Persona Gêmea
13 Gêmeos que se separam
Notas iniciais
Gostaria de escrever eternamente a mesma história, mas ela acabaria se tornando enfadonha em demasia.
Portanto, espero que curtam o final como eu curti escrevê-lo n.n
Não sabia exatamente como reagir quando ouviu aquelas palavras. Se tivesse ouvido aquilo no meio do dia anterior, teria ficado contente, pois não havia nada mais que a amarrava a Vergil e ao seu humor terrível.
Mas a notícia não lhe fora dada no dia anterior. E agora não havia nada que a amarrava a Vergil.
Era a mesma coisa vista de perspectivas diferentes.
Trish agradeceu, pegou seus resultados e voltou para o hotel, onde foi para o seu quarto e pediu o café-da-manhã. Havia estado em jejum desde então, pois imaginara que precisaria fazer um exame de sangue.
Ficou olhando os exames. Não estava necessariamente triste.
Então o telefone tocou, acordando-a de seus devaneios. A loira se virou na cama e engatinhou até a mesa de cabeceira para atender o telefone, deparando-se com uma voz masculina do outro lado da linha.
-Já voltou do médico?- era Vergil, naturalmente.
-Hm- ela anuiu. –Posso ir até aí?
-Eu te dei o cartão para isso, não é?- ele perguntou, retórico.
-É que eu provavelmente esqueci o cartão em cima da bancada quando fui sair de manhã- a loira falou. –Não queria te acordar.
-Certo- ele anuiu. –Eu abrirei a porta para você, então.
-Obrigada- e desligou, devolvendo o telefone ao gancho. Levantou-se, tirando a calça e a blusa, substituindo ambas por uma saia e uma camisa confortável, pegando os exames antes de sair.
Quando chegou, a porta do quarto já estava entreaberta e ela fechou assim que passou, encontrando o homem somente com uma calça enquanto lia o caderno de economia do New York Times.
-Bom dia- ele cumprimentou, dobrando o jornal e abandonando-o em um canto.
-Olhe- ela mostrou os exames e o homem aceitou, fitando-os antes de deixá-lo de lado assim como fizera com o jornal.
-Não sei o que significam- ele deu de ombros, se levantando.
-Eu não estou grávida- Trish informou, séria, e ele a olhou. –O teste que eu havia feito estava errado.
-E o que você quer que eu diga?- ele a examinou. –Que estou contente com isso?
-Você está?- ela o olhou, como se o que ele lhe dissera beirasse uma ofensa.
-Não sei- Vergil deu de ombros. –Talvez. Você está?
-Eu também não sei- ela desviou o olhar, incomodada.
-Esperava que eu lhe dissesse?- ele perguntou. Trish mordeu o lábio inferior, caminhou até ele e o abraçou, sentindo ele corresponder seu abraço. Era reconfortante a sensação de proteção que um abraço transmitia. –Está tudo bem.
-Eu realmente não sabia como me sentir quando descobri que estava grávida- contou, hesitante. –Nem medo eu senti. Era como se não estivesse assimilando a informação. Mas agora... Achei que não fosse sentir nada, como antes. Mas... Foi como se alguém tivesse tirado algo de mim.
-... –ele acariciou seus cabelos.
-Talvez isso tenha sido algo bom- ela sorriu, amarga. –Um filho sempre atrapalha uma carreira. Atrapalharia a minha. Talvez até a sua, se você levasse adiante o que me disse ontem.
-Então vamos ter dois- Vergil zombou e ela riu.
-Me desculpe por isso- ela pediu e ele a beijou de leve nos lábios. –Você não precisa ficar me ouvindo choramingar sobre esse tipo de coisa.
-Está tudo bem- ele deu de ombros, passando a mão pelos cabelos. –Parte disso foi culpa minha dessa vez.
-Melhor eu ligar para Lady- a mulher avisou, virando-se para ir para o seu quarto. –Ela ainda acha que vai ganhar uma espécie de sobrinho e...
-... –o homem envolveu-a por trás e beijou seu ombro, mordendo-a na curva do pescoço e fazendo-a ronronar. –Quer tomar banho comigo?
-Que tipo de proposta é essa?- ela perguntou, passando a mão pelos cabelos prateados dele enquanto ele distribuía beijos em seu colo. Sentiu a mão dele apertar seu seio e ela ofegou, sentindo a outra mão dele roçar o cós de sua saia, desviando do tecido para então sentir sua pele quente.
-Como teremos dois filhos sem esse tipo de proposta?- ele escarneceu, no que ela riu.
Sem esperar uma resposta, ele a tomou nos braços e a levou para o banheiro. Trish não sabia que ele falara sério naquela época.
*****
Saiu da clínica, segurando o envelope A4, e entrou em seu carro, distraída com o resultado dos exames. Colocou o cinto e sorriu, com a animação contida. Seu celular vibrou e ela atendeu.
-Oi, Lady- cumprimentou assim que viu o nome no visor.
-Como está, Trish? Está afim de tomar sorvete com vodka comigo? –ouviu a amiga perguntar e já ia reclamar quando esta reiterou. –Brincadeira, brincadeira...
-Você não vai acreditar quando eu te mostrar os exames- a loira sorriu, empolgada.
-O quê, você foi para o hospital sozinha?! –a morena reclamou, irritada. –Onde está aquele idiota do Vergil quando você precisa dele?
-Eu não preciso dele para fazer os exames- a mulher revirou os olhos. –É simbólico. Além disso, ele está ocupado, em um congresso. Mas ele volta amanhã, não se preocupe.
-Aonde você está?
-Saindo do consultório- a loira informou, colocando o cinto de segurança.
-Está afim de comer alguma coisa doce? Tipo uma torta ou um bolo? –a outra sugeriu. –Eu estou louca para ir em uma confeitaria que abriu agora, o que acha de me fazer companhia?
-Parece bom- a mulher sorriu.
-Calma aí, já te passo o endereço.
Trish esperou um pouco, sentada a uma mesa na nova confeitaria, e sorriu quando viu Mary se aproximar, parecendo animada. Esta se sentou com a amiga, cumprimentando-a animadamente, e pediu uma água para o garçom.
-E aí? Como você está?- a morena fez uma careta. –Ainda acho que o Vergil devia estar com você agora.
-Não iria adiantar nada, Lady- a loira riu. –Vergil tem o seu trabalho. Além do mais, nós nem temos uma relação estável.
-Vocês estão juntos há mais de cinco meses, como pode não ser uma relação estável?- Mary retrucou, franzindo o cenho.
-Ele nunca sequer tocou na palavra namoro- a mulher deu de ombros. –Mas está tudo bem. Eu disse para ele que não me importava.
-Assim como disse que não se importava se ele não assumisse o filho- a outra reclamou. –Francamente, Trish, que tipo de mulher é você?
-Do tipo honesta e que não precisa de um homem para criar o próprio filho?- ela sugeriu.
-Não, sua tonta... Do tipo covarde, que prefere cuidar de um filho sozinha a exigir seus direitos do maldito que te engravidou!- a morena sibilou, soprando a franja da testa, impaciente. –Exige alguma coisa, anel de compromisso, noivado, sei lá!
-Lady, eu nem sei se é isso que eu quero- a mulher deu de ombros. –Isso é, eu gosto do Vergil. Ele é, excluindo alguns probleminhas de personalidade, o homem perfeito para se casar... Mas eu estou feliz do jeito que está.
-Você não quer se casar?- a morena arqueou uma sobrancelha.
-Não- Trish respondeu. –De verdade, eu gosto da liberdade de poder ir embora sem dar satisfação para ele se um dia eu quiser. Além disso, eu teria que acrescentar o sobrenome dele ao meu e eu gosto do meu nome como ele está.
-Você sabe que isso não é regra, não sabe?- a outra fez uma careta.
-Sério, Lady... E acho que o Vergil sabe exatamente como me sinto- ela contou. –Por isso ele nunca estabeleceu uma relação entre a gente.
-Isso que você está criando é uma barreira invisível- a morena apontou acusatoriamente. –E o Vergil, que eu aposto que não é burro nem nada, já sabe dessa sua prisão psicológica. Acho que ele já prevê que tudo de psicológico pode vir de você.
-Não fale assim- a mulher fez um bico infantil.
-Eu falo sério- a outra pegou o cardápio. –Até gravidez psicológica você já teve, mulher, que espécie de síndrome é essa?
-Sou apaixonada pela minha profissão, apenas isso- Trish concluiu, séria.
-Isso eu posso ver, querida- Mary sorriu de canto. –A julgar que Vergil foi um dos seus trabalhos mais envolventes...
-Inconveniente como sempre, não?- a loira franziu o cenho.
-Às ordens, amiga- a morena soprou um beijo para a amiga, divertida.
O garçom se aproximou e as duas fizeram seus pedidos. Mary pediu uma torta de cereja e um Latte. Trish pediu um Mocha suíço e um croissant doce recheado. Os pedidos chegaram enquanto elas conversavam animadamente e estas se serviram, aprovando as sobremesas da nova confeitaria.
Volta e meia, o celular da loira vibrou e esta pediu desculpas à amiga antes de atender.
-Alô?- atendeu, hesitante.
-Como está?- ouviu a voz rouca e seu ventre se aqueceu.
-Bem- ela sorriu. –E você? Como está o congresso?
-Um pouco enfadonho sem a sua companhia- Vergil deu um muxoxo. –Talvez eu mude os planos e pegue o primeiro avião para San Francisco.
-Pare com isso- ela sorriu e Mary revirou os olhos. –Cuide das coisas por aí antes de voltar. Não quero ouvir aqueles empresários idiotas que apareceram da última vez e fizeram comentários lamentáveis sobre nós dois.
-Rooney está bastante satisfeito depois que concluí as obras do último loteamento- o homem falou. –Mas eu vou entender sua recusa como sua forma de me rechaçar.
-Não banque a vítima, não faz o seu estilo- a loira umedeceu os lábios.
-Ótimo- ele falou. -Então vou culpá-lo pelo meu desfalque até não poder mais.
-Sabe, acho que Freud tem uma opinião sobre esse comentário- a loira sorriu, no que a amiga roubou seu Mocha sem problemas.
-Ah, tem?- podia até imaginá-lo franzindo o cenho.
-Não, não tem- ela riu. –Mas, se tivesse, eu poderia citar para você.
-Trish, não comece com suas bobagens psicanalíticas- o homem replicou, entediado. –Eu só liguei para confirmar que volto amanhã pela manhã. Quero te ver. O que acha de almoçar no Savoy?
-Parece ótimo- ela mordeu o lábio inferior, ansiosa.
-Certo, então eu a buscarei ao meio dia- ele avisou. –Alguma novidade de significativa importância?
-Bom... Sim- a mulher abriu o envelope A4 e fitou as fotos do ultra-som carinhosamente.
-Estou ouvindo- Vergil a incentivou, indiferente.
-O “Dante” tem um irmão- ela mordeu o polegar, contente, no que Mary quase cuspiu o Mocha, tamanha sua surpresa. Queria berrar um “como assim?!” indignado, mas achou que era justo que Vergil soubesse primeiro que ela. Apesar dos pesares, ele era o pai.
-E como você se sente?- ele perguntou, remetendo a uma conversa que tiveram meses atrás.
-Feliz- ela sorriu. –Espero que ele não seja como você... Sabe como é, narcisista, sociopata, egocêntrico, com transtorno paranoide, bipolar e com dupla-personalidade.
-Você acrescentou bem uns cinco itens depois do último diagnóstico- ele replicou, sério, no que ela riu. –Está tudo bem. Vai ficar bem se você estiver feliz com isso.
-Você acha?
-São gêmeos- Vergil constatou. –Vão se separar no nascimento.
-É... Você tem razão- anuiu, contente.
-Eu vou desligar- ele avisou. –Tenho uma reunião agora.
-Certo. Até amanhã, então- e desligou. Sorriu por dentro, deparando-se então com uma Mary impaciente, de braços cruzados e a encarando abertamente. –Sabe, eu me sinto tão bem quando falo com o Vergil... Parece que sinto algo quente por dentro.
-É, pode ser amor- a morena revirou os olhos. –Ou uma hemorragia interna. Francamente, por que você não me contou que estava grávida de gêmeos?
-Eu descobri agora- Trish sorriu.
-E você vai dar o nome da criança de Dante, é? É uma maldição ou o quê?- a morena fez uma careta.
-Foi só uma brincadeira que disse outro dia- a loira sorriu. –Ainda não sei que nome dar. Mas não importa, não é? Vou encontrar o Vergil amanhã, no Savoy. Poderíamos discutir os prováveis nomes das crianças.
-Você e o Vergil, discutindo nome de criança?- ela franziu o cenho. –Possível, mas absolutamente improvável. Posso até imaginar o que ele vai dizer.
-Vergil mudou bastante desde que se curou do transtorno dissociativo de identidade. É certo que ele ainda tem um humor bem instável, mas... –ela hesitou. “Agradável” não era bem a palavra para descrevê-lo, mesmo porque eles só se entendiam mesmo quando não estavam conversando.
-Ele parou de fumar?- a morena arqueou uma sobrancelha.
-No que isso interfere?- a outra arqueou a outra sobrancelha.
-Geralmente interfere no caráter- Mary zombou. –Estou falando é da sua saúde. Você está grávida, sabia? Que tal dar um tempo no trabalho?
-Por quê? Até estou pensando em lançar um novo livro...!- a loira zombou, divertida.
-E como vai se chamar esse? “10 regras básicas para se conviver com um psicopata”? –a amiga escarneceu, acrescentando. –Baseado em fatos reais, continuação de “Por que gostar dos psicopatas”.
-Não enche- Trish retrucou, apesar de começar a rir também.
Apesar de tudo, estava bem tranqüila. Sua vida profissional era estável. Tinha bons amigos. Tinha algo com um homem que não era uma relação, mas definitivamente era estável. Ia ter dois filhos.
E estava mesmo tudo bem. Sabia que nenhum dos dois seria tão problemático quanto Vergil foi. Era como ele mesmo havia dito: eles estavam se separando no nascimento.
Notas finais
Eu não ia postar o capítulo, mas eu vou ficar sem internet por um tempo a partir de segunda feira e não acho justo demorar tanto para postar um capítulo.
Desculpem por postar um capítulo meio que mal-acabado, se bem que esse tipo de coisa é bem à minha cara XD
Beijos e obrigada aos que leram até o final! n.n
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