Persona Gêmea
6 O segredo dos Sparda
Notas iniciais
Para seu horror, os homens de Arkham haviam se aproximado, provavelmente haviam escutado os dois conversando e assim os acharam. Não teriam chance alguma contra eles.
-Pensei que não conseguiriam achá-la... –Arkham cruzou os braços, descendo da moto envenenada que dirigia. –E parece que encontraram mais um rato.
-Quem é rato?- Dante franziu o cenho, notando o homem com heterocromia e a queimadura no rosto.
-Eu conheço você- o velho retrucou, esboçando um sorrisinho maldoso.
-Eu nunca te vi na vida- o outro vociferou, um pouco zangado por ter se metido naquilo por causa de uma mulher que mal conhecia. Não gostava muito de brigas injustas como aquela.
-... –Trish surpreendeu-se quando sentiu alguém tomar a adaga de sua mão e viu que fora Dante quem pegara. –Dante, o que...?
Ele ignorou-a, investindo contra um dos homens e acertando-o no meio do abdome, perfurando e puxando com força de forma que fez um grande rasgo que jorrou muito sangue.
-AAAH!!!- o homem gritou, vomitando sangue e caindo de joelhos, com suas vísceras escapando pela fenda em sua barriga.
Era uma cena medonha e Trish fechou os olhos com força para não ver.
Os outros capangas hesitaram e até Arkham pareceu surpreso com aquela ação súbita, encarando o homem com certo temor. Este apenas passou a mão pelos cabelos, jogando-os para trás de forma displicente.
Ninguém ajudou o moribundo que caiu no chão inconsciente.
-Há quanto tempo, Arkham- disse, sério, tirando o sangue fresco da adaga ao passar dedo pela lâmina cuidadosamente, deixando-o escorrer pelo seu polegar e pingar no chão. –Não o vejo há umas três semanas... Achei que tinha morrido.
-Eu não morro tão fácil, Vergil- o velho retrucou, cuspindo no chão pelo desgosto.
Vergil? Trish arregalou os olhos quando ouviu aquele nome. Não, aquele era o Dante, não era?
Tudo se tornou muito claro num segundo. Dante não conhecia Vergil, mas eles eram absolutamente iguais. O único motivo seria se eles fossem gêmeos separados no nascimento.
Ou que fossem a mesma pessoa.
Era raro, mas havia alguns casos de transtorno dissociativo de identidade naquela região.
Era a primeira vez que via alguém que manifestasse tão claramente o distúrbio.
-Pretendia me matar enquanto eu estava vulnerável? Que cretino, Arkham... Até mesmo para você- Vergil estreitou os olhos.
-Peguem-no. –Arkham ordenou para seus homens, então subiu em sua moto e deu a partida.
-Fuja, já que é a única coisa que sabe fazer, seu velho decrépito- o homem retrucou, com sua voz voltando a ser rouca e ameaçadora, como no dia em que Trish o conhecera. Vergil esperou todos se aproximarem, então golpeou-os, acertando cortes fundos em pontos fatais e nocauteando um por um.
Trish abriu os olhos quando não escutou mais nenhum ruído que considerou ser resultado de uma luta violenta, vendo que somente Vergil estava de pé.
Ele caminhou até o primeiro que havia nocauteado e notou que ele ainda respirava, arfando com dificuldade.
Retrucou algo em voz baixa e puxou-o pelos cabelos, usando a adaga ensangüentada para cortar o pescoço dele e matá-lo instantaneamente.
-... Vergil... –sussurrou para si mesma, horrorizada com aquela visão.
Então o homem pareceu dar-se conta de sua existência, largando a adaga no chão e indo em sua direção, pegando-a pelo pulso e levando-a para longe dali, no que ela o seguiu apenas por ainda não ter assimilado o que estava acontecendo.
-Eu a avisei, não avisei?- ele retrucou- Falei para não se interessar demais ou acabaria tornando-se um inconveniente.
-Você os matou!- exclamou, ainda chocada com o que havia acontecido.
-Foi em legítima defesa- Vergil replicou, esboçando um sorrisinho de canto que a fez estremecer.
-Onde está me levando?- perguntou, hesitante, mesmo que estivesse seguindo-o.
-Aqui, entre- ele parou ao lado de um carro esportivo cujo nome ela não conhecia e obrigou-a a entrar. Então rodeou e entrou também, dando a partida e dirigindo em direção ao centro. –Parece que já é a segunda vez que lhe salvo, senhorita Williams. Não ouve quando as pessoas lhe dizem para tomar cuidado?
-Sinto muito- ela retrucou a contragosto, corando de leve.
-Estou levando-a para meu apartamento- ele deu de ombros- Espero que não se importe, não é como se eu fosse fazer algo com a senhorita.
-Como me matar?- Trish perguntou, fitando o próprio colo.
-É- ele examinou-a, então repetiu. –É, não vou fazer nada do tipo.
Um silêncio sepulcral tomou ambos e só o que podia ser ouvido era o rugido do motor do carro.
Vergil morava em um bairro agradável de San Francisco, com um bom comércio e prédios com apartamentos espaçosos e bem arquitetados, além de ser perto de um parque de área verde.
Definitivamente ele fazia parte da burguesia.
Morava no prédio residencial Mont Blanc e deixou o carro na garagem, no que o porteiro não disse nada; provavelmente estava acostumado com as saídas noturnas deste.
-Então... Este é o seu apartamento?- Trish perguntou quando chegaram no andar da cobertura.
Era um lugar bem grande, com um apto por andar, que devia ter cerca de 300 m². A decoração era bem rústica, com quadros renascentistas enfeitando as paredes com papéis em tons pastéis e móveis que pareciam de algum colecionador europeu.
-Hn- Vergil concordou, entrando e esperando que ela o fizesse. Quando ela entrou, ele fechou a porta e seguiu pelo apartamento em direção a uma porta. –Se não se importa, vou tomar um banho. Esse cheiro de sangue está me enojando...
-Vergil... –ela chamou, hesitante.
-Imagino que queira conversar sobre o que aconteceu- ele a olhou de soslaio- Por enquanto, fique à vontade para perambular pelo apartamento... Não tenho nada por aqui que me importe realmente. Não vou demorar.
Então sumiu pelo corredor.
Ele não parecia muito apegado às coisas dali, como pôde constatar, mas não era como se tivesse intenção de pegar algo por mais que ele a tivesse convidado sutilmente. Deveria ter se ofendido, mas não era uma ladra de verdade para se importar com a acusação.
Caminhou pela sala de estar, fitando a cristaleira com vasos e bibelôs delicados, as pratarias e os quadros.
Pareciam réplicas de quadros famosos que ela reconhecia, mas que não se recordava do nome.
Andou pelo mesmo corredor que ele saíra e encontrou três portas, com apenas uma aberta, que foi por onde decidiu entrar. Parecia uma biblioteca, com algumas prateleiras com um grande acervo de livros e uma escrivaninha em um canto, com alguns livros em cima e uma luminária acesa.
Fitou a vasta coleção, passando os dedos pelas capas e constatando que havia grandes nomes da literatura, tanto modernistas como classicistas ou humanistas.
Dostoievski, Alighieri, Maquiavel, Milton, Montesquieu, Descartes... Eram tantos que ela quase se esqueceu por que estava ali. Por fim, acordando do transe, caminhou até a escrivaninha e pegou o livro que estava em cima de tudo.
Por que gostar de psicopatas? Por Trish Williams.
Esboçou um sorriso, então ouviu um ruído e virou-se para a porta, surpresa ao notar o homem somente com uma calça de brim, ainda enxugando os cabelos com uma toalha.
-Eu estava mesmo lendo- ele confessou, sério- Achei interessante.
-Não estava brincando quando disse que gostava de ler- ela escarneceu, embora achasse que não era o mais adequado para o momento.
-Por que me procurou, senhorita Williams?- Vergil perguntou, estreitando os olhos e pegando o livro que ela segurava para folheá-lo. –Achei que tinha sido claro quando eu disse que representava perigo.
-Eu queria entender o que me disse- a loira franziu o cenho. –Se tivesse sido um pouco mais claro, quem sabe eu pudesse entender...
-Eu disse que a mataria- ele sibilou, parecendo irritar-se.
-Por isso fiquei impressionada- Trish retrucou, então corrigiu-se. –Não... Não creio que eu tenha ficado impressionada. Fiquei fascinada com sua personalidade tão misteriosa, arredia e perigosa.
-Huh- Vergil sorriu de canto, dando-lhe as costas.
-Como eu havia dito, sou uma psiquiatra... Enquanto você conversava comigo, identifiquei traços de narcisismo, egocentrismo, transtorno paranoide e até sociopatia. Ficava cada vez mais interessada enquanto descobria, porque nunca foi relatado um caso assim... –ela confessou e o homem a olhou de canto.
-Isso é uma piada...?
-Não, não é- a mulher confessou, determinada a dizer tudo o que sentira. –Procurei qualquer traço que chegasse a você, mas me intrigou que não havia nada que me levasse ao que eu queria. Então me lembrei do que você disse e procurei por Arkham...
-Que se mostrou uma péssima idéia- ele retrucou- Se eu não estivesse por perto, você ainda estaria nas mãos daquele velho decrépito.
-Eu sei... Mas hoje eu descobri do que se trata sua personalidade... –ela sorriu francamente- Você tem transtorno dissociativo de identidade. Por isso que achei que pudesse ter transtorno paranoide e egocentrismo.
-Quer dizer que, mesmo tendo dupla personalidade, ainda sou narcisista e sociopata, hã?- ele zombou, sarcástico. –Você é impossível...
-Estou falando sério!- a loira pareceu se ofender com aquele comentário, como se duvidasse de seu diagnóstico. –Tudo parece mais claro agora... Lembro da dor de cabeça, típica do transtorno paranoide. Quando você fazia de tudo para desviar minha atenção, mudando de assunto, o fato de nunca baixar a guarda... Tudo é uma posição defensiva que adotou.
-Pare de ficar examinando as pessoas como se fosse um de seus pacientes- Vergil vociferou, irritado. –Que coisa mais desagradável!
-Sua frieza, o uso de drogas e até quando disse com tanta convicção que me mataria... Você não vai enganar alguém com isso- exclamou, desejando que ele a ouvisse.
Surpreendeu-se quando foi derrubada.
-Cale a boca- ele retrucou, tampando sua boca com a mão esquerda e controlando a respiração, que se acelerara por um segundo. –Está me irritando. Mais um pouco e não vou garantir o que disse no carro...
-... –lentamente ele tirou a mão de sua boca, mas ela permaneceu em silêncio.
-Você viu que eu posso fazer. Não é como se eu tivesse medo de qualquer coisa do tipo.
-C-certo... Se acalme, por favor- pediu, ainda temerosa.
-Estou calmo- ele retrucou, desviando o olhar do rosto dela e fitando o casaco preto, que começara a se abrir. –Anda usando roupas fetichistas, senhorita Williams?
-Pretendia seduzir Arkham para ele me dar as informações que tinha sobre você- contou, já mais tranqüila com a mudança de assunto dele. –Pode me deixar levantar, por favor...?
-Estava tão disposta a tudo isso somente para reencontrar o homem de personalidade peculiar?- Vergil estreitou os olhos e sorriu de canto.
-Você salvou minha vida, apesar de tudo- ela desviou o olhar, constrangida pela posição em que se encontrava.
-Você é mesmo impossível, senhorita Williams... –então sentiu os lábios quentes dele roçarem seu pescoço, fazendo com que sua respiração acariciasse sua pele e lhe causasse arrepios. –Posso chamá-la de Trish a essa altura do campeonato?
-Por favor... –pediu, sem entender por que não oferecia resistência àquele homem perigoso.
Como já havia notado, havia um magnetismo que a impedia de resistir. O fato de não estar com um homem há algum tempo também não colaborava.
Vergil tirou o casaco que ela usava, deixando-a somente com o espartilho e a calcinha, já que sua meia fora rasgada por Arkham. Ele lhe beijou nos ombros desnudos e lhe dava chupões no pescoço, excitando-a instantaneamente, enquanto Trish envolveu-o inconscientemente.
Ofegava quando um toque era violento e sentia os arrepios irem e voltarem com cada um.
-Já fez sexo em uma biblioteca, Trish...?- Vergil perguntou em seu ouvido, rouco, o que a fez se arrepiar.
-Não- ela respondeu, excitada- Nunca...
Notas finais
Ah, mas reviews me ajudam a postar mais rápido XD
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