Quando Maximus havia dito que Ellylan dormiria bem próxima a ele, o arcanjo não havia falado nenhuma mentira. Na verdade, Elly havia ficado surpreendida quando estava saindo de seu novo quarto para procurá-lo e deixar claro sua infelicidade sobre ter que dormir tão longe dele e acabou se deparando com o anjo de frente com sua porta.

Ela ainda estava com raiva do arcanjo do inferno por causa de tê-la obrigado a falar coisas que não queria e depois ter agido como protetor, então foi curta e grossa ao perguntar o que Maximus estava fazendo ali. Sua respostas foi simples e a deixou ainda mais surpresa.

O arcanjo do inferno estaria passando a noite diante da porta dela para ficar de guarda.

É claro que Ellylan não dormiu mais naquela noite.

No entanto, Maximus provavelmente havia notado sua eufória por causa daquela informação e nas noites que se passaram, foram seus tenentes que ficaram plantados na frente de sua porta.

Elly não considerava aquilo correto, principalmente quando viu as várias expressões mal humoradas que recebeu quando abria sua porta, isso a fazia fachá-la rapidamente e voltar para sua cama antes que a pouca paciencia que existia nos tenentes acabasse e eles a espancassem. Ela considerou diversas vezes em falar para Maximus desistir dessa ideia, mas ainda existia o medo que não a deixava falar.

A pessoa que causou aquele assassinato não havia sido descoberta ainda, então Ellylan tinha medo até mesmo de ficar sozinha em algum lugar. E Maximus, que se demonstrou muito protetor, não permitia que isso acontecesse. Ele sempre ou seus tenentes, sempre estavam próximos dela.

Os treinos durante as manhãs continuaram sem nenhuma piedade da parte do arcanjo, ele tentava bravamente ensiná-la a fazer alguma coisa certa, mas seu mal humor acabava com qualquer bondade que existia em seu coração e o corpo de Ellylan acabava encontrando o chão mais vezes do que podia contar.

E o pior não era suas dores que a faziam ter vontade de gemer a cada movimento, o pior de todo esses treinamentos era saber que até agora eram em vão desde que Maximus não conseguia atravessar os escudos de sua mente.

Na verdade, Ellylan já não possuía mais esperanças de que algum dia poderia voltar para sua casa e encontrar suas memórias. Ela já estava começando a se conformar com a ideia de que morreria naquele lugar, envelheceria em quanto todos continuariam jovens.

E quando o tempo chegasse, ela morreria como Ellylan.

Como uma humana que havia aparecido no inferno sem nenhuma explicação.

Esse não era o final que ela desejava receber, principalmente quando via Maximus todos os dias, quando ele sorria para ela sem nenhuma dificuldade. Ellylan já não sabia mais se algum dia ficaria bem sem as provocações do anjo que a irritava mais do que ver Katherine e suas expressões esnobes.

E tudo piorava quando Maximus passou a ignorar, para variar, tudo o que aconteceu entre eles quando ficavam a sós.

Ela não deveria ficar com raiva sobre isso já que era assim que era o arcanjo. Ele sempre ignoraria os momentos que demonstrava sua bondade como se nunca tivesse existido, mas era tão dificil fingir que nada acontecia...

Ellylan levantou de sua cama e saiu de seu quarto para encontrar um dos gêmeos encostado na parede de frente com sua porta, ela não desejava incomodá-lo, mas se ficasse em seu quarto pensando sobre sua morte em meio de imortais, provavelmente a loucura a atingiria antes mesmo que percebesse.

Pela cara ainda mais fechada do soldado, tudo indicava que esse era Bryan.

Ellylan finalmente havia descoberto os nomes dos gêmeos e ficou decepcionado ao perceber que apesar das ultimas letras serem as mesmas, elas não rimavam. No entanto, ela foi capaz de conhecer melhor esses dois homens que eram mais fechados do que qualquer outro tenente de Maximus. Até mesmo Derek se demonstrou ser um tagarela quando o assunto eram armas de fogo, mesmo que não entendesse nada sobre o assunto, pelo menos o soldado conversava com ela.

No entanto, dos gêmeos, Nyan, de uma maneira estranha, era o mais gentil. Ele cumprimentava Elly todas as vezes que ela saia de seu quarto em uma surpreendente educação e até mesmo respondia algumas perguntas pessoais básicas sobre ele e seu irmão.

Foi dessa maneira que ela descobriu o nome deles.

Mas Bryan era diferente, ele sempre estava com cara fechada e a respondia apenas quando era necessário. Ele parecia não gostar muito de Ellylan, então ela fazia possível para não incomodá-lo, principalmente quando estava cumprindo uma ordem de Maximus que não o agradava.

— Você poderia me levar até Diane?— Elly perguntou com certo medo quando o soldado encontrou os olhos dela para fazê-la ver que apenas existia raiva ali dentro.

O soldado acenou com sua cabeça ligeiramente e se virou para começar a andar, Ellylan, que sabia que ele não a esperaria se ficasse para trás, o seguiu o mais rapido que pode para acompanhar seus passos longos para chegar até o quarto de Diane.

E quando o tenente parou próximo a uma porta em um corredor tão igual aos outros, ela soube que ali era o quarto daquela que era conhecida como irmã de três arcanjos.

Ellylan acenou com sua cabeça para Bryan para agradecê-lo, sabendo que se caso viesse a falar qualquer palavra, ele a ignoraria como sempre fazia. Então preferiu se comunicar com o soldado da mesma maneira que ele fazia. Após ter certeza de que ele tinha visto seu agradecimento, Elly entrou no quarto de Diane sem ao menos bater.

Por um momento, um leve sentimento de arrependimento a atormentou, pois Ellylan sempre fazia isso com Maximus para provocá-lo, não porque era mal educada. No entanto, ela se xingou mentalmente por ter feito isso com Diane.

A irmã do arcanjo não precisava ter ideias ruins de que Ellylan também havia esquecido os bons modos. Mas assim que Elly entrou no quarto dela, Diane reagiu de uma maneira tão diferente da de Maximus que a parte em que eles eram apenas meios irmãos se concretizou em sua mente.

— Ellylan!— Ela disse animadamente, quando Maximus teria a chamado de imprudente. Mas assim que Diane encarou Elly melhor, seu animo desapareceu em questão de poucos segundos.— Por que está com essa expressão tediosa?—

— Estou cansada de ficar em meu quarto.— Ela decidiu ser sincera, pois as únicas vezes que saia daquele lugar era para seu treinamento com Maximus e algumas vezes para jantar aquela comida hororrosa que a cada dia parecia perder mais ainda o gosto. Não tinha como omitir a verdade dessa pergunta.— E todas as vezes que tento fugir dele encontro uma expressão mal humorada de algum tenente de Maximus.—

— Oh,— Diane disse com certa surpresa, se movimentando na cadeira que estava sentada com gestos delicados.— Maximus não deveria manter seus soldados a seguindo durante o dia também.—

— Ele é muito... protetor.— Ellylan falou, franzindo o cenho quando falou sua ultima palavra.

— Apenas quando você está envolvida na questão.— Um pequeno sorriso surgiu nos lábios finos de Diane.

— Mas...—

— Eu tive ideia!— Diane se levantou rapidamente, se afastando da cadeira para se aproximar de Ellylan ao mesmo tempo que a cortou e a assustou com sua exclamação tão repentina.— Você sabe, o inferno não é tão horrivel quanto parece...—

— Não?— Elly perguntou com certa ironia, pois ela já havia perdido as contas de quantas vezes quase morreu.

— Não.— Diane a respondeu.— Existem lugares lindos, muito lindos. Só porque o inferno é conhecido como um lugar ruim, não quer dizer que possua lugares apenas horriveis.—

— Você irá me levar a um lugar bonito?—

— Na verdade, não.— Diane falou, deixando Ellylan desanimada novamente.— Estou ocupada.—

— Mas você não estava fazendo nada...—

— Nunca diga que uma mulher não esta fazendo nada quando ela está pensando, Ellylan.— Diane disse severamente.— Mas eu conheço a pessoa perfeita para mudar sua opinião sobre o inferno.— Ela sorriu, um sorriso diabolico ao mesmo tempo que era satisfatório.

Diane pegou a mão de Ellylan e nem ao menos lhe deu a chance de perguntar o que estava fazendo, pois quando ela se deu conta do que estava acontecendo, a irmã de Maximus estava a puxando para fora de seu quarto.

Bryan, que estava do lado de fora do quarto, a espera de Ellylan, olhou para as duas em quanto elas passavam por ele, mas quando Elly lançou um olhar ao soldado como um pedido de ajuda, ele a ignorou e deixou que Diane a puxasse por aquele corredor que não parecia ter fim.

Ellylan estava com certa dificuldade para acompanhar os passos de Diane desde que ela possuía pernas compridas e nada a deixou tão feliz quando a irmã do arcanjo parou de caminhar. Mas Elly paralisou quando percebeu onde estava. Haviam poucos lugares que ela havia decorado, mas ela sabia de cor quando se tratava dos locais onde Maximus passava a maior parte de seu tempo. Saber chegar até esses lugares era uma questão complicada, mas quando estava diante deles, ela os reconhecia muito bem, sempre por um objeto ou por um mero detalhe que diferenciava um corredor do outro, talvez eles nem fossem necessários para saber onde estava, mas Elly gostava de imaginar que eram por causa desses objetos chamativos que existiam pelos corredores, não porque havia decorado cada detalhe do local .

Ela sabia, sem ninguém precisar dizer, que estava de frente com o escritório de Maximus.

Diane puxou a mão de Ellylan até que seu corpo fosse para frente do seu e antes que ela pudesse recobrar seu equilibrio por causa do impacto, a irmã mais nova de Maximus abriu a porta daquele escritório que Elly não desejava entrar e a jogou lá dentro. Suas únicas palavras antes de fechar a porta e abandoná-la naquele lugar sozinha com um arcanjo que possuia um humor perigoso, foram:

— Peça a ele!—

Maximus estava sentado atrás de sua mesa que ficava no centro daquele escritório, atrás dele uma janela tao grande que nem ao menos poderia ser denominada assim quando era apenas uma parede que ao invés de possuir um material concreto, possuía apenas um vidro. O arcanjo, que estava ocupado com alguns papéis e fazendo anotações, olhou para cima no momento em que Diane jogou Elly lá dentro e fechou a porta para que não saísse. E quando ela tentou mexer na maçaneta para sair antes que o anjo perguntasse o que estava acontecendo, tudo indicou que Diane estava do lado de fora a segurando.

— O que está fazendo?— Maximus perguntou, não escondendo sua curiosidade ao levantar seu olhar daquelas folhas para encontrar uma Ellylan desesperada para sair daquele local.

— Diane me jogou aqui.—

— Eu pude notar isso.— O arcanjo falou de maneira seca, fazendo Ellylan desconsiderar qualquer ideia de ser educada para lhe pedir algo, pois mesmo que estar próxima de Maximus deixasse seu coração palpitando, ela desejava sair daquele castelo.

Ellylan gostaria de conhecer que lugares bonitos eram esses que Diane falará.

— Sei que existe um plano de Diane por trás disso,— Maximus falou de maneira mais gentil agora, parecendo um felino que gostaria de brincar ao invés de derramar sangue.— Você irá falar para mim o que é, Elly?—

— Não.— Ela usou a mesma grosseira que o anjo loiro usou, sua intenção era de fazê-lo se arrepender por tê-la tratado tão mal.

— Então você pode sair.— Ele disse friamente, voltando seus olhos para as folhas que estava entretido antes dela aparecer.— Diane não está mais segurando a porta e Bryan está a esperando para levá-la até seu quarto.—

Ellylan movimentou sua boca para dizer algo, mas a surpreendente grosseria de Maximus conseguiu a calar como se ele tivesse jogado água gelada em sua cara.

Como ela pode achar que ele ao menos parecia um felino?

Felinos eram gentis e fofos, Maximus era um crapúla sem coração!

— Não fique me olhando com esses olhos grandes.— Ele completou sua frase, completou ainda mais a sua falta de educação. No entanto, Ellylan sentiu uma raiva anormal crescer dentro dela. E para sua felicidade, era essa raiva que a fazia agir diante de imortais que poderiam acabar com sua vida em questão de segundos, mesmo que os poderes mentais deles não funcionassem nela.

Ela deixou de estar próxima daquela porta fechada para ir até a mesa do arcanjo, ele foi obrigado a encontrar os olhos dela no momento em que Elly arrancou os papeis que estavam em suas mãos e os picou para jogar em direção do anjo loiro, que agora estava ainda mais irritado.

Maximus se movimentou em uma velocidade surpreendente para se levantar de sua cadeira e quando Ellylan tentou se afastar para que ele não quebrasse seu pescoço e arrancasse seu coração, o anjo a segurou por um de seus pulsos e a puxou para que ficasse próxima de seu rosto até onde aquela mesa permitia.

Seus dedos quentes em sua pele eram fortes e deixavam um aviso claro de que ele poderia quebrá-la se assim fosse seu desejo. Mas Elly sabia que isso jamais aconteceria e essa verdade era ainda mais assustadora do que estar ciente da sua fragilidade diante do arcanjo do inferno.

A prova disso foi quando o anjo loiro suavizou seu aperto em seu pulso por causa de sua cicatriz, onde sua pele era sensível por causa desse antigo corte que até agora ela preferia fingir que não possuía nenhum significado.

— Eu lhe darei a chance para dizer o que a trouxe aqui.— Ele avisou.— E se não for boa o suficiente, irei rasgá-la ao meio exatamente como fez com meus papéis.—

— Você não precisa ser tão estupido!— Ellylan exclamou, tentanto puxar seu pulso para se soltar, mas tudo o que quase ganhou foi sua mão arrancada por causa do impacto quando Maximus não cedeu nem um pouco o aperto.

— Eu sempre tive curiosidade para sentir o gosto do sangue humano, então...—

Elly congelou.

— O que?— Seus olhos se arregalaram.

— Eu nunca lhe disse que o prato favorito de arcanjos pode ser o sangue?— Maximus perguntou calmamente, uma sobrancelha arqueada.— Peço desculpas por meu equívoco.—

— O que?!— Ellylan tentou novamente se soltar, dessa vez o desespero acertou seu corpo em cheio e mesmo quando não conseguiu se livrar da mão de Maximus, ela continuou se xacoalhando.

No entanto, seus movimentos deixaram de existir quando o arcanjo em sua frente deixou sua expressão séria de lado para rir.

Ele a havia enganado.

Novamente.

— Idiota!— Ela cuspiu a palavra, seus dedos coçaram para acertá-lo em algum lugar.

— Não ofenda um arcanjo, Elly.— Ele disse, semi cerrando seus olhos tão azuis e lindos.— Você pode se arrepender por isso.—

— Vá para o inferno!—

— Me diga por que Diane a trouxe até aqui e eu penserei sobre isso.— Ele a soltou e se sentou novamente, mas não deixou o olhar de Ellylan dessa vez.— Não se esqueça que posso perguntar a ela e uma versão totalmente diferente da sua pode chegar aos meus ouvidos.—

Ellylan suspirou em derrota, pois sabia que a versão de Diane seria muito mais fantasiosa do que real.

— Eu estava cansada de ficar em meu quarto e fui até Diane,— Elly disse a verdade e sem enrolação.— Ela falou que existiam vários lugares bonitos aqui e quando perguntei se ela poderia me mostrar, sua resposta foi que estava ocupada e logo em seguida me fechou aqui dentro para que pedisse a você que me levasse em algum desses lugares.— Ela finalizou e olhou para o anjo ao invés de encarar um ponto fixo logo atrás dele.

— É apenas isso?— O arcanjo perguntou como se esperasse por mais, uma pequena ruga cresceu em sua testa que era escondida por seus cabelos dourados.

— O que você achou?— Ela não foi gentil.— Que eu estava aqui para matá-lo e ocupar seu lugar como arcanjo do inferno?!—

— Isso combina mais com sua personalidade, Elly.— Um pequeno sorriso provocador cresceu em seus lábios.

Ellylan revirou seus olhos como resposta, mas quando o sorriso de Maximus apenas cresceu, ela voltou a falar.— Estou saindo agora.—

— Espere.— O arcanjo falou quando ela se moveu em direção da porta, a fazendo parar onde estava e encontrou os olhos dele novamente.— Eu posso levá-la à um lugar bonito.—

— Por que você faria isso?— Ellylan perguntou, pois Maximus demonstrou estar ocupado nos ultimos dias, já que o via com menos frequencia do que antes. Na verdade, não existiam motivos para um arcanjo deixar suas obrigações de lado para levar uma humana em um passeio. Principalmente quando esse arcanjo era experiente em ignorar tudo o que ocorria entre eles que poderia ser considerado como algo... bom.

A resposta do arcanjo foi dar de ombros ao mesmo tempo que sua expressão se tornava gentil, mas Maximus percebeu que ela precisava de uma resposta.

— Imagino que um passeio irá torná-la mais dócil.— Ele falou provocadoramente.— Trancar um bichinho de estimação apenas o deixará mais selvagem.—

Ellylan deveria ter ficado realmente ofendida por ser chamada de bichinho de estimação, e se não bastasse, de selvagem. Mas todo o seu interior se agitou ao ver que o arcanjo estava brincando com ela novamente, todas as borboletas que adormeciam em seu estomago acordaram com uma eletricidade esmagadora que Ellylan não pode ser capaz de esconder seus sentimentos.

Ela sorriu.

Pela primeira vez desde que encontrará o arcanjo, Ellylan estava sorrindo para esse anjo que deveria ser temido, que deveria fazê-la se sentir apavorada ao invés de causar esses sentimentos. Sentimentos indefinidos, pois eram tantos que se manifestavam quando Maximus a tratava como algo além de humano, que ela nem ao menos conseguia citar qualquer um deles.

— Ai está algo que eu realmente gostaria de ter visto antes.— O anjo loiro se tornou sério, mas seus olhos demonstravam carinho. Na verdade, ele olhou para Ellylan como se ela fosse algo realmente único.

Isso a deixou um pouco constrangida, pois nem mesmo quando o arcanjo a viu apenas de roupas intimas ele a olhou dessa maneira.

— Então...— Ela murmurio, procurando algo para falar, mas falhou quando ficou hipnotizada pelos olhos do arcanjo.

— Eu preciso me encontrar com meus irmãos para resolver alguns assunto.— Maximus falou quando percebeu seu constrangimento.— Voltarei antes do anoitecer e a levarei para algum lugar bonito.—

— Isso é uma promessa?— Elly perguntou, inclinando sua cabeça para o lado.

— Sim,— O arcanjo falou calmamente.— É uma promessa.—

Ellylan saiu do escritório de Maximus assim que teve a certeza de que ele a levaria para qualquer lugar longe do castelo, mas quando pensou que encontraria Bryan diante da porta, foi Gate quem estava a espera dela. Seu pequeno sorriso se desmanchou quando viu o do soldado.

Seu desejo era de voltar para o escritório de Maximus.

— Parece que alguém terá um encontro essa tarde,— Ele disse com ironia cortante.

— Cale-se.— Ellylan falou, se colocando em frente dele para caminhar, mesmo não sabendo onde era seu quarto.

— E é alguém que acha Maximus muito bonito...— Gate completou sua frase, não a deixando esquecer do que ocorreu no dia em que o arcanjo foi com seus soldados até ela para saber o que havia acontecido na noite em que toda sua alma quase se partiu.

— Você seria muito mais feliz se não cuidasse da vida dos outros, Gate.—

— Não, Milady, eu não iria.— Ele caminhava atrás dela, a guiando mesmo quando ela andava em sua frente sem saber onde ia.— Fofocas dão vida a esse castelo.—

— Eu espero que Maximus corte a garganta de todos esses fofoqueiros.— Ellylan murmurio e acabou sendo surpreendida com sua agressividade.

— Maximus? Ele adora fofocas!— Ele se fingiu de tolo.— Principalmente quando se trata do que uma certa humana pensa dele.—

Ellylan parou de caminhar para se virar na direção de Gate, encontrando aqueles olhos marrons, que lembravam chocolates, ela não pode resistir à pergunta que se formou em sua mente.

— Maximus pergunta sobre mim?—

Gate sorriu ironicamente, seus olhos brilharam com humor e Elly soube no mesmo momento que não deveria ter feito aquela pergunta ridícula.— Pensei que você odiasse fofocas, Milady.—

***

Ellylan se sentou em sua cama no momento em que fechou sua porta, na cara de Gate, e caminhou até ela, ainda era manhã e até a tarde iria demorar muito, mas como ela não possuía nada para fazer, sua única opção foi se manter dentro de seu quarto. Elly estava muito anciosa para sequer fechar seus olhos e dormir um pouco, então tudo o que fez foi esperar por Maximus até que ele chegasse.

Ela esperou por horas.

Esperou até mesmo quando a manhã passou.

Esperou durante a tarde toda

E esperou até mesmo quando aquela noite sem nenhuma estrela se aproximou do céu para deixar tudo o que existia fora do castelo em total escuridão.