Notas iniciais
E agora começo mais uma fanfic! E dessa vez, com a ajuda de um grande amigo. Será uma jornada bastante interessante para mim e para ele, pois trabalhar em equipe (ainda mais quando não nos conhecemos pessoalmente) é realmente algo difícil em certas situações, mas espero que consigamos terminar essa trilogia. Espero também que vocês, leitores, gostem dessa nova história.

No frio mortal, um único vulto vagava pelo antigo deserto de areia, agora dominado pela neve.

Chad Kermit não fazia som algum enquanto pisava na neve fofa. Protegia-se da neve com um casaco branco de inverno. O capuz estava levantado, guardando a parte de trás de sua cabeça. Seu rosto era ocultado por uma máscara de gás, onde o visor era iluminado por uma luz azulada.

A cada passo que dava, Chad podia ver melhor um casebre no horizonte. Andava em sua direção, e esperava não encontrar nada hostil lá dentro, como os seres que antes havia encontrado. Só de lembrar deles, seus pelos arrepiavam. Os sons que faziam, a forma que andavam, a aparência... Parecia que tinham saído de filmes de terror.

O homem apalpou sua cintura com suas duas mãos, sentindo em cada lado que suas pistolas continuavam lá. Em sua perna direita havia uma bolsa pequena, onde estavam alguns pentes e dois silenciadores para suas Desert Eagles. Tinha munição o suficiente para uma batalha longa, mas bastava apenas dois disparos e tudo estaria terminado. E era o que ele menos queria.

Depois de cerca de cinco minutos caminhando com dificuldade na neve alta, finalmente o homem chegou em frente ao casebre. Era feito de tijolos, revestida de uma tinta cinzenta. A porta havia sumido, deixando apenas um espaço retangular com uma pequena descida causada pela neve para dentro da casa. As janelas estavam quebradas, com vários cacos de vidro espalhados para fora. Chad entrou com extrema cautela.

O piso do chão era cinza, e o homem percebeu que era pó que o tornava cinzento, pois haviam marcas de sapato no chão que entravam em um cômodo, depois em outro. Parecia que elas entravam em um cômodo no fundo do corredor e não voltavam. À direita a escada que ia ao segundo andar estava com marcas de sapato que desciam e voltavam. Chad foi até o cômodo do fundo, em passos lentos, e não percebeu que havia cacos de vidro logo à sua frente, no chão. Ele pisou neles sem querer e fez o som espalhar-se pela casa silenciosa. Ouviu passos agitados, e à sua frente um homem apareceu segurando um cano. Chad conseguiu se defender a tempo agarrando o equipamento do outro sobrevivente e lhe acertando uma cabeçada, que o fez largar a "arma".

O homem recuou depois daquilo, se encostando na parede, ofegante e com medo.

– Por favor, não me mate! — Suplicou, e Chad pôde analisar o sobrevivente. Era moreno, de cabeça raspada, com os olhos repletos de lágrimas. Sua barba negra tinha alguns poucos pelos grisalhos. Vestia roupas de Snowboard, o que parecia esquentá-lo o suficiente.

– Não vou te matar. — Falou Chad, largando o pedaço de cano, caminhando até a cozinha da casa, como se ignorasse o homem.

Chad abriu um armário e encontrou duas barras de proteínas lá. Pegou-as e guardou em sua mochila. Comida sempre é bom, ele pensou. Depois abriu a geladeira e encontrou uma lata de ervilhas, na qual ele também pegou e guardou.

– O quê está fazendo? — Falou o homem, aparecendo na entrada da cozinha. Para a surpresa de Chad, ele não estava com o cano. Ele pensava que seria atacado de surpresa.

– Procurando comida, não está vendo? — Respondeu com frieza, e o homem soltou um suspiro.

– Não vai encontrar muita coisa. Eu peguei parte do que tinha nessa casa. — Chad piscou por dentro da máscara de gás.

– Certo. — Ele falou, fechando um outro armário que tinha aberto. — Então você se importa se eu ficar aqui?

– Não. — O homem abriu um sorriso amistoso, como se conhecesse Chad há tempos. — Fique à vontade.

Chad agradeceu com um simples balançar de cabeça e foi até a sala de estar. Sentou-se no sofá empoeirado que encontrava-se encostado à uma das paredes, e ficou esperando a nevasca passar. O outro homem sentou-se em uma poltrona no outro canto, olhando para o estranho.

– Então... — Ele falou, tentando uma aproximação amigável. — Qual seu nome?

– Oliver. — Mentiu Chad. — E o seu?

– Me chamo Bronwen. — Respondeu o homem moreno, abrindo um sorriso, como se aquela conversa valesse alguma coisa. — O que você estava fazendo lá fora, durante essa nevasca tão forte?

– Procurava minha esposa. — Respondeu Chad, agora com honestidade. — Não creio que ela tenha passado por aqui.

– É, não vi nenhuma mulher por aqui. — Bronwen desviou o olhar para a janela quebrada, observando a nevasca. — Estou nessa casa faz uns três dias... Creio que terei que sair daqui em breve. Você pegou os últimos alimentos que eu tinha.

– Me desculpe por isso, mas eu também preciso. — Falou, e Bronwen simplesmente concordou com um balanço de cabeça. — Mas me diga... O que pensa em fazer?

– O que quer dizer?

– Você está procurando por alguém, assim como eu? Ou procurando algum abrigo ou algo do tipo?

– Cara, tudo o que eu quero é viver e foda-se o resto. Eu só quero poder continuar vivo, mesmo que tenha que agir como um nômade.

– Por quê não tenta ir até uma dessas cidades onde têm os sobreviventes?

– Espera, o quê? — A voz de Bronwen saiu falhando. Seus olhos brilharam de esperança.

– Sabe, tem umas cidades que alguns militares dominaram e transformaram elas em abrigos para os sobreviventes. Não sei se são cidades inteiras ou somente parte delas, mas sei que lá as pessoas têm proteção.

– Acha que tenho chances de ir até uma dessas cidades? — Perguntou Bronwen, e Chad o encarou.

– Você seria morto antes mesmo de ver uma. — Respondeu Chad com frieza, e a alegria de Bronwen sumiu. — Aliás, eu vou indo...

– Já? — Perguntou Bronwen um pouco constrangido enquanto Chad se levantava e ia até o corredor da casa, já caminhando para a saída.

– Não viu? — Chad observou a paisagem de fora de casa. — A nevasca acabou.

Bronwen foi até a porta, e percebeu que Chad estava certo. A tempestade de neve já tinha terminado. Chad foi até a porta, subindo a minúscula ladeira de neve. Bronwen o observava, um pouco triste.

– Acha mesmo que eu morreria lá fora? — Ele perguntou, e Chad começou a se irritar.

– Na verdade, não. — Respondeu Chad quase que de imediato.

– Sério? Bom, então você não se importaria de eu ir junto com você, certo? — Chad permaneceu em silêncio. Bronwen retirou sua mochila e se agachou, olhando-a.

– Ei, Browen... — Chad sacou suas Desert Eagle e se virou, erguendo-as no ar e destravando-as. — Está frio hoje, não?

– É claro que está. Sempre est... — Bronwen não conseguiu completar a frase antes de ser morto. A cabeça de Bronwen se abaixou para frente, e Chad acertou um chute em seu peito para fazer o corpo cair para trás.

– Como eu disse, você não morreria lá fora. — Chad vasculhou a mochila, pegando alguns alimentos que Bronwen tinha. Então pegou seu aço e seu flint, raspou os minérios um contra o outro e fez fogo na ponta do aço, e com ele Chad queimou a mochila. Depois o fogo se espalhou para o corpo de Bronwen, e também o queimou.

O homem saiu da casa antes que ela toda se tornasse uma fogueira gigante, e voltou a caminhar pela neve.

E no frio mortal, tudo o que se podia ver era um vulto solitário caminhando pela neve.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.