Pernico - Love is a Long Road
7 Percy
Notas iniciais
– VII –
Percy
– Ei, cabeça de algas! Eu... eu aceito ser seu padrinho e amigo...
Nico estava de costas, Percy o fitou por um momento e sorriu. Fechou a porta e foi fazer seu assunto importante.
Não podia evitar pensar em todas as possíveis vezes que o filho de Hades o protegeu (até mesmo salvou-lhe a vida) em segredo. Todos esses anos, refletiu Percy, deuses, tudo faz sentido agora!
A primeira vez foi quando voltaram da missão para resgatar Ártemis e Percy teve que revelar para o menor que havia falhado em proteger Bianca. Foi quando aqueles esqueletos apareceram e o filho de Poseidon estaria bem encrencado se o menor não tivesse agido. E aquela fora só a primeira de muitas vezes.
A ajuda de Nico foi vital contra Minos no labirinto e Percy quase o matara quando Hades o prendera no Mundo Inferior com a ajuda de Nico que não fazia ideia dos planos do pai e este ainda arriscara a vida para tirá-lo de lá e ajudar com o mergulho no Estige. O filho de Hades conseguira, mesmo que sem querer, convencer Bob de que Percy era legal e isso salvou-lhe a vida, de novo. O menor foi até o Tártaro sozinho, cumpriu a promessa de levar todos à Casa de Hades. E, Percy sabia agora, ele teve de enfrentar um dos deuses mais cruéis no caminho, o Cupido. Nico também evitara a guerra civil e salvara Annabeth, quando podia... podia...
***
Chegou no Punho de Zeus. Àquela hora não havia nenhum campista por perto e Percy agradeceu por isso. Se preparou tentando lembrar as palavras que Piper lhe dissera para invocar a deusa do amor.
– “Oh pomba ledice do olimpo; das almas grave impo; imploro-te que atenda meu chamado; meu coração está desesperado!” – fechou os olhos em espera, embora pudesse parecer sereno seu interior estava inquieto. Vamos, vamos! Por favor...
Percy abriu os olhos e mirou em volta, nenhum sinal...
– Poderia ter a decência de ter me invocado com as palavras certas em grego antigo, mas hoje estou me sentindo generosa... – a voz vinha de uma mulher vestida com uma túnica violeta, calçava sandálias brancas cujas alças circundavam toda a panturrilha ao estilo grego. Os cabelos perfeitos, olhos que mudavam sempre de cor. Percy já a vira antes, mas parecia impossível se lembrar de tamanha beleza.
– Desculpe, foi o melhor que pude fazer... Estou com um grave problema e Piper, sua filha, me disse que você poderia me ajudar...
– Sim... – sussurrou ela olhando séria para o filho de Poseidon.
– Annabeth está mal... muito, muito mal... Você... você pode salvá-la?
– Você trouxe...
– Sim, claro... – completou Percy revirando os bolsos, tirou de um deles um pano branco e entregou para a deusa, o pano estava com um fio de cabelo da filha de Atena, Piper o instruíra a trazê-lo.
– Complicado... – a deusa pegou o fio analisando-o e então fechou os dedos sobre ele que desapareceu em um brilho rosa – Eu posso salvá-la de fato, mas há um pequeno custo...
Percy sabia que a ajuda divina nunca vinha de graça, estava preparado para entregar a própria vida se preciso fosse. A deusa que devia estar lendo seus pensamentos atalhou:
– Não fique nervoso, o preço mais alto já foi pago. Você só precisa prometer que não importa as coisas que possam acontecer, você jamais deve deixar de amar...
– Eu prometo!
A deusa estendeu a mão para que Percy a apertasse e assim selasse o acordo, o filho de Poseidon não hesitou nem por um segundo sequer. Uma luz rosa e branca surgiu no momento do aperto, Percy fechou os olhos com o brilho cegante e quando os abriu a deusa havia desaparecido.
O preço mais alto já foi pago, essas palavras tomaram conta de seus pensamentos. Ele não fazia ideia do que a deusa estava falando. Ele próprio estava disposto a pagar com a vida, Piper lhe avisara que o preço seria alto, mas "nunca deixar de amar" parecia algo típico da deusa do amor e Percy sabia que nunca deixaria de amar Annabeth! Mas... se não fui eu quem pagou o preço mais alto... quem poderia ser? Pensou de súbito se algo poderia ter acontecido à filha de Atena, então correu de volta a área dos chalés. Quando passou pelo chalé de Hades viu que a porta estava entreaberta. Nico nunca deixava aquela porta assim.
Ah Nico... Por favor, não me diga que foi embora de novo...
Percy achou melhor averiguar, chegou na entrada e abriu devagar a porta.
– Nico? – chamou – Tem alguém aí?
Foi quando que, na luz bruxuleante vinda do candelabro, Percy viu o filho de Hades caído como que desmaiado e correu para junto dele imediatamente.
– Nico! Nico! – chamou com a voz carregada pela preocupação – Vamos! Acorde! – Percy checou, o menor estava sem pulso e mais frio do que o usual – Não! Não, não! Nico o que foi que você fez?! Não, não!
Percy sentiu as lágrimas vindo até seus olhos. Puxou o menor para junto de seu peito e o abraçou, o filho de Poseidon balançava desesperado, as lágrimas caíam quando as sombras pareceram se espessar. No primeiro momento Percy achou que as lágrimas eram as responsáveis, estava enxergando embaçado, mas não, as sombras encobriam famintas o corpo de Nico. Quando Percy percebeu estava segurando um vazio, o corpo do filho de Hades desaparecera nas sombras e ele não sabia dizer se isso era bom ou ruim. Por ser filho do deus dos mares a água o curava, mas com Nico as sombras deveriam fazer esse papel! Percy desejou com todo o coração que sim, e sem saber por quê sussurrou para as sombras:
– Ah Nico! Por favor... por favor... por favor volte...
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