Perigo eminente...
30 Novos ares
Notas iniciais
POV PERCY
Adorava meu emprego! Trabalhar em um aquário em New York era simplesmente perfeito e melhor coisa que eu podia imaginar acontecer.
Bom, afinal, muita coisa aconteceu nos últimos cinco anos! Após a guerra os deuses resolveram nos recompensar deixando-nos viver em meio dos mortais sem que um monstro arrancasse nossa cabeça em uma esquina qualquer.
E tudo muda radicalmente, Nico foi o primeiro a sair do acampamento, se fechou e quase nunca fala com ninguém, agora mais velho trabalha em um necrotério (diga-se de passagem, que é a sua cara), alugou um apartamento a quase três quarteirões daqui. Da ultima vez que o vi, seu corpo estava completamente cheio de tatuagens, desenhos que eu não compreendo e na parte superior do tórax o nome de Bianca... Bem nosso relacionamento mudou, mas pra dizer a verdade não tínhamos nenhum relacionamento, sabia que ele tinha seus casos que durava pouquíssimo tempo, isso me magoava, mas não deixa transparecer o amor que jamais seria correspondido.
Leo mudou-se pouco tempo depois, morava no Argo II em um porto por ali para não levantar suspeita. Trabalhava de “faz tudo”, ou melhor, “concerta tudo” e vivia muito mais em seu flex do que em seu próprio navio. Ele acabou não se casando, como eu imaginava! Tornou-se um cara solitário, sem ninguém, geralmente bebia alem da conta e eu o socorria por morar mais perto dele. Nos torná-mos grandes amigos, ele me contava seus segredos enquanto estava completamente bêbado e adora passar a tarde fazendo melhorias no apartamento de minha mãe e encantava Paul com suas bugigangas.
Jason foi embora do acampamento sem que ninguém soubesse, um belo dia depois de meses descobrimos que ele estava em Londres, que trabalhava em um aeroporto com aviões e tudo mais. Ele não se abre com ninguém e ao me encontrar com Thalia, sua irmã, descobri que ele estava com problemas relacionado a remédios controlados, sabia que a anos atrás Jason teve envolvimento com drogas e que atualmente ele faz tratamentos para superar o seu passado turbulento.
Annabeth foi mãe solteira, logo que Peeta desapareceu do acampamento há cinco anos, ela deu a luz a uma menina linda que chamou de Cecília, Annabeth se mudou para Manhattan, e cuidara muito bem de sua filha até finalmente se casar com um filho de Hermes que me lembrava muito de Luke.
Os únicos que permaneceram no acampamento foram Frank e Hazel que hoje são pretores de nova Roma e em breve se casaram, graças aos deuses eles finalmente decidiram se casar.
– Já está dispensado Jackson –Gritou meu chefe do topo do aquário.
– Okay senhor, já estou saindo – Disse terminado de alimentar algumas focas.
Quando finalizei meu serviço fui até o vestiário tomar um banho e me trocar para ir embora. Reuni minhas coisas e dei uma olhada em meu celular para checar algumas mensagens. Claro que o filho de Hefesto não permaneceria desaparecido por muito tempo.
Valdez 18:35
Vamos sair pra beber? Go é sexta feira!
Percy 18:37
Você bebe todo dia!
Valdez 18:37
Não seja indelicado, vamos curtir um pouco.
Percy 18:38
Não mesmo, você nunca se diverte!
Respondia as mensagens animadamente, não queria sair, não mesmo! Hoje é sexta feira, tudo o que eu mais queria era estourar pipoca e assistir os episódios reprisados de hell's kitchen. Afinal qualquer noite de bebedeira com o senhor Leo sempre acaba em alguma confusão e muitas coisas minhas quebradas. Sai pela porta da frente do aquário cumprimentando algumas crianças que vira mais cedo atormentando os pobres animais marinhos. Até que encontrei o Valdez vindo em minha direção!
– Você é persistente – disse o cumprimentando com um tapinha no ombro.
– Eu sou Leo Valdez ora essa – disse ele fazendo graça. Realmente o tempo só fez bem a ele, continuava com uma cara infantil só que um toco de mistério e sensualidade. Carregava sobre os ombros um fardo de culpa tão grande que deixava em suas piadas um ar de tristeza. Sabia que sentia falta de Jason, e doía saber que não poderia ajudá-lo. Seu corpo com porte atlético mesmo que magro ele tinha lá as quantidade de músculos aceitáveis. Seus lábios carnudos era a tentação de muitas meninas que sequer poderiam sonhar com ele de tão inalcançável que era Valdez.
– Como foi seu dia? – perguntei esperando o sinal ficasse verdade para poder comprar um café no Starbuks do outro lado da rua.
– Chato – murmurou com um ar melancólico.
– O que houve?
– Sei lá, hoje faz dez anos da morte da minha mãe – ele comentou olhando o topo dos prédios. Ah droga eu havia me esquecido completamente disso, devo ter marcado em algum lugar de casa. Senti uma pontada na alma, não imaginava o que não era ter uma mãe e muito menos como é vê-la morrer diante de seus olhos.
– Sinto muito – disse encarando aquelas orbes castanhas.
– Todo ano você diz isso – ele disse com um sorriso no rosto.
Atravessamos e entramos na cafeteria, fiz o meu pedido e perguntei a ele se queria algo, ele pediu um café médio e um pão de queijo. Pegamos nossos pedidos e fomos sentar na mesa perto da janela, a nossa favorita.
Leo estava particularmente quieto aquele dia, comeu em silencio sempre vendo os carros e as pessoas que caminhavam na rua sem dizer uma única palavra. O observei nostálgico lembrando da época em que ele era apenas uma criança.
– Você sente falta dele? – ele perguntou um tempo depois. O encarei sem resposta, sabendo sobre quem ele me perguntava... O único cara que conseguira fazer algo a não ser desejo... Nico.
– Sim – murmurei tomando um gole de meu café.
– Bem, eu o encontrei hoje – comentou Leo com o pão de queijo na boca.
– E como ele está? – perguntei com a voz embargada cheia de saudade.
– Não sei, posso dizer que ele estava “Nico di Ângelo” – falou fazendo as aspas com a mão fazendo graça o que me fez sorrir. Lembrei da ultima vez que o vi, a mais ou menos um ano e meio, no aniversario de Cecília, nós não conversamos e muito menos trocamos uma palavra se quer, mas só o ato de vê-lo me deixou com o coração cheio de magoa ternura.
– Onde o encontrou? – disse quebrando o gelo de minhas lembranças.
– No hospital – ele comentou casualmente e quase cuspi todo o meu café em sua cara. Afinal o que ele estava fazendo em um hospital?
– Fazendo...? – questionei assustado
– Ele trabalha em um necrotério, deve ter ido lá pegar um corpo, não trocamos mais do que três palavras – ele disse amargamente.
– E o que você estava fazendo em um hospital? – disse nervoso com a sua troca de assunto repentinamente no estilo “Vamos mudar de assunto”.
– Fui arrumar um aparelho de raio – x – falou com a voz fraca e então eu percebi a sua mentira iminente. Simplesmente ele não sabe mentir. Não o questionei, talvez ele só fosse lá à procura de algum apoio psicológico por causa da mãe, não sei como é sentir essa dor de perda... Quer dizer eu sei muito bem como ele se sente.
– Não me esconda nada okay? – disse acariciando a sua mão sobre a mesa.
– Não mesmo – ele falou retribuindo — me o carinho
(...)
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