Notas iniciais
Ok ok, muuuuuuito tempo sem postar, foi mal :(

Acordei com o sol no meu rosto, havia deixado à janela aberta para o vento entrar.

Levantei-me e caminhei pelo quarto, a mala estava num canto e os cacos do espelho estavam em outro, me ajoelhei do lado de um pontiagudo.

O espelho era gigante, era daqueles que dava pra ver a pessoa inteira, e nas mãos de Sarah havia quebrado facilmente.

Estiquei meu braço, havia alguma coisa escrita em um dos pedaços. Vendo-o mais de perto vi o que estava escrito, e sabia o que queria dizer.

Nicholas.

Vi gotas de sangue e levantei meu braço, havia cortado meu pulso em um dos cacos do espelho.

– Droga!

O corte fazia um V perfeito. Levantei-me e fui até o banheiro, tinha que limpar isso logo antes que sujasse minha roupa.

Com um pedaço de papel pressionando meu pulso, sentei no vaso sanitário. O corte não queria parar de sangrar.

– Senhora...?

Levantei-me assustada.

– Que susto, Clara.

Minha governanta era muito bonita, tinha os olhos azuis com os cabelos loiros.

– A senhora está bem? Vi que um espelho quebrou.

Sorri.

– Foi em uma das minhas bebedeiras, bati e ele caiu.

Ela olhou para o meu pulso.

– Se cortou?

– Está tudo bem, só peça para alguém, ir limpar os cacos, por favor.

Ela saiu do banheiro.

– Vai viajar senhora?

Repensei em todos os riscos que estaria correndo se fosse. Se Sarah estava mesmo aqui, não queria que eu chegasse perto de Nicholas, mas nunca obedeci minha irmã e não era agora que iria começar a obedecê-la.

– Sim Clara, vou viajar por uns dias.

Fui até a frente do espelho do banheiro. Minha aparência era a pior possível. Olhos cansados, minha pele estava flácida e estava com olheiras enormes. Maquiei-me rapidamente enquanto Clara limpava os cacos de vidro do espelho.

– Senhora, ele está escrito.

Rapidamente peguei da mão dela.

– Esse pedaço vai ficar comigo, obrigado.

Coloquei o caco dentro da minha bolsa, num lugar que me certifiquei que não me cortaria caso me esquecesse dele. Depois arrumei minha mala com poucas roupas, afinal não ia ficar lá por muito tempo, e nem queria.

– Clara estou indo, quando for voltar, vou avisar.

– Ok senhora, boa viagem.

– Obrigada.

O táxi que minha secretária havia agendado para aquela amanhã já estava na frente da minha casa. Respirei fundo, precisa ir, mas lá encontraria o que estava a muito tempo tentando fugir.

–Moça?

O taxista chamou me tirando do meu próprio mundo.

–desculpe, vamos para o aeroporto por favor.

–claro.

abri a porta e me joguei no banco de trás, coloquei a mala em cima do banco, estava cansada e com medo. Será que o que havia acontecido ontem era real? Ou eu havia apenas sonhado? No momento me pareceu muito real, mas alguns sonos que tenho me passam a sensação de seres reais, e se ontem foi só mais um? A confusa corria solta dentro da minha cabeça e sem perceber acabei dormindo.

–Lili?

alguém me levava nos braços.

–Quem é?

Me depositaram numa cama. Ela parecia familiar, mas estava tão cansada, tão aflita que não acordei, até sentir alguém mexer no meu cabelo.

–Aonde estou?

Me sentei assustada e olhei ao meu redor, estava sentada numa cama com concha amarela, na parede varias coisas que eu gostava, até os 17, minhas bonecas ainda estavam no chão sentadas como eu havia deixado. No teto as estrelas penduradas me faziam me lembrar as noites em que fiquei até tarde olhando-as, até dormir e na escrivaninha, estava meus livros e o ultimo que eu estava lendo ainda estava lá no canto.

E do meu lado sorrindo feito um garoto, estava um homem, que pelos olhos, reconheci imediatamente.

–Como vim parar aqui?

Sussurrando me levantei da cama, olhei centímetro por centímetro, canto por canto.

–Sentiu falta daqui Lili?

Virei para Nicholas depois de anos sem vê-lo.

–como vim parar aqui?

Ele se levantou e caminhou até minha penteadeira, adorava ficar escovando meu cabelo até tarde nela. Pegou um fio de prata com um coração na ponta.

–Eu pensei que você viria, e queria te encontrar no aeroporto.Vi o taxi, e ia pega-lo para ir na sua casa, estava começando a me preocupar, então vi você deitada com a cabeça encostada na janela, e pedi pro motorista leva-la até perto do jatinho que aluguei, e então a trouxe. Você dormiu o caminho inteiro, você aparentava cansaço.

Abaixei minha cabeça, e sentei na cama de novo.

–O que é isso na sua mão?

–Isso?

Ele estendeu o colar com a inicial A no meio, feito de prata com um pingente de coração. Havia deixado ele pra não ser reconhecida, e agora ele estava na mão de Nicholas.

–Porque você foi embora?

Levantei os olhos para observar o colar nas suas mãos. Porque eu havia ido embora? Porque simplesmente me doía vê-lo com ela?

–Eu precisava ir.

Me levantei e me posicionei na frente da janela, a rua estava ensolarada, cheia de margaridas que aquela rua sempre teve, sorri, aquilo era o que eu precisava ver para me acalmar um pouco.

–Esqueci como estava sentindo faltas dessas margaridas.

Senti suas mãos na minha cintura, ele me virou e olhou nos meus olhos.

–Porque Lili? Porque simplesmente deixou aquela carta e foi embora?

O encarei nos olhos.

–é porque ela Nicholas? Não tinha uma pior?

Ele me encarou ainda mais fundo, como se quisesse ver minha alma.

–Você foi embora por causa disso?

Ok, estava me entregando.

–Isso não é o importante, você se casou com ela, foram felizes enquanto eu não estava aqui, minha presença não foi nem um pouco importante.

Ele balançou a cabeça.

–Você não sabe o que está falando.

–Não venha me falar, que eu não sei o que estou falando.

–Sua mãe piorou muito depois que você sumiu. Você era a favorita deles e de uma hora pra outra não estava mais aqui. é agora com a morte da sarah ela está pior, tem crises de choro toda hora, e fala que sente sua falta.

Palmas, ele conseguiu me deixar culpada. Minha mãe e meu pai eram o que eu mais priorizava e agora minha mãe tá assim. Acho que tenho um pouco de culpa nisso.

–Não foi fácil Nicholas, você fala como se eu não tivesse culpa nenhuma, e você está enganado. Isso não foi culpa deles, sim minha e acabei prejudicando eles por um egoísmo meu. Mais agora já foi, não posso voltar pro passado. Me desculpa senhor Nicholas.

Ele olhou para o pingente que estava na sua mão, ele abrindo o fecho, o rodeou em volta do meu pescoço e fechou a trava.

–Não foi só eles que sofreram, você acha que eu também não senti?

Gargalhei.

–Sua vida era a Sarah agora Nicholas, deixei bem claro que era pra me esquecer.

–Você não sabe porque fiquei com a Sarah, então pode parar Alice.

–Começou a lembrar meu nome agora?

Ele aproximou os lábios e ficou poucos centímetros de mim.

–Senti falta de você, Alice.

–A Sarah mal morreu e você já quer cair nos meus braços, Nicholas?

–Não eu só...

A porta bateu violentamente. Os dois nos separamos assustados.

–Nicholas tem alguém em casa?

–Não. Eu não sei quem pode ter feito isso.

Já eu sabia muito bem.

Notas finais
é isso, espero que gostem
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.