Pesadelos
9 Canção Irônica
Notas iniciais
●๋•..●๋•
— Não é melhor eu ir ver como Alice está? — Castiel parecia aflito. Não gostara de ter deixado-a só. A garota parecia tão frágil... Sentia que precisava protegê-la.
— Cass, a Alice precisa de um tempo. — O loiro estava agora ao lado do amigo. Pousou uma de suas mãos no ombro do mesmo como este fizera com a jovem a pouco — Olha, você não entenderia, é meio complicado... Pelo que você contou, o modo como ela perdeu a família deve ter sido terrível. Vamos deixar ela esfriar a cabeça e depois... — Não pode terminar, pois foi surpreendido pela chegada da jovem.
Sam sentia-se desconfortável com todo aquele silêncio. A entrada de Alice no cômodo fizera com que todos os presentes se calassem e voltassem seus olhares para a mesma. Ela parecia diferente. Caminhou em direção aos mesmos, parando ao lado de uma das cadeiras.
— Se importam se eu me sentar? — Perguntou com o olhar fixo no dono da casa. Ele era tão robusto quanto se lembrava. Vestia flanela e estava com seu habitual boné de caminhoneiro, como sempre o desenhava. Não sabia que ele era ruivo...
— Não. — Bobby assentiu, pouco sem jeito.
— Hm. — Murmurou, já ocupando a cadeira. Fitou-os um a um, tentando se acostumar com a aparência daqueles que conhecia à muito, ainda que não soubessem. Analisou os dois irmãos. Sam era o mais alto, embora fosse o caçula. Os cabelos castanhos longos, caindo por sobre os olhos verdes do moreno, tão vívidos quanto os de Dean. Este era loiro, tez alva, a barba por fazer. Um sorriso nervoso brotava nos lábios do mesmo. Era bom poder ver as faces deles nítidamente. Após uma pausa, suspirou e começou, tentando parecer o mais simpática possível — Desculpem ter saído dessa forma, é só que o que aconteceu nas últimas horas foi um pouco... — Pausa — De mais pra mim. Precisava de um tempo para pensar, espero que entendam.
— Nós entendemos e sentimos muito por tudo isso. — Dean sorriu — Eu queria dizer que vai dar tudo certo, que você vai ficar bem e que logo vai acordar desse pesadelo, mas a verdade é que eu não posso. — A olhou sério.
— Tudo bem: sei disso. Mas não se preocupem, eu já me sinto melhor. — Mentiu — Podem perguntar. O que querem saber?
— Alice, vamos dar um tempo nas perguntas por enquanto, ok? — Sam foi até a adolescente e lhe estendeu a mão — Vem, você pode subir e descansar um pouco, eu te acompanho.
— Obrigada. — Forçou um sorriso, já de pé seguindo o rapaz. Subia as escadas lentamente. Sentiu um imenso alívio ao perceber que os rapazes compreendiam toda a loucura que estava vivenciando. Seria bom ficar mais um tempo sozinha, quem sabe o desespero que tanto a incomodava não cessasse. De certa forma, estava até envergonhada por ter agido tão impulsivamente mais cedo. Ela que dominava-se sempre surpreendia-se agora por ter perdido a calma a tal ponto. Se arrependia e, mais tarde, quando estivesse mais calma e acostumasse-se com tudo o que ocorrera, pretendia desculpar-se com o anjo pelo comportamento que considerara um tanto irracional. Justo ela, a "Bonequinha", como seus pais a chamavam, que não chorava nunca! Lhe atribuíram o apelido porque Alice sempre agia de forma controlada e lógica, difícilmente se abalava: perfeita e inexpressiva, exatamente como uma boneca de porcelana. O que era estranho pelo fato de Alice nunca ter gostado de bonecas... As recordações da família a entristeceram. Pensar que jamais voltaria a vê-los lhe parecia uma tortura indescritível. Já haviam chegado no quarto. De repente, lembrou-se de uma música que sua mãe cantava quando era menor. Instintivamente, começou a cantarolá-la, enquanto ia até a janela.
♫ "You've got to give a little, take a little
(Você tem que dar um pouco, receber um pouco)
And let your poor heart break a little
(E deixar seu pobre coração se quebrar um pouco)
That's the story of,
(Essa é a história,)
That's the glory of love.
(Essa é a glória do amor.)
You've got to laugh a little, cry a little
(Você tem que rir um pouco, chorar um pouco)
Until the clouds roll by a little
(Até que as nuvens passem um pouco)
That's the story of,
(Essa é a história,)
That's the glory of love.
(Essa é a glória do amor.)
As long as there's the two of us,
(Enquanto há dois de nós,)
We've got the world and all its charms.
(Temos o mundo e todos os seus encantos.)
And when the world is through with us
(E quando o mundo se cansar de nós)
We've got each other's arms.
(Nós temos os braços um do outro.)
You've got to win a little, lose a little
(Você tem que ganhar um pouco, perder um pouco)
Yes, and always have the blues a little
(Sim, e sempre ter um pouco de tristeza)
That's the story of,
(Essa é a história,)
That's the glory of love.
(Essa é a glória do amor.)
That's the story of,
(Essa é a história,)
And the glory of love.
(Essa é a glória do amor.)" ♫*
Riu. Era irônico: acreditava que jamais voltaria a sorrir, e agora estava ali, gargalhando feito uma tola, sem qualquer motivo. Assim como havia chorado compulsivamente, quando nunca fizera-o antes. A verdade é que aquela canção tinha a alegrado. Parecia até que seus pais estavam tentando lhe falar. Samuel a encarava visívelmente perplexo. Alice notou isto assim que virou-se, e se recompôs, constrangida.
— Desculpe... — Sussurrou.
- Eu conheço essa música. — Seu olhar estava assustado — Você cantava pra mim... Quando eu estava no Inferno. Sempre que eu pensava em toda aquela dor... eu te ouvia. E você ficava cantarolando essa canção sem parar... E eu esquecia. Além disso, você ficava brincando com o meu cabelo. Era tão bom! — Sorriu. Não podia acreditar naquilo. A dona daquela voz tão doce era ela? Bem que a menina lhe pareceu familiar. Não sabia o que fazer. Alice parecia tão surpresa quanto ele. Sentia-se bobo por ter dito aquilo. Nem sabia por que o fizera. Então, decidiu que seria melhor deixá-la à sós. Conversariam depois — Hã... Eu... Bem, nós nos falamos depois. — Disse fechando a porta. No corredor, voltou a caminhar, indo até onde Castiel, Bobby e Dean o esperavam. Sem se dar conta, sussurrava:
That's the story of,
(Essa é a história,)
That's the glory of love.
(Essa é a glória do amor.)
●๋•..●๋•
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