Perfuração

1 Perfuração


Notas iniciais
Fanfic bobinha, escrita como presente de aniversário (atrasado) para a Iamz! Você sabe que eu te gosto muito, né? ♥

Enfim, se você não for a Iamz, também espero que aprecie a fic, ao menos um pouquinho. ^^

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Perfuração

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Remus estava envolvido em uma busca por seu suéter roxo, velho, largo e confortável, e começava a achar que James tinha pegado a peça de roupa emprestada sem pedir, quando Sirius saiu do banheiro e parou a alguma distância da sua cama.

Remus deu atenção a ele, mas um minuto mais tarde Sirius ainda estava ali, e não era muito natural que ele passasse tanto tempo sem se mover. Ao erguer os olhos, encontrou-o com uma expressão angustiada. A desconfiança cresceu em seu peito.

— Não foi você quem pegou meu suéter, não é? Se estiver me vendo fazer toda essa bagunça sem dizer nada...

Sirius pareceu confuso por um instante, mas então sacudiu a cabeça.

— Merda, Moony. Não peguei nada... — ele hesitou, para então completar com um fio de voz: — Preciso de ajuda, você pode vir aqui um instante? — Sirius pediu sem encará-lo, um leve rubor subindo por seu pescoço.

Remus franziu a sobrancelha.

— O que aconteceu? — questionou, preocupado de repente. Mas, em vez de responder, Sirius deu as costas e voltou para o banheiro. Não restou nada que Remus pudesse fazer a não ser segui-lo.

Sirius estava sentado sobre a pia, ostentando uma expressão de dor, quando o lobisomem entrou no aposento.

— Não ria — o outro pediu, porém Remus balançou a cabeça.

— Seu histórico torna isso muito difícil de prometer, Padfoot.

Sirius revirou os olhos, porém aquele era um argumento justo. Ele levou as mãos aos botões da camisa e começou a despi-la, ao mesmo tempo que Remus prendeu o fôlego.

Quando Sirius terminou de desabotoar a roupa e deixou que o tecido escorregasse por seus ombros, Remus viu que seu mamilo direito estava perfurado por um piercing. Sua língua secou na boca, e o lobisomem sentiu seu baixo ventre dar um ligeiro estirão. Se Sirius queria enlouquecê-lo, certamente existiam maneiras mais fáceis...

Só após um segundo Remus se deu conta de que a pele em volta do piercing estava mais vermelha do que deveria, obviamente inflamada.

— Isso está doendo como a morte, Moony! — Sirius se queixou em um tom lamurioso, e Remus permitiu-se voltar a respirar.

— Devo perguntar o porquê de você ter feito isso?

O outro deu de ombros perante o questionamento.

— Estava com raiva da minha mãe, precisava de alguma coisa para irritá-la.

Remus crispou os lábios, mas já estava acostumado demais com os impulsos idiotas de Sirius para que a coisa soasse tão absurda quanto deveria.

— Posso ver um monte de falhas no seu plano, Padfoot. Duvido que sua mãe tenha visto você sem camisa, para começar.

— Não, mas a coisa estava lá, entende? — ele disse como se fosse óbvio, e Remus suspirou.

— Ser um animago ilegal e acompanhar um lobisomem por aí durante a lua cheia não era rebeldia suficiente?

Sirius bufou e mordeu o lado interno da bochecha.

— Tudo bem, eu também achei que ia ficar legal! Era o que você queria ouvir? Pode me ajudar agora? Já percebi que isso é apenas ridículo e dolorido — ele pediu em um tom quase choroso, e Remus finalmente se aproximou.

O piercing transpassava o mamilo dele de um lado ao outro, através da carne inchada e vermelha. Não achava que faria algum bem a Sirius saber daquilo, mas, para além de ridícula e dolorida, a coisa também parecia bastante sexy.

Remus levou a mão até o peito dele, tocando a pele inflamada com a ponta dos dedos, e Sirius gemeu de uma forma que lançou um arrepio por sua espinha. Ambos coraram, e o lobisomem teve medo de que Sirius percebesse sua excitação.

— Talvez você devesse... — Remus murmurou, porém Sirius o interrompeu com um estalar de língua.

— Se você disser que eu devo procurar a Madame Pomfrey vou azarar você! Nem pensar que vou passar por essa vergonha.

Remus o encarou, mas Sirius parecia mais dolorido do que disposto a provocá-lo. Além do mais, nunca fora realmente bom em ficar irritado com ele. No lugar disso, Remus imaginou-se fazendo um discurso sobre as propriedades curativas da saliva de lobisomem, e, então, curvando-se e tomando o mamilo do outro na boca, sentindo o gosto metálico do piercing e da inflamação, sugando a pele...

Em um ímpeto, se virou, dando às costas a Sirius, pois nada o ajudaria se o outro por acaso mirasse entre suas pernas naquele instante.

— Você é um idiota, Padfoot — disse, abrindo as gavetas da pia e procurando as poções curativas que costumava usar após a lua cheia.

— Só não conte ao Prongs sobre isso — Sirius pediu. Em resposta, Remus sorriu de lado, destilando maldade através do gesto.

— Se você acha mesmo que eu não vou usar essa situação quando precisar conter seu ego, não aprendeu nada sobre mim durante todos esses anos de amizade.

Sirius merecia um pouco de humilhação saudável em troca da agonia que estava fazendo-o passar. O animago fez uma careta, mas não contestou.

— Odeio vocês — ele declarou como criança.

— Tente não se perfurar com objetos metálicos da próxima vez — Remus falou, embora ideia de ter Sirius deitado sobre o seu corpo, seus peitos colados, apenas o frio do metal entre eles, ainda estivesse enchendo sua mente.

Suspirando, voltou-se para Sirius, estendendo-lhe um pote com loção anti-inflamatória. Ele hesitou, uma expressão angustiada sobre a face, e então pareceu vencido.

— Isso não vai sarar direito se eu não tirar o piercing, não é?

Remus não era um especialista, mas podia apostar que não.

— Você quer que eu tente fazer isso? — perguntou, e Sirius pareceu aliviado por Remus ter oferecido aquela ajuda antes que ele precisasse pedir.

— Eu tentei tirar sozinho, mas não deu muito certo.

Quando eram crianças, Sirius costumava ajudá-lo com os curativos após as transformações, mas fazia muito tempo que Remus não permitia um contato tão próximo entre ambos. Gostaria de saber se ele sentiria todo aquele peso no estômago se os dois estivessem em posições trocadas.

Estendeu a mão, deslizando os dedos pelo peito alheio até o mamilo machucado. Sirius soltou um ganido enquanto ele tentava desatarraxar a ponta do piercing, mas Remus não deu atenção. Em vez disso segurou a respiração, tentando se concentrar. Se ele podia suportar aquela proximidade, Sirius também podia aguentar um pouco de dor.

— Eu conto até três e você puxa essa coisa para fora? — Sirius propôs, mas, antes que o animago pudesse começar a contar, Remus puxou a peça de metal.

O gesto foi acompanhado por uma torrente de palavrões e xingamentos. Sirius levou as mãos ao peito, de onde escorria um filete de sangue, junto com um líquido aguado, resultado da inflamação. Apesar disso o machucado não parecia muito aberto, e, se aquelas poções podiam dar um jeito nos lanhos que Remus ganhava com as transformações, apostava que Sirius estaria bem no dia seguinte.

Assim que a onda de maldizeres cessou, ele deixou-se pender para frente, pousando a fronte sobre o ombro de Remus. Por reflexo, Remus acarinhou suas costas.

— Eu não sei se agradeço ou se xingo você, custava ter esperado “três”? — Sirius reclamou, fazendo o lobisomem bufar.

— Se tem queixas, da próxima vez peça ajuda para o James — disse, mas o outro balançou a cabeça negativamente.

— Ele não tem tanto apreço por minhas zonas erógenas quanto você.

Podia apostar que Sirius, ainda encostado em seu ombro, tinha ouvido seu coração acelerar. Então, afinal, o bastardo sabia que o estava torturando!

Remus sentiu-se corar, mortificado. Seu estômago revirou, e ele estava sentindo-se dividido entre desculpar-se, vomitar ou afogar-se no Lago, quando se deu conta de que Sirius tinha percebido seus sentimentos e ainda estava ali, confortável entre seus braços. De fato, ele tinha procurado-o no lugar de James ou Peter, e estava provocando-o amigavelmente sem parecer nem um pouco incomodado...

Remus desvencilhou-se dele e fechou o punho sobre o piercing.

— Sabe, Sirius, eu até que gostei disso. Tenho ideias sobre onde ele iria ficar ainda melhor — falou sugestivamente, de uma forma que fez Sirius engolir em seco. — Pode apostar que essa coisa ainda vai voltar para o seu corpo.

— Ahh, nem pensar! Nem por você, Moony! — Sirius contestou, mas havia um sorriso malicioso na face dele que tornou suas palavras pouco convincentes, e Remus soube que estava mais perto de beijá-lo do que jamais estivera até ali.

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Dois anos e uma explosão depois, enquanto Moody o cobria com um feitiço que detectava estilhaços, Sirius teve que fazer um grande esforço para explicar que aquele pedaço de metal específico entre suas pernas não precisava ser retirado.

Notas finais

Reviews são amor, só lembrando. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!