Persona

8 Capítulo 4 - Estranhamento


Notas iniciais
E aqui está o capítulo quatro.
Não tem muita coisa acontecendo nele, até porque ele ficou grande demais então eu o separei em dois capítulos, deixando todos os acontecimentos importantes para a história no capítulo cinco. Mesmo assim, usem esse momento para descansar suas mentes de toda a informação que vem sendo jogada aqui e aproveitem para conhecer melhor os nossos personagens principais ♥
Boa Leitura!

Estranhamento

Naquele dia, Leonardo chegou à escola mais cedo do que o normal. Não era o único, aquela era a última semana de inscrição nos clubes de atividade extracurriculares e todos os indecisos que ficaram pensando até o último minuto estavam agora rondando pelas salas fazendo suas inscrições.

Sem demoras, Leonardo se direcionou ao segundo andar do prédio do ensino médio, onde ficava o auditório. Não tinha duvidas sobre entrar para o grupo de teatro da escola, era o que ele amava fazer, subir no palco e se transformar em todos aqueles personagens que ele tanto admirava. Chegando na sala já ficou animado em antecipação a todos os bons momentos que passaria ali. O auditório do FA era uma sala ampla de paredes bege e piso de madeira escura. Era ladeado por grandes janelas, mas no momento estas estavam cobertas por espessas cortinas bordô, deixando o recinto escuro mesmo com as luminárias fosforescentes que pendiam no teto acesas. O palco tinha o piso de madeira mais clara, deixando as marcações do chão mais visíveis para os atores e suas cortinas tinham a mesma cor que as das janelas. No momento todas as cadeiras do locar haviam sido recolhidas e empilhadas em um canto da sala, tendo apenas uma longa mesa onde os membros do grupo se sentavam para fazer a inscrição dos novos participantes.

A inscrição foi bem rápida, a garota que o atendeu e anotou seus dados era bem simpática e parecia verdadeiramente feliz com a entrada de mais um membro no clube. Quando já se preparava para retirar-se, o garoto sentado ao lado da menina que o atendia chamou por ele.

_ Ei você! Seu nome é Leonardo não? A gente não se conhece de algum lugar.

Leonardo ficou um pouco surpreso com a pergunta súbita. Examinou o rosto do estranho e não achou nada de familiar.

_ Me desculpe, mas se eu te conheço não estou me lembrando.

_ Tem certeza? _ O garoto colocou a mão no queixo em uma expressão pensativa. _ Tenho certeza de que já te vi em algum lugar... Acho que... Acho que foi em alguma peça.

_ Bem, eu já participei de várias peças. _ Respondeu Leonardo se esforçando ao máximo para não parecer vaidoso ao falar sobre o assunto. _ Mas todas elas foram no Rio de Janeiro, nada fora da cidade.

_ Eu fui ver um festival no Rio uma vez. Foi ano retrasado, um intercolegial de teatro em Ipanema.

_ De ter sido o festival intercolegial no teatro Notre Dame! Eu estava lá! Minha escola representou O Alienista. Ficamos em segundo lugar esse ano.

Uma luz pareceu acender na cabeça do outro garoto. _ Isso mesmo! Sim, foi isso mesmo, você estava no papel do Simão Bacamarte! Sabia que já tinha te visto em algum lugar. Por sinal, foi uma ótima atuação, você parecia estar realmente dentro do personagem.

Leonardo riu. _ É, foi bem divertido. Eu não achava que conseguiria representar esse papel muito bem, mas no final deu certo até demais. Acho que eu devo ter um pouco de médico charlatão e egocêntrico dentro de mim.

_ Então você já atuou antes? _ Disse um segundo garoto que estava presente na mesa. _ Que ótimo! Novatos são divertidos, mas sempre é bom ter alguém com experiência no grupo.

_ Hehe, espero ajudar. E você... _ Leonardo olhou mais atentamente para o garoto de cabelos louro escuro. _ Você é da minha sala não?

_ Isso mesmo! _ Sorriu. _ Meu nome é Tales, prazer. E você é amigo do Alex não?

Mais uma vez, Leonardo toma um susto. Aquilo foi ainda mais inesperado que a primeira pergunta.

_ Bem... Acho que você poderia dizer que sim. Não sei, éramos amigos de infância, mas nos reencontramos só a poucos dias e ainda não conversamos direito.

_ Huumm... É isso? É que pelo jeito que você chamou ele para conversar depois da aula antes de ontem eu tive a impressão de que vocês dois eram íntimos.

_ Ah! Aquilo? _ Como é que esse Tales sabia disso? Espera, olhando melhor para ele... É isso! Ele era um dos garotos acompanhando Alex na saída da aula no dia em que os dois tiveram “a conversa”. _ Bem, aquilo foi um pequeno mal entendido que eu tinha que resolver com ele. Nada demais...

_ Que tipo de mal ententido?

Ah não... Não... Essa pergunta não.

_ Um mal entendido... oras, como um mal entendido pode ser? _ Disse Leonardo virando o rosto e quebrando o contato visual.

_ Existem vários tipos de mal entendidos. _ Tales agora sorria, sentindo que Leonardo estava escondendo algo. _ Mas se é só um pequeno mal entendido não tem problema contar para agente não?

_ E nem tem porque vocês perderem seu tempo ouvindo, se ele é tão pequeno assim.

_ Sem problema! Ainda temos mais de duas horas antes da aula começar!

Leonardo tentou achar uma saída para aquela situação, de verdade, usou todos os seus neurônios na busca de alguma frase inteligente que o permitisse escapar daquele aperto, mas não foi rápido o bastante. Tinha sido derrotado.

_ Está bem, eu falo. É que... _ Meu Deus o que eu fiz para você me odiar tanto? Isso é tão constrangedor... _ Quando nos encontramos no primeiro dia de aula eu confundi o Alex com uma menina. _ Ok, aquilo não era a verdade absoluta, mas ele não iria contar toda a história, de jeito nenhum.

Além do mais, sua pequena “confissão” já fora o bastante para deixar os seus ouvintes dando gargalhadas. Leonardo levou a mão ao rosto, em uma tentativa não muito boa de esconder o rubor que tomara seu rosto.

_ Não fica assim cara. _ Disse Tales parando de rir por um estante. _ Esse tipo de coisa acontece de vez enquando. O Alex fica puto. Teve até uma vez em que...

_ Espera um momento. _ Interrompeu Leonardo com um semblante sério. _ Antes que esse assunto comesse você tem que me prometer duas coisas: Primeiro, eu nunca contei para você sobre o mal entendido do primeiro dia de aula. Segundo, essa conversa que vamos ter agora, ela nunca aconteceu. Está entendido?

Tales pôs-se a rir ainda mais do que antes, tendo que esperar um momento para respirar antes de responder.

_ Pode confiar em mim cara, nós do clube de teatro somos uma família e nunca entregamos os nossos irmãos. O Alex nunca vai saber sobre isso.

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Conversa vai, conversa vem e no final de algumas horas todos os representantes do clube de teatro presentes estavam almoçando juntos em um restaurante a quilo que tinha do outro lado da rua sobre os mais variados assuntos. Terminada a refeição o grupo voltou junto à escola e de lá cada um foi para sua respectiva sala. Leonardo acabou sendo acompanhado por Tales. Ainda era cedo e havia praticamente ninguém dentro de sala àquela hora, então os dois puderam escolher suas carteiras. Acabaram sentando próximos à janela, Tales colocou seu material na cadeira a frente de Leonardo e foi logo se virando para continuar a falar de diversas teorias sobre o lado negro dos desenhos animados infantis. Ele estava no meio de uma hipótese especialmente perturbadora sobre Rugrats quando Alex entrou em sala.

Quando Leonardo percebeu que Alex vinha em sua direção sentiu o coração batendo mais forte. Ele não fazia idéia do que Alex poderia querer com ele, mas também, não conseguia nem pensar nisso. Sentia seu estômago dando uma pirueta enquanto sua respiração ficava mais rápida e aquilo era tão estranho e tão bom ao mesmo tempo. Mas... No final das contas Alex nem se dirigiu a ele.

_ Ei Tales, dês de quando você e o Leo são amiguinhos?

Ah é... Esses dois são amigos... Tinha me esquecido por um momento.

_ Dês de que ele entrou para o clube de teatro hoje de manhã. _ Replicou Tales com um sorriso.

_ Você fazendo teatro? Dês de quando? _ Perguntou Alex

Agora sim ele estava falando com Leonardo!

_ Ah, isso já faz alguns anos. _ Respondeu Leo já se sentindo mais revigorado.

Mas para seu azar, a professora começou a aula antes que a conversa pudesse se desenvolver. Foi um pouco decepcionante, mas fazendo um balanço geral de sua situação, até que as coisas não estavam tão ruins. Alex se sentara na carteira ao lado de Tales, estando assim na diagonal de Leonardo. Faziam apenas três dias dês de que ele decidiu investir em seu relacionamento com Alex e ele já estava sentado assim tão perto de seu predestinado. Talvez os dois até acabassem lanchando juntos no intervalo e depois disso se incluir em seu grupo de amigos pessoais vai ser ridiculamente fácil! Se tudo correr bem, o primeiro paço de seu plano estará completo em menos de uma semana, e então... Hohohohoho, então é que a melhor e mais perigosa parte de seu plano começa.

_ Eu vou chamar os nomes por ordem alfabética e vocês virão ao tablado pegar suas provas. _ Disse a professora em voz alta, acordando Leonardo de seu devaneio. _ Vamos começar. Abel!

Ao ouvir esse nome Leonardo não pôde evitar olhar para o outro lado da sala, onde Abel se levantava para pegar sua prova. Aquilo ainda era muito estranho para ele... o Abel estando ali, na sua turma. Todas aquelas conversas e tensões que ele teve durante a manhã o fizeram esquecer por um momento que ele existia, mas agora ele estava lá, andando pelo meio da sala com aquele sorriso tranquilo tão radicalmente diferente de todas as lembranças ele tinha do amigo de dez anos atrás. Por algum motivo que Leonardo ainda não entendia direito aquilo o fazia sentir algo meio amargo dentro dele.

_ Qual é o seu problema com o Abel? _ Perguntou Tales percebendo a expressão tensa com que Leonardo mirava o jovem indo pegar sua prova. _Você não foi com a cara dele?

_ Não é que eu não tenha ido com a cara dele. _ Respondeu Leonardo. _ Me encontrei com ele ontem, nem deu tempo de decidir o que eu acho e o que não acho dele. Eu apenas não me acostumei com a presença dele ainda.

Tales levou a mão ao rosto e ficou mirando o teto por alguns minutos com um ar pensativo.

_ Acho que se um amigo de infância meu virasse o Abel eu também estranharia na hora...

Ao entregar as folhas da prova, a professora sorriu largamente para Abel e lhe deus os parabéns. Ele sorriu de volta e foi para sua mesa. Ao ver a cena Leonardo não pôde deixar de comentar:

_ Não me diga que ele também tira boas notas?

_ Não parece né? _ Respondeu Tales. _ Todo mundo também estranhou do começo, ele não faz o tipo que estuda muito. Quando perguntam como ele consegue ele sempre responde que é porque tem boa memória e decora as coisas com facilidade. Muita gente diz que é história dele e que na verdade ele é um ninja da cola ou vira a noite estudando e não quer ficar com fama de nerd, mas ele realmente parece ser melhor nas matérias com mais decoreba, tipo biologia e história.

Aquela era uma explicação plausível. Alem do mais, uma das coisas que Leonardo se lembrava dos tempos do orfanato era que Abel tinha uma memória prodigiosa. Mesmo assim, ele nunca tinha sido bom aluno. Aquele novo Abel sentado do lado oposto da sala ia se tornando uma pessoa cada vez mais intrigante.

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Na hora do intervalo, Leonardo desceu para o pátio junto de Alex, Tales e mais um amigo deles, Diogo. Enquanto procuravam algum lugar onde sentar para comer, um amigo de Abel se aproximou de Leonardo e animadamente o convidou para ir lanchar com eles ao lado do pátio aberto. Polidamente, Leonardo se recusou da oferta dando a desculpa de que ainda tinha de pegar uma coisa na secretaria e por isso teria que comer rápido e ir embora, mas emendou a frase com a promessa de se juntar a eles no dia seguinte. O garoto pareceu um pouco decepcionado, mas o fez repetir o compromisso marcado para o outro dia e foi embora.

_ Sabe, você não precisava recusar o convite só por causa da gente. _ Disse Alex.

_ Não é isso, é só que... Eu ainda não me sinto completamente confortável ao lado do Abel.

_ Qual o problema? _ Disse uma estranha voz feminina. _ Está com medo de que ele te ofusque?

Os quatro olharam para traz ao mesmo tempo e viram uma sorridente menina, com olhos amendoados cor de mel e cabelos escuros cacheados presos em maria-chiquinha. Se mantinha ereta na frente deles, com os pés bem separados e as mãos na cintura, em uma pose que lembrava vagamente a apresentação de um personagem em um anime. Permaneceu calada enquanto encarava os garotos, como que esperando por uma reação.

_ Por acaso você já se esqueceu de mim? _ Perguntou a garota com aquele tom encrenqueiro que não contém nenhuma ameaça, como só as meninas conseguem fazer.

_ É claro que não. _ Respondeu Leonardo. _ Você a Laura não? Amiga da Raiane. Só me explica uma coisa, o que você quis dizer com aquilo de eu ter um problema com o Abel?

_ Hehe, fico feliz em saber que você se lembra de mim! Bem, e sobre esse assunto... _ Colocou a mão no queixo enquanto fazia uma pausa dramática. _ Pode-se dizer que eu conheço o seu tipo. Você deve estar acostumado a ser o mais popular da sala não?

_ Bem, eu estaria mentindo se dissesse que não. Mesmo assim creio que sou maduro o bastante para lidar com essas coisas.

_ Um garoto maduro humm? Bom, muito bom! _ Laura bateu palminhas animadas como que parabenizando Leonardo por sua resposta. _ Então se esse não é o problema, qual é? Está com medo de que ele roube suas garotas?

_ Por mais incrível que pareça eu ainda não tenho uma garota. _ disse em tom sarcasticamente normal. _ O meu jogo é um pouco mais devagar sabe.

_ Eu não estava falando de uma garota em especial! Eu disse “garotas”, assim, no plural. Com esse seu rostinho você deve estar até acostumado com elas te perseguindo. E vamos admitir que mesmo o homem mais maduro da suas vaciladas quando o assunto é mulher.

_ Huumm... Não posso negar completamente essa sua afirmação, mas deixe-me dizer que, como eu e o Abel temos aparência, personalidade e, conseqüentemente, charmes completamente diferentes, acho que não vamos tem problemas na hora de, digamos, cada um estabelecer a sua área de influências.

_ Entendo, entendo. Você é do tipo garoto elegante com boas maneiras. Cabelos loiros, olhos claros e um jeitinho de príncipe encantado. Já o Abel é mais do tipo “selvagem” com seus gostos esportivos, porte físico avantajado _ para não dizer gostoso_ e um jeito mais natural, mas sem deixar de ser gentil com as pessoas. Por esse lado é de se entender que uma garota que goste de você naturalmente não se sentiria muito atraída pelo Abel, não que ela o ache feio, apenas não é o tipo dela. Você tem razão quando diz isso, é uma questão biológica. Quando dois animais se alimentam de coisas diferentes eles não competem entre si, podendo dividir o mesmo nicho ecológico.

_ Não posso dizer que gosto da sua metáfora biológica sobre o assunto, mas acho que é mais ou menos isso o que eu quis dizer.

_ Bem que eu não sei se o Abel veria as coisas desse mesmo ângulo, afinal, todas as garotas são do Abel, hehehe.

_ Ele disse isso?

_ Não ele, mas é o que todo mundo diz. É que ele já ficou com um monte de garotas aqui da escola e parece que pelo resto da cidade também. Pelo que dizem ele é do tipo de gosta de todo tipo de garota.

_ Todo tipo? Mas não pode ser todo tipo todo tipo. Não tem ninguém que ele pelo menos pareça gostar mais do que as outras?

_ Huummm... Bem, tem aquelas com que ele sai mais como a Flavia Martins e a Julia Oliveira, mas eu diria que são elas que gostam muito dele e não o contrario. Tem também a Luli, mas para mim eles estão mais para bons amigos que de vez em quando se pegam. É que o Abel tem um tipo de “política particular” em que ele não se permite namorar ninguém. Ele diz que ele ainda e jovem e quer tentar todo tipo de coisa diferente entes de assumir um compromisso.

_ Isso... é nojento. _ Leonardo não conseguia esconder o asco estampado em seu rosto. Aquele era o tipo de pessoa que ele mais odiava. _ Ele até me pareceu ser do tipo... volátil... mas egoísta a esse ponto... Desculpa se eu pareço grosso, é que eu não consigo perdoar um homem que machuque o coração das garotas desse jeito.

_ E que problema você vê nisso? _ Disse Alex entrando na conversa. _ Ele é um garoto de 16 anos, é natural que ele queira sair com um monte de garotas. Se ele pode, por que não? Afinal, todas as garotas sabem muito bem que o Abel não é cara de se namorar, se elas são babacas de acreditar que podem mudar isso e ficam alimentando esperanças o problema é delas. Sem contar que os relacionamentos que você tem nessa idade sempre são os mais bobos e superficiais, não vejo problema em querer pular essa parte.

Como você pode dizer isso?! _ Ouvir o seu Alex dizendo aquelas coisas era um tanto chocante para Leonardo. _ Você não pode culpar as garotas por gostarem dele! A esperança de que a pessoa de quem você gosta sinta o mesmo por você também é algo que vem naturalmente, não é uma coisa que você possa controlar de acordo com o que você achar melhor! Isso é justamente mais um motivo para ele estar errado, mesmo deixando bem claro que ele não quer nenhum tipo de relacionamento sério ainda sim ele iria ferir o sentimento das pessoas em volta dele! E, me desculpa, mas eu não vou deixar ninguém dizer pouco dos romances da juventude, nem mesmo você Alex! Esse é o momento de nossa vida em que temos nossas primeiras experiências, em que aprendemos como se ama outra pessoa e em que ainda somos puros o bastante para amar sem medo de se machucar com alguma coisa! Eles são essenciais para o nosso crescimento como pessoas e não é algo que você possa simplesmente optar por tirar da sua vida!

Alex olhava surpreso para Leonardo enquanto este fazia o seu discurso. Fora pego desprevenido pela intensa seriedade que emanava de Leonardo. Ao seu lado, Laura batia palmas ainda mais empolgadas.

_ Isso! Perfeito! Sabia que você era do tipo príncipe encantado, mas não imaginava que você fosse tão bom nesse papel! Realmente, tem muitas garotas que odeiam esse jeito meio galinha do Abel e eu tenho certeza de que essas vão te a-do-rar!

Já mais calmo Leonardo parou de se preocupar com políticas pessoais em relação ao amor para se preocupar com Laura e sua felicidade exacerbada. Meu Deus a garota agora já estava dando pulinhos não tirava aqueles olhos brilhantes dele. Isso não podia ser normal. Enquanto isso Alex olhava para um ponto fixo no nada e segurava o braço esquerdo constrangido. Parecia que Leonardo não só ganhara todo tipo de qualidade nova e interessante como também desenvolveu as antigas. Alex ainda se lembrava dele sempre sendo o herói nas brincadeiras, o líder, o defensor da justiça, o ranger vermelho. Ele era o típico menino cheio de imaginação que acreditava piamente nos valores dos desenhos animados, chegando ao ponto de levá-los para fora das brincadeiras e se tornar aquele garoto que sempre defende os colegas mais fracos. Agora ele ainda acrescentou o título de “defensor do amor” à sua descrição. Como é que ele conseguia isso?

Naquele momento tudo o que Alex queria era enterrar a cabeça em algum buraco.