Notas iniciais
VAMOS APIMENTAR A HISTÓRIA, TERA LEMON, MAS VOCÊS PRECISAM TER CALMA. JASICO E PERLEO

POV NICO

Eu queria muito dormir aquela noite. Afinal eu não consigo boas noites de sono desde a morte de Bianca e isso faz bem um nove anos! Nove anos de noites mal dormidas. Mas todos os dias eu tinha a esperança que essa seria a noite, à noite em que eu colocaria meu sono em dia... Isso não passava de esperança.

– Se precisar de algo – disse chamando a atenção de Jason – é só chamar!

– Mas ainda são seis horas cara! – falou conferindo o horário do relógio.

– Eu costumo dormir cedo! Se quiser tem cerveja, pode comer o que quiser e a senha do wi-fi é “sai do meu Wi-fi” tudo junto – explique entrando no corredor e em seguida fechando a porta do meu quarto. Fechei as janelas e desliguei as luzes.

Ter Jason aqui era estranho, porem eu gostava muito de sua companhia. Desde que sai do acampamento ele foi a única pessoa que mantive contato, a única pessoa em que eu me preocupei em saber se estava bem ou não. Nem mesmo a minha irmã eu mantenho laços tão fortes como os que eu mantenho com o filho de Júpiter.

Quando sai daquele acampamento pensei que poderia esquecer tudo e começar uma nova vida, mas eu estava enganado. Todo dia a confissão de Peeta me assombra, consigo ouvir claramente ele sussurrando que matou Bianca por vingança. Sinto-me tão culpado por sua morte, as noites são mais longas, o meu choro é mais longo, minha tristeza é perpetua. Esses mesmo pensamentos me acompanharam até que finalmente consegui pegar no sono.

Acordei com o corpo suado, a respiração ofegante, o enjôo de sempre e com a sensação horrível que sempre sobrava depois dos meus pesadelos. Tentei me acostumar com o escuro e acalmar meus sentimentos. Olhei no relógio

“Droga ainda são 20h” pensei.

Fui até o banhei do quarto e lavei o rosto tentando ficar com há aparência um pouco apresentável. Outra vez sonhei com a cena da morte de Bianca e o riso maldito de Peeta no fundo, queria pelo menos uma vez dormir sem ter que passar por isso, uma mistura de culpa e remorso. Coloquei uma calça de moletom preta que estava no chão do banheiro e fui até a sala.

Jason estava sentado no sofá com uma posição rígida assistindo um canal qualquer sem concentração alguma. Sem duvida devia estar sobre o efeito de algum remédio. Tinha pena de Jason, ele sentia tanta falta de Leo, mesmo que ele não falasse, eu pude ver em seu semblante assim que o reencontrei que mesmo depois de anos essa amar não tinha morrido e talvez nunca morresse. Ele me lembrou o mesmo adolescente apaixonado que estava ajoelhado no chão da cabine chorando a perda de seu único amor.

Sabia como ele se sentia enquanto a isso...

– Está tudo bem? – perguntei sentando em minha poltrona de couro azul escuro.

– Sim – disse seco com pouco entusiasmo.

– Aprendeu a falar coreano? – Perguntei notando que ele assistia o canal de noticias da coréia do sul. Sério ele não sabia disfarça.

– Só estava pensando um pouco – ele disse e assim que percebeu a sua gafe deu um sorriso e desligou a televisão – Sempre tem pesadelos assim? – perguntou me encarando. Seus olhos estavam vermelhos como se estivesse chorando, mas mesmo assim o azul continua hipnotizante.

– Há cinco anos – murmurei desviando o olhar. – Estava chorando? – perguntei desviando o assunto, afinal eu sabia fazer isso muito bem. Ele deu um sorriso de canto de boca, forçou os olhos e olhou pela janela procurando talvez uma resposta coerente. Mesmo se fazendo de forte, Jason era mais frágil do que todos imaginavam, ele tinha medos e seus monstros o perseguiam esperando que fraquejasse.

– Há cinco anos – ele respondeu – Só não sei lidar com isso!

Pensei em responder alguma coisa, mas fiz algo que até me surpreendeu! Caminhei até ele e ajoelhei no chão, abraçando-o logo em seguida. Sentia a sua respiração, seu coração, seus medos, suas incertezas... Podia sentir Jason.

Pode parecer engraçado que depois da “nossa noite”, estamos muito mais sensíveis aos sentimentos do outro, eu consegui saber só olhando no fundo de seus olhos o quanto estava feliz ou triste. Parecia que estávamos unidos por uma linha tênue, algo forte, uma relação inabalável! Consegui toca-lo sem sentir vergonha, conseguir ler suas emoções, avançar em campos que ninguém nunca chegou.

– Tudo bem – murmurei acariciando seus cabelos.

– Obrigado – disse me abraçando mais forte causando-me um pequeno incomodo – Você ficou muito gay desde a ultima vez que te vi – ironizou. O empurrei meio nervoso.

– Vamos sair pra beber? – perguntei tentando mudar de assunto procurando alguma coisa boa na televisão. (Nota: TV a cabo só tem merda)

– Você não ia dormir? – ele questionou jogando o pé no criado mudo e se espreguiçando. Jason era um babaca no quesito ironia e sacarmos.

– Eu já dormi, tenho certeza que esgotei as minhas horas de sono por hoje – expliquei – E tira seus malditos pés do meu criado mudo!

– Vamos então – concordou cruzando os braços em torno da cabeça, ressaltando seus músculos deixando ainda mais definidos. O filho de Júpiter era extremamente bonito e agora mais velho, com um ar mais maduro, uma beleza mais cansada.

– Vá se arrumar então – falei jogando uma almofada nele – Boneca!

(...)

POV PERCY

Tinha a sensação que Leo estava me escondendo algo. Isso não saiu da minha cabeça desde que ele foi ao meu emprego e contou que tinha visto Nico em um hospital. Bem os deuses após nos presentear com uma vida mortal, disseram que o néctar poderia apenas curar pequenas doenças como gripe e tudo mais, ou seja, algo bem simples.

Pegamos o metro e fomos até a minha casa. Leo e eu estávamos ansiosos pela janta, que provavelmente era algo mexicano! Bem minha mãe sabia muito bem que eu e Leo amávamos quando ela fazia tacos. Eu amo muito qualquer coisa que minha mãe cozinha, ainda mais quando fica azul... Gente nada supera comida azul, acho que o simples fato de ser azul já é comível.

– Vai dormir em casa hoje? – perguntei enquanto ele checava quantas estações faltavam para enfim chegarmos.

– Não sei, se ficar muito tarde talvez...

Continuamos o nosso percurso até enfim entrarmos no prédio. Tenho que confessar que fiquei com uma fome danada e não conseguia mais esperar o elevador descer então caminhei pelas escadas, sem duvida subir até o oitavo andar só pioraria a situação do meu estomago.

– Sério isso? Vamos de escada? – falou incrédulo olhando alternadamente entre mim e o elevador que tardava a descer.

– Vamos! Deixa de ser preguiçoso!

Lembrei-me de quando éramos adolescentes cheios de garra, lembro de quando eu corria de um canto para o outro, de quantas vezes eu dormia me debatendo de tanta energia que eu não consegui utilizar durante o dia. Agora bem mais velho eu só queria passar os meus dias de folga dormindo e assistindo TV.

Estávamos quinto andar quando Leo parou e se desequilibro, corri e peguei em sua mão, evitando que ele caísse e tivesse uma fratura ou algo mais grave. Ele se sentou e ofegante, não conseguia me explicar o que havia acontecido. Tinha medo que ele me escondesse algo, o senhor Valdez é craque em esconder as coisas, mas não a mentir. Ele simplesmente não conseguia inventar e muito menos manter uma mentira. Uma vez ele quebrou o braço e tomou um pouco de néctar que só resolveu parte do problema, Leo escondeu de mim até que eu o convidei pra jogar Baisiball, ai sim ele me contou a verdade.

– O que está acontecendo? – perguntei enquanto ele respirava com dificuldade encarando o chão.

– Nada – falou ofegante, tentando se concentrar e sustentar um olhar despreocupado. Odiava quando ele fazia isso, as vezes nem sempre podemos esconder tudo de todo mundo.

– Você está doente? – questionei completamente sério.

– Anemia – murmurou – Já estou tomando remédios...

– Sério? Não minta pra mim e...

– Não estou mentindo – disse ele me cortando – agora podemos ir comer Tacos?

– Tudo bem – disse ajudando ele a se levantar.

Entramos no apartamento com muita algazarra como sempre, Leo cumprimentou minha mãe e meu padrasto e se jogou no sofá esperando que os tacos chegassem. Entrei na cozinha e o cheiro estava realmente muito bom, nada superava comida de mãe, absolutamente nada!

Minha mãe estava mais velha com o semblante mais calmo, estava sempre paciente e muita mais feliz. Finalmente depois de doze anos voltamos a morar junto, sem escolas integrais e sem acampamento. Finalmente éramos uma família, éramos somente eu e ela, sem monstro, sem preocupações e sem guerra.

– Como foi seu dia filho? – ela perguntou.

– Cansativo sem duvida – expliquei – Muitas crianças!

– Percy nós precisamos conversar – ela disse como se algo lhe incomodasse. Suspirei, pensei que fosse algo que aconteceu com ela, ou algo no acampamento, deixando-me completamente inquieto. Odiava quando ela me surpreendia assim.

– Pode falar... Sobre o que é?

– Sobre Gabe – ela murmurou. Senti gosto de bile quando lembrei deste maldito, o ódio percorreu meu corpo e aquelas antigas sensações contarão a tona. Não sei sobre o que ela queria falar, não sei o quanto ela sabia, mas eu não estva disposto a discutir aquilo com ela.

– Mãe, eu não quero falar sobre isso – falei com a voz acida.

– Filho... Ele te tocava? – ela questionou acariciando meu rosto. Pude sentir meus olhos arderem, mal indicio que lagrimas estavam vindo a toda vapor, e todo sentimento acumulado estava se esvaindo de meus poros. É como se eu pudesse ouvir novamente seus gritos, sentir seu cheiro repugnante, a dor que ele me causava... Não respondi, acho que a minha reação foi suficiente para que minha mãe soubesse a resposta.

– Me desculpa filho – ela murmurou com lagrimas nos olhos.

– Não foi sua culpa mãe – disse – Não se sinta culpada por isso.

– Mas eu podia...

– Não – a cortei – Agora acabou! Ele desapareceu de nossas vidas – disse massageando seus cabelos, tentando a consolar, afinal, Gabe não pode mais nos fazer nenhum mal!

– Tudo bem – falou enxugando as lagrimas – Agora vá se servir!

(...)

Horas mais tarde, arrumava a cama para que enfim pudesse dormir, essa semana foi cansativa e não estava disposto a perder mais nenhuma hora de sono.

Leo arrumou um colchão ao lado da minha cama, como sempre fazia gora estava de fones de ouvido ignorando todo e qualquer barulho. Fiquei imaginando o quando ele estava ficando folgado. No inicio ele era tímido e mal sentava no sofá de tanta vergonha, hoje em dia ele se joga em minha própria cama e eu tenho que batalhar por meu próprio colchão.

– Eu queria que minha estivesse viva – sussurrou depois que apaguei a luz, fiquei sem reação, logo que Leo jamais fala qualquer coisa sobre Esperança Valdez, nunca ouvi nada alem de um comentário como “Minha mãe era boa nisso”.

– Eu não sei o que dizer – murmurei envergonhado.

– Ela saberia como lidar com as coisas e cuidaria de mim como a sua mãe cuida de você sabe... – ele continuou ignorando qualquer coisa que eu diga. – bom é melhor eu dormir...

– Boa noite – disse pouco antes de pegar no sono.

A noite foi tranqüila até que eu acordasse confuso com um barulho esquisito, estava em um estado letárgico, com os membros dormentes tentando me acostumar com a escuridão. Tateei o meu criado mudo a procura de meu celular. Droga ainda era 2h16 da madrugada.

Escutei outra vez um sou grave bem baixo, liguei o abajur e me deparei com uma cena trágica. Leo estava ajoelhado com uma cara de dor aguda enquanto vomitava, o desespero tomou mina alma assim que meus olhos formaram a possa de sangue debaixo dele. Fiquei parado sem reação, antes de pular da cama para ajudá-lo. Ele não conseguiu dizer nada, somente continuou vomitando tudo o que comeu mais uma grande quantidade de sangue.

– Precisamos ir a um hospital – disse segurando seu rosto entre as mãos.

– Esta tudo bem – disse com a voz baixa e falha – desculpe pelo carpete...

– Leo! Isso é serio – eu gritei tentando chamar sua atenção. Leo limpou a boca na gola do pijama e se endireitou para podermos ficar cara a cara, e podia ver o pânico em seus olhos.

– Esta tudo bem, já estou cuidando disso – explicou.

– Quando ia me contar? O que é isso? – perguntei tentando manter o controle.

– Eu ia contar quando tivesse certeza – sussurrou.

O abracei com força, com medo e com toda a paciência possível. Tentei manter meus sentimentos sobre controle, inspirei e expirei diversas vezes, mas meu corpo tremia junto ao dele. E como se a situação não pudesse ficar pior, o filho de Hefesto desfaleceu em meus braços.

– Paul, socorro – gritei.

(...)

Notas finais
- JASICO E PERLEO? É ISSO MESMO PRODUÇÃO? - NOT SPOILER U-U