Petrion, o Dovahkin
8 Capítulo 7 - Conversa no escuro
Desta vez, após desmaiar, não tive uma visão de meus amigos perdidos. Ao invés disso, me encontrei em uma sala circular, sem portas, corredores ou qualquer tipo de saída. Sua única iluminação eram chamas azuis que bruxuleavam a uns dois metros do chão. Entre duas chamas havia uma estátua de um homem sentado em um enorme trono. Bem, “homem” não seria a palavra certa para usar. Ele com certeza não era humano. Tinha um rosto comprido, longos dentes pontudos, seus membros eram finos, evidenciando seus ossos; suas unhas mais pareciam garras, arranhando os braços da cadeira. Mas seja lá quem tivesse feito a estátua, era um exímio artesão. Eu podia jurar que estava apenas dormindo.
Foi quando ele abriu os olhos. Verdes e brilhantes, com pupilas fendidas, olhando através de mim e diretamente em minha alma, me avaliando. Ele se levantou lentamente, e a cada movimento eu esperava pelo som de pedra rachando e uma leve nuvem de poeira, mas nada disso aconteceu. O ser pedregoso a minha frente estava, e sempre esteve, vivo, apenas em um profundo sono, apenas esperando o momento de despertar. Ele andou em minha direção, arrastando as pesadas botas enquanto eu, abismado, observava.
Ele falou com uma voz profunda e antiga, que soava como duas rochas se atritando, ecoando através das eras que se passaram.
–Ser da Luz, tu que possuís o sangue dos Antigos Répteis, ouça o que tenho a lhe dizer. Vosso mundo, assim como o meu, é refém da maior das calamidades. Um mal antigo, ainda mais antigo que os dragões, ascendeu uma vez mais para destruir o Mundo das Trevas.
–E por que eu deveria me importar? – perguntei, desconfiado – Assim que eu retornar para o meu mundo com os outros, isso será apenas problema seu.
–Criança tola! Por que se importar, pergunta-me? Diga-me, Dovahkiin... Há luz sem sombras? Que é luz senão um mero conceito que se opõe à escuridão? Não há luz sem sombras e não há escuridão sem luz. Se trata simplesmente de equilíbrio. De um lado, há seu Mundo da Luz, e de outro, o meu, o Reino das Trevas. Ambos tão parecidos, mas também tão contrastantes... Que achas que acontecerá se meu mundo se for? Responda-me Petrion: que é luz sem sombras, senão um conceito vazio?
–Então... Tudo deixará de existir? – Não me pareceu importante o fato de ele saber meu nome. O homem-estátua parecia tão antigo que ele poderia ter visto os deuses nascerem.
–Sabes tão pouco, jovem dovahkiin... Existem mais mundos e dimensões do que és capaz de imaginar, mas nem todos se ligam aos nossos. Não... Mesmo que deixemos de existir, ainda haverá outros planos de existência no Universo. Entretanto, isso não muda nossa situação. Ouvirá o que tenho a dizer, criança?
–Vá em frente. Mas quem é você?
–Sou Ugarth; O Primeiro Rei e Guardião das Trevas.
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