Pesadelo | Amor Imortal 01
50 Capítulo 51
Ellylan estava sentada no chão daquele quarto escuro, suas pernas esticadas em sua frente já que havia se cansado de abraçar seus joelhos. Ela desejava dormir para não ter que ouvir seus próprios pensamentos, mas o sono havia a abandonado.
E desde que não desejava ver ninguém, Elly se sentou próxima a porta daquele comodo, pois assim poderia escutar qualquer pessoa que se aproximasse do seu quarto. Ela não sabia exatamente o que iria fazer caso alguém aparecesse desejando vê-la, mas se sentia mais segura ao estar ciente de que alguém entraria no seu quarto do que ser pega de surpresa.
Elly suspirou com certa raiva quando os pensamentos do seu passado desejaram invadir sua mente, sem saber mais o que fazer para se distraír, já que havia cantarolado todas as musicas que conhecia para sua mente nunca chegar no assunto que era indesejado, ela começou pensar em Maximus.
Ellylan não queria pensar em Maximus também, pois isso a machucava de alguma maneira que não sabia explicar. Mas entre seu antigo trabalho e o arcanjo que governava o inferno, ela escolheria sempre o anjo.
Olhando para a palma da sua mão, onde deveria existir uma ferida do dia em que Maximus a cortou, Elly se lembrou que nesse mesmo dia havia arrancado uma das penas brancas do arcanjo. Ela desejou sorrir quando a memória de Maximus a colocando como vitóriosa invadiu sua mente, pois isso não tinha causado nenhum dano ao arcanjo e mesmo assim ele pareceu estar muito orgulhoso ao escrever aquele bilhete.
Por um momento, Ellylan quis voltar para o seu antigo quarto para encontrar aquela pena e guardá-la com segurança, mas sair daquele lugar significava ter que enfrentar o mundo que não desejava lidar naquele momento.
Era realmente cômico pensar que no passado Elly achava que não aguentaria menos do que alguns dias no inferno, mas agora que meses haviam se passado e que ela havia conseguido criar uma nova vida com memórias maravilhosas, parecia ridículo desejar abandonar esse lugar.
No entanto, ela não sabia o que queria.
Ellylan sempre deixou claro para si mesma que alguma hora voltaria para o seu mundo, mas agora que esse mundo parecia ser algo próximo de um pesadelo, ela desejava ficar aqui. Ao lado de Maximus.
E por mais que ela não quisesse vê-lo naquele momento, Elly não queria se afastar do arcanjo nunca mais. Ellylan se sentia envergonhada e completamente desiludida por causa dessas memórias antigas, pois acreditava que Maximus havia lhe dado o presente de seu primeiro beijo, acreditava que o anjo seria aquele que daria tudo aquilo que nunca havia tido.
Mas essas memórias mostraram que Ellylan possuía uma vida cheia de... expêriencias.
E o que o arcanjo poderia lhe dar agora?
Deixar que Maximus sentisse pena dela era algo que ela não permiteria, então Ellylan decidiu que só saíria desse quarto quando estivesse realmente pronta para encarar essa verdade que a fez se sentir tão pequena. E encarar a realidade de que todos iriam saber sobre esse passado sujo.
A postura de Ellylan se tornou completamente rigida no momento em que ela ouviu passos no corredor, passos que diziam que estavam ficando próximo de seu quarto. Haviam pequenos sussurros também, mas Elly apenas os conseguiu ouvir quando as pessoas se deteram do outro lado da sua porta.
— Eu acho que nós a ofenderemos.— Era a voz de Patrick.— E Maximus provavelmente nos matará.—
— Você está com medo de Maximus?— O tom era cheio de deboche e Ellylan não precisava pensar para saber quem era dono daquela voz.
— Ele pode acabar com nossas vidas em questão de segundos!—
— Vamos ignorar isso por em quanto e fingir que somos corajosos.— Gate falou.— Ellylan poderá se sentir melhor.—
— Sério?— Patrick foi ironico.— Como isso pode fazê-la se sentir melhor?—
— Não seja um covarde, Patrick, Maximus irá nos agradecer futuramente.—
— E como vamos fazer para entregar a ela?— O tenente ruivo perguntou.— Ellylan não deseja nem ao menos ver Maximus, quem dirá nós.—
A resposta demorou para vir, o que demonstrou que Gate estava pensando.— Vamos bater e deixar o presente aqui.—
Presente?
Oh, Ellylan realmente não desejava ver o que era, pois nada o que vinha de Gate poderia ser agradável.
— E se alguém passar e pegá-lo?— Patrick perguntou.
— Então outra pessoa nos agradecerá.— Gate falou rapidamente.— Apenas deixe isso ai e vamos embora.—
O silêncio surgiu novamente entre os tenentes e depois de alguns segundos, uma batida calma em sua porta surgiu para quebrar a quietude daquele quarto. E logo em seguida, ela pode ouvir o som de passos se afastando da sua porta para que os sussurros que Elly não podia decifrar voltassem, mostrando que Gate e Patrick iniciaram uma nova conversa em quanto iam embora.
Ela não sabia ao certo se deveria abrir aquela porta e pegar o “presente” daqueles tenentes, ainda mais quando Patrick estava com medo de Maximus. Mas sem ter o que fazer desde que sua curiosidade era maior do que seu desejo de ignorar o que os soldados do arcanjo haviam deixado em frente de sua porta, Ellylan esticou um dos seus braços até a maçaneta para poder virá-la e quando o fez, ela abriu o suficiente para poder ver o que Gate e Patrick haviam deixado para trás.
Era uma sacola de papel negro com uma seda vermelha que saia pelas bordas dela e um laço que a lacrava do mesmo tom. Ellylan não conseguiu deduzir nada sobre aquilo, apenas que era algo pequeno. Esticando seu braço para pegar a sacola deixada lá para ela, Ellylan se fechou em seu quarto novamente depois de trazer o seu presente para dentro.
Elly foi cuidadosa ao abrir seu pacote, não permitindo que a seda vermelha rasgasse quando qualquer outra pessoa não se importaria com ela. E quando Ellylan desatou aquele lindo laço para ver o que existia lá dentro, seus olhos se arregalaram ao mesmo tempo que seu coração começava acelerar dentro de seu peito.
No momento em que sentiu suas bochechas ficaram quentes, o único movimento que Elly fez foi jogar aquela sacola para longe dela.
Por que você está olhando para aquela lingerie tão bonita, Milady?
Será que você estava pensando em Maximus?
As palavras de Gate e Patrick se debataram em sua mente rapidamente quando Ellylan se lembrou de quando foi para a dimensão de Dimitrius procurar por vestidos. Ela havia sido tão descuidada ao observar aquela lingerie azul com rendas negras que os tenentes não perderam a chance de zombar dela.
Ellylan começou a rir, não acreditando que dentro daquela sacola estava justamente aquela lingirie que havia admirado e lembrado de Maximus devido a cor tão linda que possuía, a cor que era exatamente igual aos olhos do arcanjo do inferno.
Naquele momento, Elly teve a certeza de que morreria nas mãos de Patrick e Gate caso ela não os matassem primeiro. E ela nem ao menos podia se sentir ofendida quando aquele presente havia sido entregue de forma inocente. De maneira alguma os tenentes estavam a ofendendo devido ao seu passado.
E pela pequena conversa, Ellylan pode ter a certeza de que provavelmente todos os tenentes de Maximus sabiam sobre o que ela fazia em sua vida humana. Ela não estava surpresa por causa disso e por mais que não gostasse, Elly entendia que existia uma lealdade muito grande entre Maximus e seu tenentes para algo ser escondido entre eles.
Ela estava se sentindo exposta naquele momento, ainda mais quando sabia que fofocas existiam naquele castelo e diversas pessoas já deveriam estar cientes sobre o seu passado. Esse pensamento, fez com que Ellylan desejasse chorar, ainda mais quando sabia que nada seria escondido de Meridius e Dimitrius.
Ellylan não queria ser o tipo de pessoa que se importava com o que os outros iriam pensar sobre ela, Elly realmente queria parar de ser um problema e deixar que toda a atenção fosse focada em Niffie, que ninguém se preocupasse com ela, mas era impossivel não se sentir humilhada e o fato de não querer ver ninguém fazia com que Maximus se preocupasse.
Horas se passaram em quanto ela ficou pensando sobre tudo e quando caiu em si do quanto de tempo havia se passado, Elly colocou a sacola ao seu lado com cuidado, pois sua intenção era de se levantar e caminhar direto para a sua cama em uma tentativa inútil de dormir, mas antes que fizesse qualquer movimento, ela ficou completamente paralisada quando uma pequena pontada nasceu em sua cabeça.
Uma caricia, não uma pontada que a incomodava.
Maximus.
E antes mesmo que pudesse pensar sobre o que aquilo significava, Ellylan pode escutar o som de passos não muito longe do seu quarto, mas que logo se tornaram próximos. Aquelas pontadas que eram apenas caricias em sua mente aumentaram ainda mais e se ela fosse um pequeno gatinho, Elly provavelmente estaria ronronando naquele momento.
— Ellylan...— Um sussurro rouco que fez com que ela tivesse a certeza de que Maximus estava muito próximo da sua porta. Isso não a fez ficar desesperada, pois sabia que o arcanjo do inferno respeitaria o fato dela desejar ficar sozinha e não invadiria aquele quarto mesmo que quisesse aquilo.— Eu tenho muito com o que lidar,— Maximus vacilou por um momento, como se estivesse arrependido por suas palavras, mas ela não o julgava. Niffie havia desaparecido — Sequestrada por demonios — Enquanto Ellylan se trancava como uma menina mimada em seu quarto.— Eu não queria que você estivesse distante de mim.—
Ela também não queria.
Mas como Ellylan poderia encarar Maximus quando sabia que o sentimento que existia em seu coração não era tão puro como imaginava?
Ela havia pensando diversas vezes que o anjo seria aquele que a ensinaria tudo o que estava envolvido quando duas pessoas se gostavam e isso deixou Elly tão feliz que era dificil responder se existiria outra pessoa para tal coisa. No entanto, essa felicidade havia sido uma mera ilusão.
E isso era o que a machucava, o que a fazia se sentir sozinha mesmo quando sabia que existia um homem do outro lado da sua porta que a protegeria de qualquer maldade.
Elly ficou em silencio e esperou até que Maximus se convecesse de que ela não abriria sua porta já que sabia que não podia enganá-lo com aquela história de que estava apenas dormindo. O arcanjo do inferno, assim como seus irmãos, tinham total acesso a sua alma e eles sabiam exatamente quando Ellylan estava dormindo ou não.
Era uma pena que nesses momentos as chances de mentiras fossem minimas.
Uma humama tão comum como ela não possuía nenhuma habilidade perto desses imortais tão velhos. Talvez Elly não fosse uma humana tão comum assim, mas ela ainda era considerada dessa maneira e ninguém mudaria isso.
Ellylan desejou rir novamente, um riso irônico que não possuíria nenhum rastro de alegria. Afinal, com tantas coisas acontecendo, como ela poderia encontrar a felicidade?
Elly realmente desejava saber responder essa pergunta, mas ela não sabia.
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