Pesadelos de Spencer - Sorriso no Espelho
1 Sorriso no Espelho
Notas iniciais
O primeiro conto desa série pode ser encontrado na minha lista de histórias...
Boa leitura
Meus olhos se abriram, pude sentir que fiz isso, mas eu não consigo ver um palmo a frente do meu rosto. O que é estranho, já que vivo em cima da boate onde trabalho nos finais de semana, e a luz do letreiro neon está sempre entrando pela minha janela.
Dou uma olhada a minha volta e avisto uma iluminação vinda de um cômodo a alguns metros, que pela aparência deduzo que seja meu banheiro. Levanto-me e caminho lentamente até lá, deslocando-me da escuridão a claridade. Começo a imaginar se eu não estaria sonhando... Viro-me de volta a escuridão, só para ter certeza e me deparo com a costumeira luminosidade neon, e Melanie está na cama, dormindo, completamente alheia as minhas paranoias, provavelmente causadas por esses malditos remédios.
Continuo meu trajeto ao banheiro, postando-me diante do espelho que fica sobre a pia. Observo minhas feições pálidas de olheiras fundas e olhar semimorto, estou acabado e não faço ideia de como fiquei assim em tão pouco tempo. Abro a torneira, abaixando-me e enchendo as mãos com água, jogando em meu rosto, em seguida. Respiro fundo e volto a encarar o espelho, porém todo o ar escapa de uma vez dos meus pulmões.
Meu coração parara por um segundo, a sensação gélida e conhecida do medo, atravessa a minha espinha, eu olho para trás, mas não há nada lá. Volto-me novamente ao espelho, todos os meus pelos eriçados de medo... Está lá, em algum lugar e está sorrindo pra mim.
Uma face negra de olhos vermelhos profundos e aterrorizantes, e um sorriso largo cheio de dentes claramente muito afiados, me encara pelo reflexo. Sinto como se a besta pudesse ler a minha alma. E pelo modo como esse bicho passou a língua comprida e fina nos lábios, ele a acho deliciosa.
Então, seus lábios negros e finos começam a se mexer, pronunciando alguma coisa, muito rápido, que eu não consigo ouvir. Mas pelo modo como se mexe, noto que ele está repetindo uma única frase, eu ainda não consigo compreender. Mas antes que pudesse ao menos tentar decifrar, as luzes se apagam e o breu retorna, aumentando a minha profunda e congelante sensação de medo.
Após alguns segundos a luz retorna, mas o reflexo da criatura não está mais no espelho. Me viro dando de cara com a besta, meu corpo treme e ela sorri, então novamente sussurra o que estava dizendo antes, e dessa vez eu entendo:
— Eu posso ver você, sentir o seu cheiro... E ele é delicioso.
Algo me arranca de lá, e me vejo em minha cama, acordado, suado e muito assustado. Mas essa sensação some ao ver Mel, deitada ao meu lado, dormindo tão serena, com as luzes neon do letreiro da boate tornando sua face muito mais celestial, ainda mais com esse leve sorriso em seus lábios.
FIM.
Notas finais
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