Perigo eminente...
48 Não era pra ser
POV NICO
Leo morreu apenas três dias depois de seu aniversario. Na madrugada da véspera de natal. Era como se todos já soubéssemos de sua partida antes de que seu coração parasse de bater finalmente. O dia em si foi estranho, NY acordou mais triste aquela manhã, o dia foi cinza e seco. Era aproximadamente 2h da manhã quando meu celular vibrou no criado mudo. Atendi rapidamente e fui respondido com o silencio mortal, apenas o choro sincero de Percy do outro lado do telefone. Fiz uma pequena prece ao meu pai, antes de realmente entrar em choque.
– Quer que eu vá ai? – perguntei com a voz rouca e frágil.
– Não, fique com Jason – murmurou Percy do outro lado da linha – Ele vai precisar...
O telefone ficou mudo enquanto eu tentava compreender o que o filho de Poseidon sobre a morte de Valdez. Parece que depois de lutar tanto pela vida, seu corpo cedeu ao câncer e finalmente parou de funcionar. Leo ainda ficou inconsciente por uma hora antes de realmente partir. Quando desliguei o telefone, levantei com o corpo tremulo, concentrando minhas forças para não cair ao chão ou me jogar pela janela, caminhei a pequenos passos até o quarto de Jason, entrei e me deitei ao seu lado na cama abraçando com força o seu corpo. Grace estava dormindo e acordou assustado comigo enrolado em seu corpo, ele sentou-se e acendeu o abajur, e a ficha caiu quando me viu com o rosto banhado em lagrimas.
– Não... – ele murmurou – Não, ele não se foi... – disse outra vez com o timbre grave – Por favor, Nico, diz que ele não se foi – suplicou em um sussurro desesperado. Era difícil compreender o que aconteceu depois disso, Jason gritava e chorava compulsivamente, tremia e se debatia com toda aquela dor, por vezes ele engasgava com o próprio choro, inconsolado com a perda trágica de Valdez.
Horas se passaram com os nossos corpos enrolados um ao outro, queria dar a Maximo de apoio que ele precisava, me sentia destruído e culpado pela morte de Leo. Eu o abandonei, deveria ter ajudado e obrigado ele a parar de beber. Isso não teria acontecido se eu estive ficado ao seu lado no momento que ele precisou.
(...)
Levantei horas depois, o meu sono péssimo, muitas vezes atrapalhado por suspiros e soluços de Jason que acabou adormecendo depois das 8h, o céu estava nublado com uma fina garoa que diminuía ainda mais a sensação térmica, logo começaria a nevar. Conferi as mensagens em meu celular e só havia duas mensagens, a de Percy que havia me mandado o horário em que levariam o corpo de Leo para o Acampamento para a queima de sua mortalha e outra do hospital dizendo que eu tinha um corpo para fazer autopsia, e uma em seguida dizendo que os familiares não haviam liberado o corpo e que levariam assim mesmo para o cortejo. Cresceu um nó em minha garganta, sabia qual era o cadáver, imaginar Leo naquela mesa de metal fria para que eu pudesse abri-lo e ver o câncer que o destruiu de perto.
Isso era demais pra mim.
Usei todas as forças que tinha, prendi o ar e me joguei da sacada.
Diretamente para o mundo inferior.
(...)
– Você não deveria estar aqui! – disse Perséfone abrindo as portas do palácio de meu pai.
Ignorei a sua presença e segui até onde meu pai ficava seu lugar favorito do castelo. Desde que me tornei um mortal, essa era a primeira vez que retornava ao palácio de Hades nos confins do mundo inferior, só de pensar que quando mais jovem, eu passava mais tempo lá do que no mundo dos mortais.
Hades estava sentado com o seu típico traje de veludo onde estavam aprisionado muitas almas desesperadas de muitos inimigos que ele conquistou ao longo dos séculos. Cabelos negros como os meus e uma cara nada surpresa a me ver aqui.
– Já sei o que veio pedir – ele murmurou jogando uma moeda pra o alto e depois ela caiu novamente na palma de sua mão – e a resposta é... Não!
– Pai ele salvou vocês! – disse indignado com a sua frieza que ironicamente eu também carregava em minhas veias – Ele salvou o mundo e você não pode salva-lo?
– Você não deveria estar aqui... Isso esta acabando com a sua força vital! – murmurou desinteressado lustrando a moeda em sua roupa.
– Por favor! – implorei – Leo é um bom cara – disse.
– Era um bom cara... – corrigiu-me.
– Só deixe Leo ter mais uma chance! – gritei sentindo a raiva ultrapassar meu corpo com o medo. Hades se levantou ofendido por meus gritos, como se eu acabasse de atingi-lo com um tapa em sua face.
– Olha aqui garoto – começou ele com a fúria no olhar – O próprio hefesto veio aqui me implorar uma chance! Eu sou o deus do mundo inferior e não um milagreiro qualquer – disse com a voz acida e eu não recuei. – E não foi minha opção! Leo salvou a sua vida!
– Como? – perguntei confuso com suas palavras, atormentado com o que ele havia acabado de dizer, como assim Leo salvara a minha vida.
– Isso mesmo! Era destino, a profecia dizia que apenas sete poderiam salvar o mundo... E bem pelas contas, vocês eram oito... Alguém não devia ter sobrevivido... Era seu destino ser o sangue do Olimpio. Ele trocou de lugar com você...
(...)
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