Perhaps
3 Valente
Notas iniciais
E sim, eu sei que não está de acordo com o filme. Ok. Eu assisti ele faz tempo e quando escrevi, fiquei com preguiça de ver de novo. e_e
Eu me senti um pouco enjoada ao cruzar o portal. Ele misturava lindas cores e me deixou maravilhada. Do outro lado, o ar era puro. A floresta era calma e silenciosa. E esse clima me fez esquecer um pouco a dor que sentia por estar longe de casa:
-Onde você acha que estamos? — Lexy me perguntou.
-Eu não sei. Não conheço muitos mundos...
Foi então que eu vi luzes flutuantes. Elas flutuavam a meio metro do chão e eram como chamas azuis. Queimando fervorosamente. Eu as indiquei para Lexy:
-O que é aquilo? – Ele perguntou.
-Acho que devemos segui-las. — Eu disse. Lexy me olhou estranho. – Você tem uma ideia melhor?
-Elas são um pouco suspeitas... – E você pensa demais! Sem paciência, eu pego em sua mão e o puxo em direção as luzes. A mais próxima de mim se apaga e eu me assusto. O mesmo acontece com as outras luzes enquanto nos aproximamos de cada uma.
Elas nos guiaram pela floresta até uma estrada de terra. Não muito longe de onde estávamos, uma placa com uma grande seta indicando para a direita com uma escrita embaixo: “Terras Altas da Escócia”.
-Vamos seguir este caminho. – Eu não sei como consigo toda esta convicção.
Lexy toma à dianteira, quando algo inesperado acontece: Eu ando calmamente e num piscar de olhos, uma alguma coisa atinge uma árvore a poucos centímetros da minha cabeça. Eu me ajoelhei no chão, assustada:
-Mira! – Ele gritou e veio na minha direção. Eu estava com as mãos na cabeça e com os olhos fechados. – Você está bem? – Eu o senti colocando sua mão enluvada no meu ombro. Abri os olhos e assenti. Ele me estendeu as mãos e ajudou-me a levantar.
Ao olharmos para a árvore atrás de mim, uma flecha estava cravada no tronco:
-De onde você acha que veio? – Lexy rodeou o objeto por um tempo e então se posicionou abaixo da flecha e levantou o braço indicando uma direção.
-Se seguirmos o caminho oposto, talvez achemos uma resposta. – E eu o segui. Faz pouco tempo que chegamos neste mundo, mas ainda estou maravilhada com ele.
Andamos em meio as árvores até enxergarmos uma clareira e ouvimos urros de uma multidão. Quando finalmente saímos da floresta, o que vimos surpreendeu: Um campo aberto lotado de pessoas. Havia três alvos e três garotos na frente deles. Mas também havia uma garota: Ela usava um vestido azul rasgado e seus cabelos eram ruivos e selvagens. Ela atirou no primeiro alvo e acertou. Isso aconteceu também no segundo. Quando ela fez isso, todos ficaram chocados.
Foi então que reparei em uma mulher de cabelos castanhos que usava uma coroa dourada levantou-se do seu assento.
-Eu sou Merida. E eu vou competir pela minha própria mão!
-Merida, pare com isso. – A mulher gritou enquanto a garota dirigia-se para o terceiro alvo. – Não se atreva a disparar outra flecha! – Mas foi tarde demais. A flecha já estava no ar. E logo atingiu o círculo vermelho.
As duas se encararam durante segundos e então a ruiva se retirou. Só então repararam na nossa presença:
-Quem são vocês? – Ela ainda possuía o mesmo olhar rude que fora direcionado para a garota ruiva. Eu recuei.
-Eu sou Lexy e ela é a Mira.
-E o que vocês fazem no meu reino?
-Estamos apenas de passagem. Esperando o momento certo para abrir um portal. – A mulher agora parecia mais calma.
-Pois bem, vocês terão o tempo que precisarem. Eu sou a rainha Elinor. – Agora seu tom era melancólico. Ela se retirou de cabeça erguida.
Eu olhei para Lexy:
-Você acha que devemos ir atrás dela?
-O que você achar melhor... – Não foi difícil achar a garota ruiva. Para onde ela havia fugido as árvores eram mais separadas umas das outras. Logo a avistamos sentada em um toco de madeira seca. Havia um lindo cavalo negro ao seu lado. Lexy permaneceu atrás de uma árvore e me fez um gesto para seguir em frente.
Eu me aproximei:
-Olá. – Ela parecia estar perdida em pensamentos. Eu sentei em uma pedra.
-Olá. Eu lhe conheço?
-Desculpe. Eu sou Lexy. E você deve ser Merida. – Ela balançou a cabeça positivamente. – Eu vi o que aconteceu agora a pouco. Pelo o que vocês estavam competindo?
-Minha mãe organizou esta competição idiota. Quem ganhasse, teria o direito de casar comigo. Minha mãe está sempre fazendo isso. Mandando na minha vida! O meu destino não pertence a ela! – Ela olhou para mim com os olhos brilhantes. – Se você pudesse mudar o seu destino, você mudaria certo?
-Bem... No meu caso, eu estava bem feliz com o meu destino, mas ele deu um jeito de mudar sozinho.
-Eu daria tudo para ser você! – Tudo o que pude responder foi com o silêncio. – Mas eu já me decidi! Eu vou seguir as luzes! – E antes que eu pudesse respirar, ela já havia montado no cavalo e cavalgou velozmente para a floresta. Eu vi vagamente traços azuis.
Lexy saiu de seu esconderijo. Eu me pergunto o porquê dele ter ficado escondido.
-O que você está esperando? Vamos atrás dela!
-E como vamos alcançá-la? – E como se a resposta fosse óbvia, ele fez surgir diante de nós UM cavalo inteiramente branco já selado e pronto para montar. Ele subiu na sela e estendeu a mão para mim. Eu apoiei meu pé direito na pedra e dei impulso. Quase caí, mas sentei em segurança no dorso do animal.
-Melhor se segurar. – Ele disse sem olhar para mim.
Hesitei antes de abraçá-lo. Sua capa era de um tecido macio e estava fria. Quase perdi a noção de onde estava. Ele tinha um perfume que não identifiquei. Não parecia ter cheiro de nada, mas mesmo assim, cheirava todas as coisas boas que eu tenho conhecimento. Acordei de meus devaneios quando a montaria empinou, ainda bem que eu estava segurando firme. Depois que me acostumei ao galope espiei a minha volta. Tudo se movia como um raio. Não ousei soltá-lo. Talvez por medo de cair ou abandonar a sensação calorosa que inundava meu coração. Quando ousei olhar para frente, pude distinguir na linha do horizonte cabelos vermelhos esvoaçantes.
Nós a seguimos por vários minutos até chegarmos a uma humilde casa de madeira. Lexy me ajudou a descer do cavalo e o amarrou em um tronco. Abrimos a porta cautelosamente.
Merida estava mexendo em algumas esculturas de madeira em formato de urso. E o mais curioso é que havia várias delas espalhadas por toda a parte. Esculturas de ursos em diversas poses espalhadas por prateleiras, penduradas no teto e também no chão. Havia uma senhora com cabelos grisalhos presos em um coque com um corvo ao seu lado.
-Você tem alguma coisa que possa mudar o meu destino? – O tom de Merida era suplicante.
-Primeiro você terá que comprar uma escultura. Pagamento adiantado. – Merida retirou uma corrente do pescoço e entregou à velha. Os olhos dela cintilaram e num piscar de olhos um caldeirão surgiu. A senhora colocou todo tipo de coisa lá dentro e um grande clarão surgiu.
Depois que a luz exagerada desapareceu, a velha entregou para Merida um pequeno bolinho. E aquilo não me parecia uma boa ideia:
-Você tem certeza de que é seguro Merida?
-Tem que ser! Se eu der este bolinho para a minha mãe, ela vai mudar de ideia! – Percebi que seria inútil tentar fazê-la mudar de ideia.
-Pelo menos, nos deixe acompanhá-la.
***
Ao sairmos da floresta, Merida nos guiou até o castelo. Ele tinha uma bela arquitetura tanto por fora, quanto por dentro. Ela arrumou com floreios um prato e nos levou até a Rainha Elinor:
-Mãe! Eu fiz isso pra você! – A Rainha olhou desconfiada. – Como um... Pedido de desculpas! – Elinor, ainda desconfiada, aceitou o doce. O levou para a boca e deu uma pequena mordida. Colocou o prato em uma mesa e desmaiou.
-Mãe! – Merida gritou. Eu a ajudei a colocar a mulher deitada na cama. – O que aconteceu? Por que ela tá dormindo?
-Talvez seja um dos efeitos... – Mas o que eu vi, deixou essa possibilidade fora de questão. Onde jazia a Rainha adormecida, agora estava um urso pardo. Eu olhei para Lexy. – Você não pode reverter isso?
-Creio que já esteja fora do meu alcance. – Ele sacudiu os ombros e espiou pela porta.
Elinor começou a acordar lentamente. Ela primeiramente estava calma, mas logo reparou no que havia acontecido. O grande urso avançou para Merida. Ela rugia ferozmente.
-Se acalma mãe! Me desculpe...
-Shhh! – Lexy fechou a porta. – Eles podem ouvir! – A Rainha se calou, assim como sua filha. – Temos que achar um jeito de sair daqui sem que a vejam.
-E você tem algum plano?
-Tenho. Merida, você vai acalmar a multidão que está reunida, enquanto eu e Mira levamos a Rainha para fora. Todos concordamos.
Merida deixou o quarto primeiro. Nós ficamos escondidos num lugar onde pudéssemos ver o sinal para seguir em frente.
Ela começou sem jeito um discurso que incluía frases como “A Rainha está repousando e não pode falar com ninguém”. Mas logo ganhou confiança e levantou o dedo para que seguíssemos em frente. O plano quase falhou quando Elinor tropeçou em seus próprios pés de urso.
Demos uma boa distância do castelo e Merida saiu bufando de lá. Sabíamos que o Rei não iria aguentar a nossa desculpa, mas tínhamos que achar novamente a casa da bruxa.
-Algum de vocês lembra o caminho? – Nós dois balançamos a cabeça. Ela soltou um suspiro. – E agora?
-Acho que teremos que seguir alguma trilha. Primeiro, temos que achar uma.
Caminhamos várias horas até encontrarmos uma trilha. Podíamos ouvir resmungos vindos de Elinor a todo o momento. Aproveitei o momento em que paramos em uma clareira para obter respostas:
-É de propósito não é? – Eu me aproximei dele. Quanto mais tempo passávamos ali, mais ele ficava sombrio.
-O quê? – Ele não ousou me olhar nos olhos.
-Você poderia abrir um portal agora não poderia? – Ele fitou o escasso por do sol que podíamos ver através das árvores e coçou a cabeça.
-Bem... Sim.
-Mas você quer ajudá-las não é?
-Sim... – Um sentimento de admiração cresceu dentro de mim. Suas ações eram tão nobres.
-Que bom que queremos a mesma coisa. – Eu sorri para ele, mesmo ele não me vendo. Me distanciei do grupo.
Encontrei uma árvore jovem e me recostei nela. Todo aquele clima me deixou sonolenta e acabei caindo no sono. Não sei por quanto tempo dormi, mas quando acordei, já era de noite. Ainda meio sonolenta, tentei me levantar, mas havia um grande peso em cima de mim. Cocei os olhos e consegui distinguir um mar de cabelos vermelhos em cima de mim. De primeira pensei que fosse Merida, mas ao olhar melhor, percebi que ele usava uma capa igual à de Lexy. Dei um grito.
Lexy foi o primeiro a acordar e veio rapidamente na minha direção. A pessoa que estava em cima de mim também. Ele olhou para Lexy e depois para mim:
-Droga.
-Desculpe, mas o que você está fazendo aí?
-Eu caí. – Ahn?
-Se importa?
-Oh, desculpe. – Ele se levantou desengonçadamente.
-Quem é você?
-Eu sou Lea.
-Suponho que já saiba os nossos nomes. – Lexy cruzou os braços. Lea assentiu. – Acho que agora, você nos acompanhará formalmente. – Ele assentiu novamente. Parecia envergonhado. Decidi não perguntar nada. Eu adormeci mais facilmente do que esperava e sonhei com meu antigo mundo.
Minhas memórias mais doces vinham de lá. Os torneios de Struggle onde eu assistia meus amigos competirem. Lembro-me do trem passando toda a hora no Centro. E também da misteriosa mansão nos arredores da cidade. Mas então, o sonho começou a mudar. Um misto de sensações relacionadas à Twilight Town se confundiam com o tecido do casaco de Lexy. Até que eu não distinguia mais o que era sonho ou realidade. Eu estava sendo... Carregada?
-Ela acordou. – Reconheci a voz de Lea. Ele percebeu que eu acordei, mas permaneci com os olhos fechados. Senti-me envergonhada. Um tempo depois, fui colocada gentilmente no chão.
Me levantei e percebi onde estávamos. Finalmente havíamos chego a nosso destino. Merida entrou sozinha. E não se demorou a sair, desanimada.
-Ela não estava. Eu falei com um caldeirão maluco e ele me disse para reunir a união desfeita, ou algo assim.
-E você sabe o que vai acontecer se não conseguir desfazer o feitiço? – Ela acenou a cabeça em negativa. Mas, logo descobrimos.
Elinor portava-se como se fosse humana, mantendo a classe. Mas, assim que nos viramos para ela, seus olhos tinham um brilho diferente, um brilho selvagem. Ela avançou para Merida, mas Lea a empurrou. Corremos para longe, não importava para onde.
Chegamos a uma colina, onde um círculo de pedra formava-se. Paramos para pegar fôlego e ao olharmos para trás, a Rainha não nos seguia.
-Então... Ela pode ser um urso permanentemente.
-Você tem ideia do que é a sua “União Desfeita”?
-Espera. Eu acho que sei. Antes da competição, eu cortei a tapeçaria que a minha mãe bordou.
-Você tem que uni-la! Tem que voltar para o castelo. – Lexy disse.
-Eu vou com você. – Eu disse.
Nós corremos o mais rápido possível. Daquela colina, podíamos ver o castelo e não foi difícil achar o caminho.
Ainda bem que não fomos vistas. Merida rasgou a tapeçaria e eu peguei um kit de costura. Ela costurou rapidamente. Não foi um trabalho perfeito. Mas, nos demoramos quando ela decidiu pegar seu arco e sua aljava.
Montamos em seu cavalo e saímos galopando velozmente. Mas, o que vimos não estávamos preparadas.
Um urso, completamente deformado e machucado atacava-os. Lea portava uma Keyblade em chamas e Lexy tentava atacar com sua varinha. O urso desviou e veio em nossa direção. Se não fosse por Elinor, estaríamos mortas. Uma luta feroz começou a se desenrolar. Mas a Rainha não tinha forças o suficiente e acabou sendo lançada. Merida correu em sua direção.
-Mira! – Ela gritou e me jogou seu arco e uma flecha. O que eu vou fazer?! Eu nunca atirei com um antes! Eu agi por impulso. Coloquei a flecha e puxei. Eu pretendia mirar no urso, mas a flecha se ricocheteou em uma das pedras do círculo. Os olhos de Lexy faiscaram e ele lançou um raio para aquela pedra. Ela despencou em cima do urso. Ele não se moveu mais.
Nossa atenção mudou para Merida e sua mãe. Ela não era mais um urso e sim humana. Estava envolta na tapeçaria e as duas se abraçavam calorosamente. Eu não pude deixar de sorrir.
-Terminamos aqui. – Lexy disse.
-Vocês já vão embora? – Elinor perguntou. Nós dois concordamos.
Ele apontou para um das grandes pedras e lá conjurou o portal.
-Suponho que você virá conosco. – Ele olhou para Lea. O mesmo assentiu.
-Meu disfarce já foi estragado mesmo... – E tudo se distorceu quando eu entrei no portal. A imagem de Elinor e sua filha ficarão gravadas em minha mente para sempre.
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