POV JASON

Desde que recebi a noticia de Leo, não havia dormido. Perambulava a mais ou menos uma semana nas ruas de NY. Tudo que fiz quando chegamos do hospital foi pegar algumas roupas e dizer a Nico que precisava ir para Chicago resolver alguns problemas na empresa. Mas isso não passava de uma mentira. Eu estava hospedado em um motel no subúrbio do Queens, perto da onde eu ia buscar droga, afinal a tensão que tomava meu corpo já me deixava incapacitado de tomar qualquer decisão coerente.

Entrei no meu pequeno quarto e conferi se todas as janelas estavam fechadas e me sentei na cama, carregava comigo um papelote de cocaína no bolso e uma seringa com heroína pronta para o uso. Era surpreendente como me sentia bem quando possuía aquelas malditas perdições em minhas mãos, a sensação momentânea de prazer e os enjôos causados por eles depois que acaba. Doía saber que minha vida já não tinha mais um propósito. Tinha diversos cortes no rosto, fazia um sempre que, em uma tentativa desesperada, tentava limpar as lagrimas. Eles ardiam um pouco mais não muito que saber que a pessoa que você ama está na beira da morte e não poder fazer nada em relação a isso.

Na frente de todos, eu sorria e fingia ser o cara mais afortunado do mundo, aquele que acordava com uma disposição de dar inveja, mas quando estava entre as paredes do meu quarto, usava a maior quantidade de cocaína que podia. Esse foi um dos motivos que voltei para a América, não queria mais ficar sozinho em outro país e temia morrer sem ver meus amigos novamente, sem ver Leo novamente.

Suspirei e comecei a preparar as pequenas linhas de cocaína em cima do criado mudo, antes de aspirá-los rapidamente deixando a sensação de a droga tomar meu corpo. Antes que perdesse a consciência, saquei a seringa e preparei alguma veia farta que eu ainda não tivesse perfurado e só então me deliciei com aquele liquido gelado percorrendo as minhas veias. Horas mais tarde me sentiria um lixo, choraria e juraria nunca mais fazer nada do tipo e que iria mudar. Mas agora eu queria sentir essa sensação momentânea, um pouco de alivio pra essa dor sem fim.

(...)

Não lembro qual foi o momento em que eu peguei no sono, só tinha a sensação de que tinha atravessado o tártaro de tanta dor que sentia em meus músculos. Senti o peso de algo ente a minha boca e meu nariz, sentia um tudo em minha boca e meus olhos tentavam com dificuldade focar o teto branco.

No meu braço direito, sentia algum liquido entrando e temi que a seringa que deixara ali estivesse me fazendo perder sangue. Tentei suspender a mão para alcançar ao meu lado, mas algo me impediu.

Forcei as mãos, o corpo e a cabeça até perceber que eu estava completamente amarrado na pequena cama pouco reclinada. Tentava forçar a minha memória e o desespero tomou conta da minha mente me impossibilitando de pensar e raciocinar. Me debati e gritava por socorro, sendo silenciado pelo tubo que preenchia até a entrada da minha garganta. A porta se abriu só aumentando a minha aflição e agitação.

– Jason! Sou eu – disse Nico, e sua imagem se focalizou pouco acima da minha cabeça.

Suas mãos frias seguraram meu rosto enquanto ele murmurava algo que eu não consegui ouvir, arregalei os olhos e tremia com a idéia dele ter feito isso comigo, me amarrando. Só que com cautela ele retirou o tubo, e a dificuldade de respirar tomava conta de mim naquele momento até que ele colocasse as cânulas em meu nariz, logo em seguida colocando a poltrona perto da cama, podendo assim acariciar os meus cabelos.

– Onde estou – disse baixinho com a respiração irregular e ofegante.

– Em um lugar limpo e seguro – ele respondeu com a voz amarga – Você teve uma overdose, a camareira do motel te achou babando no tapete. Acaram meu numero em sua carteira e entraram em contato. Pedi a sua transferência pro hospital que eu trabalho para cuidar de você – explico procurando meus olhos e silenciosamente me exigindo a verdade que eu não sei se conseguiria dizer em voz alta.

Eu sou um viciado novamente!

Virei o rosto e observei a luz do sol entrar pelas frestas da persiana, evitando qualquer tipo de conversa com Nico, já me sentia um lixo suficiente sem ele por perto pra ajudar nesta peregrinação.

– Vou voltar pra Londres – murmurei e virei o rosto para encontrar seus olhos novamente – Não vou ser um trabalho pra você...

– Não – ele disse controlada mente como se ensaiasse essa resposta durante um bom tempo, Nico suspirou e afrouxou as amarras da minha mão – Eu falei com Thalia e achamos melhor você ir pra uma clinica de reabilitação por um tempo – ele disse esperando a minha reação. Só de imaginar que ele programou me enclausurar em qualquer lugar me enojava, ainda mais em uma clinica de viciados.

– Não mesmo – ri em amargura com a ingenuidade de Nico achar que eu aceitaria isso de alguma maneira.

– Você não vai pra uma clinica de viciados – ele disse se levantando indo em direção a porta. – Você já está em uma – e assim ele saiu.

Me deixando perdido em meus próprios demônios.