Pesadelo | Amor Imortal 01
14 Capítulo 14
Maximus estavaobservando seu próprio reflexo no espelho que ocupava uma parede inteira do seu banheiro, o anjo olhava para suas asas estendidas em seu comprimento maximo para se certificar que dessa vez não possuía mais nenhuma parte do corpo de Edward ou sangue sobre elas.
Quando o sangue entrava em contato com suas penas brancas, era quase impossivel de retirá-lo e por causa disso, o arcanjo teve que tomar três banhos para tirar toda a sujeira de Edward e até mesmo seu próprio sangue.
Os pregos ainda estavam presos em seus músculos, pois existiam duas opções para tirá-los e nenhuma o agradava. No momento, se certificar de que suas penas não estavam manchadas era o suficiente antes de passar para o próximo passo. Sua única opção era ir até Diane para cuidar de suas asas, mas ela não estava presente no paraíso para tirar aqueles pregos que estavam ainda mais presos em seus músculos devida a cicatrização em volta deles.
Ele não podia acreditar que...
Maximus sentiu uma forte vibração no interior de sua mente, tão forte quanto aquelas que apenas sentia quando seus irmãos estavam próximos. Mas diferente da alma deles, essa estava totalmente destruída e cheia de medo, cheias de ondas sonoras que mostravam uma misturança de sentimentos indefinidos... Infelizmente, só existia apenas uma pessoa que podia se escutar esses sons de sua alma em pedaços.
O anjo se afastou do espelho para colocar suas calças para evitar qualquer constrangimento à Ellylan, sabendo que ela nem ao menos iria bater em sua porta antes de entrar para lhe dar tempo de se vestir. Bater em sua porta deveria estar no topo de sua lista, já que aquela humana ao vê-lo sem camisa teve uma reação muito diferente do que Maximus esperava. Ouvir o coração dela acelerar como a de um coelho assustado e evitar que seus olhos fossem para a perte de sua corpo nu estava a deixando louca naquele dia e isso divertiu o arcanjo de uma maneira que foi realmente dificil de não demonstrar o que sentia.
Na verdade, Maximus sabia que Ellylan estava se apegando a ele de uma maneira que deveria ser proibida, mas o arcanjo não podia negar que ela criasse alguma ligação com ele quando podia sentir como estava sua alma. Porém, não podia se enganar que gostava quando Ellylan o via apenas como um simples homem. Não como o governador do inferno, um lider temido ou alguém que possuía asas.
Ela o via apenas como Maximus.
E nem mesmo o arcanjo podia cortar essa ligação quando se sentia um monstro em considerar isso correto. Pois se existia algo que o fazia se lembrar de sua mãe quase todos os dias, é das vezes que ela sempre dizia que machucar alguém com seu interior já ferido era pior do que uma tortura que durasse anos. Maximus não podia acreditar que podia ter esquecido algo tão importante quando encontrou Ellylan pela primeira vez, não podia acreditar que havia se tornado tão fraco em questão de liderar o seu próprio reino.
O anjo havia esquecido todos os valores que aprendeu durante toda sua infancia até a vida adulta, ele estava vivendo em meio de tanta maldade que isso o fez virar o próprio mau, se esquecendo do significado de ser um lider. E para piorar toda sua situação, não foram seus irmãos ou tenentes que fizeram ele enxergar isso, mas sim a chegada de uma simples humana. Então, de maneira alguma Maximus poderia cortar os laços que ela estava formando sobre ele, não quando o anjo estava grato por ela tê-lo ajudado de alguma forma estranha.
O arcanjo não teve tempo algum em fechar o botão de seus jeans depois de erguer o ziper, pois Ellylan já estava dentro do quarto e caminhando em direção do banheiro antes mesmo que ele tivesse a chance de fazer outro movimento.
Maximus devia ter fechado a porta do banheiro desde o momento que entrou nele, pelo menos assim ele teria a chance de colocar suas roupas quando ela fosse obrigada a ter que bater em sua porta. Afinal, ele estava ciente de que Ellylan não entraria em seu banheiro com a porta trancada. Existiam limites em sua mente que não a permitiam ser tão liberal.
O anjo se virou em sua direção quando ela parou antes de atravessar a porta, procurando encontrar os olhos dela, algo totalmente impossivel já que Ellylan olhava para o seu peito nu. Suas bochechas coraram levemente por causa da visão, mas quando os olhos claros desceram por todo seu abdomen até chegar ao seu botão não fechado, foi o momento em que seu coração explodiu em milhares de batidas.
— Bater na porta faz parte de uma boa educação, Ellylan.— o anjo decidiu provocá-la, fazendo com que ela deixasse de observá-lo para encontrar seus olhos rapidamente.
— Talvez eu tenha me esquecido o que é uma boa educação também.— Ela o respondeu com um mal humor nitido, mas que em questão de segundos desapareceu de seu olhar. Seus olhos azuis foram até suas asas abertas, fazendo com que Maximus as fechasse em suas costas para que ela não visse a quantidade de pregos que tinha o atingido.
Ele estava feliz por Ellylan estar bem depois da quantidade de sangue que havia perdido e na confusão que causou ao tentarem lhe dar pontos, mas não desejava que ela ficasse ainda mais horrorizada em ter uma noção de quantos pregos Edward havia engolido, Maximus não desejava que ela tivesse conhecimento da pior parte de seu mundo.
— Por que você não tirou esses pregos?— Ela perguntou.
— Porque Diane não está aqui para me ajudar.— Maximus a respondeu, observando o curativo que haviam feito em seu pescoço, que já estava sujo de sangue pela falta de pontos.— Eu podia derretê-los, mas isso seria ainda mais complicado do que simples.—
Ellylan o olhou horrorizada, provavelmente notando que ele não se importava com a dor que aquilo causaria, mas sim de como seria dificil de retirar o metal derretido de suas penas.
— Você disse que não se importa com as pessoas tocando suas asas.— Ellylan o lembrou.— Por que não pede para alguém desse lugar?—
— Eu não me importo, mas os outros se importam.—
— Não consigo compreender isso...— Ela murmurio, demonstrando sua confusão ao abaixar seus olhos, mas rapidamente os erguendo por encontrar o corpo de Maximus quase nu.
— Se eu pedir para uma mulher me ajudar, ela pensará que estou apaixonado por ela.— O anjo deu de ombros.— Quando se trata de asas, não é apenas algo profissional.—
Ellylan franziu o cenho, achando um ponto fixo no chão para olhar em quanto pensava sobre isso para não olhar o botão aberto de seu jeans. Um leve sorriso esboçou no rosto do anjo, pois a maneira que ela evitava aquilo estava obvia para quem desejasse ver.— Então asas não são apenas asas.—
— Não.— Maximus sorriu de verdade agora ao se lembrar de como Dimitrius era quando se tratava desse assunto, não só ele como vários outros anjos.— Definitivamente não.——
— Bem,— Ela encontrou seus olhos novamente.— Eu não pensarei que você está apaixonado por mim se me permitir ajudá-lo.—
Maximus a encarou por segundos, não sabendo o que dizer naquele momento. Pois o sonho de todas as mulheres que existiam nas dimensões eram de tocar em suas asas, senti-las ao redor de seu corpo ou simplesmente saber que aquilo pertencia a elas, não de arrancar pregos em quanto o dele sangue escorreria por suas mãos.
— Você tem certeza?— Ele perguntou.
— Sim, é claro que tenho.— Ellylan se aproximou mais da porta.— É o minimo que posso fazer depois de... tudo.—
O arcanjo viu que ela quase mencionou o fato dele tê-la abraçado mais cedo em quanto a protegia dos pregos, mas obviamente não estava pronto para admitir aquilo em voz alto pelo fato de não saber como ele reagiria, e o anjo ficou satisfeito pela exclussão do assunto, pois Maximus realmente não saberia o que dizer sobre aquilo. Afinal, o abraço não possuíu nenhum significado a ele, mas para Ellylan as coisas já eram diferentes.
Era obvio que Maximus não era do tipo que abraçava uma pessoa sem motivos, muito menos aquela que conhecia apenas alguns dias, mas naquele momento quando Ellylan tentou dizer seu nome e não conseguiu, o anjo sentiu toda a sua alma iria se estilhaçar com o medo de tudo que estava vivendo. Ele a abraçou porque ela precisava daquilo para não permitir que tudo acabasse em uma escuridão cheia de pavor.
Maximus não disse nenhuma palavra, apenas se virou novamente para o espelho que antes observava com a intenção de abrir suas asas, mas quando Ellylan entrou finalmente no banheiro, ela ficou novamente paralisada ao ver seu próprio reflexo no espelho.
Os lábios dela se entreabriram e até mesmo sua respiração se tornou mais pesada quando seus olhos azuis percorreram toda a extensão de seu rosto, parando demoradamente em suas sardas que quase não se destacavam na região abaixo de seus olhos e nariz. Aquela humana estava vendo seu reflexo pela primeira vez desde que esqueceu quem realmente era, como era o seu rosto, seu corpo. Ellylan estava se conhecendo naquele momento. E o anjo permitiu que aquilo acontecesse.
— Imagino que errei imensamente ao retirar o espelho de seu quarto.— Maximus voltou a falar, encontrando o olhar dela no espelho.
— Você não fez isso por maldade.— Ela falou em um tom baixo, voltando a olhar para seu próprio reflexo.— Mas é realmente bom saber quem sou eu.—
— Seu rosto é apenas uma casca que protege sua alma, o seu verdadeiro eu.— O arcanjo disse, escondendo que apenas os arcanjos podiam ter acesso à almas de todos que estavam próximos deles. Talvez fosse por esse motivo que Maximus não podia cortar a ligação que ela estava formando com ele, pois o anjo podia sentir sua alma melhor do que ninguém. O anjo conhecia o verdadeiro eu de Ellylan quando nem ela mesma conhecia.
Ela não o respondeu, apenas continuou hipnotizada com o seu próprio reflexo antes de se mover até estar em suas costas, Maximus abriu suas quando percebeu que ela estava pronta para deixar de se observar e ajudá-lo, não a apressando em nenhum momento.
O anjo não pode evitir que a dor se manifestasse em seus olhos quando moveu suas asas, as estendendo-as em seu tamanho maximo para que Ellylan tivesse um melhor acesso. Ele apenas não esperava que aqueles pregos enferrujados o ferisse tanto com seus movimentos.
Ellylan apoiou suas pequenas mãos em suas asas delicadamente, como se elas fossem feitas de papel e fossem se desfazer facilmente, ela não imaginava que suas asas eram muito mais pesadas que até mesmo o corpo de Maximus.
— Suas penas são macias.— Ellylan sussurrou, movimentando seus dedos levemente com medo que causasse dor por causa daqueles pregos.— Eu pensei que elas fossem duras como as de passaros.—
O anjo a olhou pelo espelho, sabendo que ela não poderia encontrar seu olhar devido ao seu tamanho, tão pequena a ponto de suas asas a cobrirem toda. Mesmo tendo um espirito tão forte, Ellylan era tão frágil quanto ela imaginava que eram suas asas.
— Asas são a parte do corpo de um anjo mais sensível,— Maximus explicou.— O motivo das penas serem macias está incluida nisso.—
— Sensíveis?— A surpresa invadiu sua voz.— E você queria derreter esses pregos?!—
— Eu não possuo muitas opções.—
— Bem, eu iria preferir iludir alguém do que ter metal recém derretido sobre minha pele.— Ela disse horrorizada.— Isso é locura!—
— Não.— Ele discordou.— Isso é necessário.—
Maximus sorriu ao pensar que a mente dela era muito pequena à opções quando se tratava de sofrimento fisico, mas não a julgava. Ellylan vinha de um mundo em que torturas faziam parte da vida de um psicopata, não de pessoas que induziam a lei.
Uma pessoa que havia esquecido o significado da vida era muito mais propensa a ficar mais horrorizada em seu mundo do que qualquer outro humano com memorias. Eles sabiam o que eram sofrimento, eles lembravam de terem sentido aquele sentimento, mas Ellylan não.
— Tudo bem,— Ela murmurio, suspirando com certa cautela e medo.— Vou tirar o primeiro prego.—
— Não aja como se isso fosse doer em você.—
— Aquele louco quase arrancou meu pescoço com um único prego e me causou uma dor enorme, não é fácil imaginar o que você sente com tantos em suas asas.— Falou.— Asas sensiveis!—
— Sensiveis sim, mas não mortais.— Maximus a lembrou.— A dor que você sente não é a mesma que sinto, Elly... Apenas tome cuidado para não se machucar.—
Ellylan ficou imóvel por um momento, como se estivesse em outro mundo que apenas sua mente pudesse alcançar, mas depois que percebeu que a atenção de Maximus estava nela, ela moveu suas mãos até uma parte dolorida de suas asas, ali era onde provavelmente existiam mais pregos e quando ela tocou a ponta de um deles para que seus dedos os puxassem, Maximus tentou demonstrar o minimo de dor que podia, pois a cada momento que ela fazia um movimento e olhava para o rosto do anjo no espelho, mais rapido as batidas do coração dela se tornava por causa do medo de machucá-lo.
Ellylan estava mais do que ciente que ele não era mortal, que não iria ser ferido facilmente mesmo se sentisse dor, mas e;a se negava em tratá-lo como um imortal, como alguém que não precisava de delicadeza para retirar os pregos de suas asas. Ela o tratava como não fosse diferente dela.
***
O arcanjo se virou em direção de Ellylan assim que sentiu ela tirar o último prego que existia em suas asas, as fechando em suas costas em quanto se mexia para facilitar seu movimento. Seus olhos encontraram primeiro as mãos dela que estavam completamente sujas de sangue, do seu sangue, igualmente ao chão onde estavam todos os pregos.
Ela observava suas mãos sujas com certa curiosidade, seus olhos claros estavam fixos em seu sangue como se ele fosse algo muito mais importante do que aparentava. Sem contar com o fato de que os olhos dela estavam mais vazios do que o vácuo.
— Elly?— Ele a chamou em um sussurro, a fazendo encontrar seus olhos novamente. Mas aquele vácuo ainda estava em seu olhar, a consumindo como se estivesse pronta para entrar em um ataque de panico.— Obrigado.— Maximus falou algo que não dizia com facilidade, mas sua intenção foi de apenas despertá-la daquilo que estava a puxando para outro mundo.
Porém, aquilo não funcionou, na verdade, a respiração dela se tornou fraca e o desespero de voltar a olhar para suas mãos surgiu no momento seguinte. Maximus não sabia o que estava acontecendo, mas a mente humana era muito fraca para viver tudo o que ela estava vendo e o trauma que deveria estar sentido ao se encontrar no inferno estava começando a se manifestar dentro dela. Essa era a única explicação.
— Ellylan.— Seu tom foi severo, aquele que usava com pessoas que eram tratadas como servos ou que não eram próximos a ele. O tom de um lider. Ele não desejava quebrar aquele momento de inicio de um surto, pois Ellylan necessitava daquilo para que sua mente não se tornasse enlouquecida em certo momento, mas o anjo deixou de sentir sua alma e quando procurou pelo som de suas ondas sentimentais, apenas encontrou aquilo que estava nos olhos azuis dela. O nada.
Ela piscou e naquele momento o arcanjo viu que a vida voltou para os seus olhos, isso ficou notável quando o sofrimento se manifestou em todo o seu rosto.
— Maximus,— Ela sussurrou, abaixando seus olhos para não ter que enfrentar o olhar dele, mas fechando suas mãos em punhos para não ter que vê-las também.— Eu acho que tem algo de errado comigo.—
— Olhe para mim.— Maximus pediu, se aproximando dela para conseguir o que desejava. E conseguiu, pois a única opção que Ellylan possuía era de encarar o seu peito nú, algo que ela não estava disposta a fazer.— Você é completamente errada, mas isso não significa que deva passar por isso sozinha.—
— O que Edward disse...— A voz dela falhou e por um momento seus olhos encheram-se de lágrimas, mas ela afastou aquilo. A alma de Ellylan jamais se permitiria chorar na frente dele ou de qualquer outra pessoa novamente.— Ele disse que me tornarei um monstro.—
— Eu não sei o que Edward quis dizer com aquelas coisas, Elly.— Disse a verdade.— A única coisa que sei é que você voltará para casa.—
— Edward disse que vocês deveriam me matar.— Ellylan abaixou seus olhos, olhando para algum ponto fixo de sua garganta. — E se ele tiver razão, Maximus?—
Maximus ignorou suas palavras cheias de agonia e pavor, envolvendo uma mecha de seu cabelo escuro para distraí-la, ele brincou com aquela parte de seu cabelo em suas mãos. Afinal, o arcanjo não poderia responder o que ela estava perguntando, pois se Ellylan virasse um monstro, como Edward disse, ele a mataria para que não derrubasse seu reino e os de seus irmãos.
Era para isso que ele foi criado, mesmo que ela o estivesse como alguém que nunca a traíria. O anjo também não desejava traí-la, mas se fosse preciso, não hesitaria, pois sua lealdade com seus irmãos vinha primeiro.
Ellylan olhou para Maximus com a intenção de encontrar seus olhos, mas agora era o anjo quem manteve seu olhar desviado, olhando fixamente para a mecha negra entre seus dedos. Ele não precisava olhá-la para saber que tipo de reação estava tendo. E pior de tudo, era que Maximus não desejava saber o que ela estava sentindo, não quando corresponder estava totalmente fora de sua lista.
Maximus se afastou brutalmente de Ellylan quando sentiu outra vibração forte no interior de sua mente, essa alma, no entanto, era tão impenetravél que era quase impossivel saber qual eram os sentimentos. Apenas a grande liderança era permitida ser sentida.
Meridius entrou no quarto no minuto seguinte sem ao menos bater, mas dando tempo suficiente de Ellylan se recuperar da aproximidade de Maximus para depois se afastar dela como se estivesse fazendo algo completamente errado.
E ele estava. Ellylan jamais poderia se iludir que poderia ter algo a mais com Maximus além de sua promessa que a protegeria de qualquer coisa. Promessa que nem ele mesmo tinha certeza se poderia cumprir.
Todo o corpo dela ficou tenso quando viu Meridius se aproximar do banheiro com sua bochecha ainda suja de sangue devido ao ataque que sofreu depois de Edward e seus pregos, seguido por uma Niffie que sustentava um olhar cheio de preocupações.
Em momento diferentes, ele diria para seu irmão mais velho que estava vendo fumaças saindo de sua cabeça, mas tudo que o arcanjo do inferno fez foi se colocar na frente de Ellylan depois de se virar para ficar de frente com seu irmão furioso. Niffie fez o mesmo que Maximus, ficando em frente do seu marido para que ele não fosse para cima de Ellylan. No entanto, o arcanjo mais velho colocou ambas mãos na cintura de sua esposa, uma posição que dizia que ele estaria pronto para tirá-la de sua frente a qualquer momento.
— Ela,— Ele apontou para Ellylan que mal respirava em suas costas.— Irá fazer seus pontos agora.—
— Pontos?— Ela perguntou confusa.— Eu preciso de pontos?—
— Você não se lembra do que aconteceu?— Maximus perguntou, deixando de estar em sua frente para encontrar seu olhar.— Você atacou Meridius quando tentamos costurar sua pele.—
— Eu ataquei Merid... O quê?!—
— Sim, você me atacou.— Seu irmão falou em puro desdém.
— Você quase mordeu Meridius, Ellylan, mas acabou apenas arranhando seu rosto.— Niffie disse preocupada devido a expressão que estava no rosto da única humana presente entre eles.
— Oh...— Ellylan desviou seus olhos por causa do constragimento.— Me desculpe.—
— Está tudo bem.— Maximus falou, colocando uma de suas mãos nos cabelos negros de Ellylan para bagunça-los. Todo o seu trabalho para tirá-la daquele surto que estava prestes a acontecer foi embora em questão de segundos por culpa de Meridius.
— Não, não está.— Meridius resmungou, recebendo um olhar fuzilador de sua mulher. Eram raros os momentos que seu irmão mais velho se calava sob o olhar de Niffie, e quando acontecia, apenas demonstrava que ele ainda a respeitava.
— Ellylan, venha comigo para fazer os pontos ou você continuará perdendo sangue.— Niffie disse gentilmente, se livrando das mãos de seu marido que repousavam em sua cintura para se aproximar dela. No entanto, Ellylan olhou para Maximus como se ela precisasse de alguma permissão para seguir em frente com a esposa de seu irmão.
— Vá.— Disse ele, tirando sua mão de seus cabelos lisos e negros.— Eu a encontrarei depois.—
Depois que Ellylan deu um passo cauteloso para frente, Niffie a pegou por sua mão e a puxou para fora do banheiro até que estivessem saindo do quarto que pertencia a Maximus quando vinha até a dimensão de seu irmão mais velho.
Ignorando o fato que suas asas estavam completamente sujas com seu sangue, pois sabia que Meridius não iria embora até que conversassem, o arcanjo do inferno passou por seu irmão até que estivesse no quarto. Ele aproveitou aquele momento para fechar o botão de sua calça e pegar uma camisa limpa dentro de uma das gavetas da comoda próxima a cama.
Diferentes de seus irmãos, Maximus aprendeu como vestir suas tão complexas camisas feitas para acomodar asas. Ele não precisava de ajuda como Dimitrius e Meridius precisavam, pois seu orgulho foi muito grande a ponto de sempre ter que chamar alguma empregada para fechar os zípers internos que existiam no tecido logo a baixo de suas asas, fazendo sua camisa parecer mais uma armadura que devia ser montada aos poucos do que algo simples de se colocar.
Normalmente os anjos possuíam servas treinadas para ajudá-los a fechar todos os zípers sem que tocassem suas asas, mas Maximus não gostava muito da ideia de precisar da ajuda para se vestir. Meridius, no entanto, dizia que essa era uma das poucas coisas que Niffie gostava de fazer junto com ele, então não via motivos para afastá-la disso. E Dimitrius, em quanto uma mulher bonita estivesse próximo a ele, o arcanjo jamais desejaria aprender nada.
Maximus sabia que os olhos de Meridius estavam nele desde o momento que o arcanjo do paraíso o seguiu do banheiro, mas apenas se virou para seu irmão quando terminou de se vestir.
— Não me olhe como se estivesse cometendo erros.— Avisou para seu irmão mais velho quando encontrou seu olhar.
— Você é uma contradição, Maximus.— Ele falou.— Precisou que uma humana fosse jogada em seu reino para que voltasse a ser um lider, mas quando se trata dela você se submete a ter pregos em suas asas para protgê-la.—
— Todos nós precisamos descobrir quem quebrou nossas regras e conhecimentos.— Maximus caminhou para perto da sua janela, mas não se virou para a paisagem que existia lá fora.— Apenas Ellylan pode nos levar a isso.—
— E depois?— Meridius se aproximou.— O que acontecerá se não tivermos nenhuma opção de levá-la de volta para sua dimensão?—
— Ela ficará.—
— Não se esqueça das coisas que Edward disse, pois sabe que ele não estava mentindo.— Sim, aquele anjo não mentiu em nenhum momento, mesmo que estivesse tão insano.— Nós não sabemos o que acontecerá, mas ela pode se tornar algo extremamente perigoso.—
— Então eu matarei.— Maximus falou aquilo sem nenhuma piedade.— Não crie problemas sobre isso, Meridius.—
— Então não se apaixone por uma humana, Maximus.—
O arcanjo do inferno encarou seu irmão por longos segundos antes de sequer pensar em algo para dizer. A ideia de se apaixonar estava longe de sua mente, mas não era assim que todos pensavam.
O mais temido está caindo nas graças do pecado.
Maximus ignorou o que Edward disse quando a frase se manifestou em sua mente, pois aquilo podia ter vários significado. E se o anjo insano estivesse mencionando sobre os seus sentimentos quando se tratava de Ellylan, ele estava completamente errado. Maixmus jamais se apaixonaria por ela, mesmo que a considerasse intrigante.
— Eu não me apaixonarei por uma humana.— Falou severamente o arcanjo.— Mas não poso fazer nada sobre o que Ellylan sente por mim.—
— Seduza-a.— Meridius falou, capturando sua atenção quando Maximus não o compreendeu.— Use os sentimentos dela como uma forma mais fácil de chegar onde todos nós queremos.—
— Meridius...—
— Não me diga que não a acha bonita, principalmente quando os sons da alma dela é tão rigorosa quanto as nossas.— Seu o irmão o cortou rapidamente.— Leve-a para a cama e quando a humana se entregar totalmente a você, invada sua mente. E se isso realmente for importante para ela, Ellylan nem ao menos se lembrará.—
— Isso não é o justo.—
— Não.— Ele concordou.— Mas é a forma mais fácil do que ela se iludir sobre quem você realmente é. Aquela humana está o colocando como um herói ao invés de se lembrar que governa o inferno. Se ela descobrir tudo o que você já fez, Maximus... Toda a confiança que construiu irá desabar e vocês voltarão a estaca zero.—
Meridius estava completamente certo sobre o que aconteceria com a confiança que existia dela para ele. Ellylan o via apenas como alguém que a protegia e quando pasasse o ver como o imperador do inferno, ela ficaria tão traumatizada quanto ficou ao ver o que aconteceu com Edward.
— Pense sobre isso, Maximus.— Meridius voltou a falar.— Se permitir que ela saiba o que aconteceu, o que fez para conseguir invadir a mente dela, no minimo ganhará um coração partido, mas estará livre de viver nesse mundo que não pertence. E você mais do que ninguém conhece o sofrimento de alguém que não deseja viver no inferno.—
Maximus concordava com tudo que Meridius estava dizendo, e não existiria nenhuma duvida do que fazer se tudo isso tratasse de outra pessoa, mas... Ellylan era diferente. O arcanjo desejava a confiança dela e não queria prejudicá-la de maneira alguma quando a presença dela o fez ver tudo o que estava fazendo para o seu reino...
O anjo jamais poderia seduzi-la para seus fins e interesses, mas e para o próprio bem de Ellylan?
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