Notas iniciais
Eu tinha começado essa fic há um bom tempo, aí comecei a escrever outra e pensei: eu posso misturar essa coisa aí com a outra... E deu certo... Mudei alguns personagens e deu super certo, ao menos pra mim :D
Espero que gostem!
Desculpem os erros. Eu revisei umas três vezes, mas to achando que tem coisa errada aí ainda... Enfim...
Boa leitura!

- Eu não sei se deveria me abrir com você, mas ando meio deprimido e acho que isso me faria bem. Mas, lembre-se: você aceitou me ouvir, então vou vomitar tudo, até não sobrar nada.

“Pois bem, lá vou eu:

Não faço muito, nem tanto quanto dizem. Sou um rapaz – sim, um rapaz, ainda – muito sossegado. Muito tranquilo. Sou o palhaço daqui, às vezes; todos dizem que sou tremendamente amedrontador, mas não sei em que meto medo. Talvez minha altura. Hm, se bem que não sou o mais bonito daqui. Talvez minha cara seja de mau. Será? Maldito espelho, bem que poderia mostrar algo melhor pra mim. Mas sou bom amigo. amigo. Não tenho namorada, nem namorado, nem romance de verão, nem de inverno e nem nenhuma estação.

Que droga.

Estou cansado de ser o amigo. Aldebaran, o amigo. Queria ter o que eles têm. Andar junto de alguém, não só como segurança. Crianças gostam de mim, mas isso não impressiona a ninguém, nem a quem eu quero que impressione. Não, esse alguém está muito ocupado com outra pessoa, um pouco mais belo que eu. Veja bem, todos dizem que adorariam um “grande e grosso”, mas eu duvido muito que esse italiano tenha isso. A ultima vez que tentei algo com alguém, a pessoa desistiu. Ora essa, pra que medo? Eu disse que seria delicado. Talvez eu devesse mudar de profissão. Cavaleiro de Ouro já está deveras defasado pra mim. Talvez deva seguir o conselho do Milo e virar ator pornô. Talvez eu faça isso, largue tudo hoje mesmo e vá. Ah, mas que graça teria? Ele saberia que eu desisti. Gosto do respeito que ele tem por mim. E ele me respeita. Sou um dos poucos para quem ele sorri. Acho que isso foi o estopim de tudo. Aquele sorriso... Que sorriso delicado ele tem. Como pode gostar do Máscara da Morte? Ele só sorri quando tem alguma maldade envolvida.

De onde venho, sempre dizemos que se gostamos, devemos deixar a pessoa ser feliz. Tenho ponderado muito sobre tal pensamento. Tenho o coração muito mole, caso não tenha lhe dito. Sabe quando a gente deita na cama e fica imaginando a vida perfeita? Eu faço isso sempre. E sempre me vejo ao lado dele e ele sorrindo pra mim. Ah, eu não vou crescer nunca.

Que isso fique entre nós: eu sou virgem.

Ei, não ria de mim. Se continuar a rir, eu paro por aqui mesmo, entendeu?

Sou virgem sim. É como já lhe disse: ninguém tem coragem de encarar o que tenho dentro das calças”.

- Minha garganta está seca... Pode me dar mais um gole disso?

- Claro! – respondeu entre risos.

- Você é um bom ouvinte, Saga, obrigado.

- Estou à disposição. Agora tenho cada vez menos trabalho. Mas já está tarde, Aldebaran, e a vigia das seis da manhã é minha. Se não se importar, eu vou para minha Casa. Preciso dormir.

- Sim, sim. Pode ir. E, mais uma vez, obrigado. Ah, você poderia deixar esta garrafa?

- Sinceramente, não esperava que logo você, que não bebe, fosse gostar dessa coisa...

- Não bebo, mesmo. E nem gostei muito. Mas é bom pra “afogar as mágoas”, como dizem.

- É toda sua... Eu tenho mais dela em casa.

Aldebaran ficou olhando o amigo ir embora, em seguida virou seu rosto para o céu estrelado. A Lua estava tímida por de trás de algumas nuvens. Adormeceu por algum tempo ao lado de fora de sua morada. Seu despertar se fez com o cheiro de terra molhada – sinal de chuva – que chegava intenso ao lugar. Intenso e denso. Aquele cheiro estava um pouco salgado... Abriu seus olhos e viu Afrodite se aproximando.

- Boa noite, Afrodite...

- Boa noite.

A voz grossa do Cavaleiro de Peixes sempre o fazia se arrepiar. Ele era forte e másculo, mas tinha um jeito delicado de fazer as coisas. Tinha certa leveza para tudo.

Afrodite estava suado. Sua franja estava um pouco grudada em sua testa. O sueco sentou-se ao seu lado e foi impossível para Aldebaran não notar os nós dos dedos das mãos feridos. Ele havia brigado. Estalava os dedos. Sua postura era totalmente inesperada para alguém com sua aparência.

- Me dá um gole? – perguntou o pisciano, apontando para a garrafa sem rótulo.

Aldebaran a entregou para ele. Ironicamente, era exatamente o que havia nela: um gole. Afrodite virou a garrafa toda e deixou a boca aberta, esperando assim, sorver a ultima gota dela.

- Eu não sabia que você bebia, Afrodite.

- Eu digo o mesmo de você.

- Com quem brigou?

O brasileiro apontou para os dedos feridos do menor.

- Você já deve imaginar com quem. Com o mesmo de sempre. Mas não pelos motivos de sempre... Não exatamente.

Sua voz saiu mais baixa no final. Coçou o cenho e depois escorregou a mesma mão até a bochecha, que se apoiou nela. Seu olhar caiu sobre o brasileiro. Seus olhos estavam um tanto distantes e avermelhados, entretanto, pareciam imensamente calmos. Uma calma contagiante. Seu corpo tombou um pouco para cima do brasileiro. Sua mão tocou seu pulso. Foi simplesmente impossível para Aldebaran não sentir seu estômago não gelar. Era como se estivesse descendo uma ladeira muito, mas muito alta de patins, enquanto uma moto o puxava. Conhecia bem a sensação. Por incrível que pareça, ele, um Cavaleiro de Athena, fez tal coisa em sua infância. Claro que como cobaia, mas se divertiu. Os gêmeos também.

- Eu... Eu nem sei o que dizer. Sinto muito, talvez?

O pisciano deixou um sorriso escapar.

Aquele sorriso Aldebaran nunca vira.

Foi então que percebeu: o toque dele era quente. As mãos do pisciano estavam quentes. Sentiu seu próprio corpo arder um pouco.

- Você me fez abrir meus olhos. – disse Afrodite em seu ouvido. – Eu já sabia que ele me tratava como lixo. Me ignorava e fazia pouco de mim. Mas ninguém nunca disse coisas sobre mim, como você disse. Ninguém nunca quis me impressionar. Ele nunca fez isso.

- Você... Você ouviu?

- Eu havia acabado de pedir passagem, lembra? Estava voltando porque esqueci minha carteira e acabei ouvindo tudo.

- Não quis dizer que sou melhor que ele, Afrodite.

- Eu sei. Mas eu acho que você é.

Aldebaran ia dizer algo mais para se retratar, mas sua boca foi tomada pelo beijo do Cavaleiro de Peixes. Porém, não resistiu. Nem tentou. Era seu sonho virando realidade. Sentiu-se ser guiado a se levantar. Era a tal delicadeza de Afrodite. O toque suave, porém controlador, que obrigava quem quer que fosse a fazer sua vontade sem nunca perceber ou questionar. Era como um feitiço lançado pelo toque. E os beijos tiravam qualquer noção de tempo ou espaço. Quando percebeu, se realmente percebeu, já estavam em seu quarto, deitados na cama.

Sucumbia a cada toque do sueco. Obedecia a cada ordem do mesmo. Ordens sem uma única palavra, apenas toques guiavam suas mãos ao corpo esguio.

Sentiu o primeiro toque em seu membro rijo e tremeu.

- Ah... – gemeu o taurino, a voz saindo fina e rouca ao sentir o toque dos lábios dele em sua região mais sensível.

Mal conseguia manter os olhos abertos. Era totalmente estimulado. Agarrava-se aos lençóis e os puxavam, os braços musculosos tensos, loucos para puxar a cabeleira loira.

- Não tenha medo de me tocar, Aldebaran. Eu não sou feito de vidro.

O rosto do brasileiro estava vermelho. Ele se apoiou em um dos cotovelos e tocou o rosto de Afrodite com as costas da outra mão. O olhar de surpresa do pisciano só não foi maior porque se lembrara de que não estava com Máscara da Morte, que sempre agia com violência, machucando-o às vezes. Era Aldebaran, o gentil.

Saiu de sua posição e engatinhou até ele. Colaram os rostos e um beijo delicado surgiu.

- Posso seguir em frente com isso, Aldebaran?

A pergunta que Giovanni nunca fizera ao pisciano, ele fez ao taurino.

- Sim... Pode...

Aquele era um sorriso diferente de todos que Aldebaran já vira. E em nenhum momento se perguntou se o italiano havia visto tal coisa. Não. Sabia que era um sorriso íntimo. Assim como o olhar. Afrodite de Peixes era um mar de sensações, que transbordava em todo e qualquer detalhe, mas nunca acabava.

Mais uma vez foi guiado pelo outro e se deixou deitar, tocar, estimular. Estava relaxado. A confiança estava ali o tempo todo. Aldebaran sentiu quando foi penetrado. Um desconforto que conseguia aturar. Sentia suas pernas grossas serem tocadas e apertadas pelas mãos finas de Afrodite, que se mexia lentamente. Seus olhos se fechavam por breves segundos e voltavam a se abrir, cada vez mais absortos em prazer. Sua cabeleira caía para um lado, deixando um dos ombros totalmente exposto. E assim se mantiveram por um longo tempo. Aproveitaram-se até que todo o fôlego se esgotasse. Até que o corpo de Afrodite não conseguisse mais se mover, ou até que Aldebaran já não sentisse mais as dores das primeiras estocadas.

E foi deitar-se ao lado de Aldebaran que Afrodite pôde ver: o olhar do taurino era diferente, totalmente diferente, do canceriano. Era encantador, gentil – como o dono – e apaixonante. Parecia realizado, mas ainda tinha sede por mais. Mas não era uma sede carnal, apenas. Havia um brilho de curiosidade mais profunda. Nunca o olharam daquela. E Afrodite já recebera milhares de olhares. Conhecia todos eles, sentia sobre si o peso de cada um. Mas aquele conseguia deixá-lo tranquilo.

O pisciano riu, e sua voz saltou ao silêncio da casa de Touro.

- Do quê ri? – perguntou Aldebaran, imaginando se teria feito algo errado.

- De mim. Perdi tanto tempo com o Cavaleiro errado. Chega a ser engraçado saber que achei o certo.

O sueco passou as mãos no rosto de Touro, que s pegou e beijou. Ouviu o som conhecido do canto dos pássaros que anunciavam a chegada da manhã. Ele não percebera o tempo passar. Talvez nenhum dos dois. E foi pela primeira vez que ambos puderam dormir junto de quem gostavam pela manhã.

Notas finais
Meu casal preferido!
Espero que tenham gostado!
Bjos ^3^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!