Pesadelos

20 Há Alguém Andando Atrás de Você...


Notas iniciais
Legenda Fala do personagem: - Eu vou te salvar, Dean. Pensamento: "Itálico" Memória: Negrito Narração: Logo depois, a garota dormia outra vez, sem sequer preocupar-se com o sonho que tivera a pouco. Mudança de Tempo e Espaço: ●๋..●๋

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♫ "There is someone walking behind you,

(Há alguém andando atrás de você,)

Turn around, look at me.

(Vire-se, olhe pra mim.)

There is someone watching your footsteps,

(Há alguém vendo os seus passos,)

Turn around, look at me.

(Dê a volta, olhe pra mim.)" ♫*

A canção que tocava no rádio não lhe era estranha... Sentou-se na cama e desligou o despertador do celular, que encontrava-se sobre o criado-mudo. Sete horas. Olhou ao redor e, para o seu espanto, aquele era seu antigo quarto, na casa em que crescera, em Cleveland. Sem compreender o que se sucedia, levantou-se e andou em direção a porta. Hesitou um momento antes de abrí-la, a mão repousada sobre a maçaneta não se movia. Deu meia-volta, correu até a gaveta e apanhou o velho diário. A última página preenchida estava datada em 15 de Fevereiro — o mesmo dia em que sua vida tomara outro rumo. A jovem estava confusa. "Mas o que...?" Não teve tempo de pensar, pois uma loira agitada logo entrou serelepe cantarolando a mesma música de a pouco.

— SOPHIE? — Sorriu, surpresa. Logo correu pra abraçar a amiga, que apenas ria de sua reação — Senti tanta a sua falta... — Sussurrou.

— Como assim, Alice? — A fitava divertida — Nós nos falamos ontem mesmo! — Provavelmente imaginava que a morena tivera outro de seus pesadelos...

— O que? Não, não: eu fiquei fora por dias! — Haviam se separado e agora a mais nova tinha um semblante preocupado.

— Você 'tá começando a me assustar, amiga... — Sophie deu um último sorriso, antes de se afastar novamente — Anda, se veste logo. Minha mãe não pode nos levar pra escola hoje, então a Suzanne vai dar uma carona. — Falava enquanto caminhava em direção ao corredor — Seus pais estão lá embaixo tomando café. HHA! — Parou de súbito na porta e voltou-se para Alice, que a mirava assustada — E sua mãe fez umas panquecas deliciosas... Melhor descer rápido, ou vamos nos atrasar. — Foi a última coisa que ouviu antes do sonoro "BAM!" que a madeira fez ao chocar-se contra as dobradiças.

— Isso... Não pode ser... real. - Repetia para si mesma. Pra onde Miguel à havia levado? Uma viagem no tempo? Estaria no Paraíso, talvez? Quem sabe...

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Olhou ao redor, confuso. A última coisa da qual se lembrava era de estar ao lado do irmão caçula, dirigindo o Impala, quando... A luz! Sim, aquela forte luz branca e o barulho, ahh, que som mais perturbador! Era semelhante ao ruído que ouvira antes da primeira aparição de Castiel, no entanto, ainda pior. E agora? Onde estava? Um galpão abandonado? Pensou em ligar para o irmão, porém a mensagem que aparecera na tela de seu celular, "Apenas Emergência", o fez desistir da ideia. Com uma pistola em punho, pôs-se a caminhar cautelosamente pelo lugar, aparentemente vazio.

— Dean. — A voz atrás de si lhe era familiar.

— Miguel? — O fitava dos pés a cabeça. Não mudara muito desde a última vez que o vira, à quase dois anos atrás...

— Chega de se recusar à cumprir seu papel, Winchester. — O olhar superior sobre si, irado — Vamos, nós dois sabemos que você é meu verdadeiro receptáculo. Já adiou demais seu destino, hora de cumprí-lo.

— Humpft! E me juntar à sua gangue de traficantes de almas? Nem pensar! — Dizia desafiante.

— Minha paciência com você está se esgotando... — Bufou — Estou farto dessa sua arrogância! Por que não aceita as coisas como elas devem ser? Não pode fugir de seu destino pra sempre, Dean Winchester.

— Não precisa ser assim.

— Errado! Quantas vezes irei ter que dizer que esse "livre-arbítrio" do qual vocês humanos pensam gozar não passa de uma mera ilusão? Não pode mudar o que você é.

— CALA A BOCA! — Gritou de repente, dando um passo a frente — Chega, eu não quero ouvir mais nada! Estou cheio de você e do seu irmão, os dois são loucos. E quer saber? Deus não foi embora, Ele está se escondendo! Fala sério, ninguém aguenta vocês dois, são chatos, cruéis, estúpidos, não passam de imbecis alados...

— BASTA! — Agora erguia o outro acima de sua cabeça, segurando-o pela gola da jaqueta, enquanto mantinha sua espada rente ao pescoço do mesmo — DIGA!

— NUNCA! — Rosnou. Sentia a lâmina cortando sua pele — Esquece: isso aqui não é nada comparado ao tempo em que eu passei com o idiota do Alastair! — Sorriu.

— Vamos ver se outros cem ou duzentos anos lá embaixo não conseguem fazê-lo mudar de ideia... O Inferno é muito persuasivo, sabe? — Um brilho malígno, quase que doentio, brotava em seus olhos.

— Desgraçado... Foi assim que convenceu o Adam?

— Não precisei utilizar tais métodos com o seu meio-irmão. Felizmente, é um rapaz sensato.

— Deve ter puxado a mãe...

— Conversamos daqui a um século! — Disse antes de soltá-lo súbitamente. Aconteceu tão depressa: era como se estivesse despencando de um prédio de mil andares. Quando percebeu, estava de volta: outra vez no Inferno.

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Notas finais
*Música: Turn Around, Look At Me - The Vogues