aprendido a usar aquele poder, aquele dom.

Ele era um procriador, e ainda sim um guerreiro. Ele não tinha sequer corpo para isso, mas sua determinação vinha de sua espada natural.

Empurrando uma luva branca sobre sua única mão diferenciada, ele saiu de sua pequena casa, onde também funcionava sua oficina, onde ele criava ferro e metal, os transformando em armas que seu reino usava em combate. Ele tinha certo orgulho de suas criações, ele tinha esse dom que mais nenhum ferrero possuía, por isso suas armas serviam apenas para o exército superior de seu reino.

Hayliel ergueu sua mão normal ao seu animalzinho precioso que estava sobre a cabeça. A doninha chiou feliz pelo carinho e então voltou a uma soneca. Mais tarde ela viria a se esgarranchar em seu pescoço.

Seu pônei cinzento estava esperando por ele atrás de sua casa, Hayliel era pequeno e leve, por isso não era incomodo nenhum para o animal ser montado. Hayliel o adorava, eram os seus únicos animais que ele zelava com carinho. Loki, como era chamado o seu pônei, era o seu único meio de locomoção, ele o levava por todo o reino, e hoje seria o responsável de levá-lo por um caminho perigoso, no entanto, conhecido.

Eles atravessariam a floresta de Saranmir, além da fronteira, por onde Hayliel realmente não conhecia. Mas o mapa estava entre os itens que ele carregava.

Cavalgou até certa distância de seu reino. Isto iria demorar mais de dois dias até que atravessasse a montanha. Embora parecesse perto, ele tinha de seguir um caminho às escondidas. Os guerreiros elfos que asseguravam em torno do reino sabiam dele, e até ai, Hailyel não precisou ser circunspeto em relação a eles, o perigo estaria principalmente quando atravessasse a floresta para o clã de Svan.

Ele sabia que conseguiria, ele era um perito em se esconder, afinal ele era um elfo, e elfos eram criaturas espertas que sabiam exatamente onde estar no momento certo.

Algo lhe dizia em seu mais profundo que Phaeleh estava naquele clã. Ele não tinha dúvidas quanto a isso, mas precisava provar. Ele também não queria uma guerra, sabia que Darius também não estava disposto a arriscar o seu povo, mas se caso soubesse que Phaeleh realmente estava com Svan, e o líder dos Berserkers houvesse de verdade mentido para seu mestre, Darius não hesitaria em guerrear contra aquele povo.

Pensar sobre isso dava arrepios em Hayliel. Ele tentou esquecer por um momento e curtir a cavalgada. Seu pônei foi ficando cansado logo após terem ultrapassado a fronteira. Foi então que ao desmontar, no momento em que seus pés tocaram o solo daquele lugar, Hayliel sentiu uma pressão subliminar em seu peito.

Ele olhou ao redor e levou uma mão ao peito, procurando entender o que havia naquele lugar que lhe dava aquela sensação esmagadora. O ar era denso, quase como se faltasse o oxigênio. Hayliel olhou para sua direita, e lá estava o enorme bastão com a placa de quatro direções. As marcas sobre elas estavam apagadas, porém as flechas em madeira apontavam para a direção correta, de acordo com o mapa que levava.

– Vamos sair deste lugar antes que o pior aconteça. — Disse ele a si mesmo com certa desconfiança, andando lado a lado com seu cavalo, sem que fosse necessário direcionar o animal para que o seguisse.

Hayliel ainda ficou olhando para trás algumas vezes enquanto se afastavam. O que era aquela magia que envolvia aquele lugar? Ele tinha certeza que havia sentido algo. E ignorar as suas dúvidas era incontestável.

Demorou horas para que ele atravessasse a floresta à borda do clã de Svan. Hayliel estava atento, suas orelhas hiper sensitivas trabalhavam em captar todos os sons. Quando identificou que estava há uma distância segura, ele deixou que Loki ficasse próximo a uma clareira com riacho. Seu pônei era esperto, ele sabia, o mesmo não deixaria ser pego por pessoas estranhas. Já sua doninha Gefiona iria acompanhá-lo para ajudá-lo com a espionagem.

Até se sentia um criminoso fazendo isso, mas se era pelo seu mestre, Hayliel era capaz de loucuras. Eles mantinham uma amizade desde muito tempo. E embora suas idades fossem parecidas, Hayliel havia parado no tempo de seus quinze anos, enquanto seu amigo tornou-se varonil e composto a ser um líder. Ele o assistiu crescer e tornar-se poderoso, mas o admirou ainda mais pelo mesmo ainda manter a mesma linha de amizade com ele. Darius merecia todo o melhor que o mundo poderia lhe dar, isso Hayliel tinha certeza. O coração de seu mestre era de ouro.

Caminhando sorrateiramente, Hayliel encontrou uma abertura entre as relvas, e por fim foi capaz de ver todo o vilarejo desde ali. Ele estava acima de um grande parededão de rochedo. Retirando de sua bolsa uma luneta retráctil, que ele mesmo havia feito com metal e banhada em bronze, foi capaz então de vigiar o vilarejo desde ali. Ele tinha muito a verificar, e definitivamente encontraria Phaeleh.

–*-*-

Meine deixou o quarto naquela manhã para procurar pelo seu novo amigo, Rurik. Estava se sentindo melhor aquela manhã, novamente havia acordado sozinho. Sentia-se assim até seu inegável encontro com Hilda no corredor. A mulher, que antes se ocupava em tirar o pó dos vasos ornamentais, havia feito questão de se colocar parada, apenas verificando Meine com seu olhar zombeteiro.

– Bom dia. — Disse ele educadamente enquanto passava. Mas Hilda se colocou a frente dele, o impedindo. Meine deu um passo para trás, se sentindo intimidado pela mulher alta.

– Como vão indo as coisas com Svan? As empregadas que se ocupam da casa a noite não tem ouvido os seus gritos. — Ela riu, olhando Meine de cima à baixo em suas roupas simples. — De verdade Svan tem querido um ser como você em sua cama? O que há de bom em um elfo tão sem graça?

Meine mordeu seu labio inferior com o comentário.

– Svan vai muito bem comigo. — Respondeu entre os dentes. Meine nunca antes teve vontade de uma briga, mas ele queria esbofetear aquela mulher. Poderia parecer um covarde vindo de um homem, mas ela era muito maior do que ele.

– Eu não creio. Veja bem, Meine... Svan vai acabar se cansando de uma criatura horrenda como você, afinal os escravos que ele manteve antes de você naquela cama, ele os fez gritar de prazer que todos da casa eram capazes de ouvir. — Ela se curvou até seu rosto estar rente ao de Meine. — Ele me fez a mulher mais feliz do mundo na cama... Ainda sinto falta daquele tempo. Foi tão bom... Svan é um monstro do sexo.

Meine se afastou mais, totalmente indignado de estar submetido a ouvir tal malditas palavras da boca daquela cobra.

– É uma pena que não possa mais! — Ele rebateu, suas mãos em punhos apertados. — Svan escolheu a mim, não por um motivo qualquer. Ele com certeza não precisava de ninguém mais ao lado dele.

Ele não acreditava que havia dito aquelas palavras.

Seus olhos dançaram na vontade de chorar que se impreguinava em sua garganta, mas ele não daria a satisfação àquela vibora de ver a tristeza aparente em sua face. Ele cortou a caminho, empurrando-a de seu caminho quando passou.

– Seu elfo maldito! — Gritou Hilda enquanto Meine se afastava, mas aquelas palavras ecoavam por todo o corredor. — Acredite em mim, ele vai te descartar em breve e me ter novamente. Sua coisa branca ridícula! Maldições... — Ela voltou aos seus afazeres bufando. E Meine ainda escutou. — Como alguém pode querer estar perto de tal aberração. Svan está louco.

Meine virou ao segundo corredor que levava até outra linha de portas. Ele esfregou a face quando soluços cortaram o seu peito. Suas costas, encostadas à parede, escorregaram quando ele caiu sentado no chão.

Poderia alguém odiar tanto Meine? O que ele tinha feito para merecer tanto ódio? Ele jurava que tinha sido bom. Ele tinha feito o seu melhor, assim como sua avó Mona havia lhe ensinado. Eram os ensinamentos dos bons deuses, para que ele se tornasse um ser consagrado.

Como alguém pode querer estar perto de tal aberração. Svan está louco.

Sim, Svan estava louco.

Porque de todos os escravos naquele maldito leilão, Niels escolheu justo ele? O que tinha de bom em Meine?

– Hei...

Meine não olhou para ver de quem se tratava. Era seu amigo Wray, que bom que era ele!

Wray se sentou ao chão em seu lado, cruzando as pernas quando o fez.

– Svan te dando trabalho ainda?

Meine terminou com suas lágrimas, não querendo parecer um bebê chorão em frente de seu amigo precioso. Nestes últimos dias Wray tinha aparentado estar um pouco mais afastado, como se estivesse ocupado ou evitando-o.

Ele não queria acreditar nesta ultima opção.

– Svan está trabalhando... Apenas, alguém que me odeia, anda me perturbando cada vez que saio daquele quarto. — Disse em pesar. — Antes eu preferia sair ao invés de estar trancado, mas acho que irei preferir ficar preso ao ter de olhar para a cara daquelas... — Ele queria xingá-las, mas ele só não sabia como.

– Está falando de Hilda e as outras? — Wray ergueu uma sobrancelha, como se estivesse prestes a rir do comentário de Meine, mas não o fez.

Meine agradeceu, ele não estava achando que havia graça naquilo.

– Elas são umas víboras, você sabe... — Wray olhou direto nos olhos de Meine, agora ele tinha aquele sorriso preguiçoso e gentil, do qual era o que Meine mais gostava nas expressões de seu amigo. — Todos as odeiam, você sabe. Faz você pensar que todos os escravos são como elas, assim como Niels imagina. Mas não... Essas se fazem de superiores, são invejosas, além de que se vangloriam de estar trabalhando na casa principal, e por alguma vez terem tido a chance de domar Svan quando ele esteve bêbado.

– Bêbado? — Meine quase gritou, ele colocou as mãos sobre a boca envergonhado por ter dito alto demais.

– Claro. Você acha mesmo que elas fazem o tipo de Svan? — Wray riu e então engasgou quando algo enroscou em sua garganta. Ele tossiu um pouco, o que desencadeou o terror em Meine, porém foi rápido e Wray voltou ao normal.

– Uh, você me assustou.

Os olhos caramelo de Wray fitaram Meine por um momento, até que ele dissesse.

– Svan nunca antes teve um tipo. Hoje ele só sabe falar ou pensar numa determinada criaturinha loura e albina.

Meine arregalou os olhos, mas depois abaixou seus cílios, olhando sob o queixo de Wray.

– Impossível Wray... Por que Svan iria querer alguém como eu? Eu sou... Eu sou...

– Não ousa dizer essa palavra! — Wray o repreendeu com todas as forças. Meine olhou-o assustado, mas conscentiu. — Nunca... Ouse dizer que é uma aberração, Meine. Não há algo como isso em seres humanos, sejam lá se forem berserkers como eu e Svan, ou elfos que nasceram pelos deuses. Não somos monstros, estes sim são aberrações das trevas Meine. Aqueles que existem apenas para fazer o mal. Criaturas sem coração.

Meine assentiu em tudo o que Wray lhe disse. Ele nunca tinha visto os olhos de seu amigo dançarem daquela forma, e ele sabia, que quando Wray virou a face, estava ele escondendo os seus verdadeiros sentimentos dele.

– O que estão fazendo ai? — Niels apareceu depois que saiu do escritório. — Eu posso saber?

Meine viu Rurik sair logo atrás do berserker. Ele tinha um sorriso tão iluminado que o deixava intrigado. Como Rurik estava tão feliz com aquele trabalho? O que diabos havia de arrado com seu amigo?

– Apenas conversando. — Wray se levantou e ajudou Meine a se colocar de pé também. Niels estava olhando para eles com as sobrancelhas franzidas e certo beicinho.

– Conversando, eh? Hum. — Ele olhou em Rurik. — Vá buscar um refresco para nós. — Rurik não hesitou, ele concordou e saiu correndo. — Todos nós teremos uma conversa séria.

Wray e Meine arregalaram os olhos, mas eles assentiram, entrando logo após Niels no escritório. Meine se sentou em uma das poltronas, assim como Wray sentou-se ao lado dele. Niels ainda olhou-o com um tic sobre a testa, mas nada disse a respeito de ele se sentar em uma das poltronas. Ele queria o que? Que Meine se sentasse ao chão? Ah não, diria ele que preferisse ficar de pé.

– Eu quero saber o que diabos há em Meine?

Meine piscou surpreso.

– O que há em mim?

Wray riu, riu muito até Niels jogar nele algum pequeno objeto não identificado que Wray desviou-se facilmente, enxugando os olhos. Ele tossiu um pouco quando terminou, mas nada preocupante.

– Ual, eu também gostaria de saber isso, Niels!

O segundo no comando não gostou nada. Ele tinha uma carranca muito pior o que a de Wray, e ficava torcendo os lábios. Meine até achou essa expressão engraçada, mas ele não quis demonstrar isso.

– Meine, tire a roupa. — Ele ordenou, ao que se inclinou à mesa de carvalho e se sentou a beira dela.

Os olhos de Wray eram enormes. Meine fez uma careta.

– Eu não vou...

– Por que quer que ele tire a roupa? Meine é escravo de Svan, apenas ele tem o direito de pedir qualquer coisa a Meine. Qual o seu problema Niels? — Wray o defendeu.

– Eu quero saber com meus próprios olhos se há algo de estranho em Meine, tirando o fato de saber que ele é um elfo... Mas Svan tem recusado sexo há dias. Vocês pensam que ele não me conta as coisas? Svan me diz tudo! Inclusive que o machucou da última vez.

Meine corou horrivelmente, ele olhou para Wray por socorro, e o mesmo apenas suspirou, passando as mãos pelo rosto.

O que Niels estava querendo dizer? Ele não estava entendendo essa conversa. Por que ele tinha que tirar a roupa?

– Se Meine estiver fazendo mal ao nosso lider, é meu dever afastá-lo! Eu sou o segundo no comando, e aquele que o comprou, não vou permitir que Svan fique todo confundido por sua causa.

– E o que isso tem a ver com tirar as roupas dele? — Wray cruzou os braços em uma profunda carranca.

Meine ainda não entendia nada.

– Eu... Er... — Niels ficou sem fala. — Eu queria ver o que há de tão bom nele para Svan se aferrar tanto a ele. — Meine ficou surpreso ao ver Niels envergonhado.

Wray voltou a rir, ele quase caiu da poltrona de tanto rir. Devia ter sido muito divertido, e o único motivo que fez Meine rir foi a própria risada de seu amigo.

Rurik apareceu, pedindo licença ao entrar com os refrescos, Wray ajudou o garoto a servir os refrescos de carambola.

Niels fez uma pausa com o assunto para beber o seu suco. — Foi você que fez? — Indagou ao ruivo. O mesmo assentiu excitado. — Realmente... Muito bom.

Meine só estava observando, ele olhou em Wray que estava fazendo o mesmo que ele, e quando o mesmo voltou a fitá-lo, recebeu um sorriso amável dizendo-lhe que estava tudo bem.

Rurik sentou-se aos pés de Niels, com as pernas cruzadas. Ele sorria o tempo todo, não apenas com os lábios, mas os grandes olhos verdes de seu amigo eram sorridentes e brilhantes. Ele estava feliz.

Que bom então.

Meine queria estar feliz assim também, mas sua única vontade agora era de soltar um ruidoso resmungo e ficar jogado sobre a poltrona. No entanto ele apenas estava sentado comportadamente e esperando qual seriam as ordens do homem que o comprou.

– Vamos, vocês sabem que não os deixarei que saíam antes de eu poder ver a pele de Meine. — Niels insistiu, gesticulando para Wray.

– Está bem! Está bem! — Wray gritou para ele se levantando, perdendo completamente sua paciência com o "chefe".

– Bom mesmo, hunf. — Niels estava de braços cruzados e queixo erguido, apenas assistindo enquanto Wray pedia a Meine para se levantar. — Rurik, você não pode ver isso. Vai corrompê-lo. Se vire.

Rurik arregalou os olhos.

– Mas... Mas eu queria ver...

– Não. Você não vai ver Meine. — Insistiu.

Rurik fez uma careta e se sentou ao contrário deles, lhes dando as costas. Ele resmungou vez ou outra, entediado.

Meine se levantou como seu amigo pediu. O mesmo aproximou os lábios de seu ouvido e sussurrou. — Não ficará completamente nu, tudo bem? Deixarei que permaneça com as roupas de baixo. Vamos fazer o que Niels quer antes que ele surte. Você não vai gostar de vê-lo a semana inteira resmungando por que não fez o que ele disse. Ele é como uma criança, pode crer.

As palavras de Wray lhe fizeram sorrir. Ele olhou em Niels que estava de sobrancelhas arqueadas, desejando saber o que diabos eles cochichavam. Isso o fez querer rir.

Niels era como uma criança, era de se esperar do irmão mais novo de Svan.

Svan...

Meine sentiu seu peito apertar apenas com as lembranças de Svan. Seu líder não havia mais discutido com ele, por qualquer razão que fosse. Svan tinha dito aquela vez "desculpe-me", o que fez Meine ponderar muito a respeito.

Ele sabia, seu coração queria tanto perdoá-lo, mas as lembranças ainda estavam lá, e mesmo que queria chutá-las para longe e simplesmente aceitar, haviam tantas preocupações para Meine agora, que não sabai mais qual era o certo a fazer.

Meine não seria a vida de Svan, apenas uma paixão passageira para o homem se satisfazer, até que ele se casasse, até que ele se apaixonasse por outro berserker. Ou talvez, apenas enjoasse de Meine e o trocasse por outro escravo mais bonito, talvez um corpo feminino como o de Hilda.

Meine retirou o colete que usava, além da camisa branco gelo para fora de seu corpo, revelando um peito liso, porém Meine não era assim tão magro. No entanto sua pele era tão branca e pálida que ele pensou que veria a aversão nos olhos de Niels ou de Wray, porém eles apenas pareciam admirá-lo com certo rubor.

Depois que suas calças caíram ao chão, estava apenas de roupa íntima, e agora Niels se aproximou. Mãos para trás e um olhar analizador, procurando algo nele que o revelasse.

– O que é isso? — Perguntou o homem quando rodeou as costas de Meine.

– O que? — Wray também foi ver, e Meine estava curioso. O que havia de curioso atrás dele? — Meine... O que é essa marca em suas costas?

O garoto albino tentou sob todas as custas se encurvar para enchergar atrás das costas, mas fora impossível.

– Rurik. — Niels o chamou, e o escravo ruivo se levantou rapidamente indo até ele.

– Sim, Niels! — Rurik corou ao ver Meine tão exposto, apenas com as roupas de baixo. — Meine... Você é tão branco... Nunca vi alguém que fosse tão branco. — Ele comentou inocentemente.

O garoto albino apenas assentiu enrubescendo. Até mesmo suas orelhas estavam queimando em um rubor.

– Você reconhece este símbolo? — Niels perguntou ao seu escravo ruivo. O mesmo olhou para Wray como se esperava que Wray reconhecesse.

– É um simbolo élfico. — Rurik respondeu depois de analizar, seus dedos sobre a pele quente de Meine. — Parace uma palavra, mas eu não sei o que quer dizer.

– Como ele sabe? — Perguntou Wray a Niels.

– O antigo dono de Rurik foi um caçador de elfos perdidos. Apenas observando ele, Rurik aprendeu uma porção de coisas. Acho que talvez possa nos servir este conhecimento.

– Oh... — Wray olhou divertido para Niels. — E você costumava dizer que escravos são como animais irracionais. Eles podem ser muito mais inteligentes do que nós, berserkers.

Meine foi vestindo novamente suas roupas.

– Eu sei sobre você Wray... — O escravo ruivo comentou de repente, enquanto ajudava Meine com suas calças. — Você pode muito bem esconder... Mas eu posso ver tudo através de você.

Silêncio.

O arqueiro engoliu em seco, ainda mais Niels que mesmo em seu tamanho enorme se arrepiou. A sala tinha estado gelada depois das palavras de Rurik.

Meine olhou em seu amigo ruivo e sussurrou. — Fique quieto.

– Mas eu não disse nada. — Rurik olhou para eles curioso. — Eu disse alguma coisa?! — De repente ele ficou preocupado, seus olhos estatelados. — Eu... Eu digo coisas as vezes... Que eu não sei da onde surgem. Perdão. — Desculpou-se humildemente. Meine tocou os seus ombros e eles se olharam estranhamente.

Wray passou a mão pelos cabelos.

Niels notou que ele estivesse nervoso.

Meine estava observando tudo. Meine sempre observava tudo. Desde que ele veio para este lugar, tinha ele se tornado um observador.

– Então diga-me, Niels... — Wray mudou de assunto de repente. — Encontrou algo em Meine?

– Além do símbolo? — Niels riu. — Não, nada demais. — Ele gesticulou bruscamente. — Apenas uma criança.

Meine sentiu uma veia em sua testa saltar.

Ele não era uma criança.

– Bem, então eu vou-me indo. — Wray deu um último olhar a Meine, e o menino percebeu que aquilo foi estranho.

– Eu o acompanho! — O segundo no comando insistiu.

Logo após eles terem saído, Meine estava sozinho com Rurik no escritório. Seu amigo ruivo tinha um olhar estranho, ele se sentia culpado.

– O que você sabe sobre Wray? Não devia ter dito aquilo... Se Wray não quisesse contar de seus segredos a Niels hein?

Rurik respirou fundo e chacoalhou a cabeleira ruiva fora de seus ombros. Ele olhou em Meine, e o mesmo reparou em como os olhos verdes grandes balançaram como se eles estivessem estudando aquilo que deveria ser dito.

– Eu sei de muitas coisas... Apenas sei que não é o tempo todo que sei. — Disse Rurik. Percebendo que havia confundido Meine, voltou a dizer. — É como se eu soubesse de todas as coisas lá no fundo da minha mente! — Apontou para sua cabeça. — Apenas lembro de vez em quando... Por isso não é o tempo todo que sei.

Meine riu, seu amigo tinha um jeito de contar às coisas que era engraçado.

– Como um oráculo?

Ele não tinha dito isso a sério.

– Sim, eu acho que sou.

Oh não...

Meine olhou ao redor nervoso. — Você sabe sobre mim?

Rurik balançou a cabeça com um sorriso. — No momento não.

Meine suspirou, aliviado.

Do lado de fora, na varanda do casarão de pedra, Niels segurou o braço de Wray antes que este fugisse.

– O que está escondendo?

Wray fez uma careta, ao que puxou o seu braço bruscamente de volta.

– Nada que seja da sua conta!

– Ual que mal educado. — Niels cruzou os braços erguendo uma sobrancelha. — Deve ser algo muito importante mesmo para ter te abalado tanto.

Não só algo, mas tantas coisas...

– Não leve isso a sério Niels. — Disse ele de forma que tentasse se acalmar.

– Mais cedo Rurik disse-me algo do qual me deixou intrigado. — Comentou ele preocupado. Wray teve sua atenção fisgava pela inquietação do outro. — Eu não sabia que Rurik poderia dizer coisas além de seu espirito, mas ele o fez... Disse-me que Meine tinha algo de especial em seu corpo, do qual Svan ficaria hipnotizado e não o deixaria. Isso levaria o vilarejo ao caos se não fosse feito o que é certo. E depois disso ele simplesmente não sabia o que mais dizer... Eu juro, o sacudi tanto até deixá-lo zonzo, mas não consegui arrancar mais nada dele.

Isso preocupou tanto Wray quanto seu próprio segredo.

– Sabe o que está me dizendo Niels? Aquele garoto ruivo... Deuses... — Wray se aproximou ao que sussurrou ao ouvido do outro. — Você conseguiu um oráculo! Sabe o que diabos isso pode significar?!

Niels estava de olhos tão grandes como pratos depois que Wray se afastou.

– Svan precisa saber disso... — Ele deu um passo atrás.

– Sim, você precisa dizer a ele. Mas antes disso, analize Niels... O que esse garoto ruivo lhe disse vale mais do que qualquer maldita coisa para se preocupar agora. O que é certo a se fazer para que o caos não venha ao nosso vilarejo?

–*-*-

Era tarde da noite quando Svan estava voltando de Saranmir. A floresta tinha estado enganando-o desde manhã. Ele não entendia como, mas os cheiros, os sons, nada tinha estado normal. Alguém estava controlando-os, senão algo estava, e ele não conseguia compreender isso.

Parando em seus pés quando seus instintos foram bombardeados por um mau pressentimento. Ele rapidamente olhou de volta para a floresta e viu um vulto. Alguma luz fugiu dele, e ele soube de imediato do que se tratava.

– Malditos elfos... — Murmurou para si próprio. Isso explicava a sensação de observação, de ter sua privacidade quebrada. Ele sabia muito bem que coisas como essa poderia vir a ocorrer. Ter invasores em sua terra, tão espertos para não serem notados por seus próprios homens.

Ele sabia, quem quer que seja, não teria vindo em grupo. Era mais fácil ser capturado quando se estavam em grupo, portanto soube ele que não seria atacado. Era apenas um espião.

Bufando pelo estresse diário, o líder dos berserkers foi em direção da casa principal de seu vilarejo. Sua casa.

Seu coração estava agindo estranho desde aquele dia em que havia perdido o controle com Meine. Seu escravo tinha mudado completamente consigo desde aquela vez, e claro, Svan fora impactado por aquela mudança.

Ansiava pelo Meine que beijou seus lábios uma vez.

Pelo Meine que não hesitava em tocá-lo com admiração.

O que havia com Svan? Por que ele estava desejando um escravo?

O que havia de tão importante naquela criatura diminuta?

Svan entrou em sua casa com os ombros pesados, sua expressão na pior das carrancas, com o cerne dolorido, seus pés duros por haver caminhado tanto, e permanecido em pé o dia todo.

O que ele daria por um bom banho e alguma massagem de mãos macias... Isso o fez pensar imediatamente em Meine. Mas seu escravo albino não queria mais tocá-lo... Ele tinha pânico de estar sequer na mesma cama a dormir. Svan se sentia como um lixo.

Ultimamente ele havia se xingado a cada oportunidade, indignado consigo próprio por haver se descontrolado tão ruim àquela noite. O que ele faria para voltar no tempo e ter feito aquilo direito. Embora ele não soubesse como poderia fazer aquilo de forma que não ferisse Meine em sua primeira vez.

Oh Meine...

Somente a lembrança daquela pele tão alva que chegava a brilhar, daquelas curvas suaves e aquele bumbum empinado... Os mamilos de Meine, seus ombros curtos e seus fios tão loirinhos. Tinha Svan duro e ajeitando sua ereção para que não fosse tão óbvia.

Ele ignorou como sempre o olhar daquelas mulheres sempre que chegava em casa. Elas vinham com todo o pretexto para querer agradar-lhe, oferecendo-o petiscos antes do jantar, elas próprias querendo dar lhe uma massagem, se ele preferia que uma delas preparasse o banho, e dentre tudo aquilo que não lhe dava qualquer expectativa de deixar acontecer.

Não tinha interesse simplesmente.

Ele queria Meine. Oh louca vontade pelo albino.

Svan balançou a cabeça, sentindo que estava perdendo seus sentidos pelo menino. Não lhe saía mais da mente o nome daquele ser diminuto, aquela coisinha quente... Doce como o céu... Queria tanto tocá-lo.

Quando entrou em seu quarto, Svan trancou sua habitação com gosto, feliz que havia estado agora livre das empregadas.

Estava pensando sériamente em dar um fim nelas, mas só não estava com tempo para ter de lidar com novas contratações. Isso também seria mais um trabalho para Niels.

Ele pegou Meine do outro lado da cama em um cochilo e um livro em suas mãos. Ele parecia tão desconfortável naquela posição sentada e babava um pouco.

Svan se agachou apenas para olhar para ele. Parecia que tinha estado tão longe ultimamente, e agora olhando, Meine parecia tão triste, tão solitário. Ele parecia que precisava ter Svan. E Svan precisava ter Meine.

Por que ao menos não poderia tocá-lo? Se ele estava dormindo não iria acordar com apenas um leve toque.

Svan aproximou uma mão para tocá-lo, estava tão próximo, até que ele olhou para o livro nas mãos de Meine.

– Por Odin! — Ele se assustou quando viu do que diabos se tratava o livro nas mãos de Meine, e consequentemente fez o garoto albino acordar. O mesmo teve os olhos como pratos quando percebeu que era Svan.

– Suvan... — Disse quase em um gemido, até que intrigado com o olhar de Svan, percebeu que o mesmo estava surpreso com o livro que levava em mãos.

O livro de Wray. O Kama sutra.

– Não creio que anda lendo uma coisa dessas. — O olhar no rosto de Svan era cômico.

– Be-Bem... — Meine enrubesceu horrivelmente, até mesmo suas orelhas pontudas estavam vermelhinhas, e Svan achou aquilo tão adorável. — Eu... Eu não sabia nada como sa-satisfa-fazer você... Então Wray... Ele me emprestou isso...

Svan estava com olhos enormes. Wray! Tinha ele essas coisas? Foi surpresa por duas vezes. E pela primeira vez em muito tempo, realmente muito tempo, Svan riu.

Aquilo foi definitivamente uma risada. Os senão uma gargalhava, porque Svan caiu contra o tapete e a cama, e riu até seus olhos enxerem de lágrimas e ter de se dobrar. Meine consequentemente também riu.

Quando Svan parou, ele olhou diretamente nos olhos sorridentes de Meine.

– Guarde isso com você. — Ele mais uma vez ia para tocar em Meine, mas parou na metade do caminho. — Deixe-me tocá-lo... Ao menos um pouco.

Meine olhou-o sob seus cílios brancos, longos e formosos.

– Você não vai tentar nada, não é Van?

Como Svan tinha sentido falta de ser chamado assim. Parecia coisa boba, mas aqueceu o seu coração de pedra.

– Não vou... Eu vou ser apenas gentil, dou minha palavra.

Meine assentiu e Svan achou aquelas bochechas rosadas, tão meigas. Sua mão áspera tocou sobre a pele do rosto de Meine. Pele lisa, de veludo, tão macia quanto pelúcia. Quando chegou àquela orelha pontuda, o menino tremeu ao seu toque e Svan notou um timido ronronar escapar.

Oh Meine... Meine...

Como o queria...

O líder se afastou antes que sentisse a necessidade de mais. Ele achou irresistível quando aqueles grandes olhos azuis marinhos o fitaram, como no inicio de tudo, curiosidade e admiração. Svan se agachou, pegou Meine e o ergueu em seus pés com um gritinho dele.

– Vamos, prepare um banho para mim. Você está disposto a me dar uma boa massagem? Estou exausto para tentar qualquer coisa, não se preocupe. — Embora fosse depcionante não haver nada além disso.

Meine assentiu com um pequeno sorriso. Svan sabia que ainda não tinha sido perdoado, mas como Wray sempre lhe dizia em momentos de aflição, que ele devia seguir o que o seu coração queria.

Ele ainda teria Meine o perdoando e encontraria a forma certa de não machucá-lo. O próximo passo seria ir a um encontro com Wray, ele saberia o que fazer.

Continua...

Notas finais
Miky-san: Obrigada por ler ♥