Persona Gêmea
1 Prólogo
Notas iniciais
O local escolhido fora uma sala ampla e semelhante a um anfiteatro, o que tornava o banco do réu um lugar extremamente opressivo.
Principalmente para quem não fizera nada.
O tribunal começou com o anúncio da chegada do juiz de corte, o que fez o homem sentado à cadeira ao seu lado mordesse o lábio inferior e franzisse o cenho, mostrando-se ligeiramente ameaçado.
-Declaro aberta a sessão- o juiz anunciou- Que se inicie a tribuna.
-O julgamento ocorrerá em função do réu Vergil Sparda, acusado pela tortura e homicídio de cinco homens- o orador declarou. –A acusação procede?
-Desculpa aí, meritíssimo... –o réu se ergueu e franziu o cenho, convicto do que estava dizendo. –Mas há um engano. Meu nome... É Dante Sparda.
*****
A mulher caminhou pelo corredor, seguindo um dos guardas de farda escura, e parou em frente ao local onde iniciaria a sessão. A sala que lhe reservaram era um lugar muito mais agradável do que previra, considerando que se tratava de uma prisão de segurança máxima.
As paredes eram brancas, o chão era de cerâmica em tom pastel e havia pouquíssimos cômodos para uma sala tão ampla.
Uma das paredes era coberta totalmente por um espelho. Havia uma mesa, uma cadeira giratória e uma cama de pés e cabeceira de metal, onde um homem encontrava-se sentado.
-Se precisar de ajuda, saberemos- o guarda falou e indicou o espelho com o queixo, no que a mulher concordou.
Virou-se para o homem sentado à cama e sorriu gentilmente, esperando que ele correspondesse ou indicasse reconhecimento.
Era um homem bonito, provavelmente entre seus 26 ou 27 anos. Seus cabelos estavam despenteados e havia algo de hostil em seu olhar; ele contava algo em seus dedos ou meramente os entrelaçava de forma que a corrente das algemas tilintasse em um ruído desconfortável.
-Fico feliz que tenha concordado com essa consulta, Dante- disse sinceramente, sentando-se na cadeira giratória e colocando sua pasta em cima da mesa.
-... –ele, Dante, ergueu as mãos de maneira que ela visualizasse as algemas. –Não é como se eu tivesse opção.
-Por favor, irei precisar da sua cooperação... –pediu, tentando transmitir o quanto aquilo era importante para ele. –Talvez se...
-Olha- ele a interrompeu, dando um suspiro impaciente e zombando logo em seguida, irônico. -Senhorita Williams... Já faz um tempo, não é?... Mulherzinha irritante. Não pretendo cooperar. A culpa por eu estar aqui, nessa situação, é totalmente sua.
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