Perolas de uma vida.
3 Contato físico não pode.
– QUE BAIXARIA É ESSA ALUNO?! — gritou uma sargento do colégio militar, meu corpo estremeceu e eu fiquei em posição de descansar perfeita, ela olhou pra mim e quase cuspiu na minha cara, como se eu fosse um pedaço de merda, então eu suspirei pesadamente e então ela disse. — O que foi isso aluno? QUER ME VER CHORAR AQUI? — quase respondo que sim, mas me controlei e fiquei novamente em posição de descansar, o Major chegou um pouco depois com os avisos. Ele começou a falar e eu não prestei atenção em quase nada, a não ser uma parte que eu achei engraçada. — Contato físico N-Ã-O P-O-D-E!. — sorri, alguns outros alunos foram mais extravagantes e caíram na gargalhada, todos levaram anotação, mas eu não, eu sou muito ninja e não ri.
O major mandou o fora de forma geral e todos saímos, e a primeira coisa que vejo : Contato Físico. Pelo amor de Deus, o colégio é lotado, eles mandam um fora de forma geral ( Para os menos informados, fora de forma é quando todos saem de suas posições ai mesmo tempo e vão para o local destinado, nessa ocasião o local era a sala de aula ). Subir uma escada com outras 100 pessoas é bem difícil não encostar em ninguém, eu nem sou de anti-matéria pra atravessar todo mundo, e eles nem anotaram as pessoas que tiveram contato físico, o as ideias. Começou a aula e eu fiquei sentado na minha cadeira, encarando o professor de matemática constantemente, ele era estranho, mas não me importo, só pensava em ontem, até que toca a sirene para o intervalo e eu saio da sala, sendo atingido por uma bola de gordura em alta velocidade:
– ARTUR! SUA PUTINHA! — gritou Hugo, o aluno mais gordo do mundo, ele pulou encima de mim e quase me puxa pro chão, outro contato físico, e nada de advertência, eu me virei pra ele e disse. — Sai de mim, satanás. — então o joguei um pouco pra longe, sem usar muita força, mas eu devo ser um imã de gordos, porque o segundo aluno mais gordo do mundo, o Alen, ele pulou encima de mim também, e dessa vez eu cai no chão, e nada de anotação. Me levantei e limpei a poeira do meu uniforme então desci na companhia dos gordos. Andar entre dois gordos é tenso, as pessoas não querem passar pelos gordos e vão pelo meio, então ficam me empurrando como se eu fosse uma folha de papel. Depois de muita luta eu consegui descer os 20 degraus minusculos que me impediam de comer meu lanchinho em paz, mas quando desci o rosa correu até mim e tentou me dar uma voadora, sendo que ele não é nem doido pra tentar fazer isso, então parou no meio da tentativa e falou:
– Ei, ei, ei, ei, ei, eu peguei alguém. — ele disse, e parecia todo feliz, como se fosse pela primeira vez, sendo que ele poderia ser o cara mais rodado do mundo, eu dei um peteleco na testa dele e disse. — Finalmente, nem ta tão gay agora. — falei isso e me virei, quando vejo uma sargento vindo até mim e me anotando por ter dado um peteleco no rosa. Eu nem reagi, só respondi o que ela falava e me segurava pra não esganar a mulher, isso é inacreditável, as pessoas quase me assassinam e não são anotadas, eu encosto na outra e sou anotado, vai pra puta que pariu. Fui até onde meu pai trabalhava e peguei dinheiro pra lanche, comprei e comi o meu lanche e voltei pra minha sala, fiquei sentado olhando para o teto, sem fazer nada. O resto da aula passou rápido porque era História, e História está sendo sobre Mitologia, e eu amo mitologia mais do que eu me amo, então eu prestei atenção e participei da aula, sendo um dos poucos que realmente sabiam o que significava o Ragnarok na mitologia nórdica, não sei o que é mais triste, as pessoas não saberem algo assim ou eu saber algo assim. A aula acabou e eu fui pra casa, fiquei jogando basquete por um tempo com o meu irmão e fui para dentro e fui dormir. Escrevo muitas coisas inúteis nesse caderno de ocorrências diárias, mas isso não foi inútil, foi um apelo ao bullying comigo, porque não é nem com a minha raça, ou por eu ser gordo, é comigo mesmo, então, parem com isso.
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